Convento de São Francisco / Câmara Municipal de Vila do Porto

IPA.00008239
Portugal, Ilha de Santa Maria (Açores), Vila do Porto, Vila do Porto
 
Convento masculino franciscano, construído no séc. 17 e reformado ainda na mesma centúria e no séc. 18, composto por igreja e núcleo conventual, implantado no lado esquerdo da mesma. A fachada principal é percorrida por soco, tem cunhais apilastrados e remates em friso e cornija. A igreja é de planta retangular composta por uma nave e capela-mor, mais estreita e mais baixa, possuindo coberturas internas diferenciadas em falsas abóbadas de berço, de estuque, e sendo iluminada pelos vãos da fachada principal e laterais. A sua fachada principal termina em empena e tem eixo de vãos, formado pelo portal, de verga reta e pilastras sustentando cornija reta, janela e vão com as insígnias da Ordem, ambos de arco abatido, com cornija e volutas estilizadas, possivelmente da reforma setecentista. No interior, a antiga capela das Almas, atualmente de Santo António, é revestida a azulejos de padrão de massaroca, de meados do séc. 17, integrando dois painéis alusivos à vida de Santo António, de pintura ingénua, e um retábulo de corpo côncavo e um eixo, em barroco nacional, muito repintado. Na capela do santo Sepulcro existe retábulo maneirista ali colocado em 1822, de corpo reto e um eixo, com profusa decoração fitomórfica vazada. A zona regral desenvolve-se em torno de claustro quadrangular, tendo as fachadas de dois pisos, separados por friso. Na fachada principal, de fenestração regular com vãos retilíneos, formada por janelas de peitoril e de sacada, rematadas em cornija, possui torre sineira desenvolvida sobre a portaria, com vão de acesso à mesma, apresentando três registos e dupla sineira na face frontal. No claustro as alas têm arcadas abatidas, sobre pilares, e janelas de varandim de verga abatida, atualmente transformadas em janelas de peitoril, ao nível do segundo piso, tendo no centro da quadra cisterna invulgarmente sobrelevada do pavimento. A capela da Ordem Terceira, com invocação de grande devoção na ilha, dispõe-se paralela à igreja, com planta retangular, interiormente coberta por falsa abóbada de berço e iluminação axial e lateral. Tem a frontaria terminada em empena, com portal e janela retilínea e no interior retábulo-mor de planta côncava e um eixo, em barroco nacional, inserido em nicho, revestido a talha revelando reformas posteriores, tal como os apainelados de acantos que revestem a parede testeira.
Número IPA Antigo: PT072107050003
 
Registo visualizado 559 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos

Descrição

Convento formado por igreja e zona regral implantada no lado esquerdo. A IGREJA, dedicada a Nossa Senhora da Vitória, é de planta retangular composta por nave e capela-mor mais estreita, tendo adossado na fachada lateral direita três capelas, a do Santo Cristo virada à frontaria, e duas laterais profundas, a das Almas aberta para a nave e a do Santo Sepulcro para a capela-mor. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de uma ou duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal, virada a sul, percorrida por soco de cantaria, com pilastras nos cunhais, coroadas por pináculos, tipo urna, e terminada em empena, com cornija, coroada por cruz latina de cantaria, sobre acrotério. É rasgada por portal de verga reta, entre pilastras, que suportam cornija reta, e por janela de verga abatida, com moldura rematada em cornija e formando inferiormente volutas estilizadas, sendo encimada por cornija reta; superiormente uma moldura contracurva emoldura silhar com as insígnias da Ordem. A torre sineira, implantada no lado esquerdo, evolui em três registos separados por cornija ou friso e cornija, o inferior rasgado por arco de volta perfeita de acesso à zona regral, fechado por portão de ferro; no interior possui falsa abóbada de berço, de estuque, e é rasgado frontal e lateralmente por portal de verga reta, estando este último entaipado. No segundo registo abre-se janela igual à da igreja e, no último, duas sineiras, em arco de volta perfeita sobre pilastras, albergando sino, com guarda em balaustrada. A torre, com as outras faces cegas, remata em friso, cornija e balaustrada, com pináculos tipo urna sobre acrotérios. Na fachada lateral direita, a nave é rasgada por janela retilínea, sem moldura, tendo a capela das Almas cunhais em alheta e remate em empena, coroado por cruz latina; a capela do Santo Sepulcro termina em frontão triangular, truncado, coroado por cruz latina sobre acrotério circular e pináculos nos cunhais, tendo no tímpano óculo circular, entaipado, com elementos curvos laterais, pintados de vermelho. INTERIOR da igreja com cobertura de três planos na nave e em falsa abobada de berço abatido, de estuque na capela-mor. Possui coro-alto, grande pia de água benta, e, no lado do Evangelho, antigo confessionário embutido e púlpito de bacia retangular e guarda em balaustrada. No lado da Epístola, a capela das Almas é revestida a azulejos policromos, de padrão, e possui retábulo de talha dourada e policroma, de corpo côncavo e um eixo. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras. Na parede testeira possui nicho que albergava o retábulo-mor. No lado da Epístola apresenta vão de ligação à capela do Senhor do Sepulcro, atualmente entaipado e com acesso individualizado, albergando retábulo de talha dourada de corpo reto e três eixos. CONVENTO de planta retangular regular, de dois pisos desenvolvidos em torno de um claustro quadrangular, possuindo coberturas a uma e duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, a principal virada a sul, de dois pisos separados por cornija, percorridos por soco de cantaria e rematado em friso e cornija, sendo rasgados por seis eixos de vãos, retilíneos, correspondendo no primeiro piso a um portal e a janelas de peitoril, com caixilharia de guilhotina, e no segundo, a janelas de varandim, com moldura rematada em cornija e guarda em ferro. Fachada lateral esquerda com vários corpos retangulares adossados, e fenestração irregular, com molduras pintadas de cinzento. A fachada posterior tem o segundo piso rasgado por janelas de peitoril. Claustro com fachadas de dois pisos, separados por cornija, o primeiro com arcada de arcos abatidos sobre possantes pilares, com as juntas pintadas de branco, e o segundo com janelas de varandim, de verga abatida, molduradas, atualmente transformadas em janelas de peitoril, tendo pano de peito em alvenaria rebocada e pintada de branco. As fachadas rematam em platibanda plena com cornija. Nas alas, com pavimento em tijoleira e cobertas por abobadas de aresta, abrem-se janelas de verga reta, alta, terminada em cornija, ou vãos de arco abatido. Quadra com pavimento em joga ou calhau rolado, com fiadas de cantaria, formando quadrícula, tendo ao centro a cisterna, quadrangular, com boca alteada relativamente ao pavimento. CAPELA DA ORDEM TERCEIRA OU DO SANTO CRISTO de planta retangular, com capela lateral saliente, e coberturas em telhados de uma ou duas águas, rematadas em beirada simples. Fachada principal virada a sul, percorrida por soco de cantaria e terminada em empena, de friso e cornija, coroado por cruz latina sobre acrotério e fogaréu no cunhal direito, apilastrado. Entre a empena e o cunhal da igreja existe pano rebocado e pintado, terminado em meia empena, com friso e cornija. É rasgada por portal de verga reta com moldura rematada em cornija e janela retilínea. Na fachada lateral direita, abre-se fresta na nave e dois pequenos vãos quadrangulares na zona posterior ao retábulo, tendo o corpo saliente da capela terminado em empena e com cunhais em alheta. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em cantaria e cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, com tirantes de madeira. No lado do Evangelho possui porta de ligação com a igreja, de verga reta, e no lado oposto tem capela lateral profunda, com vão em arco deprimido, moldurado, estando interiormente desnuda. Sobre supedâneo de dois degraus, abre-se nicho, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, revestido a talha pintada de vermelho e decorada de acantos, interiormente revestido a apainelados, pintados com flores e com almofadas de acantos relevadas. Alberga o retábulo-mor, de planta côncava e um eixo, definido por duas pilastras exteriores, ornadas de motivos vegetalistas e quatro colunas torsas, decoradas de pâmpanos e flores, sobre mísulas e de capitéis coríntios, que se prolongam em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas o sentido do raio. Ao centro abre-se nicho em arco de volta perfeita, com boca rendilhada, contendo imagem de Santo Cristo, sobre peanha. A parede testeira é revestida a talha pintada de vermelho, formando apainelados, ornados de motivos volutados e acantos dourados, terminando em empena truncada e rematando inferiormente em lambrequim sobre as portas de acesso à tribuna, que são em quadrícula de madeira, pintada de azul. Altar tipo urna, pintado a esponjado azul.

Acessos

Vila do Porto, EN 1-2ª; Rua Dr. Luiz Bettencourt; Largo de Nossa Senhora da Conceição. WGS84 (graus décimais) lat.: 36,953134; long.: -25,143245

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 251/70, DG, 1.ª série, n.º 129 de 03 junho 1970 / Incluído na Zona Classificada de Vila do Porto (v. PT072107050009)

Grau

5 - registo em pré-inventário com um preenchimento mínimo dos campos… e pressupondo a existência de um registo iconográfico.

Enquadramento

Urbano, adossado, confinando, à direita, com a via pública, da qual se separa por passeio, onde existe praça de táxis, desenvolvendo-se frontalmente praça, com pavimento em calçada à portuguesa, pontuada por bancos de jardim, e placa ajardinada. À fachada lateral direita adossa-se, entre as capelas laterais, corpo estreito, retangular, de apoio à praça de táxis, terminado em empena e rasgado por porta e janela de peitoril, sem molduras. A capela do Senhor do Sepulcro é envolvida por muro alto, formando pátio de acesso à mesma, com portal de verga reta. A norte erguem-se dois edifícios, formando L irregular, desenvolvido na fachada posterior, criando pátio, vedado por alto muro na fachada lateral esquerda, junto à qual existe largo, com pavimento betuminoso, com o parque de estacionamento do Tribunal.

Descrição Complementar

A capela lateral das Almas, atualmente com invocação de Santo António, tem as paredes revestidas a azulejos policromos, com padrão de massaroca (2 x 2/1), integrando dois painéis figurativos, representando cenas da vida de Santo António, figurando, no lado do Evangelho Santo António pregando aos peixes e, no da Epístola, Santo António ressuscitando o condenado à porta da Sé de Lisboa. Tem retábulo de talha dourada e pintada de verde e amarelo, de corpo côncavo e um eixo, definido por duas pilastras exteriores e quatro colunas torsas, que se prolongam pelo remate da estrutura, em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio. Ao centro possui nicho em arco de volta perfeita e com boca rendilhada. Altar tipo urna, frontalmente decorado. Possui ainda lápide com a inscrição: "CAPELA DAS ALMAS QUE FUNDOV O CAPITÃO MANUEL CVRVELO DA COSTA E SVA MULHER MARIA JÁCOME EM 1652". A capela do Santo Sepulcro possui retábulo de talha dourada de corpo reto e três eixos, com estrutura decorada por elementos fitomórficos vazados, e os definidos por pilastras ornadas de quartelões, sobre mísulas, e de capitéis coríntios; no eixo central possui nicho retilíneo, com boca rendilhada, interiormente com decoração fitomórfica vazada, e nos laterais possui apainelados com almofadas retangulares. Sobre o entablamento, a estrutura possui remate adaptado ao perfil da cobertura, com cornija, integrando tabela retangular, formada por dois apainelados com decoração vazada. O sotobanco é igualmente decorado com apainelados de elementos fitomórficos vazados.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal / Privada: pessoa singular (Capela do Santo Sepulcro)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ORGANEIRO: Joaquim António Peres Fontanes (1799).

Cronologia

1450, 28 abril - bula do papa Nicolau V autoriza a instalação dos frades franciscanos na ilha de Santa Maria; devido aos fracos recursos e à precariedade das instalações, cuja localização se desconhece, os frades acabam por abandonar a ilha; séc. 17 - os habitantes de Vila do Porto solicitam a frei António das Fragas, que governava os conventos franciscanos da Província de São João Evangelista das ilhas dos Açores, a criação de um convento na ilha; 1607, 17 setembro - autorização para os frades franciscanos se instalarem na ilha; pouco depois chegam à ilha dois frades, Frei Manuel do Corpo Santo e Frei António da Piedade; o terreno para a construção do convento é cedido por João Soares de Sousa, António Fernandes, Tomás de Magalhães e António Coelho; 1608, 06 marco - lançamento da primeira pedra para a construção da igreja; 1609, 26 marco - celebração de missa inaugural; 1616 - destruição do convento; 1652 - data da fundação da capela das Almas pelo capitão Manuel Curvelo da Costa e sua mulher Maria Jácome; 1680 - data da construção da cisterna do pátio; séc. 17 - criação de aula de gramática latina, aberta a todos os interessados; 1727 - obras no convento; séc. 18, último quartel - a aula fica em risco devido a dificuldades financeiras, levando Fr. João da Matta, guardião dos religiosos do convento franciscano de Nossa Senhora da Vitória, a fazer uma petição para que o religioso que se dedicava ao ensino da cadeira recebesse emolumentos, o que não acontecia até então, por ser mantido por esmolas da população; 1791 - rainha D. Maria atribui ao convento uma ordinária de 60$000, sendo 30$000 para pagar ao religioso que ministrasse a cadeira de gramática latina; 1799 - execução do órgão por Joaquim António Peres Fontanes, posteriormente transferido para a Igreja de São José; 1822 - aquisição do retábulo da Capela do Santo Sepulcro propositadamente para ali ser colocado, aquando da realização de obras na igreja; 1833 - data até à qual o religioso que ministra a aula de gramática latina é pago pela verba concedida pela rainha; 1833, 18 outubro - data do inventário dos bens do convento; os bens móveis e paramentos são distribuídos pelas igrejas paroquias rurais da ilha, sendo a imagem do orago, de Nossa Senhora da Vitória, transferida para a Igreja Matriz; a prata de ornato das imagens e um lampadário do altar de Nossa Senhora da Conceição são enviados para São Miguel; na igreja do convento, manteve-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição; 1851 - o convento passa a albergar os serviços públicos da ilha, a administração do concelho, a Câmara, escola primária, a roda dos expostos e a cadeia; séc. 19 - obras de ampliação do convento; 1908 - instalação da Câmara Municipal no edifício; 2004, 09 setembro - publicação da Resolução do Conselho do Governo n.º 126/2004, referindo consumir a classificação anterior do imóvel por inclusão na Zona Classificada de Vila do Porto, em JORAA, 1.ª série, n.º 15.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruzes, platibanda, e outros elementos em cantaria vermelha da região; portão e grades em ferro; retábulos de talha dourada; revestimento da capela das Almas em azulejos policromos; pavimento cerâmico, em lajes de cantaria e madeira; vidros simples; cobertura de telha.

Bibliografia

«Convento de São Francisco» (http://www.inventario.iacultura.pt/smaria/vilaporto_fichas/11_24_102.html), [consultado em 10 agosto 2015]; MELO, J. M. Ferreira de, TEJO, Sandra Pacheco (coordenação) - Vila do Porto. Município. Ponta Delgada: Públicos, 1997; MONTERREY, Guido de - Santa Maria e São Miguel (Açores). As duas ilhas do Oriente. Porto: edição do autor, 1981; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga: 1990, vol. 2.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1808 / 1822 / 1842 - obras de restauro na igreja; 1979 - restauro da igreja.

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Paula Noé 2015

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login