Mosteiro de Santo André de Rendufe

IPA.00001898
Portugal, Braga, Amares, Rendufe
 
Mosteiro beneditino masculino, barroco, com igreja de planta em cruz latina e nave única com fachada principal integrando duas torres sineiras e apresentando grande sobriedade estilística. Retábulos de talha dourada, de estilo barroco nacional. Dependências monacais desenvolvidas a S. com restos do claustro que seria de dois pisos, o primeiro com arcada e o segundo fechado com janelas de sacada. As imagens de granito constituem conjunto invulgar. A igreja possui ainda uma série de pedras românicas decoradas com rica temática e boa técnica, como as palmetas completas de sabor compostelano, o que nos sugere que a igreja românica deveria ter certa imponência. Pelos temas decorativos remanescentes, que têm paralelos na região e sobretudo na Sé de Braga (v. PT010303520005), a primitiva construção devia datar entre os meados até ao fim do séc. 12.
Número IPA Antigo: PT010301180004
 
Registo visualizado 1815 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem de São Bento - Beneditinos

Descrição

Planta composta por igreja cruciforme de nave única, capela-mor rectangular, capela adossada a N. e dependências monacais com claustro quadrangular desenvolvidos a S.. Volumes articulados e escalonados de dominante horizontal, quebrados pelo verticalismo das torres sineiras, integradas na fachada pincipal. Coberturas diferenciadas a duas águas na igreja, quatro nas dependências conventuais e cúpulas bolbosas nas torres. IGREJA com fachadas rebocadas e pintadas de branco. Fachada principal de um pano flanqueado por duas torres sineiras, com pilastras nos cunhais sobrepujadas por pináculos e ventanas em cada face. Ao centro, abre-se portal de verga recta e cornija larga saliente encimada por três nichos com imagens ladeados por volutas e tendo os dois laterais inferiormente cartelas de perfil recortado. Sobrepujam-nos outra cornija e três janelões ovais interligados a meio por elemento decorativo. A fachada é rematada por frontão triangular com vários elementos no tímpano. A capela adossada a N. ao braço do transepto tem corpo quadrangular com cobertura coroada por lanternim. No INTERIOR da igreja, coro-alto sobre arco abatido com amplo cadeiral em U de 2 filas e com espaldar decorado por painéis pintados e remates em talha dourada. Junto ao coro, tem do lado do Evangelho um órgão e fronteiro tribuna semelhante. Lateralmente possui quatro capelas com retábulos de talha encimados por janelas, todos com sanefas de talha, dois púlpitos quadrados e quatro mísulas com imagens. Braços do transepto com sanefas de talha e capelas. A capela adossada, no lado do Evangelho, é de cantaria, decorada com almofadas geométricas, tendo retábulo pétreo com colunas apoiando frontão curvo de lanços tendo ao centro trono. Possui várias peanhas com imagens. Arco triunfal de volta perfeita, coberto por sanefa. Capela-mor rasgada por seis janelas laterais com sanefas de talha. Retábulo-mor de talha dourada com três nichos com imagens encimados por trono. cobertura em abóbada de berço pintado. O corpo principal das DEPENDÊNCIAS MONACAIS, junto à igreja, tem separados por frisos dois ou três registos, consoante o nível do terreno. A fachada principal é ritmada por pilastras sobrepujadas ao nível da cobertura por pináculos, tendo ao centro escada de acesso ao segundo piso. O CLAUSTRO conserva apenas as arcadas toscanas de arcos plenos, do primeiro piso. Quadra com canteiros de cantaria de perfil recortado e chafariz central com tanque quadrilobado sobre um soco de 2 degraus, coluna galbada com diferentes níveis de decoração diversificada terminada em tronco-piramidal e taça quadrilobada com carranças em cada face. Adossado à casa paroquial, ergue-se um corpo quadrado mais alto de três registos, com remate em empena, o qual possui ao nível do segundo varanda com alpendre de colunelos sobre plinto encimado por três óculos. O superior é cego. No terreiro abre-se no muro da cerca, FONTE de espaldar, delimitada por pilastras suportando cornija coroada por cartela entre volutos e frontão quadrangular. Ao centro da fonte, vão trilobado com bica aberta numa pedra de armas da Ordem. Inferiormente tanque circular.

Acessos

Rendufe, Lugar do Mosteiro; EM 567; EN que liga Amares a Vila Verde

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 32 973, DG, 1ª Série, nº 175 de 18 agosto 1943 *1 / Em vias de classificação *2

Enquadramento

Rural, isolado num fertilíssimo vale com a antiga cerca conventual rodeada por alto muro. A fachada principal da igreja e do convento possui amplo espaço precedendo adro murado com balaustrada de cantaria. Na proximidade erguem-se algumas casas particulares. A Este localiza-se o Aqueduto do Mosteiro de Santo André de Rendufe (v. PT010301180072).

Descrição Complementar

Junto ao arco triunfal, existe um órgão positivo de armário de 16 registos.

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Devoluto

Propriedade

Pública: estatal (igreja, sacristia, claustro, ala O. e terreiro de acesso / Privada: pessoa singular (ala N. e cerca) )

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 12 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Frei José de Santo António Vilaça; MESTRE PEDREIRO: Miguel Fernandes (1716-1719); ORGANEIRO: Frei Manuel de São Bento.

Cronologia

1090 - Mencionado em documento; Provavelmente fundado por Egas Paes de Penegate num couto doado por D. Henrique aos frades beneditinos do Mosteiro de Abadia; 1151 - Data de inscrição no pavimento da capela-mor; Séc. 15 - Encerrado por relaxamento da vida religiosa e transformado em colegiada sob administração do cardeal Alpedrinha; A família deste deteve o mosteiro até meados séc. 16; 1551 - Mandado reformar pelo comendatário D. Henrique de Sousa; posteriormente, conheceu, sob o governo de abades trienais, uma reforma e restauração; 1629 - desmontagem e restauro do órgão; 1697 - data do arcaz da sacristia, contratado por Marceliano de Araújo; 1716 / 1719 - Remodelado, com construção da nova igreja; 1719 / 1722 - conserto dos foles do órgão e afinação; 1722 - Executado o cadeiral; 1722 / 1725 - execução de um novo órgão; 1725 / 1728 - Reformado o interior; 1728 / 1731 - Edificado o dormitório; 1738 - douramento do cadeiral; 1755 - restauro e douramento dos órgãos, com intervenção de Fr. Manuel de São Bento; 1777 / 1780 - Executada a capela do Santíssimo Sacramento; 1779 - colocação de sanefas de talha; 1833 - extinção das ordens religiosas, passando a igreja a paroquial; o mosteiro é vendido a particulares; 1877 - Edifício monástico devastado por incêndio; 1948 - uma parte era propriedade de Felisbélia Amélia Azevedo Magalhães Rebelo da Silva Malheiro; 1960, 30 Abril - derrocada da abóbada e telhado da igreja, provocando grandes danos na decoração interior; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1998, 15 Outubro - Despacho de classificação de diversas estruturas existentes na Quinta do Mosteiro; 2005 - Estado adquire por 210 mil euros um terreno ao proprietário da Quinta da Cerca para facilitar o acesso ao aqueduto do mosteiro; 2006 - a Câmara Municipal de Amares tenta promover a instalação de um polo da Universidade do Minho e um alojamento para professores convidados nas dependências monacais de modo a garantir a recuperação e reabilitação do espaço; 2012 - aquisição da zona regral pelo Estado; 2016, 27 dezembro - o mosteiro integra a lista de 30 imóveis a concessionar pelo Estado Português a privados, para instalação de unidades hoteleiras.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes e estrutura mista.

Materiais

Granito, betão, madeira, ferro, talha, azulejos. Cobertura de telha.

Bibliografia

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de - "Geografia da Arquitectura Românica". In História da Arte em Portugal. Lisboa: 1986, vol. 3, pp. 50 - 131; BORGES, Nelson Correia - "Do barroco ao Rococó". In História da Arte em Portugal. Lisboa: 1986, vol 9; COSTA, António Carvalho - Corografia Portuguesa. Braga: 1868; "Carla Cruz questiona obras no Mosteiro de Rendufe". In Correio da Manhã. 23 dezembro 2014, p. 18; DINIZ, Gil - "IPPAR intervém de urgência no Mosteiro de Rendufe". In Jornal de Notícias Minho. 19 janeiro 2004, p. 21; FERREIRA, João Palma - "Memórias do Portugal Velho". In A Capital. 14 março 1988; GIL, Júlio - As mais Belas Igrejas de Portugal. Lisboa: 1992; "Intervenção iniciada em 2012 foi suspensa. PCP questiona Governo sobre obras no Mosteiro de Rendufe". In Diário do Minho. 23 dezembro 2014, p. 12; "Intervenção preventiva concluída em Rendufe". In Diário do Minho. 14 julho 2006, p. 17; MATTOSO, José - O Mosteiro de Rendufe, 1090 - 1570; "Passeio Público - Mosteiro beneditino de Rendufe - Por terras de milho, vinho e laranjas / O santuário de Nª Srª da Abadia". In Público. 02 março 2003, p. 60; PEREIRA, Pedro Antunes - "Polo da Universidade no mosteiro de Rendufe". In Jornal de Notícias. 13 maio 2006, p. 39; RIBEIRO, Luísa Teresa - "IPPAR vai ajudar a encontrar solução para Rendufe" 24 março 2006, p. 13; SMITH, Robert - "Santo André de Rendufe - subsídios para a História da sua igreja durante o séc. XVIII". In Bracara Augusta. XXIII; SOUSA, José João Rigand - "Mosteiro de Rendufe". In Minia, IIS, 1979; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga: 1990, vol. I e II.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DREMN

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1960 / 1963 - Trabalhos de demolição e reconstrução da cobertura da igreja; 1963 - reconstrução do coro; 1965 - Reparação altar-mor; 1965 - pavimentação do coro, pintura de portas exteriores e reparação de telhados; 1964 - apeamento e arrumação dos madeiramentos de talha dourada do altar-mor da igreja; 1965 - montagem do altar-mor, reconstrução da estrutura e pavimentação do coro; 1967 - reparação ligeira de telhados; 1968 - reconstrução do telhado e pavimento do compartimento da fachada lateral e do chapim da balaustrada do coro; 1969 - reparação dos telhados, portas e pinturas; 1970 - reconstrução do claustro e diversos trabalhos de conservação; 1971 - construção de vitrais da sacristia e escada de acesso ao coro e construção de telhados da capela do lado N. e estruturas em betão armado; 1972 - restauro e valorização; 1973 - reparação das fachadas, pavimentos, tectos e das talhas e vitrais da nave; 1975 - conclusão do telhado da nave (lado N.) e caixilharias das frestas da torre; 1976 - Reposição das madeiras do coro; 1977 - reparação do cadeiral; 1978 - reparação de talhas; 1979 - recuperação de talhas, reconstrução de rebocos e trabalhos de beneficiação diversa; 1980 / 1981 - reparação do arcaz da sacristia, consolidação das paredes da capela-mor; 1981 - beneficiação da instalação eléctrica, tratamento contra a formiga branca dos altares de Cristo, São João e São Plácido e beneficiação da estrutura do altar-mor; 1982 - reparação de rebocos, talhas e desentaipamento de frestas; tratamento contra a formiga branca dos altares de Santo Amaro, Santa Escolástica, Nossa Senhora do Rosário do altar debaixo da torre N. e cadeiras; 1983 - reconstrução do sanefão do arco cruzeiro; 1984 - reparação da instalação eléctrica; 1986 - reparação de infiltrações no telhado e reparações da fachada da sacristia; 1987 - obras de beneficiação. IPPAR: 1994 - revisão geral da cobertura da igreja; 2004 - recuperação da igreja; Proprietário das dependências monacais: 2006 - devido a destruição da cobertura provisória em zinco por um temporal é colocada uma estrutura de estabilização de paredes nas dependências monacais (ala S.), de modo a impedir a derrocada do edifício; 2012, depois - início das obras de consolidação/estabilização, de recuperação e reconstrução das abóbadas; 2016 - Direção Regional da Cultura do Norte inicia intervenção com o objetivo de delimitar o espaço que separa o convento e a quinta da antiga cerca.

Observações

*1 - DOF: Mosteiro de Santo André de Rendufe, bem como as ruínas do seu claustro, incluindo o chafariz; *2 - DOF: Sequeiro e Eira bem como das estruturas hidráulicas em pedra, designadamente minas, aqueduto subterrâneo e aéreo, tanque e levadas, existentes na Quinta do Mosteiro de Rendufe.

Autor e Data

Isabel Sereno e João Santos 1994

Actualização

Paula Noé 1998
 
 
 
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