Convento de Santa Maria do Bouro / Pousada de Santa Maria do Bouro

IPA.00001123
Portugal, Braga, Amares, Bouro (Santa Maria)
 
Arquitectura religiosa, românica, maneirista, barroca, rococó, neoclássica e contemporânea. Mosteiro primitivamente beneditino, passando depois a cisterciense, de planta composta por igreja longitudinal, de nave única, com duas torres sineiras a ladear a fachada principal, endonártex bastante profundo, capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor profunda, e dependências monacais, com claustro desenvolvido lateralmente à igreja, integrando a sacristia rectangular, adossando-se a este, corpo em L invertido, formando pátio, e no extremo, corpo quadrangular da cozinha velha e estreito corpo rectangular correspondente à residência paroquial, com pátio entre os dois corpos. A igreja conserva do período românico, a sua fachada lateral N., sendo ainda visível a cachorrada de remate original. O espólio arqueológico mais antigo, nomeadamente elementos arquitectónicos e decorativos dispersos, em que sobressaem aduelas profusamente decoradas de antigos portais, e de algum espólio cerâmico, apontam para uma cronologia em torno dos finais do séc. 12, princípios do séc. 13. O mosteiro primitivo seria constituído provávelmente por uma igreja de três naves com cabeceira tripartida de planta rectangular, e os edifícios monacais organizavam-se à volta do claustro encostado à parede meridional da igreja. O resto da igreja apresenta decoração barroca, com fachada principal de três registos, o primeiro com arcada serliana de acesso ao exonártex, a segunda correspondendo a nichos com imaginária, ligada ao mosteiro e o último com três janelas, as laterais em meia lua. Apresenta um remate com frontão de volutas com as armas da Ordem no tímpano. Interior com nave coberta por falsa abóbada de arestas, em madeira. Retábulos laterais e do cruzeiro, neoclássicos. Cruzeiro com cobertura em abóbada de arestas. Sanefas dos arcos do cruzeiro rococós, com decoração de acantos e concheados. Retábulo-mor barroco joanino. Sacristia integralmente revestida com azulejos joaninos, e cobertura em tectos de caixotões de decoração barroca, com anjos, acantos, festões e drapeados. Dependências monacais, desenvolvidas lateralmente à igreja, segundo o modelo beneditino, com fachadas maneiristas, com claustro com arcada plena, encimada por janelas de sacada. Interior totalmente remodelado no final do séc. 20, para pousada, classificada como Pousada Histórica Design, com decoração contemporânea. Cozinha velha, com três espaços, serparados por arcos abatidos, possuindo no central grande mesa de pedra, e colateralmente ao arco de acesso ao espaço encimado pela grande chaminé, dois lavabos de taças bojudas. A igreja apresenta um endonártex bastante profundo, dividido em dois tramos. O edifício apesar de ter sido reconstruído já durante a Ordem de Cister, apresenta alusões à primitiva Ordem beneditina, nomeadamente através das várias representações de São Bento, em dicotomia com as de São Bernardo de Claraval, fundador da Ordem de Cister. O lavabo da antesacristia é monumental, com excelente trabalho de cantaria, também ele com alusão à Ordem beneditina, patente através do leão. Os azulejos da sacristia, possivelmente de Teotónio dos Santos, constituem uma das primeiras manifestações da designda "grande produção joanina", pelo tratamento mais leve e estereotipado da pintura e dos ornatos das cercaduras influenciados pela obra do mestre P. M. P., e, ainda que não tenham o requinte das obras dos outros mestres, possui considerável graça e poder decorativo. Na adaptação das dependências monacais a pousada, o arquitecto optou pela recuperação do imóvel mantendo, no entanto, a imagem natural que ostentava nos últimos anos, preferindo não colocar nenhum telhado na cobertura e utilizando nas janelas apenas vidro, dando a sensação de existirem apenas as fachadas. No interior manteve praticamente toda a compartimentação original, optando pelo despojamento dos materiais, das formas e da decoração. Às salas intercomunicantes foram retiradas as portas, deixando apenas os vãos, sendo algumas portas originais usadas como painéis decorativos nas paredes, como memória da decoração passada. A grande chaminé da cozinha velha domina o topo da fachada posterior, utilizando para além do granito, o tijolo estreito. Estabelecimento de hotelaria inserido na rede Pousadas de Portugal, integrando o grupo das Pousadas Design Histórico.
Número IPA Antigo: PT010301190006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  

Descrição

Planta composta por igreja longitudinal, de nave única, com duas torres sineiras a ladear a fachada principal, endonártex bastante profundo, capelas laterais intercomunicantes, transepto inscrito e capela-mor profunda, e dependências monacais, adaptadas a pousada, com claustro desenvolvido lateralmente, a S. da igreja, integrando a sacristia rectangular, adossando-se a este, a O., corpo em L invertido, formando pátio, e no extremo E., corpo quadrangular da cozinha velha e estreito corpo rectangular correspondente à residência paroquial, com pátio entre os dois corpos. Volumes articulados de dominante horizontal, quebrados pelo verticalismo das duas torres sineiras. Coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e capela-mor, quatro águas no cruzeiro, nas torres sineiras, cúpulas bolbosas rebocadas e pintadas de branco, vazadas por óculos, coroadas por cata-vento com esfera armilar, o da torre S., com báculo e leão, e chapas de ferro modelado na pousada. IGREJA com fachadas rebocadas e pintadas de branco, excepto a lateral virada ao claustro, que se apresenta em aparelho de granito rusticado, com embasamento, enquadradas por cunhais apilastrados toscanos, com corpos delimitados por pilastras toscanas colossais, ambos encimados por pináculos. Fachada principal orientada, enquadrada pelas torres sineiras. Pano central de três registos, separados por cornijas, rematado por frontão de volutas, com o brasão da Ordem de Cister e de Portugal, no tímpano, coroado por cruz sobre acrotério com volutas. Primeiro registo com arcaria plena serliana, de acesso ao endonártex. Segundo registo com três edículas, concheadas, com aletas, rematadas por frontão triangular, albergando as imagens de Nossa Senhora da Assunção, ladeada por São Bento e São Bernardo de Claraval. Terceiro registo com janela quadrangular, ladeada por duas em quarto de lua. Interior do endonártex de três tramos, separados por arcos plenos, com coberturas independentes em abóbadas de berço rebocadas e pintadas de branco. Ao centro rasga-se o portal principal, de verga recta. Torres sineiras idênticas, de dois registos, separados por cornija, correspondendo o último à sineira, de ventanas em arcos plenos. No cunhal da torre S., encontra-se relógio de sol. Remates em cornija, com gárgulas de canhão nos ângulos. Fachada lateral N., rematada por cornija sob beiral, sendo a do pano da nave, suportada por cachorrada. O pano da nave é rasgado por frestas entaipadas e por três janelas rectangulares, elevadas para além da cornija de remate, formando águas furtadas, rematadas por beiral. Na zona correspondente ao transepto, rasgam-se dois portais, um de verga recta, e outro pleno entaipado. São encimados por dois janelões rectangulares. Pano da nave rasgada por par de janelões e pequenas janelas quadrangulares. Panos do cruzeiro rasgados por par de janelas quadrangulares, entaipadas e lateralmente janela em arco abatido. Fachada lateral S. virada ao claustro rasgada por três janelas rectangulares, elevadas para além da cornija de remate, formando águas furtadas, rematadas por beiral. Fachada posterior, com pano da capela-mor cego, em empena coroada por cruz latina sobre acrotério e esfera. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco. Nave coberta por tecto de madeira pintado de branco, formando falsas abóbadas de aresta com pendentes centrais em talha dourada. Pavimento em laje de granito. Coro-alto sobre o endonártex, com guarda em balaustrada de talha, com balcões destacados nos extremos suportados por modilhões de talha. Guarda-vento de madeira, com cobertura em cúpula bolbosa. A ladear o guarda-vento, do lado do Evangelho, encontra-se baptistério definida por supedâneo rectangular, com pia baptismal de taça gomada, assente em plinto bojudo. Do lado oposto encontra-se pia de água-benta. Capelas laterais, intercomunicantes, são abertas por arcos plenos, assentes em pilastras toscanas, encimadas por janelões, com brincos, guarda de ferro e sanefas de talha dourada. Por detrás dos janelões encontra-se corredor, que se forma sobre as capelas. Entre as capelas encontram-se estátuas pétreas, assentes em grandes mísulas de talha policroma, a rosa, verde e dourado, com querubins. As estátuas representam, do lado do Evangelho, São Mateus, São João Evangelista, e São Luís, rei de França, e do lado da Epístola, São Marcos e São Lucas. Entre as duas últimas capelas do lado da Epístola, encontra-se púlpito de base em granito, rectangular, assente em modilhão. Apresenta guarda plena, em talha policroma, com marmoreados a castanho, verde e decoração marcada a dourado, bojuda na base, com ornatos de besantes e decoração fitomórfica. O acesso ao púlpito é feito através do corredor existente entre as capelas. As capelas, protegidas por grades de madeira, com balaustrada, são cobertas por abóbada de aresta, rebocada e pintada de branco. Paredes laterais com silhar de azulejos e pintura mural, rasgadas por porta de verga recta. Paredes testeiras com retábulos idênticos em talha policroma. Cruzeiro, sobrelevado por degrau, protegido por grade em madeira, com balaustrada idêntica à das capelas laterais, coberto por abóbada de abertas rebocada e pintada de branco, assente em arcos marmoreados. Braços do transepto, abertos por arcos plenos, com grandes sanefas em talha policroma, com cores idênticas à restante talha da nave, decoradas por renda, volutas, grinaldas, urnas com flores, e ao centro o Sagrado Coração com resplendor. Topos dos braços, com retábulo de talha policroma, ao centro, ladeado por porta e nicho com altar. Acesso à sacristia, na porta do lado da Epístola. Do lado do Evangelho, o retábulo é dedicado à Ascensão de Cristo, e do lado oposto, à da Virgem. Arco triunfal pleno, assente em pilastras toscanas emolduradas, com grande sanefa de talha idêntica às dos barcos do transepto, com grande brasão da Ordem, ladeado por anjos, no fecho. Capela-mor protegida por guarda de comunhão, com balaustrada de madeira. Cobertura em abóbada de berço de madeira pintada de azul. Pavimento em laje de granito. Paredes laterais com cadeiral de talha, de duas filas, com espaldar decorado por doze painéis relevados, figurando paralelamente episódios da vida de São Bento e São Bernardo. Do lado do Evangelho, São Bernardo ao pé da Virgem, recebendo o hábito em Cister, refeitando as honras do mundo, etc. Do lado oposto, representação de São Bento a receber o hábito, derrotando Totila, rei dos Godos, a morte, etc. No lado do Evangelho a encimar o cadeiral, encontra-se tribuna com guarda vazada de talha, albergando o órgão. Retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava, de três eixos, rematado por entablamento encimado por espaldar recortado com imagem sobre mandorla, sobrepujado por sanefa com lamberquim. Tribuna em arco pleno, com trono. Eixos laterais com peanhas com imaginária, entre colunas compósitas com decoração fitomórfica. Banco bastante elevado, com sacrário ao centro. Sotobanco com portas, nos eixos laterais, de acesso à tribuna, encimadas por rica composição fitomórfica. Antesacristia com grande lavabo assente em supedâneo rectangular de um degrau, com espaldar enquadrado por pilastras toscanas, emolduradas, com conchas na base e volutas e grinaldas no terço superior. É rematado por entablamento com frontão de volutas interrompido por cartela encimada por pináculo com acantos. No centro do espaldar, a encimar taça trilobada, gomada, encontra-se estátua servindo de bica, representando anjo a segurar um leão. Sacristia de dois tramos, com dupla arcaria plena, assente em coluna central dórica. Arcos com revestimento de azulejos setecentistas monocromos a azul, com barras decoradas por volutas. Intradorso dos arcos pintados com anjos, acantos, festões e drapeados. Cobertura de caixotões de madeira, pintados, com motivos idênticos aos do intradorso dos arcos. Pavimento em laje de granito. Paredes revestidas com painéis de azulejos figurativos, monocromos a azul, figurando cenas da vida de São Bernardo, a lenda da sua irmã Umbelina, e cartelas com anjos. Paredes S. e O., percorridas por arcaz de pau-santo, com ferragens em latão. Parede E., entre janelas, com contador embebido na caixa muraria. DEPENDÊNCIAS MONACAIS com fachadas de um, dois e três registos, devido ao declive do terreno, em aparelho de granito rusticado, rematadas por cornija, com gárgulas de canhão, enquadradas por cunhais apilastrados toscanos, coroados por pináculos piramidais. São rasgadas por vãos de verga recta, de diferentes tamanhos, ora de verga recta, ora recortados, com vido único. Fachada principal, a N., virada à igreja, de dois e três registos, com mezzanino intermédio, possuindo no primeiro registo portais de verga recta, dois deles enquadrados por pilastras e coroados por frontão triangular. O do extremo direito, de acesso ao interior da pousada, e o do meio, conhecido como "porta dos carros", de ligação ao arco de passagem para pátio. Último registo ritmado por janelas de sacada com guarda de ferro, intercaladas por nichos com imagens pétreas, com lápide na base, com inscrições identificativas. As imagens representam a Sagrada Família, D. Afonso Henriques, D. Sebastião, Cardeal D. Henrique, D. João IV. Fachada lateral O., de três panos, o central estreito, delimitado por pilastras coroadas por pináculos piramidais, com remate em frontão recortado. De três registos, correspondendo o primeiro a janelas jacentes gradeadas, o segundo a janelas de peito e o terceiro a janelas de sacada iguais às da fachada principal, sendo a do pano central rematada por cornija e enquadrada por aletas. Fachada posterior, a S., com pano do topo do corpo em L, de três registos seguindo a mesma linguagem decorativa da fachada lateral O.. Panos virados ao pátio, também de três registos, possuindo o pano lateral O., no extremo, pedras em perpianho, e o pano central, no primeiro registo dois arcos, um de passagem para a fachada principal e outro aberto para vestíbulo com escadaria de pedra, com elevador junto ao vão da escada. Topo E. da fachada posterior, avançado, de um registo, com janelões gradeados entre mísulas, encimado por grande chaminé, sendo a metade superior em tijolo estreito. CLAUSTRO com fachadas de dois registos, e galerias abertas sem cobertura. Primeiro registo formado por arcaria plena, assente em colunas dóricas, sobre murete, aberto ao centro nos quatro lados. Segundo registo aberto por vãos de verga recta com sacada de granito. Pavimentos em laje de granito, com pátio rebaixado ao centro, com dois degraus, aberto por duas caleiras confrontantes e junto aos ângulos quatro canteiros com laranjeiras e bancos adossados em U, em cada um dos lados. INTERIOR com três pisos, consoante os corpos, devido ao declive do terreno. No primeiro piso do corpo em L, encontram-se dois grandes salões, que correspondiam à adega e tulhas, um rebocado e pintado de amarelo e outro em granito, correspondendo a salões de festas e auditório. Piso superior com acesso principal por vestíbulo que comunica com a recepção, lavabos, salas intercomunicantes, para televisão e bilhar, bar e alguns dos 30 quartos da pousada. No topo E., encontra-se vestíbulo com lavabo de granito, de acesso à cozinha velha, usada como restaurante. Apresenta paredes em granito, com três espaços definidos por arcos abatidos, de diferentes dimensões. Colateralmente ao arco que dá acesso ao espaço do topo E., coberto pela grande chaminé, encontram-se dois lavabos iguais, com espaldar inscrito em arco pleno, bica circular e taça bojuda. O espaço central apresenta grande mesa de pedra rectangular, com tampo monolítico, e porta de acesso ao antigo refeitório, usado como sala de banquetes. Acesso entre pisos feito por elevador na recepção e por escadaria de pedra, no corpo em L. Último piso correspondendo unicamente a quartos e duas suites, com corredor a percorrer todo o edifício, que parte de vestíbulo com tecto de madeira, com caixotões formados por vigas de ferro. Quartos com pavimentos em soalho e tectos falsos.

Acessos

EN 206, Lugar do Terreiro

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 42 007, DG, 1ª Série, nº 265 de 06 dezembro 1958 / ZEP, Portaria, n.º 1277/2005, DR, 2.ª Série, n.º 243, de 21 dezembro 2005

Enquadramento

Urbano, isolado, separado da povoação pela EN, implantado em encosta, em plena Serra de São Mamede, rodeado por propriedade agrícola da antiga quinta do mosteiro. A igreja é precedida por ampla escadaria junto ao ângulo que esta forma com o edifício monacal, de dois lanços com patamar intermédio. Na antiga cerca monacal dispoêm-se a esplanada, dois tanques de pedra, paralelamente à fachada posterior do mosteiro, piscina oval, campo de ténis, jardins percorridos por calçada portuguesa, horta, laranjal, olival e campos de vinha.

Descrição Complementar

TALHA: Retábulos laterais idênticos, de planta recta, um só eixo. Remate em cornija, elevada ao centro e semicírculo, encimada por espaldar com querubins e remate em cornija quebrada. Tribuna com painel pintado com alusão ao orago, à excepção do último retábulo, do lado do Evangelho, junto ao cruzeiro, que apresenta nicho em arco pleno, com bandeira. A tribuna é enquadrada por colunas compósitas, demarcadas no terço inferior por estrias, sobrepostas a pilastras compósitas. Nos extremos encontram-se peanhas com imaginária. Altares em forma de urna; retábulos do transepto idênticos, de planta recta, um só eixo, rematado por entablamento, encimado por espaldar rectangular, com aletas estilizadas, com anjos ao centro e coroado por frontão curvo. Tribuna com pintura do orago, ladeada por par de colunas compósitas, demarcadas no terço inferior por estrias e grinaldas. Altar em forma de urna assente em supedâneo de granito de três degraus.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Comercial e turística: pousada

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira (projecto de adaptação a pousada), Maria João Dias Costa (co-responsável pela reconstituição da cerca); DECORADOR: Cecília Cavaca; DOURADOR: Jerónimo Luís; ENSAMBLADOR: Agostinho Marques (mobiliário da sacristia), António João Padilha (duas grades de pau preto para a igreja); PINTORES: Teotónio dos Santos (atr. azulejos da sacristia), Manuel Furtado de Mendonça; Ângelo de Sousa, Álvaro Lapa, Rui Pais (pinturas de interior da pousada); ORGANEIRO: Manuel de Sá Couto.

Cronologia

1148 - D. Afonso Henriques faz doação do couto a monges beneditinos, sendo abade D. Paio Nunes, que teve importante papel nas lutas da reconquista; 1162, Outubro - documento da chancelaria de D. Afonso Henriques mencionando a existência de uma pequena ermida no local, dedicada a São Miguel, que segundo a lenda terá sido construída por dois beneditinos, após terem visto uma luz que lhes indicou o lugar onde estava escondida uma imagem da Virgem; 1195 - o mosteiro deixa a regra beneditina e passa a reger-se pela de Cister, de São Bernardo de Claraval, com a invocação de Nossa Senhora da Assunção; 1208 - o abade mostra ter pretensões à cadeira abacial de Alcobaça, ganhando o apoio do rei D. Sancho I; o mosteiro aparece pela primeira vez nas actas do Capítulo Geral de Cister; 1221 - o mosteiro é mencionado no testamento de D. Afonso II; 1271 - o mosteiro é mencionado no testamento de D. Afonso III; 1320 - o mosteiro tinha 2000 libras de rendimento; 1383 / 1385 - quando Castela invade Portugal em apoio de D. Beatriz, o abade de Bouro toma o partido do Mestre de Aviz e junta 600 homens para a defesa da linha de fronteira de Portela do Homem, conseguindo vencer as tropas galegas; em agradecimento, o condestável D. Nuno Álvares Pereira, confere ao abade o título de Capitão-Mor e Guarda das Fronteiras, com a possibilidade de levantar exército, sempre que fosse necessário; séc. 15 - o sistema de "Comenda" em que o abade era escolhido pelo rei origina a decadência do mosteiro; 1530, 5 Mar. - Carta dos religiosos do mosteiro pedindo a Rui Teles, fidalgo da Casa Real, que fizesse saber ao rei o estado de ruína do mesmo e que lhes remediasse o problerma; 1533 - só sete monges habitavam a abadia, segundo carta de visita de frei Cláudio de Bronseval, secretário do abade de Claraval; a igreja possuía três altares pobremente ornamentados; segundo o visitador havia "uns casebres que mais pareciam pocilgas (...) quando subimos encontramos sete monges sem cogula (...) os monges habitavam os casebres misturados com irmãos leigos de ambos os sexos"; 1536, 8 Fevereiro - visitação de Fr. Bernardo de la Fuente e Fr. Tomás Longa do Mosteiro de Nossa Senhora da Pedra, em Aragão, onde se refere que tinha de rendimento 300 mil reais, mandando que elevasse o número de monges para 10, que se fizessem três mesas para o refeitório e sereparasse as dependências do mosteiro; séc. 16, segunda metade - execução do cadeiral primitivo; 1582 - data do fecho do topo O. da ala S., do corpo em L, com a construção da "porta dos carros"; pouco depois completar-se-ia a ala O. do mesmo corpo, e mais tarde, acrescentar-se-ia um pequeno corpo, no topo S., do pano posterior da ala O.; séc. 17, finais - devido ao estado de degradação da igreja dá-se início a profundas obras de reconstrução; 1690, 28 Abril - António João Padilha, mestre ensamblador, fez umas grades para o cruzeiro da igreja e contrata a obra de duas grades de pau preto para duas capelas; 1692 - o mosteiro tinha 34 monges; séc. 18, início - ampliação da igreja, remodelação da sacristia e sala do capítulo, construção do refeitório e cozinha velha; para O. do claustro construiu-se uma nova ala, deslocando-se para aí a entrada principal do mosteiro; remodelação do cadeiral primitivo; douramento do retábulo-mor por Jerónimo Luís; 1715, cerca de - colocação dos azulejos na sacristia, atribuídos a Teotónio dos Santos; 1726/1727 - o mestre pintor Manuel Furtado de Mendonça recebe 20$600 por trabalhos realizados no mosteiro; 1761 - o mosteiro tinha trinta e seis monges; 1788 - viviam no mosteiro trinta e dois monges; 1798, 28 Dezembro - execução do órgão por Manuel de Sá Couto; séc. 18, final, séc. 19, início - execução dos retábulos laterais; 1834 - com a extinção das ordens religiosas a igreja passou a paroquial e o mosteiro foi abandonado, tendo sido posteriormente vendido em hasta pública; 1853 - transferência do órgão para a Igreja do Bom Jesus de Braga (v. PT010303580024); o mosteiro é propriedade da família Pais de Aguiar; 1986 - parte do mosteiro é adquirido pela Câmara Municipal de Amares, por 200 contos, e por esta doado ao IPPC; a Câmara Municipal de Amares propõe a instalação de uma Escola Agrícola no mosteiro; 1980 - a Secretaria de Estado do Turismo propõe a utilização do mosteiro como pousada; 1986 - o IPPC propõe a instalação no mosteiro, de um Centro de Estudos de Restauro; 1989 - projecto do arquitecto Eduardo Souto Moura e Humberto Vieira para adaptação das antigas dependências monacais a pousada; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1994 - início das obras de adaptação para a Pousada de Santa Maria do Bouro, inserida nas Pousadas de Portugal, geridas pela ENATUR; 2003 - na sequência da privatização da ENATUR a pousada passa a ser gerida pelo Grupo Pestana.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Estrutura, cunhais, embasamento, sacadas, cornijas de remate, arcadas, elementos decorativos, pavimento da igreja, sacristia e claustro, pia baptismal, base do púlpito, canteiros e bancos do claustro, tanques, lavabos, lareiras, chaminé e mesa da cozinha velha, em granito; coberturas da nave e capela-mor, retábulos, guardas do coro-alto, grades de comunhão, portas e janelas da igreja, guarda-vento da igreja e pavimentos da pousada, em madeira; arcaz e contador da sacristia em pau preto; azulejos tradicionais nas capelas e sacristia; azulejos industriais recentes nas casas de banho da pousada; tectos falsos de pladur na pousada; ferragens dos arcazes em latão; coberturas da pousada, cata-ventos das torres sineiras, guardas das sacadas e caixotões do vestíbulo da pousada, em ferro; coberturas da igreja em telha de canudo.

Bibliografia

BRITO, Frei Bernardo de, Crónica de Cister, 1602; SILVA, Domingos M. da, Entre Homem e Cávado, AMARES, 1959; SMITH, Robert C., A Talha em Portugal, Lisboa, 1963; MECO, José, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1989; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; Gil, Júlio, As Mais Belas Igrejas de Portugal, Lisboa, 1992; OLIVEIRA, Eduardo Pires de, O edifício do Convento do Salvador - De mosteiro de freiras ao Lar Conde de Agrolongo, Braga, 1994; C., Tecto da Sacristia retirado para restauro, A Voz da Abadia, Santa Maria do Bouro, 28 Fev. 1995; ANDRADE, Sérgio C., Pousada de Santa Maria de Bouro. A Arquitectura invisível de Souto Moura, Pública, nº 109, 21 Junho 1998, p. 38 - 43; FIDALGO, Joaquim, Renascer das Cinzas, Pública, nº 109, 21 Junho 1998, p. 44 - 45; BECKER, Annette, TOSTÕES, Ana, WANG, Wilfried, ALMEIDA, Pedro Vieira de, Arquitectura do século XX: Portugal, Centro Cultural de Belém, Lisboa, 1998; MOURA, Eduardo Souto de, VIEIRA, Humberto, Reconversão do Convento de Santa Maria do Bouro numa Pousada, architécti, 41, Lisboa, 1998; AAVV, Pousada Stª Maria do Bouro, s.l., 1997; GOMES, Saúl António, Visitações a Mosteiros Cistercienses em Portugal nos séculos XV e XVI, Lisboa, 1998; ASSIS, Francisco, Mosteiro de Santa Maria de Bouro nasceu da lenda da Virgem, in Diário do Minho, 16 Setembro 2004, pp. 22 - 28; PEREIRA, Pedro Antunes, Obras na igreja de Santa Maria de Bouro, in Jornal de Notícias Minho, 25 Setembro 2006, p. 21; LOBO, Susana, Pousadas de Portugal. Reflexos da Arquitectura Portuguesa no Século XX, Coimbra, Imprensa Universitária de Coimbra, 2006.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID, DREMN

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID, DREMN

Documentação Administrativa

DGEMN: DSID, DREMN; IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte I, maço 44, doc. 100

Intervenção Realizada

DGEMN: 1970 - consolidação do telhado da nave; 1978 - reparação do arcaz; 1979 - reparação da cobertura da igreja; 1980 - reparação do arcaz e cobertura da sacristia; 1981 / 1982 - reparação dos telhados da Igreja; 1985 / 1986 - obras de beneficiação na igreja: recuperação dos revestimentos azulejares na sacristia, obras de carpintaria, reconstrução do telhado e recuperação de coberturas; obras de consolidação. IPPAR: 1992 / 1995 - obras de conservação e recuperação da igreja; restauro das paredes exteriores e interiores; remodelação do telhado e substituição dos vitrais existentes; renovação do coro, a nível de soalhos e frisos laterais; modernização dos sistemas sonoro, de iluminação e instalação eléctrica; restauro da talha dourada dos retábulos colaterais e do retábulo-mor; recuperação da antiga residência paroquial e dos espaços superiores à sacristia e Sala do Capítulo; Enatur: 1994 - início dos trabalhos de adptação do edifício monacal a pousada; Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho: 1994 / 1995 - intervenção arqueológica: escavações prévias e de acompanhamento da obra; IPPAR: 2004, Setembro - início dos trabalhos de restauro do retábulo-mor e limpeza geral da capela-mor.

Observações

A designação oficial da classificação refere-se ao imóvel como "Convento", mas na verdade o mais correcto deveria ser "Mosteiro", pois tanto a Ordem de São Bento e como a de Cister tinham votos monacais, com clausura e prática da vida contemplativa; durante as obras de adaptação a pousada, procederam-se a escavações arqueológicas, as quais, puseram a descoberto algumas das estruturas românicas originais, bem como sepulturas do mesmo período, no local onde se julga ter existido o cemitério monacal, junto à fachada posterior da igreja.

Autor e Data

Isabel Sereno / João Santos 1993 / Paula Noé 1998 / Joaquim Gonçalves 2005

Actualização

 
 
 
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