Santuário de Nossa Senhora da Conceição do Sameiro

IPA.00009583
Portugal, Braga, Braga, Espinho
 
Arquitetura religiosa, oitocentista. Santuário mariano implantado no alto de um monte, composto por escadório que culmina num terreiro eucarístico, e igreja, rodeada por parque arborizado, jardins, cruzeiro, fontes, capela e edifícios de apoio ao santuário, como a Casa das Estampas, Casa do Reitor, restaurante, instalações sanitárias para peregrinos. A igreja tem características clássicas, de planta poligonal composta por nave e corpo pentagonal, onde se insere a capela-mor, coberta por cúpula coroada por lanternim. Fachada principal integralmente em granito, do tipo fachada harmónica, ladeada por duas torres sineiras com coberturas em coruchéus bolbosos; remata em frontão triangular com brasão no tímpano, ritmada por pilastras e colunas jónicas e coríntias, que forma três panos com três eixos de vãos, o central com portal em arco de volta perfeita, sobrepujado por ampla janela de sacada e os laterais com janelas de varandim. A estrutura da fachada remete, assim, para a Igreja do Santuário do Bom Jesus de Braga (v. IPA.00005694). Interior com coberturas diferenciadas em abóbada de berço na nave e em cúpula na capela-mor, iluminada uniformemente por janelas rasgadas nas fachadas laterais. Coro-alto assente em arco em asa de cesta com guarda em balaustrada de pedra, com dois púlpitos confrontantes. Retábulo-mor em mármore, com estrutura de inspiração barroca.
Número IPA Antigo: PT010303120133
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Santuário composto pela Igreja, com acesso por amplo escadório, com os muros revestidos a painéis de azulejo a azul e branco figurativo, representando a construção do santuário, integrando triplo terreiro, o inferior constituindo o terreiro eucarístico, ladeado por estátuas do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora da Conceição do Sameiro sobre altos pedestais de granito, com altar coberto para realização de missa campal. O segundo patamar é simples, ligando ao terreiro principal, pavimentado a calçada, onde surgem as quatro estátuas, de São Cirilo de Alexandria, São Bernardo de Claraval, Santo António de Lisboa e Santo Afonso Maria de Ligório. Está envolvido por parque com diversos jardins, destacando-se, no lado NO., um espaço que integra a estátua do papa Pio IX, no lado S. uma alameda (Avenida do Rosário) que integra um busto do fundador do santuário, um cruzeiro, um enorme parque de estacionamento e onde se ergue um quartel da GNR e edifícios ligados a atividades religiosas como o Centro Apostólico do Sameiro (Centro Pastoral Mater Ecclesiae). Junto da igreja, o Horto das Oliveiras e a Fonte do Grilo, integrando-se, no primeiro, a Capela do Santíssimo Sacramento e os vestígios do primitivo monumento colocado no Sameiro. No lado direito, desenvolvem-se vários edifícios: a Casa das Estampas, a Casa do Reitor do Santuário, o Restaurante Maia e casas de banho para os peregrinos. A IGREJA ergue-se sobre uma plataforma, definindo um pequeno adro, pavimentado com lajes de granito, rodeado por uma balaustrada em cimento. Tem planta poligonal composta por nave única, ladeada por torres sineiras quadrangulares e dois corpos retangulares, e um eixo pentagonal, de cantos arredondados e mais largo, onde se inscrevem a capela-mor, capelas laterais, vestíbulo, sacristia e sala dos benfeitores. Volumes articulados de tendência verticalizante, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, em cúpula sobre o corpo pentagonal, com tambor circular rasgado por pares de lumes separados por pilastra, possuindo num dos lados corpo cilíndrico encimado por pequeno coruchéu; o tambor é percorrido superiormente por varandim de pedra sustentado por cachorrada fitomórfica e a cúpula é aberta por óculos com moldura estrelada e encimada por lanternim com varandim. As torres sineiras têm coruchéus bolbosos, rasgados por óculos e ostentando decoração fitomórfica. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, excetuando a principal em cantaria de granito aparente, de aparelho isódomo. Fachada principal voltada a O., remata em frontão triangular, com friso denteado, inferiormente com a cornija interrompida por escudo da confraria, coroado por dois pares de urnas e cruz latina sobre acrotério na empena. Apresenta dois registos separados por entablamento com cornija denteada, e dividida em três panos por pilastras jónicas seccionadas por anéis. É rasgada por portal, sobrelevado, com quatro degraus, em arco pleno, com arquivolta de capitel coríntio e folha de acanto no fecho. O portal é enquadrado por duas colunas jónicas, com fuste estriado e dois anéis com decoração fitomórfica, tendo o inferior querubins e o superior monograma mariano. Superiormente, sob o entablamento de separação de registos, dispõem-se três mísulas com decoração fitomórfica e par de volutas, fazendo a ligação com as das pilastras. O segundo registo é rasgado por janelão em arco de volta perfeita, de sacada, com arquivolta de capitéis coríntios e querubim com motivo fitomórfico no fecho. Guarda em cantaria vazada por arcos e motivos fitomórficos. É flanqueada por duas sineiras, divididas em três registos definidos por entablamento, o primeiro rasgado por três óculos circulares sobrepostos, surgindo, no segundo, janelas de varandim, em arcos de volta perfeita e guardas semelhantes à do janelão central. No topo, surge um sub-registo com relógio circular, encimado por ventanas em arcos de volta perfeita, com folha de acanto no fecho, cerrado por varandim com balaústres de pedra. Rematam em frontões triangular, com urnas nos cunhais. As fachadas laterais são semelhantes, com remates em platibanda plena em cantaria aparente tendo, no corpo da nave, dois panos separados por dupla pilastra toscana e dois registos, sendo o superior recuado e protegido por balaustrada de pedra. O primeiro é rasgado por porta de verga reta encimada por frontão curvo e o segundo por janelas em arco abatido. No corpo da capela-mor, com as faces marcadas por pilastras toscanas coroada por fogaréus, com um braço saliente rematado por frontão triangular sobrepujado por cruz latina sobre acrotério, com cartela fitomórfica com inscrição: possui portal de verga reta, emoldurado e enquadrado por pilastras toscanas, sobrepujado por janelão, em arco pleno sobre duas colunas jónicas, enquadrado por outras duas colunas jónicas que sustentam frontão curvo. Os panos de ligação à nave e à fachada posterior, são de perfil curvo, rasgados por janela de moldura recortada. A fachada posterior, integrando os dois lados do pentágono, é ritmada por pilastras toscanas que estruturam três panos e possui três registos, separados por friso no pano central. Este é rasgado, no primeiro registo, por duas janelas de molduras recortadas, no segundo por duas janelas de sacada, de volta perfeita e rematadas por frontões triangulares sobre duas mísulas, e no terceiro, por duas janelas em arco abatido com pedra salientada no fecho. Os panos laterais, mais estreitos, possuem janelas e óculos de molduras recortadas. INTERIOR com as fachadas em cantaria de granito aparente, cobertura em abóbada de berço, sobre cornija de pedra e pavimento em madeira e corredor central em lajes de granito polido. Coro-alto assente em dois arcos em asa de cesto, protegido por balaustrada de pedra, salientada no centro sobre mísula antropomórfica. O sub-coro encontra-se forrado a azulejos industriais, policromos de estampilha azul, amarela e branca, com inscrições em suporte de mármore. O portal axial está protegido por guarda-vento em madeira de castanho. As portas travessas, confrontantes, rematam em frontão triangular, inscritas em vão de arco pleno com duas portas laterais, confrontantes, uma para o coro-alto e torre e a outra para espaço de arrumos; estão protegidas por guarda-vento em madeira de castanho. Sobre o vão, janela de sacada com base retangular sobre duas mísulas fitomórficas e balaústres de pedra. Confrontantes, dois grandes vãos em arco pleno sobre pilastras compósitas, protegidos por grades de ferro forjado e balaustradas de mármore que abrem para a cripta. Ainda confrontantes, os púlpitos quadrangulares, com bacia em cantaria e assente em mísula fitomórfica, com guardas plenas de talha dourada, tendo acesso por porta de verga reta encimada por cornija, salientada centralmente, com modilhão. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras compósitas. Capela-mor pentagonal, com cobertura em cúpula, com quatro vãos de verga reta encimados por frontão interrompido, com monograma no tímpano, dois de acesso à cripta e ao púlpito e dois servindo de depósito de velas. Colateralmente, duas portas travessas formando tribunas semelhantes ao coro-alto. Retábulo-mor em mármore, de planta côncava e um eixo estruturado por duas colunas coríntias e pilastras, assentes em plintos paralelepipédicos com as faces almofadadas. Ao centro, nicho em arco de volta perfeita, assente em pilastras e colunas, as primeiras prolongando-se em arquivolta com seguintes decorados. A estrutura remata em entablamento, que se alteia na zona central com representação em relevo da Santíssima Trindade, com filactera inferiormente, coroado por cartela com monograma mariano e anjos a segurar coroa, repetindo-se o esquema lateralmente. Na parede testeira, duas capelas laterais em arco de volta perfeita, assentes em pilastras e colunas de mármore, com coberturas em meia-cúpula de caixotões; possuem nicho enquadrado por coluna e rematado em entablamento, contendo imaginária. A partir destas, acede-se corredor que comunica com a sacristia e sala de benfeitores e ao vestíbulo através do qual se sobe ao zimbório por escadas de madeira, em vários lanços e, no último troço, por escada de caracol, em cimento. A partir destas, acede-se à cripta através de túnel, ligando a amplo recinto recente, em betão, decorado com painéis de azulejo representando os mistérios do Rosário e a obra evangelizadora dos Portugueses.

Acessos

Monte do Sameiro; Avenida do Rosário

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Florestal, isolado, na linha de cumeeira do Monte do Sameiro, dominando o vale do rio Este e a cidade de Braga, tendo a N. e a NE. algumas povoações.

Descrição Complementar

Na FACHADA PRINCIPAL, escudo da Confraria de Nossa Senhora da Conceição do Sameiro com cartela decorativa sobre a qual assenta o escudo, encimado por coroa real. Dois ramos, um de carvalho e outro de oliveira, ladeiam a cartela e cruzam-se na ponta. Escudo com composição partida, possuindo no primeiro as armas de Portugal com os escudetes postos em aspas e a bordadura carregada de sete torres em vez de sete castelos; no segundo, o monograma mariano "AM" encimado por uma estrela de cinco pontas. NA TORRE SINEIRA direita a inscrição gravada, em bronze: "AO REVERENDO PADRE MARTINHO ANTÓNIO PEREIRA DA SILVA INSPIRADO FUNDADOR DESTE SANTUÁRIO MARIANO HOMENAGEM DA CONFRARIA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DO MONTE SAMEIRO NA COMEMORAÇÃO DO I CENTENÁRIO 7 DE JUNHO DE 1964". Nos tímpanos da CAPELA-MOR, surgem cartelas com as inscrições: "AVE MARIA" (lado N.) e "GRATIA PLENA" (lado S.). No vestíbulo, as inscrições em placas de mármore: "ESTA BASILICA FOI BENEFICIADA COM NOTÁVEIS OBRAS DE ACABAMENTO, NOMEADAMENTE PINTURAS, AZULEJOS PAVIMENTO, VITRAIS, QUEIMADORES, GRADES ORNAMENTAIS E BANCOS DURANTE OS ANOS DE 1981 - 1982. ESTES MELHORAMENTOS FORAM INAUGURADOS POR SUA EXC(elenc)IA. REV(erendissi)MA O SENHOR, D. EURICO DIAS NOGUEIRA, ARCEBISPO PRIMAZ, NO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 1982 E MANDADAS EXECUTAR PELA MESA DA CONFRARIA, ASSIM CONSTITUIDA: MONSENHOR AMÂNDIO RODRIGUES ALVES DE CASTRO, MONSENHOR AMÉRICO FERREIRA ALVES RAMIRO CORSINO NUNES DA SILVA COMENDADOR MANUEL DA SILVA VILAVERDE DR. MANUEL FILIPE NORONHA FREIRE DE ANDRADE ENGENHEIRO ANTÓNIO JOSÉ CARLOS JUNQUEIRA DE ALMEIDA ANTÓNIO PIRES DA SILVA JOAQUIM SÁ MACHADO JOÃO JOSÉ DA COSTA PIRES"; " AO PADRE MARTINHO ANTÓNIO PEREIRA DA SILVA FUNDADOR DO PRIMEIRO MONUMENTO À IMACULADA CONCEIÇÃO NO MONTE SAMEIRO NO CENTENÁRIO DA SUA MORTE / HOMENAGEM DA CONFRARIA E DOS SEUS AMIGOS DO SAMEIRO 8 DE ABRIL DE 1975". NO SUB-CORO, a inscrição latina gravada em placa de mármore: "IDIBUS-IUNIIS-ANNI-MCMLIV-P.-C.-N.-CENTESIMI-EX-QUO-DOGMA IMMACULATAE-VIRGINIS-A-PIO-IX-PONT.-M.-PROCLAMATUM -L..-POSTQUAM -EFFIGIES-SPECIOSA-BEATISSIMAE-DEIPARAE HOC-IN-COLLE- SANCTO-A-LEGATO-PII-X-MAGNIFICE-CORONATA MOLES-INGENS-PEREGRINANTIUM-UNDIQUE-DOMUS-LUSITANAE PROFECTORUM-PATRONAM-CAELESTEM-OMNIBUS-CORAM-PRAESULIBUS RELIGIOSIS-CIVILIBUSQUE-OVANTER-AC-SUPPLICITER-COLLAUDANTIUM-HUC- CONVENIT. COMITIIS-HUIUS-MODI-FREQUENTISSIMIS-VERO-MAIALIBUS D.-EMMANUEL-G.-CEREJEIRA-CARDINALIS-ET-PATRIARCHA-OLISIPPONENSIS FUNGENS-LEGATIONE-A-PIO-XII-CONDREDITA-PRAEFUIT-ASSIDENTIBUS D.-ANTONIO-BENEDICTO-MARTINS-JUNIOR-ARCHIEPISCOPO-BRACARENSI D.-FERDINANDO-CENTO-NUNTIO-APOST-APUD-LUSITANOS-SIMUL CUM-CAETERIS-ARCHIEPISCOPIS-ET-EPISCOPIS-NUNCUPATIM EBORENSI-MITYLENENSI-AVERIENSI-CONIMBRICENSI LERINENSI-PACENCI-VISEENSI- VILLA-REGALENSI-LAMACENSI BRIGANTINO-PORTUCALENSI-AEGITANIENSI / PORTALEGRENSI-ALGARBIENSI-COLLEGIO-CANONICO-BASILICAE BRACARENSIS-MINISTER-IURIS-HONORATISSIMUS PROF.-CAVALEIRO-FERREIRA-EGREGIOS-INTER-VIROS-ATQUE-MAGISTRATUS-TANQUAM-PROCURATOR-CELSAE-POTESTATIS-DITIONIS PATRIAI-HUD-IMMERITO-PRAECELLIT IN-HUIUS-DIEI-CENTENARII-MEMORIAM-CONVENTU-ALIQUOT DIERUM-SPECTANTI-STUDIA-AD-MARIALIA-ANTEACTO HIC-LAPIS-CLARISSIMI-CONSILIO-ARCHIEPISCOPI PRIMATIS-AFFIXUS-EST.". No lado oposto, a inscrição latina, em mármore: "ANNO.DOMINI. M.DCCC.LXXX. QVARTO.KALENDAS.SEPTEMBRES. LOCATVR.IN.SACELLO. MONTIS.SAMEIRO. VIRGINIS.SINE.LABE. CONCEPTAE.IMAGO. ROMAE. SCVLPTA. PII.IX. PONTIFICIS.MAX. SPIRITVALIBVS.DONIS.IN. INVISENTIVM. BENEFICIVM. ORNATA.XI. KALENDAS.IANVARIAS.M.DCCC.LXXII.; ANNO. DOMINI.M.DCCC. LXXXX. PRIDIE.KALENDAS.SEPTEMBRES. ANTONIVS. IOSEPHVS.DE.FREITAS. HONORATO. BRACARAE.ARCHIEPISCOPVS.AC. DOMINVS. HISPANIARVM. PRIMAS. SVAE.VRBIS.ET.ARCHIDIOECESIS. DEDIDERIVM. PRIMARIVM. HVIVS. TEMPLI.LAPIDEM. SOLEMNI.RITV.POSVIT." Na parte frontal, a inscrição: "ANNO.REPARATAE.SALVTIS.M.CM.IIII.EX. QUO.PIVS.IX. PONTIF.MAX INTER.CHRISTIANAE.FIDEI.DOGMATA. IMMACULATVM. DEIPARAE.CONCEPTVM RECENSVERAT.QVINQVAGESIMO QVO.LEONIS.XIII. ET.PII.X.ADHORTATIONIBVS.TOTO.ORBI.SOLEMNIA. AGEBANTVR. PRIDIE.IDIBVS.IVNII IOSEPHVS.MACCHI.THESSALONICENSIVM. ANTISTES. APOSTOLICAE.SEDIS.IN.LVSITANIA.LEGATVS PII.X.NOMINE.ET. AVCTORITATE VIRGINIS.SINE.LABE.CONCEPTAE.SIGNVM QVOD.IN.ARA. VIVS.TEMPLI.PRINCIPE.COLITVR CORONA.EX.AURO.PVRISSIMO.PLVRIMIS. ADAMANTINIS.GEMMIS.DISTINCTA REGINAE.MARIAE.AMELIAE TOTIVSQVE. GENTIS.LVSITANE.DONO.OBLATA.DEDIMIVIT ADSTANTIBVS.VIRIS. CLARISSIMIS IOSEPHO.III.APOSTOLORVM.TITVLO.S.R.E.PRESBYTERO. CARDINALI.ET.LISBONENSI.PATRIARCHA EMMANVELE.BAPTISTA.DA.CUNHA ARCHIEPISCOPO.AC.DOMINO.BRACARENSIMO.PRIMATE.HISPANIARVM AVGVSTO.ARCHIEPISCOPO.EBORENSI ARCHIEPISCOPIS-EPISCOPIS. ALGARBIENSI.PORTALEGRENSI.AEGITANIENSI ET.ARCHIEPISCOPO. MITYLENAEO CVM.EPISCOPIS.CONIMBRICENSI.VISENSI.BEIENSI. BRIGANTINO.PORTVGALLIENSI.ET.LAMACENSI DECANO.ET.CAPITVLO SANCTAE.PRIMATIALIS.ECCLESIAE.BRACARENSIS VRBIS.PRAEFECTO. CETERISQVE.MAGISTRATIBVS CVIVS.ORDINIS.CIVIBVS.INGENTI.POPVLI. CONFLVENTE.EX.HOMINVS.MILLIA PEREGRINORVS.RITV.MONTEM. SAMERIVM.CONSCENDENTE MARIALIA.QVINQVAGENARIA.SOLEMNIA. PERAETVM.INFAVSTISSSIMI.EVENTVS.MEMORIAM REGIVM.VIRGINIS. IMMACVLATAE.SODAITIUM.HVIVS.TEMPLI.CVSTOS HVNC.TITVLVM. PONENDVM.CVRAVIT.". NA CAPELA LATERAL DO EVANGELHO, a inscrição gravada "VENHA A NÓS O VOSSO REINO". NA CAPELA LATERAL DA EPÍSTOLA, inscrição gravada: "JOSÉ ESPOSO DE MARIA DA QUAL NASCEU JESUS (S. MAT. I)". Na cripta, uma lápide em mármore: "AD PERPETUAM REI MEMORIAM BENZIDA A PRIMEIRA PEDRA DESTA CRIPTA POR SUA EXCIA. REVMª. O SENHOR DOM FRANCISCO MARIA DA SILVA, ARCEBISPO PRIMAZ, NO DIA 31 DE AGOSTO DE 1973, FOI A MESMA SOLENEMENTE INAUGURADA EM 17 DE JUNHO DE 1979, NA PRESENÇA DE TODO O EPISCOPADO PORTUGUÊS E DO SENHOR NÚNCIO APOSTÓLICO MONSENHOR SANTE PORTALUPI, PRESIDINDO À CONCELEBRAÇÃO SUA EMINÊNCIA O CARDEAL PATRIARCA, DOM ANTÓNIO RIBEIRO, SENDO ARCEBISPO DE BRAGA DOM EURICO DIAS NOGUEIRA. MANDOU-A CONSTRUIR A CONFRARIA DE NOSSA SENHORA DO SAMEIRO, DE CUJA MESA FAZIAM PARTE OS SEGUINTES MEMBROS: PRESIDENTE - MONSENHOR AMÂNDIO RODRIGUES ALVES DE CASTRO VICE-PRESIDENTE - ENGENHEIRO ALBERTO JOSÉ VALE REGO DE AMORIM VEDOR DE CULTO - CÓNEGO MANUEL RODRIGUES DE AZEVEDO SECRETÁRIO - COMENDADOR FERNANDO DA COSTA VILAÇA TESOUREIRO - COMENDADOR MANUEL DA SILVA VILAVERDE VOGAIS - DR. MANUEL FILIPE DE NORONHA FREIRE DE ANDRADE ENGRº ANTÓNIO JOSÉ CARLOS JUINQUEIRA DE ALMEIDA ANTÓNIO PIRES DA SILVA ABEL RODRIGUES DE SOUSA GAMA FORAM ARQUITECTOS DESTA OBRA: D. MARIA JOSÉ MARQUES MOREIRA DA SILVA E DAVID MOREIRA DA SILVA."

Utilização Inicial

Religiosa: santuário

Utilização Actual

Religiosa: santuário (culto diário, com romaria no 1.º domingo de junho e último domingo de agosto)

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Braga)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Joaquim Augusto Correia Guimarães (1890); Luís Cunha (1984). DESENHADOR: Roque Gameiro (1904). ENTALHADOR: José Manuel da Costa Lopes (1880); ESCULTORES: António Pacheco (1982-1984); Emídio Carlos Amaticci (1864); Oficinas Teixeira (1886); Raul Xavier (1959-1960), MESTRE DE OBRAS: Guilherme José Pereira (1897); José Maria de Araújo (1880). PINTOR: Jaime Martins Barata (séc. 20); Óscar Casares (2006). PINTOR DE AZULEJO: Querubim Lapa (1988).

Cronologia

1861 - o Padre Martinho António Pereira da Silva, com a ajuda do Padre Manuel António dos Reis, tem a ideia de erigir um monumento à Imaculada Conceição, no cimo do Monte Sameiro; 1862, maio - constituição da Comissão Promotora das Obras, presidida por Joaquim José da Costa Rebelo, Barão da Gramosa; 1863, 14 junho - bênção da primeira pedra do monumento em honra de Nossa Senhora do Sameiro; 1864 - encomenda de uma estátua de Nossa Senhora ao escultor Emídio Carlos Amaticci; 1869, 29 agosto - inauguração e bênção do monumento pelo Arcebispo D. José Joaquim de Azevedo e Moura; 1871 - organização da primeira peregrinação; 1873 - início da construção da igreja; 1880 - referência ao retábulo, realizado pelo entalhador José Manuel da Costa Lopes; 19 julho - é concluída a construção da capela-mor; 22 julho - referência às obras na capela do Sameiro, dirigidas pelo mestre José Maria de Araújo; 05 agosto - informação sobre o andamento das obras, referindo-se que o risco da capela é idêntico ao da igreja do Hospital de São Marcos (v. IPA.00001719), mas com menor amplitude; 1876, 22 dezembro - bênção em Roma pelo Papa Pio IX da imagem de Nossa Senhora do Sameiro, destinada ao templo; 1878, 07 agosto - chegada a Braga da imagem, depositada na Igreja do Pópulo (v. IPA.00006973) durante dois anos; 1880, 29 agosto - condução solene da imagem da Igreja do Pópulo para o Sameiro; 1881 - a "classe" dos artistas oferece uma cruz de prata; finais - intenção de construir uma nova igreja; 01 novembro - o Engenheiro distrital António Plácido Peixoto de Vasconcelos foi encarregado de apresentar um risco completo para um novo tempo, demolindo o que se acha principiado; 1882, junho - marcação da extensão do terreno necessário para o templo, assim como para a estrada e avenidas; outubro - entregue a planta, foi aprovada pela Junta dos Irmãos da Senhora do Sameiro; novembro - apresentação na sacristia da Igreja dos Terceiros, em Braga, da planta e alçados do novo templo; 1883, 09 janeiro - destruição criminosa do monumento à Imaculada, tendo escapado, somente, a cabeça da imagem da Virgem; 1883, agosto - apresentação de um novo projeto para o Sameiro, da autoria de António Dias Salgado, da Póvoa de Lanhoso; 1884, março - referência ao novo plano para o Sameiro, incluindo o templo, escadório, monumento e quartéis; maio - informação de que tinha sido escolhido o terreno para o santuário, "na vertente da montanha que vira para Braga"; 28 julho - início da reconstrução do novo monumento; 1886, 09 maio - inauguração de um novo monumento a Nossa Senhora do Sameiro, com uma imagem em mármore executada nas oficinas Teixeira, de Braga; 1888, 12 janeiro - o rei D. Luís I concede o título de Real à Confraria de Nossa Senhora da Conceição do Monte Sameiro; 1890, março - arrematação parcial das obras de pedraria a efetuar no novo templo; 31 agosto - lançamento da primeira pedra do atual santuário, pelo Arcebispo de Braga, D. António José de Freitas Honorato; festa de inauguração dos trabalhos, referindo-se que o risco foi desenhado por Joaquim Augusto Correia Guimarães, condutor de 2ª classe de Obras Públicas do distrito de Braga; 1894, maio - encomenda da imagem do Sagrado Coração de Jesus; 1896, janeiro - lançada a segunda empreitada da construção; 1897, abril - nova empreitada pelo mestre-de-obras Guilherme José Pereira, pela quantia de 7800$000 réis; 1900, abril - nova empreitada arrematada por 3099$000, verba coberta por um donativo de Alberto Fernandes de Azevedo; séc. 20 - Jaime Martins Barata foi o responsável pela pintura de alguns vitrais; 1904 - um grupo de pessoas, entre as quais se conta a rainha D. Amélia, oferece uma coroa em ouro, durante as comemorações do cinquentenário da definição dogmática da Imaculada Conceição, desenhada por Roque Gameiro; 12 janeiro - coroação solene da imagem de Nossa Senhora do Sameiro colocada no santuário; maio - as obras aceleram-se tendo-se feito um soalhamento provisório para as festas dos 50 anos; 1928, fevereiro - a revista Ilustração Católica fala da fachada do templo, cuja capela-mor está a ser demolida para se construir a nova abside; 1930 - inauguração de um monumento ao Sagrado Coração de Jesus; 1941, 12 julho - sagração do novo altar do templo do Sameiro pelo Arcebispo D. António Bento Martins Júnior; 1953 - conclusão de obras; 1954, 08 junho - inauguração do monumento ao papa Pio IX; 1957, 15 maio - inauguração do monumento ao Padre Martinho; 1959, 30 agosto - inauguração do monumento a São Cirilo de Alexandria por Raul Xavier; 08 dezembro - inauguração do monumento a Santo António de Lisboa, concebido por Raul Xavier; 1960, 29 maio - inauguração do monumento a São Bernardo de Claraval, de Raul Xavier; 28 Agosto - inauguração do monumento a Santo Afonso Maria de Ligório, feito por Raul Xavier; 1964, 07 junho - comemoração do primeiro centenário do Santuário, com colocação de uma placa comemorativa; 1969, 29 agosto - bênção e inauguração do Centro Apostólico do Sameiro; 1973, 31 agosto - início da construção do recinto coberto da cripta; 1975, 08 abril - colocação de uma placa comemorativa da inauguração do primeiro monumento à Imaculada Conceição; 1979, 13 junho - os restos mortais do Padre Martinho Silva, fundador do santuário, são trasladados para a cripta; 17 junho - inauguração da cripta; 1981 - 1982 - obras de beneficiação na igreja, com a colocação de queimadores, grades ornamentais e bancos; 1982 - construção do palanque para missa campal; 28 fevereiro - inauguração das obras de remodelação pelo arcebispo D. Eurico Dias Nogueira; 1982, 15 maio - visita de Sua Santidade o Papa João Paulo II ao santuário; 1982 -1984 - inauguração da nova estátua do Imaculado Coração de Maria e a de João Paulo II; 1984 - inauguração da Praceta João Paulo II, projetada pelo arquiteto Luís Cunha; 1988 - o pintor Querubim Lapa pinta os painéis de azulejo da cripta, alusivos à obra evangelizadora dos portugueses; 2004, 08 dezembro - João Paulo II distingue com a Rosa de Ouro o Santuário; 2006 - Óscar Casares concebe o painel Salve Regina para o altar-mor da cripta.

Características Particulares

A igreja de planta regular e extrema simetria, segundo uma matriz classicizante já fora de época, ostenta uma volumetria imponente, reforçada pela verticalidade que é acentuada pelas torres sineiras que flanqueiam a fachada principal e pelo zimbório que cobre a capela-mor. Embora todo o trabalho de pedra revele mestria, a junção dos vários elementos decorativos resulta num exercício de arquitetura revivalista, anacrónico e marcado por um certo exagero. Cripta de construção recente em betão armado, com decoração de painéis de azulejos relevados.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Escadório, fontes, cruzeiro, estrutura da igreja, pilastras, colunas, modinaturas, passadeira central do pavimento da nave, balaustradas, bases dos púlpitos, cornijas e cachorros em cantaria de granito; retábulos, pias de água benta e túmulo do fundador, em mármore; pavimento da cripta em tijoleira cerâmica; portas, guardas-vento, pavimento da nave, escadas interiores, pavimentos e cobertura dos anexos, caixilharias, em madeira; guardas dos púlpitos em talha dourada; janelas com vitral; grades do vão de escadas para a cripta e das janelas, em ferro; sub-coro, corredor e átrio com silhar de azulejos industriais; cripta com painéis de azulejo relevados; coberturas exteriores em telha de aba e canudo.

Bibliografia

BORGES. Cónego José - O Sameiro. Solar da Imaculada. Breve História de um Belo Santuário e Notas do meu Peregrinar. Braga: s.n., 1999; COSTA, Salvador - Santuários do Norte de Portugal. Porto: Turisrul, 2000, pp. 25 - 30; «Da Fonte do Grilo ao Zimbório». Correio do Minho. Braga: 05 janeiro 2003, p. 9; FERREIRA, Jsoé Augusto - Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga. Braga: Mitra Bracarense, 1928, vol. 4, pp. 282 - 284; LEITE, Pe. Fernando - História do Sameiro. Braga: Confraria de Nossa Senhora do Sameiro, 2004; NÓBREGA, Artur Vaz Osório da - Pedras de Armas e Armas Tumulares do distrito de Braga. Braga: Junta Distrital de Braga, 1972, vol. 2, pp. 104 - 107; OLIVEIRA, Eduardo Pires de - Arte religiosa e artistas em Braga e sua região (1870 - 1920). Braga: APPACDM, 1999, pp 130 - 145; OLIVEIRA, Eduardo Pires de - Braga. Percursos e memórias de granito e oiro. Porto: Campo das Letras, 1999, pp. 305 - 307; RÊGO, Paula Cristina Martin - O fenómeno promessas num contexto histórico / social - um caso: os ex-votos no Santuário do Sameiro (Braga). Braga: s.n., 1996. Texto policopiado. Dissertação de Mestrado apresentada ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1953. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1954; VASCONCELOS, João - Romarias I - Inventários dos Santuários de Portugal. Lisboa: Olhapim Edições, 1996, vol. I.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Associação de Reitores dos Santuários de Portugal / Paulinas

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1981 / 1982 - revisão das pinturas, colocação de novo pavimento e de vitrais; 2003 - recuperação da Capela do Santíssimo Sacramento.

Observações

Autor e Data

António Dinis 2005

Actualização

 
 
 
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