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A presente rota pretende dar a conhecer um conjunto significativo de Impérios da Ilha Terceira, em torno dos quais se desenvolve uma das tradições mais enraizadas na sociedade açoriana, a que estão associadas as festas populares por excelência na Ilha.
Império é a denominação do pequeno templo de tipologia única no panorama arquitetónico nacional onde, entre o domingo de Páscoa e os domingos de Pentecostes ou da Trindade, predominantemente, se venera o Espírito Santo nos Açores. À volta dos Impérios desenvolvem-se durante vários dias as festividades do Espírito Santo, imbuídas de um ideal caritativo e compostas por um conjunto de cerimónias religiosas e profanas: a “coroação” do Imperador Menino, o desfile de cortejos e o bodo de pão e de carne.
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I – O CULTO E AS FESTAS DO ESPÍRITO SANTO NOS AÇORES
As festividades do Espírito Santo realizam-se 50 dias depois do domingo de Páscoa, no calendário litúrgico católico, e culminam no domingo de Pentecostes, dia em que desceu o Espírito Santo sobre os apóstolos e discípulos de Cristo, então reunidos durante a festividade judaica da Colheita ou Festividade das Semanas.
A introdução do culto do Espírito Santo em Portugal com base nas ideias de Joaquim de Fiore (c. 1131 – 1202), abade cisterciense, que defendeu o milenarismo e o advento da idade do Espírito Santo, ainda divide a historiografia. Contudo, vários autores avançam que a explicação para a introdução do culto em Portugal e, sobretudo na região de Tomar e Castelo Branco, se deve à ação da Ordem do Templo, instalada no local desde o século XII e depois à sua sucessora, a Ordem de Cristo. A partir do continente, o culto do Espírito Santo irradiou para os Açores, mantendo-se ainda hoje bem vivo e com sentido de agregação comunitária muito forte. Também aí, o surgimento e a implantação do culto deve-se à Ordem de Cristo, a quem foram doadas as ilhas dos Açores por D. Afonso V e a quem, no ano seguinte, a 13 de março, o Papa Calisto III, concede a jurisdição espiritual de todas as ilhas.
Na ilha Terceira, o culto do Espírito Santo está documentado desde 1492, data em que já se fazia o Império e se distribuía o bodo, no dia de Pentecostes, à porta da capela do hospital do Espírito Santo, na Rua Direita, de Angra. A rápida proliferação do culto deve-se ao seu forte caráter popular, com a possibilidade de todos os elementos de uma comunidade poderem ser coroados como imperadores; ao fato da gestão e utilização dos Impérios ser completamente autónoma da Igreja secular e à caridade prestada às comunidades, maioritariamente organizadas em povoados isolados e muito ligados ao ciclo da produção agrícola; prende-se ainda com os muitos milagres atribuídos ao Espírito Santo, sobretudo aquando dos sismos e erupções. Acredita-se até que o fogo do Espírito Santo pode apaziguar o fogo vulcânico, existindo a tradição das coroas do Espírito Santo serem levadas processionalmente até junto das lavas, para que o Divino acalmasse as iras da Natureza. As festas do Império de São Carlos originaram-se em 1761 num destes fenómenos.
As festas do Espírito Santo nos Açores possuem uma estrutura tradicional comum, no entanto, apresentam bastantes variantes entre as várias ilhas do Arquipélago e, dentro da mesma ilha, entre os vários Impérios.
Assim que acaba a Páscoa, entra-se em plena época do Espírito Santo. Durante cada semana das festividades realizam-se as “alumiações” – veneração das insígnias do Divino na casa do Imperador -, reza-se o terço à noite no Império perante a coroa e o cetro encimados pela pomba e canta-se o “pezinho” ao imperador e àqueles que realizam ofertas ao Espírito Santo.
Na sexta-feira, os bovinos são enfeitados e realiza-se a “procissão do vitelo”. Posteriormente, sacrificam-se os animais necessários para o bodo que o Imperador oferecerá no domingo aos convidados, retalha-se a carne para a sopa, o cozido e a alcatra do jantar e para os “quintões de esmola” a distribuir pelos pobres da freguesia. No sábado faz-se a distribuição de esmolas, compostas de carne, pão e vinho, benzidas pelo padre.
No domingo de manhã realiza-se a primeira procissão. A “folia” vai buscar o Imperador Menino, representando inocência, a sua casa, com a coroa, o cetro e a salva, transportados ritualmente por jovens vestidas de branco até à igreja. À porta da igreja o pároco espera o cortejo e asperge a coroa, o Imperador e acompanhantes, dirigindo-se depois para o altar-mor, onde é colocada a coroa. Na cerimónia da “coroação” o padre toma o cetro, dá-o a beijar ao Menino e entrega-lho, e depois faz o mesmo com a coroa, colocando-a sobre a sua cabeça; asperge o Imperador, incensa-o e entoa-se o “Veni Creator Espiritus”. Dita a oração própria, coloca-se novamente a coroa sobre a banqueta e procede-se à celebração eucarística. Após o término desta, faz-se uma nova procissão até à casa do Imperador, onde se procede à cerimónia da “descoroação”.
É também no domingo que se realiza o bodo ou a “função”, grande banquete ritual, para o qual todos são convidados, ricos e pobres, habitantes ou forasteiros. A ementa da “função” é composta pela sopa do Espírito Santo, cozido, alcatra, pão, armazenados nos Impérios ou nas despensas, pela massa sovada ou pelas rosquilhas e vinho.
Terminado o jantar, procede-se à “mudança”, ou seja, o Imperador segue em cortejo até ao Império ou em direção à residência do Imperador da próxima semana, entregando-lhe as insígnias do culto do Paráclito. O processo é repetido nas três semanas seguintes, atingindo as festas do Espírito Santo o seu apogeu no fim-de-semana do domingo de Pentecostes, prolongando-se em muitos lugares até ao domingo da Trindade. Em algumas localidades, as festas estendem-se pelo verão, incluindo as “festas joaninas”, podendo ainda ser realizadas em finais de setembro ou outubro, pouco antes do “Advento”, como acontece no Império de São Carlos.
As procissões eram tradicionalmente acompanhadas pelos foliões, encarregados de anunciar, dirigir e orientar todas as cerimónias, dançando e cantando jocosamente. Hoje, na maioria dos casos, os foliões foram substituídos pelas filarmónicas, limitando-se quase exclusivamente a acompanhar as coroações e mudanças e a dirigir a “função” em casa do Imperador. Nos festejos realizam-se ainda as famosas touradas à corda, bodos de leite, distribuição de massa sovada aos irmãos, “cantorias” improvisadas, atuações das filarmónicas e de grupos folclóricos.
II - OS IMPÉRIOS E A SUA TIPOLOGIA ARQUITETÓNICA
Os primitivos edifícios do Espírito Santo, denominados de Império em Angra, eram efémeros, desmontando-se após a festividade. Os primeiros Impérios construídos em alvenaria de pedra datam do século XVIII e a sua originalidade tipológica, sem paralelo no continente, parece ter resultado da fixação em alvenaria das características das anteriores construções desmontáveis. Mas à sua definição tipológica e estilística não serão também alheias as influências orientais e a confluência de culturas e de gentes, decorrentes da posição estratégica que a ilha Terceira adquiriu, bem como as correntes estilísticas prevalecentes aquando da construção da maioria dos Impérios.
Dos 71 Impérios identificados na ilha Terceira, a tipologia mais rica e exuberante dos Impérios açorianos, encontram-se inventariados no SIPA 53 (www.monumentos.pt): 37 no concelho de Angra e 16 no de Praia da Vitória. Os mais antigos são o de São Pedro (1795), e o Império da Rua Nova (1799); 35 Impérios datam do século XIX e 34 do século XX.
A estrutura do Império, apenas com cerca de 30 m2, desenvolve-se predominantemente sobre soco, com a fachada principal rematada preferencialmente em frontão, de diferentes tipos, e rasgada por três vãos de variadas modinaturas, correspondendo o central ao portal e os laterais a janelas de peitoril. As fachadas são estruturadas e seccionadas pelas molduras dos vãos, por pilastras, colunas, frisos e cornijas que, de modo retilíneo ou curvo, as dinamizam, numa exuberante profusão de formas, acentuando o seu caráter revivalista. Apresentam grande profusão decorativa, revelando quase um “horror ao vazio”, com símbolos do Espírito Santo e, por vezes, alegorias às festas e ao bodo. Todos os elementos são sublinhados a policromia de cores vivas e exuberantes.
No interior o Império apresenta espaço único, tendo na parede fundeira um altar ou um nicho rasgado para exposição dos símbolos do Espírito Santo: a coroa, assente numa salva, de prata, e o cetro.
A maioria dos Impérios tem um ou até dois anexos onde se guardam os vários utensílios das festividades, ou onde se prepara e distribui o bodo - a despensa. A sua fachada principal, de um ou dois pisos, apresenta uma estrutura e esquema de fenestração mais simples, com as cores empregues nos Impérios, podendo ter também iconografia alusiva ao Espírito Santo e / ou ao bodo.
Para saber mais sobre os Impérios do Espírito Santo dos Açores consulte neste site o seguinte artigo: Noé, Paula, Os Imperios do Espírito Santo da Ilha Terceira, Lisboa, IHRU, 2012.
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A rota da topiária aqui apresentada destina-se a proporcionar ao público em geral a possibilidade de tomar contacto com as obras de arte, esculpidas na Natureza, que o Homem cria desde há longa data com mestria e criatividade.
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As pinturas gregas inspiraram os romanos nas suas primeiras composições paisagísticas. Seduzidos por estas imagens, os romanos procuraram torná-las reais na envolvente das suas sumptuosas Villas romanas. Os paisagistas romanos (topiarii), tal como os gregos, não prescindiram nas suas obras de certas construções ou esculturas, em geral de carácter religioso, que, juntamente com a modelação do terreno e as plantações de árvores e arbustos, integrariam o conjunto das suas composições. Nem todos os romanos tinham posses para enriquecer as suas villas com estátuas de mármore, o que terá feito com que C. Mattius se lembrasse de dar a forma de esculturas a certos arbustos como o teixo, o buxo e várias espécies de loureiro. Assim nascia uma nova arte, hoje denominada Topiária.(Araújo 1962).
No final do séc. XV vamos assistir em Itália, com o movimento cultural da renascença, a um novo incentivo a esta arte, tendo sido relatada nas “cartas de Plínio”, impressas em 1485, onde se refere que os toppiaii costumavam desenhar em buxo ou plantas aromáticas o nome do proprietário. É desta mesma época o Palazzo di Via Larga onde constituía motivo de atracção, entre outros, árvores talhadas em formas de animais, tais como: elefantes, cães, cordeiros, veados. Outras villas renascentistas fizeram da arte da topiária uma presença importante nos seus jardins.
Em Portugal, o século XVI marca o ressurgimento da arte paisagista , sobretudo nas quintas de recreio dos grandes senhores nobres e eclesiásticos e nas cercas de alguns conventos.
De meados do séc. XVI até finais do séc. XVII, é sobretudo no Sul do país que a arte paisagista assume maior esplendor, facto que está associado à presença da corte em Évora e Vila Viçosa
Nos finais do século XVI, são trazidas do Japão para o Porto as cameleiras, facto que é confirmado por especialistas internacionais que afirmam serem estas as mais antigas da Europa (Carita, 1998). Estas plantas, que com alguma mestria podem ser talhadas de formas variadas, vão servir de suporte físico ao desenvolvimento da arte da topiária.
No séc. XVII vamos ter, no norte do país, os testemunhos mais notórios do desenvolvimento da arte da topiária em buxo, cameleiras, teixos, cedros atlântica, etc…, tanto em formas geométricas como noutras de feitio zoomórfico estilizado, em composições plásticas de um efeito surpreendente, expressão de um sentimento mais dinâmico e positivo, estranho a um espírito mais mediterrânico e islâmico do sul do país, sendo tipicamente nortenho a abertura do jardim sobre o exterior e a paisagem.
O exemplo mais notável que chegou até aos nossos dias é o do jardim da Casa de Campo, em Celorico de Basto, onde encontramos uma composição constituída por conjunto de casa de fresco talhadas em cameleiras, com um lago ao centro. No interior de cada uma delas existe uma mesa em pedra, comunicando-se com o exterior através de janelas nas formas mais variadas. No resto do país a “escultura verde” anima a superfície do jardim; em Basto domina-a completamente. Outro jardim interessante é o do Paço de São Cipriano, em Guimarães, onde, em vez de cameleira, vemos o buxo recortar-se em diferentes volumes e constituir muros altos encimados por pinhas. (Carita, 1998)
No Norte do país a arte paisagista notabiliza-se, contudo, a partir do Séc. XVIII, sobretudo nas quintas de recreio, tendo contribuído para este facto a riqueza proveniente do ouro do Brasil. Assiste-se, então, ao florescimento do barroco nortenho. Em todas essas quintas verificava-se o predomínio da vegetação tradicional, constituída pelas espécies da flora mediterrânica ou atlântica, uma vez que não se tinha ainda verificado o gosto pelo colecionismo de espécies exóticas.
No séc. XX, continua-se a usar a topiária e a fazer dela o Ex-libris de alguns jardins, como é o caso da Casa da Gandarela que, construído nos inícios deste século numa composição setecentista, constitui uma alegoria a esta arte. Para além de um muro executado em cameleiras no qual são abertas janelas sobre o jardim, vamos deliciar o olhar sobre o próprio jardim constituído por formas bizarras que vão desde elementos geométricos, como no caso das colunas, a elementos irregulares, excêntricos, como massas espiraladas que atingem os 3 metros de altura fazendo lembrar cobras enroladas sobre si próprias, como chapéus de sol, pássaros e outros animais fantásticos, construídos em material vegetal variado (buxos, cameleiras, magnólias, azáleas e ciprestes).
É importante proteger e divulgar esta arte num incentivo que leve os seus executantes a procurar formação técnica na área, evitando assim que se perca.
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A presente rota pretende mostrar um percurso de paisagens deslumbrantes da Região do Alto Douro Vinhateiro, captadas a partir de pontos elevados, carregados de espiritualidade, que coroam alguns montes.
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A região demarcada do Alto Douro Vinhateiro engloba mais de 26 mil hectares classificados pela Unesco, desde 2001, como património da humanidade, na categoria de paisagem cultural, evolutiva e viva. Trata-se de uma das mais importantes regiões do mundo, pelas suas características climáticas, morfológicas e geológicas, que lhe conferem uma paisagem impar, caracterizada por encostas íngremes e agrestes, e solos pobres e acidentados, adaptados continuamente pela acção do homem às necessidades agrícolas. Destaca-se aqui a persistente cultura da vinha, que desde os séculos terceiro e quarto d.C., vêm moldando a paisagem como o testemunham os vários vestígios de lagares e artefactos ligados à produção do vinho, espalhados um pouco por toda a região duriense.
É uma região com um relevo fortemente acidentado e modelado, com grandes diferenciações altimétricas, sendo possível dos pontos mais elevados, observar cenários paisagísticos únicos, tendo muitos desses pontos, sido escolhidos como locais de culto desde tempos remotos e mais tarde adaptados, pela sua magnificência paisagística, a miradouros.
São estes locais elevados e sagrados, o objeto da presente rota, que abarca elevações dos municípios de Mesão Frio, Peso da Régua, Santa Marta de Penaguião, Alijó, Torre de Moncorvo, Armamar, São João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa, distribuídos pelas sub-regiões Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.
Pretende-se aliar a beleza da paisagem que estes locais dominantes oferecem, e que Alexandre Herculano comparou à obra de Miguel Ângelo, dizendo que a natureza aqui empregou um papel semelhante ao do artista, “foi robusta, solene e profunda”, ao misticismo, esperança e simbolismo que adquiriram como locais de culto.
A paisagem alto-duriense é considerada ímpar pela sua forte identidade paisagística, cultural, social e económica, onde predomina com maior intensidade a cultura da vinha, harmonizada de diferentes formas e técnicas de plantio, acompanhando as necessidades e a evolução tecnológica, denunciando experiências e saberes que gerações e gerações acumularam. Em algumas zonas, embora em menor quantidade, também surgem plantações de oliveiras, amendoeiras, pomares e matos mediterrânicos, ocupando estes últimos, uma grande parte dos mortórios, vinhas devastadas pela filoxera.
Trata-se de uma paisagem de grandes contrastes, caracterizada por montanhas e planaltos, constituídos por diferentes materiais rochosos, encontrando-se com maior predominância os xistos que favorecem o aparecimento das formas irregulares e vertentes bastante declivosas, e os granitos que conferem ao relevo formas menos movimentadas, aumentando essa diferenciação altimétrica à medida que nos aproximamos do seu limite ocidental. Estas formas irregulares do relevo conduzem as águas do Rio Douro e seus afluentes ora por verdadeiros cachões ladeados por vertentes íngremes, ora em leitos suaves, acentuando o efeito cénico da paisagem.
São vários os pontos, ao longo da região, que permitem contemplar com maior abrangência estes cenários únicos e deslumbrantes, onde a paisagem natural e a humanizada se aliam numa perfeita harmonia, criando uma paisagem de arquitetura “barroca”, com composições de mosaicos tingidos de várias tonalidades ao longo do ano.
Terão estes pontos, pela sua posição elevada, motivado a sua escolha como locais de culto, em alguns casos desde a pré-história, intensificando-se na idade média e mais ainda durante a época moderna, originando uma grande movimentação de devotos que cheios de fé se deslocavam de várias regiões, estabelecendo uma relação mais próxima com o divino, apoiados em promessas e pedidos para alcançar uma graça ou obter um milagre através do santo de devoção.
Foram nestes locais erigidos pequenos templos, estabelecendo os crentes, uma maior proximidade com o céu e as suas divindades, na expectativa de assegurem uma maior proteção. Trata-se de um conjunto de capelas, na sua maioria de desenho despojado e cariz vernacular, isoladas e distantes das povoações, construídas em xisto ou granito e custeadas com as esmolas dos romeiros.
Do conjunto destacam-se, pela sua dimensão, os Santuários da Senhora da Piedade, em Alijó e São Salvador do Mundo em São João da Pesqueira, e, pela antiguidade, a Capela de Nossa Senhora do Viso, em Vila Nova de Foz Côa, associada ao Castelo de Numão, e a Capela de São Domingos, em Armamar, destacando-se ainda esta última pela preservação da traça original, reunindo relativamente bem conservados elementos artísticos do período românico, gótico, manuelino e maneirista. Os restantes templos, construídos entre os séculos dezasseis e vinte apresentam na sua maioria espaço único.
Desconhecem-se as datas exatas de construção e veneração de uma grande parte dos espaços. Mas sabe-se, no entanto, que no século dezoito originavam grandes movimentações de romeiros vindos de várias regiões do país, e que no século dezanove, devido à diminuição das romarias, algumas das construções se encontravam bastante degradas tendo a sua reconstrução adulterado as estruturas primitivas.
Com o passar dos tempos, a prática religiosa das romarias foi decrescendo e assumindo um caráter popular e festivo. Atualmente os templos encontram-se encerrados, com prática de culto apenas uma vez por ano, no dia do orago, a que se segue a festa popular com almoço convívio e baile, estendendo-se nalguns casos por mais de um dia.
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A bacia hidrográfica da Ribeira da Raia, que engloba a Ribeira de Seda, a Ribeira de Tera e a Ribeira de Almada, é particularmente rica em património molinológico. Apresenta-se aqui uma amostragem constituída por alguns moinhos de água, de roda horizontal, que testemunham os primitivos ou antigos sistemas de moagem que se encontram na região. São compostos por unidades de moagem, sistemas de captação, adução e controle da água (açudes, levadas, comportas) e por estruturas de apoio (casas do moleiro, fornos, estábulos, choças). A maioria destas antigas estações moageiras localiza-se no Concelho de Mora, nas freguesias de Brotas, Cabeção e Pavia, com magnífica inserção na paisagem envolvente com a qual se harmonizam plenamente, encontram-se quase todas desactivadas e ao abandono.
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Funcionalmente distribuídos em duas tipologias, moinhos de roda horizontal (vulgo de rodízio) e moinhos de roda vertical (vulgo azenhas), os moinhos de água, movidos a energia hidráulica, permanecem como um importante legado patrimonial a preservar enquanto parte integrante da nossa memoria coletiva.
Os moinhos hidráulicos recorrem à energia potencial do movimento de massas de água, gerada através de um desnível ou queda de água, ou pelo aproveitamento das marés, que é convertida em energia mecânica através de rodízios ou rodetes.
Os moinhosde roda horizontal possuem eixo vertical podendo ser de dois tipos:
A - de rodízio, funcionando por jato de água (este batendo nas penas do rodízio fá-lo girar acionando o mecanismo de rotação) podendo este ser fixo ou móvel (menos comum); dentro desta tipologia encontram-se também os moinhos de maré, que utilizam a energia cinética das correntes devido às marés ou a energia potencial pela diferença de nível das águas entre a maré-baixa e a maré-alta, gerando energia maremotriz.
B - de rodete, funcionando por turbinação; o rodete trabalha submerso num poço de pedra, ou numa dorna ou pipa de madeira, de diâmetro ligeiramente superior (ao receber o impulso da água o rodete adquire um movimento contínuo de rotação acionando o mecanismo.
Os moinhos deroda vertical possuem eixo horizontal e podem ter um sistema de propulsão superior, anterior ou posterior, ou de propulsão inferior, nivelada ou desnivelada.
O moinho pode ter um ou mais caboucos, correspondendo normalmente ao número de aferidos, ou seja de casais de mós; o cabouco, situado ao nível inferior do moinho, é o local onde funciona o mecanismo de captação de energia hídrica, ou seja onde se encontram os rodízios ou rodetes. A água era levada até estes mecanismos através de túneis inclinados, de pedra ou madeira, designados de cales ou cubos, que tinham origem na parede oposta àquela onde se encontravam os caboucos e que atravessavam a parte inferior do moinho. A água era conduzida até às cales através de um sistema de adução, captação e controle da água no qual se incluem açudes, represas, levadas, comportas, enxogadouro, etc..
O conjunto de construções compreendendo o moinho propriamente dito, os sistemas sistema de adução, captação e controle da água, as armadilhas para apanha de peixe, a habitação do moleiro, os abrigos para o gado, o forno, etc., é designado por Estação de Moagem.
Os primeiros moinhos movidos a energia hidráulica são referidos pela primeira vez no Séc. I a. C.; sensivelmente meio século mais tarde Vitrúvio menciona os moinhos de roda vertical, daqui derivando uma sua outra designação, moinhos romanos. Pela abundância de referências documentais, constata-se que entre os Séculos III – XII os moinhos de água se difundem por toda a Europa, tendo aparentemente sido introduzidos na Península Ibérica pelos romanos.Em Portugal as primeiras existências remontam pelo menos ao Séc. X, supondo-se que os de rodízio terão sido divulgados pelos romanos e as azenhas pelos árabes.
Os moinhos de roda vertical necessitam de um caudal maior de água para o seu funcionamento; apesar da sua instalação ser mais dispendiosa, são mais rentáveis relativamente aos moinhos de roda horizontal; isto não só porque a velocidade da mó andadeira é bastante superior, como pelo facto da roda vertical poder acionar mais do que um casal de mós o que não é possível com os moinhos de roda horizontal. Ao invés do verificado no resto da Europa, em que o moinho de roda vertical acabará por suplantar, a partir do Séc. XVII, com vista ao aumento de produção, o de roda horizontal, em Portugal, sobretudo no Sul, no contexto da economia de subsistência que caracterizou esta região, prevaleceu o moinho de rodízio que perdurou até meados do Séc. XX (na década de 1960 contavam-se c. de 7 mil moinhos hidráulicos em atividade dos quais c. de 5 mil eram de rodízio). Muitos destes moinhos eram de submersão, isto é, tipológica e estruturalmente, concebidos para poderem ficar imersos pelas águas nas épocas de maior volume do caudal dos cursos de água; alguns outros eram de laboração temporária, estival, sendo apenas as infraestruturas estáveis e as moendas instaladas no piso superior em construções que se removiam ou abandonavam, durante o inverno.
É difícil uma datação precisa dos moinhos desta Rota devendo remontar pelo menos ao Séc. XVIII. Conhece-se vária legislação oitocentista relativa aos moinhos de água do concelho, nomeadamente a proibição de moer trigo nas pedras barroqueiras (próprias para centeio) ou de moer grão fora do concelho, bem como a obrigação de todos os moleiros "de pé de mó, como os maquilões (os moços que levavam a farinha ao domicílio) ou carregadores", de prestarem fiança por todo o mês de janeiro e a obrigação dos forneiros de fornos públicos de cozerem o pão e "mais artigos precisos a toda e qualquer pessoa". Alguns destes moinhos encontram-se assinalados na Carta Geográfica redigida e gravada em 1872 pela Direção de Trabalhos Geográficos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do reino, sob a direção de Felipe Folque.
Estas estações de moagem localizam-se em locais isolados, normalmente integrados em montes ou herdades seculares, algumas partilhando o mesmo leito do rio ou ribeira, distanciando entre si poucas centenas de metros. Outras são isoladas e relativamente afastadas de outras estações. As estruturas de apoio, quando existentes, situam-se a escassas centenas de metros das casas do moinho. Os moinhos e os sistemas de captação, adução e controle da água, encontram-se pouco adulterados, com aqueles em relativo bom estado de conservação: são construções sólidas, uma vez que na maioria dos casos se destinavam a ficar, total ou parcialmente, submersas durante parte do ano; assemelham-se a pequenas fortificações, em aparelho de pedra ou de alvenaria de pedra insonsa, por vezes rebocados e caiados. Já as estruturas de apoio se encontram, na maioria dos casos, em avançado estado de degradação, dado que são construções, por regra, de alvenaria, mista de tijolo e pedra, argamassada, com telhados assentes sobre vigamentos de madeira apodrecidos ou parcialmente derrocados. Pontualmente sobrevivem ainda alguns dos mecanismos para triturar os cereais, nomeadamente mós e respetivos pousos, tendo já desaparecido os rodízios.
O Concelho de Mora situa-se em local privilegiado, na extremidade N. do distrito de Évora, a NE. de Estremoz, a SO. de Portalegre e a E. de Santarém, ponto de encontro do Alentejo com o Ribatejo; vizinhos ficam os concelhos de Avis, Coruche, Montemor-o-Novo e Arraiolos. O acesso aos moinhos é maioritariamente feito a pé, com distâncias que variam de 500m a 2Km a partir de um acesso viário, principal ou secundário (exceto o Moinho da Courela, sito na freguesia de Brotas a c. de 6km do acesso viário), mas não exigindo o recurso a viaturas de tracção às 4 rodas. Algumas unidades de moagem encontram-se completamente envolvidas pela vegetação não permitindo o acesso ao interior do moinho ou, por vezes nem sequer, ao seu exterior. Principais pontos de partida: Monte das Águias em Brotas, Cabeção e Pavia.
A maioria destas estações de moagem localizam-se em zona de planalto, levemente ondulado, de relevo por vezes sinuoso e acidentado, na qual a Ribeira da Seda constitui considerável vale. A região conjuga a paisagem típica alentejana, o montado alentejano, com a paisagem ribatejana. A área possui uma elevada diversidade de habitats, com predomínio para o montado de sobro e azinho, com utilização do sub-coberto para pastorícia e algumas culturas agrícolas e forrageiras, dispersos pinhais, pinheiros isolados, pequenos eucaliptais, clareiras desarborizadas ou de arvoredo pouco denso; a vegetação arbustiva é característica do clima mediterrânico, com maior incidência para a Esteva (Cistus ladanifer) e o Rododendro (Rhododendron) estando presente também a Figueira-da-Índia (Opuntia ficus-indica). Parte do território pertence ao "Sítio Cabeção", integrado na Rede Natura 2000. A nível da fauna encontramos, entre outros, o Javali (Sus scrofa), a Raposa (Vulpes vulpes), o Rato-de-cabrera (Microtus cabrerae), o Texugo (Meles meles), a Lontra (Lutra lutra); nas linhas de água vários anfíbios e répteis como a Rã-verde (Rana perezi), a Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), o Sapo-parteiro (Alytes obstetricans) e a Cobra-de-água-viperina (Natrix maura), bem como várias espécies aquícolas salientando-se o Barbo (Barbus) e o Pimpão (Carassius auratus); no campo da avifauna, destaque para a comunidade de rapinas, com populações numerosas de Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) e de Águia-calçada (Hieraetus pennatus), marcando presença também, na primavera, a Águia-cobreira (Circaetus gallicus), o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus) e a Ógea (Falco subbuteo); vários passeriformes, com destaque para os Chapins, Toutinegras, o Rouxinol (Luscinia megarhychos), o Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus), e ainda o Pica-pau-malhado (Dendrocopos major) e o Pica-pau-galego (Dendrocopos minor) entre outros.
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Casas de fresco são elementos construídos, em material inerte e/ou vegetal, que constituem zonas de estadia no interior de um jardim, às quais estão associados momentos de paragem e repouso. As casas de fresco marcam presença há muito em jardins de composição mais elaborada, na maior parte das vezes associadas ao elemento água.
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Já os paisagistas romanos (Topiarii) incluíam nas suas composições paisagísticas de sumptuosas villas as diaeta, pavilhões no exterior, onde quase sempre existia uma fonte, onde se podia comer, conversar, repousar (Araújo, 1962).
Em Portugal, o ressurgimento das artes opera-se a partir de meados do século XV, sobretudo no reinado de D. João II (1481 a 1495), no qual se assiste a um forte movimento de construção de quintas e palácios, passando o jardim a ser alvo de maiores preocupações plásticas e transformando-se, assim, numa verdadeira arte decorativa. Esta nova arte decorativa rapidamente se expandiu para além da clausura dos pátios, claustros, hortos ou jardins, dando lugar a espaços amplos onde as pessoas habitualmente permaneciam ou que frequentavam. Os jardins passam a integrar elementos inertes decorativos inexistentes até então, como fontes, chafarizes e tanques. O tanque — espelho de água — assume um papel estruturante no espaço, gerando em seu redor locais de estar que permitiam o usufruto da sua frescura; em casos mais requintados, a casa de fresco junta-se ao tanque. Os jardins passam a obedecer a elaborados princípios de composição paisagística: as quintas enchem-se de recantos artisticamente implantados, aproveitando os percursos mais agradáveis e a proximidade de fontes e tanques, tirando partido das vistas para a criação de ambientes especialmente aprazíveis (Araújo, 1962).
É no século XVI que vamos assistir ao afirmar da arte paisagista, em quintas de residência e veraneio ou na cerca de alguns conventos, ficando definidos os fundamentos de uma tradição portuguesa, como a salvaguarda da vertente utilitária destes espaços (Araújo, 1962). A Quinta da Bacalhoa constitui um excelente exemplo, onde encontramos uma soberba casa de fresco, agregada a um espelho de água que desempenha a função de tanque de rega. Os jardins da Bacalhoa vão privilegiar estes elementos e o Passeio (percurso), tornando-se os seus elementos um modelo referencial para os jardins portugueses dos séculos XVII e XVIII (Carita, 1998). Desde meados do século XV até finais do século XVII, é no Centro e Sul do País que as criações paisagistas adquirem maior esplendor, facto justificado pela presença da corte em Lisboa e das suas frequentes deslocações a Sintra, Ribatejo e terras alentejanas (Araújo, 1962). A azulejaria, até aqui restrita à arquitetura religiosa, passa a estar presente nos jardins, constituindo exemplo a casa de fresco associada à fonte dos passarinhos, em 1651, na Quinta da Penha Verde em Sintra (Carita, 1998).
A partir do século XVIII, no Norte do País, os jardins ocupavam patamares para uma economia de água nas regas, que era distribuída por tanques e minas a partir de cotas superiores, donde resultava uma profusão de fontes, lagos e chafarizes, muitas vezes associados a casas de fresco, que se opõem aos grandes espelhos de água do Sul (Carita, 1998).
A estética dos jardins do século XVIII do Norte, como a Sul, vai perdurar até finais do século XIX, altura em que surge um novo conceito de jardim — o Jardim Romântico. Cenográfico por natureza, é a antítese do jardim de estar da tradição portuguesa. A abundância de água, quando existe, proporciona o desenvolvimento de densas florestas e a existência de lagos e riachos, características tão caras ao jardim romântico; as casas de fresco são, de uma maneira geral, substituídas por templos e ruínas.
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A partir da última década do século XIX, à semelhança do que sucedeu em Portugal Continental e Insular, também as antigas colónias portuguesas foram providas de faróis, bóias luminosas, sinais horários e de mau tempo, estações radiotelegráficas e de socorros a náufragos, e demais equipamentos que contribuem para a segurança marítima.
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Desde o início do século XVI surgem referências ao uso de fogueiras em pontos estratégicos como modo de assinalar a linha de costa e de orientar a navegação.
O primeiro farol em território nacional, a Torre de São Miguel-o-Anjo, localizado na foz do rio Douro, terá sido construído em 1528. No entanto, apenas no século XVIII, em 1758, por alvará do marquês de Pombal, é criado o Serviço de Farolagem, uma organização oficial sob a alçada da Junta do Comércio com a responsabilidade de assinalar devidamente os principais perigos da faixa costeira. Com a criação deste serviço são mandados edificar vários equipamentos, sendo o primeiro deles o Farol da Senhora da Luz, também localizado na foz do rio Douro.
Até 1892 esta responsabilidade vai sendo atribuída a variados serviços de diferentes ministérios. A partir dessa data passa a fazer parte das obrigações do Ministério da Marinha e do Ultramar, e no início do século XX, em 1907, o Serviço de Faróis constitui já uma entidade específica com a responsabilidade pelo funcionamento dos faróis, diretamente dependente da Direção-Geral da Marinha. Em 1924 é criada a Direção de Faróis, organismo a quem cabe a gestão, coordenação e manutenção de todos estes equipamentos.
A partir da última década do século XIX, à semelhança do que sucedeu em Portugal Continental e Insular, também as antigas colónias portuguesas foram providas de faróis, bóias luminosas, sinais horários e de mau tempo, estações radiotelegráficas e de socorros a náufragos, e demais equipamentos que contribuem para a segurança marítima.
Com a independência dos territórios ultramarinos verifica-se um interregno nas intervenções nos faróis, só retomadas a partir da década de 1990 com o desenvolvimento de ações de cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs). Destaca-se, entre elas, o Acordo de Cooperação Técnico-Militar Luso-Santomense, a partir do qual a Marinha Portuguesa apoiou o arquipélago de São Tomé e Príncipe na recuperação da sua rede de farolagem, reabilitando alguns dos faróis existentes e construindo outros.
Atualmente existem dezassete faróis e farolins neste arquipélago. A rota proposta inclui todos os equipamentos existentes na Ilha de São Tomé e na Ilha do Príncipe.
Na Ilha de São Tomé localizam-se os seguintes faróis:
- Farol do Ilhéu das Cabras;
- Farolins da Baía de Ana Chaves;
- Farol de São Sebastião;
- Farol do Ilhéu Santana;
- Farol de Angolares / Farol de Juntabudo;
- Farol do Ilhéu Gago Coutinho (Ilhéu das Rolas);
- Farol da Ponta Furada;
- Farol da Lagoa Azul;
Na Ilha do Príncipe localizam-se os faróis:
- Farol da Tinhosa Grande;
- Farol do Ilhéu Boné de Jóquei;
- Farol do Focinho de Cão;
- Farol do Ilhéu Bombom;
- Farol dos Mosteiros;
- Farolim Santo António do Príncipe / Farol de Santo António da Mina;
- Farolim da Ponta da Mina;
- Farolim da Ponta Chindela / Farol da Ponta da Garça.
Pelas dimensões reduzidas das duas ilhas, e o seu relevo pouco acentuado, estes faróis são pequenos, se comparados com os existentes em Portugal Continental.
O Farol de São Sebastião destaca-se por ser o único que se situa numa fortaleza, aproveitando a localização estratégica da estrutura preexistente.
Também os vários ilhéus junto à costa beneficiaram de instalação de luzes para coordenação do tráfego marítimo, sendo este o caso do Farol do Ilhéu das Cabras, o mais antigo existente no arquipélago, e dos faróis do Ilhéu das Rolas, do Ilhéu Santana, do Ilhéu dos Mosteiros, do Ilhéu Bombom e do Ilhéu Boné de Jóquei, acessíveis apenas por barco.
Os equipamentos reabilitados ou construídos no âmbito do já referido Acordo de Cooperação Técnico-Militar Luso-Santomense apresentam torres semelhantes entre si, em betão armado, de pequena dimensão e secção em cruz. São os casos, na Ilha de São Tomé, dos faróis da Lagoa Azul, do Ilhéu Santana, de Angolares e da Ponta Furada; e, na Ilha do Príncipe, dos farolins da Ponta da Mina e da Ponta Chindela, e dos faróis dos Mosteiros, Focinho de Cão, Ilhéu Bombom, Ilhéu Boné de Jóquei e Tinhosa Grande.
O Farolim de Santo António do Príncipe destaca-se dos restantes pela sua implantação, estando a sua luz localizada na cobertura do edifício da capitania do porto de Santo António do Príncipe.
Refira-se ainda a existência da boia Micau, instalada em julho de 2011 para sinalizar os destroços de um navio com o mesmo nome, afundado à saída da Baía de Ana Chaves. Este equipamento não está incluído na rota por não ser relevante em termos arquitetónicos, embora o seja em termos de navegação.
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O Farol, equipamento de gestão de tráfego marítimo através de uma luz de sinalização, surge em várias formas de acordo com a época de construção, a sua localização e o tipo de material utilizado na sua construção.
A rota proposta surge através da análise da tipologia da torre dos faróis:
Rota 1 - Farol de torre prismática com edifício(s) anexo(s) – 25 faróis
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Dada a necessidade de assinalar o relevo da costa e os seus perigos para a navegação marítima, desde o século XVI que há registos da construção de faróis na faixa costeira de Portugal continental.
A partir de 1758, por alvará pombalino, os faróis passam a ser uma organização oficial e em 1866 é realizado um projecto geral de alumiamento marítimo para a costa de Portugal.
A maior parte dos faróis do continente é construída até finais da década de 50 do século XX. Também nesta década há um incremento substancial na construção de faróis nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Verifica-se que até finais do século XIX a maior parte das torres é prismática, com diversos tipos de secção.
O material mais utilizado em construção era a alvenaria de pedra, técnica construtiva que pelas suas características se adapta melhor a construções quadrangulares: de embasamento forte, geralmente com pedra aparente, com paredes grossas, estreitando ligeiramente à medida que a construção sobe.
Os faróis, pela sua complexidade técnica, geralmente necessitam não só de espaços contíguos, onde se possam instalar os equipamentos necessários ao seu funcionamento, como também instalações para acomodação da guarnição para o seu funcionamento e manutenção. Assim, a maior parte dos faróis construídos de origem apresenta edifício(s) anexo(s), tanto no continente como nas ilhas.
Foram incluídos nesta rota 25 faróis localizados em Portugal continental e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Nesta tipologia podem-se identificar 3 sub-tipologias:
- Faróis de torre quadrangular - torres de média altura, de secção quadrada, cuja medida do lado vai reduzindo com a altura. Foram identificadas nesta rota 20 torres com estas características, entre elas a do Farol de Montedor. No caso particular do Farol da Ponta da Ilha, na ilha do Pico, as arestas da torre são chanfradas.
- Faróis de torre hexagonal – torres semelhantes às quadrangulares, mas em que a secção é hexagonal. O corpo da torre apresenta-se dividido em três corpos ou pisos, e a medida do lado vai reduzindo em altura. Nesta selecção surge apenas um exemplar, o Farol do Cabo Espichel.
- Faróis de torre octogonal - torres semelhantes às anteriores, mas de secção octogonal. O corpo da torre apresenta-se geralmente dividido em três corpos ou pisos, e a medida do lado vai reduzindo em altura. Foram identificadas nesta rota 4 torres com esta tipologia, entre elas a do Farol da Guia.
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Os faróis consistem em luzes de aviso à navegação, localizadas em estruturas elevadas, geralmente torres construídas para esse efeito, podendo ter diferentes características, identificando assim um ponto da costa específico.
Esta rota surge através da análise dos diferentes tipos de torre dos faróis:
Rota 2 - Farol de torre circular com edifício(s) anexo(s) – 16 faróis
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Desde o século XVI surgem construções na orla costeira de modo a prevenir naufrágios avisando as tripulações da proximidade de terra.
Inicialmente utilizou-se a alvenaria de pedra mas, a partir do início do século XX, começa-se a utilizar frequentemente o betão armado, técnica que permite construir torres mais altas, mais esbeltas, de secção circular, oferecendo uma menor resistência ao vento.
Foram incluídos nesta rota 16 faróis distribuídos por Portugal continental, arquipélagos dos Açores e da Madeira. Nesta tipologia podem-se identificar 3 sub-tipologias:
- Faróis de torre circular – torres geralmente de grande altura, de secção circular, cujo diâmetro vai reduzindo com a altura. Foram incluídas 6 torres com estas características, entre elas a do Farol de Aveiro;
- Faróis de torre circular nervurada – torres circulares que, devido a um reforço estrutural, apresentam nervuras, criando uma malha de reforço pelo exterior, existindo 7 faróis com estas características, entre eles o de Santa Maria, na ilha da Culatra;
- Faróis de torre cilíndrica – são consideradas cilíndricas as torres cujo diâmetro da secção circular se mantém ao longo de toda a extensão da torre. Foram identificados 3 faróis com estas características nesta rota, entre eles o do Bugio.
Estas torres são acompanhadas por um ou mais edifícios, anexos ou adossados, para instalação de parte da maquinaria e para acomodação da guarnição (faroleiros e outros técnicos) de modo a permitir o normal funcionamento e manutenção dos equipamentos.
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Desde a antiguidade, em que as confrarias de marítimos mantinham fogueiras acesas em locais elevados, houve a necessidade de avisar a navegação do perigo que o relevo da costa representava. Para além da construção de edificações propositadamente para esse fim, houve também o aproveitamento de preexistências
A rota proposta surge da análise do tipo de edifício onde o farol se implanta:
Rota 3 - Farol localizado em forte – 10 faróis
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Quando a navegação surge de uma forma mais regular passa a haver a preocupação de alertar os navegantes para os perigos do relevo da faixa costeira. Nesse sentido há notícia de várias construções utilizadas para esse fim a partir do século XVI. Para além da edificação propositada de estruturas para colocação de luzes, houve também o aproveitamento de edificações localizadas em locais estratégicos.
As fortalezas existentes na linha de costa foram aproveitadas para a implantação de vários faróis pelo que não foi necessária qualquer construção anexa uma vez que os próprios fortes continham espaços que puderam ser aproveitados para esse fim. Por vezes era apenas construída uma casa para o faroleiro dentro da fortaleza. O farol é constituído apenas pela lanterna, não sendo sequer necessária a construção de uma torre. Esta situação verifica-se apenas em Portugal continental, não havendo nos arquipélagos dos Açores e da Madeira qualquer situação de um farol principal implantado num forte.
Nesta rota foram incluídos 10 faróis localizados na costa oeste de Portugal continental, acima do rio Sado, sendo de destacar o Farol da Nazaré como exemplo.
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A necessidade de alertar a navegação para os perigos existentes junto da faixa costeira origina a instalação de edificações que permitam, de um modo contínuo e seguro, alertar as tripulações das embarcações da proximidade de terra. As características destas torres e das suas luzes (altura, intensidade, tipos de relâmpago, cor) permitem também a identificação da sua localização.
Esta rota surge da observação da tipologia construtiva da torre dos faróis:
Rota 4 - Farol com torre cilíndrica “tourelle” – 7 faróis
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Desde o século XVI até meados do século XX, devido à necessidade de alertar a navegação para os perigos da orla costeira, dá-se a construção de várias estruturas onde se localizavam luzes de diversas características, identificando vários pontos da costa.
Verifica-se que até finais do século XIX a maior parte das torres é prismática, de construção em alvenaria, com diversos tipos de secção.
Ainda durante o século XIX surge uma tipologia de farol constituída por uma pequena torre metálica, em ferro fundido, geralmente tendo uma altura entre 13 e 15 metros. Denominada por “tourelle” francesa é utilizada sobretudo na instalação de faróis em estruturas pré construídas, como fortalezas na faixa costeira. É caracterizada por uma coluna cilíndrica, com nervuras exteriores para uma maior resistência estrutural, com a lanterna localizada no topo. Não foram localizados quaisquer exemplares abaixo da zona de Setúbal, nem nas ilhas.
Nesta rota foram incluídos 7 faróis localizados na costa oeste de Portugal continental, acima do rio Sado. Como exemplo desta tipologia destaca-se a torre do Farolim da Agonia, em Viana do Castelo.
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