Igreja Paroquial de São Tiago / Catedral de Beja / Sé de Beja

IPA.00004404
Portugal, Beja, Beja, União das freguesias de Beja (Santiago Maior e São João Baptista)
 
Arquitetura religiosa, maneirista, barroca, revivalista. Igreja paroquial de fundação tardo quinhentista, intervencionada no Séc. 17 e após o terramoto de 1755 e profundamente reformulada no 2.º quartel do Séc. 20 para adaptação a catedral. A estrutura primitiva do templo (que essencialmente se mantém), de três naves e 5 tramos com capelas laterais confrontantes, pouco profundas, capela-mor quadrangular ladeada por dois corpos, e fachadas laterais contrafortadas, sendo os panos rasgados superiormente por óculos, corresponde ao modelo das igrejas-salão muito divulgado na arquitetura maneirista do Baixo Alentejo a partir dos meados do séc. 16. A fachada primitiva, maneirista, apresentava, antes das obras do Séc.20, pano único, delimitado por pilastras de cantaria rematadas de pináculos piramidais, com remate em empena com cruz no vértice e rasgada por pórtico central (idêntico ao atual) ladeado por duas portas laterais de verga reta, alteada; axial ao pórtico, óculo de iluminação; a gramática maneirista foi mantida aquando da profunda modificação que sofreu no Séc. 20, com a aplicação de frontões triangulares sobre as portas laterais e no janelão central, então aberto a substituir o óculo, frontão triangular denticulado a rematar o corpo central, então criado, colocação de nichos munidos de frontões curvos, colocação de aletas no remate dos corpos laterais e recurso à ordem jónica nos capitéis das pilastras, conferindo-lhe assim maior monumentalidade mas conservando o classicismo do prospeto. O interior mantém a espacialidade quinhentista, ampla e unitária, obedecendo claramente ao modelo característico da arquitetura "chã" alentejana, com naves amplas, cobertas por abóbadas, à mesma altura, de aresta nervurada, descarregando em colunas toscanas, arcadas de volta perfeita nas capelas laterais e arco triunfal idêntico. A decoração interior, fruto da reutilização, durante as obras do Séc. 20, de altares, azulejos e outros elementos provenientes de várias igrejas e palácios, sobretudo de Lisboa, é fundamentalmente maneirista e barroca: o retábulo-mor, de planta reta e corpo único, manteve a talha dourada do primitivo, cuja feitura remonta aos finais de Seiscentos, apresentando elementos do barroco nacional, com dupla arquivolta sobre colunas decoradas de pâmpanos; o sotobanco e mesa de altar, de mármores embrechados, oriundos do Convento das Mónicas em Lisboa (v. IPA.00005071), são setecentistas; nas capelas laterais, retábulos de talha dourada atípicos, com corpo fundamentalmente maneirista mas banco, sotobanco e mesas de altares barrocos; a capela do Santíssimo apresenta retábulo de mármore da 2.ª metade de setecentos; os painéis de azulejos figurativos, azuis e brancos, são característicos da 1.ª metade do sec. 18, pertencendo ao denominado Ciclo dos Mestres; os silhares de azulejo de padrão, policromos (brancos, azuis e amarelos) são seiscentistas.
Número IPA Antigo: PT040205130036
 
Registo visualizado 391 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta poligonal irregular, composta por três naves de cinco tramos, cinco capelas laterais de cada lado, confrontantes, capela-mor de dois tramos (o 2.º destacado e escalonado), e vários corpos adossados: do lado esquerdo, a NO., o antigo cartório (adossado às duas primeiras capelas laterais), a sala da catequese (adossada à 3.ª e 4.ª capelas laterais), a capela da Imaculada Conceição (prolongando a 5.ª capela lateral), o corpo da sacristia e sala de reuniões (adossado ao 1.º tramo da capela-mor) e o corpo do vestiário e anexo (adossados ao 2.º tramo da capela-mor); do lado direito, os corpos da capela do Senhor dos Passos (prolongando a 2.ª capela lateral) e a capela do Santíssimo (prolongando a 5.ª capela lateral), dispostos na perpendicular, o corpo da torre sineira e sacristia (adossado ao 1.º tramo da capela-mor) e o corpo da casa do cabido e anexo (adossados ao 2.º tramo da capela-mor. Volumes articulados, massas dispostas na vertical, com cobertura diferenciada em telhado de duas águas no corpo das naves e capela-mor, no 2.º tramo da capela-mor, no antigo cartório e nas capelas do Senhor dos Passos e do Santíssimo, de uma água nas restantes capelas laterais, de três águas no vestiário e casa do cabido, em terraço nos anexos e em coruchéu na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas em cornija moldurada e/ou em beirado saliente; embasamentos, cunhais, pilastras, cornijas, frisos e molduras de vãos em pedra cinzenta. Fachada principal a SO. de dois corpos, o da esquerda correspondente ao antigo cartório e o da direita, mais elevado, de 3 panos, correspondente ao corpo das naves; este corpo apresenta com pano central ligeiramente saliente, disposto em dois registos, definidos por cornija e friso, e delimitado por pilastras, dispostas em dois registos, as inferiores da ordem toscana e as superiores da ordem jónica; pórtico central de mármore branco, de verga reta adintelada, sobre pilastras toscanas, sobreposta por tabela central, lateralmente delimitada por enrolamento volutado e invertido, tendo justapostos, pináculo em urna ladeado de pequenos enrolamentos; a flanquear a tabela, axiais às ombreiras, pináculos em urna semelhantes ao central; portadas de madeira, de 2 batentes, com almofadas trabalhadas em ponta de diamante, reguletes reforçados por crivos de ferro e espelhos trabalhados de ferro forjado; no 2.º registo janelão retangular, com molduras pétreas, de verga reta, sobreposta por frontão triangular, assente em pilastras jónicas e peitoril protegido por balaustrada; remate do pano em frontão triangular, denticulado, tendo no tímpano pequeno nicho central com a imagem, em pedra, de Nossa Senhora da Conceição; no vértice cruz latina, pétrea e, axiais às pilastras, pináculos piramidais sobre plintos. Panos laterais definidos por cunhais de cantaria e pelas pilastras do pano central; remate em aleta e pináculo piramidais sobre plintos a coroar os cunhais; cada pano é rasgado ao centro por portal de cantaria, de verga reta adintelada, assente em pilastras toscanas, sobreposta por frontão triangular, idêntico ao do pórtico, munido por portadas de madeira de dois batentes; cada portal é sobrepujado por nicho em arco de volta perfeita, sobreposto por frontão curvo, flanqueado por pilastras suportadas por cornija moldurada, saliente, assente em duas mísulas em formas de palmeta; nos nichos imagens em pedra, no da esquerda figurando São Marçal e no da direita São Lourenço. O corpo do antigo cartório apresenta registo e pano únicos, este delimitado por cunhais de cantaria e rasgado, ao centro, por janela retangular gradeada, com remate em cornija adintelada; remate em frontão triangular, com cruz de cantaria, sobre calvário, no vértice. Fachada lateral NO. de dois corpos, correspondentes ao corpo da nave lateral e 1.º tramo da capela-mor e ao corpo, escalonado, do 2.º tramo da capela-mor, ambos tendo inferiormente vários corpos adossados: na nave lateral, o corpo do antigo cartório (adossado ao 1.º e 2.º pano do corpo da nave, disposto paralelamente e ocupando c. de metade da altura da nave), o corpo da sala da catequese (adossado ao 3.º e 4.º pano do corpo da nave, sensivelmente da mesma altura que o cartório mas disposto na transversal) e o corpo da capela da Imaculada Conceição (disposto na transversal e ocupando toda a altura da nave); na capela-mor, no 1.º tramo a sacristia e no 2.º tramo o vestiário. Fachada lateral SE. de dois corpos, correspondentes ao corpo da nave lateral e 1.º tramo da capela-mor e ao corpo do 2.º tramo da capela-mor, idênticos aos da fachada NO. e ambos tendo igualmente vários corpos adossados: no 2.º pano do corpo da nave, a Capela do Senhor dos Passos e no 5.º pano a capela do Santíssimo; no 6.º pano, correspondente ao 1.º tramo da capela-mor, a sacristia e a torre sineira; no corpo do 2.º tramo da capela-mor a casa do cabido. Fachada posterior de cinco corpos, todos à face, adossados aos topos das naves e ao 1.º tramo da capela-mor; o corpo central, mais elevado, corresponde ao 2.º tramo da capela-mor, com remate em empena. INTERIOR: três naves, à mesma altura, de cinco tramos, definidos por arcadas, de volta perfeita, sobre colunas toscanas; cobertura em abóbadas de aresta nervuradas, de perfil em arco de volta perfeita e nervuras de cantaria, descarregando nas paredes laterais em mísulas e nas paredes testeira e fundeira em meias colunas toscanas; as naves laterais abrem para capelas laterais, pouco profundas (exceto no lado da Epístola as do 2.º e 5.º tramos), com acesso por arcos de volta perfeita, assentes em pilastras toscanas; entre o fecho dos arcos das capelas laterais e os arcos formeiros das naves laterais, óculos em capialço, munidos de vitrais polícromos. Paredes rebocadas e pintadas de branco, revestidas, na área entre as arcadas das capelas laterais até ao arranque dos arcos, com azulejos figurativos *1, azuis e brancos; colunas, pilastras, nervuras das abóbadas, arcos torais e formeiros, mísulas e molduras de vãos, de cantaria. Na parede fundeira, ocupando o primeiro tramo da nave central, guarda-vento de madeira, com cobertura em caixotões de madeira; sobre este eleva-se o coro alto, assente em mísulas de madeira e guarnecido por balaustrada de madeira de casquinha *2; é iluminado por janelão em capialço, desprovido de molduras, de dois lumes, com vitrais policromos, figurando São Paulo, do lado esquerdo e São Pedro, do lado direito; no sub-coro, embebidas nas primeiras colunas da nave central, duas pias de água benta, de pedra lavrada com losangos, torcidos e cabos entrelaçados de fitas e bolas; em cada nave lateral, portal em capialço, de verga reta com molduras de alvenaria, encimado por painel, retangular, de azulejos figurativos, azuis e brancos; por cima de cada painel, mísula de mármore suportando imagem de vulto em mármore branco de Carrara *3, figurando, do lado do Evangelho, São Francisco Xavier *2 e do lado da Epístola, Santo Inácio *2, enquadrada por pavilhão recolhido, em mármore negro, e querubim. Na nave lateral do Evangelho: no 1.º tramo, a capela sepulcral do Bispo D. José do Patrocínio Dias, no 2.º, a porta de acesso ao cartório e dependências anexas, no 3.º, a capela de São Tiago Maior com retábulo à face de talha dourada, no 4.º, a capela de São Sisenando com retábulo muito semelhante ao da capela de São Tiago Maior, no 5.º, a capela da Imaculada Conceição, profunda, com cobertura em abóbada de aresta, nervurada, paredes revestidas com painéis de azulejos figurativos, azuis e brancos, organizados em três registos, com episódios marianos e da vida de Cristo, sobre silhar de azulejos de padrão, azuis, brancos e amarelos; na parede testeira da nave, órgão ocultando a porta de comunicação para a sacristia, painel azulejar supra e, parcialmente, a imagem de vulto em mármore branco, de São Luís Gonzaga *2 enquadrada por pavilhão recolhido, em mármore negro, e querubim no vértice. Na nave lateral da Epístola: no 1.º tramo, a capela Batismal, no 2.º, a capela do Senhor dos Passos, profunda, com cobertura em abóbada de berço e retábulo de talha dourada e policromada (verde e cinzento), formando baldaquino, no 3.º, a capela de Santo António, idêntica à fronteira capela de São Tiago, no 4.º, a capela de São José, idêntica à fronteira Capela de São Sisenando e no 5.º a capela do Santíssimo, profunda, de dois tramos, com cobertura em abóbadas de aresta, nervuradas e paredes laterais forradas, até c. de meia altura, por painéis de azulejos figurativos, azuis e brancos, sobre silhar de azulejos de padrão e retábulo de composição idêntica ao da fronteira Capela da Imaculada Conceição; na parede testeira da nave porta de comunicação com a sacristia da Epístola, encimada por painel, retangular, de azulejos figurativos, azuis e brancos; sobre este, mísula de mármore suportando imagem de vulto em mármore branco, figurando Santo Estanislau Kostka *2 com o Menino, enquadrada por pavilhão recolhido, em mármore negro, e querubim no vértice. Arco triunfal de cantaria, de volta perfeita sobre pilastras toscanas, apresentando acima da chave escudo régio em talha. Capela-mor de dois tramos, apresentando nos alçados laterais do 1.º tramo arcada cega de cantaria, de volta perfeita sobre pilastras toscanas; arco toral de cantaria de idêntico perfil sobre pilastras toscanas embebidas nos paramentos; cobertura em abóbadas de aresta nervuradas, de perfil em arco de volta perfeita e nervuras de cantaria (de secção mais estreita que as das abóbadas das naves), descarregando, as do 1.º tramo, juntamente com os arcos formeiros, diretamente nos capitéis do arco triunfal e das arcadas e, as do 2.º tramo, em mísulas semelhantes às das naves. No 1.º tramo cadeiral de madeira *2, com apontamentos dourados, ocupando c. de ¼ da altura dos alçados; sobre o cadeiral painel de azulejos, azuis e brancos, com cenas da Paixão de Cristo: do lado do Evangelho, à esquerda, o Calvário e, à direita, a Lamentação vendo-se já a abertura do túmulo; do lado Epístola, à esquerda, Cristo perante Pilatos e, à direita, a Flagelação; as cenas são separadas por composição de anjo atlante suportando capitel e puto atlante; as cercaduras apresentam motivo de grinaldas enquadrando, as inferiores, cartela central e, as superiores, mascarão ladeado de volutas; a restante superfície do alçado é ocupada pela tribuna em talha dourada, disposta em 3 registos: no inferior sanefa, no central 4 colunas sobre altas bases, lavradas de enrolamentos de acantos, capitéis compósitos e fustes espiralados e com o terço inferior decorado por motivos vegetalistas; entre as bases das colunas corre balaustrada que suporta 6 painéis verticais envidraçados com caixilharia dourada com motivo de losangos entrelaçados; as colunas suportam o ático de remate curvo apresentando ao centro pintura a óleo sobre tela figurando, do lado do Evangelho, a Anunciação e, do lado da Epístola, Nossa Senhora com o Menino, rodeada de anjos, entregando o rosário a São Domingos. No 2.º tramo da capela-mor, descentrado, janelão retangular, com verga em arco de volta perfeita, munido de vitrais polícromos figurando, do lado do Evangelho, a Ascensão de Cristo e, do lado da Epístola, a Ascensão da Virgem; inferiormente, silhar de azulejos de padrão (o que parece uma variante do padrão P-17-00604) ocupando c. de ¼ de altura da parede; sobre este painel de azulejos figurativos, azuis e brancos, dispostos em três composições individualizadas: ao centro, sob os vitrais, painel retangular com motivo central de gavetas justapostas e cercadura de acantos e junto ao retábulo-mor, painel vertical com os símbolos da Paíxão; junto ao arco toral, do lado do Evangelho, a Crucificação e, do lado da Epístola, numa única cena, Cristo no Horto e Cristo a caminho do Calvário; junto ao arco toral, as cenas são separadas por composição de anjo atlante suportando capitel e puto atlante; cercaduras idênticas às do 1.º tramo. Retábulo-mor embebendo parcialmente as nervuras da abóbada e os arcos formeiros; apresenta de eixo único e planta côncava, apresentando banco, corpo e ático em talha dourada e sotobanco *4 e mesa de altar *4 destacada, revestidos por embrechados de mármore, de fundo negro e motivo de cartelas e elementos vegetalistas, a branco com apontamentos ocre e vermelho, e molduras de mármore rosa; corpo com dupla arquivolta sobre colunas assentes em consolas, com fuste torso decorado de pâmpanos e nicho central, pouco profundo, abrigando imagem do titular; no sotobanco, sacrário integrado; no ático arquivoltas decoradas de pâmpanos e querubins, com chave destacada, decorada por elementos vegetalistas e querubim, e pequeno dossel retangular supra; as enjuntas são decoradas por enrolamentos de acantos; acesso por supedâneo de dois degraus. Sacristia do lado do Evangelho com cobertura em abóbada de canhão arrancando de sanca envolvente; na parede SE. lavabo de mármore *2, com espaldar em vieira, duas bicas saindo de mascarões lavrados e taça retangular, pouco profunda. Sacristia do lado da Epístola (antigo Capítulo) com, na parede SE., lavabo de mármore cinzento, com espaldar de volutas e remate em cruz, bacia galbada e bica em torneira saindo de losango relevado; na parede oposta arcaz de madeira escura.

Acessos

Largo do Lidador

Protecção

Incluido na Zona de Protecção do Castelo (v. PT040205130003).

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, adossado, em destaque, na zona SO. do núcleo intramuros (v. IPA.00005860), na extremidade SO. do quarteirão formado pelo Largo do Lidador a O., pelo Largo de São Tiago a N., pela Travessa da Guia a E. e pela Rua dos Pâos a S.. Fachada principal aberta para o amplo Largo do Lidador, empedrado, com zona de estacionamento automóvel junto da fachada e no qual se localizam, a NO. o Castelo (v. IPA.00000906), a SO. a Casa da Família Guedes (v. IPA.00016972) e a S. a Casa dos Campos e Câmara (v. IPA.00016811); a SE. do Largo do Lidador a Rua Dr. Aresta Branco onde se localizam vários portais medievais e manuelinos (v. IPA.00004397). Adossado à fachada lateral SE., à face da fachada principal, um anexo, térreo com cobertura em terraço, adossado a casa de habitação, de dois pisos, de tipologia vernacular, com sacadas munidas de varandins em ferro forjado. Fachada lateral NO. aberta para via de circulação (em ligeiro declive, acentuado a partir da cabeceira), com pavimento em calçada e estacionamento automóvel de ambos os lados, circunscrita a NO. por muro baixo delimitando o Largo de São Tiago, ocupado por parque de estacionamento, fronteiro à barbacã E. do Castelo (v. IPA.00000906). Fachada lateral SE. envolvida pelo casario. Fachada posterior aberta para beco empedrado, fechado a SE. e NE. por garagens e armazéns.

Descrição Complementar

Na fachada lateral NO.: corpo da nave lateral e capela-mor de 6 panos, os primeiros 5 correspondentes à nave, definidos por contrafortes (tendo cada um gárgula de cantaria de perfil trapezoidal, do tipo boca de canhão e aba telhada individualizada) e o último correspondente à capela-mor; remate reto, em cornija moldurada, envolvendo os contrafortes, e beirado saliente; os panos da nave, exceto o 5.º são preenchidos, em c. 2/3 da sua altura, por corpo de alvenaria cego, com remate em aba telhada; superiormente, no restante 1/3, rasga-se óculo circular, re-entrante, com vitrais, protegido por gradeamento simples em cruz; o pano da capela-mor é definido por cunhal de cantaria e contraforte, tendo ao centro óculo cego, circular e re-entrante, rasgado por pequena janela de 4 lumes; sob o remate, à esquerda gárgula de cantaria. O corpo do 2.º tramo da capela-mor apresenta pano único, cego, com remate em beirado saliente. O corpo do antigo cartório apresenta pano único, definido por cunhal e pilastra de cantaria, e 1 único registo com remate reto em cornija, friso e beirado saliente e embasamento pintado, de cor cinza; do lado esquerdo portal de cantaria, com molduras de cantaria, de verga reta adintelada e ombreiras munidas de bases ligeiramente salientes decoradas por retângulo vertical gravado; portada de madeira, de batente único e duas almofadas reforçada por cravos de ferro; sobre a verga da porta, janela retangular, com molduras salientes de alvenaria; a ladear a composição do portal-janela, sob o remate, duas gárgulas de perfil circular assentes em telha de canudo; na pilastra do lado esquerdo, placa toponímica, oval, em azulejo. O corpo correspondente à sala da catequese, ligeiramente mais baixo que o antigo cartório, apresenta pano e registo únicos, com remate reto em cornija e beirado saliente; inferiormente, ao centro, rasga-se janela simples, com molduras de alvenaria, ligeiramente salientes, e superiormente, ladeando-a, duas janelas idênticas. O corpo da Capela da Imaculada Conceição (embebendo os contrafortes, dos quais deixa livres apenas o remate, ao nível das gárgulas, despontando da aba do telhado) possui pano único, cego, e 1 registo, com remate em cornija e beirado saliente. O corpo da sacristia, ligeiramente mais baixo que a capela da Imaculada Conceição, possui pano único delimitado por cunhais apilastrados de cantaria; embasamento elevado, bastante saliente, com capeamento de cantaria em talude; ao centro rasga-se janela retangular, gradeada, com molduras salientes de massa; remate em cornija moldurada, saliente, e em platibanda; axial à janela, sob a cornija de remate, gárgula idêntica às do corpo da nave lateral. O corpo do vestiário, sensivelmente da mesma altura que o do antigo cartório e sala da catequese, apresenta pano único, com embasamento idêntico ao da sacristia, remate em cornija e beirado saliente; superiormente, ao centro, janela idêntica à da sacristia. Torre sineira de 2 registos, definidos por cornija moldurada, no inferior cunhais de cantaria e no superior pilastras de argamassa relevada enquadrando a sineira em arco de volta perfeita, moldurado e remate superior em cornija coroada por urnas nos ângulos que ladeiam o coruchéu central. Na fachada posterior: 2 corpos laterais, adossados de cada lado do 2.º tramo da capela-mor, com c. de metade da sua altura, correspondendo: o corpo extremo do lado esquerdo à casa do cabido (ligeiramente mais alto que os restantes), o do lado direito ao vestiário e os 2 restantes, idênticos, a anexos. O corpo do 2.º tramo da capela-mor dispõe-se em 3 registos, definidos por cornijas, comuns aos corpos anexos e apresenta pano único, com remate em empena e cruz latina no vértice à qual falta a haste superior; a cornija inferior é idêntica, constituindo o seu prolongamento, à da cornija da fachada lateral NO. da sacristia e vestiário; inferiormente, descentrada, do lado direito, rasga-se porta simples com bandeira gradeada; sob a cornija superior, em cada extremo, gárgula idêntica às da fachada NO.. Os anexos adossados ao 2.º tramo da capela-mor apresentam pano único (definido nos extremos por pilastra de cantaria) e dispõem-se em 2 registos, de remate reto em cornija e platibanda; inferiormente rasga-se, descentrada, à esquerda, porta simples; superiormente, janela central com molduras de cantaria, com vestígios da fixação de grades nas ombreiras; no anexo do lado direito, junto ao capitel da pilastra, sobrevive gárgula idêntica às do 2.º tramo da capela-mor. O corpo da casa do cabido apresenta 2 registos, com remate em cornija e beirado saliente; inferiormente rasga-se, do lado direito, janela retangular inserida em arcada cega; superiormente 2 janelões gradeados, com verga em arco abatido, e ao centro, sob a cornija de remate, pequena janela gradeada. O corpo do vestiário apresenta pano único e 2 registos de remate reto em beirado saliente; inferiormente rasga-se por portão e superiormente, ao centro, janela idêntica à dos anexos. O corpo da capela-mor apresenta 3 panos, o central (tendo adossado o 2.º tramo da capela-mor e ligeiramente mais alto que este) com remate em empena que se prolonga pelos panos laterais; estes por sua vez são delimitados por cunhal de cantaria e contraforte rampeado (adossado ao corpo do 2.º tramo da capela-mor) e possuem remate reto em cornija e friso alteado pelas abas da empena de remate do pano central; o corpo da sacristia do Evangelho apresenta, acima do corpo adossado do vestiário, óculo circular, re-entrante, com moldura de alvenaria, munido de vitrais dispostos em losango. INTERIOR: Nave lateral do Evangelho: na zona entre as arcadas das capelas laterais até ao arranque dos arcos, os azulejos figuram: no 1.º tramo, dispostas em 3 registos, cenas alegóricas, no 2.º, inferiormente, Anjo segurando um menino pela mão e, superiormente, o Arcanjo São Miguel, no 3.º, inferiormente, um santo Bispo e, superiormente, uma figura segurando a Cruz e no 4.º, dispostas em 3 registos, cenas alegóricas; na parede fundeira a Samaritana e na parede testeira Cristo em casa de Marta. Capela sepulcral do Bispo D. José do Patrocínio Dias *5, pouco profunda, com arcada cega na parede testeira, repetindo o módulo da arcada de acesso e cornija, à altura dos capitéis das pilastras, que se prolonga pelas paredes laterais; arca tumular de mármore negro com frontal inscrito D. JOSÉ DO PATROCÍNIO DIAS / BISPO DE BEJA / 23 - VII-1884 24 -X-1965; na parede do lado esquerdo, nicho em arco canopial, pétreo; porta de acesso ao antigo cartório, com portadas de rótulas e molduras de cantaria, com verga reta adintelada lavrada de enrolamentos e querubim com cartela epigrafada na chave, ladeada por duas lápides, a da esquerda lavrada por cruz e calvário, a da direita epigrafada, com inscrição alusiva à sagração do templo: IHS / ESTA CATEDRAL FOI SOLE/NEMENTE SAGRADA EM 31 / DE MAIO DE 1946 PELO EX / CELENTISSIMO E REVE / RENDISSIMO SENHOR D. / JOSÉ DO PATROCÍNIO DI / AS PRECALARISSÍMO BIS / PO PACENSE DEPOIS DE / CONCLUIDAS A SANTA / MISSÃO E A VISITA PAS / TORAL A TODAS AS FRE / GUESIAS DA DIOCESE CO / MEÇADAS EM OUTUBRO / DE 1941 E TERMINADAS EM / MAIO DE 1946; sobre a verga, painel de azulejos, azuis e brancos, figurando 2 anjos tenentes com cartela volutada; sobre este painel, pequena lápide de mármore, epigrafada; superiormente, junto ao arco formeiro, cartela de talha dourada, em orelhões e volutas, com armas de bispo no centro. O antigo cartório apresenta cobertura em abóbada de berço sobre pilastras e pavimento de lages de mármore venado, rosa e cinza; nas paredes rodapé de mármore cinza e silhar de azulejos, azuis e brancos, de padrão; do lado esquerdo, ao centro, porta, de comunicação com a antiga capela batismal, sobreposta de lápide de mármore com a inscrição: LAUS DEO / AOS XII DIAS DE NOVº DE MCMXLVII / DEU ENTRADA NA DIOCESE FESTIVA- / MENTE A IMAGEM GLORIOSA DE NOSSA SENHORA / DE FATIMA DEPOIS DE RECEBIDA FER /VORASAMENTE PELSO POVOS QUE ATRA - / VESSOU E LHE FORAM CONSAGRADOS / ENTROU A SANTA IMAGEM NESTA CA- / TEDRAL SOLENEMENTE ONDE ESTE / VE DE VII A IX DE DEZEMBRO ASSISTIDA NOITE / E DIA POR INUMEROS FIEIS PIEDOSAMENTE / PARTICIPANTES DAS MAGESTOSAS / CEREMONIAS QUE TERMINARAM PE / LA CONSAGRAÇÃO DA CIDADE E DA / DIOCESE FEITA PELO EX.MO E REVERENDISSIMO BIS / PO SNR DOM JOSE DO PATROCINIO / DIAS ASSISTIDO POR TODAS AS AU / CTORIDADES LOCAIS; do lado direito caixa de alvenaria de escadas, em mármore cinza, protegidas por corrimão e varandim metálicos, que conduzem a porta simples de acesso ao piso superior do anexo contíguo; à esquerda da caixa das escadas, porta de acesso à sala da catequese; na parede NO., porta para o exterior, sobreposta de janelão retangular, em capialço. Retábulo da Capela de São Tiago Maior, de planta reta de eixo único e remate em frontão semi-circular; corpo de um registo delimitado por colunas de fuste espiralado, munidas de capitéis coríntios e bases altas, cilíndricas, lavradas de motivos vegetalistas entrelaçados, assentes em plintos lavrados por composição vertical de duas volutas de acantos; nicho central de volta perfeita, com fundo forrado de damasco vermelho, ladeado, por 2 pequenos nichos; os nichos são sobrepostos de frontões triangulares com querubim no tímpano; no ático tela em meia laranja; banco organizado em 3 painéis retangulares, o central saliente, lavrados com motivo de taça centrando composição quadripartida de volutas de acantos; sotobanco delimitado por pilastras que repetem o motivo dos plintos supra; mesa de altar de talha dourada, lavrada com motivos semelhantes aos do banco, organizados em 3 painéis. Retábulo da Capela de São Sisenando com o corpo ocupado por tela retangular figurando Glorificação de Santo Inácio de Loyola; no painel central do banco destaca-se relicário quadrangular, de talha dourada e envidraçado; no ático tela em meia laranja figurando Pregação de Santo Inácio de Loyola. Capela da Imaculada Conceição: os azulejos figuram, na parede SO., à esquerda da porta, Apresentação da Virgem e do lado direito os Esponsais da Virgem; sobre a porta, do lado esquerdo, a Anunciação e, do direito, o Nascimento e Morte da Virgem, superiormente, ao centro, a Ascensão de Nossa Senhora; na parede do lado direito, inferiormente, à esquerda da porta, a Adoração dos Pastores, e à direita a Circuncisão; sobre a porta, à esquerda, a Adoração dos Reis Magos, ao centro, a Fuga para o Egito e à direita Jesus entre os Doutores; superiormente, ao centro, Nossa Senhora da Conceição; cada cena é enquadrada, dos lados, por putti sobre volutões, segurando grinaldas e inferior e superiormente por festões ladeando mascarões ou cartelas emolduradas por orelhões, volutas e enrolamentos; silhar de azulejos de padrão policromo P-17-00101 (http://redeazulejo.fl.ul.pt/pesquisa-az/padrao.aspx?id=1) combinado com cercadura C-17-00157 (http://redeazulejo.fl.ul.pt/pesquisa-az/padrao.aspx?id=296); na parede do lado esquerdo, junto ao arco formeiro, 2 óculos re-entrantes, com molduras pétreas e munidos de vitrais policromos figurando emblemas religiosos, e porta de acesso à Sala da catequese; do lado direito porta de comunicação com a sacristia; ambas as portas apresentam ombreiras de cantaria cinzenta e vergas de talha dourada com composição de pequeno frontão de lanços, palmetas e volutas; retábulo *2 de mármore rosa e branco, de eixo único e corpo de 1 registo, com nicho central, à face, com a imagem da titular, ladeado de 2 pares de colunas coríntias, com fuste de mármore rosa, e pilastra relevada entre elas; as colunas apoiam, ao nível do sotobanco, em bases abalaustradas, relevadas; banco limitado a friso de mármore rosa entre as bases das colunas, sobreposto ao centro por composição de 2 cornucópias centrando medalhão, tudo em mármore branco; remate em frontão de lanços, tendo nos lados duas esculturas figurando anjos, assentes em volutas e, no vértice, querubim ladeado de 2 anjinhos, tudo em mármore; no tímpano do ático medalhão de orelhões e asas de morcego, de mármore branco, com monograma pintado; mesa de altar retangular, de mármore, com frontal organizado em 4 painéis retangulares verticais, de mármore rosa, delimitados por molduras de mármore branco; acesso ao retábulo por plataforma de mármore branco, de 2 degraus. Na nave lateral da Epístola: na zona entre as arcadas das capelas laterais até ao arranque dos arcos, os azulejos figuram: no 1.º tramo, dispostas em 3 registos, cenas alegóricas, no 2.º, inferiormente São João Baptista e o Menino e superiormente Susana e os velhos, no 3.º, dispostas em 2 registos, cenas alegóricas e no 4.º, dispostas em 3 registos, cenas alegóricas; na parede fundeira Jesus em casa de Lázaro. Capela Batismal com pavimento de lajes de cantaria cinzenta e cobertura em abóbada; parede testeira de 2 registos, definidos por friso e cornija moldurada ao nível dos capitéis das pilastras do arco de acesso; pia batismal de planta octogonal, de taça facetada, fechada por tampo de madeira, tendo incrustada numa das faces pia de água benta, de mármore, com taça em concha. Capela do Senhor dos Passos com pavimento em mármore preto e branco, desenhando losangos, quase totalmente oculto por plataforma de madeira de acesso à mesa de altar; paredes pintadas de branco, apresentando a do lado direito porta simples; baldaquino do retábulo decorado de orelhões, acantos e volutas e com acesso por bancada de madeira de 4 degraus (colocada atrás deste); mesa de altar envidraçada. Na Capela de Santo António, no ático do retábulo, tela figurando a Ceia em Emáus. Capela do Santíssimo: o silhar de azulejos apresenta a cercadura C-17-00157; os painéis superiores figuram, do lado esquerdo a Elevação na Cruz e Aparição de Cristo a Madalena, do lado direito a Última Ceia e o Lava-pés; superiormente, junto aos arcos formeiros, rasga-se, em cada tramo, óculo re-entrante com moldura de cantaria e munido de vitrais policromos figurando emblemas religiosos; na parede do lado esquerdo, ao centro, entre o revestimento azulejar e os óculos, lápide, com molduras de mármore rosa, com escudo episcopal e inscrição latina em letras douradas: OMNIA TRAHAM AD ME IPSUM / ANNO DOMINI MCMXXXIV / EXCELLENTISSIMO / REVERENDISSIMO DOMINO / IOSEPH DE PATROCINIO DIAS / OPTIMO ANTISTITI / HVIVS SEDIS EPISCOPALIS / INSTITVTORI RESTAVRATORIOVE / PRAECLARO / ODC; sobre a mesa de altar, ocultando a composição do banco e a tela central, figurando a Ceia em Emáus, o retábulo possui sacrário de mármore, branco e rosa, em edícula, repetindo a composição do retábulo, mas com apenas duas colunas e sem esculturas no ático. Sacristia do Evangelho com pavimento de soalho e silhar de azulejos envolvente, de padrão idêntico aos do Cartório; na parede NO., janelão em capialço, com molduras de madeira; na parede oposta, à direita do lavabo, porta de comunicação com a Sala de Reuniões (antiga sacristia); na parede SO. porta dupla, com molduras de madeira, de comunicação com a Capela da Imaculada; na parede NE., do lado direito, porta idêntica comunicando com o Vestiário; acima da sanca óculo envidraçado. Vestiário com pavimento de soalho; nas paredes, a NO. janelão semelhante ao da Sacristia, a NE., do lado esquerdo porta de comunicação com pequena instalação sanitária e superiormente ao centro, vão retangular fechado por duas portadas de madeira. Sala de Reuniões (antiga sacristia), contígua à Capela-mor, do lado esquerdo, com cobertura em abóbada de canhão sobre sanca envolvente; pavimento de soalho; nas paredes silhar de azulejos idênticos aos da Sacristia; a NE. janela em capialço e a SE. o vão da tribuna da capela-mor. Sacristia do lado da Epístola com pavimento e silhar de azulejos idênticos aos do antigo Cartório; na parede SE., de cada lado, porta com molduras pétreas, a da direita de acesso à Torre sineira; junto à parede SE., mesa de sacristia com pé em calcário cinzento e taça em brecha da arrabida; na parede NE. janela em capialço, sob ela, encostado à parede púlpito *4 com pé alto de calcário vermelho e caixa de talha policroma e dourada; na parede SO. porta almofadada de acesso à nave lateral.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: catedral

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Beja)

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Mestre Jorge Rodrigues (1590); ENTALHADOR: Mestre Manuel João da Fonseca (1696 - 1697), ESCULTOR: José Ferreira Tedim (1932 - 1937); PINTOR DE VITRAIS: Fábrica Leone (1937)

Cronologia

347 - no Concílio Sardense esteve presente, na qualidade de bispo de Pax Augusta *7, Domiciano (ARRAIS, 1974, p. 230), considerado por alguns autores como o 1.º bispo de Beja que seria assim já então sede de uma diocese sufragânea de Mérida, então capital da Lusitânia (BOAVIDA, p. 1) *8; Séc. 05, finais - Séc. 06, inícios - data hipotética de construção da Igreja de Santa Maria da Graça (v. IPA.00000746) a qual terá funcionado como catedral; 531 - documentada a fundação da Diocese de Beja, sendo Santo Apríngio o seu 1.º Bispo; hipotética construção por esses anos da primitiva catedral de Beja, no local onde posteriormente foi erguida a Igreja Paroquial de Santa Maria da Feira (v. IPA.00000930); 589 - no 3.º Concílio de Toledo surge Palmácio como bispo pacense *9; 597 - Lauro bispo pacense (o 3.º da dinastia visigótica); 633 - Modário assiste ao 4.º Concílio de Toledo na qualidade de bispo pacense; 646 - Teodoredo, na qualidade de bispo pacense, não podendo estar presente no 7.º Concílio de Toledo faz-se representar pelos presbíteros Constâncio e Ripário; 654 e 666 - Adeodato assiste ao 8.º Concílio de Toledo na qualidade de bispo pacense; 681 - 693 - João assiste na qualidade de bispo pacense aos 11.º, 12.º, 15.º e 16.º Concílios de Toledo; 693 - 754 - Isidoro seria bispo pacense *10; 715 - tomada da cidade pelos mouros, sendo a Igreja Matriz de Santa Maria da Feira transformada em mesquita; a Paca visigótica passa a designar-se Baja; 754 - falecimento de Isidoro, último bispo pacense da dinastia visigótica; a diocese pacense é então anexada à de Mérida; 825, c. de - nasce em Beja São Sisenando (SERPA, 1958, p. 434); 851, 17 julho - São Sisenando é martirizado e degolado em Córdova; 1120 - Bula do papa Calisto II pela qual a Sé metropolitana de Mérida é transferida para Santiago de Compostela, extinguindo-se todas as sufragâneas, entres as quais Beja e Badajoz; 1147 - lápide conservada na Igreja de São Isidoro de Leão referindo os prelados Daniel e Raimundo, que apesar de assinarem como "pacensis" não residiam em Beja; 1162, 30 novembro - reconquista; 1165 - restauração da Diocese de Évora ficando a de Beja aí incorporada; 1232 - 1234 - 2.ª e definitiva reconquista da cidade; 1252 - restauração da Diocese de Badajoz, assinando o seu bispo como "Frater Petrus primus episcopus pacensis"; 1264 - fundação da Igreja do Salvador; 1270 - 1282 - restauração da Igreja de Santa Maria da Feira; 1329 - documentada a paróquia de São Tiago (CARDOSO, 1751, p. 124); 1376 - 1383 - até ao reinado de D. Fernando I a Igreja de Santa Maria da Graça (v. IPA.00000746) serviria de paróquia de São Tiago; Séc. 16 - publicação da obra Memoriale Sanctorum de Santo Eulógio de Córdova, na qual relata a vida de São Sisenando; 1540 - a diocese de Évora é elevada a arquidiocese; 1590, 14 julho - sagração da Igreja de São Tiago, edificada a instâncias do arcebispo de Évora, D. Teotónio de Bragança sendo a obra dirigida pelo Mestre Jorge Rodrigues; 1598, 13 fevereiro - canonização de São Sisenando por Bula do papa Clemente VIII; 1598, 06 junho - Provisão de D. Filipe II autorizando a Procissão solene de São Sisenando que se realizou pela 1.ª vez a 16 de julho; 1600, 25 junho - depositada na Igreja do Salvador, cedida por D. Francisco Reynoso, Bispo de Córdova, a pedido do prior do Salvador, Mestre Manuel Feo, a relíquia (osso do radio) de São Sisenando, conservada num braço de prata (SERPA, 1958, p. 434) *11; estabelece-se então a Confraria de São Sisenando (RIBEIRO, 1986, p. 16); 1623 - Provisão régia autorizando os mordomos da Confraria de São Sisenando a concorrer à Câmara com despesa para a festa do santo; 1624 - encontrando-se ao abandono, a Igreja de São Tiago é reconstruída; 1640 - tentativa de reposição da Diocese pacense; 1651, 24 outubro - Decreto proclamando São Sisenando padroeiro de Beja; 1652, 20 maio - colocação da 1.ª pedra da igreja de São Sisenando, por Miguel Jacome Esquível, prior da Igreja do Salvador, edificada na Rua Cega onde tinha morado o santo, à custa dos mordomos da Confraria de São Sisenando e do Senado; realizaram-se então festas solenes durante oito dias; 1670 - chega a Beja um grupo de Jesuítas, que após pregação na Igreja da Misericórdia (v. IPA.00000924), são convidados a ficar na cidade; 1673 - a Igreja de São Sisenando, não se encontrando ainda acabada, é doada, com todas as suas pertenças, aos Jesuítas os quais fundam um hospício junto à mesma, no qual passam a residir *12 (v. IPA.00016810); colocação na Igreja de São Sisenando da imagem do santo mártir, feita pelo Mestre Manoel Feo, prior da Igreja do Salvador; colocação sobre a porta da mesma igreja de inscrição latina, feita por Mateus de Brito Godins; 1693 - Alvará de D. Pedro II pelo qual a Rainha D. Maria Sofia doa aos Jesuítas 2 mil cruzados de renda anual a serem empregues na obra do novo Colégio; 1695, 12 março - início da construção do Colégio dos Jesuítas (RIBEIRO, 1986, p. 19); 1696 - 1697 - feitura do retábulo-mor da Igreja de São Tiago, de talha dourada e policroma, da autoria do mestre lisboeta Manuel João da Fonseca; 1749 - data numa lápide da Igreja de Santa Maria (v. IPA.00000930) na qual esta é referida como basílica; 1751 - o Padre Luiz Cardoso refere a Igreja Paroquial de São Tiago como templo "muito capaz, e espaçoso" de 3 naves e 7 altares: o altar-mor onde se venera a imagem de Santiago Maior, 2 altares colaterais, o da Epístola dedicado ao Santíssimo e o do Evangelho a Nossa Senhora da Saúde, e 4 altares laterais, confrontantes, de São Pedro e de São Caetano, do lado do Evangelho e de São Francisco Xavier e de Santo António do lado da Epístola; tinha duas Irmandades, a do Senhor e a de Nossa Senhora da Saúde; o pároco "he Prior, ou Reytor, colado por Bullas Apostolicas", pertence a uma Comenda que tem por cabeça o Marquez de Niza, tem para serviço da igreja " seis Benefícios simplices do Hábito de São Pedro, hoje todos tem Economos postos pelo Ordinario: tem obrigação os Beneficiados de rezar em Coro todos os dias e de dizerem Missa"; refere ainda que o Colégio de São Sisenando " vay hoje em grande augmento" (CARDOSO, 1751, p. 126 e 127); 1755 - a Igreja de São Tiago é afetada pelo terramoto, sofrendo posteriormente trabalhos de reconstrução; 1759 - expulsão dos jesuítas ficando as obras do Colégio suspensas; 1770, 05 março - é nomeado Bispo de Beja D. Frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, então Provincial da Ordem Terceira, deputado da Real Mesa Censória e confessor de D. José; 1770, 10 julho - ereção da Diocese de Beja pelo Breve "Agrum Universalis Ecclesiae" do papa Clemente XIV; a restauração da Diocese terá sido sugerida pelo arcebispo de Évora, D. João Cosme da Cunha; a partir desta data, a Diocese perde o título de "pacense" passando a ser designada simplesmente por "bejense"; a Igreja de São Sisenando, então ainda por concluir, é ereta "em cathedral, com a honra e título de dignidade episcopal" (BOAVIDA, p. 64); 1770, 04 setembro - confirmação da eleição de Frei Manuel do Cenáculo como bispo de Beja; 1771, 06 junho - D. José faz mercê à Diocese de Beja do extinto Colégio dos Jesuítas, então ainda por acabar, para aí se estabelecer o Paço Episcopal, o Seminário e a Catedral, devendo para o efeito ser concluída a sua igreja; a Igreja Paroquial do Salvador passa a servir de Sé; 1771, 15 dezembro - 1772, 02 fevereiro - demarcação do Bispado de Beja, com 18 marcos de mármore, na presença do Vigário Geral, Rev. Dr. Francisco Guedes Cardoso de Menezes, em nome de Frei Manuel do Cenáculo; 1773, 25 novembro - Alvará de confirmação da demarcação da Diocese; 1777 - Frei Manuel do Cenáculo passa a residir em Beja e empreende uma série de obras na Igreja do Salvador *13; 1788 - Frei Manuel do Cenáculo tinha já visitado todas as paróquias da sua Diocese; 1802, 03 março - nomeado Arcebispo de Évora, Frei Manuel do Cenáculo para aí se transfere; 1808 - 1814 - a diocese é governada por Frei Manuel do Cenáculo, ficando assim temporariamente anexa à Diocese eborense; 1819, 03 maio e 28 agosto - eleição e confirmação de D. Luís da Cunha de Abreu e Mello como bispo de Beja, recomendando-se na Bula de Confirmação a ereção do Cabido e do Seminário; 1841, 02 agosto - no seguimento da profanação da Igreja de São Sisenando, Portaria Real pela qual é cedida para estabelecimento de uma Aula de Ensino Mutuo; o extinto colégio continua a servir de residência episcopal; 1847 - a Igreja Paroquial do Salvador servia então de catedral (RIBEIRO, 1986, p. 11); 1876, 13 março - estando de novo ameaçada a existência da diocese, o Dr. António José Boavida, governador da Diocese na qualidade de vigário pró capitular, apresenta no parlamento a defesa da sua continuidade; 1876, 16 julho - o Boavida remete ao Núncio apostólico em Lisboa petição, com mais de 6.000 assinaturas, reclamando a não supressão da Diocese bejense; na sequência deste movimento a diocese é poupada; 1885, 06 janeiro - fundação do Seminário; Séc. 20 - a profanada Igreja de São Sisenando é transformada em cantina escolar; 1920, 29 novembro - o cónego da Guarda, Dr. José do Patrocínio Dias, é eleito bispo de Beja; 16 dezembro - nomeação, pelo Papa Bento XV, de Patrocínio Dias, como Bispo de Beja; 1922, 05 fevereiro - entrada do novo Bispo na sua Diocese sendo recebido na Igreja Paroquial de São Tiago; irá empreender a reorganização da vida eclesiástica da Diocese, então em declínio; 15 fevereiro - fundação da Conferência de São Sisenando; 1923 - explosão de uma bomba, colocada junto à Catedral, tendo danificado as ombreiras e portadas do pórtico e o guarda-vento; 1924, 14 novembro - instituição do Cabido da Sé de Beja; 1925, 14 novembro - a Santa Sé eleva a Igreja Paroquial de São Tiago a Catedral, dedicada ao Santíssimo Coração de Jesus, do qual D. Patrocínio era devoto; 1932, dezembro - o Cabido promove um peditório a favor da restauração da capela-mor; segundo Gonçalves Serpa, a igreja encontrava-se já em obras tendo as festas jubilares das bodas de prata sacerdotais de D. Patrocínio decorrido na Igreja de Santa Maria da Feira (v. IPA.00000930) (SERPA, 1958, pp. 429 - 430); 1933 - na Memória Descritiva e Justificativa do Projecto de Ampliação da Sé (IHRU/SIPA TXT 00964937 a 00964940) o Eng. Vassalo e Silva refere que "a maior transformação terá lugar do lado do altar-mor que será recuado, construindo uma nova parede de tardoz em toda a largura do edifício, o que permitirá a instalação de outras dependências necessárias"; na reconstrução do retábulo-mor aproveitou-se a talha sendo o sotobanco e mesa de altar, de mármore embutido, provenientes do Convento das Mónicas (SERPA, 1958, p. 334); construção das capelas da Imaculada e do Santíssimo e colocação nas mesmas, segundo o mesmo autor, de 2 altares de pedra provenientes do Convento de Arroios; construção das dependências a NO. (cofre de paramentação (atual sacristia do Evangelho) e sala de catequese (por detrás das capelas de São Tiago Maior e de São Sisenando)); ampliação e reparação do cartório para aí se instalarem a capela Tersia e o batistério (atual capela sepulcral do Bispo Patrocínio Dias); reformulação da fachada principal, então descrita como "bem pobre de linhas (...), de moldo a colocar "o edifício à altura que lhe dá a sua hierarquia"; 11 dezembro - em sessão capitular, o Cabido da Sé de Lisboa (v. IPA.00002196) resolve conceder ao Cabido de Beja os altares e a balaustrada de pedra da Sé de Lisboa; 15 dezembro - o Cabido de Beja solicita à DGEMN que declare que os altares de pedra do cruzeiro demolidos na Sé de Lisboa e as balaustradas do coro arrancadas na mesma igreja não são aí aplicáveis por estarem em desacordo com a "restauração do antigo estilo da mesma Sé" devendo ser aplicados na Sé Beja (IHRU/SIPA TXT.00964950); 1934,16 janeiro - a DGEMN informa o Cabido que os elementos demolidos na Sé de Lisboa não são aí "aplicáveis visto serem de estilo diferente" e "para que tais peças não venham a sofrer qualquer deterioração será aconselhável a sua colocação em monumento com idêntica característica, tanto mais que o volume que ocupa está prejudicando o aspeto do edifício e as obras que se estão realizando na mesma Sé de Lisboa" (IHRU/SIPA TXT.00964952; 1935, 23 agosto - o Cabido informa a DGEMN em que estado se encontram os trabalhos: a 1.ª fase está concluída (construção de 3 sacristias, 2 capelas laterais (Santíssimo Sacramento e Imaculada), capela-mor e coro principal e assentamento de 3 altares de mármore, cadeirais e das 4 estátuas de mármore provenientes de Lisboa); a 2.ª fase não se encontra concluída (pavimentos de mármores e de madeira dos espaços contemplados na 1.ª fase, pavimento de mármore do corpo central e do transepto, assentamento de 12 mil azulejos provenientes de Lisboa *1 e revestimento a azulejo das sacristias, construção da capelas da paramentação e do batistério e seu revestimento a azulejo, construção do guarda vento e do grande arquibanco da sacristia, pintura de toda a igreja incluindo tetos, balaustradas, etc., caiação interior, arranjo dos telhados, toda a obra de talha e douramento) e a 3.ª fase ainda não começou (fachada principal); 26 outubro - o Conselho Superior das Obras Públicas considera que os pináculos da fachada devem ser substituídos por outros de secção piramidal, uma vez que são elementos de finais do Séc. 18, posteriores à construção da igreja; igualmente o corpo principal deve ser saliente, relativamente aos laterais; 1937, 21 março - o Cabido informa a DGEMN que já está a concluída a velatura de todos os arcos interiores das abóbadas, a obra de cantaria e rebocos da fachada principal, prestes a concluir-se o trabalho da capela do batistério e paga a 1.ª prestação dos vitrais à Casa Leone; 27 março - cerimónia solene da elevação da cruz na fachada principal; 06 junho - inauguração solene da Sé, encontrando-se concluídas as obras (IHRU/SIPA TXT 00026342) *14; 1941, outubro - 1946, maio - visita pastoral do bispo D. Patrocínio a todas as paróquias da Diocese; 1946, 31 maio a 03 junho - cerimónias solenes de sagração da catedral, realizando-se Procissão das Velas com a imagem de Nossa Senhora da Conceição, Missa Campal na Praça da República, celebração do Congresso Eucarístico e Solene Te-Deum, a cargo do Seminário de Évora, regido pelo cónego Augusto Alegria e que foi transmitido pela Emissora Nacional; neste ano ou no seguinte a relíquia de São Sisenando é colocada na capela de sua invocação; 1957 - por ocasião do lançamento da 1.ª pedra do novo Seminário, a Catedral é decorada com brocados e luzes, tarefa confiada à Agência Magno tendo a Diocese oferecido um cálice de ouro, no valor de 40 contos, realizado pela Ourivesaria Leitão (SERPA, 1958, p. 483); 1965, 24 outubro - falecimento, em Fátima, do bispo D. Patrocínio; 1966 - projeto do túmulo do bispo de Beja, D. José Patrocínio Dias; 1967, 24 março - o túmulo encontra-se concluído faltando a sua colocação na Sé (IHRU/SIPA PT DGEMN:DSID-001/002-003-0153/1); 1969, 28 fevereiro - danos provocados pelo sismo; outubro a dezembro - reparação dos danos causados pelo sismo; 1980, década - empreendidas obras de conservação durante o bispado de D. Manuel Franco da Costa de Oliveira Falcão; 1986 - instalação do novo órgão; 1999, 25 janeiro - nomeado bispo de Beja Frei António Vitalino Fernandes Dantas; 2004 - pedido pela Diocese orçamento relativo a projeto de obras de recuperação das coberturas; 2011 - estabelecimento de protocolo ente a Diocese e a DRCALEN para a reabilitação do imóvel e concessão de 7.286,40Eur.

Características Particulares

É a única Sé portuguesa que não tem por invocação Santa Maria. A igreja, embora muito alterada no Séc. 20, durante as obras de ampliação para a adaptação a catedral, destaca-se pela espacialidade unitária e pela influência de soluções formais tomadas da tratadística que remetem para uma das mais elaboradas criações da arquitectura chã no S. do país. Ainda que não concebidos de origem para este espaço, destaque igualmente para os retábulos de talha dourada (combinando elementos maneiristas com outros já caracteristicamente barrocos) e para o valioso acervo azulejar, seiscentista e setecentista.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria e argamasas hidráulica e ordinária, cimento armado, calcário de São Brissos; telha de canudo; pavimentos de soalho, mármore, lajedo de cantaria e mosaico hidráulico; madeira de casquinha e madeira exótica no guarda-vento, coro, cadeiral e bancadas; mármore, azulejo, vitrais, talha dourada e policroma

Bibliografia

ARRAIS, Frei Amador, Diálogos de D. Frei Amador Arrais, Bispo de Portalegre. Coimbra: Casa de António de Mariz, 1589 (ed. moderna a cargo de M. Lopes de Almeida, Diálogos de D. Frei Amador Arrais. Porto: Lello & Irmãos ed., 1974; BOAVIDA, Cónego António José, Memória acerca do Bispado de Beja. Lisboa: Imprensa Nacional, 1880; CARDOSO, Padre Luís, Dicionário Geográfico ou Notícia Histórica de todas as Cidades, Villas e Lugares..., T.II. Lisboa: Regia Officina Sylviana, 1751; BORRELA, Leonel, «Igreja de S. Tiago Maior». Diário do Alentejo, 16 de Setembro de 1995; DELGADO, Manuel Joaquim, «Sisenando Mártir e Beja sua Pátria: cópia fiel do manuscrito assim intitulado, de D. Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas, existente na Biblioteca Pública de Évora e considerações preliminares». Arquivo de Beja, 1.ª série, n.º 3, 1946, pp. 352-362, n.º 4, 1947, pp. 168-181 e 352-362, n.º 5, 1948, pp. 211-224 e 464-470, n.º 6, 1949, pp. 229 - 240 e 426-463; IDEM, Ensaio Monográfico (Histórico, Biográfico, Linguístico e Crítico) a cerca de Beja e dos Bejenses mais ilustres. Beja: ed. Império, 1973; ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Beja, Vol. 1. Lisboa, 1992; FLOREZ, Henrique, «O Bispado de Beja». Arquivo de Beja, 1.ª série, n.º 16, 1959, pp. 113 - 131; GUERREIRO, Jacinto Salvador, «A Diocese de Beja no final do Séc. XIX: a intervenção de D. António Xavier de Sousa Monteiro». Lusitania Sacra, 2.ª série, 8/9, 1996 - 1997, pp. 35 - 169; RIBEIRO, José Silvestre, Beja no Anno de 1845. Funchal: Typographia A.L. da Cunha, 1847 (ed. facsimilada a cargo de José Manuel da Silva Passos, Beja: Câmara Municipal de Beja, 1986); SERPA, José Gonçalves, D. José do Patrocínio Dias. Bispo Soldado. Lisboa: União Gráfica, 1958; IDEM, A Sé de Beja. Sua História em três Épocas. Beja: Ala esquerda, 1984; IDEM, Sisenando, Jovem mártir de Beja. Évora: Gráfica Eborense, 1984; VAZ, Francisco António de Lourenço (coord.), Os livros e as bibliotecas no espólio de D. Frei Manuel do cenáculo. Repertório de Correspondência, róis de livros e doações a bibliotecas. Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2009; VIANA, Abel, «São Sisenando, Padroeiro de Beja». Arquivo de Beja, 1.ª série, n.º 4, 1947, pp. 209 - 212; IDEM, «História das antiguidades da cidade de Beja (de Félix caetano da Silva)». Arquivo de Beja, 1.ª série, n.º 5, 1948, pp. 196 - 210 e 225 - 242, n.º 6, 1949, pp. 3 - 36, 292 - 324, n.º 7, 1950 - pp. 41-72.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN: DREMSul/DM

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DREMSul/DM; Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja / Terra das Ideias

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN:DSID-001/002-003-0153/1, DGEMN:DSARH-010/047-0204, 0205, 0276, DGEMN:DSMN-0360/16; BAC - Biblioteca da Academia das Ciências, cód. 135v, 539v, 813v; BPE - Biblioteca Pública de Évora, cód. CXXVIII e CXXIX/1-17 a 1-21; DGLAB/TT: Memórias Paroquiais (1758) / PT/TT/MPRQ/6/74

Intervenção Realizada

DGEMN: 1933 - 1937 - ampliação da capela-mor com construção do 2.º tramo constituindo um corpo escalonado independente, incluindo demolição de pedra no fundo do altar, demolição de abobadilha fendida e dos arcos da mesma e sua reconstrução, escavação em rocha dura para rebaixamento do solo do altar-mor, prolongamento e fundo da capela em alvenaria ordinária e assentamento dos cadeirões; desmanche da talha do retábulo-mor e seu posterior assentamento incluindo reparação de pequenas falhas e douramento a óleo; construção do vestiário, arrecadação e outras duas dependências anexas à cabeceira; no corpo da igreja, altar-mor e capelas, picagem de guarnecimentos de paredes para assentamento de azulejos de 0,14x0,14, em quadros ou painéis, provenientes de Lisboa, de onde foram desmanchados; assentamento de mosaico nas passadeiras da nave central; assentamento, sobre armaduras de cimento a construir, de 4 estátuas provenientes de Lisboa, cada uma pesando 1,500 Kg; assentamento e reparação de cadeirais incluindo a sua estofagem; reparação de dependências e construção de novos muros de alvenaria (capelas da Imaculada e do Santíssimo, cofre de paramentação, sala de catequese, capela tersia e batistério e a ampliação da sacristia e sala do capítulo), incluindo demolições de alvenarias em mau estado, colocação de telhados, em telha de canudo assente em vigamento de madeira, e de soalho; no coro, demolição do antigo, substituído por um novo; pintura do guarda-vento e da balaustrada; o batistério será formado por duas paredes da igreja e duas a construir em alvenaria, cunhais, pilastras, soco, cimalha, frontão e guarnecimento janela em cantaria de São Brissos, teto em abobadilha de tijolo, rodapé de azulejo tipo antigo até 1,50m de altura, pavimento de mármore branco; colocação de vitrais nas janelas grandes da capela-mor, nos óculos das naves laterais, nas capelas do Santíssimo e de Nossa Senhora e na janela da frontaria; colocação de azulejos, imagens (algumas da autoria de José Ferreira Tedim) pinturas, retábulos de talha e outros ornamentos, todos eles, segundo Gonçalves Serpa, provenientes de várias igrejas e conventos de Lisboa (Trinas (v. IPA.00003151), Mónicas (v. IPA.00005071) *6, Santa Luzia (v. IPA.00003123) e Miguel Bombarda (v. IPA.00007793) e dos palácios reais de Sintra (v. IPA.00006135), Pena (v. IPA.00006134), Necessidades (v. IPA.00006541), Ajuda (v. IPA.00004722), Mafra (v. IPA.00006381), Vila Viçosa (v. IPA.00002750) e Carrancas no Porto (v. IPA.00005684) (SERPA, 1958, pp. 443 - 335); ainda do Mosteiro da Batalha (v. IPA.00004061) veio um altar de pedra, daí apeado, e do Convento de Aracoeli de Alcácer do Sal (v. IPA.00029976) um altar de talha; modificação da fachada principal que "consiste essencialmente em fazer a divisão da frente em 3 corpos dos quais, o central, aproveitando a altura da empena sobressai sobre os laterais. As pilastras atuais de calcáreo de S. Brissos, são aproveitadas em parte da altura introduzindo-se-lhes inferiormente o soco, dado, cornija, base e superiormente os capiteis. As portas dos corpos laterais serão encimadas por um frontão levando na mesma prumada um nicho com frontão curvo. Superiormente os corpos laterais terminam por uma cimalha sobre a qual assenta cada uma das partes simétricas dum frontão curvo, interrompido pelo corpo central que os domina. Este corpo central fica com a porta atual e é dividida a meia altura por uma cimalha. Nesta cimalha terminam as pilastras que limitam o corpo central na sua metade inferior apoiando-se sobre elas as duas pilastras de menor altura, sobre as quais assenta o frontão principal cujo tímpano é liso. As pilastras são encimadas por acrotérios e o frontão principal por uma cruz assente no pedestal respetivo" (IHRU/SIPA TXT 00964937 a 00964940); para o efeito procedeu-se à demolição de alvenaria de cantaria de cunhais até c. de 10m de altura incluindo cornijas e acrotérios, de alvenaria na fachada, até c. da mesma altura, incluindo cruz e rosácea e para abertura de roços para assentamento de nichos, pilastras e rodapé de cantaria, escovagem e brunidura da porta principal, escovagem das cantarias das portas laterais, construção das volutas sobres os corpos laterais; no adro, demolição do ladrilho existente e sua substituição por lajedo; vedação do adro (refere-se a necessidade de demolição de alguns barracões existentes) com muro de cantaria com 0,60m de altura, grade e portão de ferro forjado; pavimentação do adro com lajedo de cantaria de São Brissos; 1933, 17 outubro - na sequência de um pedido de comparticipação, por parte do Cabido, para conclusão das obras então suspensas por falta de verba, a DGEMN responde informando que pode contribuir apenas com a mão-de-obra; 1935, 15 julho - o Cabido de Beja solicita ao Ministro das Obras Públicas auxílio para a continuação das obras; 21 agosto - segundo o Parecer da Comissão nomeada para a obra de ampliação da Sé, a importância total do orçamento é 656.000$00, dos quais 451.973$02 para mão-de-obra e 204.026$98 para materiais, sendo o prazo de execução estipulado de 10 meses (IHRU/SIPA TXT 00964937); 26 novembro - Portaria concedendo ao Cabido da Sé uma comparticipação de 100.000$00 para a obra da fachada principal; 26 dezembro - o Cabido solicita à DGEMN aprovação da obra que será feita por administração direta do Cabido, sem abertura de concurso geral para a empreitada; 1936, 04 janeiro - a DGEMN autoriza a execução das obras; 31 janeiro - auto de medição das obras; 27 abril - o Cabido solicita reforço do subsídio necessário à continuação dos trabalhos; 15 junho - Portaria concedendo um reforço de 65.000$00; 06 julho - Portaria autorizando que as obras sejam executadas por administração direta ficando a fiscalização a cargo da DGEMN; nesta data a 1.ª secção da Direção dos Edifícios de Lisboa envia ao Director-Geral o processo da obra; 1937, 11 janeiro - o Cabido solicita novo reforço de verbas para poder terminar a obra; 20 janeiro - Memória descritiva e orçamento da obra de construção do batistério e várias reparações, no valor de 58.000$00; 01 fevereiro - Portaria concedendo ao Cabido uma comparticipação de 58.000$00; 21 março - conclusão da instalação elétrica; 1953 - fornecimento de bancos e genuflexórios executados no centro Prisional de Pinheiro da Cruz (IHRU/SIPA PT DGEMN:DSARH-010/047-0159, DGEMN:DSID-001/002-003-0153/1); 1966, 21 junho - Memória Descritiva e Justificativa do projeto do túmulo do Bispo D. José do Patrocínio Dias: a ser integrado no 1.º arco da nave lateral direita, efetuando-se para o efeito um rebaixo na parede do fundo e a construção de um subarco para melhor enquadramento do túmulo que será feito em pedra de São Brissos, importando os trabalhos em 65.000$00, pagos pela Diocese com comparticipação pelo Fundo do Desemprego, sendo a obra dirigida pela DRMN - Secção do Sul (IHRU/SIPA PT DGEMN:DSID-001/002-003-0153/1); 1969, 09 outubro - orçamento de reparação dos estragos causados pelo sismo, orçando em 52.000$00 e contemplando reparação de telhados junto à torre sineira incluindo execução de cintas em betão, refechamento de fendas em paredes e abóbadas, reconstrução de rebocos e caiações em paredes exteriores e interiores e em abóbadas; 27 outubro - adjudicação das obras a António da Costa Saraiva pelo valor de 50.000$00.

Observações

*1 - Gonçalves Serpa refere que durante as obras de remodelação da Sé, na década de 30 do Séc. 20 vieram do convento das Mónicas (v. IPA.00005071) 11 mil azulejos com cenas da vida de Cristo e Nossa Senhora (SERPA, 1958, p. 334); o processo de obras refere a colocação, em 1935, de 12 mil azulejos vindos de Lisboa sem especificar a sua proveniência; *2 - proveniente do Convento de Arroios (v. IPA.00003187); *3 - Luís Gonzaga Pereira refere que estas estátuas e as suas congéneres, figurando São Luís de Gonzaga e Santo Estanislau Kostka, que se encontravam então nos ângulos da nave da Igreja do Convento de Arroios (v. IPA.00003187), são de madeira a imitar pedra (in Monumentos Sacros de Lisboa em 1833. Lisboa: Oficinas Gráficas da Biblioteca Nacional, 1927); *4 - proveniente do Convento das Mónicas (v. IPA.00005071); *5 - ocupa o 1.º tramo do antigo cartório e ex-batistério; *6 - provenientes do Convento da congregação de São Vicente de Paulo (v. IPA.00007793); *7 - Pax Augusta: designação romana de Beja ao tempo do imperador Augusto, anteriormente Pax Júlia; *8 - alguns historiadores identificam este Domiciano como bispo de Asturica Augusta (Astorga); *9 - autores defendem que a sede pacense foi ocupada, no intervalo de tempo entre os bispados de Apríngio e Palmácio, por São Urso, do qual existia na Igreja de Santo Amaro antes da sua profanação em 1910, um quadro com a sua éfige (BOAVIDA, 1880); *10 - autores há que rejeitam Isidoro como Bispo de Beja, colocando-o em Toledo ou Córdova; *11 - O padre Luiz Cardoso refere a data de 1602 (1751, p. 129) e Silvestre Ribeiro indica 1600 ou 1601 (RIBEIRO, 1986, p. 16); *12 - o padre Luiz Cardoso refere que a fundação do Colégio de São Sisenando, na Rua Cega, teve lugar em 1670 (CARDOSO, 1751, p. 127); *13 - referidas na correspondência de Frei Manuel do Cenáculo com Frei António Vicente Salgado, depositada na Biblioteca da Academia das Ciências (cód. 135v, 539v, 813v) e publicada por Francisco Vaz (2009); *14 - Gonçalves Serpa afirma que, encontrando-se as obras de restauro já terminadas, a inauguração teve lugar em 1934, com cortejo eucarístico conduzindo o Santíssimo Sacramento da Igreja de Santa Maria para a Sé (no dia 02 de junho), sendo a 06 de junho celebrado Solene Pontifical pelo Cardeal Patriarca de Lisboa que chegara a Beja na véspera (SERPA, 1984, pp. 12,14 e 20); deve tratar-se de um erro tipográfico (ainda que repetido 3 vezes).

Autor e Data

Rosário Gordalina 2013

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login