Paço Ducal de Vila Viçosa

IPA.00002750
Portugal, Évora, Vila Viçosa, Nossa Senhora da Conceição e São Bartolomeu
 
Arquitectura residencial, renascentista, manuelina, mudéjar, maneirista, barroca e neoclássica. Paço Ducal. Porta dos Nós decorada com elementos vegetais pertencentes à gramática do manuelino; apresenta grande semelhança com o portal da Igreja do Convento do Carmo de Évora (v. PT040705210094), que primitivamente pertencia ao Paço dos Duques de Bragança, embora a porta calipolense possua um caráter mais vernacular. Os azulejos de Talavera de la Reina existentes na Sala do Gigante são os únicos do género ainda implantados no local para onde foram concebidos, após a destruição do núcleo de Guadalajara, durante a Guerra Civil de Espanha. Segundo a legenda transcrita por Frei Manuel Calado no Séc. 17, "depois de vós, nós", que ainda existiria na Porta dos Nós, os três nós simbolizam a posição da Casa Ducal em relação à Casa Real, entendendo-se esta última palavra nos dois significados que lhes correspondem de substantivo e de pronome.
Número IPA Antigo: PT040714030009
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Residencial senhorial  Paço senhorial    

Descrição

Planta irregular, composta por um grande corpo de planta rectangular estruturado por eixo disposto no sentido E. - O.; com três pisos, um térreo e dois nobres, e um corpo de planta trapezoidal irregular, estruturado por um eixo N. - S. *2. Cobertura diferenciada para cada um dos corpos, em telhados de 4 águas para o primeiro e diversificada, segundo os elementos constituintes para o segundo. A fachada principal, integralmente revestida de silharia e cantaria em mármore róseo de Estremoz, dispõe-se em três registos verticais, correspondendo aos respectivos pisos, e três horizontais, definidos por um tramo central de frontão triangular, onde se rasgam os dois pórticos principais. É rasgada por fiada de vãos rectangulares e esquadriados num ritmo harmonioso de padrão clássico, alguns de frontão semicircular e cornijas profundamente molduradas, com correspondência absoluta em cada registo vertical. Pilastras e arquitraves, definem os tramos verticais e horizontais, definindo a área dos vãos, conferindo a toda a composição grande sobriedade e classicismo. INTERIOR: Acesso principal através de vestíbulo onde se encontra a escadaria nobre, em mármore, com as paredes cobertas com marmoreados e pintura mural representado a Tomada de Azamor. Destacam-se diversas salas, nomeadamente, a Sala das Tapeçarias, com silhar de azulejos seiscentistas, de padrão, policromos a azul e amarelo, com lareira em mármore branco, pavimento em tijoleira e cobertura abobadada, com pintura fitomórfica. A Sala do Gigante possui um tecto pintado a fresco e um silhar de azulejos seiscentistas figuartivos, policromos a azul e amarelo. O Oratório da Duquesa possui tecto pintado a fresco com brutescos. Sala de Medusa, com tecto pintado a fresco, paredes decoradas por silhar de azulejos seiscentistas de Talavera de la Reinam, policromos a azul e amarelo, e uma lareira em mármore branco e cinzento, com as armas dos Duques de Bragança. A Sala de D. Duarte possui tecto pintado com motivos fitomórficos e pavimento em tijoleira. A Sala dos Duques ou dos Tudescos é o salão nobre e a maior do paço, com tecto decorado com caixotões representando os 17 duques até D. José I e os pais do 1º Duque e Duquesa. Sala das Virtudes, com tecto artesoado, com caixotões pintados com as sete virtudes teologais e morais, a salientar a Fé, a Esperança, a Caridade, a Prudência, a Justiça, a Fortaleza, a Temperança e a Sapiência. Sala de Jantar, com tecto de masseira pintado com apainelados e medalhões, decorados com motivos clássicos e mitológicos. As suas cinco portas comunicam com o fronteiro Jardim das Damas. A capela, ou Sala dos Paramentos ou dos Órgãos apresenta cobertura em abóbada de berço, com caixotões pintados por brutescos. Pavilhão da Música, com tecto em madeira pintada, com silhar de azulejos seiscentistas, figurativos, policromos a amarelo, azul, verde e vermelho, assinados FIAB, com representação da história de Tobias, com as armas dos Duques de Bragança. Existem ainda outras salas dignas de destaque, tais como a Sala D. Duarte, Sala D. Fernando II, Sala do Século 17, Sala da Restauração, Sala de Hércules, Sala Dourada ou da Duquesa, por ter sido os aposentos de D. Catarina, mulher do 6º Duque, Sala da Cabra Cega, Sala Indo-Portuguesa, Sala das Loiças, Sala dos Vidros, Sala dos Reis, Armaria, a ala dos Quartos Novos, onde se situam os aposentos reais e o gabinete de trabalho do rei, diversas ante-câmaras e corredores de circulação. Na proximidade da cozinha localizam-se os fornos, as adegas, capoeias e vários armazéns. Nos jardins encontram-se as antigas cocheiras e cavalariças reais.

Acessos

Terreiro do Paço e Rua Duque D. Jaime

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 251/70, DG, 1.ª série, n.º 129 de 03 de junho 1970 / ZEP, Portaria n.º 214/91, DR, n.º 157 de 11 julho 1991 *1 / ZEP Conjunta, Portaria n.º 527/2011, DR, 2.ª Série, n.º 88, de 06 maio 2011

Enquadramento

Urbano, em planície de cota estável no sopé da colina do Castelo, a c. de 395m, isolado e em destaque em grande terreiro, fronteiro à Igreja dos Agostinhos (v. PT040714030005) e nas imediações do Paço do Bispo (v. PT040714030016) e do Convento das Chagas (v. PT040714030004). A Porta dos Nós, voltada à entrada principal da vila de quem vem de N., integra-se no muro delimitador do Jardim do Paço Ducal, (v. PT040714030025), por detrás da capela e das antigas cocheiras (v. PT040714030009), dando acesso à designada Ilha do jardim, onde se encontra o Museu dos Coches.

Descrição Complementar

PINTURA MURAL: O vestíbulo da escadaria nobre apresenta pinturas a fresco seiscentistas, em três quadros, representando a Tomada de Azamor, no Norte de África, em 1513, pelas tropas portuguesas comandadas por D. Jaime I, Duque de Bragança. Do lado esquerdo encontra-se o Desembarque, ao centro, os Preparativos do Cerco, e do lado direito, a Conquista da Praça; a Sala do Gigante apresenta um tecto pintado a fresco seiscentista, com representação do episódio bíblico de David e do Gigante, a enquadrar as armas dos Duques de Bragança; Oratório da Duquesa com tecto pintado a fresco, com painéis decorados por brutescos; Sala de Medusa com tecto pintado a fresco com representação da história de Medusa e Perseu. PORTA DOS NÓS: no prospeto principal, voltado ao exterior, duas colunas, parcialmente embebidas no muro, com fuste composto por tambores de desigual altura, sendo o derradeiro cortado em chanfro, voltado ao interior, atingindo a altura do beirado de remate do muro; bases toscanas (a da esquerda completamente erodida); a verga, desenhando um arco canopial, é formada por quatro segmentos de círculo: dois laterais ligados aos fustes por argolas em torçal, com as pontas inferiores chanfradas para a passagem dos coches; dois no topo, contrapostos e entrelaçados, ligados aos primeiros por argolas em torçal decoradas por cracas; no vértice nó constituído por torçais decorados de cracas; alguns gatos de ferro nos tambores e verga; no prospeto virado ao jardim, portão simples rasgada na espessura do muro, com verga em arco abatido, fechada por cancela de ferro de dois batentes. Porta de serviço de paço ducal, embebida no muro que delimita uma das faces do jardim, totalmente em pedra, constituída por dois fustes e verga em arco canopial composta por segmentos de círculo, evocativos do universo vegetal, ligados entre si por argolas em torçal, simples ou decoradas de elementos marinhos (cracas),

Utilização Inicial

Residencial: paço senhorial

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Privada: fundação

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012 (anexo do Museu dos Coches)

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

MESTRES DE OBRA: Pero de Trilho, Afonso de Pallos, Martim Lourenço, Diogo de Arruda (atr. ESPANCA, 1978, p. 813), Baltazar Álvares, Nicolau de Frias - em 1583 / 1595; Silvestre Faria Lobo (atr.), figuras terracota; CANTEIRO: Pêro Vaz Pereira; PINTORES: Francisco Loyaza (azulejos da Sala do Gigante), Giovanni Domenico Duprá (retratos do tecto da Sala dos Duques ou Tudescos).

Cronologia

1501 / 1502 - início da edificação do paço dos duques de Bragança, a mando do 4º Duque, D. Jaime I, no reguengo que fazia parte do senhorio de Vila Viçosa; Séc. 16, inícios - edificação da Porta dos Nós como fecho do serviço do paço; 1537 - descrição do jardim junto ao terreiro, construído nesta altura, por ocasião da boda de Dona Isabel com o infante D. Duarte; 1552 - referência na obra impressa de Manuel da Costa ao paço ducal rodeado de jardins; 1558 - execução dos azulejos do Pavilhão de Música; 1566 - obras de beneficiação e extensão do paço pelo Duque D. João I; 1571 - por ocasião da visita do Cardeal Alexandrino, legado do Papa, é realizada uma missa no Oratório da Duquesa, com a presença de D. Catarina, esposa do Duque D. João I; 1583 / 1635 - terceira campanha de obras no paço, promovidas pelo duque D. Teodósio, datando desta época a composição da fachada clássica; 1602 - casamento do Duque D. Teodósio com D. Ana Velasco; data dos azulejos de Tavera de la Reina, existentes na Sala do Gigante, atribuídos a Fernando Loyaza; 1603 - descrição do jardim na relação de festas de Sebastião Vogado; 1611, c, de - execução da lareira da Sala de Medusa, por Pêro Vaz Pereira; 1640 - com a ascenção do Duque D. João IV ao trono, o paço deixa de ser a residência permanente da família; 1648 - descrição do jardim por Frei Manuel Calado; séc. 18 - execução do órgão da capela; 1716 - início de obras no paço a mando de D. João V; 1762 - o torreão fronteiro ao jardim da Duquesa, ou jardim do Bosque é substituído por uma nova ala designada por Quartos Novos; 1770 - as obras terminam no reinado de D. José I; 1787 - construção do Jardim de buxo ou do picadeiro; séc. 18, final - a rainha D. Maria I manda construir a Sala de Jantar; Séc. 19, início - a com as invasões francesas a família real parte para o Brasil, ficando o paço fechado; séc. 19, final - remodelação dos Quartos Novos, para aposentos dos príncipes herdeiros D. Carlos e D. Amélia, pelo decorador francês Negrier; 1860 a 1941 - uso publico do reguengo a partir do portão do carrascal; 1908, 1 Fevereiro - após uma temporada no paço, o rei D. Carlos parte para Lisboa, onde viria a ser assassinado nessa manhã; 1910, 5 Outubro - com a implantação da República, a família real parte para o exílio em Inglaterra, ficando o paço fechado; 1932 - morre D. Manuel II, no exílio, deixando todos os seus bens, nomeadamente o paço, para a criação da Fundação da Casa de Bragança; 1938 - levantamento sistemático e orçamento de obras a realizar pela DGEMN; Séc. 20, anos 40 - após a criação da Fundação da Casa de Bragança, segundo disposição testamentária de D. Manuel II, o paço é reaberto como casa museu; 1947 - recuperação do jardim de buxo e reconstrução do jardim das damas; 1966, 27 Outubro - a Fundação da Casa de Bragança escreve à DGEMN informando que a Porta dos Nós estava danificada no nó cimeiro; 1966, novembro - visto a Porta dos Nós não estar classificada, a DGEMN responde haver necessidade de meter um taco de mármore junto ao nó superior e proceder à consolidação de dois dos nós, obras que eram competência da Fundação da Casa de Bragança; 1984, 18 Maio - o paço abre ao público a maior e mais variada exposição permanente da Europa, de carruagens.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria, silharia e cantaria de mármore, granito, pedra, ferro.

Bibliografia

AAVV, Fundação da Casa de Bragança, O Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, Fundação da Casa de Bragança,1983; IDEM, Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, Fundação da Casa de Bragança, 2000; ALMEIDA, Rodrigo Vicente de, A cruz de Vila Viçosa - monografia histórica redigida à vista de documentos inéditos existentes na Biblioteca Real da Ajuda, 2º ed., Lisboa, Fundação da Casa de Bragança, 1957; BELLO, António Burnay e LUCENA, Armando de, Os Jardins do Paço Ducal de Vila Viçosa, Lisboa, 1955; CARVALHO, Ayres de, As Obras de Santa Engrácia e os seus Artistas, Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, 1971; DIAS, Pedro, A Arquitectura Manuelina, Porto, 1988; DIONISIO, Sant'Ana, Museu Biblioteca de Vila Viçosa, Lisboa, 1947; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Concelho de Vila Viçosa, Vol. IX, SNBA, 1978; GUIMARÃES, Alfredo, Mobiliário do Paço Ducal de Vila Viçosa, 1949; IDEM, Pinturas da Capela do Paço Ducal de Carlo Maratta e Matteo Rosselli, 1949; MACEDO, Diogo, O Pintor D. Carlos de Bragança no Palácio Ducal de Vila Viçosa, 1954; MATOS, Luís de, A corte literária dos Duques de Bragança no Renascimento, 1956; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998; PESTANA, Manuel Inácio, Vila Viçosa - Vila Museu, Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1995; PINTO, Augusto Cardoso, A Cruz Processional da Capela de D. Catarina de Bragança Rainha de Inglaterra, 1956; SANTOS SIMÕES, Azulejos do Paço de Vila Viçosa, A.N.B.A., 1945; SEQUEIRA, Gustavo Matos, As Cozinhas do Paço Ducal de Vila Viçosa, Lisboa, Academia das Ciências, 1952; VIANA, Abel, Notas de Arqueologia Alto-Alentejanas (materiais do Museu Arqueológico do Paço Ducal de Vila Viçosa), 1955.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro (PPMDES_119)

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN / Casa de Bragança: 1945 - 1952 - obras de restauro e recuperação ; 1963 - Reparo geral das coberturas; 1985/1986 - Telhados do corpo central; 1989 - Telhados da Ala dos Moços.

Observações

* 1 - conjunto formado pelo Paço Ducal, Igreja dos Agostinhos e Igreja e Claustro do Convento das Chagas; *2 - o primeiro corpo corresponde à monumental fachada edificada por D. Teodósio e o segundo ao paço primitivo do Duque D. Jaime I.

Autor e Data

Castro Nunes 1993

Actualização

 
 
 
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