Igreja de Nossa Senhora do Rosário

IPA.00008143
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Povoação, Povoação
 
Igreja paroquial construída no séc. 16 e reformada no séc. 18, com três naves e cabeceira tripartida, integrada no programa nacional de construção de igrejas paroquiais pelas Ordens Militares, administradas diretamente pela Coroa. Apresenta planta composta por três naves, separadas por arcos, de volta perfeita, sobre pilares, e cabeceira tripla escalonada, interiormente com ampla iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira ou falsa abóbada de berço, respetivamente, tendo adossado à fachada lateral direita torre sineira. A fachada principal organiza-se em três panos definidos por pilastras coroados por pináculos sobre plintos longilíneos, e termina em empena reta, que no pano central é recortada e sobreposta por espaldar volutado, coroado por cruz de Cristo e, nos laterais, encimada por aletas. É rasgada por vãos retilíneos, correspondendo a janelas nos panos laterais e, no central, a portal entre pilares sustentando entablamento, e a janela, encimada por vários frisos e cornijas e envolvida por decoração volutada em cantaria, típica do barroco Micaelense. A torre sineira tem dois registos, o primeiro rasgado por óculo com o típico ralo de cantaria, e pequeno vão, e o segundo por ventanas em arco peraltado, rematando em guarda vazada. Nas fachadas laterais rasgam-se, na nave, amplas janelas retilíneas e, na lateral direita, porta travessa envolvida por decoração barroca, sendo encimado por múltiplos frisos, cornijas e espaldar volutado, e ladeado por volutas e pilastras, de onde parte motivo enrolado. No interior possui coro-alto, nave central com púlpito no lado do Evangelho, sobre bacia retangular e encimado por baldaquino, e arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras encimado por decoração em talha, com as armas de Portugal. Na capela-mor existe retábulo-mor revivalista, em talha pintada e dourada, de corpo reto e três eixos, de linguagem barroquizante.
Número IPA Antigo: PT072104050001
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal composta por três naves, cabeceira tripartida, tendo adossado à fachada lateral esquerda batistério, capela profunda e anexo e à direita a torre sineira quadrada e um corpo retangular. Volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, rematadas em beirada dupla. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, de cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija. A fachada principal surge virada a oeste, percorrida por soco de cantaria, e organizada em três panos, definidos por pilastras toscanas, coroadas por plintos paralelepipédicos longilíneos sustentando pináculos tipo pera, e terminados em empena reta, de friso e cornija, recortada e proeminente no pano central, onde é sobreposta por espaldar recortado e volutado, coroado por cruz de Cristo; sobre os panos laterais dispõem-se aletas. O pano central é rasgado por portal de verga reta, ladeado por pilares, assentes em plintos paralelepipédicos, ornados de florão, e sustentando entablamento, e elementos volutados de cantaria; superiormente abre-se janela retilínea encimada por vários frisos e cornija, ladeada por elementos volutados de cantaria, que se prolongam inferiormente, enquadrando pano de peito de cantaria, também ele ornado. Nos panos laterais abrem-se janelas retilíneas. À esquerda, o corpo adossado em plano recuado, terminado em cornija, é rasgado por portal em arco e, à direita, dispõe-se a torre sineira, de dois registos definidos por friso e cornija, o inferior com um óculo recortado e vão quadrangular e o segundo, em cada uma das faces, por ventana de arco peraltado, sobre pilastras e com pano de peito rebocado e pintado. A estrutura remata em friso, cornija e balaustrada, com pináculos nos ângulos sobre plintos paralelepipédicos. As fachadas laterais terminam em friso e cornija e são rasgadas por janelas retangulares, abrindo-se ainda na lateral direita porta travessa de verga reta, encimada por vários frisos, cornijas e espaldar, formado por aletas, coroado por cruz de Cristo sobre acrotério e contendo vieira e motivos volutados. O portal é enquadrado por motivos volutados em cantaria e duas pilastras, de onde partem lateralmente motivos enroladas de cantaria, assentando em largos plintos e sendo coroadas por pináculos tipo pera. Semiencoberto pela torre existe um outro vão, em arco em asa de cesto, sobre pilastras, atualmente entaipado. O corpo adossado é rasgado a oeste por janela retilínea com pano de peito em cantaria e, a sul, por porta de verga reta. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em cantaria e cobertura de madeira, em masseira, pintada de branco. As naves, cada uma de seis tramos, separam-se por arcos de volta perfeita sobre pilares. Possui coro-alto, sobre as três naves, com guarda em balaústres torneados, sendo acedido por escada de madeira na do lado do Evangelho. A nave central possui, do lado do Evangelho, púlpito com bacia retangular de cantaria, sobre mísula, guarda em balaústres torneados, organizados em dois registos, encimado por baldaquino, de talha, com lambrequim, pináculos tipo pinha e tendo inferiormente pomba do Espírito Santo sobre resplendor. Acede-se ao púlpito por escada de pedra que contorna o pilar. As naves laterais possuem várias capelas profundas, acedidas por arco de volta perfeita ou apontado, sobre pilastras. Os absidíolos com cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, albergam retábulos de talha pintada. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, encimado por espaldar em talha pintada de verde e castanho, ornado com elementos volutados e vegetalistas, tendo ao meio cartela com as armas de Portugal. A capela-mor tem cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, sobre cornija de talha, pintada de verde e bege, e, sobre o supedâneo, dispõe-se o retábulo-mor, em talha pintada de verde, bege e dourado, de corpo reto e três eixos, definidos por seis pilastras, ornadas de motivos vegetalistas, e quatro colunas, de fuste liso com concheados, sobre mísulas e de capitéis vegetalistas, que se prolongam em igual número de arquivoltas no remate da estrutura, sobreposto por cartela central recortada e fragmentos de cornija. No eixo central abre-se tribuna, interiormente coberta por abóbada em quarto de esfera ornada de concheados e albergando trono. Nos eixos laterais existem apainelados com decoração rendilhada a envolver mísula com imaginária. O sotobanco integra ao centro sacrário, rematado em cornija contracurva com rendilhado tipo lambrequim.

Acessos

Povoação, Rua Gonçalo Velho. WGS84 (graus decimais) lat.: 37,746881; long.: -25,248152

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DR, 1.ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado no núcleo urbano da vila da Povoação (v. IPA.00027986), nas imediações da orla marítima e do cais. Ergue-se em plataforma rebaixada à via de acesso, formando adro pavimentado a cantaria. Na proximidade ergue-se a Câmara Municipal de Povoação (v. IPA.00033694), a noroeste, e o Tribunal da Comarca de Povoação (v. IPA.00015928), a sudoeste.

Descrição Complementar

Sobre a porta travessa da fachada lateral direita existe cartela com o monograma "M D", numa alusão à invocação "Madre de Deus".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1439 - início do povoamento da ilha, neste local, advindo daí o nome de Povoação; séc. 16 - construção de um primitivo templo, muito perto do mar, por João de Arruda da Costa, com invocação inicial a Nossa Senhora dos Anjos e depois alterada para Nossa Senhora da Natividade, dado que no dia da festa, a 15 de agosto, os fregueses estavam ocupados na colheita das searas, enquanto as festas da Natividade eram a 8 de setembro; 1568, 30 julho - acréscimo da côngrua do vigário com 10$000; 1595, 20 março - o bispo de Angra, D. Manuel de Gouveia, despacha alvará acerca da criação "do Curato da Senhora Mãe de Deus, da Povoação Velha"; depois desta data ocorrem as primeiras obras na igreja, por ordem do bispo *1; 1640 - 1646 - o templo durante este período tem a invocação de Nossa Senhora dos Remédios; 1671 - gastam-se 96$000 com o pedreiro na capela-mor; 1667, 21 outubro - dá-se 4$000 à fábrica da igreja; 1737 - compra de ornamentos no valor de 1335$000; 1753, 30 agosto - o bispo D. Frei Valério do Sacramento, na sua visitação, refere o orago como sendo de Nossa Senhora da Mãe de Deus; 1761 - obras no retábulo, por 50$000, com douramento por 50$000 e pintura do mesmo por 100$000; 1788, 21 setembro - na sua visita, Pedro da Costa Medeiros diz que o retábulo da capela-mor necessita ser modernizado, pois é muito antigo e está indecente, o retábulo da capela do Santíssimo Sacramento precisa ter obra de talha, e o interior do sacrário ser forrado com seda; é referida a nova capela construída, com donativos da população, com invocação do Senhor Santo Cristo, mas que corre perigo de conservação, devido à humidade; 1795, 28 agosto - na visita de D. António Caetano da Rocha, o bispo refere o bom estado de conservação da igreja, que foi sendo recuperada pela população depois da última visita feita, faltando completar a obra da torre, para se poder por o sino; 1811 - a igreja já apresenta indícios de ruína, conforme referido na visita do bispo D. José Pegado de Azevedo, pois muitas vezes ficava alagada dada a proximidade ao mar; a população considera-a pequena para o número de fregueses; ao longo da centúria, a igreja apresenta sinais de degradação e a população começa a desejar uma nova igreja, num sítio mais central e seguro; 1856 - inauguração da nova Igreja Paroquial da Povoação (v. IPA.00033696), passando esta a ter orago Nossa Senhora do Rosário; 1958 - nesta data o arco triunfal é ladeado por dois retábulos colaterais, em talha, sendo posteriormente apeados.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; soco, cunhais, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, cruzes, pináculos, elementos decorativos exteriores, bacia do púlpito e outros em cantaria de basalto aparente; portas de madeira; vidros simples; coro-alto de madeira pintada; guarda do coro-alto e do púlpito em madeira envernizada; baldaquino e retábulos em talha pintada e dourada; pavimentos em lajes de cantaria; cobertura de madeira; cobertura exterior e beiradas em telha.

Bibliografia

BOTELHO, Francisco - A Igreja Matriz da Povoação e o seu primeiro centenário, 1856-1956. Ponta Delgada; CANTO, E. - «Notícia sobre as Igrejas, Ermidas e Altares da Ilha de S. Miguel». In Insulana. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, Vol. LVI, 2000; COSTA, Carreiro da - História das Igrejas e Ermidas dos Açores. Ponta Delgada: Jornal Açores, 1955; DIAS, Urbano de Mendonça, História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses - II. Vila Franca de Campo: Tipografia "A Crença", 1949; MATOS, António Marinho - Povoação - Evangelização, devoção e património cultural. Povoação: 2006.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

DGEMN:DRMLisboa

Documentação Administrativa

DGEMN:DSARH-010/215-0001, DGEMN:DSMN

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: Séc. 20 - Obras de reparação, com colocação de um novo telhado, lajeamento da pedra nas três capelas, altar e naves laterais e do adro; instalação de eletricidade; substituição da base e dos capitéis das colunas, arranjo do coro-alto e de todas as portas, construção de sanitários e do guarda-vento, substituição da alvenaria interior e exterior, pintura dos altares, instalação sonora no altar e ambão e amplificação sonora da torre sineira; 1936 - conclusão das obras de restauro.

Observações

EM ESTUDO.

Autor e Data

João Faria (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra) 2014 / Paula Noé 2015

Actualização

 
 
 
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