Mosteiro de Santa Clara / Igreja de Santa Clara

IPA.00009341
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Arquitectura religiosa, gótica, renascentista e barroca. Igreja de convento feminino com planta longitudinal e nave única, ocultando a sua estrutura primitiva sob decoração barroca. Interior coberto de talha dourada. Constitui uma das principais igrejas portuenses forradas a ouro, com talha de efeito espectacular com extraordinária harmonia e unidade, apesar de não ter sido realizada de uma só vez. As capelas colaterais da nave, 4 das quais com colunas do género churrigueresco, têm caneluras e fitas, encimadas por grades do género hispano-mourisco, coroamentos joaninos e tribunas. Capela-mor de grande riqueza decorativa e tecto #artesoado#, com painéis agrupados em redor de um só pendente, no meio de dois ovais. Portal renascentista coroado no séc. 18 por pináculos, nichos e merlões.
Número IPA Antigo: PT011312140004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Santa Clara - Clarissas (Província de Portugal)

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única, capela-mor e côro, em eixo, portaria adossada a N. e a este último, e sacristia adossada à capela-mor a S. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de 2 águas na igreja e na sacristia, e 3 águas na portaria. A fachada principal, virada a N., tem 2 registos separados por cornija telhada. No 1º registo, portal aberto em alfiz, de arco pleno com colunelos, enquadrado por pilastras decoradas, e por entablamento com friso decorado. Sobre este, 2 pináculos rematam as pilastras, e um elemento central constituído por piramide de folhas de acanto com 3 cabeças na base, entre dois nichos concheados com as imagens de Santa Clara e São Francisco. Rematam o alfiz, 7 merlões chanfrados. À direita deste portal, encontra-se a primitiva porta, de arco quebrado. À esquerda 2 janelas verticais de verga curva e chanfrada e uma terceira entaipada. No 2º registo, abrem-se 5 janelões de verga curva, com vitral. Deste lado, na capela-mor, 2 janelas verticais, encimadas por janelão semi-circular, e uma porta de verga recta encimada por janela. Perpendicular a esta fachada, a da portaria, rasgada por janelas simples, e portal de verga recta entre colunas salomónicas que suportam arquitrave encimada por nicho, com frontão interrompido pelas armas reais com a data 1697, contendo a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Alçado S. com 3 registos. No 1º, 4 vãos verticais de verga curva e chanfrada , e um de verga recta, todos entaipados. No 2º, 6 janelões quadrangulares com caixilharia em madeira e vidrinhos. No 3º, 5 janelões de verga curva com vitral. Ainda a S. na sacristia, janelão de verga recta e chanfrada, e no registo superior 3 janelas e um óculo, e um volume adossado, perpendicular, hoje desafecto da igreja. Na mesma fachada, na correspondencia do côro, porta encimada por janela de sacada totalmente gradeada, num nível intermédio 3 postigos, e num nível superior 2 janelões verticais de verga chanfrada. No limite esquerdo desta fachada, vão com moldura de pilastras e cornija, hoje entaipado em metade da sua profundidade. INTERIOR da igreja inteiramente revestido a talha dourada. Uma parede dividida em 3 registos, separa a nave do côro. No 1º registo abrem-se 2 portas de vão recto que ladeiam 2 vãos com respectivas rodas e ao centro a grade do comungatório, que conserva as puas. No 2º, 3 vãos rectos e gradeados. No 3º, 3 vãos de verga curva, também engradados, correspondendo estes ao côro-alto. Na nave, 8 vãos de volta perfeita, 7 deles com altares laterais, todos diferentes, com retábulos em talha dourada, profusamente trabalhada (com mísulas, nichos, sanefas, anjos, pássaros), e respectivos frontais ora em talha sugerindo texteis, ora policromados com #chinnoiserie# ou albarradas ou outros. Apresentam nos nichos e nas mísulas variadas esculturas. O púlpito, apresenta base com pé, em mármore rosa. A base é gomada, e o pé tem estrangulamentos e alargamentos sucessivos. As guardas são em madeira com fundo pintado e marmoreado, e com motivos em talha dourada aplicados nas zonas centrais, sendo o da face principal o emblema da Ordem Franciscana. Tecto em talha dourada e pintada, formando abóbada de arestas. Arco triunfal pleno, ladeado por 2 nichos com imagens, e sobrepujado por festões, grinaldas, anjos e sanefas, em talha. Capela-mor também inteiramente revestida a talha dourada, com fenestração simétrica, sendo 2 portas no 1º registo, 2 janelas no 2º, e um janelão semi-circular no 3º. Este apresenta do lado da Epístola, uma grade do tipo hispano-mourisco, e do lado oposto, uma grade simples envidraçada. Altar-mor com retábulo de colunas salomónicas que ladeiam as imagens de Santa Clara e São Francisco, e suportam sanefa curva sobre o trono. Tecto artesoado e em alfarje. À direita da Capela-mor encontra-se a Sacristia, com tecto em caixotões de madeira pintados e sobre esta, uma capela com tecto em masseira, pintado, com vão semi-circular engradado. O Côro-alto apresenta um cadeiral disposto em U, com espaldar entalhado, enquadrando telas, e tecto de caixotões pintados.

Acessos

Largo Primeiro de Dezembro

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho de 1910 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DG, 2ª série, n.º 182 de 4 de agosto de 1964

Enquadramento

Urbano, flanqueado. Ergue-se no centro histórico do Porto, flanqueada por construções do antigo convento de Santa Clara (v. PT011312140214) sendo a fachada principal precedida por átrio fechado com arco de acesso. A nascente ergue-se um troço da muralha fernandina (v. PT011312080013).

Descrição Complementar

Os altares laterais têm as seguintes invocações de acordo com a escultura central, e da nave para a capela-mor: Nossa Senhora do Carmo, São João Evangelista, Nossa Senhora da Conceição ( do lado do Evangelho ), e, Descida da Cruz, Sagrada Família, Menino Jesus Salvador do Mundo, São João Baptista (do lado da Epístola ). O vão, fronteiro à Descida da Cruz, não tem altar. É fechado na zona superior, por tela representando a Última Ceia, e na zona inferior, por 2 portas uma das quais é resultado do aproveitamento de tábuas polícromas.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Sec. 15 / 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Miguel Francisco da Silva (projecto de ampliação e risco da talha), Manuel de Sousa Sampaio, Domingos Lopes (entalhadores); Joaquim Rafael da Costa (tela da capela-mor).

Cronologia

1405 - O Papa Inocêncio VII concede autorização a D. Filipa de Lencastre para transferir as monjas clarissas do Torrão, em Entre-os-Rios, perto da confluência do Tâmega com o Douro, para o Porto, para o local conhecido por Carvalhos do Monte, dentro do burgo fortificado; com a morte da Rainha, D. João I responsabiliza-se pela construção; 1416 - bênção da primeira pedra pelo bispo D. Fernando da Guerra, na presença do rei, infantes e corte; grande parte da construção foi custeada pelo monarca; 1427 - as clarissas instalam-se no mosteiro, mas a igreja só ficaria pronta trinta anos depois; séc. 16 / 17 - algumas modificações no edifício; 1630, Agosto - referência no livro de despesas, ao conserto dos órgãos, tendo sido pago ao organista 4 mil reis; 1660, Julho - afinação e reparação do órgão e realejo, pelo Padre Sebastião de Araújo, de Braga, tendo-lhe sido pago 4 mil réis; 1697 - data da porta regral; 1707 / 1715 - construção de novos dormitórios; 1729 - ampliação da capela-mor; 1730 / 1732 - contrato com Miguel Francisco da Silva para ampliação da igreja e seu revestimento a talha dourada; 1821 - execução da tela da capela-mor; sec. 19 - os exércitos franceses roubaram algum do seu espólio; 1834 - extinção das ordens religiosas, com permissão de funcionamento dos conventos femininos, até à morte da última freira; 1901 - morte da última freira; remodelação do corpo norte para instalação do Dispensário da Rainha D. Amélia, atual centro de Saúde da Batalha; construção da escadaria de remate do corpo norte demolido para a abertura da Rua Saraiva de Carvalho; 1931 - remoção da fonte existente no pátio, entre o portal da igreja e o regral; 2004, Janeiro - data do concurso de adjudicação para obras de conservação e valorização geral do imóvel - conservação de paramentos exteriores.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Granito, madeira, ferro, azulejo, talha. Pavimento de granito, e cobertura de telha

Bibliografia

Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956, Lisboa, 1957; SMITH, Robert , A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; BORGES, Nelson Correia, História da Arte em Portugal. Do Barroco ao Rococó, vol. 9, Lisboa, 1986, ALMEIDA, José António Ferreira de Almeida, Tesouros Artísticos de Portugal, Porto, 1988; BRANDÃO, Domingos de Pinho, Órgãos da Sé do Porto e actividade de organeiros que nesta cidade viveram, Porto, 1985; GIL, Júlio, As Mais Belas Igrejas de Portugal, vol. 1, Lisboa, 1992; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal. Cidade do Porto, Lisboa, 1995; FERNANDES, Maria Eugénia Matos, O mosteiro de Santa Clara do Porto em meados do séc. XVIII (1720-1780), F.L.P., Porto, 1987; FERNANDES, Maria Eugénia Matos, Século e Clausura no Mosteiro de Santa Clara em Meados do Séc. XIX, in Revista de História, vol. XIII, C H U P, Porto, 1995

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1927 - demolição da torre de madeira que servia de abrigo aos sinos e reconstrução da mesma em alvenaria; 1928 - reparação geral dos telhados; 1929 - continuação da reparação dos telhados, assentamento de esgotos, assentamento de travejamento e soalho na sacristia, 1931 - regularização do lajedo em cantaria do pátio, reparação do tecto do côro-alto, em caixotões de madeira; 1932 - regularização do soalho do anexo de acesso aos coros, revestimento do pavimento com betão; 1941 - reparação dos estragos causados pelo ciclone (telhados, caleiras, vidros); 1942 - restauro da sacristia, apeamento e reconstrução da cobertura e tecto em caixotões da capela sobre a sacristia, substituição do soalho, reconstrução do tecto apainelado da sacristia, descolagem e aplicação dos azulejos, apeamento e restauro dos dois altares, substituição da canalização de água, substituição do pavimento de madeira; 1944 - obras na galeria N., apeamento do corpo exterior do órgão da igreja, execução da parede, e janela em cantaria, substituição da cobertura e uma água do telhado da nave e do telhado dos altares laterais da mesma, reparação da cobertura do côro, apeamento dos caixotões de madeira do tecto; 1945 - reparação de cinco janelas da nave do pátio com colocação de vitrais em vidro colorido e armados em chumbo; 1946 - restauro da tela da igreja, continuação da beneficiação da cobertura e tecto do coro, restauro da tela "Apresentação do Menino Jesus no Templo", beneficiação da galeria S.; 1947 - continuação do restauro de telas; 1949 - continuação do restauro de telas do côro; 1950 - assentamento de azulejos existentes na parede S. do coro superior e continuação do restauro de telas, fixação da talha do tecto da nave, reparação geral do telhado da capela-mor; 1952 - continuação do restauro de telas do coro e execução de uma moldura de talha; substituição dos degraus do pátio; 1954 - restauro das pinturas de seis tábuas do retábulo da igreja; 1955 - continuação do restauro de telas do coro, obras gerais no corpo anexo ao corpo da igreja; 1956 - continuação das obras no anexo; 1957 - prosseguimento do restauro das pinturas do côro e obras gerais nos dois pisos do côro e na capela-mor, deslocação dos vãos de cantaria da fachada do corpo anexo; 1958 / 1959 - restauro do acesso ao côro e continuação de trabalhos anteriores; 1960 - conservação e restauro; 1961 - conclusão do tecto de madeira do r/c do anexo com revestimento da placa de betão; 1966 - drenagem parcial do adro e pintura de portas; 1967 - obras de conservação; levantamento do pavimento de madeira da nave, detectando-se inferiormente um de cantaria, incluindo algumas lápides sepulcrais; 1968 - consolidação de altares de talha em desequilíbrio na nave e continuação da conservação; construção de dreno de escoamento das águas pluviais; 1969 - reparação parcial da cobertura; 1970 - reparação de caixilharias na fachada S.; 1971 - substituição da caixilharia exterior em mau estado e consolidação parcial do pavimento das galerias sobre o côro; 1972 - reconstrução do pavimento do côro e reparação dos estragos; levantamento e arrumação na cave de azulejos de um silhar existente na parede do salão do coro-baixo; 1973 - conclusão do côro baixo; 1974 - trabalhos de conservação; 1975 - reconstrução do telhado da galeria N. e limpeza dos vãos da cobertura; 1976 - reconstrução do telhado da galeria S. e picagem do reboco; 1977 - conservação; 1978 - reparações diversas; 1979 - continuação de reparações; 1980 - reparação de beirados e conservação de talha; 1981 - reparação da instalação eléctrica e ramal, conservação diversa; 1983 - reparação de paramentos de paredes; 1988 - limpeza de talha, dos telhados e reparação e conservação da instalação eléctrica; 1992 - recuperação de telhados e outras beneficiações; 1995 - valorização do pavimento da nave e capela-mor, que foi levantado; 2001 - conservação das coberturas.

Observações

Junto à porta está uma pia baptismal gótica, um exemplar notável no seu género

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1994 / Paula Noé 1998

Actualização

Marta Clemente 1999
 
 
 
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