Grupos Escolares construídos ao abrigo do Plano dos Centenários em Lisboa — 1944-1961

Cidade de Lisboa
 

O presente inventário temático surge no decurso do trabalho habitual de atualização dos registos de inventário do património arquitetónico existentes na base de dados do SIPA, nomeadamente nos imóveis construídos na tipologia “educativo” (entenda-se, edifícios construídos para o ensino) no concelho de Lisboa. Nesse âmbito, verificou-se a existência de imóveis com características perfeitamente enquadráveis nos cânones do Movimento Moderno, edificados pela autarquia lisboeta ao abrigo do programa de subsídios estatais atribuídos pelo Ministério das Obras Públicas para a construção de uma rede escolar, comummente conhecido por Plano dos Centenários. Coexistem assim, na cidade de Lisboa, erguidos numa mesma época e ao abrigo do mesmo programa construtivo, dois “géneros” de edifícios, com feições externas bastante diversas (por vezes mesmo na sua adaptação ao terreno), consoante resultem de promoção estatal ou camarária, embora sempre assentes numa mesma planta funcional.

Neste inventário ocupar-nos-emos apenas dos imóveis de promoção autárquica, por serem aqueles que mais se distanciam das características habituais traçadas para o Plano. Para a sua elaboração foi, assim, fundamental a consulta das peças documentais existentes no Arquivo Municipal de Lisboa[1] (que incluem fotografias da construção e da inauguração destes grupos escolares), assim como a leitura cuidada dos Anais do Município de Lisboa[2] e de alguns números da Revista Municipal, para além, claro, de outra bibliografia[3] nacional existente sobre o assunto. A pesquisa documental foi complementada por visitas de reconhecimento e levantamentos fotográficos aos imóveis objeto do presente estudo[4].



[1] Cuja base de dados de descrição documental, e alguns documentos, estão disponíveis on-line.

[2] Consultáveis a partir da Hemeroteca Digital da Câmara Municipal de Lisboa, também on-line.

[3] Cuja lista se anexa.

[4] Não foram visitadas/fotografadas as escolas básicas Querubim Lapa (Campolide) e Professor Agostinho da Silva (Vale Fundão/Poço do Bispo), por se encontrarem em obras aquando da elaboração deste inventário.

 
 

Descrição

Plano dos Centenários (1944-1965)

A 17 de dezembro de 1940 é promulgada a Lei n.º 1985, integrada no Orçamento Geral do Estado para 1941, que, no seu artigo 7.º, prevê a execução de um plano geral da rede escolar, que denomina como sendo dos "Centenários" (muito embora as comemorações oficiais do Duplo Centenário da Fundação e da Restauração de Portugal tivessem encerrado oficialmente a 3 de dezembro desse mesmo ano).

Antecedentes

A inexistência de construções adequadas a uma boa prática do ensino era já uma situação antiga, que desde meados do século XIX conhece tentativas várias de solução, sem que no entanto nenhuma consiga dotar o país de uma rede nacional de escolas públicas.

Será, a partir de 1932, após a criação do Ministério das Obras Públicas e Comunicações e da tomada de posse de Duarte Pacheco (1900-1943) como ministro, que, num processo de reorganização da atuação do ministério com o objetivo de dotar o país das obras públicas de que este carecia, a Repartição de Construções Escolares é englobada na Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN)[1], passando esta a ser a instituição responsável pelo desenvolvimento de projetos-tipo a aplicar à construção de escolas primárias, como forma de desenvolver a sua construção em série. Neste mesmo ano, a DGEMN dispõe, na Direção dos Edifício Nacionais do Sul, de uma secção de arquitetura apta para desenvolver estes projetos, a qual será chefiada pelo arquiteto Guilherme Rebelo de Andrade (1881 - 1969), que, em 1933, publica o Ante-projeto do Plano Geral de Tipos-Regionais de Escolas Primárias Oficiais a Construir[2], no qual se estabelecem os princípios a que as novas edificações devem obedecer, e que, grosso modo,incidem na regionalização da aplicação de matérias-primas e técnicas construtivas, aliando-as aos mais recentes processos de construção, ao cuidado estudo do aproveitamento solar e demais características locais, sendo os projetos assentes na repetição de uma mesma planta funcional, adaptada ao número de salas pretendido.

A execução destes projetos é encomendada aos ateliês particulares de dois arquitetos da DGEMN, Rogério de Azevedo (1898-1983) e Raul Lino (1879-1974), como forma de conseguir garantir a execução de um elevado número de encomendas. O primeiro ficou incumbido de realizar os projetos para o Norte e o Centro, encontrando-se os projetos para a Estremadura e Sul, a cargo do segundo. São elaborados, ao todo, quarenta e dois projetos-tipo, correspondentes a edifícios de uma a quatro salas. No entanto, estima-se que apenas se tenham concretizado ao todo oitenta e oito edifícios[3].

Entretanto, a 18 de janeiro de 1935, Carneiro Pacheco (1887-1957) é nomeado ministro da Educação Nacional, dando início a uma profícua produção legislativa que viria a constituir as bases de todo o sistema educativo do Estado Novo[4]. A publicação da reforma deste ministro conduz à suspensão temporária dos projetos de construção de escolas, e à sua revisão à luz dos novos critérios enunciados na carta escolar elaborada em 1933-1935, nomeadamente a necessária divisão dos sexos, que pressupõe a existência de duas secções escolares plenamente diferenciadas. Apenas se edificaram as que se inseriam nos planos mais globais dos Bairros de Casas Económicas[5], e algumas consideradas projetos especiais.

O Plano dos Centenários

É neste contexto que, como vimos, surge o Plano dos Centenários, previsto na Lei Geral do Orçamento do Estado para 1941. Consequentemente, a 29 de julho de 1941, é publicado um Despacho do presidente do Conselho de Ministros (DG n.º 174), António de Oliveira Salazar (1889-1970), datado de 15 desse mês, no qual, após uma breve síntese sobre o estado da construção escolar, são indicados os principais critérios a ter em conta na redefinição do plano: a separação de sexos, o número de crianças por sala, o número máximo de salas por edifício, a área de influência e a distância máxima que uma criança pode percorrer para frequentar a escola. No mesmo despacho é aconselhado o retomar dos projetos-tipo regionais, criados entre 1933-1935, agora revistos à luz dos novos critérios e de uma necessária contenção de custos, o que conduz a uma simplificação formal dos mesmos[6]; é indicada a comissão a trabalhar no desenvolvimento da rede escolar[7]; são definidos, igualmente, os mapas com a previsão das escolas a construir (12500 salas de aula), a estimativa das despesas e a respetiva distribuição das verbas (500 mil contos a ser gastos em repartição equitativa entre o poder central e as autarquias)[8] para um programa a 10 anos (sendo o reembolso das verbas por parte das autarquias estendido a 15 anos).

Em outubro, por indicação do ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, o diretor-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais emite uma ordem de serviço de carácter “urgente” para cada uma das quatro Direções Regionais de Edifícios (Norte, Centro, Lisboa e Sul) com instruções para que estas remetam aos serviços centrais uma proposta para a localização de um grupo de cinquenta escolas consideradas prioritárias (com oitenta e quatro salas de aula), permitindo, assim, que se inicie o quanto antes a edificação de duzentos edifícios escolares. As propostas são enviadas à Comissão de Revisão da Rede Escolar, que as examina e procede às alterações necessárias.

A 5 de abril de 1943 são publicados no Diário do Governo os mapas definitivos com a indicação do número de salas de aula a construir por distrito, concelho e freguesia (DG, 2.ª série). Paralelamente, as repartições técnicas da DGEMN procedem ao envio de um questionário às câmaras municipais com o objetivo de avaliar as condições locais para o lançamento dos programas anuais de construção (nomeadamente no que concerne a terrenos disponíveis, a acessos, a transportes, aos materiais de construção usados na região, à qualidade e aos preços da construção civil, e à disponibilidade de mão-de-obra local). Em agosto desse ano é criada, no seio da DGEMN, a Delegação para as Obras das Construções Escolares, que se encontra em funcionamento em outubro[9], dando início, em 1944, à Fase I do Plano dos Centenários, contemplando apenas os concelhos cujas câmaras tenham respondido ao inquérito (cerca de um terço). Nesta primeira fase estão incluídos 561 edifícios com 1250 salas de aula, distribuídos por todos os distritos do país, incluindo as ilhas. Até 1969, altura em que a a Delegação para as Obras de Construção de Escolas Primárias cessa funções, o Plano é continuado em fases sucessivas.

Os projetos

Tendo por base uma mesma planta, de características eminentemente funcionais, os projetos para as escolas primárias do Plano dos Centenários obedecem a dois tipos, assentes, ora num edifício único, se destinados a um só sexo, ora em dois geminados (designados por “edifícios gémeos”), com total separação de espaços, se destinados aos dois sexos. São previstas soluções para uma, duas, três e quatro salas de aula, para um sexo, e para duas, seis e oito salas de aula para os dois sexos. A unidade base do projeto é sempre a sala de aula, pensada para uma capacidade máxima de quarenta crianças, apresentando-se com 8 x 6 metros e 3,5 metros de pé-direito, servida por grandes janelas de iluminação unilateral. O acesso ao interior é efetuado, preferencialmente, a partir dos extremos, servido por um amplo átrio de distribuição, a partir do qual se desenvolvem corredores, escadas e acesso ao recreio. Junto ao átrio situam-se as instalações para docentes e gabinetes de apoio (se os houver) e sanitários/vestiários. As salas de aula distribuem-se ao longo do corredor, também este de iluminação unilateral, normalmente efetuada por pequenas janelas basculantes junto ao teto. A fachada principal dos corpos letivos é voltada preferencialmente a sul, sudoeste, sendo esta a orientação privilegiada para as salas de aulas e alpendre (recreio coberto), como forma de otimizar a luz solar, e resguardar dos ventos mais frios. Pelas mesmas razões, o recreio figura na frente das salas de aula. Para norte ficam orientados os espaços de circulação. No centro, junto aos edifícios geminados, ou apenas junto ao edifício escolar (no caso de escola para um só sexo), encontra-se a cantina/refeitório (pensada para 120 crianças) servida por copa. Os recreios cobertos (alpendres) têm como áreas mínimas 160 m2 e os recreios ao ar livre cerca de 2000 m2 para cada secção.

Exteriormente, as fachadas dos edifícios caracterizam-se pelo gosto historicista, o designado estilo “Português Suave”[10], que representa tanta da produção arquitetónica dos anos de 1940 em Portugal. Apresentam assim, telhados a duas, três e quatro águas, de telha vermelha, com beiral, arcadas a servirem amplos alpendres cobertos, pequenos torreões de evocação medievalista, com coruchéus (piramidais ou cónicos) rematados por esferas armilares (símbolo do império) ou cata-ventos — mais presente nas aldeias — a ladear as entradas, sendo estas precedidas por alpendre. Socos de cantaria percorrem as fachadas, em que as janelas são retilíneas, emolduradas a alvenaria simples de pedra. As fachadas principais são assinaladas por pedras de armas, normalmente o único elemento decorativo.

Em suma, pode dizer-se que a um projeto de caraterísticas profundamente modernas pela sua funcionalidade interna, o Plano dos Centenários alia um gosto profundamente tradicionalista na sua aparência externa.

O Plano dos Centenários em Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) é uma das autarquias a responder ao inquérito enviado pelas repartições da DGEMN e, em 1944, inicia um programa de construção de edifícios destinados a escolas primárias, que se estenderia até 1961, conhecendo quatro fases sucessivas.

Lisboa vive desde finais do século XIX as consequências do êxodo rural, encontrando-se em franca expansão demográfica, o que faz com que o seu parque escolar não consiga responder às solicitações da crescente população. Para além disso, muitas das antigas escolas encontram-se a funcionar em locais inadequados para o ensino. Por estes motivos é uma opção clara do município a construção de grupos escolares com dezasseis salas, destinados a ambos os sexos (oito salas em cada secção), desenvolvidos em “edifícios gémeos”.

Por outro lado, a cidade, a capital do império, que em 1940 havia recebido a Exposição do Mundo Português, encontrava-se em franca reorganização. Em 1938, o então edil lisboeta, Duarte Pacheco, contratara o urbanista Étienne de Gröer (1882- ?), que, juntamente com os serviços técnicos municipais, cuja repartição de Engenharia era chefiada pelo engenheiro António Emídio Abrantes (1888-1970), definira as grandes linhas de desenvolvimento para a cidade, traçando o Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (PGUEL), que estaria concluído e aprovado pela autarquia em 1948. Ao abrigo do referido plano e contando para o efeito com legislação apropriada, são expropriados terrenos e criadas áreas de expansão urbana.

As novas escolas primárias, imagem de organização e harmonia num Portugal restaurado, surgem assim, sempre que possível, construídas no centro destas novas áreas urbanizadas, constituindo com estas uma unidade de vizinhança.

1.ª Fase — 1944-1950

Numa primeira fase do Plano são construídos pela autarquia lisboeta cinco novos grupos escolares, segundo o gosto tradicionalista que caracteriza a produção arquitetónica coeva. Em todos eles persiste uma mesma planta funcional, a qual constitui uma característica que se manterá durante toda a vigência do Plano.

Os três primeiros — grupos escolares do Alto de Santo Amaro, da Rua Ator Vale e da Praça do Ultramar/atual Praça das Novas Nações — são da responsabilidade da mesma equipa chefiada pelo arquiteto Alberto Aires Braga de Sousa (1909-?) e pelo engenheiro Vasco Bon de Sousa Marques Leite (1915-?). Qualquer um dos três resulta da adaptação do projeto às condicionantes do terreno, inserindo-se todos em unidades de vizinhança preexistentes, o que é particularmente condicionador no último exemplo mencionado, que acabou mesmo por ficar com apenas doze salas de aula (seis para cada secção).

Os dois últimos projetos desta primeira fase são edificados em Alvalade: grupos escolares das células 1, com projeto da autoria do arquiteto Inácio Peres Fernandes (1910-1989) e 2, com traço de Luís Américo Xavier (1917-1996). Concebido no âmbito do PGUEL, o Plano de Urbanização do Sítio de Alvalade (v. IPA.00030357), inicialmente designado por Plano de Urbanização da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro (atual Avenida do Brasil), foi elaborado, entre 1945 e 1948, por João Guilherme Faria da Costa (1906 - 1971). Com uma área de 230 ha., Alvalade foi concebido como sendo parte integrante da cidade, distribui-se por oito unidades de habitação (células), destinadas a alojar diversas categorias sociais, dotando-as de uma série de equipamentos de apoio. O núcleo da célula é formado pela escola primária, que aqui encontra as condições ideais para a sua edificação, nomeadamente em termos de localização/acessos (efetuados essencialmente por veredas de circulação pedonal), como de espaço disponível. Para além dos estabelecimentos de ensino primário, o plano de Alvalade considerava, ainda, desde o seu início, a existência de uma série de outros equipamentos coletivos (liceus, mercado, centros cívicos, parque desportivo, etc.)[11].

2.ª Fase — 1953-1956

É justamente a segunda fase de implementação do Plano dos Centenários em Lisboa aquela que, para o presente inventário, mais nos interessa. Enquanto no resto do país, e mesmo na capital para aqueles que resultavam da promoção estatal, continuavam a edificar-se edifícios escolares semelhantes aos da primeira fase lisboeta, segundo a chamada “arquitetura do Regime”[12], nos grupos escolares promovidos pela autarquia processa-se uma decisiva viragem para a arquitetura moderna. Sem resquícios de monumentalidade, regionalismo ou historicismo, as novas propostas arquitetónicas, encomendadas diretamente pela autarquia a arquitetos independentes, consideram o projeto de uma forma global, abrangendo todos os detalhes do interior e do exterior da escola, revelando uma visão humanizada e funcional do edifício, utilizando um reportório atualizado e adaptado ao universo infantil.

Para esta alteração terá contribuído a relativa abertura sentida em alguns sectores da sociedade após a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Logo em 1948 realiza-se, em Lisboa, o I Congresso Nacional de Arquitetura, organizado pelo Sindicato Nacional dos Arquitetos, e que apesar do patrocínio estatal e de ter ocorrido em simultâneo com a exposição Quinze Anos de Obras Públicas (realizada no Instituto Superior Técnico), não esteve sujeito a censura prévia, pelo que as comunicações apresentadas no encontro podem já mostrar uma clara demarcação da arquitetura que se vinha fazendo e uma reivindicação das ideias da Carta de Atenas, nomeadamente na criação de uma arquitetura mais depurada e funcional. Mais tarde, em 1953, ocorre, também em Lisboa, o Congresso da UIA — União Internacional dos Arquitetos, que constitui uma verdadeira lufada de cosmopolitismo no panorama português, trazendo a debate o que de novo se faz na Europa e na América, e permitindo aos novos arquitetos portugueses manifestarem o seu repúdio por uma arquitetura monumental e historicista, e uma nova filiação numa arquitetura mais racional, produzida à escala humana. Neste mesmo ano, em outubro, setenta e dois artistas e arquitetos assinam uma petição endereçada ao edil lisboeta, Álvaro Salvação Barreto (1890-1975), pugnando pelo estabelecimento de um procedimento regular de encomenda de obras de arte para os projetos municipais, ou de promoção municipal de arquitetura, propondo mesmo que uma percentagem dos custos imputados ao projeto seja direcionada para a arte aplicada à arquitetura (AML, processo n.º 5446/954). No ano seguinte, a 20 de março, por despacho do presidente da CML, o pedido será deferido mediante algumas condições, a saber: controlo camarário sobre as encomendas a dirigir aos artistas; encomendas de projeto de arquitetura e de motivos artísticos a serem feitas em momentos separados; criação da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia, entidade que ficará responsável pelo licenciamento das obras de arte a aplicar à arquitetura. É, então criada a comissão, sendo chefiada pelo arquiteto Raul Lino, que define os princípios a que devem obedecer os motivos artísticos a incluir nos grupos escolares, e que se podem resumir: ao "amor compreensivo pela natureza", ao ensino do processo de transformação dos produtos tradicionais (como sejam o vinho, o pão ou o azeite), ao culto pelo trabalho, pelo artesanato, e ao regionalismo, dando privilégio à arte figurativa sobre o abstracionismo apenas aceite na decoração de alguns espaços internos como nas paredes de refeitórios. Não obstante, a arte aplicada aos grupos escolares versou, essencialmente, o universo lúdico infantil. Por último, fundamental para esta segunda fase (e para as seguintes) do Plano dos Centenários em Lisboa, é a publicação do Decreto-Lei n.º 39.982, de 21 de dezembro de 1954, que abre às câmaras municipais a contratação direta a arquitetos externos de projetos para os edifícios escolares, sendo considerados Projetos Especiais.

Em julho de 1953, o engenheiro adjunto do diretor de Serviços de Urbanização da CML, Alexandre de Vasconcelos e Sá dá conhecimento, por ofício, ao engenheiro delegado para as Obras de Construção das Escolas Primárias da intenção da autarquia em prosseguir com as obras de construção, remodelação e ampliação de edifícios destinados ao ensino primário na cidade de Lisboa, para o que anexa dados relativos a onze novos grupos escolares[13]. Neste mesmo ano, e no contexto acima descrito, inicia-se a segunda fase das obras do Plano dos Centenários em Lisboa, para a qual o MOP concede um subsídio de 85.000$00 por sala de aula (a ser reembolsado em 50% em vinte anuidades pelas autarquias) com a contrapartida de as obras se iniciarem no período de um ano.

Foram, assim, construídos ao abrigo desta segunda fase — todos com dezasseis salas de aula (exceção feita para o da Calçada da Cruz da Pedra, inserido em malha urbana preexistente, num terreno exíguo e acidentado, apenas com doze salas de aula), os seguintes grupos escolares encomendados a arquitetos externos à autarquia e contando com colaborações de inúmeros artistas plásticos que, em trabalho direto com o arquiteto, produziram para o próprio local:

— Célula 7 de Alvalade, com projeto de Ruy Jervis de Athouguia (1917-2016) e contributos artísticos de Stela Albuquerque, representa um dos mais expressivos projetos desta fase do programa;

— Calçada da Cruz da Pedra, com projeto de Luís Américo Xavier;

— Bairro Social do Arco do Cego, com projeto de Dário Silva Vieira e contributo artístico de Joaquim Correia (1920-2013);

— Célula 4 de Alvalade, com projeto de Manuel Coutinho Raposo (1916-1999) e contributos artísticos de Stela Albuquerque;

— Célula 6 de Alvalade, com projeto de Cândido Palma de Melo (1922-2002) e contributos artísticos de Maria Keil (1914-2012) e Martins Barata (1910-1999);

— Areeiro, com projeto de Fernando Silva (1914-1983) e contributos artísticos de Júlio Santos e Maurício Meireles Penha (1913-1996);

— Picheleira, com projeto de Nuno Morais Beirão (1924-?) e contributos artísticos de Maria de Lurdes Coimbra de Freitas e Maria Teresa Quirino da Fonseca;

— Vale Escuro, com projeto de Victor Palla (1922-2006) e Joaquim Bento de Almeida (1946-1973) e contributos artísticos (desaparecidos) de Júlio Pomar (1926- ), José Lima de Freitas (1927-2008), Maria Barreira (1914-2010) e Rolando Sá Nogueira (1921-2002);

— Bairro Santos, com projeto de Luís Soares Branco (1919-1997) e contributos artísticos de Arnaldo Louro de Almeida (1926-2008);

— Campolide, com projeto de Artur Pires Martins (1914-2000) e contributos artísticos de Querubim Lapa (1925-2016) e José Dias Coelho (1923-1961);

— Alto dos Moinhos, com projeto de Manuel Arroyo Barreira e contributos artísticos de João Abel Manta (1928- ), José Farinha (1912-1979) e Rogério Ribeiro (1930-2008).

Ao abrigo desta segunda fase foram ainda construídas duas secções em edifícios preexistentes, dotando-os assim do número de salas de aula necessário ao seu funcionamento:

— Calçada da Tapada, com projeto de Alberto Braga de Sousa e contributo artístico de Inácio Vitorino Perdigão;

— Rua da Bela Vista à Lapa, também com projeto de Alberto Braga de Sousa e contributo artístico de Cândido da Costa Pinto (1911-1976).

3.ª Fase — 1957-1958

Entre 1955 e 1957 encontram-se concluídos, ou em fase de conclusão, os grupos escolares referentes à segunda fase do Plano dos Centenários em Lisboa. Com estes a autarquia lisboeta ganhou 188 novas salas de aula, distribuídas por treze grupos escolares construídos de raiz ou resultado de ampliações. Sucedem-se, então, as terceira e quarta fases do Plano sem, no entanto, trazerem grandes alterações ao que fora executado na segunda fase. Os grupos escolares, que continuam a ser encomendados ao abrigo dos Projetos Especiais a arquitetos externos à autarquia, continuam a apresentar um reportório arquitetónico plenamente atualizado e, dando continuidade ao despacho de 1954, sempre que possível, acompanhados de obras de arte concebidas para o projeto. São introduzidas, contudo, algumas novidades nestas terceira e quarta fases: o aumento das dimensões da sala de aula, desde que o espaço disponível assim o permita — passando a ter 7 x 9, ou 7 x 8,5 metros — como forma de poder abandonar as tradicionais carteiras e substituí-las por mesas individuais, então consideradas mais aconselháveis pedagogicamente; a inclusão de novos espaços nos edifícios escolares, como uma secretaria de zona pedagógica e um gabinete médico; a construção, desde que o espaço disponível e as condições urbanas o permitam, de um edifício de interesse local junto ao grupo escolar, dotado de salão de festas e de ginásio, aberto à comunidade.

Foram construídos ao abrigo da terceira fase três grupos escolares, sendo que apenas nos dois últimos é possível reconhecer as alterações anteriormente descritas (novas dimensões nas salas de aula, novos espaços considerados e projetado o edifício de interesse local), a saber:

— Praça de Goa, com projeto de Carlos Rebelo de Andrade (1887-1971) e contributo artístico de Jorge Barradas (1894-1971);

— Célula 8 de Alvalade, com projeto de Ruy Jervis de Athouguia e contributo artístico previsto de Menez (1926-1995), chumbado na CMAA;

— Poço do Bispo/Vale Fundão, com projeto de Luís Américo Xavier e contributos artísticos do seu pai, Raul Xavier (1894-1964) e de Gabriela Veloso.

4.ª Fase — 1958 – 1961

Os projetos incluídos na quarta fase apresentam-se como uma decorrência direta dos da fase anterior, praticamente coexistindo no tempo. Têm, todavia, um enquadramento diferente, esta fase arranca com o início da Guerra Colonial (1961–1974) e a consequente diminuição das verbas disponíveis para apoio ao programa. Assim, e muito provavelmente por este motivo, assistimos a um corte quase total na arte aplicada à arquitetura (apenas o Grupo Escolar do Bairro de Santa Cruz de Benfica é contemplado; esteve prevista também a inclusão de um motivo artístico de António Alfredo no Grupo Escolar dos Olivais, mas não deverá ter sido executado).

Foram assim edificados na derradeira fase do Plano dos Centenários em Lisboa quatro grupos escolares (três com dezasseis salas e um, o Grupo Escolar do Bairro das Furnas, por exiguidade do terreno, com doze):

— Olivais [Norte], com projeto de Victor Palla e Joaquim Bento de Almeida;

— Bairro das Furnas, com projeto de Pedro Quirino da Fonseca, apesar de ter apenas doze salas, contempla o edifício de interesse local;

— Bairro da Madre de Deus, com projeto de Luís Benavente (1902-1993), autor do projeto do bairro em que se insere;

— Bairro de Santa Cruz de Benfica, com projeto de João Vaz Martins (1910-1988) e contributos artísticos de Hélder Baptista (1932-2015).

E construída uma secção a uma antiga escola, por forma a poder formar um grupo escolar: Travessa de Santa Quitéria, com projeto de Júlio do Nascimento Cascais, João Araújo e Luís Fernandes Pinto.

Em síntese

Como podemos observar, enquanto no resto do país se construíam escolas primárias de gosto tradicionalista, em Lisboa — ao abrigo do mesmo programa construtivo e ao mesmo tempo que se erguiam outras de cariz historicista (sobretudo as dos Bairros de Casas Económicas) — a autarquia promove a construção de vinte e um edifícios de feição moderna (se excetuarmos os cinco iniciais), encomendados a alguns dos grandes nomes da Arquitetura Moderna em Portugal e contando com contributos artísticos (sobretudo de escultura e de azulejo) plenamente atualizados e concebidos para o efeito. De entre estes grupos escolares pela sua qualidade arquitetónica merecem atenção especial os dois projetados por Ruy Jervis de Athouguia para Alvalade, assim como os dois da autoria da dupla Victor Palla e Joaquim Bento de Almeida, para o Vale Escuro e Olivais Norte.

Paula Tereno 2016

Clique aqui para consultar alguma biliografia essencial sobre este tema.

[1] Criada pelo Decreto-Lei n.º 16791, de 25 de abril de 1929.

[2] Reproduzido na íntegra como anexo de Filomena BEJA; Júlia SERRA; Estella MACHÁS; Isabel SALDANHA — Muitos Anos de Escolas. Edifícios para o Ensino Infantil e Primário anos 40-anos 70. Lisboa: DGEE, 1985, vol. 2, pp. 317-325.

[3] Filomena BEJA; Júlia SERRA; Estella MACHÁS; Isabel SALDANHA — Ob. cit. Lisboa: DGEE, 1985, vol. 2 e João Pedro Frazão Silva FÉTEIRA — O Plano dos Centenários as Escolas Primárias (1941-1956). Lisboa: s. n., 2013, dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

[4] De entre as quais se pode destacar pela sua importância, as seguintes: a supressão do ensino pré-primário (considerado como responsabilidade obrigatória da família); a revisão do currículo escolar (que passa para três anos apenas, engloba a introdução do canto coral e retira a educação artística); a introdução do livro único obrigatório; a obrigatoriedade da existência do crucifixo e da fotografia do presidente do Conselho atrás da secretária do professor; a obrigatoriedade de inscrição na recém-criada Mocidade Portuguesa; a criação da Obra das Mães para a Educação Nacional (instituição que ficaria com a responsabilidade de supervisionar o ministrar do ensino infantil), mais tarde seria esta instituição a ocupar-se da gestão das cantinas escolares que surgem como complemento ao edifício escolar; a extinção do ensino gratuito para todos aqueles que não fossem comprovadamente pobres e a criação de bolsas de estudo para os muito pobres e muito bem dotados moral e intelectualmente; a criação de postos escolares nas povoações mais pequenas, sendo aí o ensino ministrado por regentes primários; e a introdução do regime de separação de sexos (Lei n.º 1941, de 11 de abril de 1936, Decreto-Lei n.º 26611 de 19 de maio de 1936, Decreto n.º 26893, de 15 de agosto de 1936, Decreto-Lei n.º 27279, de 27 de novembro de 1936 Decreto n.º 27603 de 20 de março de 1937 e Lei n.º 1969 de 20 de maio de 1938).

[5] Decreto-Lei n.º 29011, de 19 de setembro de 1938.

[6] À tarefa de adaptação dos projetos regionalizados terão sido alheios os arquitetos que os haviam elaborado (Rogério de Azevedo e Raul Lino). As principais alterações surgem, interiormente, pela necessidade de duplicação de espaços, germinando os edifícios escolares em dois imóveis geminados, e, desta forma, permitir a separação de sexos. Exteriormente, por necessidades de contenção orçamental de um programa construtivo lançado em tempo de guerra, são removidos das fachadas, floreiras, taipais em madeira, beirados, cantarias decorativas, etc.

[7] A qual seria depois fixada pelo despacho de nomeação publicado na Portaria do Ministério da Educação Nacional de 5 de setembro, e que seria composta pelo diretor-geral do Ensino Primário, Manuel Cristiano de Sousa, que a preside, e, como vogais, o diretor-geral da Assistência, Vítor Manuel Paixão, e o engenheiro chefe da Repartição de Obras Públicas da DGEMN, Fernando Galvão Jácome de Castro.

[8] Conforme o disposto na Lei n.º 1969, de 20 de maio de 1938.

[9] Filomena BEJA; Júlia SERRA; Estella MACHÁS; Isabel SALDANHA — Ob. cit, vol. 2, p. 42.

[10] Designação pela qual ficou conhecido o estilo desenvolvido por uma corrente de arquitetos que, já desde o início do século XX, procurava criar uma arquitetura "genuinamente portuguesa", utilizando as características modernistas da engenharia, disfarçadas por uma mistura de elementos estéticos exteriores retirados da arquitetura portuguesa dos séculos XVII e XVIII e das casas tradicionais das várias regiões de Portugal, e que se popularizou como estilo nacional imposto aos programas públicos, sobretudo após a Exposição do Mundo Português, em 1940. Foi, no entanto, duramente atacado por um grande número de arquitetos, que o acusaram de ser provinciano e desprovido de imaginação, e que o passaram a designar por Português Suave, adotando o nome de uma marca de cigarros.

[11] Das oito células de Alvalade, apenas nas 3 e 5 não foi edificada nenhuma escola primária, sendo nestas que se encontram os antigos Liceus Nacionais Rainha D. Leonor (célula 3, construído como liceu feminino) e Padre António Vieira (célula 5, construído como liceu masculino).

[12] Mesmo após a revisão do projeto-tipo e o desenvolvimento do Novo Plano dos Centenários, estes edifícios, embora com fachadas ainda mais simplificadas e já mais distantes do chamado “Português Suave” que marcara a produção arquitetónica nacional dos anos de 1940, mantém-se próximas deste.

[13] Câmara Municipal de Lisboa, Direção dos Serviços de Urbanização e Obras, 1.ª Repartição — Urbanização e Expropriações, Escolas e Centros Sociais.

Tipologia

Arquitetura educativa

Imóveis Recomendados

Grupo Escolar do Alto de Santo Amaro / Escola Primária de Santo Amaro / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância de Santo Amaro

IPA.00035363
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alcântara
 

Grupo escolar projetado e construído por Alberto Aires Braga de Sousa, entre 1944 e 1946, situa-se na encosta no Alto de Santo Amaro, nas imediações do Jardim de Santo Amaro, encontrando-se na ZEP do Palacete da Rua Jau, incluindo anexos (Portaria n.º 160/2016, publicada no Diário da República, 2.ª série, 27 maio 2016, n.º 102, sem restrições). Insere-se, assim, numa malha urbana que lhe é anterior, tendo sido construído em terreno cedido para esse mesmo fim pelos condes de Vale Flor. Forma um conjunto de planta poligonal, composta, resultante da articulação de dois corpos idênticos, os “edifícios gémeos”, retangulares, de dois pisos, e de um terceiro, de um só piso. As coberturas são em telhados, maioritariamente de duas águas, sendo nos extremos dos edifícios principais de três águas. As fachadas são rebocadas e pintadas a amarelo, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria simples de pedra. No centro, a ligar os dois “edifícios gémeos” encontra-se um terceiro, de um só piso (o "comboio") destinado a cantina, dirigida pela instituição de Solidariedade Social, Obra das Mães. É esta a primeira escola erguida ao abrigo do Plano dos Centenários pela autarquia lisboeta, inaugurada, a 9 de outubro de 1948, encontrando-se em funcionamento no ano letivo de 1948-1949.


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Grupo Escolar da Rua Actor Vale / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Actor Vale

IPA.00035582
Portugal, Lisboa, Lisboa, Penha de França
 

Grupo escolar projetado e construído por Alberto Aires Braga de Sousa, entre 1944 e 1946, situa-se num lote irregular no sopé da encosta encimada pela Rua Barão Sabrosa, na área sul do designado Bairro dos Atores, nas imediações do Mercado de Arroios (v. IPA.00023095), inserindo-se, assim, em zona de expansão urbana do PGUEL. Apresenta uma planta que resulta da articulação em linha de três corpos principais, dois “edifícios gémeos”, de dois pisos, e um terceiro corpo, central, bastante mais pequeno. As coberturas são em telhados, maioritariamente de duas águas, sendo nos extremos dos edifícios principais de três águas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria de pedra simples. O corpo central encerra a pequena copa/cozinha e as cantinas/refeitórios, dirigida pela instituição de Solidariedade Social, Obra das Mães, e permite, ainda, o acesso às estruturas alpendradas que servem o recreio coberto. Este grupo escolar, provavelmente por necessidade de adaptação ao terreno, não respeita as orientações espaciais propostas, tendo salas de aula de ambas as secções orientadas a nascente e a poente (metade, metade em cada secção), ficando os recreios cobertos virados a nascente. Encontra-se pronto a funcionar em 1948.

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Grupo Escolar da Praça do Ultramar / Escola Primária n.º 26 / Escola Básica do 1.º Ciclo Sampaio Garrido

IPA.00035583
Portugal, Lisboa, Lisboa, Arroios
 

Grupo escolar projetado e construído por Alberto Aires Braga de Sousa, entre 1944 e 1946, ocupa um lote irregular, de formato pentagonal, no sopé da encosta do Monte Agudo, na frente este da Praça das Novas Nações, central ao Bairro das Colónias, edificado entre finais da década de 1920 e durante a de 1930. Insere-se numa malha urbana que lhe é anterior, num terreno muito exíguo e com alguma amplitude, o que condicionou bastante a sua planta, sendo este o projeto desta primeira fase que mais diverge do projeto tipo. Construído com apenas doze salas de aula (situação que apenas se repetirá com o Grupo Escolar da Calçada da Cruz da Pedra, erguido na segunda fase), a sua planta, resulta da articulação de três corpos, de dois pisos, paralelos e um corpo central, também de dois pisos, perpendicular. As coberturas são maioritariamente em telhados, de duas águas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, com soco em tijolo, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria simples. A entrada (central, na articulação entre os três corpos), efetua-se num pequeno pátio fechado ao exterior pela torre do relógio, revestida a tijolo, encimada por uma esfera armilar, e por um muro/parede com beiral telhado, revestido a tijolo e rasgado por três arcos de volta perfeita. O acesso ao interior é feito, como previsto no projeto tipo, no extremo dos “edifícios gémeos”, no entanto, os corpos letivos desenvolvem-se, ainda, pelo terceiro corpo, central, perpendicular aos primeiros (sendo a separação feita em altura). Para as traseiras encontram-se dois pátios internos divididos pela estrutura alpendrada dos recreios cobertos e pelas cantinas/refeitórios. A orientação das salas de aula é, também, divergente neste grupo escolar, existindo salas orientadas a oeste (maioria), a este, a norte e a sul. A área de recreio descoberto encontra-se bastante reduzida. Por último é de notar a profusa decoração em tijolo, a que não é, decerto, alheia a proximidade do antigo Forno do Tijolo. Encontra-se pronto a funcionar em 1949.

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Grupo Escolar da Célula 1 de Alvalade / Escola Primária de Santo António / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância de Santo António

IPA.00035378
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo escolar projetado e construído por Inácio Peres Fernandes, ocupa um lote regular no centro da Célula 1 do Bairro de Alvalade (v. IPA.00030626). Insere-se na malha urbana que lhe é coeva, tendo sido edificado na parte pública dos logradouros das habitações de 3 e 4 pisos que compõem a célula, o seu acesso é feito maioritariamente por veredas arborizadas, destinadas a percurso pedonal. A sua planta resulta da articulação de dois “edifícios gémeos”, idênticos (de dois e um pisos), em forma de "L". As coberturas são em telhados, maioritariamente de duas águas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria de pedra simples. A entrada principal de cada edifício encontra-se no topo do corpo letivo, sendo ladeada, à esquerda, pela torre do relógio encimada por coruchéu telhado. As salas de aula encontram-se todas orientadas a sul, no entanto os recreios (cobertos sob os amplos alpendres, e descobertos) têm direções opostas (antiga secção feminina a oeste, antiga secção masculina a este). Este grupo escolar encontrava-se já concluído aquando da cerimónia de inauguração do bairro, a 23 de setembro de 1948.

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Grupo Escolar da Célula 2 de Alvalade / Escola Primária Fernando Pessoa / Escola Básica do 1.º Ciclo dos Coruchéus

IPA.00035255
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo escolar projetado e construído por Luís Américo Xavier, ocupa um lote regular no centro da Célula 2 na zona oeste do Bairro de Casas de Renda Económica de Alvalade (v. IPA.00032082). Insere-se na malha urbana que lhe é coeva, tendo sido edificado na parte pública dos logradouros das habitações de 3 e 4 pisos que compõem a célula, o seu acesso é feito maioritariamente por veredas arborizadas, destinadas a percurso pedonal, nas proximidades da Biblioteca Municipal dos Coruchéus, instalada no Palácio dos Coruchéus (IPA.00022691). A sua planta resulta da articulação de dois “edifícios gémeos”, retangulares, de dois pisos, e de outro, de um só piso, que se desenvolve oblicuamente aos primeiros, formando com estes uma espécie de "Z". As coberturas são em telhados, maioritariamente de duas águas. As fachadas são rebocadas e pintadas de cor-de-rosa, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria de pedra simples. Os dois “edifícios gémeos”, não apresentam fachadas principais exatamente iguais, havendo uma escala hierárquica entre estas. Ambas contêm, a entrada principal, sob um alpendre telhado, no extremo esquerdo do edifício, no entanto, enquanto o edifício mais a norte (a antiga secção masculina) apresenta, à direita da entrada principal a torre do relógio coroada por coruchéu telhado, no edifício mais a sul, a ladear a entrada encontra-se um alpendre telhado assente em cinco arcos de volta perfeita (recreio coberto da antiga secção feminina). A orientação deste recreio coberto e do, adjacente, recreio descoberto, virados a norte, constituem a única alteração digna de nota no projeto deste grupo escolar. As salas de aula de ambos os corpos letivos encontram-se orientadas a sul. O corpo que se desenvolve entre os edifícios gémeos contém o recreio coberto da antiga secção masculina, virado a oeste. O grupo escolar inaugura em 1950.

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Grupo Escolar Célula 7 / Escola Básica do 1.º Ciclo do Bairro de São Miguel

IPA.00035377
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950 por Ruy Jervis de Athouguia, ocupa um lote regular no centro da Célula 7 do Bairro de Alvalade (v. IPA.00032248), a sul da Avenida dos Estados Unidos da América e a oeste da Avenida de Roma, numa zona de quarteirões abertos de três pisos. O primeiro grupo escolar a ser construído ao abrigo da segunda fase do Plano em Lisboa constitui um dos que mais características eminentemente modernas apresenta. Construído segundo uma linha vincadamente horizontal, assimétrica, perfeitamente articulada com o declive natural do terreno, através de dois pátios perpendiculares cobertos por laje suspensa sobre pilotis, suportada por um muro ligeiramente inclinado, que permite a existência de amplos recreios cobertos. A sua planta desenvolve-se a partir de dois “edifícios gémeos”, idênticos, de dois pisos, e de um terceiro, em “L”, de um e dois pisos, articulados através de dois pátios perpendiculares ligados por laje suspensa sobre pilotis, suportada por parede fundeira. As coberturas são maioritariamente em telhado de uma água em fibrocimento, sendo parte da do terceiro corpo plana. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco e verde água, apresentando-se em alguns casos em tijolo ou com soco neste material, são rasgadas por janelas retilíneas de caixilharia de alumínio branco e moldura de alvenaria simples. Em cada corpo letivo cada sala de aula é servida por um pequeno espaço privativo ao ar livre, conseguido pela existência de alpendres e varandas, servidos de palas pivotantes, como forma de garantir uma boa iluminação e as melhores condições térmicas. Frente à escola encontra-se uma escultura de Stela de Albuquerque, representando duas figuras nuas, uma feminina, ajoelhada, com a parte inferior encoberta por panejamentos, com uma postura estática, tronco direito e pose tutelar, e uma criança, inclinada para a frente a olhar uma pomba, símbolo de pureza e inocência. O grupo escolar é inaugurado em 1955.

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Grupo Escolar da Calçada da Cruz da Pedra / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Prof. Oliveira Marques

IPA.00035585
Portugal, Lisboa, Lisboa, Penha de França
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950 por Luís Américo Xavier (o mesmo arquiteto que já havia projetado o Grupo Escolar da Célula 2 de Alvalade). Ocupa um lote irregular no início das calçadas da Laje e da Cruz da Pedra, nas proximidades do Convento de Santos-o-Novo (v. IPA.00007074). É um dos grupos escolares mais pequenos erguidos em Lisboa ao abrigo do Plano dos Centenários, com apenas 12 salas de aula. É composto por dois “edifícios gémeos”, idênticos, em forma de "J", de dois e três pisos, paralelos, situados em cotas diferenciadas e com entradas autónomas, e de um pequeno corpo quadrangular, de um só piso, que serve de ligação entre os primeiros, destinado a cantina/refeitórios. As coberturas são maioritariamente em telhado de duas águas, sendo de três águas nos topos dos edifícios principais, a do corpo de ligação é plana. As fachadas são rebocadas e pintadas de amarelo, rasgadas por janelas retilíneas com moldura de alvenaria simples. As salas de aula e recreios estão orientadas para sudeste, estando os refeitórios e espaços de circulação orientados para noroeste. Muito embora tenha sido construído já ao abrigo da segunda fase do programa e apresentar já uma arquitetura mais depurada, este grupo escolar não apresenta ainda um arrojo formal perfeitamente integrado no Movimento Moderno, podendo ser considerada como sendo de compromisso, ou transição. Mantém ainda a cobertura maioritariamente telhada de duas águas, um desenho de fachada com marcação vertical de vãos e um grande peso de cantarias, no entanto há a assinalar o moderno uso de grandes alpendres, nascidos do sábio aproveitamento do declive do terreno, para criar os recreios sob os edifícios assentes em pilotis. As cantinas/refeitórios são decoradas com azulejo com ingénuas representações populares e florais. O grupo escolar encontrava-se concluído em 1957.

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Grupo Escolar do Bairro do Arco do Cego / Escola Básica do 2.º Ciclo Filipa de Lencastre / Escola Básica do 1.º Ciclo de São João de Deus

IPA.00025592
Portugal, Lisboa, Lisboa, Areeiro
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950, por Dário Vieira da Silva. Ocupa dois lotes regulares que ladeiam o edifício da Escola Secundária D. Filipa de Lencastre (v. IPA.00007785), no centro do Bairro Social do Arco do Cego (v. IPA.00005970), ficando assim incluído na ZEP do antigo Liceu Nacional D. Filipa de Lencastre (Portaria n.º 117/2015, DR, 2.ª série, 19 fev. 2015, n.º 35 (com restrições), sendo igualmente abrangido pela reserva de 50 metros em redor do liceu classificado como MIP, Portaria n.º 740-G/2012, DR, 2.ª série, 24 dez. 2012, n.º 248). O seu projeto é, dentro do conjunto de grupos escolares edificados ao abrigo da segunda fase do plano dos Centenários em Lisboa, um caso particular. Edificado para preencher a lacuna deixada pela conversão do edifício projetado pelo arquiteto Jorge Segurado (1898-1990) de escola central primária em liceu nacional, vai formar com este um conjunto de equipamentos escolares, pelo que o seu traço teve em linha de conta o projeto do edifício central. É formado por um conjunto de dois imóveis idênticos, “edifícios gémeos”, de planta retangular com pátio interno. A entrada em cada edifício é assinalada por um torre. As coberturas são em telhados de duas águas, sendo quatro águas na torre, e planas nas estruturas alpendradas que servem de recreio coberto. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por janelas retilíneas com molduras de alvenaria de pedra simples e percorridas por soco de alvenaria. A separação dos dois edifícios escolares, destinados à secção feminina e à secção masculina é, neste caso, mais efetiva do que nos restantes grupos escolares, uma vez que o eixo de simetria que os divide é aqui formado pelo próprio edifício do antigo liceu nacional. A aplicação de obras de arte ao contexto arquitetural que vai marcar os grupos escolares a partir desta segunda fase é, também, aqui condicionada pela preexistência, os baixo-relevos que marcam a entrada nos dois edifícios do presente grupo escolar não apresenta figuras saídas do imaginário infantil, mas antes a figura sóbria, estática e tutelar do padroeiro, São João de Deus, da autoria do mestre Joaquim Correia. Encontra-se concluído em c. 1955.

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Grupo Escolar da Célula 4 do Bairro de Alvalade / Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclo Almirante Gago Coutinho

IPA.00035581
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo Escolar projetado e construído na década de 1950 por Manuel Coutinho Raposo (1916 – 1999). Ocupa um lote irregular no centro da Célula 4 do Bairro de Alvalade (v. IPA.00030628), numa área onde prevalecem as moradias unifamiliares, fruto da proximidade ao Aeroporto de Lisboa (v. IPA.00021446). O seu projeto aproveita o declive natural do terreno criando dois espaços letivos, os dois “edifício gémeos”, completamente autónomos, localizados em cotas diferentes, muito embora construídos em linha, articulados por corpo central, onde se encontram as cantinas/refeitórios e os espaços de utilização comum. As salas de aula orientam-se a sul, assim como os recreios, estando a entrada principal localizada a norte. Muito embora, e à semelhança do Grupo Escolar da Calçada da Cruz da Pedra se distancie dos grupos escolares construídos na primeira fase do plano, não estamos ainda perante um imóvel de características plenamente modernas, podendo ser considerado como sendo de compromisso, ou transição. Mantém a cobertura maioritariamente telhada de duas águas, um desenho de fachada com marcação vertical de vãos e um grande peso de cantarias, no entanto há a assinalar o moderno uso de grandes alpendres (recreios cobertos) formados por laje de betão sobre pilotis e parede fundeira a separar os espaços das secções masculina e feminina. As entradas das secções feminina e masculina são assinaladas com a presença de grupos escultóricos concebidos para o efeito, da autoria da escultora Stela de Albuquerque, uma escultura de vulto assente num pequeno plinto a ladear a escada de acesso à entrada na escola feminina — um rapaz, nu, semi-ajoelhado, acariciando um cão — e um relevo — rapaz de pé a ler um livro, encostado a uma árvore — adossado ao muro, lateralmente à entrada na escola masculina. Em 1955 encontra-se concluído.

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Grupo Escolar da Célula 6 do Bairro de Alvalade / Escola Primária n.º 111 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo de São João de Brito

IPA.00035375
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo Escolar projetado e construído na década de 1950 por Cândido Palma de Melo. Ocupa um lote irregular na zona norte do Bairro de Alvalade, no centro da Célula 6 (v. IPA.00030629), numa área de quarteirões abertos formados por edifícios de 3 e 4 pisos, a sul das traseiras da Igreja Paroquial de São João de Brito (v. IPA.00009861). Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação dos dois “edifícios gémeos”, que se desenvolvem em linha, lateralmente a um corpo central, de onde parte também o volume perpendicular do duplo alpendre formado por laje de betão suportado por pilotis e dividido por parede murária. Este duplo alpendre constitui o eixo a partir do qual se desenvolve toda a simetria do edifício. As coberturas do grupo escolar são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de amarelo, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril corrido de alvenaria simples e soco de pedra. A fachada principal está orientada a noroeste, estando as salas de aula e recreios para sul/sudeste. Nesta escola é já assumido um verdadeiro compromisso entre a arquitetura e as artes. À entrada do grupo escolar encontra-se uma escultura da autoria de Martins Correia, que consiste num pequeno grupo escultórico, em que se representam dois rapazinhos, um destes eleva com as duas mãos uma folha onde se inscreve o início do abecedário, enquanto o outro abraça o amigo com a mão direita, segurando um desenho com a mão esquerda. A decorar a parede murária que divide os dois recreios cobertos encontram-se painéis alongados em marmorite com motivos abstratos de sugestão vegetalista, em tons de verde, vermelho, branco e preto, da autoria do próprio arquiteto Cândido Palma de Melo, cujo efeito plástico é completado pelo uso da calçada portuguesa com padrão de losangos pretos e brancos. Da autoria de Maria Keil é o tratamento plástico dos dois refeitórios, revestidos a azulejo de padrão geométrico, em tons de azul-turquesa e branco, complementados por uma representação quase abstrata de moinhos de vento e bolas de sabão, nas paredes fundeiras dos refeitórios, em tons de rosa, amarelo e verde, com alguns apontamentos a branco e a preto. Em 1956 encontra-se concluído.

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Grupo Escolar do Areeiro / Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclo de Luís de Camões

IPA.00035584
Portugal, Lisboa, Lisboa, Areeiro
 

Grupo Escolar projetado e construído na década de 1950 por Fernando Silva. Ocupa um lote irregular na zona imediatamente a sul da estação de caminhos-de-ferro de Roma-Areeiro e da Célula 8 do Bairro de Alvalade (v. IPA.00030728). Desenvolve-se segundo uma planta poligonal, composta, conseguida pela articulação de um corpo principal, ligeiramente circular, em meia-lua, de dois e três pisos, e de duas pequenas estruturas em "T" invertido, de um só piso, que o antecedem, formando alpendres cobertos em laje de betão sobre pilotis, e que permitem a definição do eixo de simetria que permite a separação do grupo escolar em dois “edifícios gémeos”. As coberturas são maioritariamente em telhado de duas águas de fibrocimento. As fachadas são rebocadas e pintadas de amarelo, rasgadas em toda a sua extensão por múltiplas janelas retilíneas, e percorridas por soco de pedra. A fachada principal, que contempla as salas de aula e recreios está orientada para sul/sudeste, estando os refeitórios e espaços de circulação orientados para norte/noroeste. Em 1956 a escola encontra-se já pronta a inaugurar, dois anos depois, recebe uma secção do sobrelotado Liceu Camões (v. IPA.00007763).

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Grupo Escolar da Picheleira / Escola Básica do 1.º Ciclo Engenheiro Duarte Pacheco

IPA.00035602
Portugal, Lisboa, Lisboa, Beato
 

Grupo Escolar projetado e construída na década de 1950, por Nuno Morais Beirão. Ocupa um lote irregular, a meia encosta, a sul da Calçada da Picheleira. Encontra-se numa zona periférica em relação à urbanização anterior (dos anos de 1930-1940). Apresenta uma planta poligonal, composta, em forma de “T”, conseguida pela articulação em linha dos dois “edifícios gémeos” em volta do módulo central, de onde parte, perpendicularmente o duplo alpendre coberto, formado por laje de betão sobre pilotis, dividido por parede fundeira e assente em pilotis, que liga o corpo principal ao das cantinas/refeitórios, criando dois amplos recreios cobertos. As coberturas são planas. As fachadas apresentam-se rebocadas e pintadas de laranja e amarelo, rasgadas por janelas retilíneas maioritariamente com moldura de alvenaria simples. As salas de aula encontram-se orientadas a sul, assim como os recreios descobertos, sendo os recreios cobertos orientados a este e a oeste. A marcar a entrada em cada secção encontra-se um baixo-relevo da autoria de Maria teresa Nobre Quirino da Fonseca, com cenas de trabalho nos campos (ceifeiras na antiga secção feminina, dois homens a extrair cortiça na antiga secção masculina), os mesmos motivos são repetidos nos painéis de azulejo que decoram as paredes das cantinas/refeitório, desta feita da autoria de Maria de Lurdes Coimbra de Freitas. O grupo escolar é inaugurado em 1956.

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Grupo Escolar do Vale Escuro / Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 143 / Escola Básica do 1.º Ciclo Arquiteto Victor Palla

IPA.00035388
Portugal, Lisboa, Lisboa, Penha de França
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950, por Victor Palla e Joaquim Bento de Almeida. Ocupa um lote irregular na encosta acidentada do Vale Escuro, entre a Penha de França e o Alto de São João. Foram as características muito acidentadas do terreno a determinar a conceção do projeto do imóvel, que se desenvolve em altura, apresentando dois pisos idênticos com repetição dos espaços, ao invés dos “edifícios gémeos”. Assim, comporta a existência de duas entradas independentes, centralizadas no mesmo nó, acedidas a partir de duas direções distintas e a cotas diferentes, reservando o segundo piso à antiga secção feminina, e o terceiro à antiga secção masculina, sendo o primeiro piso (só existente em parte do corpo letivo) destinado ao recreio coberto da secção feminina (conseguido pelo desaterramento de parte do espaço existente entre os pilares da estrutura de cimento). A fachada principal do corpo letivo, orientada a sul, apresenta uma conceção puramente moderna, marcada por molduras laminares em betão, formando expressivos caixotões prolongados em pérgulas de coroamento. Sendo os pisos letivos rasgados, em toda a largura, por uma fila de janelas retilíneas, encimadas por uma grelhagem transparente trabalhada em brise-soleil orientáveis. As coberturas são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por janelas retilíneas. A entrada no grupo escolar era, no seu início, assinalada pela presença de um painel em cimento policromo da autoria do mestre Júlio Pomar, hoje desaparecido. No exterior existe uma escultura feminina (bastante deteriorada) em cimento patinado da autoria da escultora Maria Barreira, assim como painéis de azulejo de figura geométrica e colorido a vermelho, branco e preto, da autoria do arquiteto Victor Palla. No interior dos refeitórios encontram-se painéis de azulejo figurativo, policromos, mostrando brincadeiras infantis, da autoria do pintor Sá Nogueira (1921 - 2002). Em 1956 inicia o seu funcionamento.

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Grupo Escolar do Bairro Santos / Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 44 / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Mestre Arnaldo Louro de Almeida

IPA.00035601
Portugal, Lisboa, Lisboa, Avenidas Novas
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950, por Luís de Castro Gentil Soares Branco. Ocupa um lote irregular, na área a norte da estação ferroviária de Entrecampos-poente, no logradouro dos prédios de habitação da frente norte da Rua Francisco de Holanda. Apresenta uma planta poligonal, composta, conseguida pela articulação dos dois “edifícios gémeos”, de um e dois pisos, dispostos diagonalmente um ao outro, articulados a dois módulos de transição, desnivelados, aproveitando a altimetria do terreno, correspondentes às estruturas alpendradas dos recreios cobertos. Entre estes encontra-se um corpo de um só piso (cantina/refeitórios), desenvolvido perpendicularmente aos restantes. As coberturas são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de azul e branco, rasgadas por janelas retilíneas com moldura de alvenaria de pedra simples. As fachadas sudoeste e sudeste dos corpos principais, fachadas das salas de aula, apresentam as janelas encimadas por "brise soleil" em placas pivotantes e separadas entre si por lâminas verticais também de alvenaria simples. A entrada em cada um dos corpos letivos é assinalada por um módulo semicircular rasgado por um janelão de duplo pé-direito, ladeado por parede decorada com painel de azulejo da autoria do mestre Arnaldo Louro de Almeida — o da outrora secção feminina, num plano mais recuado uma professora ensinando as alunas e, num plano mais aproximado, meninas a brincar; o da antiga secção masculina, o mestre-escola a ensinar os alunos, num plano mais recuado, meninos a brincar, num plano mais próximo. Para além dos já citados painéis azulejares dos corpos de entrada, também os refeitórios são decorados com lambril de azulejo representando cenas do vocabulário infantil, igualmente da autoria do mestre Arnaldo Louro de Almeida. Em 1956 inicia o seu funcionamento. Alvo de obras recentes, este edifício encontra-se hoje bastante alterado.

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Grupo Escolar de Campolide / Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 23 / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Mestre Querubim Lapa

IPA.00035600
Portugal, Lisboa, Lisboa, Campolide
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950, por Artur Pires Martins. Ocupa um lote irregular, a meia encosta, na área a poente do Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa. Incluído na ZEP da Cadeia Penitenciária de Lisboa (Declaração de retificação n.º 291/2013, DR, 2.ª série, 7 mar. 2013, retifica a planta da Portaria n.º 470-AZ/2012, DR, 2.ª série, 24 dez. 2012, n.º 248, suplemento, sem restrições). Apresenta uma planta poligonal, composta, conseguida pela articulação dos dois “edifícios gémeos”, de dois pisos e de um outro corpo (destinado às cantinas/refeitórios), central de um piso, perpendicular aos anteriores. As coberturas são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril corrido de alvenaria de pedra simples e soco de pedra. A fachada das salas de aula, orientada a poente, apresenta, ao nível do piso térreo, uma estrutura alpendrada, conseguida por laje de cimento sobre pilotis, que a antecede, esta é rasgada em cada piso, por uma fila de janelas retilíneas encimada por "brise soleil", separadas por cunhais de alvenaria simples. A separação entre as antigas secções feminina e masculina é efetuada pelo corpo das cantinas/refeitórios, colocado perpendicularmente ao restante imóvel e prolongado por um muro de separação no recreio ao ar livre, decorado com painéis de azulejo figurativo da autoria do mestre Querubim Lapa (1925 - 2016): parede norte, meninas a brincar; parede sul, rapazes a brincar. Para além destes painéis, o grupo escolar conta ainda, do mesmo autor, com painéis azulejares policromos com figuras geométricas nos corpos de entrada e a decorar as cantinas/refeitórios representando cenas do vocabulário infantil. A entrada na escola é assinalada, em cada uma das antigas secções, por um grupo escultórico da autoria do escultor José Dias Coelho (1923 – 1961). Em 1956, o grupo escolar está pronto a funcionar. Por se encontrar em obras aquando da realização deste inventário, não dispomos de imagens deste grupo escolar.

Grupo Escolar do Alto dos Moinhos / Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 110 / Escola Básica do 1.º Ciclo António Nobre

IPA.00035603
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Domingos de Benfica
 

Grupo Escolar projetado e construído na década de 1950, por Manuel Arroyo Barreira. Ocupa um lote irregular, na pendente a sul da Avenida Lusíadas, no centro de célula habitacional a norte da Estrada de Benfica. Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação dos dois “edifícios gémeos”, de dois pisos, idênticos, dispostos paralelamente no terreno, aos quais se adossa um terceiro corpo (cantinas/refeitórios), perpendicular aos primeiros, também retangular, mas bastante mais curto. Existe ainda, na continuação deste corpo para sul, um módulo de um só piso correspondente a uma estrutura alpendrada. As coberturas são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco e amarelo, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril corrido de alvenaria simples, e soco de pedra. Os dois corpos letivos situam-se em cotas diferenciadas, a estabelecer a ligação entre ambos encontra-se o corpo dos refeitórios, de dois pisos, que vence o declive natural do terreno. A fachada sul, fachada principal dos dois corpos letivos, é marcada por uma estrutura de vãos contínuos a assinalar a horizontalidade do conjunto, que enquadram as janelas retilíneas separados por cunhais de alvenaria simples servidos por placas pivotantes que permitem regular a orientação solar das salas de aula. No corpo mais a norte, que tem mais um piso, o recreio coberto é conseguido pelo aproveitamento da estrutura de pilares em que assenta o imóvel. Os corpos de entrada ostentam painéis azulejares policromos com figuras de crianças a brincar da autoria do mestre João Abel Manta. Também os refeitórios são decorados com lambril de azulejo representando cenas do vocabulário infantil da autoria do mestre Rogério Ribeiro. A entrada na escola é assinalada por uma escultura de vulto da autoria do escultor José Farinha. A obra estaria concluída, com a aplicação dos painéis azulejares, em c. 1958 - 1959.

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Escola Primária de Alcântara / Grupo Escolar da Calçada da Tapada / Escola Básica do 1.º Ciclo Raul Lino e Jardim de Infância da Calçada da Tapada

IPA.00035275
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alcântara
 

Grupo escolar composto por dois edifícios de épocas diferentes. Localizado a meia encosta na Calçada da Tapada, forma um lote irregular, confinando a norte, a ocidente e a este com a propriedade rural do Instituto Superior de Agronomia (v. IPA.00006105). Incluído na zona geral de proteção da Tapada da Ajuda (conjunto intramuros — Decreto n.º 5/2002, publicado no Diério da República, 1.ª série-B, 19 fev. 2002, n.º 42). Resulta da articulação do edifício original, construído em 1916 com projeto da autoria de Raul Lino, com um segundo edifício erguido na década de 1950, com projeto de Alberto Aires Braga de Sousa (autor de três projetos da primeira fase do Plano em Lisboa). No entanto, ao contrário do que acontece com o projeto de Dário Vieira da Silva para o Arco do Cego, este não se encontra condicionado pela preexistência, assumindo plenamente a sua modernidade. Apresenta uma planta longitudinal, simples, surge a norte do edifício anterior, desenvolvendo-se, em dois e três pisos. A sua cobertura é plana. As fachadas são rebocadas e pintadas a branco e sangue de boi, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril e verga corridos, de alvenaria simples. A fachada principal encontra-se orientada a sul, com três pisos, sendo o primeiro correspondente ao recreio coberto, uma galeria aberta sobre pilotis. Tal como o edifício original já continha arte aplicada à arquitetura, o edifício novo tem um baixo-relevo alusivo ao fabrico do vidro da autoria de Inácio Vitorino Perdigão. Em 1957 o edifício encontrava-se pronto a funcionar.

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Escola Primária n.º 52 de Lisboa / Grupo Escolar da Rua da Bela Vista à Lapa / Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 72 de Lisboa

IPA.00035620
Portugal, Lisboa, Lisboa, Estrela
 

Grupo escolar composto por dois edifícios de épocas diferentes. Ocupa um lote irregular sensivelmente a meio da Rua da Bela Vista à Lapa, nas imediações da Ermida dos Navegantes (v. IPA.00004741). A sua fachada principal ainda está incluída na ZEP da Basílica da Estrela (Portaria, DG, 2.ª série, 14 dez. 1955, n.º 288, sem restrições). Resulta da articulação do imóvel original, uma casa residêncial, unifamiliar, projetada e construída na segunda metade do século XIX, contemporânea da malha urbana em que se insere, e adaptada posteriormente ao ensino, com um segundo edifício erguido na década de 1950, com projeto de Alberto Aires Braga de Sousa (autor de três projetos da primeira fase do Plano em Lisboa e do segundo edifício do Grupo Escolar da Calçada da Tapada). No entanto, ao contrário do que acontece com o projeto de Dário Vieira da Silva para o Arco do Cego, este não se encontra condicionado pela preexistência, assumindo a sua modernidade, como já acontecia no segundo edifício da Calçada da Tapada. O novo imóvel é edificado no interior do lote, que preenche discretamente sendo completamente invisível a partir da rua. Insere-se numa cota mais baixa, para o que aproveita o declive natural do terreno. Surge a sudeste do edifício original, orientando neste sentido as suas entradas, as salas de aula encontram-se viradas a sul/sudoeste, como forma de melhor aproveitar a orientação solar. A sua cobertura é telhada a duas águas. As suas fachadas são rebocadas e pintadas a bege, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril e verga corridos, de alvenaria simples. Em 1955, o Grupo Escolar encontra-se pronto a funcionar.

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Grupo Escolar Primário da Praça de Goa / Escola Básica n.º 63 / Escola Básica do 1.º Ciclo do Restelo e Jardim de Infância de Santa Maria de Belém

IPA.00022025
Portugal, Lisboa, Lisboa, Belém
 

Grupo escolar projetado e construído no final da década de 1950, por Carlos Rebelo de Andrade. Ocupa um lote regular a meia encosta da pendente inclinada que sobe de Belém ao Alto do Restelo, no centro de uma célula habitacional do Plano de Urbanização da Encosta da Ajuda (v. IPA.00026247). Muito embora tenha iniciado a terceira fase do Plano dos Centenários em Lisboa, este equipamento ainda não contempla as alterações introduzidas para esta fase, pois já se encontrava em conclusão quando estas foram aprovadas. Apresenta uma planta conseguida pela articulação dos dois “edifícios gémeos”, idênticos, de dois pisos, dispostos paralelamente no terreno, que se ligam, a partir de dois módulos (alpendres constituídos por laje de betão apoiada em pilares de secção quadrada de tijolo aparente de um só piso), com um terceiro corpo, também de um piso (cantinas/refeitório), em forma de crescente, que acompanha o canto arredondado da quadricular Praça de Goa, com que confronta. As suas coberturas são planas. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, rasgadas por amplas janelas retilíneas com moldura de alvenaria simples e caixilharia de metal pintado de branco, protegidas por lamelas móveis de eixo horizontal. Os corpos letivos apresentam fachadas principais viradas a sul, adossados a estes corpos encontram-se os alpendres cobertos, que criam amplos recreios cobertos, que abrem para o recreio descoberto. Nas escadas de ambos os corpos letivos existem dois painéis de faiança policroma da autoria do ceramista Jorge Barradas, na secção feminina, uma menina ensinando outra (mais pequena) a ler, na secção masculina, um rapaz ensinando outro, mais novo, a fazer contas no quadro de ardósia. Do mesmo autor são os revestimentos azulejares, policromos, figurativos, representando, meninas ou meninos (consoante a secção) a brincar em cenas separadas por árvores cinza sobre lambril axadrezado a branco e cinza, que decoram as paredes de ambos os refeitórios. O imóvel foi inaugurado em 1958.

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Grupo Escolar da Célula 8 do Bairro de Alvalade / Escola Primária n.º 101 / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Teixeira de Pascoais

IPA.00035374
Portugal, Lisboa, Lisboa, Alvalade
 

Grupo escolar projetado e construído na década de 1950, por Ruy Jervis de Athouguia. Ocupa um lote irregular no centro da Célula 8 do Bairro de Alvalade (v. IPA.00030728), numa área de quarteirões abertos formados por edifícios de 3 e 4 pisos. Incluído na ZEP do Solar da Quinta dos Lagares del Rei (DR, 2.ª série, 18 nov. 1982, n.º 267, sem restrições). Apresenta uma planta poligonal, composta, conseguida pela articulação de três corpos de um só piso, um central quadrangular a que se adossam, lateralmente, os dois “edifícios gémeos”. As coberturas são planas, em terraço, aproveitando o desnível do terreno. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco, nalguns casos revestidas a pedra, ou a formar grelha de tijolo, são rasgadas por amplas janelas retilíneas de caixilharia de alumínio branco e moldura de alvenaria simples. Este projeto apresenta um profundo caracter funcional e minimal, concebido segundo uma linha marcadamente horizontal, cada um dos seus “edifícios gémeos” é formado por um conjunto de oito salas/pavilhões modelares nos quais são rasgadas amplas janelas que permitem a criação de uma relação intimista entre o interior e o exterior, particularmente presente na existência de pequenos pátios exteriores privativos. As salas de aula comportam já as novas dimensões previstas (7 x 9 metros). A separação entre os sexos era garantida pela entrada independente e pela existência de amplos recreios cobertos separados por um muro. No extremo sudoeste do terreno desenvolve-se um anexo, com entrada independente, destinado a ginásio/salão de festas (edifício de interesse local), que se adossa ao corpo principal perpendicularmente ao topo sul por um muro de pedra que dá origem a dois grandes alpendres (recreios cobertos). O grupo escolar é inaugurado em 1960.

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Grupo Escolar do Poço do Bispo / Escola Básica do 1.º Ciclo Professor Agostinho da Silva e Salão de Festas do Vale Fundão

IPA.00035621
Portugal, Lisboa, Lisboa, Marvila
 

Grupo escolar projetado e construída no final entre 1958-1961, por Luís Américo Xavier. Ocupa um lote regular no sopé da Azinhaga do Vale Fundão, a poente da Avenida Infante D. Henrique. Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação de três edifícios dispostos paralelamente no terreno, os “dois edifícios gémeos”, de dois pisos, e o edifício das cantinas/refeitórios, de um só piso, que se dispõe perpendicularmente aos anteriores, contíguo à secção masculina, ajudando a delimitar o espaço reservado ao recreio feminino (mais reservado). Adossado ao corpo das cantinas/refeitórios, ligando-o ao corpo letivo da secção feminina encontra-se um alpendre coberto (criado por laje de betão sobre pilotis), ao contrário dos restantes edifícios analisados, neste grupo escolar não existe recreio coberto na secção masculina. As coberturas são em placas de fibrocimento, de uma só água. As fachadas são rebocadas e pintadas de beije, branco e azul, nalguns casos revestida a pedra, amplamente rasgadas de por janelas retilíneas com moldura de alvenaria simples e caixilharia de metal pintado de branco, protegidas por pala superior em betão. A assinalar a entrada em cada uma das secções do Grupo Escolar encontra-se uma escultura de vulto, na secção feminina, uma menina com um pássaro na mão, na secção masculina, um menino com um gato ao colo, trata-se de duas esculturas bastante estilizadas da autoria do escultor Raul Xavier, pai do arquiteto projetista, feitas de encomenda para a escola. Paralelo aos dois corpos letivos e com entrada igualmente orientada a sul, independente do restante grupo escolar, está o edifício de interesse local, com ginásio e salão de festas, uma novidade introduzida nesta fase do plano e que se propunha servir não só a população escolar como ser aberto à comunidade. Neste edifício existe ainda, também da autoria de Raul Xavier, um baixo-relevo mostrando dois meninos e uma menina a lançar um papagaio, que figura na parede do corpo de interesse local. O grupo escolar é inaugurado em 1960, encerrando a terceira fase do Plano dos Centenários em Lisboa. Por se encontrar em obras aquando da elaboração do presente inventário, não dispomos de imagens deste grupo escolar.

Grupo Escolar de Santa Quitéria / Escola Primária n.º 165 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Rainha Santa Isabel

IPA.00035629
Portugal, Lisboa, Lisboa, Campo de Ourique
 

Grupo escolar projetado e construído entre 1957-1961, por Júlio do Nascimento Casais, João Sousa Araújo e Luís Fernandes Pinto. Ocupa um lote irregular totalmente inserido na malha urbana, predominantemente habitacional, de construção anterior. Encontra-se numa área em declive, a meio da encosta que desce do Largo do Rato para a Praça da Estrela. O projeto para a Travessa de Santa Quitéria é muito condicionado pelas particularidades do terreno, muito exíguo e acidentado, pelo que não só mantem as dimensões para as salas de aula previstas para as primeiras fases do Plano, como reduz o seu número para doze. É o único projeto do Plano dos Centenários construído na capital com apenas um bloco letivo, desenvolvendo-se em altura, no entanto, consegue manter as duas secções completamente separadas e com os recursos habituais (dois recreios, cobertos e descobertos, salas de aula em secções autónomas, autonomia das cantinas/refeitório). Apresenta, assim, uma planta poligonal, conseguida pela articulação de um corpo principal, de quatro pisos, ao qual se adossa, a partir de uma estrutura alpendrada, a nordeste, um outro corpo, mais pequeno, também de quatro pisos, de planta levemente trapezoidal. As coberturas são de uma só água, em placa de fibrocimento. As fachadas são rebocadas e pintadas de amarelo e branco, sendo, os terceiro e quarto pisos da fachada principal revestidos a tijolo aparente. A fachada principal do corpo letivo, orientada a nascente, é rasgada por amplos janelões em todo o pé-direito, precedidos por varandim assente em pilotis e com guarda metálica. Originalmente eram, igualmente, servidos por palas de proteção solar em fibrocimento. Nos recreios cobertos de ambas as secções encontram-se pinturas murais com cenas de brincadeiras (meninos na secção masculina, meninas na feminina), da autoria do pintor João de Sousa Araújo, que foi igualmente um dos arquitetos do grupo escolar. O grupo escolar foi inaugurado em 1961.

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Grupo Escolar do Bairro das Furnas / Escolas Primárias n.º 49 e 50 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância Frei Luís de Sousa

IPA.00035626
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Domingos de Benfica
 

Grupo escolar projetado e construído entre 1958-1961, por Pedro Quirino da Fonseca. Ocupa um lote irregular na pendente ligeiramente inclinada a sul da Estrada de Benfica, no Bairro das Furnas. Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação de três corpos, os dois “edifícios gémeos”, alongados, de dois e três pisos, ligados entre si por alpendre criado por placa de betão sobre pilotis e sustentado por parede fundeira, e um terceiro corpo (cantinas/refeitórios). As coberturas são, maioritariamente, em chapa de fibrocimento a duas águas. As fachadas, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril corrido de alvenaria simples e caixilharia de metal pintado de branco, são rebocadas e pintadas de amarelo e verde, sendo as paredes laterais dos dois corpos principais revestidas a tijolo aparente e duas das do terceiro corpo revestidas a pedra. Este projeto é concebido com apenas doze salas de aula. De destacar o uso do tijolo aparente como elemento decorativo (que repete no interior das salas de aula) e que faz lembrar a Escola Primária do Bairro de São Miguel (v. IPA.00035377) projetada na segunda fase do Plano dos Centenários, por Ruy Jervis de Athouguia. Uma das características introduzidas pela revisão dos projetos do Plano dos Centenários em Lisboa, a partir da sua terceira fase foi a construção de um edifício de interesse local, independente do restante grupo escolar, com salão de festas e ginásio, que se propunha servir não só a população escolar como ser aberto à comunidade. O Grupo Escolar do Bairro das Furnas foi um dos poucos em que este edifício foi efetivamente construído, sendo de supor que esteja na origem do entretanto muito alterado Centro Cultural João das Regras, espaço da Junta de Freguesia contíguo à escola. O grupo escolar é inaugurado em 1962.

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Grupo Escolar do Bairro da Madre de Deus / Escola Primária n.º 138 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo do Bairro da Madre de Deus

IPA.00035623
Portugal, Lisboa, Lisboa, Beato
 

Grupo escolar projetado e construído entre 1958-1961 por Luís Benavente. Ocupa um lote irregular no extremo noroeste do Bairro da Madre de Deus (v. IPA.00022026), no vale de Chelas. Apresenta uma planta resultante da articulação entre os dois “edifícios gémeos”, dispostos paralelamente no terreno, embora de forma assimétrica, e o corpo das cantinas/refeitórios, central. Entre este corpo e os letivos, encontram-se os alpendres, criados por laje de betão sobre pilotis, que servem o recreio coberto, e que permitem estabelecer a separação entre ambas as secções, direcionando os recreios (coberto e descoberto) para direções opostas. As coberturas dos dois corpos principais (corpos letivos) são telhadas em quatro águas, sendo a do corpo central (cantinas/refeitório) e as das estruturas alpendradas, em placas de fibrocimento, de uma só água. As fachadas apresentam um soco de cantaria, são rebocadas e pintadas de amarelo, amplamente rasgadas por janelas retilíneas com moldura de cantaria e caixilharia de metal pintado de branco, protegidas por pala. Este projeto, que muito embora só tenha sido construído na quarta fase do Plano, já se encontrava previsto desde o início da construção do bairro, talvez por isso pode ser considerado conservador, tradicional, contido e funcional na adaptação ao terreno e na utilização da luz. De notar, como único elemento decorativo, os lambris de azulejo Viúva Lamego com ingénuos motivos campestres e florais que decoram átrio, corredores e refeitórios. É inaugurado em 1961.

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Grupo Escolar do Bairro de Santa Cruz de Benfica / Escola Primária n.º 71 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo do Parque Silva Porto e Jardim de Infância d n.º 2

IPA.00035627
Portugal, Lisboa, Lisboa, Benfica
 

Grupo escolar projetado e construída entre 1958 - 1961, por João Vaz Martins. Ocupa um lote irregular no Bairro de Casas Económicas de Benfica (v. IPA.00019840), de construção coeva, junto ao Parque Silva Porto. Apresenta uma planta conseguida pela articulação de dois “edifícios gémeos”, de dois e três pisos, dispostos paralelamente no terreno, em posição assimétrica, interligados entre si por um alpendre criado por laje de betão sobre pilotis, de um e dois pisos, que se desenvolve perpendicularmente. Afastado dos restantes edifícios, a nordeste, encontra-se um terceiro corpo, de um e dois pisos, respeitante às cantinas/refeitórios. As coberturas são de duas águas, sendo as dos dois edifícios principais em placas de fibrocimento e a do terceiro telhada. As fachadas eram originalmente rebocadas e pintadas de sangue de boi e branco, sendo atualmente brancas, rasgadas por janelas retilíneas com peitoril corrido de cantaria e separadas entre si por colunelo de alvenaria simples, e soco de pedra. A fachada principal do corpos letivos é virada a sul, com dois pisos a do corpo mais a norte (antiga secção feminina) e com três pisos a do corpo sul (antiga secção masculina). Neste projeto, será de notar a forma como foi retirado partido do declive natural do terreno para criar um piso sob um dos corpos letivos um dos recreios cobertos, que se prolonga para um piso escavado no terreno sob o alpendre do outro recreio coberto. Este alpendre estabelece uma rigorosa separação de ambas as secções. De notar, igualmente, a utilização plástica do betão na criação da grelha de iluminação que serve de parede fundeira à estrutura alpendrada. Por último, merece menção a posição resguardada do edifício da cantina face ao edifício escolar. As entradas nos dois edifícios letivos e das cantinas/refeitórios são assinaladas por baixo-relevos com cenas alusivas à vida escolar da autoria do escultor Hélder Baptista. É inaugurado em 1962. Alvo de obras recentes, este edifício encontra-se hoje bastante alterado.

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Grupo Escolar dos Olivais / Escola Primária n.º 175 de Lisboa / Escola Básica do 1.º Ciclo e Jardim de Infância de Santa Maria dos Olivais

IPA.00035622
Portugal, Lisboa, Lisboa, Olivais
 

Grupo escolar projetado e construído por Victor Palla e Joaquim Bento de Almeida entre 1958 – 1961. Ocupa um lote irregular no centro da Célula A do Bairro dos Olivais-Norte (v. IPA.00029900). Insere-se na malha urbana que lhe é coeva e com a qual estabelece uma relação de grande proximidade, tendo sido implantado na parte publica de logradouros dos edifícios de habitação da frente oeste da Rua Alferes Barrilaro Ruas (v. IPA.00029900). Apresenta uma planta poligonal, conseguida pela articulação de cinco corpos de um só piso que se desenvolvem em “leque”, de poente para nascente, acompanhando a grande curva da Rua General Silva Freire. Ao centro encontra-se o corpo dos serviços comuns, perpendicular aos restantes. As suas coberturas são maioritariamente telhadas, de uma só água, sendo as do edifício central e recreios cobertos em fibrocimento. As fachadas são rebocadas e pintadas de branco e rosa, amplamente rasgadas por janelas retilíneas com moldura de alvenaria simples e caixilharia de metal pintado de branco. Neste projeto, a estrutura modelar da sala de aula desempenha particular importância. Ao invés dos dois corpos simétricos destinados às duas secções, temos as oito salas de aula de cada secção distribuídas por vários corpos modelares no espaço delimitado para a sua secção, individualizado pelo corpo dos serviços comuns e pelos recreios cobertos. Cada sala dispõe de um espaço semifechado que lhe permite a criação de um recreio ao ar livre individualizado. Esta solução tinha já sido ensaiada no grupo escolar projetado por Ruy Jervis de Athouguia para a Célula 8 do Bairro de Alvalade. A separação entre as duas secções é conseguida através do corpo dos serviços comuns (secretaria e gabinetes) perpendicular no terreno, a partir do qual se desenvolvem em espelho as duas cantinas e um dos recreios cobertos. De acordo com a Memória Descritiva do projeto foi encomendado ao pintor António Alfredo um motivo decorativo que deveria “fazer conjunto” com o mastro para a bandeira nacional, para o que estaria reservado em planta um pequeno espaço triangular, junto à entrada da escola, muito embora este projeto tenha ido à CMAA não deverá ter sido executado. Este grupo escolar encerra a aplicação do Plano dos Centenários pela autarquia de Lisboa, estando pronto a funcionar apenas em 1965.

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