Fonte das Águas Férreas

IPA.00008759
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães
 
Arquitectura civil, barroca. Fonte de espaldar, inserida em recinto rebaixado de planta em L, com bica zoomórfica, nicho e moldura recortada, sublinhada no fecho da cornija de remate. O seu desenho integra pormenores do risco de André Soares aproximando-se, por exemplo, de elementos decorativos utilizados em outras obras da cidade nomeadamente na Casa da Câmara (v. PT010303520123) ou na Igreja dos Congregados (v. PT010303420046), sendo de realçar que o persurso do mestre-pedreiro Paulo Vidal se interliga com o de André Soares. No entanto não será descabido atribuir o risco a Carlos Amarante sabido que é que no início da sua carreira segue aquele artista e que, por outro lado, no início do ano de 1773 havia sido nomeado inspector das obras públicas da cidade e a construção desta fonte era uma obra camarária (OLIVEIRA, 45).
Número IPA Antigo: PT010303160112
 
Registo visualizado 192 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Fonte com espaldar em cantaria, encaixado no muro, composta por três peças definindo nicho trapezoidal, com base emoldurada tendo ao centro bica zoomórfica onde assenta moldura recortada, relevada, rematada por cornija também recortada, ornado no fecho por aduela geométrica relevada.

Acessos

Avenida Robert Smith. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,541759, long.: -8,399219

Protecção

Inexistente

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, isolado, nas traseiras do hipermercado Carrefour, rodeado por jardim, com relvado, delimitado por cedros, com lápide, em granito polido, sobre monólito, alusiva à reconstrução da estrutura neste local. A fonte insere-se em recinto rebaixado, de planta em L, com panos em alvenaria irregular de granito, com capeamento, escada de lanço recto, composta por oito degraus, no braço S., conduzindo a átrio lajeado com banco frontal, de onde se acede à bica através de dois degraus, estando esta enquadrada por dois bancos, pétreos, adossados ao muro E. do recinto.

Descrição Complementar

INSCRIÇÕES: Inscrição gravada no monólito existente no acesso; sem moldura nem decoração; granito; tipo de letra: capital quadrada; leitura: FONTE DE FRAIÃO 1773 RECONSTRUÍDA EM MAIO DE 1997 " O PATRIMÓNIO É UM ESPELHO DO PASSADO ".

Utilização Inicial

Equipamento: fonte

Utilização Actual

Equipamento: fonte

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Carlos Amarante (atr.) (1773); PEDREIRO: Paulo Vidal (1773).

Cronologia

1773, Julho - Na sequência da descoberta de águas férreas na freguesia de Fraião, o Arcebispo D. Gaspar de Bragança ordenou à Câmara Municipal para proceder ao seu aproveitamento; 30 Julho - decisão da Câmara Municipal de fazer a obra "para o povo com melhor asseio, resguardo e comodidade poder servir-se da dita água", tendo-a arrematado Paulo Vidal, mestre-pedreiro, morador na freguesia de Adaúfe, pela quantia de 80$000, comprometendo-se a realizar a obra de acordo com o risco que lhe foi entregue assinado pela câmara; 1775 - referência às águas medicinais de Fraião no livro dos "Bens da Fábrica da Igreja de Lamacães"; 1851 - na sequência do interesse manifestado pelo professor do Liceu Sá de Miranda, José Joaquim da Silva Pereira Caldas, foi presente à Câmara uma memória chamando a atenção para a superior qualidade das águas e o estado de abandono da fonte, pelo que foi deliberado nomear o vereador José Valério Capela "para que, com os facultativos da câmara e peritos se procedesse ao exame das referidas águas e orçamentos das obras precisas"; a Câmara abriu e calcetou, propositadamente, um caminho público desde o Largo do Espadanido até à fonte; 21 Julho - visita de uma comissão ao local e ordem para se proceder "desde o dia imediato à limpeza da nascente e dos seus parapeitos de resguardo e ao rebocamento e aceio consecutivo do estabelecimento hidrológico"; 20 Agosto - a Câmara Municipal emite duas ordens de pagamento, uma de 18$450 a favor de José António Peixoto Braga proveniente de 600 exemplares que se mandaram imprimir dos ensaios analíticos das águas férreas; outra, a favor do livreiro José Henrique Matos, de 6$000 proveniente de transformar em brochuras os referidos folhetos; 1977 - visita de membros da Câmara ao local e posterior limpeza da fonte, na sequência de artigos publicados no jornal, da autoria do pároco de Fraião, Padre António Oliveira Gomes, chamando a atenção para o seu abandono; 1991 - as águas férreas de Fraião são de novo notícia no jornal, a propósito da projectada urbanização do vale de Lamaçães; 1994, 11 Maio - pedido de classificação do monumento, elaborado pelo Museu D. Diogo de Sousa; Setembro 10 - destruição de toda a estrutura arquitectónica da fonte, aquando do início das obras de construção do hipermercado Carrefour; 1997, Maio - reconstrução da fonte no local que ocupa actualmente.

Características Particulares

A fonte apresenta decoração simples, estando a estrutura da fonte marcada por formas ondulantes e quebradas de grande riqueza estilistica.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Estrutura em granito.

Bibliografia

CALDAS, Pereira, Ensaio analytico das águas férreas de S. Tiago de Fraião nos subúrbios de Braga, Braga, 1851 (brochura); GOMES, António Oliveira, Águas minero medicinais nos subúrbios de Braga, in Diário do Minho, Braga, 10 e 12/9/1977; Idem, Urbanização do vale de Lamaçães, in Diário do Minho, 28 e 29/5, 3, 5 e 7/6/1991; Jornal Notícias do Minho, 17/9/1994; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, As águas férreas de Fraião (Braga): Desde o arcebispo D. Gaspar de Bragança até à actualidade, in Estudos sobre o século XVII e XVIII no Minho. História e Arte, Braga, 1996, pp. 37 - 59; COSTA, Magalhães, Fraião devolveu ao povo fonte das "Águas Férreas", Jornal de Notícias, 4 Maio 1997; Fraião pede colaboração da Câmara para a preservação do património, Diário do Minho, 6 Maio 1997.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1979 - Limpeza do silvado e lama que a escondiam; Junta de Freguesia de Fraião: 1997 - reconstrução no local actual, colocação de lápides comemorativas e sinalização, sob orientação de Alberto Lima, técnico da Universidade do Minho *1.

Observações

Esta água tornou-se famosa na cura de afecções e enfraquecimento de orgãos em geral e de muitas inflamações crónicas; *1 - o interior do recinto possui fixo ao muro E., placa de metal com a transcrição do termo de arrematação da obra (AMB, Termo de arrematação das rendas (1769-1791), fl. 49-49v), assim como ordens de pagamento de 600 exemplares que se mandaram imprimir, dos ensaios analíticos das águas (AMB, Livro dos Termos nº 77, fl. 219v). Alberto Lima revelou que, nos estudos hidrológicos levados a cabo, tornou-se inviável identificar o circuito subterrâneo das águas férreas, em parte, devido à inexistência de água com teores de ferro e ao facto da nascente férrea se encontrar subterrânea.

Autor e Data

António Dinis 2001

Actualização

 
 
 
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