Categoria
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| Monumento |
Descrição
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| Planta irregular, composta por um grande corpo de planta rectangular estruturado por eixo disposto no sentido E. - O.; com três pisos, um térreo e dois nobres, e um corpo de planta trapezoidal irregular, estruturado por um eixo N. - S. *2. Cobertura diferenciada para cada um dos corpos, em telhados de 4 águas para o primeiro e diversificada, segundo os elementos constituintes para o segundo. A fachada principal, integralmente revestida de silharia e cantaria em mármore róseo de Estremoz, dispõe-se em três registos verticais, correspondendo aos respectivos pisos, e três horizontais, definidos por um tramo central de frontão triangular, onde se rasgam os dois pórticos principais. É rasgada por fiada de vãos rectangulares e esquadriados num ritmo harmonioso de padrão clássico, alguns de frontão semicircular e cornijas profundamente molduradas, com correspondência absoluta em cada registo vertical. Pilastras e arquitraves, definem os tramos verticais e horizontais, definindo a área dos vãos, conferindo a toda a composição grande sobriedade e classicismo. INTERIOR: Acesso principal através de vestíbulo onde se encontra a escadaria nobre, em mármore, com as paredes cobertas com marmoreados e pintura mural representado a Tomada de Azamor. Destacam-se diversas salas, nomeadamente, a Sala das Tapeçarias, com silhar de azulejos seiscentistas, de padrão, policromos a azul e amarelo, com lareira em mármore branco, pavimento em tijoleira e cobertura abobadada, com pintura fitomórfica. A Sala do Gigante possui um tecto pintado a fresco e um silhar de azulejos seiscentistas figuartivos, policromos a azul e amarelo. O Oratório da Duquesa possui tecto pintado a fresco com brutescos. Sala de Medusa, com tecto pintado a fresco, paredes decoradas por silhar de azulejos seiscentistas de Talavera de la Reinam, policromos a azul e amarelo, e uma lareira em mármore branco e cinzento, com as armas dos Duques de Bragança. A Sala de D. Duarte possui tecto pintado com motivos fitomórficos e pavimento em tijoleira. A Sala dos Duques ou dos Tudescos é o salão nobre e a maior do paço, com tecto decorado com caixotões representando os 17 duques até D. José I e os pais do 1º Duque e Duquesa. Sala das Virtudes, com tecto artesoado, com caixotões pintados com as sete virtudes teologais e morais, a salientar a Fé, a Esperança, a Caridade, a Prudência, a Justiça, a Fortaleza, a Temperança e a Sapiência. Sala de Jantar, com tecto de masseira pintado com apainelados e medalhões, decorados com motivos clássicos e mitológicos. As suas cinco portas comunicam com o fronteiro Jardim das Damas. A capela, ou Sala dos Paramentos ou dos Órgãos apresenta cobertura em abóbada de berço, com caixotões pintados por brutescos. Pavilhão da Música, com tecto em madeira pintada, com silhar de azulejos seiscentistas, figurativos, policromos a amarelo, azul, verde e vermelho, assinados FIAB, com representação da história de Tobias, com as armas dos Duques de Bragança. Existem ainda outras salas dignas de destaque, tais como a Sala D. Duarte, Sala D. Fernando II, Sala do Século 17, Sala da Restauração, Sala de Hércules, Sala Dourada ou da Duquesa, por ter sido os aposentos de D. Catarina, mulher do 6º Duque, Sala da Cabra Cega, Sala Indo-Portuguesa, Sala das Loiças, Sala dos Vidros, Sala dos Reis, Armaria, a ala dos Quartos Novos, onde se situam os aposentos reais e o gabinete de trabalho do rei, diversas ante-câmaras e corredores de circulação. Na proximidade da cozinha localizam-se os fornos, as adegas, capoeias e vários armazéns. Nos jardins encontram-se as antigas cocheiras e cavalariças reais. |
Acessos
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| Terreiro do Paço |
Protecção
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| MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 251/70, DG, 1.ª série, n.º 129 de 03 de junho 1970 / ZEP, Portaria n.º 214/91, DR, n.º 157 de 11 julho 1991 *1 / ZEP Conjunta, Portaria n.º 527/2011, DR, 2.ª Série, n.º 88, de 06 maio 2011 |
Grau
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| 1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional. |
Enquadramento
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| Urbano, em planície de cota estável no sopé da colina do Castelo, a c. de 395m, isolado e em destaque em grande terreiro, fronteiro à Igreja dos Agostinhos (v. PT040714030005) e nas imediações do Paço do Bispo (v. PT040714030016) e do Convento das Chagas (v. PT040714030004). |
Descrição Complementar
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| PINTURA MURAL: O vestíbulo da escadaria nobre apresenta pinturas a fresco seiscentistas, em três quadros, representando a Tomada de Azamor, no Norte de África, em 1513, pelas tropas portuguesas comandadas por D. Jaime I, Duque de Bragança. Do lado esquerdo encontra-se o Desembarque, ao centro, os Preparativos do Cerco, e do lado direito, a Conquista da Praça; a Sala do Gigante apresenta um tecto pintado a fresco seiscentista, com representação do episódio bíblico de David e do Gigante, a enquadrar as armas dos Duques de Bragança; Oratório da Duquesa com tecto pintado a fresco, com painéis decorados por brutescos; Sala de Medusa com tecto pintado a fresco com representação da história de Medusa e Perseu. |
Utilização Inicial
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| Residencial: paço ducal |
Utilização Actual
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| Marco histórico-cultural / cultural |
Propriedade
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| Privada: fundação |
Afectação
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| DGPC, Decreto-Lei n.º 114/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012 (anexo do Museu dos Coches) |
Época Construção
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| Séc. 16 / 17 / 18 / 19 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| MESTRES DE OBRA: Pero de Trilho, Afonso de Pallos, Martim Lourenço, Diogo de Arruda (atr. ESPANCA, 1978, p. 813), Baltazar Álvares, Nicolau de Frias - em 1583 / 1595; Silvestre Faria Lobo (atr.), figuras terracota; CANTEIRO: Pêro Vaz Pereira; PINTORES: Francisco Loyaza (azulejos da Sala do Gigante), Giovanni Domenico Duprá (retratos do tecto da Sala dos Duques ou Tudescos). |
Cronologia
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| 1501 / 1502 - Início da edificação do Paço, a mando do 4º Duque de Bragança, D. Jaime I; 1558 - execução dos azulejos do Pavilhão de Música; 1566 - obras de beneficiação e extensão pelo Duque D. João I; 1571 - por ocasião da visita do Cardeal Alexandrino, legado do Papa, é realizada uma missa no Oratório da Duquesa, com a presença de D. Catarina, esposa do Duque D. João I; 1583 / 1635 - início das obras de D. Teodósio, composição da fachada clássica; 1602 - casamento do Duque D. Teodósio com D. Ana Velasco; data dos azulejos de Tavera de la Reina, existentes na Sala do Gigante, atribuídos a Fernando Loyaza; 1611, cerca de - execução da lareira da Sala de Medusa, por Pêro Vaz Pereira; 1640 - com a ascenção do Duque D. João IV ao trono, o paço deixa de ser a residência permanente da família; séc. 18 - execução do órgão da capela; 1716 - início das obras a mando de D. João V; 1762 - o torreão fronteiro ao jardim da Duquesa, ou jardim do Bosque é substituído por uma nova ala designada por Quartos Novos; 1770 - as obras terminam no reinado de D. José I; séc. 18, final - a rainha D. Maria I manda construir a Sala de Jantar; Séc. 19, início - a com as invasões francesas a família real parte para o Brasil, ficando o paço fechado; séc. 19, final - remodelação dos Quartos Novos, para aposentos dos príncipes herdeiros D. Carlos e D. Amélia, pelo decorador francês Negrier; 1908, 1 Fevereiro - após uma temporada no paço, o rei D. Carlos parte para Lisboa, onde viria a ser assassinado nessa manhã; 1910, 5 Outubro - com a implantação da República, a família real parte para o exílio em Inglaterra, ficando o paço fechado; 1932 - morre D. Manuel II, no exílio, deixando todos os seus bens, nomeadamente o paço, para a criação da Fundação da Casa de Bragança; 1938 - levantamento sistemático e orçamento de obras a realizar pela DGEMN; séc. 20, anos 40 - após a criação da Fundação da Casa de Bragança, segundo disposição testamentária de D. Manuel II, o paço é reaberto como casa museu; 1984, 18 Maio - o paço abre ao público a maior e mais variada exposição permanente da Europa, de carruagens. |
Características Particulares
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| Os azulejos de Talavera de la Reina existentes na Sala do Gigante são os únicos do género ainda implantados no local para onde foram concebidos, após a destruição do núcleo de Guadalajara, durante a Guerra Civil de Espanha. |
Dados Técnicos
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| Estruturas mistas |
Materiais
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| Alvenaria, silharia e cantaria de mármore, granito. |
Bibliografia
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| SANTOS SIMÕES, Azulejos do Paço de Vila Viçosa, A.N.B.A., 1945; DIONISIO, Sant'Ana, Museu Biblioteca de Vila Viçosa, Lisboa, 1947; GUIMARÃES, Alfredo, Mobiliário do Paço Ducal de Vila Viçosa, 1949; IDEM, Pinturas da Capela do Paço Ducal de Carlo Maratta e Matteo Rosselli, 1949; SEQUEIRA, Gustavo Matos, As Cozinhas do Paço Ducal de Vila Viçosa, Lisboa, Academia das Ciências, 1952; MACEDO, Diogo, O Pintor D. Carlos de Bragança no Palácio Ducal de Vila Viçosa, 1954; BELLO, António Burnay e LUCENA, Armando de, Os Jardins do Paço Ducal de Vila Viçosa, Lisboa, 1955; VIANA, Abel, Notas de Arqueologia Alto-Alentejanas (materiais do Museu Arqueológico do Paço Ducal de Vila Viçosa), 1955; MATOS, Luís de, A corte literária dos Duques de Bragança no Renascimento, 1956; PINTO, Augusto Cardoso, A Cruz Processional da Capela de D. Catarina de Bragança Rainha de Inglaterra, 1956; ALMEIDA, Rodrigo Vicente de, A cruz de Vila Viçosa - monografia histórica redigida à vista de documentos inéditos existentes na Biblioteca Real da Ajuda, 2º ed., Lisboa, Fundação da Casa de Bragança, 1957; CARVALHO, Ayres de, As Obras de Santa Engrácia e os seus Artistas, Boletim da Academia Nacional de Belas Artes, 1971; ESPANCA, Túlio, Distrito de Évora, Concelho de Vila Viçosa, in Inventário Artístico de Portugal, IX, SNBA, 1978; DIAS, Pedro, A Arquitectura Manuelina, Porto, 1988; PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva, Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota [dissertação de Mestrado na Universidade Nova de Lisboa ], Lisboa, 1998; Fundação da Casa de Bragança, Paço Ducal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 2000. |
Documentação Gráfica
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| IHRU: DGEMN/DSID, Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro (PPMDES_119) |
Documentação Fotográfica
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Documentação Administrativa
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| IHRU: DGEMN/DSID |
Intervenção Realizada
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| DGEMN / Casa de Bragança: 1945 - 1952 - obras de restauro e recuperação ; 1963 - Reparo geral das coberturas; 1985/1986 - Telhados do corpo central; 1989 - Telhados da Ala dos Moços. |
Observações
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| * 1 - conjunto formado pelo Paço Ducal, Igreja dos Agostinhos e Igreja e Claustro do Convento das Chagas; *2 - o primeiro corpo corresponde à monumental fachada edificada por D. Teodósio e o segundo ao paço primitivo do Duque D. Jaime I. |
Autor e Data
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| Castro Nunes 1993 |
Actualização
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