Paço e capela da Bemposta

IPA.00002443
Portugal, Lisboa, Lisboa, Arroios
 
Arquitectura residencial, setecentista. Palácio real.
Número IPA Antigo: PT031106240224
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planimetricamente a capela da Bemposta, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, organiza-se dentro de um rectângulo de ângulos arredondados - a nave, na qual se abrem lateralmente 6 capelas, constituindo a do Santíssimo Sacramento, pela sua profundidade, uma unidade espacial autónoma, ao qual se justapõe o da capela-mor, de menor largura. Exteriormente a capela apresenta um corpo central e 2 laterais ligeiramente recuados e coroados de platibanda. Antecede a galilé uma escadaria desdobrada em 2 lanços e guarnecida de balaustrada, pontuada por fogaréus. O acesso à galilé ou átrio faz-se por uma porta em arco de volta inteira ladeada por 2 altas janelas de peito. Uma varanda central, superior ao átrio, apresenta uma balaustrada contracurvada, e sobre ela abrem-se 3 janelões, sendo o central mais elevado e encimado pelas armas reais. A fachada deste corpo termina-se por frontão triangular, onde se observa um relevo representando 2 serafins adorando a Virgem (escultor Joaquim de Barros Laborão), encimado por uma cruz sobre um plinto. No átrio, ladeando a porta de acesso à capela, 2 nichos albergam estátuas de mármore figurando Santa Isabel de Portugal e São João Baptista (obras de José de Almeida concluídas por Barros Laborão).

Acessos

Largo do Paço da Rainha

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 5/2002, DR, 1ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002 (Capela) *1 / Incluído na classificação do Campo dos Mártires da Pátria (v. IPA.00005967)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, integrado no conjunto de edifícios e estruturas edificadas utilizadas pela Academia Militar (v. PT031106241087). O Paço, localizado no topo S. do complexo, tem fachada principal voltada ao Largo do Paço da Rainha. Do outro lado da rua torre do relógio e o Palácio do Mitelo (v. PT031106240487). Nas proximidades do Quartel do Cabeço da Bola, do Jardim do Campo Mártires da Pátria e do Hospital Miguel Bombarda.

Descrição Complementar

No altar-mor observa-se uma tela figurando a padroeira, da autoria do pintor italiano José Troni, à qual foi aposto em primeiro plano um friso de retratos de elementos da família real (D. Maria I, D. João VI, D. Carlota Joaquina), segundo alguns autores pelo pintor inglês F. Hickey. No tecto da capela-mor, uma pintura com moldura oval e tendo por tema a Virgem enquanto protectora do reino, é atribuída a Pedro Alexandrino de Carvalho (1730 - 1810). Nos muros laterais da capela-mor abrem-se tribunas delimitadas por balaustrada, observando-se na da esquerda o órgão *2. As telas dos altares da nave - à excepção da do 2º do lado da Epístola - ostentam igualmente a sigla de Pedro Alexandrino. No tecto, no centro de um cenário barroco de complexa arquitectura, observa-se uma pintura atribuída por alguns autores ao mesmo pintor, representando a Assunção de Nossa Senhora, rodeada por uma coroa de querubins e por 4 Doutores da Igreja (Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Gregório Magno e São Jerónimo) celebrando a sua glória. Também no tecto da capela do Santíssimo se observa uma pintura atribuída a Pedro Alexandrino, cujo tema é a Transfiguração. A sacristia, à qual se tem acesso por uma porta à esquerda do altar-mor, apresenta revestimento azulejar polícromo, ao gosto neo-pompeiano, e um arcaz de dupla face em pau-brasil.

Utilização Inicial

Residencial: palácio real

Utilização Actual

Educativa: escola de ensino militar superior

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Defesa Nacional

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETOS: João Antunes (1701); Manuel Caetano de Sousa (séc. 18). CARPINTEIRO: Francisco Gomes (1701). ENTALHADOR: Francisco Lopes Ramalho (1704). ESCULTORES: José de Almeida (1744-1747); Joaquim de Barros Laborão. PEDREIROS: Francisco Teixeira (1701); José Pereira (1701); Manuel Antunes (1701). PINTORES: José António Narciso (1793); José Torni; Manuel Macário (1793); Pedro Alexandrino de Carvalho (1793).

Cronologia

1694 - edificação do palácio da Bemposta por vontade de D. Catarina (infanta de Portugal e rainha de Inglaterra, viúva de Carlos II) para sua residência; 1701, 25 janeiro - contrato com Manuel Antunes, José Pereira e Francisco Teixeira para a obra de pedraria do edifício, conforme risco do arquiteto João Antunes (COUTINHO: 327); contrato da obra de carpintaria com Francisco Gomes (COUTINHO:390); 1702 - o palácio é já habitado pela rainha viúva; 1705 - morte de D. Catarina; o palácio passa para a posse do irmão, D. Pedro II; 1704, 22 janeiro - Francisco Lopes Ramalho faz obra de talha, como nicho e tarjas, para a Sala dos Tudescos do palácio (FERREIRA, vol. II, p. 508); 1706, 29 outubro - é aqui instalada a Capela Real; 1707 - D. João V lega o palácio à Casa do Infantado, em favor do infante D. Francisco, seu irmão; 1742 - fixa residência no palácio D. João, filho legitimado do infante D. Francisco; 1755, 1 novembro - grandes danos causados no edifício pelo terramoto, sendo a capela completamente arrasada; segue-se-lhe a reconstrução, com desenho do arquiteto Manuel Caetano de Sousa (1742-1802); 1744 - 1747 - feitura da imagem de São João Baptista por José de Almeida (SALDANHA, 2012, p. 26); 1758, 10 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco dos Anjos, António Carlos de Oliveira, é referida a Capela Real de Nossa Senhora da Conceição, bem ornada e com 20 capelães cantores; 1778 - transferência do órgão para o Palácio de Queluz; 1791-1812 - transferência das imagens do escultor José de Almeida, São João Baptista e Santa Isabel, para o palácio, sendo terminadas por Barros Laborão; 1793, cerca - pintura da cobertura da Capela do Santíssimo por Pedro Alexandrino de Carvalho e José António Narciso; os mesmos, em parceria com Manuel Macário, pintam os tetos da nave e capela-mor; pintura do teto da sacristia por Pedro Alexandrino de Carvalho; 1798 - o palácio é referido encontrar-se em estado de abandono e a cair em ruínas; 1822 - D. João VI passa a residir na Bemposta; 1826 - morte de D. João VI no palácio, sendo este abandonado enquanto residência real; 1828 - D. Miguel passa a dar audiência semanal no palácio; 1833 - com a extinção da Casa do Infantado, o palácio é incorporado nos bens da Coroa; 1849 - entrega do palácio ao Ministério da Guerra; 1851 - instalação da Escola do Exército no edifício; 1853 - a igreja passa a estar aberta ao culto; 1860 - encurtamento da escadaria, devido a um novo arranjo da via pública; 1999, 13 setembro - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Características Particulares

Residência régia que foi palco de inúmeros acontecimentos históricos relacionados com o período da Revolução Liberal, tendo nele falecido o rei D. João VI. O altar-mor da capela apresenta uma tela figurando a padroeira (Nossa Senhora da Conceição), da autoria do pintor italiano José Troni, à qual foi aposto em primeiro plano um friso de retratos de elementos da família real (D. Maria I, D. João VI, D. Carlota Joaquina e infantes e infantas), segundo alguns autores pelo pintor inglês F. Hickey.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria mista, cantaria de calcário e de mármore, reboco pintado, ferro forjado, azulejos, madeira, estuque pintado

Bibliografia

ABREU, João Manuel P. de A., Notícia Histórica da Capela da Bemposta, Lisboa, 1943; ALMEIDA, D. Fernando de, (coord. de), Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Lisboa - Tomo II, Lisboa, 1975; ARAÚJO, Norberto de, Inventário de Lisboa, Fasc. 3, Lisboa, 1946; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERREIRA, Sílvia Maria Cabrita Nogueira Amaral da Silva, A Talha Barroca de Lisboa (1670-1720). Os Artistas e as Obras, Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2009, 3 vols.; LEAL, Augusto S. A. B. Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Vol. II, Lisboa, 1873 - 90; MATOS, Alfredo, PORTUGAL, Fernando, Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, 1974; MOITA, Luis, A Bemposta - O Paço da Rainha, in Olisipo, Ano X, Nº 40, Outubro 1947; MOITA, Luis, A Bemposta (O Paço da Rainha), in Olisipo, Ano XIV, n.º 56, Outubro 1951; Ano XV, n.º 57, Janeiro 1952; Ano XV, n.º 60, Setembro 1952; Ano XV, n.º 61, Janeiro 1953 ; Ano XVI, n.º 64, Outubro 1953; Ano XVII, n.º 65, Janeiro 1954; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário de arquitectos activos em Portugal do Séc. I à actualidade, Porto, Edições Afrontamento, 1994; REIS, Vítor Manuel Guerra dos - O Rapto do Observador: invenção, representação e percepção do espaço celestial na pintura de tectos em Portugal no século XVIII. Lisboa: s.n., 2006. Texto policopiado. Dissertação de Doutoramento apresentada à Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, 2 vols.; SALDANHA, Sandra - «Estatuária Barroca - o longo ciclo de Setecentos». in Invenire - Revista dos Bens Culturais da Igreja. Lisboa: Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, julho-dezembro 2012, n.º 5, pp. 24-30; SENA, Camilo, A Escola Militar de Lisboa, Lisboa, 1922; VALE, Teresa Leonor M., Um português em Roma Um italiano em Lisboa. Os escultores setecentistas José de Almeida e João António Bellini, Lisboa, Livros Horizonte, 2008; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. I, Braga, 1990; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vol. I.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DRELisboa/DIE/DEM/DRC, DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DSPI/CAM; AHMOP: Desenho Nº 55 B

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DRMLisboa

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, Carta de Risco, DGEMN/DSARH; IGESPAR: IPPAR, Pº Nº 7.5.2.4./23-6 (1)

Intervenção Realizada

MINISTÉRIO DA GUERRA: 1850 / 1851 - obras com vista à adaptação do palácio para Escola do Exército; 1860 - encurtamento da escadaria, devido a um novo arranjo da via pública; 1944 - restauro da capela; 1997 - remodelação da instalação eléctrica e do sistema de detecção de incêndios; 2001 - colocação de monumento de homenagem à Rainha D. Catarina frente à fachada do palácio.

Observações

*1 DOF "Capela do Paço da Bemposta, incluindo todo o seu recheio artístico, nomeadamente o órgão, nas instalações da Academia Militar". *2 - é proveniente da Igreja de Santa Luzia.

Autor e Data

Teresa Vale e Carlos Gomes 1994

Actualização

Júlio Grilo 1998
 
 
 
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