Fortificações da Praça de Valença do Minho

IPA.00003527
Portugal, Viana do Castelo, Valença, União das freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arão
 
Arquitectura militar, medieval e seiscentista e setecentista. Fortificação abaluartada composta por dois polígonos irregulares e quase tangentes: o corpo principal da Praça, formada por sete baluartes, dispondo-se um em cada ângulo dos extremos, dois a E. e um a O., a maioria com falsas bragas, e três revelins, e a Obra Coroada a S., formada por três baluartes e dois revelins, um deles incompleto, e a N. por dois meios baluartes, todos com duas linhas de defesa. Paramentos em talude, com a escarpa exterior de duas secções escalonadas e cunhais aparelhados, sobrepostos por guaritas facetadas cobertas por cúpula, coroados por cordão e parapeitos, em cantaria irregular ou em tijolo de burro. Portas de arco em volta perfeita, normalmente encimadas por frontão com brasão, possuindo trânsitos com abóbadas de berço e, de um ou dos dois lados, casamatas também abobadadas e com frestas, molduradas. Na face virada ao interior, poternas de grande simplicidade, em arco de volta perfeita, terraplenos dos baluartes e revelins com reparos em torrão, cobertos por vegetação. Ambos os polígonos são envolvidos por fossos e contra-escarpa em torrão (areia com seixos do rio) cobertos por vegetação e com caminhos cobertos. Juntamente com a fortaleza de Viana, Caminha e Monção, constitui uma das quatro grandes fortalezas em que assentava a defesa do Noroeste português, a qual era complementada com pequenos fortes, como o Forte de São Vicente, o Forte da Feitoria Velha e outros existentes nas imediações de Valença. É a praça mais importante no género e da época em Portugal, caracterizando-se, segundo Rafael Moreira, por uma planta sofisticada com impressionante sobreposição de recintos fortificados e obras defensivas ao longo da encosta, de modo a tirar o máximo proveito das condições topográficas. A sua imponência e magnificência não estará certamente alheia à sua implantação frente a Espanha, constituindo uma "verdadeira vitrina dos recursos bélicos do País". Em 1713, integrava uma "tenalha à Vauban", hoje inexistente, o que constitui a primeira referência conhecida a este engenheiro francês, numa conjuntura em que predominava em Portugal a influência da Escola Holandesa de Fortificação (MOREIRA, 1986). A praça-forte foi construída de modo a envolver a muralha medieval, integrando no seu perímetro alguns trechos, um deles possuindo portal de arco quebrado com brasão nacional, e um outro igualmente com porta, conservando capitéis vegetalistas, o qual deveria ser flanqueado por torres; algumas plantas do séc. 18, representam ainda outros troços de muralha antiga, a cujo perfil se adaptou a traça urbana. Os dois paióis, o principal com uma cela e ante-câmara, possuem esquema complexo de frestas de arejamento no interior da caixa murária.
Número IPA Antigo: PT011608150003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Fortaleza    

Descrição

Planta composta de dois polígonos irregulares e quase tangentes: a Coroada, constituída a S. por três baluartes e dois revelins, um deles incompleto, e a N. por dois meios baluartes, todos com duas linhas de defesa, e a praça, sensivelmente oval, constituída por sete baluartes, dispondo-se um em cada ângulo dos extremos, dois a E. e um a O., a maioria com falsas bragas, e três revelins; ambos os polígonos envolvidos por fossos e contra-escarpa em torrão (areia com seixos do rio) cobertos por vegetação e com caminhos cobertos. Paramentos em talude, com a escarpa exterior marcada por duas secções escalonadas, em cantaria irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeitos, igualmente em cantaria irregular ou em tijolo de burro, disposto paralelamente ou formando quadrícula, e com canhoeiras. Virados aos terraplenos, os baluartes e revelins possuem reparos de torrão, cobertos por vegetação. Nos seus ângulos são coroados por guaritas facetadas assentes em mísulas molduradas e também facetadas, sendo inferiormente circundadas pelo cordão e superiormente rasgadas por pequenos vãos rectangulares dispostos na vertical; são cobertas por cúpula facetada sobre cornija rectangular e coroadas por bola sobre plinto. A S., fronteira à cortina onde se abre a porta da Coroada, dispõem-se o REVELIM DA COROADA com porta de arco em volta perfeita e aduelas em cunha, enquadrada por pilastras toscanas suportando entablamento centrado pelas armas de D. João Diogo de Ataíde, em cartela volutada e com coronel de nobreza, encimado por cornija encimada pelas armas de Portugal, entre aletas, com coroa fechada e, lateralmente dois plintos com bola. Os trânsitos da porta, em aparelho irregular, são rasgados a O. por frestas molduradas e cobertura em abóbada de berço; na face interior, porta simples de arco em volta perfeita e casamata com acesso por porta de verga recta. A escarpa interior em torrão coberto de vegetação possui duas rampas laterais de acesso com guarda em cantaria, integrando a do lado O. umas Alminhas. Entre os baluartes de São Jerónimo e o de Santa Ana, surge revelim em torrão coberto de vegetação. O acesso à COROADA, precedida por ponte de cantaria com guarda também de cantaria vazada, é feito por porta em arco de volta perfeita igualmente com as aduelas em cunha, enquadrada por duplas pilastras almofadadas suportando friso e frontão de volutas interrompido por tabela rectangular vertical com as armas nacionais, coroadas, sobre inscrição em cartela recortada, terminada em frontão curvo; sobre o arco, dispõe-se o brasão do visconde de Vila Nova de Cerveira, D. Diogo de Brito de Brito e Nogueira, com coronel de nobreza e ladeando o frontão duas bolas sobre plinto. As cortinas que ladeiam a porta são rasgadas por quatro frestas e os trânsitos por frestas molduradas de ambos os lados, cobertos por abóbada de berço e apresentando sensivelmente a meio porta de madeira chapeada a ferro; as casamatas têm acesso pelos trânsitos através de amplo arco abatido transformado em portal de verga recta, possuindo no interior, rebocado, pintado e abobadado, chaminé fronteira à porta. Na face interna, poterna de arco em volta perfeita simples e casernas rasgadas por frestas, janelas de diferentes modinaturas e do lado O. por portal de verga recta. A N. a Coroada tem duas portas falsas de acesso ao fosso, com trânsitos rampeados e abobadados, possuindo a meio estrutura de cantaria de suporte das portas; pelo fosso tem vão em arco de volta perfeita. Na gola do baluarte de São Jerónimo, ergue-se o PAIOL DO CAMPO DE MARTE, de planta em T, composto por antecâmara, a N., e célula de armazenamento, a S., e ambas rectangulares, envolvidas por anteparo de protecção, alto, rasgado frontalmente por portal em arco de volta perfeita, sobreposto pelo brasão dos Ataídes, e ladeado por pilastras suportando cornija, friso convexo e cornija encimada por brasão nacional entre aletas e com coroa, e possuindo na fachada posterior pilar saliente mais alto de suporte do pára-raios. O acesso às salas, com pavimento de madeira e cobertas por abóbada de berço, e exteriormente com telhado de quatro águas, faz-se lateralmente, por dois portais de verga recta rasgados na antecâmara, que se interliga à célula por vão central rectangular, que possuía duplas portas. A célula, exteriormente com dois contrafortes, é percorrida interiormente por bailéu. O espaço entre a antecâmara e o anteparo é pavimentado a ladrilho cerâmico, possuindo laje sepulcral do tenente-general João Vitória Miron de Sabione, Governador da Praça e fundador da Aula Real de Artilharia, e coberto por alpendre de madeira, sobrelevado na zona central da fachada principal. A PRAÇA tem os baluartes com terrapleno de torrão, coberto de vegetação e, junto às canhoeiras, plataformas com lajes de cantaria, algumas delas possuindo bocas de fogo; o acesso às falsas bragas é feito por túneis abobadados e com vãos em arco de volta perfeita simples. É rasgada por cinco portas, uma a S., por onde se faz a ligação entre a Coroada e a praça, possuindo passadiço com ponte fixa de cantaria com guarda também de cantaria, outra a E., uma a O. e outra a NO.. A porta principal, designada PORTA DO MEIO tem arco em volta perfeita de aduelas em cunha enquadrado por pilastras toscanas suportando duplo friso e cornija sobrepujada por brasão nacional, com coroa fechada, entre aletas e duas bolas sobre plintos laterais. Trânsitos rasgados por frestas molduradas e cobertos por abóbada de berço, possuindo a meio estrutura de sustentação de porta intermédia actualmente inexistente; virada ao terrapleno, poterna simples de arco em volta perfeita e casamata disposta a O., rasgada por porta de verga recta e janela jacente, e tendo o interior em cantaria aparente e juntas pintadas de branco, lareira com inscrição e cobertura em abóbada de berço. A O. entre o baluarte da Lapa e o de São João, poterna de arco em volta perfeita, com trânsito coberto de abóbada de berço conduzindo ao fosso e à fonte da vila. Fronteiro, dispõe-se o revelim da fonte da vila, com rampas laterais de acesso às canhoeiras e paiol na gola, acedido por duas portas de verga recta. Na cortina de São João, que integra troço da muralha medieval, rasga-se a porta de D. Afonso, tendo virada ao terrapleno arco abatido e, exteriormente, no nível inferior de defesa, arco quebrado de aduelas altas, tendo na flecha escudo nacional de escudetes deitados. A primeira porta a E. designa-se de PORTA DO SOL ou de Santiago, com poterna em arco de volta perfeita, ladeada por duas portas em arco abatido, janelas do mesmo perfil, ambas com fecho saliente e óculos ovais gradeados das antigas casa da Guarda e prisão; os trânsitos da porta são rasgados por seteiras molduradas e cobertos por abóbada de berço, possuindo a meio a estrutura de suporte de porta intermédia, conservando as dos extremos, de madeira, chapeadas a ferro; na face virada ao fosso é igualmente em arco em volta perfeita e fecho saliente muito simples. Esta porta é protegida pelo REVELIM DAS PORTAS DO SOL com duas rampas de acesso às canhoeiras e tendo na gola antiga caserna, abobadada. A última porta é chamada da Gaviarra ou de São Vicente, rasgando-se na gola do BALUARTE DO SOCORRO; sob este desenvolve-se túnel em cotovelo, abobadado, tendo logo no início um outro túnel de ligação ao nível inferior do baluarte, e integrando pouco depois a estrutura de uma das torres medievais, formando "poço de luz" que, superiormente, ao nível da plataforma, é protegido por gradeamento de ferro; nessa estrutura abre-se a chamada Porta Afonsina, com pilastras e impostas vegetalistas suportando a verga recta, com tímpano cego, inserido em amplo vão de arco quebrado de aduelas sigladas. Do lado do terrapleno da praça e junto ao início do túnel da porta existe a antiga casa da Guarda da Gaviarra, rasgada por porta de verga recta e janela quadrangular, molduradas; junto à porta Afonsina, surge ainda vão entaipado que fecha a primitiva cisterna. Na face externa do baluarte, a porta tem estrutura convexa, apresentando arco de volta perfeita sobre impostas salientes, enquadrada por pilastras toscanas que suportam semicúpula coroada por brasão nacional entre volutas e com coroa fechada; conserva porta de madeira chapeada a ferro. A cortina entre o baluarte de São Francisco e o do Socorro é reforçada por tenalha, rasgada por porta de verga recta, através da qual se faz a ligação entre a Porta da Gaviarra e o REVELIM DA GAVIARRA, disposto frontalmente; este tem rampa de acesso às canhoeiras e uma outra, colocada perpendicularmente, à falsa braga; poterna em arco de volta perfeita, e casamata rasgada por porta de verga recta e janela jacente; trânsitos abobadados, e com frestas molduradas; virada ao fosso e actualmente sem ponte que o transponha, a chamada porta de Monção, de arco de volta perfeita sobre impostas salientes, ladeada por pilastras toscanas que suportam arquitrave, sobreposta por brasão dos Noronha em cartela com enrolamentos e coronel de marquês, encimada por cornija e brasão nacional com coroa fechada ao centro e dois plintos laterais. O baluarte de São Francisco apresenta cavaleiro. Fronteiro à porta de D. Afonso, ergue-se o PAIOL DOS AÇOUGUES, com célula de planta rectangular, interiormente abobadada e com cobertura em telhado de duas águas, envolvido por anteparo de protecção, alto. Fachadas rebocadas e pintadas, com pilastras nos cunhais e terminadas em cornija, o anteparo com capeamento em cantaria convexo. O anteparo é rasgado por portal de arco em volta perfeita e aduelas em cunha ladeado por pilastras toscanas que suportam duplo friso e cornija, sobrelevada. A célula, possuindo dois contrafortes na fachada principal e posterior, com esbarro, é acedida por portal frontal, encimado por várias mísulas de suporte de antigo telheiro. Interiormente tem abóbada de berço e sistema complexo de arejamento, com condutas no interior dos muros que conduzem o ar de um menor número de frestas no exterior para um maior número no interior.

Acessos

Valença, Avenida dos Combatentes da Grande Guerra; Avenida do Cristelo. WGS84 (graus decimais) lat.: 42,027710; long.: -8,646844

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 15 178, DG, 1.ª série, n.º 60 de 14 março 1928 / ZEP, Portaria nº 65/2010, DR, 2.ª série, n.º 12 de 19 janeiro 2010

Enquadramento

Urbano, isolado. Ergue-se no cimo de dois outeiros aplanados, a cerca de 60 m de altitude, o da Coroada designado de Bom Jesus, sobre a margem esquerda do Rio Minho, fronteira à cidade espanhola de Tui. A praça envolve o núcleo antigo da vila, tendo os baluartes, revelins e restantes obras exteriores cobertas por vegetação rasteira. No fosso, entre os baluartes de Santo António e o da Esperança e entre este e o baluarte do Faro procede-se a estacionamento automóvel, no último possuindo mesmo parque. Também no fosso, mas a sul, junto ao baluarte de São João, ergue-se a Fonte da Vila (v. IPA.00022997).

Descrição Complementar

A Porta da Coroada tem a inscrição: PELOS ANNOS D XPO MDCC. IMPERANDO NA MONARCHIA LUSITANA D. PEDRO II E SENDO REGENTE DAS ARMAS DESTA PROVINCIA D. JOÃO DE SOUZA FOI FEITA ESTA OBRA ERECTA. Sobre o arco, surge escudo ovalado com as armas de D. João de Sousa (do Prado), esquartelado, tendo no I e IV quartel cinco escudetes carregados de besantes e no II e III um leão rampante, inseridas em cartela encimada por coronel de Conde. Na aduela do portal do paiol de Marte escudo recortado com as armas de Ataíde (4 bandas) envolto em paquife e troféus, e encimado por coronel de nobreza e tendo como timbre uma onça deitada. Na porta do revelim da Gaviarra, chamada de Portas de Monção, surge escudo português esquartelado com as armas do Governador das Armas da Província do Minho D. António de Noronha, tendo no I e IV cinco escudetes postos em cruz, cada um deles carregado com cinco besantes de campo postos em aspa, sete castelos e um filete em contrabanda e no II e IV um castelo e dois leões afrontados. A cortina de São Francisco apresenta escudo ovalado inserido em cartela com volutas superiores com as armas de Portugal encimado por coroa fechada.

Utilização Inicial

Militar: fortaleza

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural / Comercial e turística: loja

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 13 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Sebastião Pereira de Frias (séc. 17); Souto Moura (séc. 20). ENGENHEIROS: Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante; Francisco Pedro Arbués Moreira; José Joaquim Champalimaud de Nussane (atr.) (séc. 18); Manuel Pinto Vilalobos (séc. 17 / 18); Manuel Azevedo Fortes; Matias José Azedo; Maximiano José da Serra (séc. 18 / 19); Miguel de Lescole (séc. 17). PEDREIRO: Domingos Álvares do Rego.

Cronologia

Época romana - aqui deverá ter existido um "oppidum", já que no local se fazia a travessia do rio Minho na estrada de Bracara Augusta a Lucus; séc. 11, finais - D. Sancho I impulsiona fundação de póvoa fortificada, de nome Contrasta; 1212 - D. Afonso IX de Leão investe contra Portugal e arrasa o castelo de Contrasta; transferência da população para Sortelha; 1213 - restabelecimento da paz, sendo os castelos restituídos a D. Afonso II; 1217, 11 Agosto - concessão de foral por D. Afonso II, tendo já nesta por esta data muralhas que, segundo Carlos Ferreira de Almeida tinham cerca de 300m.x70m.; 1258 - nas Inquirições de São Pedro da Torre recordam-se as ajudas prestadas na edificação dos muros e fosso; 1262, 11 Agosto - confirmação do foral por D. Afonso III, mudando o nome da povoação de Contrasta para Valença, o qual mandou renovar e ampliar a primeira cerca; séc. 14 - remodelação durante o reinado de D. Dinis; durante a sucessão, por morte de D. Fernando, Valença tomou partido por D. Beatriz; séc. 15 - possivelmente recebeu algumas obras durante reinado de D. Afonso V; 1502 - D. Manuel manda reparar a muralha; 1506, cerca - segundo os desenhos de Duarte D'Armas as muralhas e torres tinham muitos estragos, desenhando-se já a Fonte da Vila; 1542 - nomeação do escrivão das obras dos muros e fortaleza; séc. 17 - intervenção nas muralhas por Sebastião Pereira de Frias; 1641 - criação do Conselho de Guerra e Junta das Fortificações; 1643 - tentativa frustrada de tomada da fortaleza pelos espanhóis; 1647, 13 Julho - criação da Aula de Fortificação; 1657 - D. Vicente de Gonzaga ataca Valença, mas a guarnição, sob o comando do capitão António de Abreu, resistiu; o Governador das Armas da Província, D. Álvaro de Abranches manda socorrer a praça, que resiste a novo ataque; 1657 / 1658, entre - provável construção de trincheiras formando um reduto no outeiro do Bom Jesus, para defesa da praça, pelas tropas de Castelo Melhor, D. João Rodrigues de Vasconcelos; 1660, década - Miguel de Lescole forneceu uma planta da fortificação da praça obedecendo aos planos do Conde de Prado, limitando-se inicialmente a envolver o aglomerado urbano e sua respectiva muralha medieval; 1662 - o General Baltazar Pantoja consegue tomar a fortaleza num 2º ataque; 1662, cerca - sendo Governador das Armas do Minho, Visconde de Vila Nova Cerveira, D. Diogo de Lima Brito e Nogueira, começam obras da Coroada; 1683 - Lescole enviou ao Conselho da Guerra uma planta da praça com o reduto da Coroada a erguer no outeiro do Bom Jesus, que substituísse a obra córnea de terra; o Eng. Manuel Pinto Vilalobos fez uma cópia dessa planta de Lescole; 1691, 24 Setembro - o Pe. João Duarte e o Eng. Francisco Pimentel e João Roiz Mouro respondem que como Miguel de Lescole era "tão prático e excelente engenheiro" que não tinha nada que emendar e reparar, mas seguir o seu desenho, portanto, Miguel Vilalobos dirigiu a construção da Coroada segundo planta de Lescole; 1693 - introduziu-se uma tenalha e multiplicaram-se as obras exteriores da Coroada, adicionando-se fossos, contra-escarpa e uma entrada coberta; 1700 - as obras estariam avançadas, dado as datas na porta da Coroada e na do Meio; 1704 - Domingos Álvares do Rego era o empreiteiro das obras da praça, dirigidas por Vilalobos, assistido pelo capitão-mor da praça Gonçalo Teixeira Velho; início de hostilidades com aliança franco-espanhola durante a Guerra da Sucessão; 1713 - planta da fortaleza de Valença feita por Manuel Pinto de Vilalobos dando-a como quase concluída, referindo-se, por exemplo, a proposta de construção do revelim da Fonte da Vila e o paiol dos Açougues que fora feito de novo à prova de bomba; 1715 - direcção das obras de fortificação a cargo de Manuel Pinto Vilalobos, de que se conservam levantamentos desenhados; a Coroada encontrava-se concluída e o corpo da Praça possuía ainda baluartes em torrão; estavam projectados para reforço da face E. o revelim das Portas da Gaviarra (então de São Vicente) e o tenalhão em frente da cortina de São Francisco; 1716 - construção do revelim da Gaviarra sendo Governador das Armas da Província do Minho D. António de Noronha, 2º Marquês de Angeja, por Manuel Azevedo Fortes; 1722 / 1728, entre - D. Rodrigo de Moura Teles, Arcebispo de Braga, manda edificar o aljube; 1758 - desenho da Praça pelo Sargento-mor Gonçalo da Silva Brandão; 23 Abril - referida nas Memórias Paroquiais pelo Pe. António Lourenço Lajes como tendo 12 baluartes altos e 5 baixos, três portas, a da Gaviarra e a da Coroada a fazer serviço e a de Monção fechada, para além de uma porta falsa de acesso à fonte da vila, guarnecida de 40 peças na sua maioria de bronze, muito grandes; 1762 - planta do Capitão Eng. Jean Benoit Python; 1764 - criação do Regimento de Artilharia de Valença pelo Coronel Luís d'Alincourt; 1766 / 1777 - levantamentos do Sargento-mor José Joaquim Champalimaud de Nussane; 1774 - data no ferrolho da porta do Paiol da Coroada; 1783 - criação da Aula Real da Artilharia por iniciativa de Jean Victoire Miron de Sabionne, instalando-a no antigo Palácio do Governador Militar; 1790 - relatório de João Victório Miron de Sabina com o estado de conservação da fortaleza: a estrada profunda até ao rio que partia da porta da Gaviarra ameaçava ruína; era necessário consertarem-se as abóbadas das portas com prisões, a porta do Sol, as abóbadas dos revelins da porta do Sol e da Coroada, as passagens das comunicações da Fonte da Gaviarra, refazer-se os parapeitos das portas da Coroada e do Meio; necessitava que se construísse ao lado das portas do Sol uma escada para que de Inverno se pudessem render as sentinelas; o aquartelamento do Regimento de Artilharia estava em ruínas; 1795 - construção das pontes e respectivas abóbadas das portas do Meio, do Sol e da Coroada, demolição do Quartel do Regimento de Artilharia, reedificação da fonte do castelo de Viana do Castelo e respectiva canalização (4:009$793); demolição do convento de freiras junto à igreja de Santo Estêvão aproveitando-se o entulho para o cavaleiro do baluarte de São Francisco; Junho - achavam-se feitos 6480 palmos superficiais de calçada em seixo rolado entre a Ponte do Restilho e as Portas da Coroada; 1796, Março - capiamento das paredes do baluarte de São Francisco; Junho - reedificação dos tanques da Porta do Sol; Agosto - conclusão de uma cozinha unida aos quartéis da 4ª e 5ª Companhia de Infantaria na Coroada; 1797 - inicio da construção de um quartel para o Regimento de Artilharia no lugar onde tinha existido o convento de freiras, e onde cabiam apenas 600 homens; Novembro - ordena-se ao tenente-coronel José Carlos Mardel, do Real Corpo de Engenheiros da Ajuda inspeccionar o estado da praça de Valença, cujo relatório foi acompanhado por desenho da Praça pelo Eng. Maximiano José da Serra, o qual passou a dirigir as obras de fortificação; a Coroada estava cheia de pequenas casas construídas com o consentimento dos antigos governadores; séc. 18, 3º quartel - construção no flanco do baluarte do Socorro de uma tenalha ou "cauda de adorinha" para reforçar a defesa da porta da Gaviarra; 1801 - início da guerra das Laranjas, levando ao encerramento da fronteira com Espanha; 4 Agosto - reabertura da fronteira; 1802 - a fortaleza tinha 61 bocas de fogo, de ferro e bronze, e alguns morteiros; 1809, 10 Abril - ocupação francesa; 17 Abril - abandono de Valença pelas tropas francesas que minaram as portas do Sol e respectiva cortina e a porta do seu revelim ou portas de Santiago; os trabalhos de restauro foram dirigidos pelo Eng. Maximiano José Serra, supervisionadas pelo tenente general Matias Dias Azedo; 1810 - ainda dirigia os trabalhos de reconstrução o Eng. Matias José Dias Azedo, aqui também trabalhando o Eng. Carlos Luís Ferreira da Cruz Amarante; 1811 / 1813 - o Eng. Maximiano José Serra volta a trabalhar nas obras de construção da fortaleza; 1812 - construção de novo revelim da Fonte da Vila com a pedra do entulho de 24 casas demolidas no perímetro da esplanada da praça, empregando-se na obra 100 pessoas, 40 das quais eram pedreiros; construção da contra-escarpa desde o baluarte de São José, na Coroada, até ao revelim da Fonte; o Eng. Pedro Arbués Moreira trabalha nas obras; construção de parapeitos e banquetas no revelim da Gaviarra, revestidas com plataformas e canhoeiras com esplanadas de adobe, bem como rampas para subir a artilharia; feitura de comunicação no fosso para proteger a retirada, defendida com parapeito, banquetas e paliçadas; terraplanagem da praça de armas semicircular da parte esquerda do revelim do Sol, que levou 22 palmos de altura de terra em toda a sua extensão e uma grande esplanada devido ao acentuado declive; eliminação das portas do revelim, as antigas portas de Santiago, fazendo uma abertura pelo lado direito, entre o revelim e o baluarte da Esperança, para saída para o exterior; transferência da fonte das Barracas do baluarte do Faro para a frente das Portas do Sol; início do desmantelamento do tenalhão da Cortina de São Francisco; 1813, 24 Fevereiro - data de uma perspectiva cavaleira do Novo Revelim da Fonte da Vila, do Tenente Coronel Serra, desenhando a paliçada no revelim; Novembro - o Eng. Pedro Arbués Moreira substitui o Eng. Maximiano Serra; 1814 - após inspecção à fortaleza, o Eng. Carlos Frederico Bernardo de Paula, do Real Corpo de Engenheiros, elabora relatório dando conta do mau estado dos baluartes da Esperança e do Faro, sendo visíveis as "fendas e ruínas" no paiol do cavaleiro da Esperança, causadas pelo abatimento do terrapleno naquela zona; as infiltrações deviam-se à "ruim" qualidade da pedra com que se construíram as abóbadas, que era "muito porosa e mole"; refere-se ainda ter-se colocado exteriormente telha ou tijolos bem argamassados no pequeno paiol e corpo da guarda construídos na gola revelim da Fonte da Vila; 16 Fevereiro - carta de Manuel de Brito Mouzinho sugerindo que, para a boa defesa da Praça e arranjo da guarnição, se mandasse construir algumas casamatas em continuação das 2 casernas das Portas do Sol, o que não seria de grande despesa se nela se aplicasse a pedra da torre de Lapela, situada a légua e meia; 1815 - as Portas de Monção estavam fechadas devido à adaptação do túnel a caserna; 7 Novembro - uma Comissão das Fortificações, constituída pelos Tenente-General Matias José Dias Azedo (Presidente), Brigadeiro Eng. Carlos Frederico de Paula e Major Eng. José Maria das Neves Costa, reúne em Lisboa para análise das deficiências da Praça, dando-se prioridade à construção da cortina de São Francisco e às casernas das Portas do Sol, fazendo-as "praticáveis e úteis"; construção do tenalhão de São Francisco; 1817, 25 Março - o General Azedo é informado da autorização real para o início das obras; 18 Outubro - o Tenente General Dias Azedo apresenta o orçamento das obras das portas e barreiras que a fortaleza precisava, referindo-se à falta de meios para apressar a construção do revestimento da muralha da cortina de São Francisco, onde faltava fazer 600 braças de alvenaria, estando já construído 1660 além da travação, e conserto do antigo revestimento dos dois flancos correspondentes; 1820 - regulamento especial devido aos abusos praticados, determinando, entre outras coisas: ser proibido lavrar, semear ou plantar sobre terraplenos, parapeitos, rampas, fossos, obras exteriores, estrada coberta, explanada e restante recinto da fortaleza; ser proibido a pastagem nos mesmos locais de carneiros, cabras, ovelhas, porcos ou outros animais que as danifiquem; foi concedido aos Governadores o arbítrio das "ervagens" que espontaneamente nascerem nos fossos e explanadas; era proibido construir no interior ou exterior qualquer barraca, casa ou muro que embaraçasse ou prejudicasse a defesa das obras; devia-se evitar dentro do possível a "comunicação" pelos terraplenos e que se fechem as rampas ou entradas que lhes davam acesso com estacadas ou barreiras, de modo a só ali transitarem pessoas a pé; 1821, 6 Novembro - o Rei manda que o brigadeiro Intendente das Obras Militares faça aprontar e pôr à disposição do oficial Eng. Director das Obras de Fortificação da Praça os operários e materiais para consertar o armazém geral; a despesa orçava em 50$000; 1825 - ampliação da casa da guarda da prisão das Portas do Sol; 1828 - saída do regimento de infantaria 21 e instalação dos Caçadores 7; 13 a 22 Junho - cerco das tropas realistas comandadas pelo capitão-mor das milícias de Monção, António Pereira Álvares da Guerra; 1831 - estavam arruinadas as paliçadas da gola da Coroada; 1834, 31 Março - ataque pelas forças liberais, comandadas pelo Almirante Napier, Visconde de São Vicente; 20 Junho - o Duque de Bragança, regente, dissolve o trem da Praça de Valença, dando-se providências sobre a construção das obras indispensáveis, ficando os objectos ali encontrados a cargo do respectivo Almoxarife; 1847 - José Vitorino Damásio, por ordem da Junta do Porto cerca Valença; 1897, 13 Setembro - decreto classifica a praça de Valença com fortificação de 2ª classe; 1909, Novembro - alteração da demarcação da esplanada da praça; 1910 - envio de toda a artilharia para Lisboa; 1912 - incursão monárquica de Paiva Couceiro em Valença; 1916, 5 Agosto - Câmara solicita alargamento e mudança de directriz e rebaixamento do trecho da Av. do Cristelo e o ajardinamento entre o revelim das Portas do Sol e a muralha; 1918 - a Câmara pede autorização para obras de modificação e alargamento da Av. do Cristelo; para tal, cortou a ligação entre o baluarte da Esperança e o revelim das Portas do Sol e respectivas obras exteriores; Julho - arrendamento das portas do Sol para instalação de jardim (3$000); 1927 - saída da última guarnição militar; 1930, 30 Janeiro - Dec. nº 17.902 alterando os limites da esplanada e reduzindo a servidão militar da fortaleza; 1934 - avaliação do paiol de Campo de Marte (49.000$00) e do dos Açougues (26.440$00); 1939, 1 Junho - carta da Administração Geral do Exército ao Director da Arma de Engenharia (3ª Repartição) perguntando se haveria inconveniente para o Ministério de Guerra da entrega do Paiol dos Açougues, então em ruína, e que havia servido de arrecadação de material de Guerra do 8º Grupo de Metralhadores; 14 Setembro - auto de entrega do Paiol dos Açougues ao Ministério das Finanças; 1940, 20 Junho - auto de entrega do Paiol do Campo de Marte ao Ministério das Finanças; 31 Dezembro - avaliação da Praça em 71.409$00, da Coroada em 50.845$00; 1941 - Planta na Direcção de Engenharia com marcação dos antigos quartéis do batalhão de Caçadores nº 7 e a cozinha do regimento localizados perpendicularmente junto ao Paiol do Campo de Marte; 1943, 16 Novembro - auto de entrega da fortaleza ao Ministério das Finanças, compreendendo as superfícies: edifícios com 857.40 m2, terrenos com 73.370.23 m2, muralhas com 7.320.00 m2 e tendo o volume da pedra das muralhas 72.510 m3, entando em bom estado de conservação; 1946, 28 Março - auto de cessão da casa do guarda do revelim da Gaviarra e paiol do revelim à Câmara para recolher o gado, observação e descanso antes do abate no matadouro; 1955 - anulação da servidão militar da fortaleza; 1958, 13 dezembro - portaria publicada no DG, 1.ª série, n.º 290 fixa Zona Especial de Proteção das fortificações de Valença; 2000, 30 Setembro - as cidades de Valença e Tui apresentam à Unesco a sua campanha de candidatura conjunta a Património Cultural de Interesse para a Humanidade; 2004 - aprovação da candidatura do "Plano Director das Fortalezas Transfronteiriças do Vale do Minho", no âmbito do Programa Interreg III; este pretende fazer a inventariação do património edificado, avaliar o seu estado de conservação, determinar as suas patologias e posteriormente determinar estratégias específicas de actuação, tendentes à valorização, divulgação e fruição dos espaços fortificados, bem como a criação de percursos culturais e turísticos entre as povoações das duas margens do rio Minho; elaboração de projecto de reabilitação da fortaleza pelo Arquitecto Souto Moura; 2005 - DGEMN alerta do risco de derrocada face à deficiente drenagem das águas pluviais e à "decrepitude" das redes de infra-estruturas subterrâneas; 2006, Dezembro - ruína de um troço de muralha; 2007, 4 Março - ruína de troço de 15 metros de muralha.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante e mista.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito, de aparelho "vittatum" ou irregular; terraplenos em torrão; parapeitos em cantaria de granito ou tijolo de burro; portas de madeira chapeadas a ferro; grades de ferro; cobertura dos paióis em telha cerâmica e pavimento cerâmico ou lajes.

Bibliografia

VITERBO, Sousa, Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses, vol. 1, Lisboa, 1922; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, [1509 - 1521], Lisboa, 1990; MENEZES, D. Luís de, História de Portugal Restaurado, Lisboa, 1679 - 1698; COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa, Lisboa, 1706; LIMA, D. Luís Caetano de, Geografia Histórica, Lisboa, 1736; BRANDÃO, Gonçalo Luís da Silva, Topographia da Fronteyra da Província de Entre Douro e Minho, [1758], Porto, 1994; ALMEIDA, José Avelino de, Dicionário Abreviado de Chorographia, Valença, 1866; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, Lisboa, 1886; VITERBO, Dicionário Histórico, [1899], Lisboa, 1988; SEPULVEDA, Christovão Aires de Magalhães, História Orgânica e Política do Exército Portuguez, Lisboa, 1902-1932; GUERRA, Luís de Figueiredo, Castelos do Distrito de Viana, Sep.ª O Instituto, Coimbra, 1926; LIMA, Henrique de Campos Ferreira de, Irmandade Militar de Nossa Senhora do Carmo da Praça de Valença do Minho, Sep.ª Boletim da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Lisboa, 1931; Praça Forte de Valença, Lisboa, DGEMN, 1964, Boletim nº 15; ; OLIVEIRA, A. Lopes de, Valença do Minho, s.l., 1978; CASTRO, Francisco Cyrne de, Na Guerra da Restauração, As "Fronteiras do Minho em Cortes", Caminiana, Caminha, 1981, vol. 4, 49 - 73; ALVES, Lourenço, Do Gótico ao Manuelino no Alto Minho (Monumentos Civis e Militares), Caminiana, Caminha, 1985, vol. 12, 37 - 150; MOREIRA, Rafael, Do Rigor Teórico à Urgência Prática: Arquitectura Militar, História da Arte em Portugal - O Limiar do Barroco, Lisboa, 1986, pp. 67-86; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; MOREIRA, Rafael, dir., História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Lisboa, 1989; NEVES, Manuel Augusto Pinto, Valença na História e na Lenda, Valença, 1990; ROCHA, J. Marques, Valença, Gondomar, 1991; SOROMENHO, Miguel, Manuel Pinto Vilalobos, da Engenharia Militar à Arquitectura, Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa, 1991; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edições Afrontamento, 1994; CASTRO, Alberto Pereira de, A Praça Forte de Valença do Minho, Valença, 1995; ID., Valença nas Guerras da Restauração, Valença, 1995; ID., A Irmandade de Nª Sª do Carmo da Praça de Valença, a Capela e os Estatutos, Valença, 1995; ANTUNES, João Manuel Viana, Obras Militares do Alto Minho: a Costa Atlântica e a Raia ao Serviço das Guerras da Restauração, Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras do Porto, 1996; DREMN, Fortificações da Praça de Valença do Minho. Valença, Viana do Castelo, DREMN, 17 Setembro 1996; MARTINS, João Maria de Oliveira, Os Franceses, a População de Valença e o Brigadeiro Custódio Cézar de Faria Freire de Andrade, Valença, 1997; NEVES, Manuel Augusto Pinto, Valença das Origens aos Nossos Dias, Valença, 1997; «Núcleo Museológico de Valença recebe uma mostra sobre intervenções arqueológicas na Fortaleza». RH Turismo Online. 16 outubro 2015; MARTINS, Carla Sofia, Campanha de Candidatura Conjunta a Património Mundial arranca hoje, de forma prematura para os Portugueses. Valença e Tui apresentam-se à Humanidade, O Comércio do Porto, 30 Setembro 2000; Estudo sobre o Estado de Conservação das Muralhas de Valença. Relatório, FEUP, Dezembro 2000; Valença. Câmara quase que compromete candidatura a património mundial, O Primeiro de Janeiro, 24 Março 2001, pg. 10; SILVA, Paula Araújo, O Conjunto Fortificado de Valença do Minho, Pedra & Cal, ano IV, nº 15, Julho / Agosto 2002, p. 4 - 6; Relatório dos Trabalhos de Acompanhamento Realizados pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, ao Abrigo dos Protocolos com a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1997 - 1999) (2001 - 2002), (Universidade do Minho), Braga, 2002; Praça Forte de Valença - Sondagens Arqueológicas, Urbanismo & Construção - Principal, 9 Junho 2004; Valença: Obras iniciadas na Fortaleza vão evitar derrocada de Monumento Nacional, Correio de Cerveira, 23 Agosto 2004; Plano Director para o Vale do Minho foi posto em marcha. Fortificações sob olho, Correio do Minho, 25 Agosto 2004; PEREIRA, Hermâni, Fortaleza de Valença em obras de restauro a partir de Setembro, Diário de Notícias, 27 Agosto 2004.

Documentação Gráfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; CMV; BN: Planta de Valença, 1713, Manuel Pinto Vilalobos (DA. 174 A); AHM: Planta da Prassa de Valença, Manuel Pinto Vilalobos, 1715 (3ª divisão, 47ª secção, nº 18515); GEAEM: Plan de la Place de Valença 1762, Jean Benoit Python (GEAEM - 2795); Planta da Praça de Valença, 1766, José Joaquim Champlimaud de Nussane (GEAEM - 2792); Planta Topographica da Praça de Valença, 1777, Idem (GEAEM - 2791); Planta Topographica da Praça de Valença, s.d., Idem (GEAEM - 2798); Planta da Praça de Valença, 1797, Maximiano José da Serra (GEAEM - 3114), 1813 e 1814, Idem (GEAEM - 2823 / 2824); Planta de Valença do Minho, s.d., Pedro Celestino Soares (GEAEM - 2745); Planta da Praça de Valença, 1809, Francisco Arbués Moreira (GEAEM - 2755 / 2757); Perspectiva do Interior da Cortina, Tranzito e Cazernas da Poterna do Sol, 1811, Carlos Amarante (GEAEM - 2776); Coroada, 1874, Pedro Alves Avelar Machado (GEAEM - 2853)

Documentação Fotográfica

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; AHM; GEAEM

Documentação Administrativa

DGEMN:DSID, DGEMN:DREMN; AHM: Fortaleza de Valença, 3ª Divisão, 9ª Secção, Caixa 9, 10 e 11; Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército Português: Repartição do Património - Concelho de Valença - Tombo dos Prédios Militares. Prédio nº 1 (p), nº 37; ANTT; ADVC

Intervenção Realizada

1759 - reparos das muralhas, fossos e esplanadas pelo Capitão-mor da vila e superintendente das obras, António Malheiro Bacelar; 1821, 10 Outubro - orçamento da obra de carpintaria e pedraria, pelos mestres Francisco João e João Pedro Pereira, respectivamente, para o conserto dos soalhos e das prateleiras para os barris de pólvora, no paiol do Campo de Marte, as quais tinham "colunas" e 50 palmos de largura e 20 de altura; 1822 - conserto das portas e pontes levadiças da Praça; 1828 - obras no corpo da guarda da Porta da Gaviarra (202$475); reparações nos edifícios dos corpos da guarda principal: telhados e reboco (93$835); obras no corpo da guarda da Porta da Coroada (30$445), do revelim das Portas do Sol (20$685), o da Fonte (13$360), o da Corada (17$055) e o da Gaviarra (16$795); 1829 - reparação dos telhados, do paiol do baluarte de São João, dos lajeados dos trânsitos e casernas laterais das Portas da Coroada e do Meio; 1830 - reparação das abóbadas do trânsito e das casernas laterais da poterna do sol; reparação do paiol do baluarte de Santa Ana; 1864, Maio - a instâncias do brigadeiro Duarte José Fava, decide-se colocar três pára-raios no paiol do Campo de Marte; 1912, Junho - o Governador da Praça, o tenente coronel Almeida Fragoso, mandou lavar a cantaria e caiar todas as entradas da vila e as portas do Meio; 1916, Novembro - Ministério da Guerra autoriza a Câmara a ligar a Av. de Cristelo às Portas do Sol; Dezembro - obras de conservação das portas do meio; 1918 - arborização da Av. de Cristelo; 1919, Julho - melhoramentos nas cadeias das Portas do Sol, com instalação de retretes, canalização de água e renovação de tarimbas; 1934, Julho - início da limpeza das muralhas pelos soldados; CMV: 1929 - calcetamento dos dois pavimentos das Portas da Coroada e respectivo revelim; 1935, Setembro - início da limpeza das muralhas, começando-se pelo baluarte do Socorro; 1936, Março - arrematação das obras de reparação dos quartéis da Coroada (27.100$00); DGEMN: 1939 / 1940 - Conservação, diversos trabalhos, limpeza dos paramentos das muralhas, com desmatação da vegetação que as encobria; 1941 / 1943 - apeamento e reconstituição da porta da antiga muralha medieval; reconstrução e consolidação de muralhas de alvenaria; 1943 - demolição dos edifícios do antigo quartel de caçadores; limpeza geral de paramentos de muralhas; 1944 - limpeza geral das muralhas; 1945 - limpeza geral; reparação e consolidação de 5 guaritas segundo as antigas; 1955 / 1956 - reconstrução do muro de suporte da fonte da vila; 1957 - consolidação e restauro; 1958 - conservação no prédio militar nº 1 / 21; 1959 - conservação; apeamento e reconstrução de um pequeno troço; limpeza e refechamento de juntas, reconstrução de muralhas, regularização de terrenos, restauro e limpeza das canhoeiras de diversos baluartes e revelins, reparação de casamatas, beneficiação do Paiol do Campo de Marte, restauro do Paiol dos Açougues, colocação de portas novas, lajeamento das entradas abobadadas das portas da Coroada, Gaviarra e do Sol; 1960 - arranjo da praceta no terreno da antiga padaria militar; obras de construção do acesso; limpeza e refechamento das juntas; restauro e conservação do paiol dos Açougues; arranjo da praceta junto ao edifício onde estão instaladas as repartições públicas; reparação parcial e ligeira do prédio militar nº1 / 21; 1960 / 1961 - limpeza e reconstrução dos paramentos do paiol do Campo de Marte; 1961 - Pousada de Valença - acesso - obras de construção; restauro e conservação do paiol dos açougues; limpeza e refechamento de juntas; arranjo da praceta no terreno da antiga padaria militar; arranjo da praceta no terreno da antiga padaria militar; execução e assentamento de portas; prosseguimento dos trabalhos de restauro e limpeza das muralhas; restauro em casamatas junto da Porta da Coroada; lajeamento das entradas abobadadas da coroada e das Portas do Sol; 1962 - obras de construção da pousada; restauro do revelim da fonte da vila, dos baluarte de S. Francisco, do Carmo e S. João e do paiol do Campo de Marte; limpeza e refechamento das juntas; restauro das bocas de fogo; 1962 / 1963 - trabalhos de conservação; 1963 - construção de 5 reparos próprios para as peças antigas a ceder para o baluarte do Socorro; conclusão da reconstrução da muralha da coroada; tratamento do seu paramento e restauro de bocas de fogo; 1964 - melhoramentos no recinto amuralhado da coroada; iluminação de passagens abobadadas; iluminação festiva das muralhas por 172.124$00; reconstrução das cortinas de bocas de fogo; diversos trabalhos de beneficiação; construção e restauro das portas para as entradas da fortificação; 1965 - restauro dos baluartes; diversos trabalhos de arranjo; 1968 - reparação das carretas instaladas no baluarte do Socorro; 1969 - refechamento de fendas e consolidação de 1 troço de muralha; 1973 - obras de conservação; 1976 - consolidação do baluarte de S. João e regularização do terreno; limpeza e corte de vegetal dos taludes; desobstrução e limpeza dos entulhos depositados no fosso a O. do baluarte de S. Jerónimo; 1977 - trabalhos de conservação; 1978 - consolidação diversa; 1979 - conservação variada compreendendo fixação de alvenarias e beneficiação de bocas de fogo; 1980 - trabalhos de consolidação e beneficiação na muralha do baluarte da Gaviarra; 1981 - beneficiação nos paramentos do revelim das Portas do Sol; 1982 / 1983 - beneficiação de vários troços; 1989 - reconstrução de cortinas das muralhas; 1997 - iluminação monumental das fortificações; 1998 - conservação, beneficiação e revitalização do paiol do Açougue (com apoio da CMV), para instalação de espaço museológico; 1999 - consolidação dos paramentos do baluarte de São João; consolidação e reconstrução de paramentos das bocas das canhoeiras; iluminação pontual; conservação do paiol do Açougue; 2000 - obras de conservação e consolidação; 2001 / 2002 - recuperação dos panos de muralha junto ao antigo campo da feira; obras de conservação e beneficiação com acompanhamento arqueológico do Dr. Luís Fontes, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, no âmbito do protocolo com a DGEMN: trabalhos no fosso da coroada; nas proximidades do baluarte de Santa Ana pôs-se a descoberto fragmentos de betão, ferro, blocos de alvenaria e bolsas de areão, que deverão corresponder aos restos fragmentados dos embasamentos das antigas casernas demolidas; beneficiação do baluarte de Santa Ana: limpeza de vegetação e terras acumuladas, permitindo recuperar o piso térreo e a pavimentação lajeada; limpeza das bocas de fogo, identificando-se canal de drenagem central em tijolo; aplicação de tijolo de burro nas canhoeiras, do baluarte de São José, do pano de muralha entre os dois, e do baluarte da Esperança; no baluarte de São José pôs-se a descoberto junto às canhoeiras, restos dos embasamentos das esplanadas dos canhões, formados por uma massa de calhaus ciclópicos com argamassa argilosa; iluminação dos dois baluartes; reconstrução do pano de muralha na travessa da secretaria militar; Universidade do Minho: 2004 - sondagens arqueológicas em 7 sectores na Coroada, como preparação às obras de requalificação, com prazo de execução de 4 anos, as quais confirmaram aquela zona como local de antigo aterro militar; CMV: 2004 / 2005 / 2006 - requalificação da praça forte, com intervenção ao nível das infra-estruturas subterrâneas, pavimentos e funcionalidade das ruas: 1ª fase - coroada; criação de galerias técnicas para receber o sistema de abastecimento de água, saneamento básico, telecomunicações e rede eléctrica; criação de 3 novos espaços na Coroada: um na antiga praça de armas com criação de nova praça para acolher eventos culturais ao ar livre; no recinto das antigas casernas militares com criação de parque de estacionamento com 4 bandas para 100 viaturas; e na parada velha um jardim elíptico com várias árvores, nomeadamente amoreiras; substituição do pavimento para calçada à portuguesa e lajeado; iluminação com sistema seguindo o esquema dos candeeiros de início do séc. 20; criação de circuito no perímetro superior da Coroada em saibro, pontuado por carvalhos alvarinhos; construção de edifício para apoio a actividades de lazer; no largo do Bom Jesus colocação de pavimento em granito e no declive do pano de muralha a construção de fonte longitudinal com muro de água; DGEMN / CMV: 2005 / 2006 - recuperação do paiol do Campo de Marte, para adaptação a posto de turismo; 2015 - conclusão das escavações arqueológicos, realizadas durante uma década, sob a direção do arqueólogo Luís Fontes, com a co-responsabilidade da arqueóloga Belisa Pereira; as escavações permitiram a identificação de um povoado fortificado tipo "castro", com uma linha de muralha sub-circular que deveria coroar o outeiro, da qual se identificaram parte de um talude térreo, associado a uma escadaria, em cujos aterros se recolheram materiais da época romana.

Observações

*1 - Segundo os desenhos de Duarte Darmas, por volta de 1506, Valença apresentava uma muralha ovalada envolvendo a vila, com três portas, a dos Açougues ou de D. Afonso, a O., a da Gaviarra, a N. e a do Sol a E., dois cubelos, um com balcão virado a S. e outro ladeando a porta N., e hipotética torre de menagem integrada no circuito. A barbacã, com alguns cubelos, tinha porta entre torres a N., S., e a E.. Ambos os circuitos de muralhas e torres mostravam então muitos sinais de degradação e ruína. Da fortificação medieval subsiste, para além dos vestígios na disposição urbana da zona mais antiga, um troço da muralha da barbacã a E., com portal à face e armas de Portugal (anterior à Reforma de 1436), e também a estrutura da porta da Gaviarra a N., revelando já maior imponência e nitidamente ladeada por duas torres. *2 Um relatório de 1817 refere que a fortaleza acomodava em quartéis abarracados um regimento de Infantaria, uma companhia de Artilharia e alguns veteranos, não tendo proporções para blindados ou provas de bomba, mas tinha lugar para as fazer com pouca despesa; os corpos da guarda dos revelins da Fonte, Sol e Gabiarra podiam albergar, cada um, 12 homens, o da guarda principal alojava 40, o do revelim da Coroada 20 e o das portas do meio da praça 20; não possuía cisterna, mas apenas um poço de água salobra e outro de água doce na Coroada e na praça um poço com nora aparelhada (que precisava conserto) e outros poços particulares; havia 3 fontes nos fossos: a das Tripas, hoje na vertente do talude sobre a Av. de Espanha, a de Cristelo, a Fonte da Vila, e a Fonte das Barracas na explanada de Faro. *3 - No início de 2001 a Câmara Municipal de Valença desistiu da ideia de construir parques de estacionamento nos fossos da fortaleza, depois de ter sido alertada para o facto de que tal obra poderia comprometer a candidatura da vila a património mundial. *4 - Segundo o projecto de reabilitação da fortaleza pelo Arquitecto Souto Moura, o antigo paiol do Campo de Marte passará a ter um polo cultural e à volta das muralhas será criada uma zona verde, delimitada por carvalhos alvarinho; a iluminação será alterada, colocando-se candeeiros desenhados pelo arquitecto; substituir-se-á os pavimentos, que serão de granito, calçada à portuguesa e em saibro; irá ainda fazer-se o reforço da rede de abastecimento de água para incêndios; este empreendimento deverá decorrer durante 4 anos e será um investimento estimado em 7,5 milhões de euros.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 2005

Actualização

João Almeida (Contribuinte externo) 2018
 
 
 
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