Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Monte / Santuário de Nossa Senhora do Monte

IPA.00008071
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Monte
 
Arquitetura religiosa, setecentista e oitocentista. Igreja paroquial elevada a santuário nacional, de planta retangular composta por nave e capela-mor, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira, tendo adossado vários corpos. Fachada principal harmónica, de três panos definidos por pilastras, o central terminado em empena contracurva, com nártex de três arcos, de volta perfeita, sobre colunas toscanas, encimados por janelas de sacada, rematados em áticas semiciruclares e angulares e, ao centro, nicho com imagem do orago. Torres salientes de três registos, o intermédio com janelas iguais às da nave. Portal axial em arco de volta perfeita entre pilastras sustentando frontão interrompido. A fachada lateral direita é rasgada por porta travessa em arco de volta perfeita entre pilastras, sustentando cornija reta. No interior possui coro-alto de madeira, batistério no lado do Evangelho, púlpito no mesmo lado, em talha policroma, acedido por porta, e duas capelas laterais profundas, com arcos de volta perfeita sobre pilastras encimados por cornija reta, contendo retábulos de talha policroma, a do Santíssimo tardo-barroca e o do Imaculado Coração de Maria revivalista. Retábulos colaterais semelhantes, tardo-barrocos, de planta côncava e um eixo. A capela-mor é revestida a apainelados de talha, com painéis pintados, com cenas da vida da Virgem, e retábulo-mor tardo-barroco, em talha policroma, de planta reta e três eixos. Sacristia com arcaz encimado por espaldar contendo painéis pintados e nicho central com Crucificado.
Número IPA Antigo: PT062203020042
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta retangular composta por nave e capela-mor, tendo adossado duas torres sineiras quadrangulares, duas capelas laterais profundas, a O. a residência paroquial retangular e a E. corpo dos serviços paroquiais, também retangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, em telhados de duas águas na igreja e capelas laterais e de três e quatro águas nos corpos adossados, rematados em beiradas simples ou duplas de telha de canudo; as torres sineiras são cobertas por domos octogonais, em alvenaria rebocada e pintada de branco, assentes em tambores igualmente facetados, e coroadas por pináculos de cantaria e cruzes em ferro. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com faixa cinzenta, a principal virada a S., de três panos, definidos por pilastras toscanas assentes em bases. O pano central termina em empena contracurva, com cornija, coroada por cruz de Cristo sobre acrotério concheado, possuindo passadiço posterior entre as torres, com guarda em ferro. Apresenta dois registos, o inferior com nártex de acesso à nave e às torres, por três arcos de volta perfeita, assentes em colunas toscanas, e o superior rasgado por três janelas de sacada, de verga reta, encimadas por áticas angulares e, a central, semicircular, prolongando-se a sacada para as torres, com guarda em ferro. Sobre a janela central abre-se nicho, em arco de volta perfeita sobre pilastras almofadadas, rematado em cornija reta e interiormente albergando a imagem da Virgem em mármore. As torres sineiras têm três registos, separados por cornija, apresentando no primeiro óculo polilobado, e painel de azulejos inferior, no segundo janela retilínea de sacada, encimada por ática semicircular, e, no terceiro, óculo polilobado, o da torre direita sobreposto por relógio, e sineira em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino. A torre O. tem três sinos. No nártex, com banco corrido de cantaria, abre-se o portal axial, em arco de volta perfeita, sobre pilastras almofadadas, enquadradas por pilastras com acantos no capitel, sustentando frontão de volutas interrompido, por pequeno nicho, em arco de volta perfeita, sobre pilastras e rematado em cornija reta, contendo imagem de "Nossa Senhora Pequenina". Ladeiam o portal dois painéis de azulejos figurativos, representando a Aparição de Nossa Senhora à Pastorinha e no outro a Custódia consagrada. Lateralmente, abrem-se os portais de acesso às torres, de verga reta, com pilastras sustentando alto friso e cornija. Fachada lateral esquerda com corpos adossados à nave, de dois pisos, terminados em empena reta, interrompida pelo corpo da capela lateral profunda, e rasgados por vãos retilíneos, alguns gradeados. A fachada lateral direita possui a nave rasgada por porta de verga reta de acesso ao coro, com escada de cantaria e guarda em ferro, janela e porta travessa em arco de volta perfeita de chave relevada, sobre pilastras toscanas, e rematado em cornija reta. O corpo adossado, igualmente de dois pisos, é rasgado por vãos retilíneos, o piso térreo num ritmo mais irregular e com grades nas janelas e no segundo piso com guarda de peito e portadas de madeira, pintadas de verde. Fachada posterior terminada em empena. O INTERIOR apresenta pavimento em cantaria, a nave com soalho de madeira sob as cadeiras, as paredes rebocadas e pintadas de branco e silhar de azulejos, azuis e brancos, com motivos vegetalistas, e cobertura de madeira, em masseira, pintada em "trompe l'oeil", com quadraturas e a Coroação da Virgem pela Santíssima Trindade, assente em cornija também de madeira, pintada a marmoreados fingidos. Coro-alto de madeira retangular sobre o nártex, acedido por portas de verga reta molduradas, tendo adossado o coreto do órgão, de perfil curvo, assente em duas colunas toscanas, pintadas a marmoreados fingidos a verde e amarelo, sobre altos plintos paralelepipédicos, possuindo duas ordens de guardas, com balaústres torneados de madeira. Guarda-vento de madeira, com bandeira envidraçada de perfil curvo, e decoração em estuque sobre a entrada. No lado do Evangelho, junto à entrada, sob o coro, surge o baptistério, com arco de volta perfeita, fechado por balaustrada de madeira, e interiormente com as paredes revestidas a azulejos, azuis e brancos, de padrão com elementos cristológicos e fitomórficos; sobre plataforma ultra-semicircultar, de dois degraus, dispõe-se a pia baptismal, de bacia hemisférica, lisa, sobre pé cilíndrico e base quadrangular. Sobre ela, surge painel pintado com o Baptismo de Cristo, de carácter naif. Lateralmente, a meia altura e assentes em consolas de ferro, dispõem-se confrontantes dois cadeirais das confrarias, a do lado do Evangelho de Nossa Senhora do Monte, e o da Epístola do Santíssimo. Têm o espaldar seccionado por pilastras e rematado em cornija reta, sendo o do lado do Evangelho coroado por bolas e o da Epístola por espaldares vazados. Interiormente têm bancos corridos e a guarda de madeira forma apainelados. Sobre as portas e parte dos cadeirais surgem afixados dois grandes painéis pintados com cenas da infância de Jesus, representando Jesus entre os Doutores, no lado do Evangelho, e Pausa na Fuga para o Egito, no lado Epístola, com molduras de talha, pintadas de vermelho, sobrepostas por concheados dourados. No lado do Evangelho, um vão de verga reta acede à capela mortuária do último Imperador da Áustria, com porta em ferro forjado e latão, contendo as armas imperiais encimadas por Cruz de Cristo. Segue-se o púlpito, de talha pintada a marmoreados fingidos e dourado, com bacia retangular sobre mísula, guarda plena em talha, ornada com cartelas, e baldaquino coroado por acantos vazados e com lambrequim; o acesso ao púlpito é feito atualmente por escada de cantaria e guarda em ferro, a partir da capela do Imperador. Capelas laterais profundas, com arcos de volta perfeita sobre pilastras, sustentando friso e cornija, sobreposto por frontão recortado em talha, albergando no interior retábulos de talha policroma, sendo a do lado do Evangelho dedicada ao Imaculado Coração de Maria e a da Epístola ao Santíssimo Sacramento. Arco triunfal em cantaria pintada, de volta perfeita sobre pilastras almofadadas, que se prolongam para sustentação de friso e cornija, encimado por frontão interrompido em talha, por cartela com o monograma "AM"; sobre o arco surgem pintados drapeados a abrir em boca de cena e lateralmente dispõem-se dois retábulos colaterais em talha, pintada a marmoreados fingidos, postos de ângulo, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus, no lado do Evangelho, e à Vera-Cruz, no lado da Epístola. As capelas laterais e as colaterais são delimitadas por presbitério em U, com teia em madeira de til preto. A capela-mor é revestida a apainelados de madeira, pintados a marmoreados fingidos a verde, bege e dourado, ritmados por pilastras ornadas de motivos vegetalistas assentes em plintos galbados, e organizados em dois registos, separados por cornija, contendo telas pintadas com cenas da vida da Virgem, de molduras recortadas, pintadas de vermelho e com volutados e acantos dourados; os painéis representam: a Apresentação da Virgem no Templo, Visitação, Anunciação, Adoração dos Pastores, Circuncisão, Adoração dos Reis Magos, e a Assunção da Virgem. Molduras semelhantes enquadram igualmente as janelas. Sobre o supedâneo com degraus centrais, dispõe-se o retábulo-mor de talha pintada a marmoreados fingidos, de planta reta e três eixos, definidos por quatro colunas de fuste liso e capitel coríntio, assentes em duas ordens de plintos, os superiores galbados e decorados e os inferiores paralelepipédicos. Ao centro abre-se tribuna de perfil curvo e boca ornada de motivos vegetalistas e remate em fragmentos de cornija, cerrada por tela pintada com a Assunção da Virgem. No interior, com apainelados de acantos alberga a imagem milagrosa sobre peanha cilíndrica com querubins. Nos eixos laterais surgem mísulas com imaginária, encimadas por baldaquinos. A estrutura remata em fragmentos de cornija, com cartela recortada central contendo a Pomba do Espírito Santo, festões, anjos de vulto e, sobre as colunas exteriores, pináculos decorados de acantos. Sotobanco com apainelados e tendo ao centro sacrário em prata, com colunas torsas sobre plintos paralelepipédicos com acantos, sustentando a cobertura em domo, encimada por volutas e coroa central, tendo frontalmente espaldar de acantos vazados e cartela com a inscrição "MONS / DOMVS / DEI"; a porta é em arco de volta perfeita sobre pilastras almofadadas e com querubins nos seguintes. Altar paralelepipédico com frontal decorado com motivos vegetalistas e monograma "AM" e o moderno em mármore branco. Cobertura da capela-mor em falsa abóbada de berço, de madeira, pintada com concheados, drapeados e, ao centro, a Assunção da Virgem. Na sacristia existe arcaz de madeira, com espaldar de apainelados, seccionado por pilastras assentes em mísulas e coroadas por pináculos piramidais, com os quadros de seis doutores da Igreja: São Boaventura, São Jerónimo, São Gregório Magno, Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Tomás de Aquino; o espaldar remata em entablamento sobreposto por espaldares vegetalistas vazados. Ao centro integra nicho, em arco de volta perfeita sobre pilastras almofadadas, com boca rendilhada de acantos, interiormente albergando imagem do Crucificado, e com remate alteado, em espaldar de acantos vazados. O lavabo da sacristia tem o nome do prelado D. Frei Francisco Joaquim de Meneses e Ataíde. A sala da confraria, com lambril de madeira envernizada e teto de estuque, possui painéis a óleo representando as imagens da Virgem do Monte, uma caravela e um bote com tripulação daquela embarcação, que era americana, recolhendo e salvando das águas do oceano a imagem do Santo Cristo dos Milagres, arrastada para o mar durante o aluvião de 9 outubro de 1803.

Acessos

Caminho Padre José Marques Jardim; Caminho do Monte

Protecção

Em vias de classificação

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, adossado, num outeiro a 598 m de altitude, cimeiro à cidade do Funchal, numa zona coberta de frondosa e luxuriante vegetação, árvores e flores, onde os naturais da ilha e estrangeiros construíram residências de verão, a partir do séc. 18. A igreja insere-se num adro, pavimentado a lajes de cantaria irregular, enquadrado a O. pelas antigas instalações das confrarias *1 e a E. por outras construções; nas traseiras, existe paredão coberto de hera, no qual se recorta um fontanário. Sob o adro, desenvolve-se a S., escadaria de acesso com 68 degraus, a grande com 54 e a pequena com 14, com guarda em ferro. No grande patamar, sustentado por paredão coberto de hera, está colocado a estátua em bronze do Beato Carlos. Na base da escadaria situa-se a Casa dos Carreiros. Nas imediações. desenvolve-se o Parque do Monte, erguendo-se no Terreiro da Luta, onde, segundo a lenda, a Virgem terá aparecido a uma pastorinha *2, a estátua da Virgem, e, ao fundo do largo da fonte, por cima do Ribeiro de Nossa Senhora, a capelinha-fonte em mármore, com um nicho e imagem da Virgem do Monte (v. IPA.00009645).

Descrição Complementar

Nas paredes das torres surgem integradas, dois painéis representando: a eleição da freguesia do monte "Rainha das freguesias da Madeira", num concurso popular promovido pelo Jornal da Madeira, em 1952; e a imagem de Nossa Senhora do Monte, mandada para a Índia Portuguesa em 1957, para junto dos soldados madeirenses ali ao serviço. Sob o coro, à entrada da porta existe a seguinte inscrição em latim: "Levavi óculos meos in montes, unde veniet auxilium Mihi", correspondendo ao verso do CXX salmo de David; a sua tradução é: "levantais os meus olhos para os montes porque daí me virá auxílio". Órgão positivo encerrado em armário de planta retangular, com três castelos e dois nichos, separados por pilastras, os castelos terminados em elementos a imitar gabletes, ornados com motivos vegetalistas e os nichos em cornija. Tem a inscrição: "G.P. Landini fecit". Os azulejos do batistério têm a seguinte inscrição: "1884, Episcopado de D. M(anu)el Ag(os)t(inh)o Barretto, (sendo) Vig(ári)o F(rancis)co J(os)é d' Almada". A capela do Imperador da Áustria e Rei da Hungria, o Beato Carlos, tem, à esquerda da entrada, a inscrição, em latim "Carlos I, por graça de Deus, Imperador D'Áustria, Rei da Boémia, etc., etc., etc., Rei Apostólico da Hungria, IV de nome. Nasceu em Persenberg a 17-4-1887 e faleceu na Madeira a 1-4-1922, adorando o Santíssimo Sacramento, paciente e dizendo "Fiat Voluntas Tua". Em Fevereiro de 1922, o Beato Carlos juntamente com a sua família vem residir na "Quinta do Monte", hoje "Quinta Jardins d'Imperador" onde adoece e morre, cumprindo em plenitude o lema de vida: "Todo o meu empenho é sempre, em todas as coisas, conhecer o mais claramente possível e seguir a vontade de Deus, e isto de forma perfeita". Na parede testeira, possui estrutura constituída por um plinto de cantaria branca lavrada, da ilha do Porto Santo, ladeada por duas colunas toscanas, sustentando arquitrave, da mesma pedra. Sobre a estrutura dispõe-se a arca tumular do Imperador, em chumbo, e abre-se nicho, em arco de volta perfeita, albergando cruz em madeira de carvalho da autoria de um escultor do Tirol, fixado numa cruz de cedro. Ladeando as colunas, abrem-se duas janelas em arco. Pavimento revestido a lajes de cantaria branca de Porto Santo e teto revestido a madeira de cedro e da ilha, envernizado. A capela lateral do Imaculado Coração de Maria possui lambril de madeira em dois registos, o inferior pintado de verde e o superior com motivos vegetalistas, e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque. Tem retábulo de talha pintada a marmoreados fingidos a bege e dourado, de planta reta e três eixos, definidos por quatro colunas de fuste liso, sobre plintos galbados e de capitéis coríntios, as exteriores coroadas por pináculos fitomórficos. A estrutura remata em tabela retangular, definida por plintos com acantos e remata em cornija sobreposta por pináculos fitomórficos e, ao centro, por cartela recortada contendo estrela cinco pontas. No eixo central abre-se nicho, de perfil polilobado e boca ornada de motivos vegetalistas, albergando imaginária, encimada por baldaquino de acantos vazados. Nos eixos laterais possui apainelados com acantos e concheados, sobrepostos por mísulas com imaginária. Altar paralelepipédico, com frontal contendo monograma "IHS" e motivos florais. A capela lateral da Epístola, do Santíssimo, possui lambril de madeira, pintado a marmoreados fingidos a verde e castanho, formando apainelados almofadados, e decoração em estuque, com um friso ornado de motivos vegetalistas enrolados, encimados por painéis, com estuque relevado, representando, no lado do Evangelho, o Sacrifício de Isaac, e, no da Epístola, o transporte das uvas da terra Prometida e a Arca da Aliança, inseridos em cartelas ovaladas, enquadradas por elementos vegetalistas. Cobertura em falsa abóbada de berço, pintada com motivos florais, sobre friso e cornija, pintada de castanho. Retábulo em talha pintada a branco e dourado, de planta reta e três eixos, definidos por colunas de fuste liso e capitel coríntio, assentes em plintos galbados, os exteriores coroados por pináculos fitomórficos vazados, sustentando o remate em tabela retangular, definida por plintos e cornija, contendo ampla cartela recortada ao centro. No eixo central, abre-se nicho de perfil curvo e boca decorada com motivos vegetalistas e volutados, interiormente pintado com glória de querubins e albergando imagem do Crucificado; nos eixos laterais tem apainelados com a mesma temática. Sacrário circular, dourado, rematado em cornija sobreposta por diademas e com porta ornada por custódia. Altar paralelepipédico com frontal dourado, decorado com custódia central e motivos vegetalistas. Retábulos colaterais em talha pintada a marmoreados fingidos a verde, castanho, bege e dourado, de estrutura semelhante, com planta côncava e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e capitel coríntio, assentes em plintos galbados e coroadas por pináculos fitomórficos. A estrutura remata em entablamento e espaldar recortado, rematado em cornija contracurva e acantos, ornada ao centro por cartela recortada. Ao centro abre-se nicho, de perfil contracurvo ladeado por duas pilastras que sustentam cornija com volutados e acantos, albergando, no interior, imaginária. O retábulo do Evangelho tem no sotobanco dois nichos, com arco trilobado assente em pilastras e remate em cornija contracurva com concheados e elementos vegetalistas. O da Epístola tem painel pintado representando as Almas.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial / Religiosa: santuário nacional (festa a 15 agosto)

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Funchal)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Gino Romali (1967-1968). ATELIER DE RESTAURO: Atelier da Zona Velha" (1997). CONSTRUTOR: Francisco Gomes Romão (1751). CONSTRUTOR CIVIL: Albino de Jesus Escórcio (1967-1968). EMPREITEIROS: Construção Civil, Ldª (1967-1968). ENTALHADORES: Estêvão Teixeira de Nóbrega (1821). ESCULTOR: Augusto Cid (2005). ESTUCADOR: João Mamede Zeferino (1821). FIRMA: José Gomes Serrão, Herdeiros (1977). GRAVADOR: Francisco Gregório de Assiz e Queiroz (1790). ORGANEIRO: G.P. Landini (séc. 18). OURIVES: John Carter (1772). MESTRES DAS OBRAS REAIS: Domingos Rodrigues Martins (1749-1768). PEDREIRO: Gaspar de Ornelas (1749-1768). PINTORES: António de Gouveia (1974); Filipe Caetano Trindade (1800, 1821); Luís Bernes (1908); Nicolau Ferreira (1774).

Cronologia

1470 - Construção da primitiva capela do Monte dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, por Adão Gonçalves Ferreira, o primeiro homem que nasceu na Madeira, filho de Gonçalo Ayres Ferreira, escudeiro do Infante e povoador da ilha; 1489 - inventário dos bens da capela efetuado pela Câmara do Funchal e entregues à guarda de "Diogo Rodrigues, cavaleiro, morador abaixo da dita Senhora, homem bom e abonado"; 1512 - testamento de João Adão e Leonor Gonçalves a favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte; 1551 - referência ao primeiro capelão de Nossa Senhora do Monte, padre Martim Gonçalves; 1564, 7 novembro - carta do cardeal-regente D. Henrique criando a freguesia e paróquia do Monte e a de Nossa Senhora das Neves, que hoje pertence à de São Gonçalo, através do desmembramento da freguesia de Sé, conforme pedido por D. Jorge de Lemos, bispo do Funchal, elevando a ermida de Nossa Senhora do Monte a paroquial; 1565, 15 janeiro - testamento de António Mealheiro deixando 30$000 para o arcediago Amador Afonso aplicar nas suas obras de Nossa Senhora do Monte; 9 fevereiro - elevação da paróquia de Nossa Senhora do Monte, subordinada à da Sé, pelo bispo D. Jorge de Lemos; 7 março - alvará régio da criação do primeiro vigário com a denominação de "beneficiado curato" e com as obrigações também de tesoureiro, com ordenado anual de 12$000, que incluía o marco de prata das missas dos sábados pela alma do infante D. Henrique; o templo era de pequenas dimensões, com "duas torres sem cúpula"; 14 e 15 agosto - ali aflui grande número de romeiros; 1568, 14 maio - separação da freguesia do Monte da freguesia da Sé por provisão do provedor e administrador do bispado, deão António da Costa, visto o bispo do Funchal estar ausente da diocese, fixando-lhe os respetivos limites, desde Santa Luzia e Vale Formoso até à serra; 1574, 12 março - carta régia da mercê anual de 2$000 para a fábrica da igreja; 1577, 1 março - alvará régio de acrescentamento do vigário do Monte de 2$000, um moio de trigo deputado em 6$000, sobre os 12$000 que tinha para ficar com um ordenado anual de 20$000, com a obrigação das missas dos sábados e de ensinar a doutrina aos fregueses, visto que já tinha 58 fogos; 1581, 9 junho - alvará régio de acrescentamento de 5$000 ao vigário para ficar com 25$000; 1589, 27 abril - alvará régio do acrescentamento de 2$000 ao vigário para a lavagem de roupa da igreja; 1598, 27 abril - alvará de substituição do ordenado do vigário de 9$000 em um moio de trigo por 6$000 e uma pipa de vinho por 8$000, para daí em diante ter 16$000 anuais, um moio de trigo e uma pipa de vinho, e mais 3$000 das missas dos Infantes, 2$000 da lavagem da roupa e 30 alqueires de trigo e um quarto de vinho para as despesas da sacristia, perfazendo tudo 21$000 em dinheiro, 1 e 1/2 moio de trigo e 1 e 1/4 pipa de vinho; 15 junho - alvará régio de acrescentamento de 2$000 para a fábrica para ter 4$000 anuais; 13 dezembro - alvará régio de acrescentamento ao vigário de 30 alqueires de trigo e 1/4 de vinho para as despesas da sacristia, e de 3$000 para missas dos Infantes; 1640 - fundação da Confraria do Santíssimo Sacramento; 1655 - execução de novo retábulo e dos altares do Bom Jesus e de Santo Antão sob a direção do vigário Pedro Noronha e Mendonça; 1664 - douramento do altar de Santo Antão; 1688, 26 março - Conselho da Fazenda autoriza a despesa de 900$000 para a construção da nova igreja, que não se realizou; 1698, 26 março - mandato do Conselho da Fazenda para a arrematação da reconstrução da Igreja no valor de 900$000, que não chegou a ter efeito; séc. 17 - incêndio na igreja destrói parte do arquivo paroquial; 1727 - construção de uma capela no Monte; 1737, 4 setembro e 1739, 23 maio - mandados do Conselho da Fazenda para a arrematação da obra da igreja com a base de 6:742$000; 1739 - manda-se dar de arrematação as obras do novo templo que sucederia à antiga ermida; as obras são arrematadas por 6.742$000; 1741, 10 junho - lançamento da primeira pedra da nova igreja paroquial, construída no mesmo local da anterior; a milagrosa imagem de Nossa Senhora do Monte é levada em procissão para a Sé e o culto é feito na capela construída no Monte; nas obras despende-se, para além dos 6.742$000, mais 3.454$292, provenientes de vários donativos e esmolas dos fiéis; além disso, muitos trabalhadores ajudam na construção gratuitamente: 736 homens das freguesias de Santa Luzia e Nossa Senhora do Calhau, hoje das freguesias de Santa Maria Maior, São Gonçalo e de São Roque, tendo apenas 52 deles recebido a importância de $050 para o almoço; 1742, 9 março - ordem do Conselho da Fazenda para a execução do lajeado e do retábulo-mor; 15 junho - mandato do mesmo Conselho para a remessa do sino grande, quebrado, e de 217$000 para pagamento da fundição; 1747 - conclusão das obras, ainda que continuem as de ornamentação e da construção de várias dependências da nova igreja e das casas anexas; 14 junho - transladação da imagem de Nossa Senhora do Monte para a nova igreja; 1748, 31 março - 1 abril - violento terramoto no Funchal destrói parcialmente a igreja, ficando apenas com as paredes laterais de pé; o cruzeiro, incorporado no frontispício, "saltara fora", "fazendo-se em pedaços"; 1749, 11 setembro - ordem do Conselho da Fazenda para se repararem as ruínas da Igreja, ocasionadas pelo terramoto, obras orçadas pelo mestre das obras reais Domingos Martins em 5:252$410 e arrematadas pelo mestre pedreiro Gaspar de Ornelas, por 3:099$000; nova transferência da imagem para a Sé enquanto decorrem as obras; 1750 - bispo D. Frei João do Nascimento institui em todas as freguesias da ilha a "Confraria dos Escravos de Nossa Senhora do Monte" para angariação de fundos para a reconstrução da Igreja; cada confrade escravo contribuía com a cota mínima de $050 anuais; 9 julho - ordem do Conselho da Fazenda para se dar à igreja um sino de 23 arrobas; é construtor da igreja Francisco Gomes Romão; 1754, 4 março - Conselho da Fazenda dá 3:029$730 para o reparo da igreja devido ao terramoto; 9 julho - confirmação do mandato do Conselho da Fazenda no valor de 3:029$730 para as obras de reconstrução; 1768 - data até à qual vigorou a Confraria dos Escravo, a qual recolhe, durante os 18 anos de vigência, a importância de 11.190$325, a que acresce verbas de benfeitores particulares e comunidades religiosas para 16.526$005; 23 dezembro - autorização do aumento de 474$580, "sem exemplo", para se poderem acabar as obras, pedido por Gaspar de Ornelas, que já tivera de vender a casa e algum ouro da mulher e das filhas, "pelo que estava pobre e sem remédio" e, sendo examinados os trabalhos pelo mestre de obras, o mesmo "lhe reprovara várias coisas, que não eram da sua culpa, mas do terramoto"; 1772 - execução em Londres pelo ourives John Carter de um conjunto de sacras e uma banqueta por encomenda de D. Guiomar Madalena de Vilhena; 1774 - pintura dos dez painéis existentes na igreja pelo pintor Nicolau Ferreira; 1778 - descrição das festas de Nossa Senhora do Monte por Maria Riddle; 1780 - construção da casa dos romeiros, custeada parcialmente pelo antigo cônsul inglês Charles Murray, fundador das Quintas do Prazer e do Belo-Monte; 1790 - execução de uma gravura de Nossa Senhora do Monte, em Lisboa, por Francisco Gregório de Assiz e Queiroz; séc. 18, final - feitura do órgão por G. P. Landini; 1800 - execução de trabalhos para a confraria do Santíssimo pelo pintor Filipe Caetano Trindade; 1802 - Junta Governativa manda construir o caminho do Monte, aberto até às alturas do "distrito do Monte"; por este passam a transitar os típicos carros de cesto ou arrasto - os carreiros do Monte; 1804, 21 julho - confirmação do padroado de Nossa Senhora do Monte sobre a ilha da Madeira pelo papa Pio VII; 1814 - data do camarim do coro em algarismos romanos; 1818, 20 dezembro - sagração da nova igreja pelo arcebispo de Meliapor e administrador da diocese, D. Fr. Francisco Joaquim de Meneses e Ataíde, da Ordem de Santo Agostinho; 1819 - o vigário do Monte, o Padre José Joaquim de Sousa declara que com as duas igrejas, a destruída pelo terramoto e a atual, incluindo o templo, adro, casa anexas, muralhas, ornamentos e alfaias a despesa total até dezembro é de 200.440$500; 1821 - execução do novo altar do Santíssimo pelo mestre Estêvão Teixeira de Nóbrega, dos estuques pelo mestre João Mamede Zeferino e do douramento e pintura pelo pintor Filipe Caetano Trindade; 1822, 31 maio - Câmara declara em sessão que a casa dos romeiros do Monte pertence aos bens do concelho; 1846, 18 novembro - decide-se em sessão camarária levantar um prédio junto à igreja do Monte para asilo dos viandantes e recolha dos animais, o qual não chegou a ser construído; 1849 - criação da associação regional de transporte de turistas nacionais e estrangeiros, sucedendo às antigas corças ou trenós terrestre, que faziam o mesmo serviço; 1884 - colocação do silhar de azulejos no batistério e paredes da nave pelo cónego Francisco José Rodrigues de Almada; 1886 - o cónego Francisco José Rodrigues de Almada, manda vir de Londres o mostrador do relógio da torre oriental existente na face S.; 1893 - inauguração do caminho de ferro do Monte; 1894, 2 agosto - delibera-se em sessão camarária comprar a João Baptista de Sousa, por 1:640$000, o terreno necessário localizado no outeiro adjacente à igreja, para construção de um parque; início da construção do parque *3; 1895, 22 agosto - Câmara decide dar o nome do seu presidente, Dr. José Leite Monteiro, ao parque; 1897 - construção da Capelinha-Fonte em mármore com imagem da Senhora do Monte num nicho, substituindo a anterior; 1898, 15 dezembro - acordo entre a Câmara e a Fábrica da Igreja para o prolongamento do parque em terreno então pertencente ao passal, tendo o Município entregue à igreja a madeira de quatro castanheiros, que serviu num conserto do templo; séc. 20, início - construção da capela lateral do Imaculado Coração de Maria; 1908 - pintor madeirense Luís Bernes pinta alguns quadros e a tela com a Assunção da Virgem para fechar a tribuna do retábulo-mor; 1910, 27 outubro - anulação da deliberação camarária relativa à denominação do parque; 1913, 13 fevereiro - restabelece-se a denominação do parque, que passa a chamar-se "Parque Leite Monteiro"; 1915 - 1917 - construção da atual residência paroquial sobre a sacristia; 1917 - colocação da imagem de Nossa Senhora de Fátima no retábulo colateral do Evangelho, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus; 1922, 1 abril - data da morte do imperador Carlos de Áustria, falecido no Monte; 5 Abr. - deposição do corpo do imperador na capela lateral do Imaculado Coração de Maria; 1933 - data da aprovação dos últimos estatutos da Confraria de Nossa Senhora do Monte; 1936 - Manuel de Sousa Pereira oferece os dois painéis de azulejos existentes junto ao portal axial; 1956 - novo acordo entre a Câmara e a Igreja do Monte para ampliação da área do parque, que passa a ter as dimensões atuais; 1967 - 1968 - construção da nova capela tumular do imperador Austro-Húngaro, com projeto e direção artística dos trabalhos confiada, pelo Governador do Funchal, a Gino Romali; as obras ficam a cargo da empresa Construção Civil, Ldª, de que era diretor José Ludgero de Ornelas e pelo construtor civil daquela empresa Albino de Jesus Escórcio; 1968, 11 janeiro - bênção da nova capela pelo bispo D. João António da Silva Saraiva, com a presença da Imperatriz e seus filhos Arquiduques Otto e Arquiduquesa Adelaide; 1974 - pintura da sala da confraria, na parte inferior do lado N., pelo pintor António de Gouveia, do Funchal; 1977, 11 dezembro - inauguração do novo altar-mor, em mármore branco com 1200 kg sobre plataforma também de mármore, feito pela firma do Funchal José Gomes Serrão, Herdeiros, e orçado em cerca de 150 mil escudos com missa celebrada pelo pároco Manuel Mota Pereira; a verba para a sua feitura foi obtida por Álvaro Luís de Freitas e José Aurélio Pereira, naturais do Monte e radicados na Venuzuela, que se quotizam e recolhem oblatas pelos madeirenses residentes naquele país, tendo depois a sua construção sido promovida por João Luís de Freitas (irmão de Álvaro Luís de Freitas), José Rodrigues e Pedro Martins Vieira, residentes no Monte; 2004, 3 outubro - beatificação do imperador Carlos I de Áustria; 2005, 15 agosto - benção da estátua, em bronze, do Beato Carlos, realizada pelo escultor Augusto Cid e colocada na escadaria do adro da igreja, pelo cardeal José Saraiva Martins, então Perfeito da Congregação para as Causas dos Santos.

Características Particulares

Igreja paroquial reconstruída entre 1749 e 1818, data da sua sagração, na sequência de um terramoto, substituindo uma anterior concluída apenas em 1748, e que havia sido construída no local de uma pequena capela quatrocentista dedicada a Nossa Senhora da Encarnação e à qual havia grande afluência de romeiros. Destaca-se perfeitamente em toda a paisagem do amplo vale do Funchal e possui o orago da Padroeira da Madeira, pelo que se torna palco do mais importante arraial da ilha. Apresenta as características típicas das construções insulares dos finais do séc. 18, mas com elementos quase sem paralelo na região, como sejam a fachada flanqueada por torres sineiras e a entrada por nártex. No interior, o coro-alto foi prolongado pelo coreto do órgão, de perfil curvo, e lateralmente possui os cadeirais das duas importantes confrarias que alberga e a capela funerária, da década de 1960, do último Imperador da Áustria, Carlos de Habsburgo, beatificado. As capelas laterais e o arco triunfal são dinamizados por falsos frontões de talha sobre a cornija. A decoração da capela do Santíssimo data de 1821, e tem estuques de João Mamede Zeferino, e retábulo do entalhador Estêvão Teixeira da Nóbrega, também autor dos retábulos colaterais e do púlpito. O retábulo lateral do Evangelho é já do início do séc. 20, mas segue o mesmo esquema. A capela-mor é revestida a apainelados pintados a marmoreados fingidos, integrando telas da oficina regional de Nicolau Ferreira com cenas da vida da Virgem, enquanto na nave existem dois outros, mas relativos à infância de Jesus. O retábulo-mor tem a tribuna cerrada por tela pintada com a Assunção da Virgem, do pintor madeirense Luis Bernes, reproduzindo a pintura de Tiziano Vecellio. O espaldar do arcaz da sacristia apresenta também pinturas da oficina de Nicolau Ferreira.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria mole e rígida regional rebocada e pintada; pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, colunas e pavimento interior em cantaria basáltica; grades de ferro; portas de madeira; vidro simples; coro-alto, tribunas laterais, teia e arcaz em madeira (carvalho, nogueira e outras); amarrações mistas de tirantes de madeira e ferro; silhar de azulejos azuis e brancos; retábulos, púlpito, apainelados, colunas do coreto do órgão e molduras em talha pintada a marmoreados fingidos e dourado; painéis pintados sobre tela; pinturas murais; decoração de estuque pintado e relevado; imagem em mármore; lambril de madeira; estrados de madeira; cobertura em telha de meio canudo.

Bibliografia

ANDRADE, Pe. Giselo - Santuário de Nª Sª do Monte. Fé e Tradição. s.l.: Paróquia de Nª Sª do Monte, 2010; BORGES, Regina - "Resenha Histórica de Nossa Senhora do Monte". In Diário de Notícias. Funchal: 15 agosto 1987; CANE, Florence Du e CANE, Ella Du - The Flowers and gardens of Madeira. London: Adam and Charles Black, 1909; CARITA, Rui - História da Madeira. Funchal: Secretaria Regional de Educação, 1989, vol. 1; CLODE, Luís Peter - Património Artístico da ilha da Madeira - Lampadários. Porto: Empresa Industrial Gráfica do Porto, 1949; COSTA, José Pereira da - Vereações da Câmara Municipal do Funchal. Funchal: Secretaria Regional de Turismo e Cultura, 1995; F. P. - "Monte. A actual igreja paroquial". In Jornal da Madeira. Funchal: 1985; FRUTUOSO, Gaspar - Saudades da Terra, anotado por Álvaro Rodrigues de Azevedo. Funchal: tipografia Funchalense, 1873; GIL, Júlio, CALVET, Nuno - Nª Senhora de Portugal. Santuários Marianos. Lisboa: Intermezzo, 2003; GONÇALVES, Ernesto - "Nossa Senhora do Monte, Sécs. XV e XVI". In DADAHM, Funchal: 1956, vol. IV, nº 5; GONÇALVES, Luísa - "Capela do Santíssimo no Monte está a ser alvo de recuperação". In Jornal da Madeira. Funchal: 18 maio 1997; J. R. - "Da imagem da Senhora do Monte. Polícia ainda não descobriu quem roubou a coroa de ouro". In Diário de Notícias. Funchal: 8 maio 1992; MARTINS, Rosário - "Televisão austríaca filma igreja do Monte". In Diário de Notícias. Funchal: 24 março 1996; MELIM, E. - "Nossa Senhora do Monte sem novidades. Coroa arquivada". In Diário de Notícias. Funchal: 15 agosto 1997; NORONHA, Henrique Henriques de - Memórias Seculares e Eclesiásticas para a composição da História da Diocese do Funchal na ilha da Madeira. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1997; PIO, Manuel Ferreira - O Monte. Santuário votivo da Madeira (Retalhos Históricos). 3ª edição. Funchal: Junta de Freguesia do Monte, 1992; RIBEIRO, João Adriano - Monte, breve resenha histórica da freguesia de Nossa Senhora do Monte. Funchal: Fundação Berardo, 1991; RIDDELL, Maria - Voyages to the Madeira and Leeward Caribbean Isles. Edimburgo: 1792; SARMENTO, Artur Alberto - "Nossa Senhora do Monte". In Diário de Notícias. Funchal: 15 agosto 1931; SILVA, António Ribeiro Marques da - "O maior arraial cristão da ilha: Nossa Senhora do Monte". In Diário de Notícias. Funchal: 15 agosto 1993; SILVA, Padre Fernando Augusto da, MENESES, Carlos Azevedo - Elucidário Madeirense. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1984; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga: Franciscana, 1990, 2 vol.; VERÍSSIMO, Nelson e TRUEVA, José Manuel de Sainz - Esculturas da Região Autónoma da Madeira: Inventário. Funchal: Direcção Regional dos Assuntos Culturais, 1996, p. 27.

Documentação Gráfica

Aguarelas e litografias inglesas do séc. 19; GR: Equipamento Social; DRAC

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; Museu Vicentes Photographos; DRAC; Associação de Reitores dos Santuários de Portugal / Paulinas

Documentação Administrativa

IAN/TT: Junta da Antiga Provedoria da Alfândega do Funchal; ARM; CMF; RN; GC; Paróquia do Monte

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO / FUNDAÇÃO BERARDO: 1992 - restauro de algumas pinturas sobre tela da capela-mor; Paróquia do Monte: 1996 - revisão das coberturas; 1997 - consolidação e reparação dos estuques e limpeza geral das talhas da capela do Santíssimo pelo "Atelier da Zona Velha", de Leonor Leitão e Georgina Garrido.

Observações

*1 - Na antiga igreja paroquial existiam as seguintes confrarias paroquiais: a de Nossa Senhora do Monte, a mais antiga, que a 7 março 1665 recebeu alvará régio que nomeava o vigário da paróquia tesoureiro da sua igreja; a do Santíssimo Sacramento, instituída em 1640, pelo vigário Pedro de Noronha de Mendonça; as de São Pedro do Bom Jesus e de Santo Antão e ainda a dos "Escravos de Nossa Senhora do Monte", que vigorou de 1750 a 1768. Atualmente, só existem as confrarias do Santíssimo, com estatutos aprovados e que promovem a festividade anual no primeiro domingo de setembro, estando fixada para o último domingo de julho a partir do ano de 1965, e a confraria de Nossa Senhora do Monte, composta por confrades de ambos os sexos, quase todos jovens. *2 - Segundo a lenda, a Virgem aparece milagrosamente a uma humilde pastorinha, no local do Terreiro da Luta, a cerca de um kilometro acima da capela do Monte, que já estava construída. Segundo Gaspar Frutuoso ou Henrique Henriques de Noronha, certa tarde, uma Menina brincou com uma pastorinha e deu-lhe uma merenda. Esta, cheia de júbilo, conta o sucedido à sua família, que não lhe dá crédito, por achar impossível que naquela mata erma e tão arredada da povoação aparecesse uma Menina. Na tarde seguinte repetiu-se o fato e a pastorinha voltou a contar aos pais. No dia imediato, à hora indicada pela pastorinha, o pai desta, ocultamente, foi observar a cena, e viu sobre uma pedra uma pequena imagem de Santa Maria, e à frente desta a pastorinha, que, a seu pai, repentinamente aparecido, afirma ser aquela imagem a Menina de quem lhe falara. O pastor, admirado, não ousou tocar na imagem e comunicou o fato à autoridade que mandou colocá-la na capela da Encarnação, próxima da atual igreja do Monte, nome que desde então foi dado àquela venerada imagem. *3 - Antes da construção do parque, o acesso à igreja era feito por uma vereda em zigue-zague aberta perto do Café do Parque, prolongando-se por detrás da Fonte de Nossa Senhora e, dali, em linha quase reta até a igreja; o antigo passal tinha a área de 6400 m2.

Autor e Data

Rui Carita 2000 / Paula Noé 2013

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