Farol da Ponta dos Capelinhos

PT072002020034
Portugal, Horta, Horta, Capelo
 
Arquitectura de comunicações.
 
Registo visualizado 247 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Acessos

Arquipélago dos Açores, Grupo Central, Ilha do Faial, extremidade O., E.N. 3-2 / ramal para o Porto do Comprido

Protecção

Incluído na Reserva Florestal Natural, Decreto Legislativo Regional nº27/88/A, de 22 de Julho

Grau

5

Enquadramento

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Comunicações: farol

Utilização Actual

Cultural / científica: centro de interpretação ambiental

Propriedade

Regional

Afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1894, 1 Abril - início da construção do edifício do farol (www.inventario.iacultura.pt); 1903, Julho - o edifício encontra-se concluído (www.inventario.iacultura.pt); 1957, 10 Outubro - por decorrerem obras de reparação do Farol dos Capelinhos pela Direcção das Obras Públicas no Distrito da Horta, sob a supervisão da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais / Direcção dos Serviços de Conservação, o director das Obras Públicas daquele distrito informa por telégrafo o director-geral sobre a suspensão momentânea dos trabalhos em virtude da erupção do vulcão dos Capelinhos (PT DGEMN.DSARH-005-4448/10); 1957, 7 Novembro - data do primeiro relatório elaborado pelo engenheiro director de Obras Públicas no Distrito da Horta (Eng. Frederico de Menezes Avelino Machado) e dirigido ao director-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, sobre o impacto da erupção dos Capelinhos no edifício do farol. É então pormenorizadamente descrito um momento único na história contemporânea do arquipélago: "A erupção dos Capelinhos começou a 27 de Setembro com um ligeiro fervilhar da água do mar cerca de 1 km a Oeste do farol. A 29 de Setembro a intensidade aumentou e tornou-se altamente explosiva. Os jactos de cinza (areia e pó) atingiam frequentemente os 800 metros e uma vez ou outra subiram a mais de 1200. A coluna de vapor de água ia a 3 ou 4 km de altura e excepcionalmente ainda mais. A violência da erupção manteve-se durante um mês. A quantidade de cinza emitida foi tanta que formou uma ilhota com 800 metros de diâmetro e 100 de altura (acima do nível do mar) num ponto onde anteriormente a profundidade era de 70 metros. Cairam também junto ao farol dos Capelinhos e Porto do Comprido, algumas pedras que chegavam a pesar 30 kg. A nuvem era arrastada pelo vento e por isso chegou a cair cinza a 20 km de distância da chaminé vulcânica. Este foi o aspecto mais nocivo da erupção. A quantidade de cinza caída em terra tem dependido da direcção do vento. Quando este soprou forte de Oeste, a 6 e 7 de Outubro, houve pânico nas povoações do Canto e Norte Pequeno (freguesia do Capelo) que ficam a cerca de 3 km do vulcão. As populações foram então evacuadas. Em virtude da poeira espalhada no ar (que aumentava muito a condensação das gotas de água) a pluviosidade da região aumentou mais de dez vezes, passando de 70 mm para mais de 700 por mês. A chuva torrencial que caiu foi outro factor desastroso na região. A 29 de Outubro a ilhota submergiu-se e a actividade parecia ter terminado. Contudo nos últimos dias renovou , não se prevendo por agora se poderá voltar a atingir a violência anterior. (...) As pedras arremessadas pelo vulcão caíram sobre os edifícios do farol dos Capelinhos, furando os telhados e pavimentos e partindo vidros, loiças sanitárias e alguns móveis. O farol teve de ficar apagado durante a erupção e o pessoal foi evacuado. A obra de reparação que estava em curso teve de ser também suspensa. A cinza e a água da chuva entraram pelos buracos dos telhados e das janelas e acumularam-se em quase todos os compartimentos, avariando os pavimentos e as pinturas interiores. O recinto exterior ficou também entulhado com mais de 1 m de areia." (PT DGEMN.DSARH-005-4448/10). Esta descrição é acompanhada com uma reportagem fotográfica com 6 registos, legendendados e datados, ilustrando os momentos mais importantes do processo entre Setembro e Novembro de 1957; 1958, 30 Abril - novo relatório do mesmo responsável dirigido ao DGEMN, acompanhado de 7 registos fotográficos, no qual são descritos os acontecimentos desde o anterior relatório e as medidas tomadas: "Como a actividade vulcânica diminuiu em Novembro e Dezembro as avarias foram reparadas em parte pela Direcção de Faróis e em parte pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais que executou trabalhos de emergência no valor de 49.611$50 para pôr os edifícios em estado de resistirem às intempéries caso a erupção ainda durasse muitos meses. Em Janeiro voltaram a cair cinzas e foi concedida (a pedido da Direcção de Obras Públicas) uma verba de 20 contos para manter os telhados limpos, verba da qual foram dispendidos 11.109$00. (...) Em Fevereiro e Março a erupação teve porém um desenvolvimento inesperado. A cratera (que estava a cerca de 1200 m do farol) deslocou-se para um ponto 500 m mais próximo e em consequência as pedras, com peso de 10 a 300 kg, cairam em tanta abundância que foi forçoso suspender os trabalhos de limpeza dos telhados. Muitas pedras atingiram os edifícios furando o fibrocimento do telhado. A cinza caiu também em grande abundância, (...). Numa única noite (23/24 de Março) caiu uma camada de 1,9 m de cinza, correspondendo a uma carga de 2000 kg/m2. Os telhados das habitações abateram em grande parte e a própria laje de betão armado da casa dos motores ficou arruinada. Há actualmente no recinto do farol cinza com a espessura de 7 m aproximadamente e este número talvez continue a aumentar. Foi possível com a verba concedida franquear a entrada dos edifícios de forma a retirarem móveis e motores (trabalho que foi feito pelo pessoal do farol). (...) Em face dos últimos acontecimentos parece que não se deve dispender mais verbas com o farol sem que termine a erupção. A torre ainda se mantém em condições razoáveis mas o cone vulcânico (altura actual 150 m) está a aumentar tanto, que talvez se tenha de rever no futuro a localização do farol." (PT DGEMN.DSARH-005-4448/10);

Características Particulares

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

Lista de Faróis, Bóias Luminosas, Radiofaróis, Sinais de Nevoeiro e Sinais Horários e de Mau Tempo, Estações Radiotelegráficas e de Socorro a Náufragos Existentes na Costa de Portugal, nos Arquipélagos dos Açores e Madeira e Colónias, Lisboa, Direcção de Faróis, 1955; Vulcão dos Capelinhos - Retrospectiva , Victor Hugo Forjaz, vol. I, 1.ª edição, Ponta Delgada, Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, 1997;

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH-005-4448/10

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Ricardo Agarez 2007

Actualização

 
 
 
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