Castelo de Elvas

IPA.00003225
Portugal, Portalegre, Elvas, Caia, São Pedro e Alcáçova
 
Arquitectura militar, medieval e moderna. Castelo de primeira linha. Fortificação em relevo, estratégica, de detenção, orientada para Espanha.
Número IPA Antigo: PT041207020005
 
Registo visualizado 1213 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta em polígono quadrilátero irregular, definido por 4 muralhas, flanqueado por torres a S., O. e N. (v. PT041207020011). Porta da Vila, a SO., encimada por lápide com as armas de D. João II, abrindo para o pátio que exibe arranques de antigas edificações. Cisterna a S. e, adossada à muralha NE., a alcaidaria, de dois pisos. O acesso aos adarves faz-se por escada adossada à muralha NO., defendida por construção com três troneiras simples e entrada em porta de arco quebrado, por esta porta se acede também à porta da traição, em arco quebrado. O adarve NO., dá acesso à torre de menagem, de planta rectangular, que flanqueia o ângulo O.; uma porta em arco quebrado dá acesso à primeira sala da torre, com quatro seteiras horizontais e tecto de abóbada de nervuras cruzadas em arco redondo, a nascerem de quatro colunas de canto; após dois lanços de escada, a sala que antecede o eirado, com cobertura telhada. O adarve SO. dá acesso ao torreão que ladeia a porta da vila e não possui escadas para o eirado; no extremo deste adarve acede-se ao eirado do cubelo artilheiro, de 9 faces, que flanqueia o ângulo S.; este cubelo possui dois níveis de disparo, num total de doze troneiras simples, estando as superiores tapadas pela grande abóbada semiesférica de construção posterior. O adarve SE. dá acesso ao adarve da muralha NE., interrompido pelo tardoz da alcaidaria; no exterior desta muralha, uma estrutura de suporte de um provável terraço da alcaidaria que já não existe; no extremo da muralha, uma construção circular, com cúpula semiesférica, protege a entrada para uma escada em caracol que dá acesso ao exterior. Flanqueando o ângulo N., uma torre de secção quase quadrada, parapeito plano e banco corrido de alvenaria. Caminhando no sentido da torre de menagem, apresenta-se, à nossa esquerda, uma cisterna suspensa, e à nossa direita, um torreão de planta rectangular de parapeito plano. Todas as ameias do castelo são de corpo largo. Alcaidaria de dois pisos processando-se a entrada para o piso térreo através dum alpendre com entrada em arco de volta perfeita. Na fachada posterior, duas janelas no piso superior, uma com arco angular truncado, sendo a segunda em arco canopial de oito centros. O alpendre possui cobertura em abóbada de nervuras com estrela de quatro pontas. Fronteira, uma porta em arco apontado acede a uma sala ampla, com tecto abobadado de seis tramos e sete arcos abatidos que arrancam de pilares facetados. Uma escadaria exterior de mármore e com dois lanços dá acesso a um alpendre assente em oito pilares quadrangulares. Neste, abrem-se duas portas de molduras rectangulares, biseladas, que dão acesso a duas salas intercomunicantes, cobertas por tectos em vigamento de madeira e telha à vista A SE., uma sala com cinco portas, uma janela e uma lareira, comunicando com a cozinha da alcaidaria, em plano inferior, apresentando forno e lareira. A sala situada a NO. possui duas janelas e três portas, sendo uma delas comum à anterior.

Acessos

Na costa de Vila - Fria, a NO. da Vila. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,883394; long.: -7,163129

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 27-09-1906, DG, 1.ª série, n.º 228 de 09 outubro 1906 / Decreto de 16-06-1910, DG, 1,ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, isolado, na zona de cota mais elevada, designada de Costa da Vila Fria, divisando, das suas torres, toda a paisagem em redor.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural: Museu Militar

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Pedro Fernandes (1646). ENGENHEIRO MILITAR: João Cosmander (1646); Luís Serrão Pimentel (séc. 17); Manuel de Azevedo Fortes (1735). MESTRE-DE-OBRAS: Afonso Mendes de Oliveira (séc. 16).

Cronologia

Séc. 08 - 12 - conquista e ocupação muçulmana de Elvas com construção da respectiva fortificação; 1166 - conquista temporária de Elvas por D. Afonso Henriques; 1200 - cerco por D. Sancho I; 1226 - tentativa de tomada de Elvas por D. Sancho II, ao mesmo tempo que Afonso IX de Leão tentava tomar Badajoz, numa investida concertada e não sucedida; 1228 - assédios e tentativa de conquista de Elvas por D. Sancho II; 1229 - primeiro foral, dado por D. Sancho II; 1230 - ocupação definitiva de Elvas, após o abandono dos muçulmanos receosos da notícia de que Afonso IX estava nas imediações de Mérida, informação historiográfica que entra em contradição com a anterior; 1262 - concessão de carta de feira; 1263 - foral de D. Afonso III; séc. 13 - 14 - reconstrução do castelo e cercas urbanas; séc. 14 - início da construção da chamada cerca fernandina, ainda no reinado de D. Afonso IV, com 22 torres e 11 portas, entre as quais a Porta de Olivença ou Porta Real, uma das mais importantes; 1325 - 1327 - assédio por D. Afonso XI de Castela, no âmbito da Guerra entre Portugal e Castela, no reinado de D. Afonso IV; 1334 - cerco de dois dias por D. Afonso XI de Castela; 1337 - assédio por D. Afonso XI de Castela; 1381 - assédio pelo Infante D. João de Portugal, filho de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, com hoste castelhana, no âmbito da Terceira Guerra de Portugal contra Castela no reinado de D. Fernando (1381-1383); 1385 - assédio por D. João de Castela, no âmbito da Guerra da Independência (1384-1387); 1488 - 1490 - obras de reconstrução no castelo, com alterações na torre hexagonal e feitura de uma torre de menagem mais alta e feitura de um cubelo artilheiro; séc. 15 / 16 - renovação da alcaidaria; séc. 16 - reparo dos muros do castelo e três torres, então arruinados por Afonso Mendes de Oliveira; nesta data, a vila tem 4 portas de dentro e 4 de fora, todas sem portadas, pelo que o mestre de obras pede que se façam portadas exteriores; 1507, 03 Março - D. Manuel I confirma o foral de D. Afonso III; 1511 - 1512 - D. Manuel manda construir algumas torres nas muralhas e reparar duas que estavam danificadas; 1513, 21 Abril - D Manuel eleva a povoação a cidade e atribui-lhe novo foral; 1570 - elevação a Bispado; 1580 - ocupação de Elvas sem combate, por D. Sancho de Ávila; 1601-1602 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1641 - início das obras na fortificação por ordem do governador Matias de Albuquerque, com contribuição dos moradores no valor de 2 réis, procedendo-se ao levantamento de trincheiras, reforço da barbacã e abertura de um fosso; início da demolição de várias casas para permitir o esforço de guerra; 1641 - 1653 - período de construção da fortificação abaluartada da Praça de Elvas, tornando-se uma praça-forte; 1644 - assédio pelo Marquês de Torrecusa, no âmbito das Guerras da Restauração (1640-1668); 1646 - nomeação de Pedro Fernandes, quartanário da Sé de Elvas e conhecedor da arte da fortificação, para ajudar João Cosmander nas obras da muralha; 1658 - 1659 - cerco por D. Luís de Haro, com resistência heróica; 1659, 14 Janeiro - Batalha das Linhas de Elvas; 1662 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1706 - assédio pelo exército franco - espanhol, no âmbito da Guerra da Sucessão de Espanha (1704-1712); 1712 - assédio pelo Marquês de Bay; 1735 - construção de um armazém de pólvora conforme planos de Manuel de Azevedo Fortes; 1801 - assédio por Manuel Godoy, no âmbito daGuerra das Laranjas, com Espanha; 1807 - entrada do exército francês, na sequência das Guerras Peninsulares (1807-1811); 1808 - assédio pelo exército anglo-luso; 1815, c. - demolição de um torreão que estava a pôr em perigo um armazém adossado à muralha; 1823 - estava montada uma bateria à barba, no castelo, pensamos que na torre N., rebaixada, ou no torreão NO., igualmente rebaixado e com barbeta; 1940-1948 - grande intervenção no castelo que adultera algumas zonas da construção; a DGEMN removeu uma Sagrada Família em azulejo da porta do Castelo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126..

Características Particulares

Possui um cubelo artilheiro com dois níveis de troneiras. No séc. 19, verificou-se o rebaixamento de duas torres da muralha NO. para a instalação de uma bateria.

Dados Técnicos

Construções perpendiculares ao solo com alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal. Cantaria aparelhada nos cunhais. Torres maciças.

Materiais

Pedra, tijolo, cal, areia e terra

Bibliografia

ALMADA, Vitorino de, Elementos para um dicionário da Geografia e História Portuguesa. Concelho de Elvas, Elvas, 1888; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1946; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, Lisboa, 1997; BARBOSA, Inácio de Vilhena, As Cidades e Vilas da Monarquia Portuguesa que têm Brasão de Armas, Vol. 3, Lisboa, 1860; BORGES, Artur Goulart de Melo, A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, antiga Sé de Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 102 - 113; CARDOSO, Luís (Padre, Dicionário Geográfico de Portugal, T. 1, Lisboa, 1747; DGEMN, Castelo de Elvas, Boletim da DGEMN, nº54, Lisboa, 1948; FERNANDES, Hermenegildo, Os mouros e a mouraria em Elvas: alguns problemas de topografia genética, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 76-81; GAMA, Eurico, Elvas / Rainha da Fronteira, Elvas, 1986; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Portalegre, Lisboa, 1943; LOBO, Francisco Sousa, A defesa militar do Alentejo, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 22-33; MECO, José, O Colégio jesuíta em Santiago, em Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 128-137; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Triénio de 1947 a 1949, Lisboa, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; MORGADO, Amílcar F., Elvas, Praça de Guerra, Arquitectura Militar, Elvas, 1993; PEREIRA, Paulo, De Elvas a Olivença. O Renascimento antes de Vitrúvio, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 82-91; PIRES, A. Thomaz, O Castelo de Elvas, Estudos e notas Elvenses, 9, Elvas, 1907; PIRES, A. Thomaz, As Ruas d'Elvas, Elvas, 1924; SELVAGEM, Carlos, Portugal Militar, Lisboa, 1994; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Mário, Elvas, Lisboa, 1996; VALLA, Margarida, A praça-forte de Elvas: a cidade e o território, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 34-43; VARELA, Cónego Aires, Sucessos que houve nas fronteiras de Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguela, o primeiro ano da Recuperação de Portugal, que começou em o 1º de Dezembro de 1640 e fez fim em último de novembro de 1641, Elvas, 1901; VARELA, Cónego Aires, Teatro das Antiguidades de Elvas, etc., Elvas, 1915; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vols. I e II.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IPPAR

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; CMElvas

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1941 / 1943 / 1944 / 1945 / 1946 / 1947 / 1948 - grande intervenção no castelo: demolição de anexos e de construções no pátio; reintegração parcial da alcáçova; consolidação de muralhas; reconstrução do torreão junto à porta da entrada; reconstrução da cúpula da escada de caracol que dá para o tardoz da alcaidaria; reconstrução da cobertura da torre de menagem; restauro das frestas da primeira sala da torre de menagem; reparação da abóbada do cubelo artilheiro; construção dos balcões e ameias sobre a porta de entrada; restauro dos demais adarves e ameias; desentulho da galeria que dá acesso à porta da traição e colocação de porta de madeira; consolidação de muralhas; desentulhamento das cisternas; desaterros e regularização de pavimentos no pátio; 1976 - consolidação e reparação de muralhas no castelo; 1979 / 1980 - recuperação de edifícios do castelo e da instalação eléctrica da torre de menagem; IPPC: 1991 - electrificação

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Domingos Bucho 1997

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login