Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Monte / Santuário de Nossa Senhora do Monte

PT062203020042
Portugal, Funchal, Funchal, Monte
 
Arquitectura religiosa, barroca. Igreja barroca de planta longitudinal composta e nave única, fachada principal em empena contracurvada, flanqueada por torres sineiras e acesso por exonártex com 3 arcos de volta perfeita assentes em colunas toscanas, encimada por cornija com varanda corrida ao longo de toda a fachada, e interior com retábulos de talha rococós dos finais do séc. 18.
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta longitudinal composta de nave única, flanqueada por 2 torres sineiras ao nível do frontispício e 2 capelas colaterais, e capela-mor, à qual se enconstam para O. a residência paroquial e para E. os serviços paroquiais. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, de 4, 3 e 2 águas, com beirais simples e duplos de telha de canudo, e torres encimadas por cúpulas oitavadas de alvenaria rematadas por pináculo de cantaria. Fachada principal a S., delimitada por pilastras de cantaria assentes em estilóbatos e terminada em empena contracurvada de cornija encimada por cruz. Exonártex de acesso à nave e às torres, com 3 arcos de volta perfeita assentes em colunas toscanas, tendo no interior banco corrido com assento de cantaria, sobrepujada por cornija de balanço e varanda com grade de ferro que se estende até às torres, com 3 janelas na nave e 2 nas torres encimadas por frontões curvos e triangulares alternados; a janela central é encimada por nicho de cantaria com a imagem da Virgem em mármore branco. Portal de cantaria em volta perfeita sobre pilastras encimado por cornija e frontão curvo interrompido por nicho com imagem de "Nossa Senhora Pequenina"; ladeiam-no 2 painéis de azulejos figurativos. No INTERIOR, coro-alto de perfil ondulado assente em colunas marmoreadas, com 2 ordens de balaustrada de madeira, guarda-vento e trabalho de estuque sobre a entrada. Nave lajeada em cantaria com soalho de madeira aos lados, lambril de azulejos de padrão revivalista e tecto de madeira pintada em "trompe l'oeil", de 3 panos sobre cornija também de madeira marmoreada, com lustres de pingentes. No lado do Evangelho, junto à entrada, sob o coro, baptistério, com balaustrada de madeira, acesso à capela mortuária do último imperador da Áustria, com grade de ferro com as armas imperiais encimadas por Cruz de Cristo e púlpito de madeira entalhada, dourada e marmoreada com baldaquino. Colateralmente, a meia altura e assentes em consola de ferro, os cadeirais das confrarias e telas com emolduramento de talha; teia de madeira sobre degraus de cantaria delimitam as capelas colaterais, com arcos de volta perfeita em cantaria, encimadas por frontões entalhados e patinados, com retábulos de talha dedicados ao Imaculado Coração de Maria e ao Santíssimo, com elaborada grade de ferro pintada a azul e ouro. Arco triunfal em cantaria de volta perfeita e pintado a marmoreados, ladeado por 2 retábulos em talha, postos de ângulo, dedicados ao Bom Jesus e ao Sagrado Coração de Jesus. Na capela-mor, paredes pintadas a marmoreados revestidas por telas de evocação mariana com molduras de talha dourada, que igualmente enquadram as janelas; altar assente em degrau elevado, com oratório e retábulo de talha dourada, com 2 pares de colunas marmoreadas a enquadrarem nichos com mísulas, molduras e frontões entalhados; camarim fundo com moldura entalhada e dourada e tela da Assunção da Virgem; frontão geral entalhado e interrompido enquadrado por anjos em vulto.

Acessos

Caminho Padre José Marques Jardim

Protecção

Em vias de classificação

Grau

2

Enquadramento

Urbano, isolado num amplo adro empedrado e gradeado suportado por pilastras de cantaria encimados por pelouros, com escadório de acesso para S. com 68 degraus, na base da qual se situa a Casa dos Carreiros (v. PT062203020044); enquadrado a O. pelas antigas instalações das confrarias e, nas traseiras, por paredão coberto de hera e no qual se recorta um fontanário.

Descrição Complementar

A igreja apresenta um conjunto interessante de altares da mesma época e oficina, tectos pintados e azulejos. A Capela do Santíssimo, apresenta ainda estuques pintados dos inícios do séc. 19, com altar da oficina de Estêvão Teixeira da Nóbrega, responsável pelos altares e púlpito. As paredes da nave, tal com a capela do Santíssimo e o espaldar do importante arcaz da sacristia apresentam também pinturas da oficina de Nicolau Ferreira, rematado por frontão entalhado ao gosto da oficina de Julião Francisco Ferreira. Órgão positivo com a inscrição: "G.P. Landini fecit".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Religiosa: santuário

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Funchal)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Engenheiros e mestres das obras reais Diogo Filipe Garcês ( 1737 / 1739 ) e Domingos Rodrigues Martins ( 1749 / 1754 ) e mestre pedreiro Gaspar Ornelas ( 1751 / 1754 ); pintores Nicolau João Ferreira Duarte ( 1790 ) e Filipe Caetano Trindade ( 1821 ); mestres entalhadores Julião Francisco Ferreira ( 1747 ) e Estêvão Teixeira de Nóbrega ( 1790 / 1821 ); estucador João Mamede Zeferino ( 1821 ); e escultor Francisco Ferreira, "o Caseiro" ( 1920 ); organeiro: G.P. Landini.

Cronologia

1470 - Construção da primitiva capela do Monte dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, por Adão Ferreira, o primeiro homem que nasceu na Madeira; 1489 - inventário dos bens da capela efectuado pela Câmara do Funchal e entregues à guarda de "Diogo Rodrigues, cavaleiro, morador abaixo da dita Senhora, homem bom e abonado"; 1512 - testamento de João Adão e Leonor Gonçalves a favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte; 1551 - referência ao 1º capelão de Nossa Senhora do Monte, padre Martim Gonçalves; 1565, 15 Jan. - testamento de António Mealheiro deixando 30$000 reis para o arcediago Amador Afonso aplicar nas suas obras de Nossa Senhora do Monte; 9 Fev. - criação da freguesia do Monte, subordinada à da Sé, pelo bispo D. Jorge de Lemos; 7 Mar. - alvará régio da criação do 1º vigário com a denominação de "beneficiado curato" e com as obrigações também de tesoureiro, com ordenado anual de 12$000 entrando nele o marco de prata das missas dos sábados pela alma do infante D. Henrique; 1568, 14 Mai. - separação da freguesia do Monte por provisão do provedor e administrador do bispado, deão António da Costa; 1574, 12 Mar. - carta régia da mercê anual de 2$000 para a fábrica da Igreja; 1577, 1 Mar. - alvará régio de acrescentamento do vigário do Monte de 2$000, um moio de trigo deputado em 6$000, sobre os 12$000 que tinha para ficar com um ordenado anual de 20$000, com a obrigação das missas dos sábados e de ensinar a doutrina aos fregueses, visto que já tinha 58 fogos; 1581, 9 Jun. - alvará régio de acrescentamento de 5$000 ao vigário para ficar com 25$000; 1589, 27 Abr. - alvará régio do acrescentamento de 2$000 ao vigário para a lavagem de roupa da Igreja; 1598, 27 Abr. - alvará comutação do ordenado do vigário de 9$000 em um moio de trigo por 6$000 e uma pipa de vinho por 8$000, para daí em diante ter 16$000 anuais, um moio de trigo e uma pipa de vinho, e mais 3$000 das missas dos Infantes, 2$000 da lavagem da roupa e 30 alqueires de trigo e um quarto de vinho para as despesas da sacristia, perfazendo tudo 21$000 em dinheiro, 1 e 1/2 moio de trigo e 1 e 1/4 pipa de vinho; 15 Jun. - alvará régio de acrescentamento de 2$000 para a Fábrica para ter 4$000 anuais; 13 Dez. - alvará régio de acrescentamento ao vigário de 30 alqueires de trigo e 1/4 de vinho para as despesas da sacristia, e de 3$000 para missas dos Infantes; 1655 - execução de novo retábulo e dos altares do Bom Jesus e de Santo Antão sob a direcção do vigário Pedro Noronha e Mendonça; 1664 - douramento do altar de Santo Antão; 1698, 26 Mar. - mandato do Conselho da Fazenda para a arrematação da reconstrução da Igreja no valor de 900$000, que não chegou a ter efeito; 1737, 4 Set. e 1739, 23 Mai. - mandados do Conselho da Fazenda para a arrematação da obra da Igreja com a base de 6:742$000; 1741, 10 Jun. - lançamento da 1ª pedra da nova Igreja; 1742, 9 Mar. - mandato do Conselho da Fazenda para a execução do lajeado e do retábulo-mor; 1748, 1 Abr. - terramoto no Funchal destruindo parcialmente a Matriz, então em obras de reconstrução cujo cruzeiro, incorporado no frontispício, "saltara fora", "fazendo-se em pedaços"; 1749, 11 Set. - mandato do Conselho da Fazenda para se reconstruir a Igreja, obras orçadas pelo mestre das obras reais Domingos Martins em 5:252$410 e arrematadas pelo mestre pedreiro Gaspar de Ornelas, por 3:099$000 réis; 1750 - instituição em todas as freguesias da ilha de confrarias "dos escravos de Nossa Senhora do Monte" para angariação de fundos para a reconstrução da Igreja; 23 Dez. - autorização do aumento de 474$580, "sem exemplo", para se poderem acabar as obras, pedido por Gaspar de Ornelas que já tinha tido de vender a casa e algum ouro da mulher e das filhas, "pelo que estava pobre e sem remédio" e, sendo examinados os trabalhos pelo mestre de obras, o mesmo "lhe reprovara várias coisas, que não eram da sua culpa, mas do terramoto"; 1754, 4 Mar. e 9 Jul. - confirmação dos mandatos do Conselho da Fazenda no valor de 3:029$730 para as obras de reconstrução; 1772 - execução em Londres pelo ourives John Carter de um conjunto de sacras e uma banqueta por encomenda de D. Guiomar Madalena de Vilhena; 1778 - descrição das festas de Nossa Senhora do Monte por Maria Riddle; 1790 - execução de uma gravura de Nossa Senhora do Monte, em Lisboa, por Francisco Gregório de Assiz e Queiroz; séc. 18, final - feitura do órgão por G.P. Landini; 1800 - execução de trabalhos para a confraria do Santíssimo pelo pintor Filipe Caetano Trindade; 1804, 21 Jul. - confirmação do padroado de Nossa Senhora do Monte sobre a ilha da Madeira pelo papa Pio VII; 1818, 20 Dez. - sagração da nova igreja pelo arcebispo de Meliapor e administrador da diocese, D. Fr. Francisco Joaquim de Meneses e Ataíde; 1821 - execução do novo altar do Santíssimo pelo mestre das obras reais Estêvão Teixeira de Nóbrega, dos estuques pelo mestre João Mamede Zeferino e do douramento e pintura pelo pintor Filipe Caetano Trindade; 1884 - colocação de azulejos no baptistério e paredes laterais identificados com "1884, Episcopado de D. M(anu)el Ag(os)t(inh)o Barretto, (sendo) Vig(ári)o F(rancis)co J(os)é d' Almada"; 1915 / 1917 - construção da actual residência paroquial sobre a sacristia; 1922, 5 Abr. - deposição do corpo do imperador Carlos de Áustria, falecido no Monte, a 1 de Abril, na capela funerária lateral.

Características Particulares

Igreja paroquial barroca com as características típicas das construções insulares dos finais do séc. 18, mas com elementos quase sem paralelo na região, como sejam a fachada flanqueada por torres e entrada por exonártex. Destaca-se perfeitamente em toda a paisagem do amplo vale do Funchal e possui o orago da Padroeira da Madeira, pelo que se torna palco do mais importante arraial insular, celebrado a 15 de Agosto. Nesta igreja encontra-se sepultado o último imperador da Áustria, Carlos de Habsburgo, pelo qual corre processo de canonização em Roma.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, nogueira e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e ferro, grades de ferro, azulejos, talha dourada e pintada, pintura sobre tela, madeira e estuque, vidro e telha de meio canudo.

Bibliografia

FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra, Livro II, anotado por Àlvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, 1873; RIDDELL, Maria, Voyages to the Madeira and Leeward Caribbean Isles, Edimburgo, 1792; CANE, Ellen e Florence du, The Flowers and gardens of Madeira, Londres, 1909; SARMENTO, Artur Alberto, Nossa Senhora do Monte, Diário de Notícias, Funchal, 15 Ago. 1931; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; CLODE, Engº Luís Peter, Lampadários, 1949; GONÇALVES, Dr. Ernesto, Nossa Senhora do Monte, Sécs. XV e XVI, DADAHM, vol. IV, nº 5, Funchal, 1956; PIO, Manuel Ferreira, O Monte; santuário votivo da Madeira (resenha histórica), Funchal, 1978; F. P., Monte, actual igreja paroquial, Jornal da Madeira, 14 Dez. 1985; BORGES, Regina, Resenha Histórica de Nossa Senhora do Monte, Diário de Notícias, Funchal, 15 Ago. 1987; CARITA, Rui, História da Madeira, vol. 1 e 5, Funchal, 1989 e 1999; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; RIBEIRO, João Adriano, Monte, breve resenha histórica da freguesia..., Fundação Berardo, Funchal, 1991; J. R., Da imagem da Senhora do Monte. Polícia ainda não descobriu quem roubou a coroa de ouro, Diário de Notícias, Funchal, 8 Mai. 1992, SILVA, António Ribeiro Marques da, O maior arraial cristão da ilha: Nossa Senhora do Monte, Diário de Notícias, Funchal, 15 Ago. 1993; COSTA, José Pereira da, Vereações da Câmara Municipal do Funchal. Séc. XV, CEHA, Funchal, 1995; MARTINS, Rosário, Televisão austríaca filma igreja do Monte, Diário de Notícias, Funchal, 24 Mar. 1996; VERÍSSIMO, Nelson e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Inventário das Esculturas da Região Autónoma da Madeira, Funchal, 1996, p. 27; GONÇALVES, Luísa, Capela do Santíssimo no Monte está a ser alvo de recuperação, Jornal da Madeira, 18 Mai. 1997; MELIM, E., Nossa Senhora do Monte sem novidades. Coroa arquivada, Diário de Notícias, 15 Ago. 1997; NORONHA, Henrique Henriques de, Memórias Seculares e Eclesiásticas ... 1722, Funchal, 1997.

Documentação Gráfica

Aguarelas e litografias inglesas do séc. 19; GR: Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

IAN/TT: Junta da Antiga Provedoria da Alfândega do Funchal; ARM; CMF; RN; GC; Paróquia do Monte

Intervenção Realizada

Diocese do Funchal / Fundação Berardo: 1992 - restauro de algumas pinturas sobre tela da capela-mor; Paróquia do Monte: 1996 - revisão das coberturas; 1997 - consolidação e reparação dos estuques e limpeza geral das talhas da Capela do Santíssimo ("Atelier da Zona Velha", de Leonor Leitão e Georgina Garrido).

Observações

Autor e Data

Rui carita 2000

Actualização

 
 
 
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