Forte de Leça da Palmeira / Castelo de Matosinhos / Forte de Nossa Senhora das Neves

IPA.00000214
Portugal, Porto, Matosinhos, União das freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira
 
Arquitetura militar, para defesa da costa atlântica, seiscentista. Pequena fortificação de planta trapezoidal, protegida por cortinas inclinadas, com quatro guaritas pentagonais nos ângulos exteriores do recinto principal. Face NE., formada por dois meios-baluartes unidos por uma cortina onde se rasga a porta principal em arco de volta perfeita, encimada por pedra de armas. Na face voltada ao mar, apresenta três redentes, um em cada extremo e um terceiro ao centro, seguida por uma plataforma mais baixa, de planta trapezoidal, que une os redentes. Interiormente Alberga algumas construções de apoio à polícia marítima.
Número IPA Antigo: PT011308050004
 
Registo visualizado 304 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Fortaleza de planta trapezoidal, rodeada por fosso exceto na face voltada ao mar. Panos em alvenaria de granito em fiadas regulares, em talude, rematados por friso torneado, sobrepostos por parapeito em aparelho irregular, tendo nos quatro ângulos guaritas facetas, pentagonais, rasgadas nas quatro faces por pequenas aberturas retangulares, rematadas por cornija arredondada e cobertura em cúpula, boleada no topo, assentes sobre mísulas de secção triangular, formadas por toros escalonadas, adossados aos cunhais. Face principal virada a NE., formada por dois meios-baluartes unidos por uma cortina onde se rasga a porta principal em arco de volta perfeita, inserida em moldura retangular, de aduelas regulares, fendidas, com impostas salientes, encimada por friso e cornija, coroada por cartela volutada, onde surge pedra de armas, ladeada por duas volutas laterais e pináculos paralelepipédicos boleados. Ladeiam os pináculos dois sulcos verticais reforçados por moldura de ferro, de onde pendem as correntes de sustentação da ponte levadiça que permite o acesso ao interior, vencendo o fosso seco. No flanco dos meios-baluartes, rasgam-se duas canhoeiras para proteção da zona da entrada. Na face voltada ao mar, apresenta três redentes, um em cada extremo e um terceiro ao centro, seguida por uma plataforma mais baixa, de planta trapezoidal, que une os redentes. É rasgada por por porta em arco abatido e janela de verga reta. INTERIOR: pela porta acede-se a pequeno túnel coberto por abóbada de berço, rasgado lateralmente por três seteiras de cada lado, que conduz ao recinto superior onde se distribuem algumas construções rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados, rasgadas por vãos de verga reta com molduras de granito.

Acessos

Avenida Dr. Antunes Guimarães, Rampa do Castelo, Rua de Santa Catarina, Largo do Castelo

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 44 075, DG, 1ª série, n.º 281 de 05 dezembro 1961 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria n.º 474/88, DR, 1.ª série, n.º 167, de 21 de julho 1988

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, marítimo. Ergue-se próximo do mar, em frente ao Porto de Leixões, em posição destacada, envolvido por habitações na sua maioria de um e dois pisos.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: Forte para defesa da costa

Utilização Actual

Administrativa: Capitania do Porto de Leixões

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional / Marinha

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO PAISAGISTA: Ilídio de Araújo; ENGENHARIA: Frei João Turriano (1611 - 1679); MESTRE PEDREIRO: António Vieira

Cronologia

1638 - início de construção do primeiro forte em Leça da Palmeira*1, da iniciativa de D. Francisco de Sá de Meneses, 2º conde de Penaguião; 1639, 3 de maio - Filipe III escreveu ao conde de Penaguião, ordenando que se acabasse a fortaleza e que a mesma fosse provida de artilharia e munições, no entanto as obras foram-se arrastando; 1642, 23 de março - Os oficiais da Câmara do Porto solicitaram ao rei a conclusão das obras do forte; 16 de agosto - D. João IV ordenava que as obras se concluíssem com a maior brevidade possível, por causa das repetidas notícias de navios inimigos que cruzavam a costa atlântica; 27 de agosto - dando cumprimento às recomendações do monarca, os vereadores portuenses deslocaram-se ao forte acompanhados por dois mestres-de-obras, Valentim de Carvalho e Custódio da Fonseca, para darem parecer sobre as obras necessárias; 5 de setembro - as obras descritas foram estimadas em 420.000 réis, escrevendo a vereação portuense ao monarca para que fossem tomadas as diligências necessárias para a conclusão das referidas obras; 30 de setembro - o monarca respondeu que aprovava a despesa mas que antes deveria deslocar-se ao forte o engenheiro-mor Charles de Lassart, para averiguar se o forte estava bem traçado ou precisava de alguma correção; o engenheiro-mor Charles Lassart deslocou-se a Leça da Palmeira e realizou uma planta; 1643, 5 junho - documento desta data refere que a obra está feita até ao cordão, mas ainda lhe faltam os parapeitos e os alojamentos; 1644, 3 de setembro - correspondência refere a necessidade de se concluírem as obras desenhadas por Charles de Lassart; 1649 - os problemas em torno do forte continuavam a arrastar-se; 1651, 1 de fevereiro - a Câmara do Porto, que estudava a possibilidade de construir uma fortaleza sobre os penedos do queijo, pede parecer a António Pires Picão, capitão de mar-e-guerra e a mais sete capitães, que também se manifestaram sobre o forte de Leça da Palmeira, aconselhando o abandono da sua construção por estar demasiado arredada da enseada e ser de reduzida importância, e a construção de uma outra junto dos leixões, uns penedos existentes na foz do rio Leça, e que se usasse na referida construção a pedra do existente, para diminuir custos; 1952 - o parecer foi seguido, sendo iniciadas as obras de uma outra fortificação (a que existe atualmente) sendo autor do projeto Fr. João Turriano, engenheiro-mor do reino, 1653, 22 de fevereiro - D. Rodrigo de Meneses solicitava a deslocação de FR. João Turriano ao Porto, para verificar se as obras decorriam de acordo com o que tinha projetado; as obras deste segundo forte foram decorrendo a bom ritmo, não tendo sido contudo demolido o anterior, que continuou a ter serventia militar; 7 de novembro - um despacho do Conselho de Guerra determinava que Martim Gonçalves da Câmara, tenente de São João da Foz, continuasse as obras da plataforma de Matosinhos, desenhada por Turriano; 1655 - foram adjudicadas as obras que faltavam ao mestre de pedraria António Vieira; 1706 - referência à existência das duas fortalezas em Matosinhos; 1758 - nas Memórias Paroquiais o Reitor Dr. Manuel da Cruz Ribeiro faz referência à existência das duas fortificações, uma chamada de Nossa Senhora das Neves, sendo esta quadrada, com um fosso exceto para o mar, e distava da barra um "tiro de mosquete" e outra fortificação ou atalaia, também quadrada, moderna, com uma plataforma para o rio e mar, não está acabada e já não tem armazéns e quartéis; 1832 - Durante a guerra civil o forte de Nossa Senhora das Neves sofre algumas benfeitorias, nomeadamente nos armazéns, ponte levadiça, escada do fosso e parapeitos; 1849 - um documento do Arquivo Histórico Militar refere a existência, em tempos, de um pequeno forte situado a sul do atual, destruído pelas cheias e marés, do qual apenas restavam algumas ruínas e parte dos alicerces; 1851 - as ruínas do primeiro forte foram vendidas João Luís Rosa; 1895 - foram aproveitadas parte das estruturas existentes para a construção do hotel Estefânia; 1892 - morreu o último governador do Forte de Nossa Senhora das Neves, o major reformado António Pinto Leão da Silva, e com ele ditou-se o fecho desta estrutura militar; a abertura do porto de Leixões, e a construção do Molhe N. afastaram definitivamente o mar da base do forte; no séc, 20 - o Hotel Estefânia foi expropriado para abertura da Doca n.º 1 do Porto de Leixões, e assim eliminados por completo os últimos vestígios da primeira fortificação construída em Leça; o forte de Nossa Senhora das Neves é entregue à capitania do Porto de Leixões, que aí instala os seus serviços; séc. 20 (primeira década) - construção de uma torre hexagonal, na plataforma superior, para controle do movimento portuário; 1941 - elaboração de um projeto de remodelação e ampliação do forte, para instalação da Capitania do Porto de Leixões, que não foi posto em prática; 1962 - projeto de arquitetura paisagista da envolvente por Ilídio de Araújo e sua posterior execução; 1966 - demolição da torre e outras construções descaracterizadoras.

Características Particulares

A construção do primeiro forte de Leça da Palmeira inaugurou um novo modelo arquitetónico, de pequenas fortificações marítimas, que representaram um avanço no sistema de defesa e vigia da linha defensiva da costa atlântica no entre Douro e Minho, exercendo uma forte infuência sobre as posteriores construções marítimas, que se registaram no norte de Portugal.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes; sistema estrutural misto.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito aparelhado; pavimentos em lajes de pedra e madeira; paredes interiores rebocadas e pintadas de branco; tetos em madeira; coberturas em telha sobre vigamento de madeira; molduras de portas e janelas em granito; portas e caixilharias de janelas em madeira; janelas com vidro simples.

Bibliografia

BARROCA, Mário Jorge - As Fortificações do Litoral Portuense, Lisboa: Edições Anapa, S.A., 2000, pag. 101-127; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique, BORRALHEIRO, Rogério - As Freguesia do Distrito do Porto Nas Memórias Paroquiais de 1758. Braga: Universidade do Minho, 2009, pag. 734-435; DIONÍSIO, Santana - Guia de Portugal, Coimbra, 1985, vol. 4 Tomo I; LOPES, Flávio (Coordenação) - Património Arquitectónico e Arqueológico, Lisboa, 1993; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961, Lisboa, 1962, vol. 2; Ministério das Obras Públicas - Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1962, Lisboa, 1963, vol. 2; PACHECO, Hélder - O Grande Porto, Lisboa, 1976.

Documentação Gráfica

IHRU: Arquivo Pessoal de António Viana Barreto (Curriculum Vitae do Arquitecto Paisagista Ilídio de Araújo); DGEMN/DSARH - 010/142-0004-7, 005/142-3684/01; DGEMN/DSID - 001/013-1840, 1841/1, 1841/2.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID / SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: Arquivo Pessoal de António Viana Barreto (Curriculum Vitae do Arquitecto Paisagista Ilídio de Araújo); DGEMN/DSARH - 010/142-0004-7, 005/142-3684/01; DGEMN/DSID - 001/013-1840, 1841/1, 1841/2.

Intervenção Realizada

1960 / 1966 - remodelação e adaptação do forte para instalação da capitânia do Porto de Leixões; demolição de construções posteriores, como a torre fr observação e sinalização existente a SO; 1966 / 1968 - arranjos exteriores e iluminação; 1978 - restauro de cinco guaritas, reparação em vários pontos da parte superior da muralha e muro do fosso; beneficiação de janelas e portas; pintura geral do edifício incluindo túneis e parte da muralha interior ao nível do terraço; pintura geral do interior; 1979 - picagem de revestimento em paramentos exteriores de paredes de alvenaria de pedra; limpeza de juntas e refechamento com argamassa isolante de cimento; tratamento de cantarias.

Observações

*1 - Foram construídas duas fortificações, relativamente próximas, num curto espaço de tempo, em Leça da Palmeira, tendo inclusive tido serventia militar as duas em simultâneo, e chegado até ao início do séc. 20 os vestígios do primeiro forte.

Autor e Data

Isabel Sereno / Miguel Leão 1994 / Ana Filipe 2013

Actualização

 
 
 
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