Quinta do Bello Monte / Grande Hotel Belmonte / Colégio do Infante D. Henrique

IPA.00009745
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Monte
 
Arquitectura civil residencial, revivalista "fim de século". Casa de veraneiro tipo chalé, inspirado nas construções do Centro e Norte da Europa, com planta rectangular de alpendres trapesoidais centrais, de 3 pisos e com águas furtadas, de abas rendilhadas, com arcada avançada no piso térreo encimados por terraço com balaustrada de alvenaria, articulando-se com edifício de serviços sobre jardim e belvedere isolado sobre o acesso, dentro do mesmo gosto.
Número IPA Antigo: PT062203020099
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício        

Descrição

Planta rectangular assente em grande soco, adaptado ao desnível do terreno, com torre quadrada adossada a N. e alpendres trapesoidais a S., E. e O., articulando-se com corpo rectangular a E., envolvendo jardim, e belvedere de planta rectangular, disposto separadamente a SO. Massa de volumes horizontais dominados pelo telhado, de abas horizontais, a 4 águas, coberto a telha "marselha", com águas furtadas, 2 a N. e S. e 5 a E. e O. com abas de madeira entalhada, pintadas a verde e branco, e terraços na torre e sobre as arcadas, e simples e também de 4 águas no corpo E. Fachadas rebocadas e pintadas de creme, com pilastras jónicas nos cunhais, com grinaldas pendentes dos capitéis, sobre os quais corre cornija com algeroz pintados de verde, de 3 pisos, rasgados por vãos dispostos regularmente, com molduras formando triângulo superior, tudo em alvenaria pintada de branco. O piso térreo é percorrido por arcada avançada, assente em pilares estriados sobre soco e com grinaldas pendentes dos capitéis jónicos, fechada e encimada por balaustrada decorada. Fachada principal virada a O., tendo no piso térreo alpendre central avançado, com acesso por escadarias, rasgado por 9 portas de bandeira superior, com portadas envidraçadas em alumínio anodizado lacado a branco e tapa-sóis lacados a verde escuro; no 2º andar, também com 9 portas abertas ao terraço, tem alpendre de verga recta sobre as 3 portas centrais, assente em 4 colunas e com domo sobrelevado sobre a porta central; o 3º andar, separado do anterior por friso, tem o mesmo número de janelas, mas de peitoril. Fachada S. com idêntico tratamento, com 7 vãos nos pisos e alpendre envidraçado ao nível do 2º piso, encimado por terraço. Fachada E. sobre o jardim, com tratamento idêntico à fachada O. Fachada N. com tratamento simplificado, menos um piso e janelas sem tapa-sóis, mas com decoração mais elaborada no piso superior da torre, ritmada por pilastras estriadas e decorada por almofadas geométricas relevadas, tendo sobre os cunhais da balaustrada que a remata, urnas sobre acrotério. No INTERIOR pequeno átrio e escadaria interior de acesso aos andares ao lado esquerdo, com balaustrada de ferro fundido pintado a prateado no lanço de acesso ao piso médio e de madeira para o piso superior e corredor central correndo N. / S. e fazendo a ligação entre essas fachadas e os diversos compartimentos. Antigo salão de recepção no piso térreo, com pinturas nas paredes com motivos tradicionais madeirenses e um bom conjunto, neste e no piso superior, de suspensões eléctricas em bronze e vidro. Belvedere sobre o Caminho do Monte, de planta rectangular com alpendre em meia laranja a O. e E., com arcos plenos sobre pilares estriados, de capitéis jónicos com grinaldas, e delimitados por balaustrada; cobertura de abas horizontais sustentads por mísulas de madeira, com telhados de várias águas. Fachadas pintadas a verde claro e embasamento a ocre, percorridas por vários frisos de alvenaria e rasgadas a E. e O. por porta e janelas estreitas, de arco pleno, e a N. e S. por dupla janela de arco pleno.

Acessos

Caminho do Monte, 180 e Caminho das Babosas

Protecção

VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 77/95, JORAM, 1.ª série, n.º 25 de 03 fevereiro 1995

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Periurbano, implantado em parque com edifício principal a O., instalações dos alunos, à porta das quais se encontra o busto do fundador da Congregação, e campo de jogos a N., pavilhão a SE., confrontando a N. com o Caminho das Babosas, onde se situa a antiga entrada de acesso ao parque, hoje encerrada, com portal telhado com telha de canudo, e friso de azulejos com a indicação "Grande Hotel Belmonte", fonte de Charles Murray (v. PT062203020124), escadarias da Igreja do Monte (v. PT062203020042) e casa dos romeiros e dos carreiros; para E. e S., com o parque do antigo Hotel Monte Palace, hoje Fundação José Berardo (v. PT062203020043). O acesso principal ao edifício faz-se a O., por portão de ferro ladeado por pilares estriados, encimados por vasos com cactos, que se repetem nos primeiros acrotérios da balaustrada, em alvenaria, sobre o caminho.

Descrição Complementar

Apresenta inúmeros pormenores decorativos do conjunto levantado nos inícios do séc. 20, com as balaustradas e pilares profusamente decorados, com os fustes estriados, capitéis com volutas, de onde pendem grinaldas, arquitraves assentes em ábacos e modilhões. A decoração atinge maior expressão no pequeno torreão N. e no belvedere sobre o Caminho do Monte.

Utilização Inicial

Residêncial: quinta de veraneio

Utilização Actual

Educativa, cultural e científica: Colégio do Infante

Propriedade

Privada: Igreja Católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Sécs. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Engenheiro e mestre das obras reais João António Vila Vicêncio (1777 / 1783): águas.

Cronologia

Séc. 17, 2.ª metade - fundação da capela de Nossa Senhora do Socorro ( hoje do Santíssimo ) na Igreja dos Jesuítas do Funchal, pelos irmãos cónego João Saldanha e beneficiado José Saldanha, dotando-a com uma propriedade no Monte; 1759, 29 Mai. - cerco das instalações dos jesuítas, que ficam incomunicáveis e confisco de todos os seus bens; 1767, 28 Ago. - devassa organizada pelo corregedor Francisco Moreira de Matos aos bens das confrarias do Colégio; 1770 - compra por Francisco Theodor da propriedade do Monte que pertencera à capela do Socorro do Colégio dos Jesuítas, "constando de castanheiros e arqueiros, árvores de fruto"; 1772, 30 Jul. - visita à quinta de Carlos Murray, no Monte, pelos cientistas da 2.ª missão do comandante James Cook, depois descrita por George Forster; 1773 - efectivação da compra pelo cônsul Carlos Murray, através do seu procurador Thomas Logman das propriedades no Monte que haviam pertencido aos jesuítas; 1777 - construção da fonte junto à Quinta mandando-se lavrar lápide evocativa: "Caroli Morray Armigeri Britanica Magestatis consulis generalis villoequi Bello Monte dictoe conditoris primique Henri Jussu fons e aquoe ductus iste proprio sumptu in usum utilitatem que publicam structi fuerunt. Ano Domini 1777"; 1783 - pedido de obras no "aqueduto ou cales de madeira" da ribeira das Cales, onde por "não vedar, se perde grande porção da mesma água e a restante caminha por uma levada de terra que a embebe e onde se perde por minadouro", obra de que foi supervisor o mestre das obras reais João António Vila Vicêncio e inspector José Agostinho da Costa; 1784, Jun. - inícios das obras do novo aqueduto; 22 Nov. - vistoria e final das obras da levada das Cales, que custaram 1:420$250 réis e colocação de lápide: "Carlos Murray Armigero consul geral de Sua Magestade Britanica mandou fazer aquaduto para aproveitar a agua que se perdia da qual em recompensa lhe cederão propriedade os Ireos desta levada duas telhas ou manilhas para a sua Quinta do Bello Monte, obrigando-se o mesmo à reparação da dita obra por contratto publico e solemne no anno de 1784"; 1786 - venda de uma parcela da propriedade a António João Gomes, com umas benfeitorias de vinhas, castanheiros e vimeiros, paredes e um palheiro por 152$030 réis; 1788, Verão - referência à estadia na quinta do bispo do Funchal; 11 Out. - carta do governador D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho para Lisboa, pretendendo adquirir a quinta de Bello Monte para residência de Verão, dados "os seus jardins, cascatas e árvores de fruto"; 1796 - saída da Madeira do cônsul inglês Carlos Murray; 1798 - venda das quintas do Monte do ex-cônsul inglês ao coronel Luís Vicente de Carvalhal Esmeraldo ( Vasconcelos Bettencourt Sá Machado de Atouguia e Câmara ) por 30 contos de réis; 1799, 10 Nov. - falecimento no Funchal do coronel Luís Vicente de Carvalhal, sem geração; 1803 - escritura de partilhas das quintas do Monte do coronel Carvalhal, cabendo a Quinta de Cima à sua mãe, Dona Isabel Maria de Sá Acciauoli da Câmara Leme; 1817, 13 Set. - visita ao Monte da futura imperatriz do Brasil, a arquiduquesa Leopoldina de Áustria, sendo recebida na Quinta de Belmonte pelo comerciante inglês Robert Page; 1818 - registo da quinta do Bello Monte avaliada em 16.000$000 e pagando 1$415 de finto, em nome de João de Carvalhal Esmeraldo, futuro conde de Carvalhal e irmão mais novo do coronel Luís Vicente; 1849 - nascimento em Lisboa de João de Freitas da Silva, mais tarde 1.º e único visconde de Monte Belo; 1880, 24 Mar. - decreto criando o título de visconde de Monte Belo na pessoa do Dr. João de Freitas da Silva, proprietário da quinta de Bello Monte, casado em primeiras núpcias com sua tia, Maria da Conceição Carvalhal, filha do morgado João de Freitas da Silva e de Maria Leonor Carvalhal Esmeraldo; 1885, 10 Jan. - 2.º casamento do Visconde de Monte Belo, na Sé, com D. Maria Antónia Figueirôa de Albuquerque; 1896 - referência à quinta funcionar como hotel registado por Hilário da Silva Nunes, registo que se mantém até 1898; 1900 - registo como hotel por William Reid; 1901, registo como hotel em nome de John Payne; c. 1906 - referência à Quinta do Bello Monte pertencer ao 2.º Conde da Calçada, Eduardo de Ornelas Frazão de Carvalhal Figueirôa; 1914 - falecimento do 2.º conde da Calçada; 1915 / 1916 - reconstrução para grande hotel pelo capitão José Sotero e Silva, casado com Maria Augusta de Ornelas Frazão, filha natural e herdeira do 2.º Conde; c. 1920 - aquisição da quinta ao capitão Sotero e mulher, pela Companhia de Caminhos de Ferro do Monte; 1 Fev. - reativação do caminho de ferro; 1926 - inauguração do Grande Hotel Bello Monte; 1933 - execução das pinturas assinada e datadas por "Max Rõmer, hbj, Funchal"; c. 1940 - encerramento do Caminho de Ferro e do hotel; 1958 - instalação no antigo hotel do Colégio Infante D. Henrique dos sacerdotes italianos do Sagrado Coração de Jesus ( Padres Dehonianos ); 1993 - inauguração do busto do Padre João Leão Dehon ( 1843 - 1925 ), fundador da Congregação.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, nogueira e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, grades de ferro, azulejos, pintura sobre tela e estuque, vidro e telha "marselha" e de meio canudo.

Bibliografia

FORSTER, Johann Georg Adam ( George ), A Voyage Round the World in His Britannic Majesty´s Sloop Resolution, commander by Captain James Cook during the years 1772 - 75, Londres, 1777, vol. I, pp 8 a 27; FORSTER, Johann Reinhold, Plantae Atlanticae, Goetting, 1787; idem, Herbarium Australe, Goetting, 1797; RIDDELL, Maria, Voyages to the Madeira and Leeward Caribbean Isles, Edimburgo, 1792; FRANÇA, Isabella de, Jornal de uma visita à Madeira, 1854, Funchal, 1989; CANE, Ellen e Florence du, The Flowers and Gardens of Madeira, Londres, 1909; SARMENTO, Artur Alberto, A Princesa do Reino-Unido Portugal-Brasil na Ilha da Madeira, Funchal, 1943; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; SOUSA, Àlvaro Manso de, Quintas da Madeira - Quinta do Bello Monte, in DAHM, sup. O Jornal, 17 Out. 1948; VIEIRA, Rui, e PESSOA, Fernando, Inquérito aos espaços verdes e exemplares botânicos notáveis do Funchal, Nov. 1966 e 1984, n.º 132; PIO, Manuel Ferreira, O Monte; santuário votivo da Madeira (resenha histórica), Funchal, 1978, reed. 1992; CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sécs. XIX e XX, Funchal, s/data (1983), p. 87, 111 e 322; COSSART, Noel, Madeira. The island vineyard, Londres, 1984; GOMES, Fátima, Hotéis e Hospedarias (1891-1901), Islenha nº 19, Funchal, 1989; RIBEIRO, João Adriano, Carlos Murray e a freguesia do Monte, Diário de Notícias, 18 Set. 1990; idem, Monte, breve resenha histórica da freguesia..., Fundação Berardo, Funchal, 1991; A. P. J., A pedido da DRAC. Colégio do Infante passa a património regional, Diário de Notícias, 1 Dez. 1994; VERÍSSIMO, Nelson e SAINZ-TRUEVA, José Manuel de, Inventário das Esculturas da Região Autónoma da Madeira, Funchal, 1996, pp. 50 e 271; CARITA, Rui, História da Madeira, IV vol., O Século XVIII: Arquitectura de Poderes, SRE, Funchal, 1996, pp. 53, 54 e 85; PEREIRA, Miguel Jasmins, e outros, Monte Palace: um jardim tropical, Fundação Berardo, Funchal, 2000.

Documentação Gráfica

GR / Equipamento Social e DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Aguarela de 1806 (Quinta do Prazer), Casa-museu Dr. Frederico de Freitas; Museu Vicentes Photographos, bilhete postal B.P. 184, finais do século XIX e DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

IAN/TT: Junta da Antiga Provedoria da Alfândega do Funchal, Lisboa; ARM: CMF, RN e GC, Lº 519, fls. 4 v. a 6, 606, 607 e 608; Emp. Caminho de Ferro do Monte; CMF, Funchal

Intervenção Realizada

Observações

Pelas fotografias do arquivos dos "Vicentes" e por um postal do "Bazar do Povo" dos finais do Séc. 19, onde o Hotel aparece com 2 pisos, é possível reconhecer a importante campanha de obras levada a cabo pelo capitão Sotero, em 1915 / 1916. Perdeu-se então um interessante portal, aparentemente, barroco, talvez o que restava da inicial residência de Verão do cônsul Carlos Murray.

Autor e Data

Rui Carita 2001

Actualização

 
 
 
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