Forte do Negrito

IPA.00033609
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, São Mateus da Calheta
 
Arquitetura militar, quinhentista. Pequeno forte marítimo construído no séc. 16, de traçado abaluartado, com planta retangular irregular, composta por um baluarte poligonal e uma bateria alta avançada nos ângulos da cortina virada a terra. Apresenta escarpa em talude, rematada em parapeito liso na face virada a terra e em parapeito de merlões e canhoneiras nas viradas ao mar, sendo a primeira rasgada por portal de verga reta e frestas de tiro na zona da bateria. No interior, ergue-se edifício retangular rasgado na fachada S. por vãos retilíneos e possui pátio de armas amplo.
Número IPA Antigo: PT071901130112
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta retangular sensivelmente irregular, com zona infletida a E., integrando no interior edifício retangular ocupando quase toda a face N.. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior da face virada a terra, a O., rebocada e pintada de branco, com os cunhais em cantaria, coroada por parapeito liso, e em cantaria de pedra aparente nas restantes faces, coroadas por parapeito de merlões e canhoneiras ou já sem parapeito na face N. e ângulo NE., aí com guarda metálica tubular, pintada de azul. Na face virada a terra rasga-se, sensivelmente ao centro, portal de verga reta, moldurada, e, quase no ângulo direito, três frestas de tiro, igualmente molduradas. No ângulo NO. sobressai o corpo do edifício do interior, também visível acima da cortina N.. INTERIOR o edifício tem planta retangular, massa simples e cobertura homogénea em telhado de uma água, rematada em beirada simples. Apresenta fachadas rebocadas e pintadas de branco, com os cunhais em cantaria e a fachada principal virada a S., rasgada por duas portas de verga reta e uma fresta, todas molduradas. Interiormente encontra-se seccionada em duas pequenas dependências, a maior destinada inicialmente a casa da guarda, e a outra, a armazém. Possuem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com lavimento de cantaria e teto de estuque. Pátio de armas amplo, com bateria lajeada.

Acessos

Caminho da Vila Maria

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Marítimo, isolado. Implanta-se na última enseada a O. de Angra com condições para se efectuar um desembarque, sobre formação rochosa, adaptado ao declive acentuado e quase ao nível do mar. Atualmente o forte é envolvido pela zona balnear do Negrito, com piscina construída a E., numa cota inferior, espaços para apanhar sol a E. e a S., acedidos por escadas de pedra, espaços de lazer, com jardim, fornos, um bar e estacionamento, ao longo de larga faixa a O.. Na bateria dispõem-se várias peças de artilharia em frente das canhoneiras. Nas imediações, ergue-se o denominado Forte da Igreja.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIRO: Tommaso Benedetto de Pesaro (1581).

Cronologia

1581 - construção do Forte do Negrito, como protecção contra a iminente tentativa de invasão por parte de uma armada espanhola, no contexto da crise de sucessão de 1580; foi construído em simultâneo com o vizinho Forte da Salga, por determinação do corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, conforme o plano de defesa da ilha elaborado pelo engenheiro Tommaso Benedetto de Pesaro; as suas obras foram custeadas com o produto de impostos aumentados sobre mercadorias, géneros alimentícios, ancoragem de navios, e mais tarde, por novos impostos sobre a fazenda dos habitantes da ilha, tendo a cidade de Angra contribuído com 10.000 cruzados e a vila da Praia com 5.000; séc. 17 / séc 19, finais - entre este período esteve sempre artilhado devido à sua importância estratégica e guarnecido por cinco artilheiros e vinte auxiliares; 1830 - data de uma planta do forte elaborada por José Rodrigo de Almeida, ainda representando o baluarte no ângulo NO.; posteriormente procede-se à supressão do baluarte voltado a terra, a NO., e de uma praça alta no ângulo SO.; 1862 - segundo o Barão de Bastos, "as muralhas pelo lado mar precisam de algumas reparações; acha-se já aprovado o competente orçamento mas não tem sido posto em execução por falta de meios pecuniários"; 1881 - aquando do tombo elaborado, apresentava uma área construída de 505 m2; séc. 19, finais - serviu como armazém e habitação de pescadores de uma companhia baleeira; séc. 20 - esteve guarnecido durante a Primeira Guerra Mundial e a Segunda; 1959 / 1964, entre - cedência do forte pelo Exército à Câmara Municipal de Angra, por iniciativa de Manuel Coelho Baptista de Lima, então presidente da Câmara, para manutenção e aproveitamento cultural e turístico; a esta data, ali vivia uma viúva pobre, em instalações sem as menores condições de salubridade.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra basáltica, rebocada e pintada ou aparente; portas de madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

BASTOS, Barão de, Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997; Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994; CORDEIRO, António (Pe), História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeytas no Oceano Occidental (reimpr da ed. de 1717), Terceira, Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1981; DRUMMOND, Francisco Ferreira, Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859), Angra do Heroísmo, Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981; FARIA, Manuel Augusto, Ilha Terceira - A Fortaleza do Atlântico, Angra do Heroísmo, Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, 1997; IDEM, Ilha Terceira - Fortaleza do Atlântico: Forte do Negrito in Díário Insular, 26-27 de Abril de 1997; MALDONADO, Manuel Luís, Fenix Angrence, Angra do Heroísmo, Instituto Histórico da Ilha Terceira, 1989-1997; MERELIM, Pedro de, As Dezoito Paróquias de Angra, Angra do Heroísmo, Ed. do Autor, 1974; MOTA, Valdemar, Fortificação da Ilha Terceira in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994. pp. 129-327; NEVES, Carlos, CARVALHO, Filipe, MATOS, Arthur Teodoro de (coord.), Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa - Catálogo in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992; PEGO, Damião, ALMEIDA JR., António de, Tombos dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército) in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996. pp. 9-144; Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira - 1776 in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998, pp. 351-363; SAMPAIO, A. S., Memória sobre a Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, Imprensa Municipal, 1904; VIEIRA, Alberto, Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, Tomo II, 1987; http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_do_Negrito, maio 2012.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1940 - obras de restauro do forte, sob a orientação do Sargento Laranjeira e do Sargento Lima.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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