Castelo de Elvas

IPA.00003225
Portugal, Portalegre, Elvas, Caia, São Pedro e Alcáçova
 
Arquitectura militar, medieval e moderna. Castelo de primeira linha. Fortificação em relevo, estratégica, de detenção, orientada para Espanha.
Número IPA Antigo: PT041207020005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Planta em polígono quadrilátero irregular, definido por 4 muralhas, flanqueado por torres a S., O. e N. (v. PT041207020011). Porta da Vila, a SO., encimada por lápide com as armas de D. João II, abrindo para o pátio que exibe arranques de antigas edificações. Cisterna a S. e, adossada à muralha NE., a alcaidaria, de dois pisos. O acesso aos adarves faz-se por escada adossada à muralha NO., defendida por construção com três troneiras simples e entrada em porta de arco quebrado, por esta porta se acede também à porta da traição, em arco quebrado. O adarve NO., dá acesso à torre de menagem, de planta rectangular, que flanqueia o ângulo O.; uma porta em arco quebrado dá acesso à primeira sala da torre, com quatro seteiras horizontais e tecto de abóbada de nervuras cruzadas em arco redondo, a nascerem de quatro colunas de canto; após dois lanços de escada, a sala que antecede o eirado, com cobertura telhada. O adarve SO. dá acesso ao torreão que ladeia a porta da vila e não possui escadas para o eirado; no extremo deste adarve acede-se ao eirado do cubelo artilheiro, de 9 faces, que flanqueia o ângulo S.; este cubelo possui dois níveis de disparo, num total de doze troneiras simples, estando as superiores tapadas pela grande abóbada semiesférica de construção posterior. O adarve SE. dá acesso ao adarve da muralha NE., interrompido pelo tardoz da alcaidaria; no exterior desta muralha, uma estrutura de suporte de um provável terraço da alcaidaria que já não existe; no extremo da muralha, uma construção circular, com cúpula semiesférica, protege a entrada para uma escada em caracol que dá acesso ao exterior. Flanqueando o ângulo N., uma torre de secção quase quadrada, parapeito plano e banco corrido de alvenaria. Caminhando no sentido da torre de menagem, apresenta-se, à nossa esquerda, uma cisterna suspensa, e à nossa direita, um torreão de planta rectangular de parapeito plano. Todas as ameias do castelo são de corpo largo. Alcaidaria de dois pisos processando-se a entrada para o piso térreo através dum alpendre com entrada em arco de volta perfeita. Na fachada posterior, duas janelas no piso superior, uma com arco angular truncado, sendo a segunda em arco canopial de oito centros. O alpendre possui cobertura em abóbada de nervuras com estrela de quatro pontas. Fronteira, uma porta em arco apontado acede a uma sala ampla, com tecto abobadado de seis tramos e sete arcos abatidos que arrancam de pilares facetados. Uma escadaria exterior de mármore e com dois lanços dá acesso a um alpendre assente em oito pilares quadrangulares. Neste, abrem-se duas portas de molduras rectangulares, biseladas, que dão acesso a duas salas intercomunicantes, cobertas por tectos em vigamento de madeira e telha à vista A SE., uma sala com cinco portas, uma janela e uma lareira, comunicando com a cozinha da alcaidaria, em plano inferior, apresentando forno e lareira. A sala situada a NO. possui duas janelas e três portas, sendo uma delas comum à anterior.

Acessos

Na costa de Vila - Fria, a NO. da Vila. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,883394; long.: -7,163129

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 27-09-1906, DG, 1.ª série, n.º 228 de 09 outubro 1906 / Decreto de 16-06-1910, DG, 1,ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano, isolado, na zona de cota mais elevada, designada de Costa da Vila Fria, divisando, das suas torres, toda a paisagem em redor.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DGPC, Decreto-Lei n.º 115/2012, DR, 1.ª série, n.º 102 de 25 maio 2012

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 16 / 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Pedro Fernandes (1646). ENGENHEIRO MILITAR: João Cosmander (1646); Luís Serrão Pimentel (séc. 17); Manuel de Azevedo Fortes (1735). MESTRE-DE-OBRAS: Afonso Mendes de Oliveira (séc. 16).

Cronologia

Séc. 08 - 12 - conquista e ocupação muçulmana de Elvas com construção da respectiva fortificação; 1166 - conquista temporária de Elvas por D. Afonso Henriques; 1200 - cerco por D. Sancho I; 1226 - tentativa de tomada de Elvas por D. Sancho II, ao mesmo tempo que Afonso IX de Leão tentava tomar Badajoz, numa investida concertada e não sucedida; 1228 - assédios e tentativa de conquista de Elvas por D. Sancho II; 1229 - primeiro foral, dado por D. Sancho II; 1230 - ocupação definitiva de Elvas, após o abandono dos muçulmanos receosos da notícia de que Afonso IX estava nas imediações de Mérida, informação historiográfica que entra em contradição com a anterior; 1262 - concessão de carta de feira; 1263 - foral de D. Afonso III; séc. 13 - 14 - reconstrução do castelo e cercas urbanas; séc. 14 - início da construção da chamada cerca fernandina, ainda no reinado de D. Afonso IV, com 22 torres e 11 portas, entre as quais a Porta de Olivença ou Porta Real, uma das mais importantes; 1325 - 1327 - assédio por D. Afonso XI de Castela, no âmbito da Guerra entre Portugal e Castela, no reinado de D. Afonso IV; 1334 - cerco de dois dias por D. Afonso XI de Castela; 1337 - assédio por D. Afonso XI de Castela; 1381 - assédio pelo Infante D. João de Portugal, filho de D. Pedro I e de D. Inês de Castro, com hoste castelhana, no âmbito da Terceira Guerra de Portugal contra Castela no reinado de D. Fernando (1381-1383); 1385 - assédio por D. João de Castela, no âmbito da Guerra da Independência (1384-1387); 1488 - 1490 - obras de reconstrução no castelo, com alterações na torre hexagonal e feitura de uma torre de menagem mais alta e feitura de um cubelo artilheiro; séc. 15 / 16 - renovação da alcaidaria; séc. 16 - reparo dos muros do castelo e três torres, então arruinados por Afonso Mendes de Oliveira; nesta data, a vila tem 4 portas de dentro e 4 de fora, todas sem portadas, pelo que o mestre de obras pede que se façam portadas exteriores; 1507, 03 Março - D. Manuel I confirma o foral de D. Afonso III; 1511 - 1512 - D. Manuel manda construir algumas torres nas muralhas e reparar duas que estavam danificadas; 1513, 21 Abril - D Manuel eleva a povoação a cidade e atribui-lhe novo foral; 1570 - elevação a Bispado; 1580 - ocupação de Elvas sem combate, por D. Sancho de Ávila; 1601-1602 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1641 - início das obras na fortificação por ordem do governador Matias de Albuquerque, com contribuição dos moradores no valor de 2 réis, procedendo-se ao levantamento de trincheiras, reforço da barbacã e abertura de um fosso; início da demolição de várias casas para permitir o esforço de guerra; 1641 - 1653 - período de construção da fortificação abaluartada da Praça de Elvas, tornando-se uma praça-forte; 1644 - assédio pelo Marquês de Torrecusa, no âmbito das Guerras da Restauração (1640-1668); 1646 - nomeação de Pedro Fernandes, quartanário da Sé de Elvas e conhecedor da arte da fortificação, para ajudar João Cosmander nas obras da muralha; 1658 - 1659 - cerco por D. Luís de Haro, com resistência heróica; 1659, 14 Janeiro - Batalha das Linhas de Elvas; 1662 - obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel; 1706 - assédio pelo exército franco - espanhol, no âmbito da Guerra da Sucessão de Espanha (1704-1712); 1712 - assédio pelo Marquês de Bay; 1735 - construção de um armazém de pólvora conforme planos de Manuel de Azevedo Fortes; 1801 - assédio por Manuel Godoy, no âmbito daGuerra das Laranjas, com Espanha; 1807 - entrada do exército francês, na sequência das Guerras Peninsulares (1807-1811); 1808 - assédio pelo exército anglo-luso; 1815, c. - demolição de um torreão que estava a pôr em perigo um armazém adossado à muralha; 1823 - estava montada uma bateria à barba, no castelo, pensamos que na torre N., rebaixada, ou no torreão NO., igualmente rebaixado e com barbeta; 1940-1948 - grande intervenção no castelo que adultera algumas zonas da construção; a DGEMN removeu uma Sagrada Família em azulejo da porta do Castelo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126..

Dados Técnicos

Construções perpendiculares ao solo com alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal. Cantaria aparelhada nos cunhais. Torres maciças.

Materiais

Pedra, tijolo, cal, areia e terra

Bibliografia

ALMADA, Vitorino de, Elementos para um dicionário da Geografia e História Portuguesa. Concelho de Elvas, Elvas, 1888; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1946; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, Lisboa, 1997; BARBOSA, Inácio de Vilhena, As Cidades e Vilas da Monarquia Portuguesa que têm Brasão de Armas, Vol. 3, Lisboa, 1860; BORGES, Artur Goulart de Melo, A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, antiga Sé de Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 102 - 113; CARDOSO, Luís (Padre, Dicionário Geográfico de Portugal, T. 1, Lisboa, 1747; DGEMN, Castelo de Elvas, Boletim da DGEMN, nº54, Lisboa, 1948; FERNANDES, Hermenegildo, Os mouros e a mouraria em Elvas: alguns problemas de topografia genética, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 76-81; GAMA, Eurico, Elvas / Rainha da Fronteira, Elvas, 1986; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Portalegre, Lisboa, 1943; LOBO, Francisco Sousa, A defesa militar do Alentejo, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 22-33; MECO, José, O Colégio jesuíta em Santiago, em Elvas, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 128-137; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no Triénio de 1947 a 1949, Lisboa, 1950; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; MORGADO, Amílcar F., Elvas, Praça de Guerra, Arquitectura Militar, Elvas, 1993; PEREIRA, Paulo, De Elvas a Olivença. O Renascimento antes de Vitrúvio, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 82-91; PIRES, A. Thomaz, O Castelo de Elvas, Estudos e notas Elvenses, 9, Elvas, 1907; PIRES, A. Thomaz, As Ruas d'Elvas, Elvas, 1924; SELVAGEM, Carlos, Portugal Militar, Lisboa, 1994; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Mário, Elvas, Lisboa, 1996; VALLA, Margarida, A praça-forte de Elvas: a cidade e o território, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 34-43; VARELA, Cónego Aires, Sucessos que houve nas fronteiras de Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguela, o primeiro ano da Recuperação de Portugal, que começou em o 1º de Dezembro de 1640 e fez fim em último de novembro de 1641, Elvas, 1901; VARELA, Cónego Aires, Teatro das Antiguidades de Elvas, etc., Elvas, 1915; VITERBO, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a serviço de Portugal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1904, vols. I e II.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IPPAR

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; IPPAR

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS; CMElvas

Intervenção Realizada

DGEMN: 1940 / 1941 / 1943 / 1944 / 1945 / 1946 / 1947 / 1948 - grande intervenção no castelo: demolição de anexos e de construções no pátio; reintegração parcial da alcáçova; consolidação de muralhas; reconstrução do torreão junto à porta da entrada; reconstrução da cúpula da escada de caracol que dá para o tardoz da alcaidaria; reconstrução da cobertura da torre de menagem; restauro das frestas da primeira sala da torre de menagem; reparação da abóbada do cubelo artilheiro; construção dos balcões e ameias sobre a porta de entrada; restauro dos demais adarves e ameias; desentulho da galeria que dá acesso à porta da traição e colocação de porta de madeira; consolidação de muralhas; desentulhamento das cisternas; desaterros e regularização de pavimentos no pátio; 1976 - consolidação e reparação de muralhas no castelo; 1979 / 1980 - recuperação de edifícios do castelo e da instalação eléctrica da torre de menagem; IPPC: 1991 - electrificação

Observações

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Domingos Bucho 1997

Actualização

 
 
 
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