Forte de Nossa Senhora da Graça / Forte de Lippe

IPA.00003771
Portugal, Portalegre, Elvas, Caia, São Pedro e Alcáçova
 
Arquitectura militar, moderna. Forte Real. Fortificação abaluartada, rasante, tipo Vauban; compõem-se de três corpos de defesa distintos, interdependentes, separados por profundos fossos: o Reduto, a Magistral e as Obras Exteriores. O Reduto é constituído por dois pisos abobadados, o inferior de planimetria cruciforme, com capela num dos braços menores, junto às portas de acesso ao Palácio; nesta existem quatro tribunas elípticas que se podiam transformar em Canhoneiros para defender as quatro portas que dão entrada para a Igreja e para o Reduto.
Número IPA Antigo: PT041207020006
 
Registo visualizado 3444 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Primeira linha defensiva tenalhada, com esplanada, canhoeiras e caminho coberto (v. PT041207020011 e PT041207030027). Três revelins a O., S. e E., defendem as cortinas da segunda linha de defesa, abaluartada. A N., uma Obra Corna de braços compridos com cavaleiro e revelim. No interior da contra-escarpa correm galerias de casernas frestadas. O revelim S. possui a porta exterior (Porta do Dragão) e várias instalações anexas. O primeiro fosso é vencido por passagem sobre arcos dando acesso à porta interior. Franqueada esta porta, apresentam-se inúmeras divisões laterais e escadas para o 2º fosso. Quatro baluartes ligados por cortinas (Santo Amaro, Malefa, Badajoz e Cidade, a partir do baluarte SO. e no sentido dos ponteiros do relógio), inscrevem-se em polígonos intencionalmente quadrados e possuem, os de SE. e SO., galerias de casernas frestadas; duas poternas em cada cortina, protegidas por canhoeiras, dão acesso às casernas que se interligam nos corredores das linhas capitais; nos baluartes da frente S., os corredores desembocam em zonas compartimentadas e abobadadas; sobre os terraplenos dos baluartes, pequenas vivendas. O segundo fosso apresenta várias edificações encostadas aos terraplenos. O reduto central, de planta octogonal, possui, sob o 1º piso, a cisterna; o 1º piso é atravessado por dois corredores que se cruzam perpendicularmente; no centro desta cruz grega celebrava-se missa; nas bissectrizes, outros compartimentos, resultando oito entradas para o reduto; o 2º piso possui corredor circular dando acesso a compartimentos radiais com canhoeiras; no 3º piso, o terraço da Casa do Governador, com parapeitos frestados, entradas para matacães e canhoeiras hoje fechadas. A casa do governador tem dois pisos (4º e 5º), com sala central em cada piso; existe ainda um eirado (6º piso) a rodear a cúpula, com quatro clarabóias.

Acessos

Situado a c. de 1350 m a N. de Elvas, tem acesso a partir da EN. 246 que, saindo de Elvas, se dirige para Portalegre; junto ao monte, cortar à direita. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,894652; long.: -7,164420

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, isolado, no topo do Monte de Nossa Senhora da Graça, a 404m de altitude, visível da cidade de Elvas e do Forte de Santa Luzia (v. PT041207030027).

Descrição Complementar

Na Casa do Governador, a sala central do 4º piso possui pinturas murais de evocação histórica, com os retratos do Conde de Lippe e do coronel Valleré; a sala central do 5º piso é toda branca, exibindo decoração neoclássica em trabalhos de massa.

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Militar: quartel

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENGENHEIROS: Guilherme Schaumburg-Lippe, Conde de Lippe (1762-), Étienne (1763); Guilherme Luís António de Valleré (1764).

Cronologia

1226 - após a conquista definitiva de Elvas aos Muçulmanos por D. Sancho II, o dominicano Frei Estêvão Mendes, que acompanhara as hostes portuguesas, escolhe a actual Serra da Graça para aí construir a sua moradia com as suas próprias mãos; séc. 15 - reedificação da Ermida de Santa Maria da Graça, sobre o Monte da Graça, por uma bisavó de Vasco da Gama; 1658, Outubro - Luís de Haro, primeiro-ministro de Filipe III, ocupa as colinas do Convento de São Francisco e de Nossa Senhora da Graça; durante o cerco que conduziu à Batalha das Linhas de Elvas, os espanhóis, através do mestre de campo D. João Zuniga, constroem um reduto no Monte da Graça, em redor da Ermida, aí colocando duas peças de artilharia que durante o cerco não cessam de bombardear a praça de Elvas; 1659, 14 Janeiro - inicia-se a libertação do cerco da praça de Elvas; 1762 - o Marquês de Pombal chama a Portugal Guilherme de Schaumbourg-Lippe, conde de Lippe, contratado, sob proposta do rei de Inglaterra, para organizar o exército português e comandar as tropas luso-britânicas; 1763 - início da construção do Forte conforme desenho do Conde de Lippe, sendo as obras dirigidas pelo engenheiro francês Étienne; 1764 - este retira-se de Elvas, sendo substituído pelo Coronel Guilherme Luís António de Valleré, do Regimento de Artilharia de Estremoz, que acompanhou as obras até 1792, fazendo-lhe vários aditamentos e alterações; demolição da Ermida de Santa Maria da Graça *2; 1777 - D. Maria I ordena que o Forte, então designado por Forte de Lippe, se passe a chamar Forte de Nossa Senhora da Graça; 1792 - fim das obras tendo-se dispendido, aproximadamente, a quantia de 769:199$039; 1798 - o Duque de Lafões descreve o Forte como uma obra-prima da fortificação, opinião partilhada por vários militares estrangeiros; 1801 - assédio por Manuel Godoy (Guerra das Laranjas, com a Espanha); 1807 - entrada do exército francês (Guerras Peninsulares, 1807-1811); 1808 - assédio pelo exército anglo-luso (Guerras Peninsulares, 1807-1811); séc. 19 - desartilhado tendo muitas peças dado entrada no Arsenal do Exército; 1856 - criada no Forte da Graça uma companhia de correcção; 1894 - dissolução companhia de correcção; criação de um depósito disciplinar; 1989 - desactivado o depósito disciplinar; 1910 - servia para reter os presos políticos; 2001, 21 Abril - assinatura protocolo de acordo entre os Ministérios da Defesa Nacional, do Equipamento, da Economia, do Planeamento e da Cultura e a Câmara Municipal de Elvas, com o objectivo de promover e financiar os estudos necessários à definição do futuro aproveitamento do imóvel; 2006 - desactivação do Regimento de Infantaria n.º 8 cujo quartel funcionava no imóvel e ocupação pelo Regimento de Cavalaria n.º 3; 2013, 15 novembro - cedência de utilização, a título precário e oneroso do Forte ao Município de Elvas, pelo prazo de 40 anos, publicado em Despacho n.º 14803/2013, DR, 2.ª série, n.º 222.

Características Particulares

Construção gigantesca que esgota a arte de fortificar do Séc. 18, mantendo-se fiel ao traço fundacional. É considerada como uma das fortalezas abaluartadas mais poderosas existentes no mundo e das mais originais pela sua concepção e implantação.

Dados Técnicos

Paredes auto-portantes e estruturas mistas. Paramentos escarpados de alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal; rebocos de argamassa de cal; construção dos terraplenos e esplanadas com terra batida; canhoeiras e parapeitos em alvenaria de tijolo e com formigão de terra e cal; inúmeras edificações (galerias, casernas, casamatas, paióis, armerias, casas da guarda, guaritas, etc.) em alvenaria de pedra e tijolo com argamassa de cal, usando abóbadas com arco semicircular.

Materiais

Pedra (calcário), tijolo, cal, areia e terra

Bibliografia

ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1946; BUCHO, Domingos, Justificação para a inscrição das fortificações de Elvas na Lista do Património Mundial, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Dezembro 2008, pp. 52-58; GAMA, Eurico, Elvas / Rainha da Fronteira, Elvas, 1986; GUERRA, Sofia, O Forte de Nossa Senhora da Graça, in Monumentos, n.º 28, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, Setembro 2008, pp. 44 - 51; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Portalegre, Lisboa, 1943; LAVADINHO, Domingos, O Forte da Graça, Elvas, 1929; MATTOS, Gastão de Mello de, Nicolau de Langres e a sua Obra em Portugal, Lisboa, 1941; MOREIRA, Rafael, Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar in História da Arte em Portugal - O Limiar do Barroco, Vol. 8, Lisboa, 1989; MOREIRA, Rafael, Engenharia Militar in Dicionário da Arte Barroca em Portugal, Lisboa, 1986; MORGADO, Amílcar F., Elvas, Praça de Guerra, Arquitectura Militar, Elvas, 1993; MOURINHO, Alberto de Oliveira, A Gloriosa Batalha das Linhas de Elvas, Elvas, 1991; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Mário, Elvas, Lisboa, 1996; ; SELVAGEM, Carlos, Portugal Militar, Lisboa, 1994; SENA, Arlindo, A formação das elites políticas e sociais na contemporaneidade elvense [1850-1920], in, Elvas Caia - Revista Internacional de Cultura e Ciência, n.º 2, Elvas / Lisboa, Câmara Municipal de Elvas / Edições Colibri, 2004, pp. 133-151; VALADAS, Jorge Faro, A Batalha das Linhas de Elvas, Elvas, 1954; VALLERÉ, Marie Louise, Élogue Historique de M. Valleré, Paris, 1808.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/ DSID, DGEMN/DREMS; Ministério da Defesa: Regimento de Infantaria 8; CMElvas

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/ DSID, DGEMN/DREMS

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/ DSID, DGEMN/DREMS; Ministério da Defesa: Regimento de Infantaria 8

Intervenção Realizada

DGEMN: 1960 - obras urgentes de conservação: consolidação de troços de cortinas em alvenaria hidráulica; reconstrução de guaritas de alvenaria; construção de rebocos na Casa do Governador e baluartes; construção de mísulas de cantaria para apoio das guaritas; limpeza do telhado da Casa do Governador; pintura de portas e de caixilhos; 1971 - sondagens junto à porta interior para a reconstrução da ponte; 1972 - reconstrução da passagem sobre arcos que dá acesso à porta interior; substituição das grades do tabuleiro por muretes de alvenaria capeados a granito; reforço de panos de muralha; reparação de guaritas; 1978 - recuperação da Casa do Governador: demolição e assentamento de pavimentos; isolamento do terraço e lages de floreiras; reconstrução do alpendre de uma porta; reparação de telhados; reparação e pintura de portas, caixilhos e grades de ferro; caiação exterior; 1981 - obras de conservação *3; 2000 - reparação de caixilharias; 2001 - obras de conservação incluindo recuperação parte da cobertura, consolidação da cimalha, colocação caixilharia de madeira para fecho de vãos e colocação de portas.

Observações

*1 - existe um projecto, de 1981, para adaptação do forte a Museu Militar; *2 - a imagem de Nossa Senhora da Graça, que se encontrava então na ermida, foi levada para a Igreja Paroquial da Alcáçova e mais tarde para a Capela do Forte da Graça; sumida com as Invasões Francesas, a imagem apareceu, já neste século, na Igreja de Vila Boim; na construção do Forte foram empregues diariamente 6000 homens diariamente chegando a um total de 32000 homens e 4000 animais, dos quais 1500 eram utilizados só para transportar água da fonte do Marechal; edificaram-se então algumas habitações e lojas para os operários junto à Quinta do Vedor dando assim origem à pequena povoação do Vedor; o Forte foi construído para uma guarnição de 1500 homens, sendo 1200 de infantaria, 200 artilheiros e 100 mineiros, dispondo de 143 bocas de fogo; *3 - projecto de intervenção sem memória descritiva nos arquivos da DREMS; houve uma tentativa de electrificação do Forte, com a instalação de vários equipamentos eléctricos, que não foi inteiramente concretizada, resultando a degradação e delapidação desses equipamentos.

Autor e Data

Rosário Gordalina 1992 / Domingos Bucho 1997

Actualização

 
 
 
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