Antigo Paço Arquiepiscopal de Braga / Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga

IPA.00001106
Portugal, Braga, Braga, União das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
 
Arquitectura religiosa residencial, gótica, maneirista, barroca, rococó, revivalista. Paço Arquiepiscopal de planta irregular, assimétrica, composta por três corpos diferenciados, edificados em diferentes épocas, que se foram adossando e interligando. Um corpo quinhentista, onde se mistura a simplicidade do maneirismo com elementos decorativos barrocos; um corpo medieval, de origem gótica, reconstruído no séc. 20, segundo modelos neogóticos, refazendo as fachadas com ameias e janelas maineladas em arco quebrado e no interior, procurando recriar toda uma ambiência medieval, patente nas paredes nuas e nos tectos de traves à vista pintadas com elementos vegetalistas, de inspiração nos tectos de alfarje, assim como no mobiliário criado especialmente para aquele espaço; e um corpo barroco, totalmente refeito no séc. 20, aproveitando algumas das pedras originais, da fachada, onde se conjugam decorações barrocas e rococós, mas com o interior totalmente adaptado às funções de biblioteca e depósitos. As paredes da escadaria principal do corpo quinhentista apresentam silhar de azulejos joaninos com cenas galantes.
Número IPA Antigo: PT010303520021
 
Registo visualizado 434 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta irregular, assimétrica, composta por três corpos, também irregulares, edificados em diferentes épocas, que se foram adossando e interligando. Corpo medieval disposto em torno de pátio rectangular ajardinado, virado ao jardim de Santa Bárbara, a que se adossou a S. corpo quinhentista, disposto em U, em torno de pátio, ligeiramente quadrangular, designado por Largo do Paço. Junto à junção destes, a O., corpo barroco, virado para o Largo do Município. Este corpo forma com o medieval, junto às fachadas posteriores, pátio irregular, que serve de parque de estacionamento, e com o quinhentista, junto às fachadas laterais, pátio interior ajardinado, com fonte central, fechado por prédios de habitação. Volumes articulados de dominante horizontal, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas nos corpos quinhentista e barroco e em terraço no corpo medieval. Acesso principal feito pelo CORPO QUINHENTISTA, de dois e três registos, devido ao ligeiro declive do terreno, com fachadas em cantaria de granito, à excepção da virada ao Largo D. João Peculiar, que se apresenta rebocada e pintada de branco. Fachadas rematadas por cornija sob beiral saliente e rasgadas por vãos de verga recta. Fachadas voltadas ao Largo do Paço, com alas rasgadas por janelas gradeadas encimadas por cornija recta, no primeiro registo e janelas de sacada com guarda de ferro, no último. Ala central com portal principal, no eixo, ladeado por pilastras, coroadas por pináculos, rematado por cornija recta, encimado por janela de sacada, enquadrada por composição de volutas e coroada pela pedra de armas do Arcebispo D. Rodrigo Moura Teles. Do lado esquerdo outro portal, semelhante ao principal, mas sem a composição da janela de sacada. Ala E., com dois panos murários separados por pilastra colossal romana. No da esquerda, portal ladeado por pilastras e rematado por frontão com pedra de armas no tímpano, entre janelas ladeadas, também, por pilastras, e no da direita, dois portais, também entre janelas idênticas às do outro pano, sendo um enquadrado por pilastras coroado por inscrição e frontão vazado por pedra de armas, e outro moldurado e recortado. Esta ala apresenta a fachada S., virada à Rua do Souto, com leitura idêntica, mas com janelas jacentes entre registos e janela de mezanino. Ala O. com galeria suportada por colunata, e superiormente, janelas jacentes e janelas de sacada com pedra de armas do arcebispo D. Agostinho de Jesus, ao centro. Esta ala apresenta na fachada S., virada para o Largo D. João Peculiar, junto ao cunhal, no último registo, balcão fechado, em empena coroada por pináculos, suportado por grandes mísulas e rasgado por janelas de sacada à face. A O., CORPO BARROCO com fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados, coríntios, vãos com demarcação de molduras de cantaria, embasamento proeminente e remate em cornija sob beiral saliente. Fachada de aparato virada ao Largo do Munícipio, de três registos, separados por friso, com três panos murários, estando o central recuado. No primeiro registo janelas gradeadas, em arco abatido, no segundo, quadrangulares e de sacada, no pano central, e no último, janelas, também de sacada, com guarda de ferro e molduras decoradas com volutas, concheados e motivos vegetalistas. Pano central, precedido por pequeno logradouro ajardinado, delimitado por balaustrada de cantaria, aberta ao centro, com portal enquadrado por pilastras onde acentam mísulas com decoração de acantos e anjos, que suportam varanda com guarda em balaustrada de cantaria, delimitada por vasos de flores e janela ricamente decorada por motivos vegetalistas. Nos cunhais dos panos laterais, pedras de armas. Fachadas viradas para o pátio do parque de estacionamento, com arco reentrante com coluna ao centro, embebida na caixa murária, entre janelas, na ala central, e vão em arco recortado, entaipado, na ala lateral O.. A. E., o CORPO MEDIEVAL forma a ala central e lateral N. do pátio virado ao jardim de Santa Bárbara. Apresenta fachadas em cantaria de granito, com algumas pedras almofadadas, ostentando siglas, rasgadas por vãos em arco quebrado e de volta perfeita, frestas, janelas maineladas e remate ameado, com gárgulas de canhão. A ala lateral S., fachada posterior do corpo quinhentista, é rasgada junto ao corpo medieval por um arco reentrante de acesso ao interior. Pátio interior com fachadas rebocadas e pintadas de branco e rasgada regularmente por vãos de verga recta, à excepção do corpo existente na fachada E., em cantaria e rasgado por vãos em arco de volta perfeita e janela mainelada. INTERIOR do edifício composto por diversas salas, algumas intercomunicantes, outras com acesso através de corredores de circulação, com acesso entre pisos através de escadarias decoradas com silhares de azulejos. Corpo quinhentista com acesso por amplo vestíbulo, coberto por tecto de caixotões de madeira, pavimento em laje de cantaria e paredes decoradas com painéis de azulejos de padrão e figurativos *3. Este vestíbulo comunica com outro com escadaria com guarda de ferro e arranques de volutas de cantaria, coberto por tecto de masseira de madeira, com as armas dos Arcebispos pintadas, decorado com silhar de azulejos monócromos a azul, figurativos, com cenas galantes. Na parede frontal, rasga-se entre janelas, nicho em arco de volta perfeita, com aletas, decorado com estátua. É encimado por cartela com inscrição. No topo da escadaria, ao nível do segundo piso, portal de acesso ao salão nobre, enquadrado por pilastras coroadas por pináculos e rematado por frontão de volutas interrompido por pedra de armas. O salão nobre apresenta cobertura em tecto de masseira de madeira, decorado com caixotões pintados com motivos vegetalistas e pavimento em parquet. Corpo barroco, com amplas salas de duplo pé direito, com paredes cobertas por estantes e galerias ao nível do piso superior. Salas de leitura com tectos de masseira de madeira, com caixotões decorados com volutas e motivos vegetalistas. Corpo medieval, com sala de leitura, designada por "salão medieval", com cobertura de traves de madeira, pintada com motivos fitomórficos, assentes em mísulas de pedra, imitando um tecto de alfarje. Numa das paredes testeiras a imagem da Virgem sob baldaquino. Neste corpo sucedem-se mais salas com decoração e coberturas idênticas.

Acessos

Lugar do Paço, Rua do Souto, Largo D. João Peculiar, Rua da Misericórdia, Praça do Município, Rua Eça de Queirós

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 47 508, DG, 1ª Série, nº 20 de 24 janeiro 1967 *1 / ZEP, Portaria, DG, 2ª Série, nº 191 de 18 de setembro de 1949

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, em terreno ligeiramente desnivelado, implantado em quarteirão e adossado a E. e a O. a prédios de habitação, em pleno centro histórico de Braga (v. PT010303070088). Na proximidade, a SO., a Sé de Braga (v. PT010303520005) e a Igreja da Misericórdia (v. PT010303520032), e a O., o edifício da Câmara Municipal de Braga (v. PT010303520123) e a Fonte do Pelicano (v. PT010303520123). A NE., o Jardim de Santa Bárbara, em cota mais elevada, com composição geométrica de canteiros de buxo, decorados com topiárias de cedro. Ao centro, chafariz *2 assente em soco octogonal, com lanços de quatro degraus entre canteiros, tanque também octogonal e taça circular assente em coluna, sobrepujada pela imagem de Santa Bárbara.

Descrição Complementar

Largo do Paço, com chafariz central, conhecido como "Fonte dos Castelos", assente em soco poligonal de doze lados, de três degraus, tanque polilobado, com coluna constituída por grupo escultórico de putti, segurando taça hexagonal, com seis bicas, nos vértices, em forma de castelos, ligados por muralha, encimada por torre de três pisos, escalonada, ameada e sobrepujada por estátua coroada por esfera armilar de ferro sob cruz patriarcal. Pátio interior, com chafariz central, de tanque circular, com supedâneo anelado, suportando taça, com quatro bicas, tento ao centro, pequena coluna estriada em espiral e carrancas no topo. Pátio N., junto ao Jardim de Santa Bárbara, ajardinado, com canteiros geométricos de buxo, decorados com topiárias de cedro, e diversos elementos arquitectónicos, nomeadamente restos de cornija, estátuas e pedras de armas. A delimitar este pátio, ruínas de uma arcaria quebrada, pertencente ao antigo paço medieval.

Utilização Inicial

Residencial: Paço Arquiepiscopal

Utilização Actual

Educativa: Reitoria da Universidade do Minho / Cultural: Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 16 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Arquitecto: Fernandes de Sá, Joaquim Areal (arranjo paisagístico do Largo do Paço); Carpinteiro: Gil Varques (atr. ala medieval); Pedreiros: Fernão Martins e João Gonçalves (atr. ala medieval); Pintores: José Luís Brandão de Carvalho e Abel Mendes (pintura dos tectos do corpo medieval), Victoria P. A. (azulejos da Fábrica Constânça).

Cronologia

388 - É fundado o Bispado de Bracara, tornando-se Paterno, o primeiro Bispo; 1071 - é fundado o Arcebispado de Braga, tornando-se D. Pedro, o primeiro Arcebispo; 1096 / 1112 - São Senhores de Braga, os Condes D. Henrique e D. Teresa; 1112 - carta de Couto, dando conta da doação da cidade de Braga, pelos Condes D. Henrique e D. Teresa, aos Arcebispos, instituindo um feudo eclesiástico, que iria durar até ao séc. 18, tornando-se D. Maurício Burdino, o primeiro senhor eclesiástico de Braga; 1128, 27 Maio - confirmação e ampliação do couto de Braga, ao Arcebispo D. Paio Mendes, assim como o privilégio de cunhar moeda, como recompensa no apoio à revolta de D. Afonso Henriques contra a sua mãe, a Condessa D. Teresa; 1327 - D. Afonso IV invade a jurisdição temporal do então Arcebispo D. Gonçalo Pereira, avô de D. Nuno Álvares Pereira, nomeando tabeliões da coroa para Braga. O Arcebispo excomunga-os e expulsa-os da cidade; 1341 - as autoridades régias entram de novo na cidade, tornando o Arcebispo a excomungá-las; o Corregedor Afonso Domingues toma o Castelo e os Paços Municipais, sendo estes mais tarde restituídos ao Arcebispo, por D. Afonso IV; 1336 - construção do primitivo Paço Arquiepiscopal, pelo Arcebispo D. Gonçalo Pereira, avô de D. Nuno Álvares Pereira; 1361 - D. João de Cardaillac, passa a usar o título de Arcebispo Primaz das Hespanhas; 1402 - o Arcebispo D. Martinho Afonso de Miranda cede a jurisdição da cidade à coroa, a troco de rendas e outras concessões; regulamentação das obrigações dos lavradores e artífices de Braga, em que fazer as reparações do Paço era uma das suas obrigações; 1422 / 1436 - o Arcebispo D. Fernando da Guerra, bisneto de D. Pedro I e D. Inês de Castro, manda reconstruir e ampliar o Paço Arquiepiscopal; são trabalhadores oficiais do Arcebispo, Gil Vasques (carpinteiro), Fernão Martins (mestre de obras) e João Gonçalves (pedreiro); 1439 - a torre do Paço já se encontrava concluída; 1472 - D. Afonso V restitui ao Arcebispo D. Luís Pires, a jurisdição temporal de Braga e do seu termo; os arcebispos passam a usar o título de "Senhores de Braga e Primazes das Hespanhas"; 1477 - D. Fernão de Lima, fidalgo que se estabelecera em Braga, entra em guerra com o Arcebispo, resultando vários confrontos sangrentos entre as duas facções; 1478 - o Duque de Bragança põe termo à contenda entre o Arcebispo e D. Fernão de Lima; 1505 / 1532 - o Arcebispo D. Diogo de Sousa manda fazer diversas reformas no Paço e colocar a chamada "Fonte dos Castelos", no Largo do Paço; 1545 / 1549 - o Arcebispo D. Manuel de Sousa manda construir a ala N., do Largo do Paço; 1594 - a ala O. do Largo do Paço, mandada fazer pelo Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus, já estava concluída; 1709 - o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles amplia o edifício, alterando as fachadas das alas viradas para o Largo do Paço e manda construir uma capela; 1740 / 1750 - o Arcebispo D. José de Bragança, amplia o Paço, mandando construir o corpo barroco, virado à Praça do Município; reconstrução da capela mandada fazer pelo seu antecessor; 1758 / 1789 - o Arcebispo D. Gaspar de Bragança enriquece a biblioteca do Paço, com um número notável de encadernações; Séc. 19, 2º quartel - D. Miguel e a sua corte instalam-se no Paço, assistindo às touradas da Praça do Município *4; 1834 - os Arcebispos ficam confinados à parte do edifício situado a E. do Largo do Paço; é instalada no edifício, a Prefeitura do Minho e mais tarde o Governo Civil e várias repartições públicas; 1866, 15 de Abril - um violento incêndio destroi toda a ala barroca, virada à Praça do Munícipio, assim como parte do espólio da bilioteca de D. Gaspar de Bragança; 1871 - as ruínas da ala barroca são demolidas e as pedras guardadas; 1903 - as fachadas viradas ao Largo do Paço encontravam-se rebocadas e pintadas e a galeria entaipada, apenas aberta por frestas jacentes; 1911 - os Arcebispos são expulsos difinitivamente do Paço, sendo lá instalado o Quartel do Regimento de Infantaria nº 8, o Tribunal de Comarca e os Bombeiros Municipais; 1912, 18 de Novembro - por ordem da Comissão Central dos Bens Eclesiásticos, foram vendidos à Irmandade da Senhora do Parto, cinco fontanários existentes no jardim interior do Paço, por 10$00 *5; 1918, 28 de Março - o edifício é cedido ao Ministério de Instrução Pública, instalando-se na ala onde estavam os Arcebispos, o Museu D. Diogo de Sousa; 1920 - o Dr. Alberto Feio solicita a adaptação do edifício para biblioteca e arquivo; 1921 - destruição da capela de D. José de Bragança, que se situava junto à fachada N. do corpo barroco; 1922 - projecto de ampliação do Paço, para ias novas instalações da biblioteca e arquivo; ainda estava instalado na ala O. do Largo do Paço o quartel; 1930 - o Paço sofre profundas obras de transformação e remodelação, para instalção da Biblioteca Pública de Braga *6 e Arquivo Distrital de Braga; intenção demolir os oito edifícios particulares que fecham o pátio interior; reconstrução do corpo barroco; 1934 - estão concluídas as obras de reconstrução do corpo barroco, sob a direcção do Engenheiro Almeida Freire; 1 Dezembro - inauguração da Biblioteca Pública de Braga; 1936 - diversos temporais causam estragos no edifício; 1937 - o corpo medieval encontrava-se em obras de reconstrução, sob a direcção dos Engenheiros Jorge Viana e Fernandes de Sá; 1939 - o corpo medieval encontrava-se praticamente concluído; 1940 - é solicitada a restituição e anulação do contrato de venda dos cinco fontanários, alegando o incumprimento do mesmo; são entregues diversas depedências para instalação de um museu etnográfico; visita do Presidente do Conselho, Dr. António de Oliveira Salazar, aquando das Comemorações dos Centenários; 23 de Maio - não é considerado oportuno a anulação do contrado de venta dos fontanários e a restituição dos mesmos; 1941 - um ciclone causa diversos estragos no edifício; 1943 - o processo de expropriação dos oito edifícios é interrompido após a morte do Engenheiro Duarte Pacheco; o Vereador António Maria dos Santos da Cunha propõe a remoção das grades que fechavam o Largo do Paço; 1944 - a fachada virada para o Largo D. João Peculiar ainda estava a ser restaurada; 1945 - demolição de uma capela que se encontrava a NE. do Paço, para construção da Rua Eça de Queirós; 1946 - projecto de arranjo paisagístico do Largo do Paço, incluindo a supressão do muro gradeado que fechava o terreiro; são cedidos e transportados para o Paço os cinco fontanários que lhe pertenciam originalmente; 1947 / 1949 - a Biblioteca estava afecta ao Ministério da Educação Nacional; 1947 - intenção de demolir o edifício do Mercado Municipal, que se encontrava no meio da Praça do Munícipio, para desafogo do corpo barroco e dos Paços do Concelho; 1948 - o Arquitecto Francisco de Azeredo apresenta um projecto para arranjo paisagistico da Praça do Munícipio; 1949 - a ala medieval do Paço ainda se encontrava em reconstrução; projecto de mobiliário para a Biblioteca; 1950 - iniciam-se as obras de arranjo da Praça do Munícipio; 1955 - construção do Jardim de Santa Bárbara; 14 de Julho - autorização para retirar o gradeamento do Largo do Paço; 1956 - demolição do Mercado Municipal; são retiradas as grades e o jardim do Largo do Paço, tornando-o uma praça pavimentada e aberta à Rua do Souto; 1964 - por decisão camarária os cinco elementos da Fonte do Pelicano, que se encontravam desmantelados no jardim do Paço, foram deslocados para a Praça do Município e reconstruídos na mesma praça; 1973 - a Direcção-Geral de Construções Escolares (DGCE) procede a obras de adaptação das alas central e E., viradas ao Largo do Paço, para instalação da reitoria da Universidade do Minho; na ala destinada ao Museu D. Diogo de Sousa, a maior parte das depedências estavam desocupadas, havendo apenas no primeiro piso uma loja de artesanato da secção de turismo da Câmara Municipal de Braga, o Tribunal de Comarca e no segundo piso a Alliance Française e o Instituto Minhoto de Estudos Regionais; 1975 - a Biblioteca é integrada na Universidade do Minho; 1977 - o Museu D. Diogo de Sousa abandona as instalações do Paço; 2006, 24 agosto - o edifício está em vias de classificação, nos termos do Regime Transitório previsto no n.º 1 do Artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 173/2006, DR, 1.ª série, n.º 16, tendo esta caducado, visto o procedimento não ter sido concluído no prazo fixado pelo Artigo 24.º da Lei n.º 107/2001, DR, 1.º série A, n.º 209 de 08 setembro 2001.

Características Particulares

O Paço Arquiepiscopal é um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, não tanto pela sua imponência e dimensão, mas porque era a residência dos Arcebispos, donos e Senhores de Braga. O corpo original barroco, totalmente destruído por um incêndio, foi integralmente refeito nos anos 30 do séc. 20, ao estilo original, marcando a diferença nas correntes de restauro da época, em se privilegiava o medieval. As fachadas do Largo do Paço, enriquecidas pela enorme galeria e portais formam uma praça imponente acentuada pela presença de chafariz central do séc. 16, totalmente decorado com castelos, ameias e putti. O corpo medieval apresenta silhares almofadados revelando o seu reaproveitamento de antigas estruturas romanas. O vestíbulo principal do corpo quinhentista é decorado com painéis do séc. 17 e 18 reaproveitados.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura, elementos decorativos, cobertura do corpo medieval, pavimentos e chafarizes em granito; azulejos nas escadarias e no vestíbulo do corpo quinhentista; madeira nas portas, janelas, tectos, pavimentos e galerias dos depósitos do corpo barroco; grades, guardas das varandas e da escadaria principal do corpo quinhentista em ferro; coberturas em telha cerâmica de canudo.

Bibliografia

FEIO, Alberto, A Biblioteca Pública de Braga: notas históricas, Braga, 1920; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Triénio de 1947 a 1949, Lisboa, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; COSTA, Avelino de Jesus da, D. Diogo de Sousa, novo fundador da cidade de Braga, Braga, 1962; PINTO, Sérgio da Silva, Resenha Histórica de Braga medieval, Braga, 1968; MARQUES, José, Braga nos finais da Idade Média: subsídios para o seu estudo, Braga, 1983; NUNES, Henrique Barreto, Biblioteca Pública de Braga: memória e mudança, Braga, 1987; GIL, Júlio, Os mais belos palácios de Portugal, Editora Verbo, Lisboa, 1992; TOMÉ, Miguel Jorge Biscaia Ferreira, Património e Restauro em Portugal (1920 - 1995), Dissertação de Mestrado em História de Arte em Portugal, Porto, 1998; OLIVEIRA, Eduardo Pides de, A Sé de Braga e Dom Rodrigo de Moura Teles (1704 - 1728), in Struggle for Synthesis - A Obra de Arte Total nos séculos XVII e XVIII, Simpósio Internacional, Actas, Vol. I, Lisboa, 1999, pp. 248; Instituto Português dos Museus, Braga revisitada, 1750: mapa das ruas, 1750 - 2000, Braga, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN: DSID; DREMN / DM / DE; DSPI / CAM; DREL / DEM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN: DSID; DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN: DSID; DREMN, CAM 0035/09

Intervenção Realizada

DGEMN: 1930 - início da reconstrução do corpo barroco; 1931 - colocação da cobertura da ala S. do corpo barroco; Junho - conclusão da cobertura; construção da ala central e respectiva cobertura; 1934 - estão concluídas as obras de reconstrução do corpo barroco; início da reconstrução e remodelação do corpo medieval: prolongamento dos panos da fachada, de modo a encerrar o espaço e a uní-lo aos restantes corpos, remoção da cal das paredes, colocação de pavimentos de betão revestidos a soalho, diversas demolições com aproveitamento da pedra, apeamento da arcaria que sustentava o andar superior e colocação no pátio, junto a este corpo; reorganização e redecoração dos espaços interiores; ajardinamento dos pátios; colocação de silhar de azulejos numa das escadarias do Paço, da Fábrica Constança; diversas obras de restauro no corpo quinhentista, nomeadamente o apeamento de toda a fachada principal, com o aproveitamento da cantaria e reconstrução da mesma; obras na sala de conferências e átrio; 1935 - substituição do telhado do Museu e da ala ocupada pelo quartel; 1936 - conclusão das obras da sala de conferências, átrio e escadaria; diversas reparações no Museu e na ala O. do Largo do Paço, ocupada pelo quartel; demolições de paredes de alvenaria do corpo medieval e aproveitamento de materiais; assentamento de um tecto na sala de jogos; diversas reparações causadas pelos temporais; 1939 - o corpo medieval encontrava-se praticamente concluído; diversas obras de restauro na Biblioteca e Museu, nomeadamente a colocação da cobertura, refechamento de juntas das paredes, colocação de novo reboco exterior, colocação de betão armado nos pavimentos, colocação de novos tectos nervurados em madeira de castanho, diversas pinturas decorativas de tectos e renovação de beirais; colocação do forro do tecto do salão nobre; remodelação da fachada posterior do corpo quinhentista, transformando as janelas de peito do último piso, em janelas de sacada e colocação de frontões nas janelas centrais; diversas obras no corpo barroco, nomeadamente a sustituição de estuques por tectos de madeira de castanho e substituição do pavimento dos depósitos de livros, de betonilha por tijoleira; 1940 - diversas obras de restauro na Biblioteca; colocação, na ala medieval, de candeeiros de ferro e mobiliário neogótico; 1941 - obras de reparação dos estragos causados por um ciclone; 1943 - diversas obras de reparação nos corpos restaurados, nomeadamente a consolidação da fachada virada à Rua do Souto, com placagem de cantaria, colocação do mesmo material na galeria; adaptação de diversas dependências para as oficinas de tipografia e encadernação; substituição de pavimentos; arranjo dos jardins; substituição do gradeamento do Largo do Paço; 1946 - obras de pavimentação e arranjo do átrio que dá acesso ao salão medieval do primeiro piso: pavimentação com lajeado de granito, colocação de tectos em madeira de castanho, construção de degraus de cantaria; 1947 - arranjo do jardim do Largo do Paço; arranjo do tecto da galeria, substituição de grades e arranjo de portas; diversas obras de arranjos interiores da Biblioteca e Museu: acabamento de diversas dependências, com a execução de tectos, pavimentos, portas e lambris; 1948 - demolição do portão que se encontrava a N. do corpo barroco; construção de novo muro de vedação do lado N. do paço, devido a abertura da Rua Eça de Queirós; apeamento do portal de cantaria existente no muro antigo; limpeza de cantarias e pinturas exteriores da fachada do corpo barroco, voltada à Praça do Município; pintura de um tecto dos salões do corpo medieval; 1949 - trabalhos diversos e colocação de mobiliário na Biblioteca; Abril - conclusão da empreitada das obras de reparação e conservação da Biblioteca e Museu; diversos arranjos nos jardins; 1950 / 1951 - construção de um muro de suporte do pátio interior; 1952 - arranjo de um dos jardins do Paço; 1953 - grandeamento das janelas do primeiro piso, que são viradas aos jardins; montagem da fonte do pátio interior *7; construção de um muro de vedação para ocultar os prédios virados ao pátio interior; pinturas exteriores de paredes, reparação de coberturas; reparação de vitrais; pintura de portas e caixilharias exteriores; 1954 - diversas obras de conservação e melhoramentos, nomeadamente arranjos de caixilharias e telhados da Biblioteca e Museu; 1955 - reparação da Fonte dos Castelos; 1956 - são retiradas as grades e o jardim do Largo do Paço; arranjo dos restantes jardins; 1959 - vedação das juntas de dilatação dos terraços do corpo medieval; 1961 - obras de reparação e impermeabilização da cobertura do corpo medieval; 1966 / 1969 - diversas obras de conservação na Biblioteca e Arquivo; 1970 - substituição da vedação do terraço do corpo medieval, incluindo o paviemento de tijoleira; substituição de rebocos exteriores; pintura de caixilharias e gradeamentos; substituição de vitrais no corpo medieval; 1972 - arranjo das coberturas; reparação e pintura de paredes; DGCE: 1974 - obras de alteração do interior, nomeadamente com a abertura de vãos e construção de divisórias interiores.

Observações

*1 - DOF: Antigo Paço Episcopal Bracarense, onde está instalada a Biblioteca Pública e o Arquivo Distrital de Braga; *2 - o chafariz veio do antigo Convento de Nossa Senhora dos Remédios, das religiosas da ordem de São Francisco, que existia na Rua de São Marcos, demolido em 1911; *3 - alguns dos painéis de azulejos do vestíbulo do corpo quinhentista vieram do Mosteiro de Tibães (v. PT010303250015); *4 - no Largo do Paço, também chamado de Campo dos Touros, realizavam-se frequentemente touradas, em homenagem aos Arcebispos que assistiam das varandas da ala barroca; *5 - estes fontanários foram colocados no Parque Público de São João da Ponte, vindo mais tarde a ser transferidos para o parque privativo da empresa Parque da Ponte; *6 - a Biblioteca Pública de Braga é criada a 13 de Julho de 1841, para albergar o espólio das livraias dos antigos conventos extintos ou abandonados da região. Esteve inicialmente instalada no edifício do Convento dos Congregados (v. PT010303420046); *7 - esta fonte foi cedida pela Câmara Municipal de Braga, sendo proveniente de um edifício demolido para construção da avenida de acesso ao Estádio 28 de Maio.

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1993 / Joaquim Gonçalves 2003

Actualização

Luísa Estadão 2007 / Margarida Elias (Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design (CIAUD-FA/UTL)) 2011
 
 
 
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