Jardins da Quinta dos Azulejos / Jardins da Quinta dos Embrechados

IPA.00003145
Portugal, Lisboa, Lisboa, Lumiar
 
Espaço verde de recreio. Quinta de Recreio barroca, rococó e neoclássica. Possui casa apalaçada, capela, aposentos rurais, jardim azulejado e dependências do colégio. O jardim é quadrangular, com eixo longitudinal a partir da casa, formando vários percursos ou alas transversais e paralelas aos muros que o cercas, quase integralmente coberto por azulejaria produzida na sua maioria na Real Fábrica de Faianças do Rato que se integra primeiro na fase inicial do rococó (1745-1755) com temáticas de caçadas, de festas, do quotidiano, da mitologia clássica a azul e branco, de motivos religiosos como painéis figurativos religiosos, alusivos a Cristo e a São João Baptista. Surgem, também, nos espaldares dos bancos e canteiros. Possui um lago centralizado, em cantaria, coberto por caramanchão, rodeado por banco corrido, interrompido por colunata, que flanqueia os espaldares dos bancos, com decoração de temática mitológica. O horto de recreio é um exemplo interessante dos jardins do séc. 18 que chegou até à actualidade, sem que tenha sofrido significativas alterações. O carácter de espaço fechado determinado pela contenção dos altos muros é prevertido pela imagética azulejar figurativa que reveste, bancos, alegretes, barras, molduras, colunas, medalhões e capitéis que se encontram adossados e a coroá-los, com caminho central e perursos periféricos, que ligam entre si por arcadas revstidas a azulejo policromo. Duas das alas são semelhantes, marcadas por colunas e por bancos contracurvados, encimados por painéis de azulejo, tendo, nos topos, fontes com falsas cascatas. O azulejo varia entre o gosto pela monocromia (azul ou vinhoso), utilizado no figurativo, rodeado por molduras policromas, com profusa decoração de concheados, asas de morcego, elementos vegetalistas, revelando uma linguagem rococó, pontuada, nas arcadas, por alguns elementos que anunciam o neoclassicismo, com o recurso aos apainelados lisos e florões. As cenas figurativas são maioritariamente do quotidiano ou galantes, inspirados em obras de Watteau. Destaca-se uma ala revestida a azulejos temáticas de animais mais ou menos exóticos correspondente à última década do reinado de D. José I, ou seja, ao período áureo da laboração da Fábrica do Rato. Os painéis são enquadrados por motivos decorativos ao gosto rococó, como as asas de morcego, os concheados e as palmetas, bem como motivos vegetalistas (grinaldas e florões) e de feição arquitectónica tanto nas galerias, como nos espaldares dos bancos, nos alegretes, nas molduras, nas colunas, nos capitéis e na colunata, com composições ornamentais e medalhões com busto neoclássicos.
Número IPA Antigo: PT031106180396
 
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Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Barroco    

Descrição

A quinta e o jardim desenvolvem-se na zona posterior do edifício, situado no extremo da propriedade e confinando com a via pública, com acesso a partir de um amplo pátio, pavimentado a calçada portuguesa, através de um porta em arco abatido e moldura simples em cantaria, protegido por porta de duas folhas metálicas, formando volutas, enquadrado por falsas pilastras toscanas, pintadas de bege e branco, que sustentam pequeno friso, surgindo, entre este e a verga, um painel de azulejos policromos (azul-cobalto, verde-cobre, amarelo-antimónio, roxo-manganês e óxidos de ferro), compondo três cartelas, a central com a figura de São Pedro, todas envolvidas por tarjas e largos enrolamentos de acanto sobre os quais se adossam elementos concheados sobrepostos ou intercalados por ramos e flores. O lado oposto do portão encontra-se, igualmente, revestido a azulejo, com o acesso flanqueado por duas estípides, sustentadas por duas ordens de plintos, encimadas por vasos, surgindo, sobre o vão, um enorme espaldar recortado, rematado por uma urna do tipo "Médicis", o qual contém um plinto que sustenta uma jarra. O jardim é de pequenas dimensões e encontra-se fechado por altos muros, revestidos a azulejos, dividido por um eixo central, determinado pela posição da casa, que se desenvolve da porta até a uma adulterada casa de fresco, sendo sucessivamente interceptado por eixos transversais; o principal encontra-se coberto por uma pérgula de glicínias e rosas e o conjunto encontra-se pavimentado em calçada à portuguesa. Existe um percurso periférico, encostado aos muros, que percorre todo o espaço e termina em portas que estabelecem ligações com as restantes áreas da quinta. No lado esquerdo, o pecurso periférico denomina-se "Passeio", pavimentado a gravilha e circunscrito entre colunas oitavadas, assentes em plintos com o mesmo perfil, apresentando capitéis de inspiração coríntia e rematadas por vasos em faiança, que se apresentam integralmente revestidos a azulejos policromos figurativos, formando elementos geométricos, onde dominam os encanastrados, entrelaçados e elementos fitomórficos. Entre cada coluna, desenvolvem-se bancos curvos, de espaldar recortado, flanqueados por pequenas colunas cilíndricas, revestidas a azulejo, formando uma falsa espira fitomórfica. Os assentos dos bancos são ornados por cartelas recortadas, por concheados e acantos, surgindo, nos espaldares, pintados a roxo manganês, cenas agrícolas e campestres, rodeadas por molduras plicromas fitomórficas, rematadas por uma concha. No lado esquerdo, desenvolve-se o muro, interrompido por pilastras assentes em plintos paralelepipédicos, que flanqueiam painéis figurativos, com cenas galantes e religiosas, possuindo, na base, canteiros e bancos rectilíneos, tudo forrado a azulejo policromo. Os painéis são policromos (azul, manganês, ocres e verdes) com a representação de cenas religiosas, de jardim, da corte e de galanteio com molduras assimétricas que se desenvolve em largos enrolamentos sobre os quais se adossam elementos concheados e arquitectónicos, flores, ramos, festões e grinaldas, surgindo, nos espaldares da esquerda de quem entra: cena de exterior de palacete com escadaria, fontes e figuração humana, seguindo-se a "Multiplicação dos Pães", cena de exterior de palácio com fontes de água e Neptuno e com figuração humana e as "Bodas de Cana". Nos canteiros e bancos, surgem cenas de galanteio, em roxo manganês. No topo, uma fonte com cascata, formando nicho em arco abatido, assente em misulas cerâmicas, com o interior revestido a embrechados e falsa cascata, que verte para tanque tronco-cónico invertido, em cantaria, flanqueado por dois painéis de azulejo em tons vinosos, representando cenas campestres ligadas à música. O conjunto é flanqueado por estípides, assentes em duas ordens de plintos, que sustentam espaldar contracurvado, com cornija saliente, tudo revestido a azulejo policromo, contendo um painel em monocromia, azul sobre fundo branco, representando uma figura feminina a ensinar um jovem, rematando em urna. No lado direito, desenvolve-se arcada de volta perfeita, assente em pilastras com o intradorso ornado por azulejo geométrico e fitomórfico, rematada por cornija e encimada por espaldar com albarrada e vaso, a qual dá acesso a outro eixo periférico, pavimentado a terra batida e seccionado por arcada. A primeira parte da ala tem, no lado esquerdo, quatro painéis de azulejo monocromo, branco, que serve de moldura a imagens de vulto em faiança branca, assentes em peanhas também em faiança, representando figuras da mitologia clássica, surgindo, intercalados, dois Apolos e duas Vénus, uma delas resultante da interpretação da Vénus de Milo, que intercalam com painéis de azulejo, em tons vinosos, representando diversos animais inspirados em estampas de zoologia (leões, águias, avestruzes, búfalos, veados, corças, cabras monteses, macacos, pêgas, pavões, patos, papagaios, entre outros); são flanqueados por canteiros semicirclares e, na base, surgem bancos contracurvados, revestidos a azulejos, ornados por cartelas e elementos concheados. A meio da ala, surge um arco de volta perfeita, assente em pilastras, rematado por espaldar com cartela figurativa, em monocromia, azul sobre fundo branco, representando uma cena do quotidiano familiar, sendo o conjunto envolvido por concheados, elementos fitomórficos, carranca, tudo encimado por uma urna do tipo "Médicis". A seunda parte da ala possui o muro revestido a azulejo, com um primeiro registo em monocromia, azul sobre fundo branco, onde surgem elementos arquitectónicos, cenas campestres e albarradas floridas encimado por painéis de perfis recortado, numa sucessão sinuosa, com figuração a roxo manganês, representando cenas do quaotidiano, algumas agrícolas, rodeados por molduras policromas, com concheados, asas de morcego, enrolamentos e flores. Encostados ao muro, canteiros com flores. No topo da zona revestida a azulejo do muro, pequena porta rasgada no muro e que dá para a Azinhaga da Fonte Velha, com a moldura forrada a azulejo de pedra torta azul e com padronagem da mesma tonalidade. O muro prossegue, em betão, reforçado por pilares internos. No lado direito, partindo da casa, surge uma ala semelhante à primeira, composta por colunas, bancos curvos e o muro forrado com azulejos, tendo canteiros e bancos corridos, com temática e forma semelhantes às anteriores; nos painéis aparecem: cena de exterior de palacete, escadaria e figuração humana, "Dança de Herodíades", a "Degolação de São João Baptista", cena de exterior de palacete, fontes de água, escadaria e figuração humana, " São João Baptista a Pregar" No topo, uma fonte com cascata, semelhante à anterior, tendo, no lado direito, arcada, também semelhante à do lado oposto, de acesso à quarta ala. Esta possui dois espaços diferenciados, um primeiro marcado pelo muro recortado e sobrepojado por urnas de faiança, revestido a painéis brancos, superiormente azuis, representando cenas quotidianas, envolvidas por laçarias e elementos vegetalistas. Adossados ao muro, surgem canteiros recortados, intercalados por plintos curvos, revestidos a azulejo de monocromia, azul sobre fundo branco, com cenas mitológicas, encimados por pequenas peanhas que sustentam estátuas de faiança que representavam as Quatro Estações (restando intacto o "INVERNO"). As cenas surgem identigicadas por uma legenda, sucedendo-se : "CISNE", "ANDROMEDA", "PERSEO", "PLEADAS", "ICARO", "ECO", "NARCIZO", "ALFEO", "ARETUSA", "LIANDRO, "ERO", "ARIM", "SCILLA" e "PROCOPO". Ao centro do muro, surge uma fonte do tipo nicho, com o interior com tanque em cantaria, semicircular, e embrechados e o exterior revestido a azulejo, com acesso por arco de volta perfeita, assente em pilastras e pedra de fecho em forma de carranca, flanqueado por estípides, encimadas por pilaretes e vasos com flores, ocupando parte do espaldar, recortado e rematado em cornija e urnas de cantaria, possuindo, ao centro, uma cartela alegórica, rodeada por concheados e vasos floridos, sob a qual surge a inscrição "EUROPA". A ala possui um segundo espaço, marcado por um largo gerado pelo conjunto de um caramachão que cobre um chafariz circular, de bordo boleado e com plinto galbado e ornado por acantos ao centro. Enconta-se rodeado por colunata revestida a azulejo, que encima, parcialmente, um banco corrido curvo, ornado por almofadados e florão; as colunas são oitavadas, assentes em plinto saliente e com o mesmo perfil, criando sete vãos de arco em cortina, sobre os quais surgem elementos ornados por reserva formada por bustos antrompomórficos, que sustentam cornija. Entre as colunas, os espaldares do banco, de perfil recortado, ornados por um dragão, massa de Hércules e a pele do leão sua vítima, tudo envolvido por concheados e asas de morcego. Surgem, ainda, bancos curvos com espaldares recortados com animais fantásticos e cenas de galanteio e de pesca, que fecham pequenos canteiros. No topo da ala, arco de volta perfeita, assente em pilastras, tudo revestido a azulejo, flanqueado por duas colunas coríntias e figuras de convite, que sustentam cornija e espaldar recortado com cartela rodeada por anjos, que centram uma "Caridade". O interior da retícula é preenchido por um jardim de buxo de traçado curvilíneo, onde se encontram algumas árvores de grande porte, Cupressus sp. e Araucaria sp. Todas as outras partes, pomar e horta se encontram completamente adulteradas, restando apenas na área de pomar, alguns painéis de azulejo.

Acessos

Estrada do Paço do Lumiar, n.º 44

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 44 675, DG, 1.ª série, n.º 258 de 09 novembro 1962 *1 / Incluído na classificação do Paço do Lumiar (v. IPA.00021768)

Enquadramento

Urbano, destacado, integrando a Casa da Quinta (v. IPA.00004002) de razoáveis dimensões, formando duas frentes de jardim murado. Insere-se no Núcleo Antigo do Paço do Lumiar, surgindo, nas imediações, a presença de edificações com interesse cultural, decorativo ou arquitectónico, como a Quinta das Hortênsias (v. IPA.00003161).

Descrição Complementar

As cenas religiosas encontram-se identificadas por legendas: "Joannes viam / Domino preparauit / n eremo Agnum / Dei demonstrauit / et illuminauit men / tes hominum" (João preparou o Caminho do Senhor e mostrou que este era o Cordeiro de Deus, que ilumina o espírito dos homens) "Premium sal / tatricis mors est Prophete / Amb. Ib. 3" (Predicação de S. João Baptista, no jardim), "Accepit Iesu panes / & cùm gratias / egiffet diftribuit / discubentibus / Joan. cap. 6" (Dança de Salomé e Degolação de S. João Baptista, no jardim), "Nuptiæ factæ / sunt in cana galilæ / aaquam vinum / factam / Joanes, cap. II." (Boda realizada na Galileia onde a água foi transformada em vinho).

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

PINTOR de AZULEJO: Francisco Jorge da Costa (séc. 18, atr.), José Maria Pereira Cão (1869); Real Fábrica de Faianças do Rato (1754-55).

Cronologia

Séc. 18, 1ª metade - fundação do palacete da quinta por António Colaço Torres, filho de Luís Colaço da Cruz, ourives em Lisboa estabelecido no Adro de São Julião *2; nesta época, a quinta era conhecida por Quinta do Droguista, Quinta dos Embrechados e Quinta do Príncipe; 1753 - primeira visita à quinta da Família Real, D. José e Dona Maria Ana Vitória, sendo então seu proprietário António Colaço Torres *3; 1745 / 1755 - primeira campanha de obras azulejar no interior do palacete e no jardim com produção na Real Fábrica de Faianças do Rato que incluiu o arranjo e revestimento cerâmico de vários elementos no jardim nomeadamente a N., a S. e no denominado "Passeio" a E.; provável intervenção do pintor Francisco Jorge da Costa; 1760 - a família real visitou novamente a quinta, que continuava na posse de António Colaço Torres; 1770, cerca - após o terramoto António Colaço Torres empreendeu no palacete e no jardim uma segunda campanha de decoração cerâmica: procedeu designadamente ao revestimento de alguns muros no interior do palacete, à colocação de silhares no piso 1 e nos aposentos reais e no jardim ao revestimento do muro S. e, mais tarde, à introdução de uma fonte parietal às bacias existentes; a partir desta data a quinta passou a denominar-se Quinta dos Azulejos; séc. 18, finais - a rainha D. Maria I instalou-se na quinta por algum tempo; 1805 - era proprietário e morador o filho de António Colaço Torres, António Colaço da Silva, droguista no Largo de São Julião. O poeta António Feliciano de Castilho, então com cinco anos, adoeceu gravemente após uma queda e fez a convalescença na Quinta dos Azulejos, porque a sua mãe mantinha estreitas relações de amizade com a família *4; séc. 19 - importante remodelação dos jardins que continuavam na posse dos descendentes da mesma família; 1869 - a pedido do então proprietário o pintor José Maria Pereira Cão realizou uma cópia do painel comemorativo datado de 1760; 1898 - José Maria do Espírito Santo e Silva, proprietário da quinta, denominada de Quinta do Espírito Santo, realizou diversas obras de reconstrução em equipamentos da quinta: construção de uma capoeira em ferro e tijolo, no primeiro andar da casa de habitação de uma varanda em forma de terraço em abobadilha de ferro e tijolo dando acesso por uma janela de peito que foi transformada em sacada, demolição de um barracão e diversos reparos no interior e exterior do edifício; 1912, 5 Agosto - a quinta foi adquirida por Pedro Paulo José de Mello e restaurada, conforme consta em inscrição na fachada O.; 1919 - era proprietário John Peter Hornung. séc. 20, inícios - a quinta diminuiu consideravelmente de tamanho, restando apenas os jardins; mais tarde foi alugada ao Padre Augusto Gomes Pinheiro *5; 1935 - fundação e instalação do Colégio Manuel Bernardes na propriedade, conhecido então como Escola Manuel Bernardes; 1962 - o jardim da quinta foi considerado Imóvel de Interesse Público, na parte em que existem espécies cerâmicas do séc. 18; 1963 - reparação do muro virado à Azinhaga da Fonte Velha; 1994 - a quinta foi abrangida pelo Plano Director Municipal, ref. 18.05; 1995 - o director do Colégio contactou a Junta de Freguesia do Lumiar alertando para o estado de degradação dos azulejos do jardim; o assunto foi encaminhado para a extinta Divisão dos Núcleos Dispersos da C.M.L. que levou ao local dois técnicos e que, mais tarde, contactou a DGEMN; 1997 - classificação do Conjunto do Paço do Lumiar; 1998 - foi enviada uma carta à DGEMN a chamar a atenção do estado de degradação dos azulejos; a Escola Profissional de Recuperação do Património em Sintra iniciou a recuperação dos azulejos do jardim em regime gratuito.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Calcário, mármore, tijolo, telha cerâmica, ladrilho cerâmico, azulejo, vitral, vidro, estuque, estuque trabalhado, ferro forjado e fundido, alvenaria mista, reboco pintado, madeira, madeira pintada.

Bibliografia

AAVV, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987; AAVV, Monografia do Lumiar, Junta de Freguesia do Lumiar, Lisboa, 2003; AAVV, Pelas Freguesias de Lisboa. O Termo de Lisboa, Lisboa, 1993; ALMEIDA, José António Ferreira de (coord. de), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976; ARAÚJO, Ilídio, Quintas de Recreio, in Bracara Augusta, Vol. XVIII, Fasc. 63, Braga, 1973; ARRUDA, Luísa d`Orey Capucho, Azulejos, Quinta dos, in PEREIRA, José Fernandes, (dir. de), Dicionário da Arte Barroca em Portugal, Lisboa, 1989; AZEVEDO, José Correia de, Inventário Artístico Ilustrado de Portugal. Estremadura, Lisboa, s.d.; BARROS VELOSO, A. J., ALMASQUÉ, Isabel, Azulejos de Fachada em Lisboa, Lisboa, 1999; CARITA, Helder, CARDOSO, A. Homem, Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal, Lisboa, 1987; CASTILHO, Júlio de, Memórias de Castilho, Coimbra, 1926; Entre Quintas e Cidades por Azinhagas Perdidas, in Diário de Notícias, 30 de Maio de 1932; INÁCIO, Carlos A. Revez, Paço do Lumiar. Apontamentos de História, Lisboa, 1998; LEITE, Ana Cristina, O Jardim em Portugal nos Séculos XVII e XVIII - Arquitecturas, Programas, Iconografias, Lisboa, 1988 (Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa / texto policopiado); MARQUES, Sónia, Relatório da intervenção nos azulejos que revestem a fonte, Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Cacém, 1998; MECO, José, A Azulejaria na Época de Pombal, in AAVV, Lisboa e o Marquês de Pombal, Lisboa, 1982; MECO, José, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1986; Monumentos, n.º 10, Lisboa, DGEMN, 1999; OLLERO, Rodrigo (coord. de), Plano de Pormenor de Salvaguarda. Paço do Lumiar, Gabinete Técnico de Carnide - Luz / Paço do Lumiar, Lisboa, 1996; PROENÇA, Raul, Lumiar in Guia de Portugal, Vol. I, Lisboa, 1874, pg. 451; QUEIRÓS, José, Da Minha Terra: Figuras Gradas e Impressões de Arte, Lisboa, 1909; REIS, Isabel Sofia Gomes dos Santos Vieira, Quinta dos Azulejos, Lisboa, 1998; Relatório da intervenção nos azulejos num banco do jardim, 2 Vols., Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Cacém, 1998; RIBEIRO, Luís Paulo Almeida Faria, Quintas do Concelho de Lisboa. Inventário, Caracterização e Salvaguarda, Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica Apresentada à Universidade Técnica de Lisboa - Instituto Superior de Agronomia, Secção de Arquitectura Paisagística, Lisboa, 1992 (texto policopiado); SANTOS, Reynaldo dos, O Azulejo em Portugal, Lisboa, 1957; SIMÕES, J. M. Santos, Azulejaria em Portugal no Século XVIII, Lisboa, 1979; STOOP, Anne de, Quintas e Palácios nos Arredores de Lisboa, Porto, 1986; VITERBO, F. M. Sousa, A Jardinagem em Portugal, Lisboa, 1909; WEELEN, Guy, O Azulejo, s.l., 1992; PEREIRA, Paulo, (dir. de), História da Arte Portuguesa, Vol. III, Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra; Arquivo da D.N.D

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; CML: Arquivo de Obras (n.º 471210, Proc. n.os 24.396/47, fl. 2; 8882/79 de 19/6/1979; 39.277); Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Intervenção Realizada

CMB: 1934 - alargamento da porta n.º 40; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra: 1998 - intervenção nos azulejos que revestem um banco e uma fonte do jardim, com limpeza, protecção de vidrados e chacotas, consolidação, reintegração cromática, manufactura e colocação dos azulejos em falta; DGEMN: 1999 - conservação e restauro dos azulejos.

Observações

*1 - DOF:... Quinta dos Azulejos, no Paço do Lumiar, na parte em que existem espécies cerâmicas do século XVIII. *2 - comprador do guarda-roupa das princesas do Brasil, da Beira e das infantas, guarda-mor do Sal desde 1753 e cavaleiro da Ordem de Cristo; teve uma única filha e herdeira D. Maria Josefa casada com João Pedro da Silveira seu sucessor no cargo de Guarda-Mor do Sal em 1762 e que, em 1766, passou para o seu filho José Maria Boaventura Silveira. *3 - "Hoje, 3 de Novembro de 1753, António Colaço Torres, grã-cruz da Ordem de Cristo, recebe a visita do rei D. José I e da rainha D. Maria Ana. Ao cair da noite, sob um céu constelado de estrelas, os lustres do jardim desenham novas constelações multicolores e geométricas. Uma brisa húmida vinda do amplo estuário do Tejo agita as chamas das velas, alonga e desfigura as sombras. / Longas padiolas em forma de barcas, com damas cor de cereja seguidas de lacaios africanos e indianos, portadores de archotes, vogam através dos grupos. António Colaço Torres oferece agora ao príncipe sorvetes de limão da Tunísia, de groselha à moda italiana, pérolas de melão geladas e regadas com vinho do Porto muito velho, uvas passas caramelizadas e maceradas num vinagre raro perfumado com grãos de cravinho. / 3 de Novembro de 1753: já nos paióis se preparava, insidioso, o tremor de terra que dentro de alguns meses devastaria Lisboa... palácios, igrejas, quartéis, conventos, quarteirões inteiros, tudo ou quase ia desmoronar-se. Os incêndios, as vagas chegadas do alto mar, como esquadrões violentos, porão a cidade a saque e liquidarão a população. / O jardim de faiança do Paço do Lumiar, esse, por protecção divina, será poupado." (WEELEN, 1992). *4 - são dessa época estas recordações: "Estou vendo (...) no aristocratico páteo, a um lado o grande tanque esverdeado e doirado (...) / Estou vendo as duas escadas de pedra, subindo uma para a capella, a outra para as salas. Ao fundo o portão de ferro do jardim; nelle os alegretes de porcelana e marmore, os vasos da China, os azulejos historiados. Na primeira rua as duas cascatas, correspondendo-se de extremidade para extremidade; a da esquerda com o seu Baccho a cavallo numa pipa; a da direita com uma sereia; outras duas de um brutesco magnifico aos dois tôpos da rua de arcaria chamada do Principe D. José, que ali costumava espairecer-se. Na meia-laranja da direita, entre estas duas ruas, a opulenta cascata, com o collosso do Tejo reclinado com a sua urna sôbre penedias bravas, e sôbre um florido pórtico de conchas; aos lados, dois cisnes; as aguas repuxam de todas as partes. Defronte, um tanque redondo repuxa tambem uma arcaria líquida e prismática, até á abóbada de verdura, que alastra sombras movediças, e em cujo vertice pompeia, de trombeta em punho, uma estátua da Fama. / Quasi ao fundo do jardim, uma sala vegetal, com assentos e meza de mármore, guarda tantas sombras e frescura, contém tanto silencio e mysterio, no meio de tão profusos ruidos de aguas e folhagem, que um poeta ali se fartaria de inspiração, e dois noivos de ventura. Eu e as outras crianças só espreitavamos tudo aquillo de longe, porque uma criada velha (que não podia mentir) nos tinha dito que morava lá uma princeza moira. (...) / Ao sahir do jardim a horta, o pomar com a sua nora, as searas com a sua eira. (...) / Uma tarde... foram todos os da casa ao convento de Odivellas; fiquei eu só com a criada velha. Estamos á janella da casa de jantar; avistamos, lá por um oiteiro, o nosso rancho em burrinhos de albardas verdes e encarnadas; um sol magnifico envolve tudo aquillo; que invejas para mim! / N`um recanto da casa arrulham as rolas n`um viveiro de arame, alto como uma torre (...)" (CASTILHO, 1926). *5 - Padre Augusto Gomes Pinheiro, mais conhecido por "Senhor Prior" (1893-1976), nasceu no Carvalhal da Aroeira (São Pedro, Torres Novas) e desde cedo ficou ao cuidado da sua tia após a morte prematura da mãe; ingressou no Seminário de Santarém e depois no dos Olivais onde concluiu o Curso de Teologia em 1916, sendo ordenado padre em 6 de agosto do mesmo ano; iniciou a sua missão de Educador como Pároco de Enxara do Bispo (Mafra) e, mais tarde, na Venda do Pinheiro até fundar em 1935 o Colégio Manuel Bernardes, no Paço do Lumiar; em 19 de março de 1945, recebeu o grau de comendador da Ordem de Instrução Pública.

Autor e Data

Paula Simões 1997 / Sara Andrade 2004

Actualização

Luísa Estadão 2004
 
 
 
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