Igreja da Misericórdia de Braga

IPA.00000079
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (Maximinos, Sé e Cividade)
 
Arquitectura religiosa, renascentista, maneirista, barroca e neoclássica. Edifício composto por igreja de Misericórdia, de planta longitudinal, de nave única, com Casa do Despacho rectangular, adossada junto à fachada principal, formando um L. O edifício apresenta fachadas maneiristas, particularmente evidente através dos portais da igreja, nomeadamente na fachada principal, com portal-retábulo, a toda a altura da fachada, conjugando uma estrutura maneirista, com elementos decorativos renascentistas, e alguns elementos barrocos introduzidos posteriormente, como é o caso da pedra de armas do Arcebispo D. Gaspar de Bragança. Apresenta dois registos suportados por colunas compósitas estriadas, com motivo serliano no segundo registo, com recurso a elementos decorativos como medalhões com bustos, conchas e pináculos. O portal apresenta muitas semelhanças o da Igreja de São Domingos, em Viana do Castelo (v. PT011609190002) e com o do Convento de São Gonçalo de Amarante (v. PT011301330001). Portal lateral, mais simples, enquadrado por colunas compósitas estriadas rematado por grupo escultórico. Interior com retábulo-mor barroco joanino. Órgão neoclássico.
Número IPA Antigo: PT010303520032
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta por igreja de planta longitudinal, de nave única, com sacristia e Casa do Despacho rectangulares, adossadas a O., formando com este último corpo um L. Volumes articulados de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja e três águas na Casa do Despacho. IGREJA de fachadas em cantaria de granito, com fachada principal virada a N., rematada por frontão triangular, com cruz latina sobre acrotério, possuindo na base grandes conchas alternadas com fogaréus e rasgado ao centro por óculo circular. Portal principal organizado como um retábulo de dois registos. O primeiro, de maior porte, é delimitado por pares de colunas compósitas, de fuste canelado, sobre duplas bases, prismáticas, com molduras e mascarões, enquadrando de um lado uma imagem da Rainha Santa Isabel e de outro a de São Luís sob baldaquino. Ao centro, com acesso por escadaria, rasga-se portal em arco pleno, com a pedra de armas do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, no feixo do arco, ladeado por dois bustos inscritos em medalhões. As colunas, são unidas por entablamento, com friso decorado por medalhões, coroado por conchas entre fogaréus, nos extremos. Segundo registo, com serliana de colunas coríntias, decorada com dois pares de bustos em medalhão, encimada por dupla cornija, rematada por pináculos, enrolamentos e cartela. De cada lado, dispõe-se janela com motivo em "tabula ansata". Fachada lateral E., rasgada por dois janelões em arco pleno, inscritos em moldura rectangular, com portal central de verga recta, moldurado, enquadrado por duas colunas compósitas, de fuste estriado, sobre bases prismáticas com mascarões, unidas por forte entablamento sobre modilhões, coroado por edícula enquadrada por duas colunas compósitas, de fuste estriado, rematadas por dupla cornija sobrepujada por motivos zoomórficos afrontados. A edícula, alberga grupo escultórico em barro cozido, representando a Visita de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel, ladeado pelas imagens de São José e São Zacarias, e nos extremos putti tocando trombeta, sobre esfera. Fachada lateral O., parcialmente oculta por corpos mais baixos, rascada por janelão em arco pleno. Fachada posterior, dentro do pátio da Sé, em empena, coroada por cruz no vértice e nos extremos por pináculos. A fachada é cega, dividida ao meio por friso. INTERIOR, com nave coberta por abóbada de madeira, decorada por caixotões, pintados com florões, possuindo ao centro as armas da Misericórdia. Coro-alto de madeira, destacado ao centro em semi-circulo, com guarda em balaustrada de madeira. Do lado do Evangelho, encontra-se órgão de talha com decoração de grinaldas. Presbitério, separada por grade de comunhão, em balaustrada de madeira. Parede testeira integralmente preenchida pelo retábulo-mor, de talha dourada, planta recta e três registos, rematado por edícula central, protegida por baldaquino, ladeada por anjos e peanhas com imaginária, também com baldaquino. Tribuna em arco pleno, com resplendor no feixo, possiondo tela pintada com a representação da Mater Omnium. Eixos laterais tratados com nichos recortados albergando imaginária, sobre outros nichos mais pequenos, também com imaginária, inscritos em arcos plenos, sobre pilastras, com decoração fitomórfica. Altar recto, com alto relevo policromo, com a representação do Milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. CASA DO DESPACHO, com fachada principal em cantaria de granito, a N., na continuidade da fachada principal da igreja, rematada por cornija sob beiral saliente. Na extremidade E. do beiral, a ladear o frontão de remate da igreja, sineira encimada por frontão curvo, com volutas nos extremos, tímpano concheado e coroado por pináculo. Apresenta três registos, sendo o primeiro limitado por friso, rasgado por dois portais de verga recta, rematados por cornija recta, e por pequenas frestas e janelas jacentes. Segundo registo rasgado regularmente por dois pares de janelas de peito, de verga recta, rematadas por cornija recta, encimadas por janelas de sacada, com guarda de ferro, de morfologia idêntica, formando o último registo.

Acessos

Rua D. Diogo de Sousa; Largo D. João Peculiar *1

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1ª Série, nº 226 de 29 setembro 1977; Incluído na Zona Especial de Protecção da Sé de Braga (v. PT010303520005) e do Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga (v. PT010303520021)

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, em pleno centro histórico de Braga (v. PT010303070088), em terreno ligeiramente desnivelado, no gaveto da Rua D. Diogo de Sousa com a Praça de D. João Peculiar, adossado a S. a pátio fechado, conhecido como claustro de Santo Amaro ou de São Geraldo, da Sé de Braga, com o qual tem comunicação interior. A O., a Casa do Despacho adossa-se a prédios de habitação. Na proximidade, NE. encontra-se o Antigo Paço Arquipiscopal de Braga, e a NO., a Câmara Municipal de Braga (v. PT010303520123) e a Fonte do Pelicano (v. PT010303520106).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: Misericórdia

Utilização Actual

Religiosa: igreja de Misericórdia

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Arquitecto: Manuel Luís (atr. risco inicial da igreja), Geraldo Álvares; Azulejador: Padre Frei Bento da Cunha; Carpinteiro: João de Oliveira, Francisco João; Desenhadores: Padre Ricardo da Rocha e Padre Frei José de Braga (risco dos retábulos); Douradores: Manuel da Cunha, José da Cunha; Ensambladores: Gonçalo Pacheco, Lucas Fernandes, Jácome Pires, João Rodrigues, António da Costa, Agostinho Marques da Silva (arcazes e armários da sacristia), Paulo Soares, António Marques; Entalhadores: Belchior Fernandes, Marceliano de Araújo, Jacinto da Silva; Organeiro: Luís de Sousa; Pedreiro: Mestre Manuel Carvalho, Francisco Vaz, António Correia; Pintores: Mestre António Juzarte, Domingos Teixeira Fânzeres, Domingos Silva; Pintor de azulejos: Francisco Fernandes Buléu; Serralheiro: Francisco Luís.

Cronologia

1513 - É fundada a capela de Jesus da Misericórdia, instalada numa capela do claustro da Sé, conhecida como Senhora da Piedade; 1558 - reune-se a Mesa da Misericórdia, com o apoio do Arcebispo D. Baltasar Limpo, para se construir uma nova igreja "nas casas de Branca de Azevedo que estão defronte da capela de D. Gonçalo Pereira"; 1562 - início da construção da igreja; 1563 - encontravam-se em curso as obras de construção da igreja; 1577 - contrato com o mestre pintor António Juzarte para a realização das pinturas do retábulo do lado da Epístola, cuja talha foi entregue aos ensambladores Lucas Fernandes e Jácome Pires; 1603, 20 Abril - restauro dos pilares e retábulos da igreja, por Paulo Soares, pelo preço de 20 cruzados; 1624, 31 Março - contrato com o mestre pedreiro Francisco Vaz e com o carpinteiro Francisco João, para executarem a casa da Misericórdia (provávelmente a Casa dos Despacho), segundo risco do padre Geraldo Álvares; 1656, 7 Novembro - contrato com o mestre ensamblador Gonçalo Pacheco, da Rua da Cruz de Pedra e com o mestre carpinteiro João de Oliveira, do campo de Nossa Senhora a Branca, para execução do tecto de caixotões da nave, segundo o modelo dos caixotões do Convento do Salvador (v. PT010303410020); 1662, 10 Maio - obras levadas a cabo pelo Padre Frei Pedro da Cunha, entre as quais a colocação de azulejos; 1663 - foram feitos assentos ao redor da igreja, porta do púlpito e pia de água benta; 30 Maio - mudança dos órgãos da parede da igreja, para o coro; 1664, Setembro - conclusão da colocação dos azulejos, atrás do Cristo do retábulo-mor, e das obras do coro, desenhado por Francisco Fernandes Buléu e executados pelo padre Frei Bento da Cunha; 1679 - reformados os retábulos por Belchior Fernandes e acabado o retábulo de pedra conforme risco do Padre Frei José de Braga, religioso da Piedade; as obras são continuadas pelo mestre de pedraria Manuel Carvalho; 1687 - o mestre de pedraria Manuel de Carvalho, abre uma parede para a tribuna do altar; 1688 - o mesmo mestre faz uma obra de pedraria para assentar as grades de pau-preto; 1688, Junho / 1689, Junho - colocação das grades de pau-preto, pelo ensamblador António Marques; abertura de um arco junto à porta da antiga sacristia, transformada em Capela do Santíssimo; 1690, 15 Novembro - colocação das ferragens nas grades de pau-preto, feitas pelo serralheiro Francisco Luís; 1692 - João Rodrigues pavimenta o coro-alto; 1694, Junho 11 - António da Costa, realiza armários para o coro-alto e guarda-roupa e cartório para a sacristia; 1699 - é restaurada a capela do Santíssimo Sacramento; 1700 - Agostinho Marques da Silva realiza armários e oratório para a sacristia; séc. 18 - execução dos presépios em Aveiro; 1703 - Bento Coelho pinta uma tela de Nossa Senhora da Boa Morte para o retábulo do Santíssimo Sacramento; 1704 - obras na sacristia, realização do retábulo e grades; 1710 - é provedor da Santa Casa, o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, o qual implementou diversas obras na igreja; 1710, Junho - o pintor Manuel da Cunha dourou o retábulo da Boa Morte e o arco da capela; 1722 - pintura do quadro de Nossa Senhora da Visitação por Domingos Silva; 1723, Maio - colocação na fachada principal, das imagens da Rainha Santa Isabel e de São Luís, rei de França, executadas por António Correia, de Palmeira, Lugar de Coucinheiro; 1735 - pedido de autorização ao Cabido para a realização de grandes obras na capela-mor a fim de receberem o retábulo que executava Marceliano de Araújo; Março - são feitas as escadas embebidas no perpianho da parede nas costas da Senhora da Piedade; 9 Março - a Mesa da Miseircórdia decide mandar fazer um sino novo; Julho - contrato para a execução de novos retábulos para completarem o do altar-mor; 1736 - obra de construção da escada de ligação à Rua Nova; 1739 - acrescentamento dos retábulos e execução do frontal para a capela de Nossa Senhora da Boa Morte; 1741, Abril - Jacinto da Silva executa o retábulo do Santo Cristo; 1750 - obras na igreja e sacristia; 1758 / 1789 - colocação das armas do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, sobre o portal principal; 1768 - execução de novo órgão por Luís de Sousa; 1794 - novas obras na igreja; 1795 - remoção dos azulejos da igreja; 1853 - grandes obras de reforma e conservação do edifício; 1855 - construção da escadaria da igreja sobre a antiga fonte de São Geraldo; 1891 - colocação da cruz de remate da fachada; 1895 - nova reforma, com douramentos feitos por José da Cunha e pinturas por Domingos Teixeira Fânzeres; 1995, 27 Junho - um dos caixotões desprende-se do tecto da igreja.

Características Particulares

Os portais apresentam excelente trabalho de cantaria, contrastando a sobriedade das fachadas com a exuberância dos portais, notório principalmente no principal, que preenche toda a fachada, conjugando uma série de elementos, como pináculos e grandes conchas. O conjunto de estatuária de barro cozido, do portal lateral, assim como a sua integração arquitectónica constituem um raro exemplar da concepção maneirista do enquadramento de elementos escultóricos numa fachada (VASCONCELOS 1993). Retábulos com excelente trabalho de talha, sendo também de destacar o mobiliário da sacrtistia.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura e elementos decorativos em granito; grupo escultórico do portal lateral em barro; portas, janelas, cobertura da nave, guarda do coro-alto, grades de comunhão, retábulos e mobiliário da sacristia em madeira; cobertura exterior em telha de canudo.

Bibliografia

BELLINO, Albano, Archeologia Cristã;COSTA, Luis, Braga. Roteiro Monumental e Histórico do Centro Cívico, Braga, 1985, pp. 22 - 23; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; VASCONCELOS, Flórido de, Notas sobre a Estatuária Nortenha em Barro Cozido, in Museu, nº 1, Porto, 1993, pp. 9 - 19; IPPAR, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado. Distrito de Braga, Lisboa, 1993, p. 28; OLIVEIRA, Eduardo Pires de Oliveira, O Edifício do Convento do Salvador - de mosteiro de freiras ao Lar Conde de Agrolongo, Braga, 1994; MOREIRA, Rafael, Arquitectura: Renascimento e Classicismo, in História da Arte Portuguesa, (Direcção de Paulo Pereira), vol. 2, Lisboa, 1995; Vv. Aa., Do Tardo-Gótico ao Maneirismo, Galiza e Portugal, Lisboa, 1995; RUÃO, Carlos, Arquitectura Maneirista no Noroeste de Portugal. Italianismo e Flamenguismo, Coimbra, 1996; PEREIRA, Ana Maria Magalhães de Sousa, Da Casa Grande da Rua dos Pelames à Casa Nova da Rua de Dom Gualdim, vol. 1, Porto, 1997, pp. 33 - 47; AFONSO, José Ferrão, Manuel Luís - Um Contributo para o Estudo de um Mestre-Pedreiro Quinhentista, in Museu, nº 6, Porto, 1997, pp. 7 - 45; CASTRO, Maria de Fátima, Construção, conservação e ampliação de edifícios da Santa Casa da Misericórdia de Braga (da 2ª metade do século XVI à 1ª década do século XX), in Bracara Augusta, nº 100, Braga, 1997, pp. 5 - 106; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota (dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa), Lisboa, 1998; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, Braga Percursos e Memórias de Granito e Oiro, Porto, 1999, pp. 118 - 122; Misericórdia prossegue aposta na recuperação patrimonial, in Diário do Minho, 21 Novembro 2006, p. 10; Uma obra pia e santa, in Diário do Minho, 28 Outubro 2006, p. 5.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID, DREMN

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

SCMB: 1603 - Restauro dos pilares e retábulos da igreja; 1679 - restauro dos retábulos; 1699 - restauro e caiação da Capela do Santíssimo Sacramento; 1853 - diversas obras de restauro do edifício; 1895 - diversas obras de restauro; 1996 / 2003 - obras na cobertura e no interior.

Observações

*1 - Antigo Largo da Misericórdia ou de Nossa Senhora da Glória.

Autor e Data

António Dinis / Ana Pereira 2000

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