Igreja Paroquial de Avintes / Igreja de São Pedro

IPA.00008798
Portugal, Porto, Vila Nova de Gaia, Avintes
 
Igreja paroquial de fundação medieva, reconstruída no séc. 18, de expressão tardo-barroca, sendo a construção patrocinada pelo pároco, que nela se fez sepultar com os seus ascendentes. É de planta poligonal composta por nave, capela-mor, anexos e torre sineira seiscentista, com obras no séc. 20, tendo coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço, ornadas com medalhões de estuque, dois deles com atributos alusivos à Igreja (nave) e a São Pedro (capela-mor). É iluminada uniformemente por amplas janelas rasgadas nas fachadas laterais. A fachada principal é rematada em empena, tripartida, com os vãos rasgados em eixo, composto por portal, óculo e nicho, todos com modinatura tardo-barroca. As fachadas têm cunhais apilastrados, firmados por pináculos, e rematam em cornijas, as laterais rasgadas por portas travessas. Interior com coro-alto de madeira, de perfil côncavo, contendo um órgão de tubos, proveniente de outro edifício. Tem púlpito no lado da Epístola, com acesso pelo anexo, e cinco estruturas retabulares de talha tardo-barroca, destacando-se a qualidade de talhe do retábulo-mor, surgindo duas de feitura novecentista, com linguagem clássica.
Número IPA Antigo: PT011317020004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal irregular, formada por nave, capela-mor, anexos adossados e torre sineira no lado esquerdo, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, sendo em coruchéu piramidal, rebocado e pintado de branco na sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, exceto o corpo da torre sineira, revestido a azulejo de padrão azul e branco, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, firmados por pináculos, e rematadas em frisos e cornijas. Fachada principal virada a noroeste, rematada em empena angular com cruz latina no vértice, seccionada em três panos por pilastras toscanas e frisos que as prolongam, os exteriores cegos. Ao centro, rasga-se portal de verga reta e moldura simples, rematado por cornija, friso e frontão interrompido por cartela e pelas insígnias do orago, sobrepujado por janelão quadrilobulado e por nicho flanqueado por pilastras e rematado em cornija contracurva. No lado esquerdo e recuado, o corpo da torre sineira, de dois registos definidos por frisos e cornijas, o inferior rasgado por janelas quadrangulares e por porta na face posterior, e o superior por quatro ventanas de volta perfeita, assentes em impostas salientes. Remata em frisos, cornijas, pináculos angulares e, na base da cobertura, os mostradores dos relógios. A fachada lateral esquerda tem, no corpo da nave, porta travessa, de perfil abatido e rematado em friso, e duas janelas retilíneas; na capela-mor, surge uma terceira janela. O anexo possui duas frestas de arejamento e janela na face virada a noroeste. A fachada lateral direita possui porta e janela retilínea, surgindo uma semelhante no corpo da capela-mor; é marcada pelo adossamento do corpo lateral, de dois pisos, com escada de acesso em cantaria à zona superior. No primeiro piso, duas portas e três janelas jacentes, surgindo no superior, em ressalto, seis janelas com caixilharia de guilhotina. No lado direito, tem corpo mais antigo, de dois pisos, cada um deles com uma janela centrada, surgindo uma segunda na face virada a sudeste. Fachada posterior rematada em empena com cruz no vértice, tendo, no topo, óculo circular. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão azul e branco, tendo coberturas em falsas abóbadas de berço pintadas, assentes em frisos e cornijas de cantaria; tem pavimento em parquet. As janelas, portas e capelas estão encimadas por sanefas de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, composta por frisos e espaldares recortados e vazados, com profusa decoração vegetalista. Coro-alto de madeira, com guarda vazada do mesmo material, ao centro convexa, tendo acesso por porta no lado do Evangelho, a partir da torre sineira. No centro, órgão de tubos, positivo. O portal axial está protegido por guarda-vento de madeira e vidro fosco, ladeado por pias de água benta, tal como as portas travessas. No lado do Evangelho e sob a torre, o arco de volta perfeita de acesso ao batistério. O espaço está revestido a azulejo de padrão azul e branco, tendo pavimento em lajeado e cobertura plana; contém a pia batismal, em cantaria de granito, composta por pé e taça facetados e nicho para alfaias embutido na parede. Confrontantes, surgem dois nichos, rasgados no muro, contendo altas peanhas com imaginária, surgindo, ainda quatro capelas retabulares laterais, dedicadas ao Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora de Fátima (Evangelho) e ao Senhor dos Passos e Nossa Senhora da Assunção (Epístola). No lado da Epístola, púlpito quadrangular com bacia assente em mísulas e guarda torneada, com acesso por porta, a partir do anexo. Arco triunfal de volta perfeita, sobrepujado por sanefão de talha dourada, formando cornija contracurva, de inspiração borromínica e fragmentos de frontão, com lambrequins e decoração vegetalista, vazada. É ladeado por capelas colaterais, dispostas em ângulos e embutidas no muro, dedicadas ao Crucificado (Evangelho) e a Nossa Senhora do Rosário (Epístola). A capela-mor tem, sobre supedâneo de madeira e com degraus centrais, a mesa de altar e ambão, de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, com decoração de acantos, Na parede testeira, o retábulo-mor, de talha pintada de marmoreados fingidos e dourada, de corpo convexo e três eixos definidos por quatro colunas com o terço inferior marcado por anel e os superiores com falsa espira fitomórfica, assentes em duas ordens de plintos, os superiores galbados. Ao centro, tribuna de perfil contracurvo e moldura saliente, pontuada por folhagem, contendo trono expositivo de cinco degraus, com baldaquino no topo. Os eixos laterais possuem mísulas, encimadas por acantos, criando falsos baldaquinos, tendo na base as portas de acesso á tribuna. A estrutura remata em fragmentos de frontão, encimados por anjos tenentes, que centram o espaldar recortado e concheado, flanqueado por enrolamentos e tendo um fundo pintado, que se adapta à cobertura, criando um falso tímpano. Altar paralelepipédico, decorado por rosetão e rocalhas, encimado por sacrário embutido na estrutura, com a porta decorada por ostensório. No corpo anexo, funciona a sacristia, cartório paroquial, sala de catequese e várias dependências de apoio.

Acessos

Avintes, Rua Escola Central

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado em zona de declive, vencido por plataforma artificial, elevada relativamente à via pública, criando um amplo adro murada, sustentado por muro de suporte de terreno, em alvenaria rebocada e pintada, capeado a cantaria e encimado por grades metálicas. Ao adro, acede-se por três entradas, frontal e na ligação às fachadas lateral esquerda e posterior. Está pavimentado a calçada e corredor amplo em lajeado de granito, pontuado por vários canteiros de relva, arbustos e árvores, surgindo, a norte, uma fonte ornamental do tipo centralizado, circular e com três taças em gomos. No recinto, surgem representadas a Aparição do Anjo aos Pastorinhos e a Aparição de Nossa Senhora de Fátima, o primeiro com um dístico e a inscrição: "NÃO TEMAIS / SOU O ANJO DA PAZ / ORAI COMIGO / MEU DEUS EU CREIO, / ADORO, ESPERO E AMO-VOS, / PEÇO-VOS PERDÃO / PARA OS QUE NÃO CREEM / NÃO ADORAM NÃO ESPERAM / E NÃO VOS AMAM. / ANJO DE PORTUGAL. Em torno do templo, surgem vários cruzeiros, compondo uma Via Sacra, e, na zona frontal, o Cruzeiro Paroquial, em cantaria de granito, assente em plataforma de quatro degraus, os três superiores com focinhos salientes, onde assenta plinto galbado e a cruz latina. A rodear o adro, várias casas de habitação unifamiliar, terrenos de cultivo, correspondentes ao antigo passal, como a toponímia ainda regista, e um amplo Cemitério.

Descrição Complementar

A COBERTURA DA NAVE possui molduras em estuque pintado de rosa, formando painéis curvos, contendo decoração dourada, formando "ferronerie", enrolamentos, rosetas e acantos, surgindo no central elementos alusivos à Igreja, tudo envolvido por estrelas, fingido o firmamento. A COBERTURA DA CAPELA-MOR é semelhante, possuindo, no painel, os atributos do orago. O ÓRGÃO de tubos é de madeira composto por uma castelo e dois nichos, o primeiro de perfil convexo e mais elevado, rematando em cornija curva. Estão protegidos por gelosias vazadas por motivos geométricos e na base, os tubos de palheta, os centrais em leque. No topo, quatro urnas. Consola em janela, com teclado e pedaleira, estando ladeado pelos botões dos registos: no lado esquerdo, a "Recimbala, Cimbala, Dezanovena, Quinzena, Dozena, Oitava real, Flautado de violão e Fagote"; no lado direito, Recimbala, Cimbala, Corneta, Dozena, Oitava real, Flauta travessa, Flautado de 12 aberto e Clarim". O RETÁBULO DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS é de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, de corpo côncavo e três eixos definidos por duas pilastras exteriores, sobre plintos paralelepipédicos, e por duas colunas coríntias, sobre mísulas. Ao centro, nicho de volta perfeita e moldura saliente, contendo peanha com a imagem do orago, que remata em frontão semicircular. Os eixos laterais possuem mísulas com imaginária, encimada por acantos. A estrutura remata em pequeno arco abatido com seguintes ornados por acantos, de onde arranca a sanefa. Altar paralelepipédico com frontal decorado por acantos e cartela central contendo coração inflamado. Sobre este, sacrário embutido na estrutura com a porta decorada por motivos eucarísticos, rematado em frontão de lanços. O RETÁBULO DO SENHOR DOS PASSOS é de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, de corpo convexo e um eixo definido por duas colinas jónicas, assentes em plintos paralelepipédicos, flanqueados por frisos de folhagem. Ao centro, nicho de volta perfeita com moldura saliente. A estrutura remata em frontão de acantos enrolados e frontão semicircular, contendo resplendor. Altar em forma de urna com o frontal decorado por cartela com atributos da Paixão, acantos e vides. Os RETÁBULOS DA SENHORA DA ASSUNÇÃO e de NOSSA SENHORA DE FÁTIMA e os COLATERAIS são semelhantes, de talha pintada de marmoreados fingidos e de dourado, de corpo côncavo e três eixos definidos por duas pilastras exteriores sobre plintos paralelepipédicos e por duas colunas com o terço inferior marcado e ornadas por acantos, sobre consolas. Ao centro, nicho de volta perfeita e moldura saliente, contendo peanha com a imagem do orago, que remata em espaldar recortado e encimado por cornija interrompida por acantos. Os eixos laterais possuem mísulas com imaginária, encimada por acantos. A estrutura remata em pequeno arco com seguintes ornados por acantos, de onde arranca a sanefa. Altar paralelepipédico com frontal ornado por elementos fitomórficos. Sobre este, sacrário embutido na estrutura com a porta decorada por motivos eucarísticos e envolvida por molduras contracurvas e com a porta ornada por cruz. Os altares colaterais possuem, em vez de pilastras exteriores, cartelões, assentes em consolas e numa ordem inferior de plintos paralelepipédicos.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

FUNDIDOR: Manuel dos Santos (1786). PINTOR: Feliciano da Costa (séc. 19). RELOJOEIRO: António Oliveira Dias (1984).

Cronologia

1320 - a igreja é taxada em 70 libras; 1455 - criação do arcediagado de Oliveira do Douro a que se achava anexa a igreja de Avintes; 1623 - ereção da Confraria de Santo António; 1624, 04 maio - aprovação dos estatutos da Confraria de Santo António; 1673 - fundação da Confraria de São Pedro; 1676 - criação da Confraria do Santíssimo; 1687 - nas Constituições Sinodais vem referida a igreja como pertencente à comarca da Feira; 1747 - no Dicionário Geográfico vem a igreja descrita como tendo 5 altares, o mor com as imagens de São Pedro e Nossa Senhora das Necessidades, esta cm grande romaria em sua honra; 1758 - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco João Jácome, surge referida a igreja com o orago de São Pedro, que está no altar-mor, onde se acha o Santíssimo e uma imagem de Nossa Senhora das Necessidades, miraculosa; a igreja é antiga e no corpo da nave surgem os altares de Sant António e Senhor da Boa Morte (Evangelho) e São Gonçalo e Nossa Senhora do Rosário (Epístola); tem as irmandades do Santíssimo, de São Pedro, de Santo António e a das Almas, no altar do Senhor da Boa Morte; o pároco é abade, apresentado pelo bispo, com reserva alternativa do Papa; tem de rendimento 900$000; séc. 18, final - construção da igreja, antes da morte do Padre Jácome do Lago em 1786; o pároco sucessor Manuel Ribeiro Teixeira pede 600 mil réis para a construção; 1786, 17 agosto - assina-se no Mosteiro de Pedroso uma escritura de contrato e obrigação com Manuel dos Santos, sineiro, para este fazer um sino de 12 arrobas no adro da igreja, pelo preço de mil réis; o sino velho seria para fundir, à razão de 7$000 a arroba; 1787, 26 agosto - compra do órgão proveniente da Capela da Ordem da Santíssima Trindade; 1793 - criação da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário; 19 novembro - aprovação dos estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário; séc. 19, início - pintura do interior da igreja por Feliciano da Costa, morto em 1809 aquando das invasões francesas; 1809 - os franceses levaram várias alfaias em prata, nomeadamente as lâmpadas dos altares; 1850 - roubo de várias alfaias, entre as quais uma custódia de prata dourada; 1858 - construção do cemitério; 1864 - o visitador considera a igreja boa; 1873 - criação da Irmandade das Almas; 1891 - segundo Inocêncio Lopes Gondim, do conjunto de pinturas restavam dez na capela-mor; ampliação do cemitério, obrigando à demolição da casa paroquial, o que veio melhorar as condições do adro; séc. 20 - durante uma festa arde uma capela lateral, tendo sido substituída por outra estrutura; construção de dois retábulos laterais, os de Santa Ana e do Senhor dos Passos; 1912, 28 outubro - o sino grande rachou; 1913 - oferta de um relógio para a sacristia do Santíssimo, por D. Angélica Francisca Pereira; 1917, 21 outubro - inauguração do novo sino; séc. 20, meados - existência de 6 confrarias, Santíssimo, São Pedro, Santo António, das Almas, Nossa Senhora do Rosário e Senhor dos Passos; 1972 - colocação de azulejos na nave, oferecidos pela Sra. D. Emília Pereira Gomes; 1984 - segunda ampliação do cemitério; 1985 - feitura da capela mortuária.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; modinaturas, cornijas, frisos, bacia do púlpito, pia batismal e pias de água benta em cantaria de granito; coro-alto, caixa do órgão, pavimentos e mobiliário de madeira; coberturas com estuque decorativo; retábulos, guarda do púlpito, mesa de altar, sanefas, sanefão e ambão em talha dourada; silhares e revestimento de azulejo industrial; cobertura em telha cerâmica.

Bibliografia

AMARAL, Ana Filomena Leite - Avintes na margem esquerda do Douro. Avintes: Junta de Freguesia de Avintes, 1993; Igreja de S. Pedro de Avintes in História de Gaia, fascículo 23, vol. 2, 1985, p. 41 - 42; GONDIM, Inocêncio Osório Lopes - Avintes e suas antiguidades. Avintes: Junta de Freguesia de Avintes, s.d.; PACHECO, Helder - O Grande Porto. Lisboa: Editorial Presença, 1986.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1984 - restauro do relógio da sacristia do Santíssimo.

Observações

Autor e Data

Paula Figueiredo 2015 (no âmbito da parceria DGPC / Diocese do Porto)

Actualização

 
 
 
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