Núcleo urbano da cidade de Elvas / Cidade e Praça de Elvas

IPA.00001839
Portugal, Portalegre, Elvas, Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso
 
Núcleo urbano sede municipal. Cidade situada em colina na fronteira do Alentejo. Vila medieval com castelo e cerca urbana e praça de guerra seiscentista implantada na fronteira do Alentejo. Existência de três cinturas de muralha gerando malhas urbanas de carácter muito diverso, herança de variadas épocas de construção. Planta compacta com pouco lugar a terrenos vazios, dos quais se destacam a Praça Nova (actual Praça da República), a Rua da Cadeia e o Largo dos Combatentes da Grande Guerra. Hierarquia viária de raiz medieval na qual as ruas apresentam uma forma mais estreita e sinuosa e quarteirões de dimensões variadas sendo que, à medida que se avança para S. no sentido do crescimento da cidade, vai-se encontrando uma maior regularidade no traçado com preocupações de ortogonalidade condicionadas pela topografia do terreno, quarteirões de menores dimensões e com formato aproximado ao rectangular. Zona de maior densidade comercial e de serviços localizada da Rua da Cadeia, Rua de Alcamim e Rua de Olivença. Tipologia arquitectónica inserida nos padrões da arquitectura tradicional alentejana, caracteriza-se por casas correntes de dois a três pisos com paredes de alvenaria de grande espessura caiadas a branco com chaminés à face de grandes dimensões e coberturas em telhado de duas águas revestidos a telha de canudo.
Número IPA Antigo: PT041207010029
 
Registo visualizado 4204 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Cidade  Vila medieval  Vila fortificada  Régia (D. Sancho II)

Descrição

Núcleo urbano com origem num ponto alto, junto da fronteira com Espanha, cuja localização estratégica lhe destinou desde sempre um forte carácter defensivo. Evolução urbana marcada pela existência de várias cinturas de muralhas que foram condicionando e estruturando as várias épocas de crescimento da cidade. Cidade de raiz orgânica apresenta uma imagem irregular no que diz respeito à sua morfologia identificando-se no entanto duas zonas distintas correspondentes a duas fases de desenvolvimento, uma primeira no espaço circunscrito pelas duas cinturas de muralhas da cidade islâmica e uma segunda, de traçado mais regular, na zona de expansão para S. da segunda cerca de muralhas muçulmana até aos limites da muralha fernandina. Implantada numa zona alta, a cidade desenvolveu-se desde o Castelo em direcção a S., de forma ocasional através de ruas e becos de desenho irregular e de reduzida dimensão ajustados à topografia do terreno configurando assim quarteirões de traçado orgânico com logradouros de grandes dimensões. Núcleo fundacional junto ao Castelo, envolto pela primeira cintura de muralhas árabe - da qual restam hoje poucos vestígios - correspondente à actual zona da Parada do Castelo, Largo do Castelo, Rua das Beatas, Arco do Miradeiro e Largo e Travessa da Alcáçova, onde se situava a Medina Árabe espaço hoje ocupado pela Igreja de Nossa Senhora da Alcáçova (v. PT041207010092). É bem visível no traçado urbano desta zona da cidade a tradição muçulmana de ruas estreitas e sinuosas e habitações de área reduzida com um a dois pisos. O desenvolvimento e prosperidade da cidade durante o séc. 12 levam ao aumento da população e consequente expansão da cidade extra-muros à volta da muralha tornando necessária a construção de um segundo perímetro defensivo, em direcção a S., erigido nas proximidades do eixo formado pelas actuais Ruas João Pereira de Abreu, Rua da Cadeia, Rua de Brás Coelho e Rua Sá da Bandeira, funcionando a Porta da Alcáçova como elemento de ligação. Parte desta segunda linha de muralhas é ainda visível nos dias de hoje; exemplo disso são as torres e troços de muralha, adossados a construções posteriores, existentes na Rua João Pereira de Abreu. A Medina Árabe estender-se-ia até ao limite da segunda cintura de muralha estruturando-se segundo eixos de ligação às portas da cidade, um dos quais formado pelas actuais Ruas de S. Pedro, dos Açougues e de Isabel Maria Picão efectuando a ligação NE. / SO. Mantém-se uma tipologia arquitectónica com casas de um e dois pisos de lote estreito, muito embora com maior área; de realçar a existência de algumas casas abastadas. A malha urbana de raiz medieval sofreu algumas alterações não correspondendo hoje ao seu traçado original; exemplo disso é a existência da Praça Nova, para a abertura da qual foi demolida parte da malha urbana da época muçulmana, e que funciona hoje como núcleo central da cidade, espaço organizador das suas artérias principais e como representante do poder administrativo da cidade. É neste local que se situam os actuais Paços do Concelho, a Casa da Cultura (v. PT041207020138) e o Posto de Turismo (v. PT041207020150). Da mesma época é também a abertura da Rua Tenente Passos e Sousa que faz a ligação da Praça Nova à Rua dos Quartéis onde se situam parte do conjunto de habitações, construídas durante os sécs. 16 e 17, originalmente destinadas ao alojamento das tropas que defendiam a cidade. Persistem vários exemplares desta tipologia espalhados pela cidade. Também na Rua da Cadeia e Rua André Gonçalves se encontram exemplos de edifícios construídos numa época mais recente, como é o caso do edifício dos CTT (v. PT041207030072) e das agências bancárias, Caixa Geral de Depósitos (v. PT041207020071) e edifício do Banco Millenium (v. PT041207020134). Ainda dentro do perímetro da segunda cerca de muralhas contam-se inúmeros edifícios de carácter religioso, erigidos como testemunho da reconquista da cidade aos mouros: Igreja de Santa Maria dos Açougues (actual Igreja de Nossa Senhora da Assunção v.PT041207030001), na Praça Nova (actual Praça da República), a Igreja de São Pedro (v. PT041207050002) na Rua de São Pedro, Igreja da Madalena (actual Igreja das Domínicas – v. PT041207010004) no Largo do Dr. Santa Clara e Igreja de S. João da Corujeira (v. PT041207020149) na Rua de S. João da Corujeira. Fruto de alterações ocorridas na mesma época é a abertura do Largo do Salvador, local de concentração de poderes da cidade, onde se situaram os primeiros Paços do Concelho e a Igreja do Salvador, demolida no séc. 19. As duas cercas árabes não impediram o crescimento e a expansão da cidade continuou em direcção a S. tornando-se necessária a construção de uma nova muralha durante o reinado de D. Fernando definindo novos limites para a cidade, limites esses que se mantêm quase inalterados até aos dias de hoje. A nova muralha, de perímetro muito superior à malha urbana existente para permitir uma expansão urbana protegida, era constituída por vinte e duas torres e onze portas: a dos Banhos, perto da actual Porta de S. Vicente e actual Fonte da Prata; de Badajoz, onde hoje existe o portão do Regimento; dos Mártires, junto ao Convento de São Domingos; de Olivença ou Real, nas Portas de Olivença; de Évora, junto à rua com o mesmo nome e onde foi construída a Igreja do Hospital de S. João de Deus; de S. Pedro, junto aos Fornos d'El-Rei; de S. Francisco, ao fundo da rua com o mesmo nome; dos Enforcados, na actual Porta da Esquina; de S. Martinho, perto da antiga Igreja de São Martinho; do Templo, junto à entrada da cerca árabe e do Hospital, junto à Igreja de S. João da Corujeira. A expansão da cidade para S. vai seguir os conceitos do urbanismo árabe e medieval apresentando o traçado bastantes alterações; as vias estruturam-se numa malha de carácter mais regular, longitudinal e paralelamente à segunda cintura de muralhas árabe. Os quarteirões têm dimensões mais reduzidas e tentam uma organização espacial quase ortogonal apresentando um formato quase sempre rectangular, muito embora condicionados pela topografia do terreno. Excepção feita à zona existente acima da Avenida de S. Domingos, entre a Rua dos Chilões, Travessa Gil Fernandes e Rua de S. Lourenço e onde a malha urbana é ainda bastante irregular, de ruas estreitas com elevada inclinação e quarteirões de dimensões e formatos variados. Trata-se de um uma zona com carácter predominantemente habitacional na qual se destaca o edifício da Igreja do Salvador / Antigo Colégio de Santiago, hoje com funções de Museu e Biblioteca Municipal (v. PT041207010024). Partindo desta zona e em direcção a E. encontramos a zona mais comercial e, consequentemente, a mais movimentada da cidade, delimitada pelas Ruas de Olivença, Cadeia, Évora e Avenida Garcia da Orta. A Rua de Alcamim, de circulação apenas pedonal, é a rua do comércio por excelência, estendendo-se esta actividade pelas Ruas da Cadeia, Feira e Olivença, esta última responsável também pelo acesso automóvel ao centro da cidade, directamente da Porta de Olivença e na qual se situou a primeira Judiaria de Elvas com ligações à Rua dos Sapateiros e Rua Aires Varela. Aqui a malha urbana apresenta as características de regularidade já mencionadas, exceptuando o quarteirão onde se localizam o Convento de S. João de Deus e o edifício da Manutenção Militar (v.PT041207030156). Continuando para E. da Rua de Évora e até à Avenida 14 de Janeiro encontramos uma zona na qual se desenham quarteirões de formato rectangular com o lado de maior dimensão perpendicular à Rua João Pereira de Abreu. Aqui identificam-se duas utilizações predominantes: a habitacional e a militar, desta última destacando-se o edifício do Tribunal Militar e o do Quartel do Trem (v. PT041207030152) actualmente ocupado pela Escola Superior Agrária de Elvas; de referir também a existência do Convento de S. Paulo (v. PT041207030062) cuja igreja se encontra sem cobertura. Por último toda a zona a O. da Rua de S. Lourenço, caracterizada por uma malha também ela regular de quarteirões rectangulares mas aqui com orientação diferente; o lado de maior dimensão paralelo à Rua Sá da Bandeira, por adaptação das construções à topografia do terreno, aqui com maior inclinação. Trata-se de uma zona predominantemente habitacional onde se localiza uma das únicas praças da cidade com presença de zona verde, a Praça dos Combatentes da Grande Guerra junto à Porta de S. Vicente. Parte da área encontra-se ocupada pelo Quartel de Elvas e pelo Museu Militar (v. PT041207 0070), destaca-se também a Igreja dos Domínicos (v. PT041207010003) situada no Largo de S. Domingos. O perímetro da cidade existente na altura da construção da muralha fernandina é aquele que se encontra ainda hoje, exceptuando algumas alterações ocorridas aquando da construção de um novo sistema fortificado no séc. 17 que se veio a sobrepor em grande parte sobre a cintura de muralhas já existente. A nova muralha vem introduzir alterações essencialmente na fisionomia exterior da cidade; trata-se de um sistema constituído por sete baluartes, quatro meios baluartes e um redente, ligados entre si por um pano de muralhas. O número de portas da cidade é reduzido a três, por oposição às onze da muralha fernandina, a porta da Esquina a O., a de Olivença a S. e a de S. Vicente a E. A construção do novo sistema fortificado implicou alguma remodelações urbanas, não em alterações profundas do traçado urbano mas em demolições de modo a possibilitar um acesso facilitado às cortinas e aos baluartes; como foi o caso de construções existentes na Parada do Castelo. Identifica-se hoje em dia em Elvas uma tipologia arquitectónica na qual predominam as casas correntes de dois e três pisos de ½ vãos e as casas multifamiliares, pintadas a cor branca, das quais poucas mantêm o seu revestimento a cal original. Existência um pouco por toda a cidade de casas abastadas e predominância de casas senhoriais dentro do núcleo fundacional e na sua proximidade imediata.

Acessos

A2, IP7, Av. de Badajoz.

Protecção

Património Mundial - UNESCO, 2012 / Incluído nas Fortificações de Elvas e respectiva Zona de Protecção Especial provisória (v. PT041207020011) / Inclui Igreja de Nossa Senhora da Assunção Antiga Sé de Elvas (v. PT041207030001) / Igreja de São Pedro (v. PT041207050002) / Igreja de São Domingos (v. PT041207010003) / Igreja do antigo Convento das Freiras Dominicanas (PT041207010004) / Castelo de Elvas (PT041207020005) / Aqueduto da Amoreira (v. PT041207030008), Muralhas e obras anexas da Praça de Elvas / Cercas urbanas medievais, fortificaçao abaluartada da Praça de Elvas e fortins do campo entrincheirado (v. PT041207020011) / Pelourinho de Elvas (v. PT041207020010) / Igreja da Ordem Terceira de São Francisco (v. PT041207050023) / Igreja do Salvador (v. PT041207010024) / Antigo Colégio de Santiago de Elvas (v. PT041207010024) / Passos da Via Sacra (v. PT041207010040) / Monumento gótico (v. PT041207010202)

Enquadramento

Urbano, situado em colina. Paisagem envolvente com grande diversidade de usos do solo, sendo o xisto a rocha mais abundante, encontra-se ocupada por povoamentos de eucaliptos e extensas áreas abandonadas onde predomina a esteva. Zona de povoamento escasso, com características de isolamento frequentes nas zonas fronteiriças. Enquadrada na região do Alto Alentejo, no distrito de Portalegre, sede do concelho com o mesmo nome, conta com uma população de cerca de 15.000 habitantes distribuídos por cerca de 70ha. A cidade é limitada a N. pelo concelho de Arronches (a 33 km), a NE. pelo concelho de Campo Maior (a 19 km), a E. pelos rios Guadiana e Caia (Espanha), a S. pelos os concelhos de Vila Viçosa (a 40 km), Borba e Alandroal (a 34 km) e a O. pelo o concelho de Monforte (a 33 km). Encontra-se assente num terreno com ondulação suave, destacando-se ligeiramente da planície que a envolve, e tem o seu ponto mais alto no monte de Nossa Senhora da Graça, na zona a N. da cidade, atingindo os 404 metros acima do nível médio das águas do mar. O concelho é constituído por sete freguesias: uma urbana, Alcáçova e Assunção, as restantes rurais ou semi-rurais, Caia, São Pedro Alcáçova, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso, que abrangem parte da cidade, e Santa Eulália, São Vicente e Ventosa, Terrugem, e São Brás e São Lourenço. Na proximidade imediata do núcleo urbano de Elvas destacam-se o Aqueduto da Amoreira (v. PT041207030008), o Forte de Nossa Senhora da Graça (v. PT041207020006) e o Forte de Santa Luzia (v. PT041207030027).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 15 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS MILITARES: Francisco de Arruda, João Pascácio Cosmander, Charles Lassart, Jean Gilot, Nicolau de Langres, Rui Correia Lucas, Matias de Albuquerque, Étienne Valleré.

Cronologia

Paleolítico - vestígios de presença de populações, na zona do Alto Alentejo, nas grutas de Santiago do Escoural; Neolítico - presença de elevado número de vestígios megalíticos na região de Elvas; séc. 6 a.C. - presença céltica; séc. 2 a.C. - conquista por parte dos romanos passando o burgo a deter o nome de Elvii; 714 d.C - invasão da península Ibérica por parte dos muçulmanos, que tomaram a vila de Elvas e lhe deram o nome de Ielche; séc. 10 - edificação do castelo de Elvas; séc. 12 - construção da segunda cerca moura; 1166 - primeira tentativa da tomada de Elvas aos mouros; 1226 - D. Sancho II dirige uma expedição contra Elvas; 1228 - aquisição, por D. Sancho II, da posse de Elvas, como pertença do reino de Portugal; 1229, Maio - concessão de carta de foral por D. Sancho II ; 1230 - nomeação do primeiro alcaide-mor de Elvas, Gonçalo Martins, por D. Sancho II. 1264 - doação de Vila Boim ao concelho de Elvas; 1266 - doação de um terreno para a construção do Mosteiro de S. Domingos por Estevão Moniz e sua mulher Maria Pires; 1267 - fundação do Convento de S. Domingos por ordem de D. Afonso III; 1270 - carta de D. Afonso III a conceder o bairro da Almocôvar para instalação da mouraria; 1338 - casamento entre a Infanta D. Beatriz e D. João I de Castela; 1361, 23 Março - 1ª reunião da corte do Rei D. Pedro I; 1369 - cerco de Elvas imposto pelo Infante D. João; 1382 - assinatura do tratado de paz, que pôs termo à terceira guerra luso-castelhana, no qual os castelhanos restituíram Almeida e Miranda, assim como os homens e os navios que tinham retido ao reino português. O tratado negoceia ainda o casamento de D. Beatriz com o Infante D. Henrique, segundo filho de D. João I de Castela; 1384, 26 Março - nomeação do alcaide de Elvas Gil Fernandes pelo Mestre de Aviz; 1390 - nomeação para alcaide de Fernão Lopes de Abreu por D. João I ; 1425 - a Judiaria muda-se para uma zona localizada mais a Sul, fora das muralhas conquistadas pelos portugueses, passando a localizar-se nas proximidades das Ruas de Alcamim e de Olivença; 1443 - nomeação de Diogo Lopes para alcaide; 1490 - entrada em Portugal da princesa castelhana D. Isabel para casamento com D. Afonso; 1498 - início da construção do Aqueduto da Amoreira; 1512, 1 julho - concessão de foral novo por D. Manuel I; 1513, 20 abril - elevação da vila a cidade por Carta Régia; 1517 - ordenada a construção de uma nova igreja (Igreja de Nossa Senhora da Praça, mais tarde Igreja de Nossa Senhora da Assunção) que viria a ser a Sé de Elvas, limitando a Praça Nova no seu topo Norte, no local onde anteriormente se localizava a Igreja de Nossa Senhora do Açougue; 1519 - visita de Filipe II de Castela; 1525 - D. Isabel atravessa a fronteira de Elvas para se casar com o rei de Espanha; 1527 - no inquérito efectuado nesse ano, Elvas era a quinta cidade portuguesa no que diz respeito ao número de fogos existentes. Segundo este, a cidade tinha 1916 fogos no seu intramuros; 1538 - construção dos novos Paços do Concelho, na Praça Nova; 1540 - fundação do Convento das Freiras Dominicas; 1566 - fundação do Convento dos Jesuítas e da Igreja do Salvador; 1570, 9 junho - criação da diocese de Elvas por Pio V que nomeia seu bispo D. António Mendes de Carvalho. A Igreja erguida na Praça nova e promovida a Sé. O bispado de Elvas servia os concelhos de Elvas, Arronches, Monforte, Campo Maior e Olivença; 1591 - fundação do convento de S. Francisco; 1607 - a cidade é bombardeada durante a Guerra da Sucessão; 1622 - terminam as obras do Aqueduto da Amoreira; 1640, 11 dezembro - criação pelo Rei de um "Conselho de Guerra"; 1641 - data do primeiro desenho para o Forte de Santa Luzia, por Matias de Albuquerque, redefinido na mesma data por Sebastião Frias para um formato de estrela. O desenho final vem a pertencer a João Pascácio Cosmander; 1642, 27 dezembro - fundação pelo Rei da "Junta das Fronteiras", que vai incumbir Cosmander de inspeccionar todas as praças fronteiras e de empreender as obras que considerasse necessárias para a defesa do país; 1643, janeiro 17 - instituição de um imposto sobre os habitantes com o objectivo de angariação de fundos para a construção de quartéis destinados ao alojamento das tropas que defendiam a cidade. Os quartéis de S. João da Corujeira foram os primeiros a serem construídos, tendo sido seguidos pela construção de outros durante cerca de 120 anos; 1643 - início das obras de construção das novas muralhas. O novo sistema é constituído por sete baluartes, quatro meios baluartes e um redente, ligados entre si por cortinas. O número de portas da cidade fica agora reduzido a apenas três: as portas da Esquina (a O.), de Olivença (a S.) e de S. Vicente (a E.); 1651 - o príncipe D. Teodósio, filho de D. João IV, funda a Aula de Fortificação de Elvas. A Aula era uma escola que ensinava ciências militares, onde se podiam obter conhecimentos específicos nas áreas de Artilharia, Matemática, Fortificação e Desenho. Esta acabou por se tornar uma das melhores escolas de Arquitectura militar do país, grandemente impulsionada por Cosmander; 1658 / 1659 - cerco do conde-duque de Olivares; 1659, 13 janeiro - chega à cidade o general André de Albuquerque da Casa de Ribrafria, com o seu exército que se encontrava reunido em Estremoz. A este exército juntaram-se as forças militares de Juromenha, Vila Viçosa, Borba, Campo Maior, Arronches e Monforte; 1663 - concentração de tropas portuguesas em Elvas para combater D. João de Áustria; 1694 - construção do Trem que servia para fabrico, reparação e guarda de apetrechos e munições miltares; 1704 / 1715 - ataque da cidade por tropas castelhanas e francesas; 1706 - a cidade de Elvas é cabeça de Comarca; 1755, novembro - o terramoto deixa marcas profundas na fisionomia da cidade, provocando a derrocada de alguns edifícios; 1761 - Portugal não adere ao "Pacto de Família" celebrado entre França e Espanha e é sujeito a mais uma declaração de guerra, tendo sido apoiado pelos ingleses que enviam um Corpo Expedicionário. O comando do exército é entregue ao Conde de Lippe; 1763 - início da construção do Forte da Graça, projecto incial do Conde de Lippe, cujas obras foram dirigidas pelo engenheiro francese Étienne Valleré; 1792 - conclusão da construção do Forte da Graça; 1801 - a união franco-espanhola envia um ultimato a Portugal para fechar os portos aos navios ingleses. Portugal recusa o pedido e volta a entrar em guerra e as tropas inimigas tomam nove praças portuguesas incluindo Elvas e Campo Maior que são as únicas a oferecer resistência. Este conflito toma o nome de Guerra das Laranjas; 1807 / 1814 - a guarnição militar de Elvas ruma a Badajoz contribuindo para a vitória contra as tropas de Napoleão; 1807, 27 outubro - assinatura do Tratado de Fontainebleau entre França e Espanha que definia a partilha de Portugal, o que resultou numa nova guerra: a Guerra Peninsular. Elvas é invadida por tropas francesas; 1808, 1 outubro - as tropas francesas abandonam a cidade de Elvas; 1840 - o Governo nomeia Sá da Bandeira comandante da sétima região militar e governador de Elvas; 1880 - fundação do Museu Arqueológico e Etnológico de Elvas; 1881, 30 Setembro - por bula papal de Leão XIII, o Bispado de Elvas é extinto. A Sé de Elvas retoma a denominação de Igreja de Nossa Senhora da Assunção, passando a cidade a pertencer à diocese de Évora; 1930, 28 abril - inauguração do Cine-Teatro de Elvas, construído no local onde antes existira o Convento das Dominicas; 1940, dezembro - projecto de reposição do pelourinho de Elvas; 1942 - é projectada a Pousada de Elvas, a primeira existente em Portugal, de autoria do arquitecto Miguel Jacobety Rosa; 1951 - construção de um viaduto sobre o fosso que veio a permitir a ligação imediata do núcleo intramuros com o exterior. O atravessamento viário é feito no local do baluarte de S. João de Deus; 1963 - é projectado o Tribunal de Justiça de Elvas, autoria do arquitecto Álvaro da Fonseca; 1985 - construção do Bairro de S. Pedro, a sul da cidade, com projectos da autoria dos arquitectos Jorge Alves, Carlos Alves e Clara Silva; 1988 - assinatura do protocolo entre a Câmara Municipal de Elvas e o Governo para criação do Gabinete Técnico Local (GTL), responsável pela elaboração do Plano de Salvaguarda do Centro Histórico; 1998, 29 outubro - declaração da área de crítica de recuperação e reconversão urbanística (ACCRU) do centro histórico de Elvas, pelo Decreto n. º 39/98, DR n.º 250, 1ª série-B; 2011, 24 agosto - lançamento do concurso público para elaboração do Plano de Pormenor do Centro Histórico de Elvas (Anúncio n.º 4316/2011, DR n.º 162, 2.ª série); 2012, 30 junho - classificação pela UNESCO como Património da Humanidade do Sistema fortificado da Praça de Elvas; 2013, 18 novembro - desafetação do domínio público militar da fortificação da Praça de Elvas (v. IPA.00003245), dos paióis da Conceição e da Bateria às Portas de São Vicente, dos quarteis da Corujeira e de São Paulo e da casa dos Fornos (Despacho n.º 14982/2013, DR n.º 223, 2.ª série); 2013, 28 janeiro - criação da União das Freguesias de Assunção, Ajuda, Salvador e Santo Ildefonso por agregação das mesmas, pela Lei n.º 11-A/2013, DR, 1.ª série, n.º 19.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes, sistema estrutural misto verificando-se pontualmente estruturas em betão armado.

Materiais

Paredes de alvenaria mista, alvenaria de tijolo, alvenaria ordinária, tijolo maciço, cantaria e blocos de betão. Coberturas revestidas a telha de canudo, lusa, marselha e cimento. Guarnições dos vãos em cantaria.

Bibliografia

COSTA, António Carvalho da, Corografia Portuguesa, Lisboa, 1706, tomo II, p.529; CARDOSO, P. Luís, Dicionário Geográfico de Portugal, T. 1, Lisboa, 1747; PROENÇA, Raul, Elvas in Guia de Portugal, Lisboa, 1927; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Portalegre, Lisboa, 1943; ALMADA, Vitorino, Elementos para um dicionário de Geographia e História Portuguesa - concelho de Elvas, Elvas,1988; DENTINHO, Maria do Céu Ponce, Elvas Monografia, Elvas, 1989; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, Lisboa, INAPA, 1990; MORGADO, Amílcar F., Elvas, Praça de Guerra, Arquitectura Militar, Elvas, 1993; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Mário, Elvas, Lisboa, 1996; VIEIRA, Rui Rosado, Centros Urbanos no Alentejo Fronteiriço: Campo Maior, Elvas e Olivença, Lisboa; VALE, Nuno Gonçalo Antunes Martins do, Elvas: paisagem cultural, Lisboa, 2003; Câmara Municipal de Elvas, Elvas, História Viva, boletim municipal nº 2, Elvas, 2007; Câmara Municipal de Elvas, Elvas, História Viva, boletim municipal nº 3, Elvas, 2007; Câmara Municipal de Elvas, Elvas, História Viva, boletim municipal nº 4, Elvas, 2007; Câmara Municipal de Elvas, Elvas, História Viva, boletim municipal nº 5, Elvas, 2008; MONUMENTOS, nº 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, 2008; Garrison Border Town of Elvas and its Fortifications, UNESCO, http://whc.unesco.org/en/list/1367 (consultado em 12-09-2012)

Documentação Gráfica

IHRU: SIPA, DGEMN/ DSID; DGEMN/DSARH (Plantas aerofotogramétricas); DGEMN/DREL: Planta de Elvas, Zonas de protecção (DES.0129892); BNP: Nicolau de Langres, Desenhos e Plantas de todas as Praças do reyno de Portugal, c. 1661 (BN Códice 7445), Planta da Fortificação da cidade Delvas Anno de 1699, João Tomás Correia (D.A. 7A), Elvas Villa Viçosa, Angel Sanchez Rivero (E.A. 326 A.E.A. 112 A); AHM: Planta do castello da Praça de Elvas, s.a., 1868 (3ª div., cx. 47, nº 18384/5), Planta da Praça de Elvas, s.a., 1868 (3ª div., cx. 47, nº 18386/5), Planta da Praça de Elvas, com os seus Fortes Adjacentes (...), Francisco d' Alincourt, 1802 (3ª div. cx. 47, nº 19244/9, Planta da Praça de Elvas, os seus Fortes e Arredores com a Planta das Obras Projectadas (...), Achiles de la Rosière, 1803 (3.ª div., cx. 47 (Plantas do AML 5.4. AH3/6), Elvas / Évora, A. Coquart, s.d., (3ª div., cx. 47, nº 4957/3/7), Praça d'Elvas, s.a., s.d. (3ª div., cx. 47, nº 17098/31); GEAEM, Elvas, s.a., s.d. (7647/5-73-77); DGOTDU, Arquivo Histórico: Plano Geral de Urbanização de Elvas, Arq. João Vaz Martins, 1976.

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH (DSARH-005-4938/04); DGOTDU, Arquivo Histórico: Anteplano de Urbanização da Cidade de Elvas, Arq. Maria José Moreira da Silva e Arq. Urb. David Moreira da Silva, 1949, Plano Geral de Urbanização de Elvas, Arq. João Vaz Martins, 1976.

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1941, 1943 / 1948 - obras de intervenção no Castelo de Elvas, demolição de anexos e construções no pátio, reintegração parcial da alcáçova; DGEMN / Câmara Municipal de Elvas: 1959 e 1960 - Reparação da Torre da Cadeia; DGEMN: 1962 - intervenção nas muralhas, reconstrução do muro de um baluarte junto ao Quartel de Lanceiros; 1965 - restauro da Torre da Cadeia; 1983 - consolidação muros; 1986 - consolidação de panos de muralha na Rua Sá da Bandeira e junto ao Arco do Bispo; 1994 - obras de conservação no troço da muralha fernand.ina na R. das Escadinhas e na guarita pertencente à Porta de Terceiros; 2001 - obras de recuperação na frente abaluartada da Porta de Olivença.

Observações

*1 - Inclui também as freguesias de Alcáçova, Assunção e Caia e São Pedro.

Autor e Data

Anouk Costa / Cláudia Morgado / Marta Clemente / Rita Vale 2008

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login