Catedral de Lisboa / Sé de Lisboa / Igreja Paroquial da Sé Patriarcal / Igreja de Santa Maria Maior

IPA.00002196
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitetura religiosa românica, gótica, maneirista, barroca, neoromânica, neogótica e neomanuelina. Catedral de edificação românica afonsina e gótica, com sucessivas alterações ao longo do tempo, tendo sido alvo de restauros revivalistas, que lhe deram uma fácies medieval. Conjunto composto por igreja de planta em cruz latina, composta por três naves escalonadas, as laterais encimadas por trifório, casa uma delas com seis tramosdivididas por pilares fasciculados, com transepto saliente e cabeceira composta por abside e deambulatório com várias capelas radiantes. Possui corpos adossados, formando vários anexos, capela lateral, camarim e a sacristia. Tem claustro quadrangular de dois pisos, adossado à fachada posterior, formando apenas três alas. A igreja possui coberturas interiores diferenciadas, em falsas abóbadas de berço na nave central e transepto, de aresta nas laterais, em cruzaria de ogivas no deambulatório e respetivas capelas e em abóbada de lunetas na capela-mor. Fachadas em cantaria de calcário, amarelo e lioz, rematadas por ameias ornamentais, de feitura recente, pouco rasgada por fenestrações, resultando num templo escuro interiormente, exceto no corpo da capela-mor, intensamente iluminado. Fachada principal harmónica, composta por corpo central com portal escavado, formado por várias arquivoltas de volta perfeita, assentes em colunas e capitéis com decoração vegetalista, encimado por varanda e enorme rosácea. É flanqueada por torres sineiras rasgadas por frestas que permitem iluminar as escadas de acesso, com ventanas em arcos de volta perfeita. As fachadas laterais possuem portas travessas confrontantes, a do lado S. atualmente entaipada. Interior com coro-alto, tendo acesso por porta no lado do Evangelho, surgindo uma no lado oposto, que dá acesso às dependências superiores do lado S., transformadas em espaços museológicos. A nave e transepto são percorridos por trifório estreito, de cariz românico, tendo, ao centro do transepto o altar-mor, iluminado por torre lanterna octogonal. A capela-mor possui as fachadas revestidas a calcários de várias tonalidades, o mesmo sucedendo no pavimento e com cobertura ornada por pinturas de temática mariana e estuque. Nesta, surgem tribunas, dois órgãos e dois túmulos régios barrocos. Na parede testeira, simples altar, encimado por painel com pintura alusiva ao orago. As capelas colaterais são profundas, a do lado do Evangelho maior, com um portal maneirista, flanqueada por pilastras e rematado em friso e cornija, possuindo interior com nave e capela-mor decorado com pinturas e estuque barroco, com retábulo da mesma tipologia; a oposta é simples, com acesso pelo deambulatório. Este possui capelas poligonais, com acesso por arcos apontados e iluminadas por janelas com o mesmo perfil com vários lumes, onde surgem simples altares de cantaria, duas delas com portas de acesso ao claustro. Este possui um piso com cobertura em abóbada de aresta e pavimento lajeado, aberto para a quadra por arcadas com espelho ornado por óculos, surgindo, em duas das alas capelas várias, as do lado N. protegidas por grades metálicas, todas com coberturas em abóbadas ogivais. Duas alas possuem dois pisos, surgindo, na zona superior, a zona do arquivo e arrumos, com acesso por escada de caracol no ângulo SE. e por portão que se rasga no muro que prolonga a fachada lateral. Possui uma capela particular adossada, com cobertura em abóbada de ogiva e acesso por portal escavado, apontado e sublinhado por alfiz, surgindo, no lado oposto, a sacristia, maneirista, retangular, com mesa central, dois arcazes, lavabo e oratório no lado O., sendo intensamente iluminado e possuindo cobertura em abóbada de berço.
Número IPA Antigo: PT031106520004
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Conjunto formado pela igreja de planta em cruz latina composta por três naves, cada uma de seis tramos, transepto pouco saliente, cabeceira composta por capela-mor e deambulatório com dez capelas radiantes, duas de planimetria retangular e as restantes poligonais; possui adossados a sacristia retangular, à fachada S., a Capela de Bartolomeu Joanes, de planta poligonal, e o Camarim do Patriarca de planta retangular, à fachada N.; a E. desenvolve-se o claustro de planta retangular irregular, com três alas e dois pisos. Evolui na horizontal, com os corpos articulados, possuindo coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave central, duas e quatro águas respetivamente no claustro, Camarim do Patriarca e no edifício da sacristia, tendo a capela-mor sete águas; as naves laterais, capela de Bartolomeu Joanes e capelas do deambulatório são cobertas por terraços. Fachadas em cantaria aparente, de aparelho isódomo misturando o calcário amarelo, de extração mais antiga, e o lioz, mais branco. Fachada principal virada a O., marcada por embasamento proeminente, com o corpo central de dois registos, divididos por mísulas, que sustentam o peitoril da janela em arco de volta perfeita e assente em colunas, dando lugar a um pequeno terraço, para onde se rasga uma rosácea, envolvida por friso de elementos ovalados e moldura saliente; na zona inferior, o portal escavado, constituído por quatro arquivoltas semicirculares assentes em oito capitéis de decoração vegetalista e figurativa. Está ladeado por duas torres de três registos, o primeiro marcado por pequenas frestas, o segundo por janelas maineladas, divididas por três coluna toscanas e capitel com decoração fitomórfica, e o terceiro pelas sineiras de volta perfeita, escavadas por cinco arquivoltas, assentes em impostas salientes e em três colunas de fustes lisos e capitéis decorados por elementos bolbosos; as torres rematam em ameias decorativas prismáticas. Fachada lateral esquerda, virada a N., formada por corpos de diferentes alturas adossados, constituindo a Capela de Bartolomeu Joanes e o Camarim do Patriarca. A nave é rasgada por porta travessa em arco abatido, com moldura saliente, sublinhada por três arquivoltas, assentes em duas colunas de fuste liso e capitéis com decoração vegetalista; é antecedido por pequena galilé, com acesso por vão em arco apontado, com duas arquivoltas sustentadas por duas colunas e dois pilares prismáticos, com capitéis de folhagem; para este abre uma porta em arco de volta perfeita, de acesso ao Camarim do Patriarca. O topo do transepto é marcado por duas janelas retilíneas e por janela em arco apontado, assente em duas colunas e com o vão dividido em três lumes por arcos de volta perfeita, encimado por bandeira, decorado por elementos rendilhados vazados. A zona da Capela do Santíssimo possui algumas janelas, ao nível do pavimento. A Capela de Bartolomeu Joanes é em cantaria de calcário lioz, rematado por friso assente em mísulas e ameias decorativas prismáticas, com a fachada rasgada por duas janelas semelhantes às do topo do transepto, possuindo, na face O, uma pequena rosácea circular. O Camarim do Patriarca tem três panos e dois registos, marcado por contrafortes, rasgado por uma janela de arco apontado em cada pano. No lado esquerdo, surge o muro que prolonga a fachada e envolve a zona superior do claustro, onde se rasga um portal de verga reta, flanqueado por duplas pilastras assentes em plintos únicos e encimada por friso e cornija, protegido por duas folhas de madeira *1; várias janelas marcam o muro correspondente ao segundo registo do claustro, rematado por uma cornija saliente. A fachada lateral S. tem, na zona da nave, dois contrafortes, duas frestas e três janelas maineladas, duas assentes em três colunas de fuste liso e capitéis fitomórficos, que sustentam arcos de volta perfeita; uma delas, assenta numa única coluna, sendo envolvida por arco de volta perfeita, sobre impostas salientes e capitéis cúbicos com coluna de fuste liso. No topo do transepto, surgem duas janelas em arco de volta perfeita, assente em colunas, sobre a qual está implantada uma rosácea circular. À nave, adossa-se a sacristia, com dois registos definidos por friso e cornija e quatro panos formados por duas ordens de pilastras, sendo rasgada em cada piso por quatro janelas, as inferiores de peitoril e protegidas por grades e as superiores de pequena sacada, com bacia de cantaria e guarda em ferro forjado; a estrutura remata em friso e cornija; na face O., surge cruz relevada no embasamento saliente, óculo e duas meias lunetas, aparecendo, na zona superior, duas janelas. Sucede-se o pano de muro aparelhado do claustro, rematado por ameias, onde se abre uma janela em arco apontado e, no extremo S., uma janela mainelada, envolvida por arco apontado, com moldura em toro, contendo dois lumes em arco apontado, assentes em colunas de fuste liso e capitéis de folhagem, sobre o qual surge quadrifólio vazado, possuindo guarda em cantaria, vazada por duas pequenas rosáceas. Fachada posterior com alto muro, onde se rasgam janelas de diferentes dimensões e perfis, marcando os dois registos do claustro, sendo rematada pelo beiral do telhado. Sobre o cruzeiro do transepto, é visível uma torre lanterna quadrangular, com cobertura de quatro águas, sendo rasgada por várias janelas e várias portas. A partir do claustro, vislumbra-se o exterior da cabeceira, com capela-mor poligonal, rasgada por nove janelas retilíneas, molduradas e remate em cornija; mais baixas, as nove capelas do deambulatório, retangulares, tendo, entre cada uma delas, espesso contraforte, que absorvia o peso da primitiva abóbada da capela-mor, transportado através dos arcobotantes, atualmente desativados; cada capela tem três janelas em arco apontado e o corredor do deambulatório amplos janelões apontados com quatro lumes. Junto à capela-mor, um muro com o arranque dos arcos da primitiva torre lanterna. INTERIOR com as naves e os tramos marcados por pilares cruciformes, que sustentam os arcos torais das falsas abóbadas de berço da nave central e das abóbadas de aresta das laterais. Por cima dos arcos formeiros, de ambos os lados da nave central corre o trifório que se prolonga nos braços do transepto *2 com cobertura em abóbada de berço. Coro-alto em cantaria, com acesso por porta de verga reta na parede fundeira, que acede à torre N. e às dependências sobre o Camarim. No lado oposto, uma porta semelhante de acesso à torre S. e ao espaço museulógico do Tesouro. Portal axial protegido por guarda-vento de madeira, ladeado por pias de água benta embutidas no muro. Ainda na parede fundeira, surge o batistério, rasgado no muro e com acesso por arco trilobulado, assente em pilastras toscanas, tudo ornado por botões, estando protegido por gradeamento de ferro forjado dourado; sobre o acesso, cartela recortada com inscrição latina; o interior tem as paredes forradas a azulejo figurativo, a azul e branco, representando episódios da vida de Santo António, com cobertura em abóbada de aresta pintada com acantos; possui uma pia batismal em mármore, de forma octogonal, com as faces formando apainelados. No lado do Evangelho, a Capela de São Bartolomeu, de planta retangular e dividida em dois tramos, com cobertura em abóbadas de ogiva e pavimento em mosaico geométrico. O acesso processa-se por arco apontado escavado na espessura do muro, com cinco arquivoltas assentes em bases altas, que sustentam oito colunas e duas pilastras, ornadas com capitéis fitomórficos, rematando em gablete; é protegido por grade de bronze com elementos geométricos e fitomórficos estilizados. No lado direito, a mesa de altar e, na parede fundeira, o túmulo com jacente do fundador da capela, assente em quatro colunas e decorado nas faces com o escudo do defunto; nas janelas, vitrais com temática mariana. Junto à porta travessa, uma lápide sepulcral acede ao carneiro de D. Rodrigo da Cunha, com inscrição. No lado da Epístola, a porta de acesso à sacristia, de planta retangular, com pavimento em tijoleira vermelha, com dois arcazes e um oratório no fundo, tendo, ao centro, uma mesa de apoio, em brecha da Arrábida e lavabo de cantaria. No cruzeiro do transepto, eleva-se a torre lanterna octogonal com abóbada de cantaria de oito nervuras e florão central, assente sobre trompas de ângulo; sob esta, supedâneo com mesa de altar. No braço N., porta de acesso ao Camarim do Patriarca, dividido em dois tramos por retábulo de talha dourada e embutidos de mármore; em frente, a Capela do Santíssimo Sacramento *3, de três tramos, definidos por arcos assentes em pilastras toscanas e por arcadas no lado da Epístola, uma delas entaipadas, que constituem vãos de acesso ao deambulatório, protegidas por grades, tendo, no terceiro tramo, uma pequena ábside; a porta principal é em arco ligeiramente apontado, assente em pilastras e flanqueado por pilastras mais altas, que sustentam a cornija do remate. O interior tem cobertura em falsa abóbada de lunetas, tendo, sobre o altar, pequeno lanternim, criando o efeito de um camarim transparente, decorada com estuque pintado de dourado sobre fundo verde, com florões e quatro lunetas decoradas com alfaias litúrgicas: ostensório, naveta, campainha e cálice; lateralmente, dois medalhões com a Fénix e o Pelicano e dois relicários. Na parede testeira, retábulo de talha dourada e policroma. Paralela a esta, no braço S., para onde abria uma porta semelhante à anterior, surge a Capela de São Vicente *4, de dois tramos, com cobertura de madeira de sucupira, tendo um simples altar de cantaria. Mantém vestígios de policromia vermelha, indicando que possuiu pintura decorativa. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilar crucífero, dando acesso à capela-mor, de três tramos definidos por pilastras com capitéis jónicos, formando apainelados de calcários de tonalidades distintas (branca, vermelha, azul e amarela), com cobertura em abóbada de lunetas, revestida a estuque com três painéis pintados, representando Deus, Cristo e o Espírito Santo, surgindo, nas lunetas, temas marianos e cristológicos: Fénix, Agnus Dei, pão, sol, trigo, açucena, porta, rosa, pelicano e chamas; o conjunto é envolto por estuque pintado com motivos fitomórficos; o pavimento mostra um jogo geométrico de calcários de várias tonalidades. Em duas das faces do polígono, surgem as tribunas, constituídas por varandim com balaustrada, assente em cinco modilhões, sob as quais surgem dois armários, que ladeiam a parede testeira, com painel pintado, circunscrito por moldura de cantaria, representando a "Assunção da Virgem". Confrontantes, dois arcosólios com os túmulos de D. Afonso IV e D. Beatriz; igualmente confrontantes, dois órgãos de tubos, o do Evangelho sobre coreto e inserto em arco de volta perfeita e o oposto assente no pavimento. Surge, ainda, o cadeiral constituído por 60 cadeiras, dispostas em quatro fiadas *5. A ladear a capela-mor abre-se o corredor do deambulatório, através de arcos apontados, mas sendo visíveis os perfis dos primitivos arcos de volta perfeita dos absidíolos românicos; é coberto por uma abóbada nervada com cadeia longitudinal e iluminada por grandes janelas de perfis quadrados abertos sobre os arcos das oito capelas, cada qual com três frestas, decoradas com vitral com motivos fitomórficos ou geométricos, e cobertas por abóbadas de nervuras e pavimento em lajeado de calcário, possuindo todas elas mesas de altar em cantaria e nichos para guarda de alfaias. Do lado do Evangelho para o lado da Epístola, surgem as capelas do Espírito Santo, atual ponto de ligação ao claustro através de porta em arco apontado de acesso à ala N. do claustro e, no oposto, porta de verga reta que acede à zona posterior do retábulo do Santíssimo Sacramento, a Capela de Nossa Senhora da Penha de França, Capela de Santa Ana, Santa Maria Maior, Santo Ildefonso, São Cosme e São Damião, Nossa Senhora da Conceição, com porta em arco apontado de acesso à ala S. do claustro, e Capela de São Sebastião. O CLAUSTRO possui três alas, duas delas, a N. e E., com contrafortes escalonados a marcar os tramos com arcadas apontadas e maineladas, assentes em duplas colunas com capitéis vegetalistas e, nos espelhos, óculos com decoração vazada de caráter geométrico. As suas alas, para onde se abrem várias capelas independentes, são cobertas por abóbadas de cruzarias de ogivas, que descarregam em mísulas; a ala N. possui sete capelas, todas com acesso elevado e por arco de volta perfeita assente em pilastras, protegido por grades metálicas, coberturas em falsas abóbadas de berço e pavimento em lajeado de calcário, exceto a primeira transformada em instalações sanitárias; sucedem-se as Capelas de São Lourenço, Nossa Senhora de Belém, Senhor Jesus da Boa Sentença, Santo António, Nossa Senhora da Tocha; na ala E., as Capelas de Santo Aleixo, São Miguel, Nossa Senhora da Terra Solta, uma sem orago definido, rasgada por dois nichos para alfaias e a Capela de Santo Estêvão. No registo superior do claustro, corre uma arcaria de perfil semicircular, com várias dependências com acesso por vãos de verga reta. No pátio do claustro, os vestígios da atividade arqueológica, que pôs a descoberto um poço-cisterna, várias habitações muçulmanas e uma calçada romana.

Acessos

Largo da Sé; Rua Augusta Rosa; Beco do Quebra Costas

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 10-01-1907, DG n.º 14 de 17 janeiro 1907, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 213 de 11 setembro 1961

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, implantado em zona de forte declive, em plataforma desnivelada, destacando-se pelo seu volume e imponência. No lado O. pequeno adro com escadaria que dá acesso à entrada principal voltada para o Largo da Sé. As restantes fachadas encontram-se delimitadas a N. com a Rua Augusto Rosa, a E. com o Beco do Quebra Costas e a O. a Rua das Cruzes da Sé. Situa-se dentro da Cerca Moura (v. PT031106120023). Próximo encontra-se a Igreja de Santo António de Lisboa (v. PT031106520044) e a Ermida da Caridade (v. PT031106520926).

Descrição Complementar

O BATISTÉRIO possui azulejo figurativo, envolvido por moldura de acantos enrolados, flanqueado por cariátides, sobre plintos e suportando açafates de acantos, e encimado por friso de óvulos e dardos e de acantos; o do lado do Evangelho possui "amorinos" que se juntam numa fonte, para ir buscar água, alegoria à "Purificação", encimado por luneta com a representação de "Santo António a pregar aos peixes", surgindo, no lado oposto, "amorinos" que se juntam perto de um templo, encimado por luneta a representar o "Batismo de Cristo"; na parede de fundo, uma luneta com a representação de uma Santíssima Trindade horizontal, que encima um armário de alfaias, com três folhas de madeira almofadada. O TOPO SUL DO TRANSEPTO possui duas janelas com vitral, representando Santo António e São Vicente. No CAMARIM DO PATRIARCA, existe uma estrutura retabular, em talha dourada, de planta reta e três eixos divididos por colunas torsas, decoradas com pâmpanos. Ao centro, tribuna contendo trono, onde se implanta a imagem do orago, e mísulas laterais com imaginária. Nas ilhargas, também de talha, com pilastras e anjos atlantes, enquadram-se duas telas, representando "O encontro de Santa Ana e São Joaquim na Porta Dourada" e o "Nascimento da Virgem". Remates em tabelas, onde se enquadram telas com Anjo e Virgem, constituindo uma "Anunciação", O Crucificado, São João e Virgem, formando um "Calvário". Na zona inferior, surge decoração em embutidos de mármore, com motivos fitomórficos, destacando-se as zonas das ilhargas, em relevo e com cartelas com temática religiosa. A CAPELA DO SANTÍSSIMO possui retábulo de talha policroma, de planta côncava e três eixos demarcados por colunas e pilastras coríntias. Ao centro, uma tela representando a "Última Ceia" e mísulas laterais; no ático, frontão interrompido, rematado por glória de anjos e a representação da Santíssima Trindade, sobre o qual surgem motivos fitomórficos. Altar de calcário branco, com banqueta em cantaria, sustentada por volutas laterais; sobre esta, o sacrário, em talha dourada, em forma de templete octogonal, rodeado por colunas e remate em cúpula. Na CAPELA DE SÃO VICENTE surge um fragmento do cadeiral da capela-mor, constituído por cinco cadeiras, todas com braços, espaldar decorado por almofadado e assento movível, possuindo misericórdias. Os TÚMULOS da capela-mor são em forma de urna, encimados por anjos, o de D. Afonso IV segurando drapeados e os de D. Beatriz com cruz, livro e cornucópia; ambos são encimados por aves, o primeiro por águia e inscrição alusiva ao Salado ("Altiora peto") e o segundo com um Pelicano; ambos apresentam os escudos reais e símbolos da morte, através da caveira e duas tíbias cruzadas. O ÓRGÃO do lado do Evangelho em talha dourada, assenta em coreto de planta côncava e convexa, protegida por teia de madeira, por seu turno assente em mísula decorada com motivos fitomórficos e por troféus de instrumentos musicais, rodeados por laçarias e festões. O corpo organiza-se em três castelos, os laterais dispostos nos ângulos e quatro nichos, dois deles constituindo as ilhargas, decorados por gelosias de talha, em harpa nos nichos e em cortina nos castelos, na base dos quais surgem os tubos de palheta, em leque. Nos ângulos remate em cartela com museta e máscara trágica, surgindo, no centro, troféu com instrumentos musicais, palma e livro aberto. No remate, duas figuras femininas de vulto e baldaquino que fecha a zona superior e remata em cornija contracurva, de inspitação borromínica, sobre o qual aparecem dois "putti". A consola é em janela, onde surgem o duplo teclado e a pedaleira. O ÓRGÃO do lado oposto é concebido em madeira, evoluindo de forma escalonada a partir do pavimento onde se implanta diretamente, com consola em janela, sobreposta pelas flautas do positivo e, superiormente, cinco castelos e quatro nichos com remates em cornija. Na CAPELA DE SANTA ANA surge um pequeno túmulo de uma infanta da casa real, como se depreende do escudo português que decora a arca, com figura jacente que segura um Livro de Horas, com a cabeça assenta em duas almofadas e tendo aos pés dois cães de regaço; encontra-se assente em pés de cantaria, mantendo um dos leões primitivos. A CAPELA DE SANTA MARIA MAIOR encontra-se protegida por grade de ferro forjado medieval, decorada com motivos fito e zoomórficos estilizados. A CAPELA DE SANTO ILDEFONSO possui, na parede de fundo, o presépio da Sé, inserto em maquineta, com a legenda "Joach Machado Castro / inven. et fecit / 1766", no friso da estrutura arquitetónica. O torrão ostenta várias grutas e fragmentos arquitetónicos, onde se inserem a "Sagrada Família", a "Adoração dos Pastores" e, em segundo plano, em percurso oblíquo descendente, o "Cortejo dos Reis Magos"; possui, ainda, uma orquestra de anjos, uma glória celestial, um cego a tocar sanfona, um grupo a dançar fandango, uma fonte, lavadeiras, moinhos, uma azenha e uma "Matança do Porco"; surgem secundarizados as representações da "Fuga para o Egito" e "Queda dos ídolos na chegada ao Egito". Na CAPELA DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO, os túmulos dos instituidores, Lopo Fernandes Pacheco, sobre o qual uma lápide alusiva à fundação, e o de D. Maria Vila Lobos, ambos em calcário, com as figuras jacentes, a última protegida por baldaquino, possuindo pequenos cães de regaço, tendo a de Lopo Fernandes Pacheco, que se encontra a desembainhar a espada, um cão de caça; as faces são decoradas com os brasões respetivos repetidos e surgem sobre pequenos pilares facetados, com capitéis ornados por motivos entrelaçados. Na CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO, o ossário de D. João Anes, constituindo-se em pequena arca paralelepipédica com tampa piramidal, onde surge as armas do prelado e inscrição. A CAPELA DE SÃO LOURENÇO possui uma arca tumular, com tampa em losango, tendo gravadas espadas e possuindo, na face principal, as armas do instituidor, D. Lourenço Anes. A CAPELA DE NOSSA SENHORA DE BELÉM tem cobertura em estuque decorativo, formando um medalhão central com resplendor, que se une por friso a rosetões laterais e a cartelas laterais, ornadas por acantos e palmas; entre os medalhões, surgem pequenas estrelas, que constituíam o firmamento, existindo vestígios de policromia azul; possui retábulo de talha em branco, de planta reta com três eixos divididos por pilastras. Ao centro, nicho retilíneo, ladeado por dois painéis laterais, envoltos por friso semicircular; o ático é semicircular, adaptado à estrutura da cobertura, com tondo central, a representar uma "Corte celestial", e dois acantos. A CAPELA DO SENHOR JESUS DA BOA SENTENÇA possui grade côncava, decorada com medalhões onde surgem os atributos do martírio de Cristo, pintados a dourado, com bandeira vazada, decorada por elementos fitomórficos e atributos do martírio de Cristo, surgindo um friso com a inscrição dourada "IRMANDADE DO SENHOR JESUS DA BOA SENTENÇA". Possui o teto dividido em caixotões, revestidos a tela que representam "Cristo perante Pilatos", "Flagelação", "Senhor da cana verde", "Caminho do Calvário", "Lamentação de Cristo morto", "Pietà"; nas telas das ilhargas, a representação de "Cristo no horto", "Última Ceia", "Lava-pés" e "Beijo de Judas". Estas surgem sobre painéis de azulejo policromo, azul e amarelo, ornado por grotesco e onde se vêem dois medalhões a representar o "Sudário de Verónica", no lado do Evangelho e uma cruz com o Sudário no lado oposto. Na parede de fundo, tem retábulo pintado de branco com motivos dourados, de planta reta e um eixo circunscrito por estípides assentes em altos plintos que enquadram um esquife; no nicho central, em volta perfeita e com a boca da tribuna decorada por motivos fitomórficos, enquadra-se a imagem em tamanho natural do Crucificado. Remata em frontão semicircular e é ladeado por duas mísulas. As duas últimas capelas são intercomunicantes, tendo, no arco, azulejo com ramadas entrelaçadas sobre fundos marmoreados fingidos e lápide de fundação da capela; a primeira possui, na ilharga do Evangelho, azulejo tipo tapete, formando silhar. A esta, segue-se um arcosólio, possuindo túmulo com tampa simples. As capelas da ala E. possuíam acesso por vãos em arco abatido, assentes em colunas com capitéis fitomórficos e coberturas em abóbadas de ogiva. A primeira, dedicada a SANTO ALEIXO, como se verifica por inscrição na coluna direita, possui quatro arcosólios com túmulos, dois deles com jacentes, uma correspondendo a figura feminina; na parede testeira, vestígios de dois escudos picados. A CAPELA DE NOSSA SENHORA DA TERRA SOLTA, ocupa dois tramos da ala, tendo portal central com três arquivoltas assentes em colunelos finos, ladeado por duas janelas maineladas; na parede fronteira, dois arcosólios em arco apontado e, no centro, dois túmulos, ambos com jacentes, pertencentes a D. Maria Albarnaz e a D. Soeiro Viegas; nas janelas, existem vestígios da primitiva decoração em embutidos de mármore e, na parede do lado direito, um vão que consistia no acesso à primitiva tribuna. Segue-se uma capela sem orago definido, rasgada por dois nichos para alfaias. A CAPELA DE SANTO ESTÊVÃO tem dois arcosólios com as arcas tumulares de Estêvão Rodrigues e Mor Martins, ambas assentes em leões, surgindo sobre a primeira uma lápide de fundação; o pavimento mantém vestígios do primitivo revestimento cerâmico, formando painéis reticulados. Na ala S., dois arcosólios com túmulos.

Utilização Inicial

Religiosa: catedral / Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: catedral / Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012 / Culto, Despacho de 20 março 1931

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 14 / 15 / 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: António do Couto Abreu (séc. 20); Reinaldo Manuel dos Santos (1769); BATE-FOLHA: Domingos Mota (séc. 18). CARPINTEIROS: António José de Matos (séc. 18); Francisco Xavier da Rosa (1785); José dos Santos (1810-1811); José Martins (1713-1722); Mateus Fernandes. DESENHADORES: António Ramalho (1903); António Rodrigues (1791); Baltasar Álvares (1605); Cónego Ladeira (séc. 16); Félix da Costa Meesen (1693); Giovanni Battista Scala (1693). EMPREITEIROS: Anselmo da Costa (1964); António Ferreira de Almeida (1953); Francisco Sabino (1926-1933). ENGENHEIROS: Augusto Fuschini (séc. 19-20). ENSAMBLADORES: Marcos Magalhães (1644-1650). ENTALHADORES: Alípio Brandão (1940); António Ângelo (1787-1788); António Rodrigues (1700); Diogo de Sarça (atr.,séc. 16); Domingos Sampaio (1686); Estácio Matias (atr.,séc. 16); Félix José de Barros (séc. 18); Francisco José da Silva (1785); Higino Pereira (1930); Jerónimo Correia Lage (séc. 19); João Vicente Gomes (1719-1721); José Bernardo da Luz (séc. 18); Matias Rodrigues de Carvalho (c. 1640 - 1710); Olivier de Gand (atr.,1469). ESCULTORES: Joaquim Machado de Castro (séc. 18); Manuel Vieira (séc. 18); Teixeira Lopes (1907). ESTUCADORES: Artur Rodrigues Maia (1940); Benjamim António Duarte (1940); Félix da Rocha (atr.,1769); José Henriques de Oliveira (1940). FERREIROS: André Gonçalves (1643-1648); António do Carmo (1810-1811); Bento Coelho (1810-1811). LADRILHADORES: Manuel Rodrigues (1712-1713). MARCENEIROS: António de Castro (1645-1646). MESTRES-DE-OBRAS: Mestre Roberto (séc. 12). ORGANEIROS: Fr. António da Madre de Deus (séc. 18); António Duarte Silva (1892); António Luís da Rocha Fontanes (1835); Bento Fontanes (1785-1786); Dirk Flentrop (1960); Fr. Francisco de Santo António (séc. 18); Joaquim António Peres Fontanes (1785-1786); José Linhares (1900). OURIVES: Caetano Félix de Figueiredo; Dionísio Gomes da Silva (1766); Domingos Duarte (1687-1690); Joaquim Caetano de Carvalho (1779); Manuel de Barros (1779); Manuel Rodrigues (1719-1721); Manuel Soares (1669); Nicolau da Rocha (1699); Tomás Correia (1693). PEDREIROS: Afonso Eanes (1451-1469); Afonso Mendes (séc. 13-14); António Correia da Rocha; António da Silva (1691-1693); António Marcelino dos Santos; Domingos de Alcobaça (séc. 13-14); Ascenso Luís (1634); Domingos João (1634); Domingos Lourenço (séc. 19); Domingos Pires Sintrão (séc. 13-14); Estêvão Domingues (séc. 13-14); Fernão Pais (séc. 13-14); Francisco Rodrigues (1644-1650); Francisco Xavier (1659-1661); Garcia Pires (séc. 13-14); Gaspar dos Reis (1681); João Afonso de Óbidos (1413-1425); João Anes (séc. 13-14); João Antunes (1681-1693); João da Mata (1634); João da Paz; João de Alcochete (séc. 13-14); João Garcia Castelão (séc. 13-14); Joaquim Madeira; Leonardo Jorge (1754-1755); Lourenço Esteves Pessanha (séc. 13-14); Manuel Francisco (1713-1722); Martim Cavaleiro (séc. 13-14); Mateus Miguéis (séc. 13-14); Miguel Martins (séc. 13-14); Pedro Cota (séc. 13-14); Pêro Galego (séc. 13-14); Pêro Pires (séc. 13-14); Vicente Jorge (1655-1656); Vicente Pais (séc. 13-14). PINTORES: Amaro do Vale (1614, atr.); Brás Gonçalves (1541-1542); Cristóvão de Figueiredo (1537); Domingos Vieira Serrão (atr.,1610-1620); Fernão Gomes (atr.,1590); Garcia Fernandes (1537); Gaspar Dias (1555); Gregório Antunes (atr.); Henrique José da Silva (séc. 19); Joaquim Manuel da Rocha (atr.); José Costa Negreiros (atr.,séc. 18); José do Avelar Rebelo (séc. 17); José Inácio de Sampaio (1825); Lino António dos Santos (1792-1793); Luciano Freire (1911); Marcos da Cruz (1657); Martim Conrado (1643-1648); Nuno Gonçalves (séc. 15); Pedro Alexandrino de Carvalho (séc. 18); Pintor Mota (1491); Simão Rodrigues (atr.,1610-1620); Vieira Lusitano (atr.,1771). PINTOR de AZULEJO: Manuel dos Santos (séc. 18). PINTORES - DOURADORES: Agostinho Cabral (1940); Artur Rodrigues Maia (1940); Benjamim António Duarte (1940); Domingues Lourenço (1811); Domingos Marques (1696-1697); Francisco António de Lima (1766-1767); Francisco João do Carmo (1810-1811); Francisco Xavier Dinis (séc. 18).

Cronologia

1147, 01 novembro - sagração da igreja; obras a cargo de Mestre Roberto; as relíquias de São Vicente, achadas na zona de Sagres, são colocadas na abside; séc. 12 - 13 - campanhas regulares de obras, com a construção da sacristia, atual Camarim do Patriarca, e a abside; 1290-1300 - fundação da Capela de Nossa Senhora da Piedade da Terra Solta e respetiva Irmandade, por Nuno Fernandes Cogominho e D. Maria Albernaz; séc. 13 - 14 - construção do claustro, pelos mestres João Anes e Miguel Martins, entre outros *6; séc. 14 - testamentos de D. Afonso IV e D. Beatriz para que fossem sepultados na capela-mor da Sé *7 e fundando cinco capelas na charola; Lopo Fernandes Pacheco e Maria Vila Lobos instituem sepultura na capela régia de São Cosme e Damião, com terras na Charneca; fundação das Capelas do Espírito Santo e Santa Cruz, na charola, por Mestre Pero, com bens em Sintra, e por António Durães, respetivamente; fundação da Capela de São João Evangelista na ala N. do claustro, por Mestre Fernando, com bens na Rua dos Ourives; fundação das capelas de São Lourenço, por Lourenço Anes, e de São Nicolau, no claustro; 1303 - fundação da Capela de São Sebastião na charola, por D. João Martins, vinculada ao morgado de Soalhães; 1305 - fundação da Capela de Santo Estêvão no claustro por Estêvão Rodrigues de Loulé e Mor Martins, com bens na Charneca *8; 1322-1323 - D. Gonçalo Pereira funda uma capela funerária no local da atual porta do Camarim, que abria diretamente para a nave, que não viria a ocupar, por ter ido para Braga; 1324, 24 novembro - instituição da Capela de São Bartolomeu por Bartolomeu Joanes, adossada à nave e com hospital anexo *9; 1327 / 1334 / 1337 / 1344 / 1356 - terramotos em Lisboa abalam a cabeceira, obrigando a obras sucessivas e a atrasos na sua construção; 1358 - fundação da capela de Nossa Senhora da Conceição pelo bispo D. Pedro, na charola; 1394 - a Sé passou a Arcebispado por bula de Bonifácio IV; 1404 - um novo sismo volta a abalar a estrutura da cabeceira ainda por terminar; alteram-se os planos desta, que passou a assumir um cariz gótico; séc. 15 - pintura dos painéis de São Vicente por Nuno Gonçalves e execução da imagem de Santa Maria Maior; 1402, 13 maio - sepultura de D. João Anes na Capela de São Sebastião; 1404 - cai um raio sobre a abside; 1413-1425 - João Afonso de Óbidos trabalha na abside; 1451-1467 - construção da Capela de São Vicente, na abside, por Afonso Eanes; 1452 - sepultura de D. Pedro de Noronha na Capela do Corpo de Deus; 1469 - construção do retábulo gótico de São Vicente, no lado do Evangelho da capela-mor, talvez por Olivier de Gand, dourado por Jean de Ypres; 1492, 29 agosto - perante a insuficiência de bens da Capela do Corpo de Deus, o Cabido acorda com Afonso Anes e D. Catarina da Cunha, a cedência de sepultura no local; 1491 - repinte dos painéis de São Vicente pelo mestre Mota; 1498 - instituída a Irmandade da Misericórdia de Lisboa na Capela da Terra Solta; séc. 16 - instituição de várias Irmandades *10; execução do dossel em talha para os túmulos régios, de dois órgãos, do cadeiral, talvez por Diogo de Sarça, e da grade de bronze da abside; pintura do retábulo da Capela de Nossa Senhora da Terra Solta, por Garcia Fernandes; 1520 - chega a imagem de Nossa Senhora a Grande, transportada de França por Martim Afonso de Sousa; 1528, 28 fevereiro - testamento de Rui Figueira e Brites Tavares deixando bens no Castelo à Capela de São Pedro; 1531, 07 janeiro - um terramoto provoca grandes danos numa das torres; 1537 - pintura do retábulo da Capela de São Bartolomeu por Garcia Fernandes e Cristóvão de Figueiredo; 1540-1564 - instalação do coro dos cónegos no transepto, transferindo-se alguns túmulos do local; 1541-1542 - pintura do retábulo do Santíssimo por Brás Gonçalves; 1553-1555 - douramento do sacrário, talvez executado por Pedro de Frias, por Brás Gonçalves e Gaspar Dias; 1590 - pinturas para o retábulo primitivo da Capela de Santa Ana na charola por Fernão Gomes, com talha executada por Estácio Matias; séc. 17 - execução da frontaria da Capela de São Pedro; José do Avelar Rebelo pinta para o antigo retábulo da Capela de São João Evangelista, no claustro; Marcos da Cruz pinta as telas das ilhargas da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença; 1610-1620 - pintura de um São Miguel para a Capela com o mesmo orago, pela dupla Simão Rodrigues e Domingos Vieira Serrão; 1614 - apeados os painéis de São Vicente; pintura dos espaldares do cadeiral, talvez por Amaro do Vale; 1632 - Gaspar Ferraz Leite doa bens à Irmandade do Santíssimo; 1634 - execução do retábulo da Capela de Nossa Senhora de Belém, em pedraria, por Ascenso Luís, Domingos João e João da Mata; 1643-1648 - obras na Capela do Santíssimo, com a execução e douramento do retábulo, pintura de 10 painéis por Martim Conrado e grade para o portal, por André Gonçalves; 1644-1650 - obras na Capela do Santíssimo, dirigidas por Francisco Rodrigues, com colocação de lajes no pavimento e no Pátio dos Arcebispos sobre a mesma, feitura de zimbório sobre o altar-mor, por Marcos de Magalhães e remate do portal; 1645-1646 - execução do retábulo da Capela de São João Evangelista, pelo marceneiro António de Castro, atualmente na Capela de Nossa Senhora de Belém; pintura do tondo por Martim Conrado; 1652 - fundação das Capelas de Nossa Senhora da Tocha e Santo António, no claustro, esta com Irmandade dos Meninos do coro; 1654-1657 - revestimento da Capela do Santíssimo a talha, com as colunas desbastadas pelo pedreiro Leonardo Jorge; com a talha dourada por Manuel Coelho Valadares e telas pintadas por Marcos da Cruz; 1662, 21 maio - sepultura de António Malheiro na Capela de Santo António do claustro; 1669 - execução do frontal do Santíssimo, em prata, por Manuel Soares; 1675-1702 - D. Luís de Sousa ordena obras na Capela da Terra Solta *11; 1681 - feitura do retábulo de Nossa Senhora a Grande por Gaspar dos Reis, conforme desenho de João Antunes; 1685, 27 junho - feitura de um retábulo para a Capela do Salvador do Mundo pelo entalhador Domingos de Sampaio (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 496); 28 novembro - os mestres António Rodrigues e João da Costa são contratados para a montagem do retábulo do Rei Salvador do Mundo, que o entalhador Domingos Sampaio havia iniciado, estando preso por não cumprir os prazos (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 484); 1686 - execução do retábulo da Capela de Nossa Senhora da Piedade por Domingos Sampaio; 1687-1688 - feitura de dois anjos de prata para o Santíssimo, por Domingos Duarte; 1690 - execução das lâmpadas de prata para o Santíssimo por Domingos Duarte; 1691 - execução de vitrais para a abside por Domingos Batalha; execução da obra de pedraria na Capela de Nossa Senhora da Terra Solta, no claustro, por António da Silva e João Antunes; 1692, 24 novembro - a Irmandade da Terra Solta contrata António Fernandes para a feitura dos covais junto à capela (COUTINHO: 366); 1693, 17 junho - contrato com António da Silva e João Antunes para o novo retábulo de São Vicente, segundo risco de Félix da Costa Meesen; feitura da escultura de São Vicente em prata, por Tomás Correia, conforme desenho do mestre italiano Giovanni Battista Scala; 1694-1695 - pintura da base das coluna da Capela do Santíssimo por José Ribeiro da Silva; 1696 - Capela de São Bartolomeu truncada para rasgar porta travessa; 1699 - feitura de uma lâmpada de prata para o Santíssimo por Nicolau da Rocha; séc. 18 - feitura de um órgão para a nave, por Fr. António da Madre de Deus; pintura de Nossa Senhora da Piedade para a Capela da Piedade da charola, por José da Costa Negreiros; pintura dos azulejos da nave por Manuel dos Santos; 1700 - execução do retábulo de Santo Ildefonso por António Rodrigues; 1711 - António da Silva e João Antunes contratam-se com o Cabido para executarem um novo retábulo para a capela-mor; 1712-1713 - revestimento da cúpula do Santíssimo com azulejo, colocado por Manuel Rodrigues; 1713-1722 - a Capela do Santíssimo anexa a de Nossa Senhora da Luz, com obras do pedreiro Manuel Francisco e carpinteiro José Martins; novo frontispício por desenho do arcediago Ladeira; 1718, 10 dezembro - colocação da imagem de Santa Rosa de Viterbo na Capela de Nossa Senhora da Pombinha, por iniciativa do cónego Dionísio da Silva; 1719-1721 - apeamento da decoração da Capela do Santíssimo e feitura de um novo retábulo por João Vicente Gomes, que decora toda a capela; execução de ramalhetes de prata por Manuel Rodrigues, de nova imaginária e pintura dos Apóstolos por João Baptista; Manuel Francisco remove os caixotões de talha; 1740, 13 dezembro - abolição do título de Sé e respetivas dignidades, por bula de Benedito XIV; 1741, 14 julho - título de Basílica pelo mesmo papa; 1742 - execução de um novo cadeiral, por ordem de D. João V; 1745 - começam as reparações nas torres devido aos danos provocados pelos terramotos anteriores; 1748 - colocação de um relógio na torre S.; 1755, 01 novembro - terramoto e incêndio destrói a Capela do Santíssimo e afeta a decoração da capela-mor; desaparece o sino de uma das torres (1375); dissolução da Irmandade de Nossa Senhora da Piedade da Terra Solta; 1761, novembro - dourada a banqueta de Nossa Senhora a Grande, por Simão Baptista de Carvalho; 1761-1785 - reconstrução da Capela do Santíssimo, supervisionada pelos irmãos Pedro da Silva Lisboa e Manuel Gomes Ferreira; 1764 - obras nas Capelas Reais; 1766 - execução de lanternas em prata para a Irmandade do Senhor Jesus da Boa Sentença, por Dionísio Gomes da Silva; 1766-1767 - imagem de Santo Amaro por Manuel Vieira, estofada por Francisco António de Lima; 1767 - cónego António José da Cruz intendente das obras; 1768, julho - Irmandade de São Miguel instala-se na Capela de São Sebastião; 1769-1771 - iniciam-se as obras de vulto na Sé, orientadas por Reinaldo Manuel dos Santos, com pagamentos a João da Paz, Joaquim Madeira, Mateus Fernandes e António José de Matos *12; 1771 - pintura para a Capela de Santo Ildefonso, atribuível a Vieira Lusitano; 1779 - túmulos reais colocados provisoriamente no claustro; banqueta e tocheiros da Capela do Santíssimo por Joaquim Caetano de Carvalho, semelhantes aos da Madre de Deus; execução das lâmpadas da mesma, por Manuel de Barros, conforme as de São Francisco de Paula; 1779 - 1781 - pintura do teto da sacristia e do teto da Sala do Capítulo, atribuível a Pedro Alexandrino de Carvalho; 1781, 30 novembro - ossadas reais colocadas nos novos túmulos, de Machado de Castro; colocação da imagem do orago na antiga capela de Nossa Senhora da Pombinha *13; Capela de São Vicente passa para a colateral S.; 24 dezembro - inauguração do imóvel; 1783 - douramento do retábulo do Santíssimo por Simão Baptista de Carvalho, executado por José Bernardo da Luz, com intervenção de Félix José de Barros, que fez um baldaquino para o sacrário; 1785 - reforma do frontispício da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença pelo entalhador Francisco José da Silva e o carpinteiro Francisco Xavier da Rosa; douramento do retábulo por Vicente Ribeiro Alves, que limpou e retocou todos os painéis; 1785-1786 - António Ângelo executau as caixas dos órgãos, construídos por Joaquim António Peres Fontanes; 1787 - pintura do esquife e encarnação do Senhor morto, por Vicente Ribeiro Alves; 1787-1788 - talha das tribunas reais por António Ângelo; 1791 - desenho dos tocheiros do Santíssimo por António Rodrigues; 1791-1792 - execução de uma banqueta em prata para o altar do Senhor Jesus da Boa Sentença; séc. 19 - execução do retábulo do Senhor Jesus da Boa Sentença por Jerónimo Correia Lage; Irmandade do Santíssimo ocupa várias capelas desativadas no claustro (Nossa Senhora da Eucaristia, São Lourenço, Nossa Senhora de Belém e Santo Aleixo); Capela da Santíssima Trindade é reativada com culto a Nossa Senhora da Penha de França; execução de várias pinturas para a Capela de Nossa Senhora de Belém, por José Inácio de Sampaio; 1810-1811 - remoção das grades da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença pelo ferreiro Bento Coelho, tendo sido feitas umas novas por António do Carmo, desenhadas por Jerónimo Correia Lage e modeladas por José dos Santos, douradas por Francisco João do Carmo; 1818 - compra das imagens para a Capela do Santíssimo a um particular; 1822 - imagem de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, encontrada em Carnaxide, colocada na Capela de Nossa Senhora a Grande; 1825 - cópia da "Assunção da Virgem" de Pedro Alexandrino por José de Inácio Sampaio; 1835, 06 fevereiro - Cabido guardião dos bens da Patriarcal, entretanto extinta; 1837-1838 - Capelas Reais aproveitadas como arrecadações; 1837, 03 novembro - presépio da Patriarcal, de Machado de Castro (1766), na Capela de Santo Ildefonso; 1839 - Capela de Nossa Senhora da Piedade passa para a antiga Capela de Santo Aleixo; 1844, 10 agosto - anulação do título de Basílica e atribuição do de Patriarcal; 1854, setembro - Irmandade dos Calafates dissolvida; 1883, 30 setembro - imagem de Nossa Senhora da Conceição foi devolvida a Carnaxide; 24 novembro - Associação dos Devotos de Nossa Senhora da Conceição oferece nova imagem; 1891 - Junta da Paróquia funciona na Capela de São Bartolomeu; 1895 - projeto de restauro da fachada do templo por João Nepumoceno; 1902 - início das obras por Augusto Fuschini; 1903 - execução dos vitrais da Capela de São Bartolomeu em França, conforme desenho de António Ramalho; 1904 - previsto transformar a Capela de São Bartolomeu em batistério, o que não foi permitido pelo Cabido; execução de um Cristo para a Capela de São Bartolomeu, por Teixeira Lopes; 1907, 23 abril - o engenheiro solicita a remoção do presépio para a Capela dos Túmulos; 1911 - António do Couto Abreu toma conta dos trabalhos de restauro; 1939 - Raul Lino opõe-se à execução de uma cabeceira gótica e com Baltasar de Castro opõe-se ao restauro purista da Capela do Santíssimo; 1940 - execução dos coretos dos órgãos por Agostinho Cabral e Alípio Brandão; comemoração dos Centenários, estando o restauro da catedral praticamente concluído; colocação de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição a ladear o arco triunfal *14; 1960 - execução de um órgão pela casa holandesa Flentrop, financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian; séc. 20, década 60 - o órgão do lado da Epístola é transferido para o Panteão; 1969 - danos causados pelo sismo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2007, 20 dezembro - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, pela Portaria n.º 1130/2007, DR, 2.ª série, n.º 245; 2009, 24 agosto - o imóvel é afeto à Direção Regional da Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163.

Características Particulares

Catedral bastante alterada pelos restauros revivalistas que sofreu ao longo dos séculos 19 e 20, que lhe deram uma feição neoromânica e neogótica, apesar de aproveitar alguns elementos originais, nomeadamente na Capela de São Bartolomeu, na capela-mor, onde as janelas primitivas fora desentaipadas, e no claustro, que apresenta, no muro divisório da quadra uma faceta gótica, com os seus vãos mainelados e espelhos ornados por óculos com elementos fitomórficos. A fachada principal resulta de uma reforma, exceto o portal, de transição do período românico para o gótico, visível no tipo de decoração dos capitéis; possui dois níveis de silhares, um de lioz e outro mais antigo, mas surgem pedras mais modernas nas zonas do embasamento, revelando que houve uma desmontagem de algumas fachadas e reaproveitamento e introdução de novas cantarias a substituir as que se achavam arruinadas. Possui um amplo deambulatório, revelando que se tratava, simultaneamente, de uma igreja de peregrinação, em torno do culto das relíquias de São Vicente, o qual seria, inicialmente aberto, como em Alcobaça, tendo sido fechado nas alterações góticas, que lhe deram uma capela à semelhança da Batalha, com duplo clerestório, cobertura em abóbada de ogivas, que descarregava nos arcobotantes, cujos vestígios ainda são visíveis no exterior da cabeceira, apesar de desativados pela existência de uma cobertura de solução barroca, em abóbada de lunetas. Os muros de cada capela estão em ângulo reto com o lado do polígono onde nascem. O eixo de cada uma situa-se no apótema dos lados e não na bissetriz, como no deambulatório de Alcobaça. Mantém intactas, graças aos esforços e teorias de Raul Lino e Baltasar de Castro, a Capela do Santíssimo e a capela-mor com a sua decoração pós-terramoto, exceto no facto de ter sido removido um dos órgãos da capela-mor, substituído por um instrumento de execução recente. O espólio das antigas capelas e elementos que as adornavam encontram-se espalhados por vários imóveis, foram vendidos ou estão arrecadados nas dependências do edifício. Possui pintura notável dos séculos 16 e 17, bem como imaginária da mesma época, destacando-se a figura do orago, em cuja capela se encontra uma grade de execução românica, com decoração em enrolamentos que terminam em figuras fantásticas, zoo e antropomórficas ou em elementos vegetalistas. Uma das capelas do claustro mantém a aparência com que ficou após o terramoto, com alguns elementos de embutidos de calcários nos capialços dos vãos e nas paredes, excetuando os vãos de aceso, intervencionados nos restauros do séc. 20. Possui uma capela particular adossada, a de São Bartolomeu, protegida por grade metálica barroca, mas cuja intervenção oitocentista alterou profundamente, com o seu redimensionamento e a feitura de novas fenestrações, com colocação de vitral. A sacristia mantém a sua estrutura maneirista e o Camarim do Patriarca, no lado oposto, integra uma estrutura retabular proveniente de uma das capelas radiantes, de talha dourada e com vários painéis pintados. O presépio, oriundo da Patriarcal da Ajuda, é uma peça notável, tendo alguns temas raros, como "A queda dos ídolos" e as arquiteturas, com profusão de colunas, estátuas e obeliscos, refletindo uma influência dos desenhos de Giovanni Battista Piranesi. Algumas figuras não são pintadas, refletindo a cor vermelha do barro e duas têm um trabalho muito cuidado, ligável aos "biscuit" de Meissen.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em cantaria de calcário lioz e amarelo; modinaturas, ameias, cornijas, colunas, pilares, pavimentos, coberturas, pilastras, escadas, altares, em cantaria de calcário; túmulos em calcário e mármore; tetos, portas, caixilharias, arcazes, retábulos, órgãos de madeira; janelas com vitral ou vidro do tipo catedral; coberturas com telhas; grades de ferro forjado ou bronze; painéis de azulejo tradicional; estuque decorativo.

Bibliografia

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Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1966, ano XXVII e XXVIII, n.º 110-111 e 114-115, pp. 31-40 e 7-19; Cabido da Sé, Sumários de Lousada, Apontamentos dos Brandões, Livro dos bens dos próprios dos Reis e Rainhas. Documentos para a História da Cidade de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, 1954; CAETANO, Joaquim Oliveira - Sob o manto protector - Para uma iconografia da Virgem da Misericórdia.Mater Misericordiae - simbolismo e representação da Virgem da Misericórdia. Lisboa: 1995, pp. 14-51; CASTILHO, Júlio de - Lisboa Antiga bairros orientais. Lisboa: Imprensa Municipal de Lisboa, 1970, vols. V e VI; Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa. Lisboa: Junta Distrital de Lisboa, 1973, tomo I; CASTRO, João Bautista de - Mappa de Portugal Antigo e Moderno. 3.ª ed., Lisboa: Typographia do Panorama, 1870, tomo III; CASTRO e SOUSA, António Dâmaso de - «Monografia da Igreja Matriz da cidade de Lisboa». Boletim Architectónico e de Arqueologia. Lisboa: Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos Portugueses, 1875-1876, tomo I, n.º 5 a 9; CHICÓ, Mário Tavares - «A Catedral de Lisboa e a Arte Portuguesa da Idade Média». Separata de Belas Artes. Lisboa: Academia Nacional das Belas Artes, 1953, n.º 6; CHICÓ, Mário Tavares - A Arquitectura Gótica em Portugal. Lisboa: Livros Horizonte, 1981; CONCEIÇÃO, Frei Cláudio da - Gabinete Histórico. 2.º ed., Lisboa: Imprensa Regia, 1818-1827, tomos I, II, V, IX e XI; COSTA, António Carvalho da - Corografia Portugueza... 2.ª ed., Braga: Typographia de Domingos Gonçalves Gouveia, 1869, pp. 240-241; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira - A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa: s.n., 2010, 3 vols. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa; CUNHA, Rodrigo da - História Ecclesiastica da Igreja de Lisboa... Lisboa: Manoel da Sylva, 1642, vol. I; «Descripção da Igreja Basilica de Santa Maria». Jornal de Bellas Artes ou Mnemósine Lusitana. Lisboa: Impressão Regia, 1817, vol. II, n.º 6, pp. 81-85; Exposição - imagens de Nossa Senhora. Lisboa: s.n., 1988; Exposição iconográfica e bibliográfica de Santo António de Lisboa. Lisboa: s.n., 1947; FAGUNDES, João - «A Sé de Lisboa nos séculos XIX e XX». Revista História. Lisboa: Outubro de 1992, ano XIV, n.º 157, p. 40; FERNANDES, Paulo Almeida - «O sítio da Sé de Lisboa antes da Reconquista». ARTIS. Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 57-87; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva - A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras. Lisboa: s.n., 2009, 3 vols. Texto policopiado, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; FERREIRA, Sílvia e COUTINHO, Maria João Pereira - «Com toda a perfeição na forma que pede a arte: a capela do Santíssimo Sacramento da igreja de São Roque em Lisboa: a obra e os artistas». ARTIS. Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2004, n.º 3, pp. 267-295; FIGUEIREDO, Ana Paula Valente - O espólio artístico das Capelas da Sé de Lisboa - abordagem cripto-histórica. Lisboa: s.n., 2000, 3 vols. Texto policopiado. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; FIGUEIREDO, José de - O Pintor Nuno Gonçalves. Lisboa: Instituto José de Figueiredo, 1910; FONSECA, Martinho da - A Sé de Lisboa e Augusto Fuschini. Lisboa: 1912; FUSCHINI, Augusto - A Architectura Religiosa da Edade-Média. Lisboa: Imprensa Nacional, 1904; «A Sé de Lisboa». Illustração Portuguesa. Lisboa: Empreza do Jornal O Seculo, 11 junho 1906, II série, pp. 492-493; GASCO, António Coelho - Das Antiguidades de Muy Nobre Cidade de Lisboa..., Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924; GORDALINA, Maria do Rosário - As Obras Realizadas na Fachada Ocidental da Sé de Lisboa no Séc. XX - Critérios de Intervenção. Lisboa, s.n., 1988. Texto policopiado. Trabalho realizado no âmbito da Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais; Guia de Portugal: Lisboa e Arredores. 3.ª ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkiam, 1991, vol. I; NETO, Maria João Quintas Lopes Baptista - A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e a Intervenção no Património em Portugal (1929-1960). Lisboa: s.n., 1995. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa; NETO, Maria João Baptista - «Raul Lino ao serviço da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. Uma nova perspectiva de intervenção». ARTIS. Lisboa: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa, 2002, n.º 1, pp. 253-269; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva - Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota. Lisboa: s.n., 1998, 2 vols. Texto policopiado. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Letras da Universidade Nova de Lisboa; Património. Balanço e Perspectivas (2000-2006). Lisboa: Instituto Português do Património Arquitetónico, 2000; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols.; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1957; Relatório da Actividade do Ministério no Ano de 1961. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1962, vol. 1; SANTANA, Francisco, SUCENA, Eduardo (dir.) - Dicionário da História de Lisboa. Lisboa: s.n., 1994; SILVA, Cónego Duarte Vilella da - «A Sé de Lisboa». Revista Universal Lisbonense. Lisboa: Imprensa Nacional, ano XIII, 3ª série, Agosto e seguintes; SUMMAVIELLE, Elísio - Sé de Lisboa. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural, 1986; http://arqpapel.fa.utl.pt/jumpbox/node/74?proj=S%C3%A9+de+Lisboa+%E2%80%93+Obras+de+Restauro, [consultado em 19 setembro 2011].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DREL/DRC; AHMOP

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa; CML: Arquivo fotográfico

Documentação Administrativa

IHRU; DGEMN/DSID, DGEMN/DRMLisboa; Arquivo da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa: Comissão dos Monumentos Nacionais - correspondência, Conselho de Arte e Arqueologia - correspondência, Igrejas (vol. II), Livro de Actas das Sessões da Comissão dos Monumentos Nacionais (Lº 258, 259, 262); Arquivo da Casa dos 24: Livro de Assentos da Irmandade do Glorioso Patriarcha S. Joseph; Arquivo da Irmandade do Santíssimo: Livros de Actas, Livros de Inventário, Livros de Receita e despesa; Livro de termos; masso de documentos avulsos; Arquivo da Marinha: Irmandade do Senhor Jesus da Boa Sentença (caixa 162); Arquivo do Cabido da Sé: Livros de Contas, Inventário, Actas, Assentos, Recibos, Registos; Arquivo do Tribunal de Contas: Erário Régio (Lº 36); DGLAB/TT: Extraídos do Conselho da Fazenda (As Capelas de D. Afonso IV e D. Beatriz - Despesas), Basílica Patriarcal de Santa Maria Maior (Lº 12-14); Cartório Notarial de Lisboa n.º 15 (Lº 382, 384), Desembargo do Paço - Corte (masso 677, 790, 878, 1288, 1443, 1450), Mesa da Consciência e Ordens - Capelas (caixas 37-39); BNL - Reservados: Inventario de toda a prata... (F. 5421), Livro dos Documentos das Capelas de D. Afonso IV e D. Beatriz (Cod. 1766), Memórias para a história eclesiástica de Portugal (cod. 139), Miscelânea de documentos do séc. XVII (cod. 560), Origem da Sé de Lisboa (Cod. 8974), Recibos diversos (cod. 8607), Memórias e documentos para a história eclesiástica (cod. 139)

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: séc. 17 - abertura de sacristias nos muros de topo das capelas de São Sebastião e Espírito Santo; restauro da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença, no claustro, pela respetiva Irmandade; 1631 - reconstrução da Capela de São Lourenço, pela respetiva Irmandade; 1634 - reconstrução da Capela de Nossa Senhora de Belém, no claustro, pela Confraria dos Correios, nela instalada; séc. 17, década de 40 - douramento do retábulo gótico de São Vicente, existente na capela-mor; 1646 - reforma da Capela de Santo Aleixo; 1655 / 1656 - remodelação da Capela do Santíssimo, sendo rasgados dois arcos para a charola, pelo pedreiro Vicente Jorge; 1658 / 1659 / 1660 / 1661 - arranjo da cúpula da Capela do Santíssimo por Francisco Xavier; 1696 / 1697 - douramento do sacrário da Capela do Santíssimo por Domingos Marques; 1764 - arranjo dos terraços das capelas do deambulatório; 1768 - restauro da Capela de São Lourenço; restauro das imagens de Nossa Senhora da Conceição e da Quietação por Manuel Vieira, a última estofada por Nicolau Monteiro; restauro da imagem de Nossa Senhora da Apresentação por Manuel Vieira e estofada por Francisco António de Lima; 1785 / 1786 - arranjo de um órgão positivo por Bento Fontanes; 1788 - restauro do Menino e do Cristo do Senhor Jesus da Boa Sentença por Manuel Vieira; 1792 / 1793 - restauro dos dedos do Menino da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença; pintura do acesso à capela por Lino António dos Santos e reparação das grades; séc. 19 - arranjo das infiltrações da Capela do Santíssimo por Domingos Lourenço; repinte das pinturas da cobertura da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença por Henrique José da Silva; 1811 / 1812 / 1813 - retoques no retábulo da Capela do Santíssimo por Domingos Lourenço; apeamento do baldaquino do sacrário e feitura de um novo; 1813 - obras nas Capelas Reais por António Marcelino dos Santos; 1818 - transferência do retábulo da Capela de São João Evangelista para a de Nossa Senhora de Belém, ambas no claustro; 1819 - arranjo do terraço da Capela do Santíssimo; 1816 - restauros na capela do Santíssimo; 1835 - António Luís da Rocha Fontanes passa a arranjar e a afinar o órgão que funcionava, mensalmente; 1843 / 1844 - douramento da Capela do Santíssimo por Leonardo Patena; 1865 - obras nas Capelas Reais por António Correia da Rocha; 1864 - abertura de ligações entre as três primeiras capelas do claustro, todas pertencentes à Irmandade do Santíssimo; 1865 - arranjo dos terraços das capelas do deambulatório; 1869 / 1870 / 1871 / 1872 - execução de foles e casas para os órgãos; 1878 - douramento do retábulo da Capela do Santíssimo por Leonardo Patena; 1891 - reboco e pintura das paredes da capela de São João Evangelista e aplicação de silhar de azulejos; feitura da grade da capela e outra para a de Nossa Senhora de Belém; 1892 - orçamento de António Duarte Silva para o restauro de um dos órgãos; 1900 - restauro do órgão da Epístola, talvez por José Linhares, que passou a receber um ordenado para a sua afinação; 3ª Direção das Obras Públicas do Distrito de Lisboa e Comissão Executiva dos Monumentos Nacionais: 1902 / 1903 / 1904 / 1905 / 1906 / 1907 / 1908 / 1909 / 1910 / 1911: demolição de construções anexas na fachada lateral N., junto da capela de Bartolomeu Joanes e da torre. Abertura do pórtico N. no terceiro tramo da nave lateral; reconstrução da abóbada e das janelas da referida capela, colocação de uma coroa de ameias, construção de uma coroa de ameias; Construção de novas janelas no segundo registo da torre N. e de uma agulha de remate; restauro das janelas do deambulatório; construção de uma janela mainelada no extremo da ala S. do claustro; execução da rosácea da Capela de São Bartolomeu e do seu remate ameado; 1907 - início do restauro da Capela de Santo Ildefonso, com remoção de todo o seu espólio; 1911 - prospeção nas paredes da cabeceira, em busca das novas janelas góticas; restauro das pinturas da Capela de São Bartolomeu por Luciano Freire; 1912 - restauro da Capela de Santo Aleixo, com o desentaipamento dos arcosólios *15; 1917 - desmantelamento da cobertura da Capela de São Vicente para se proceder à feitura de uma abóbada gótica, que não se concretizou; Direção dos Edifícios Públicos do Distrito de Lisboa: 1919 - desmontagem dos portões em ferro do portal principal séc. 20, década de 20 - restauro do corredor do deambulatório compreendendo a reconstrução de abóbadas; MNAA: 1920 - restauro dos quadros provenientes do transepto; 1926 - colocação de pavimento de ladrilhos na Capela de Nossa Senhora da Terra Solta, no claustro, e no trifório por Francisco Sabino; 1927 - transferência das grades da Capela de São Vicente para o Cemitério de Tomar; DGEMN: 1929 / 1930 / 1931 / 1932 - arranjo do portal e recuo do pano, onde se implantava a rosácea, feita de novo, para o prumo do muro do portal; demolição do coro-alto; construção da galeria do trifório; refeitos os pilares e construída a abóbada da nave central; reparação da abóbada do transepto e do cruzeiro; 1930 - restauro do altar-mor e do Apostolado de talha por Higino Pereira, por 207$50; 1932 - feituras de grades e portão de ferro forjado; 1933 - desmontagem dos retábulos do transepto por Francisco Sabino; feitura de altares para duas capelas do deambulatório; substituição do portal principal por outro de madeira de castanho; as capelas da charola são limpas de altares e imagens; 1936 - remoção do retábulo da capela de Santa Ana da charola para o Camarim do Patriarca; 1937 - consolidação e restauro da Sala do Capítulo; restauro dos paramentos dos braços do transepto, de onde se removeram túmulos e pedras ornadas; restauro das fachadas laterais; restauro das capelas colaterais e colocação de vitral na mesma; 1939 - restauro dos estuques e da pintura da abóbada da capela-mor; feitura de uma cobertura em madeira de sucupira na Capela de São Vicente, seguindo os protestos de Raul Lino, que se manifestou contra a feitura de uma abóbada gótica; entaipamento da ligação ao transepto e demolição do portal; substituição de silhares de pedra na capela de São Vicente; execução do arco triunfal em pedra da região de Fanhões; a atual Capela dedicada a Santa Maria Maior recuperou o perímetro primitivo, sendo entaipada a sua ligação à contígua do lado S.; 1940 - douramento dos vestígios da estrutura retabular por Agostinho Cabral; colocação de um dossel sobre a estrutura retabular; douramento dos coretos dos órgãos por Agostinho Cabral, pela quantia de 1.380$00; feitura de um novo friso por Alípio Brandão, por 45$00; execução de um novo cadeiral por Alípio Brandão, seguindo o modelo do cadeiral da Igreja dos Paulistas (v. PT031106280036); douramento do baldaquino da Capela do Santíssimo por Agostinho Cabral, Artur Rodrigues Maia, Benjamim António Duarte e José Henriques de Oliveira; execução das grades para a capela do Santíssimo; arranjo da Capela de Santo António, do claustro; rebaixamento do piso do claustro em 40 cm; retoque no retábulo do Santíssimo por Artur Rodrigues Maia, Benjamim António Duarte e José Henriques de Oliveira; feitura dos vitrais para as janelas da capela-mor por Ricardo Leone; reparação do estuque dos tetos e paredes por Artur Rodrigues Maia, Benjamim António Duarte e José Henriques de Oliveira; pintura de caixilhos e colocação de vidraças, limpeza e reparação de portas, grades e balaustradas; colocação de degraus de acesso às capelas do lado N. do claustro; rebaixamento do pavimento do claustro e dos respetivos terraços, onde se executou um pavimento de betonilha; colocação de vitrais na rosácea do topo S. do transepto; douramento do dossel do retábulo-mor; colocação de portas almofadadas de acesso às tribunas e órgãos; feitura dos lambrequins do órgão em contraplacado; assentamento de cantarias na Capela do Santíssimo; feitura dos altares da capela-mor e da Capela de São Vicente; tratamento das paredes das tribunas em escaiola; reparação dos estuques da sacristia; limpeza da estrutura retabular do Camarim; 1941 - execução da janela ogival da capela de São Vicente e feitura de um vitral para a mesma: restauro de capelas da ala N. do claustro num hipotético programa gótico; a Capela de Nossa Senhora da Piedade da Terra Solta, na ala N. foi truncada, transformando-se a sua abside em capela individualizada, aberta nova fenestração e destruída a tribuna dos arcebispos na fachada S.; 1942 - colocação do antigo guarda-vento setecentista; demolidos os balcões e mata-cães das torres e em seu lugar colocada uma cortina de ameias; 1946 - reparação de uma cadeira e de uma grade de ferro; 1952 - construção de um coro-alto, com colocação de vigas de betão para o sustentar; restauro da rosácea da fachada principal; arranjo do arco triunfal; limpeza e conserto dos estuques da capela-mor; tratamento das cantarias da mesma; restauro dos arcos e pilares da Capela de São Vicente; 1953 - substituição dos vidros da capela-mor por António Ferreira de Almeida; 1954 - impermeabilização das capelas do lado N. do transepto, onde a Irmandade do Santíssimo se revestia e guardava os seus pertences; a primeira capela do claustro, sacristia da Capela do Santíssimo Sacramento, foi transformada em sanitários públicos, sendo entaipada a intercomunicação com a capela imediata; 1955 - obras de restauro na Capela de São Bartolomeu, com eliminação das infiltrações, através da impermeabilização do terraço; limpeza de grade medieval; pintura das grades da capela-mor; reparação do pavimento das três naves e substituição do pavimento do transepto; conserto e limpeza das cantarias e estuques da capela-mor; 1956 - substituição dos vidros pintados por vidro de tipo catedral na capela-mor; pintura das grades de ferro; 1960 - reparação de telhados, dos vitrais e da instalação elétrica; 1961 - obras de conservação do monumento, pelo Serviço dos Monumentos Nacionais; 1962 - reparação de telhados, esgotos e impermeabilização de terraços; 1963 - instalação de um órgão na capela-mor; 1964 - alteração do cadeiral, devido ao novo órgão e mudança do altar para o transepto; 1964 - desmontagem do retábulo-mor por Anselmo da Costa e transporte da ara para o cruzeiro do transepto; 1965 - reparação do telhado da capela-mor e capela de São Vicente; 1968 - reparação de telhados e pintura das portas e caixilhos do Arquivo, Tesouro e residência do sacristão, consolidação das abóbadas do claustro; 1969 - reparação do telhado da charola e diversos trabalhos; 1970 - reparação dos telhados do Arquivo e Tesouro devido aos danos causados pelo sismo, remodelação das instalações de iluminação e som; 1972 - reparação das janelas da Capela do Santíssimo e da Sacristia, incluindo o assentamento de grades de proteção; 1973 - tratamento da grade românica; reparação geral das coberturas; 1975 - reparação da instalação elétrica, substituição dos caixilhos de sacada das janelas da sala do Cabido, conserto de telhados; 1976 - conserto de uma nervura de cantaria existente junto à entrada principal; 1977 / 1978 - reparação da instalação elétrica; 1979 / 1980 - construção de um portão no piso superior do claustro, reparação da instalação elétrica, obras de beneficiação das salas destinadas ao Museu de Arte Sacra; 1982 - obras de beneficiação; 1984 - obras de conservação e de reparação; 1985 - os técnicos do IJF fazem um levantamento de algum espólio e transferem-no para as suas instalações para futuro restauro; remoção dos azulejos da Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença para o Museu do Azulejo para futuro restauro; 1987 - instalação do Museu de Arte Sacra, cobertura sobre as salas do cabido e biblioteca; 1988 / 1989 / 1990 - diversas beneficiações da instalação elétrica e reparação de rebocos; 1991 - beneficiação do pavimento da galeria; 1992 - ampliação do sistema de deteção de incêndios e intrusão; IPPAR: 1991 / 1992 / 1993 / 1994 / 1995 / 1996 / 1997 / 1998 / 1999 - intervenção arqueológica no centro do claustro; 1995 / 1996 / 1997 - reparação das coberturas, impermeabilização dos terraços, tratamento de cantarias da ábside, beneficiação do sistema de iluminação, restauro dos vitrais; 1996 / 1997 / 1998 / 1999 / 2000 - estudo integrado da Sé de Lisboa, visando o seu restauro; 2000 - restauro das pinturas da Capela de São Bartolomeu e do tondo da Capela de Nossa Senhora de Belém; 2000 / 2001 - remodelação das redes de de águas; conservação de coberturas e terraços; 2006 / 2007 - redistribuição das imagens pelo templo; colocação dos azulejos na Capela do Senhor Jesus da Boa Sentença; restauro do retábulo da mesma e das pinturas das ilhargas.

Observações

1 - tinha remate em frontão interrompido por espaldar decorado por elementos fitomórficos e frontão triangular com cruz no vértice e possuía portão de bronze com decoração vegetalista estilizada e era ladeado por duas janelas molduradas, com friso e frontão semicircular, também interrompido por espaldar decorado por "ferronerie" e concheados; o portão foi transferido para a entrada principal da Capela de São Bartolomeu. *2 - Nos braços do transepto existiam capelas laterais e duas colaterais junto ao arco triunfal, removidas durante o restauro do séc. 20; no lado do Evangelho, a de SANTA ANA, instituída, no séc. 14, pelo cónego Domingos Fernandes, que deixou vários bens na zona da Moita e Sarilhos; em 1595, Martim Sanches, Moedeiro deixou dinheiro para a mesma indiciando que talvez a Irmandade dos Moedeiros já estivesse aqui instalada; antes do terramoto de 1755, possuía três esculturas, Santa Ana, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora do Carmo, a primeira refeita, constituindo uma Santa Ana a ensinar a Virgem a ler, e a segunda reformada por Manuel Vieira, em 1768, crendo-se que a terceira desapareceu; a primeira foi restaurada no IJF em 1985. Ao lado, a Capela de SANTA EULÁLIA, fundada por D. Pedro Peres, com bens em Óbidos; 1232 - Soeiro Viegas fez-se sepultar nesta; 1279, 3 Maio - sepultura de D. Mateus junto à mesma, deixando a herdade de Alperiate; os bens destinavam-se à construção da Capela de São Nicolau, no claustro, que ainda não se achava construído; quando esta o foi, os restos mortais do bispo permaneceram no local, não sendo trasladados para o novo espaço; no séc. 15, sofreu mudança de orago, passando a denominar-se de Santo Amaro, surgindo, no séc. 17, a imagem de Nossa Senhora da Quietação, no local; com o terramoto, estes oragos desapareceram, passando para o local, a Capela do Sagrado Coração de Jesus. No lado oposto, Capela de SÃO GERVÁSIO, instituída por D. Grácia, mãe do Conde D. Pedro de Barcelos, com bens na Ribeira; a 7 dezembro 1348, passou para o claustro, surgindo, no local a Capela de São Gregório de Nazianzo, fundada por D. Teresa Anes de Toledo; no séc. 17, surge, no local, a Capela de Nossa Senhora da Apresentação. Era ladeada pela Capela de SANTA CATARINA, fundada nos séc. 13 / 14 por Domingos Viegas, com casas na Judiaria, durando até ao séc. 18, altura em que se instalou no local o culto a Santo António, fomentado pelos Meninos do Coro. Todos tinham retábulos de embutidos de mármore, constituído por um arco de volta perfeita inscrito por duas pilastras coríntias, erguidas sobre plinto elevado, sendo rematado por arquitrave e friso, elementos suplantados, ao centro, por uma tabela retangular vertical entre duas aletas, onde apareciam, provavelmente, as insígnias de cada uma das Irmandades responsáveis pela manutenção das capelas; o ático apresentava, por cima da cornija, um frontão de lanços e, sobre o entablamento, na direção das pilastras, erguiam-se dois pináculos, em forma de balaústre torneado; integravam telas pintadas, atualmente arrecadadas na sacristia. O arco triunfal era flanqueado por dois retábulos, o do Evangelho dedicado a NOSSA SENHORA A GRANDE, cuja imagem foi colocada na Sé em 1520, trazida de França por Martim Afonso de Sousa, passando a ter duplo orado no séc. 17, com a introdução da imagem de Nossa Senhora da Conceição, com dupla Irmandade, administradas, em 1762, por Jerónimo Leite de Vasconcelos Pereira Malheiro. No lado oposto, a Capela de SANTIAGO, junto à qual se fez sepultar, D. Álvaro, em 1184, talvez o seu instituidor; ainda na Idade Média, surge no local a Nossa Senhora da Pombinha ou da Expectação; após o terramoto, está no local a Nossa Senhora da Pombinha, transitando para aqui, no final do séc. 18, o orago da Sé, Santa Maria Maior e, em 1718, a imagem de Santa Rosa de Viterbo, que não sobreviveu ao terramoto. O retábulo de Nossa Senhora a Grande possuía duas banquetas de madeira, pintadas de marmoreado azul e douradas, sobre a qual assentavam seis castiçais e um Cristo crucificado; a douragem foi executada por Simão Baptista de Carvalho, em Novembro de 1761. Ambas possuíam lâmpadas de prata, executadas em 1835. *3 - A Capela do Santíssimo teve uma fundação primitiva com outro orago, sendo dedicada ao Corpo de Deus, pelo cónego Afonso Martins, no séc. 14, para o que deixou terras em Sintra, que rendiam 75 libras anuais, destinadas à celebração de missas por sufrágio e para o ensino de jovens; no séc. 15, surge o novo orago do Santíssimo, que se manteve até aos nossos dias, ainda com um Irmandade proliferante; em 1720, ampliou o espaço com a anexação da capela contígua de Nossa Senhora da Luz, instituída por João Rodrigues em 1464, com testamento de Afonso Anes, almoxarife da Alfândega, e a mulher, D. Catarina da Cunha, datado de 28 de agosto de 1492, para nela se fazerem sepultar; a capela foi transformada em abside, com obras de Manuel Francisco e José Martins, por 7.896$635. *4 - a Capela de São Vicente só passa para o local após o terramoto de 1755, estando, anteriormente, na capela-mor; a capela da cabeceira foi fundada com o orago de Santa Cruz, surgindo, no séc. 16 com o de São Pedro, sendo posse de Rui Figueira e da mulher que deixavam várias casas, destinadas a missas por sufrágio. *5 - a cabeceira românica era composta por abside, flanqueada por absidíolos mais baixos, de que restam vestígios no pavimento da charola. *6 - Estêvão Domingues, Mateus Miguéis, Afonso Mendes, João de Alcochete, Pêro Pires, Garcia Pires, Domingos de Alcobaça, Pêro Galego, Domingos Pires Sintrão, Fernão Pais, Vicente Pais, Martim Cavaleiro, João Garcia Castelão, Lourenço Esteves Pessanha, Pedro Cota. *7 - na época medieval, não era permitida o sepultamento de laicos na capela-mor, reservada ao alto clero; o monarca só recebeu autorização para se fazer sepultar no local, graças ao seu comportamento heróico na Batalha do Salado; fundaram cinco capelas na charola dedicadas à Santíssima. Trindade, Santa Ana, Santo Ildefonso com sacristia e São Cosme e Damião, e 24 mercearias, deixando as vilas de Alverca, Gradil, Alfândega da Fé e Viana do Alentejo, para manter estas instituições; algumas destas capelas serviram de funerárias aos administradores das mesmas, como a Martim Áfonos da Boca da Lapa, sepultado na Capela de Santa Ana, em março de 1454, sucedendo o mesmo à esposa; em 1467 o coro das capelas passou a funcionar na Capela de São Cosme e São Damião; os túmulos medievais, rodeados por uma estrutura em talha, foram alvo de um projeto de recuperação, conforme desenho de Baltasar Álvares, datado de 31 outubro 1605, mas a alteração não se efetuou, sendo os que chegaram ao terramoto de 1755. *8 - em 1385, são referidas as capelas não situáveis, de Todos os Santos, fundada por D. Sancha Rool, São Simão e Judas, do chantre Pedro Ramires, Santa Margarida, criada por João Fuas, Santa Marta, de Rui de Lemos e Teresa Veres, São João Baptista, de João Domingos Rounão e a da Trindade, de Maria Scola. *9 - através do zelo dos administradores e com clara proteção régia, solicitada por Bartolomeu Joanes no seu testamento, a Capela possuía, no séc. 18, inúmeros terrenos, que lhe conferiam um rendimento considerável; este constava de oito casas na cidade de Lisboa, que rendiam 66$668 reis; duas quintas, uma na Palma de Baixo e outra nos Olivais, em Lisboa, com renda de 13$020 reis; vinhas em Telheiras e Barcarena, com o rendimento de 6$220; uma quinta, azenhas, casas e pomar em Barcarena, com o rendimento de 21$510; um casal no Turcifal e outro em Barcarena, rendendo 27$200; Quinta da Chapueira, em Torres Vedras, duas em São João da Talha, uma delas denominada Quinta da Figueira, a Quinta do Rei, na vila de Alenquer e a da Silveira, na Caparica, rendendo um total de 65$880; a Capela tinha, pois, um avultado rendimento, num total de 200$498 anuais, que permitia cumprir as disposições testamentárias do instituidor, bem como as várias obras pias; não existem notícias da localização do seu hospital, sendo, certamente, integrado, durante o séc. 15, no de Todos os Santos, como aconteceu às demais instituições deste tipo que existiam em Lisboa. *10 - nesta data, surgem a Irmandade de São Miguel no claustro, na Capela de São Gervásio, a qual deambularia até ter local próprio, estando na Capela de São Bartolomeu, em 1649, a dos Calafates, instalada na Capela do Rei Salvador, Irmandade do Senhor Jesus da Boa Sentença, no claustro e Irmandade de Santo Aleixo, também no claustro, que congregava mendigos cegos. *11 - as obras visavam tornar a capela seu mausoléu, tendo criado uma Irmandade que ampliou a capela e passou a ocupar três tramos do espaço claustral; mandou, ainda, executar uma tribuna no topo ocidental, de onde assistia às cerimónias religiosas. *12 - as obras consistiram no arranjo da torre S., abertura de 8 óculos na abóbada de madeira da nave, remodelação da capela-mor, alargamento ou repartimentação das capelas consoante o poder das respetivas irmandades; pintura da cobertura da capela-mor e execução do estuque por Félix da Rocha. *13 - esta colocação tinha por fim uniformizar as capelas das igrejas da capital, conforme éditos do Marquês de Pombal, que assumia a preferência pela colocação de pinturas na zona retabular. *14 - esta escultura foi feita em 1909 por Anjos Teixeira e destinava-se a um monumento a efetuar nas Avenidas Novas. *15 - as alfaias da Capela foram distribuídas por outras igrejas, como pela Ordem Terceira de Santo Agostinho, situada na Igreja de Santo André e de Santa Marinha, que o monarca autorizaria em 27 de março de 1883.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
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