Ponte Metálica sobre o Rio Lima / Ponte metálica Ferroviária e Rodoviária sobre o Rio Lima

IPA.00000442
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
 
Arquitectura de transportes e comunicações, do ferro. Ponte metálica mista, de vigas contínuas de rótula múltipla, em pórtico, de vão rectangular, ligados por vigas do tipo treliça, com dois tabuleiros planos sobrepostos, o inferior para circulação ferroviária e o superior para circulação rodoviária, com passeios laterais, de extremidades rampantes, assente em onze pilares de alvenaria e cantaria, de planta subcircular, os dos extremos constituindo pegões-encontro, cegos, marcando dez tramos.
Número IPA Antigo: PT011609310038
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Ponte de duplo tabuleiro plano, sobreposto, de 10 tramos, e extremidades rampantes, com uma extensão máxima de cerca 736 m, o inferior para circulação ferroviária, e o superior para circulação rodoviária. A superstrutura da ponte é formada por duas vigas principais, rectas e contínuas, com 7,50 m de altura, afastadas entre si 5,20 m, de rótula múltipla, com diagonais cruzadas dispostas a 45º, e formando painéis com cerca de 2,70 m de lado. A superstrutura cria assim dois pórticos terminais, de vãos rectangulares, ligados pelas vigas mestras, apoiando-se o tabuleiro ferroviário na parte inferior das vigas principais e o tabuleiro rodoviário na parte superior das mesmas. O tabuleiro superior tem o pavimento alcatroado e dois passeios para peões nas extremidades, com pavimento em chapa estriada, assentando nas vigas principais através de consolas, possuindo guarda em gradeamento metálico e, no início do tabuleiro, guarda plena metálica, definida por duas pilastras laterais, coroadas por pinhas, e seccionada em três painéis contendo almofadas circulares; o tabuleiro apresentando ainda candeeiros metálicos dispostos ao longo do passeio do lado montante. Os tabuleiros são sustentados por onze pilares rectangulares de topos curvos, em alvenaria de granito aparelhada, e terminados em cornija lisa, constituíndo, os dois extremos, pilares encontros, que servem igualmente de apoio aos viadutos, sendo cegos e apresentando, na base sapata circundante de protecção ao alicerce. Foram fundados por meio de ar comprimido à profundidade máxima de 22 m abaixo de zero hidrográfico no quarto pilar e mínima de 7 m no nono pilar, tendo um vão cerca de 46 m. O acesso aos tabuleiros é efectuado através de rampas e viadutos, suportadas lateralmente por muros de cantaria, em que a circulação rodoviária e ferroviária se processa paralelamente até à separação do tabuleiro rodoviário, pela sobreposição deste através de um duplo L em tabuleiros rampantes suportados por pilares em ferro fundido decorados com vários motivos. Na margem direita, o viaduto apresenta o vão total de 81 m, dividido em oito vãos parciais de 10 m, e a rampa de acesso tem 60 m de comprimento. Do lado de Darque, o viaduto tem o vão total de 91 m, dividido em nove vãos parciais de 10 m, e a rampa de acesso tem 133 m de comprimento. Na margem direita, a jusante, o acesso dos peões ao tabuleiro superior é efectuado por escada de cantaria de três lanços, intercalados por três patamares´.

Acessos

Avenida Afonso III, EN 13. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,693727; long.: -8,819606

Protecção

m estudo

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, isolado, integrada na Linha do Minho, sobre o Rio Lima, junto à sua foz, marcando a entrada na zona urbana de Viana do Castelo.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes e comunicações: ponte para circulação rodoviária e ferroviária

Utilização Actual

Transportes e comunicações: ponte com circulação rodoviária e ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

DIRECTOR DA OBRA: António Fernando Araújo de Azevedo (1819). EMPRESA: Teixeira Duarte (1983, 1992, 2007), Conduril (1985), Sorefame (1985), J. L. Câncio Martins (1989, 2004), Lisconcebe (2006), Soares da Costa (2007). ENGENHEIROS: Gustavo Eiffel (1876), João Joaquim de Matos (1876 - 1878), Boaventura José Vieira (1876 - 1878). Théophile Seyrig (1876).

Cronologia

1819 - construção de ponte de madeira sobre o rio, sob a direcção de António Fernando Araújo de Azevedo, terminando junto à Capela de São Lourenço, ligando-se à margem esquerda por péssimo cais de pedra; 1864, 21 Outubro - Portaria nomeia o Engenheiro Sousa Brandão para estudar a ligação ferroviária do Porto a Braga; 1867 - concluído o estudo, o mesmo engenheiro foi encarregue de construir uma via férrea do Porto a Braga, mas que depois continuaria por Viana até à Galiza; 1872 - conclusão do projecto definitivo, sendo nomeado o engenheiro João Joaquim de Matos para director dos trabalhos; 1873, 31 Junho - decreto autorizando a emissão de obrigações, na quantia de 2034 contos e ao juro de 6%, para obtenção de verbas para a construção da ponte; 1874 / 1875 / 1876 - emissão de mais obrigações; 1874, 4 Setembro - portaria aprovando a ligação ferroviária a Viana do Castelo; 1876 - aprovada a ligação Darque - Viana; Junho - apresentação do projecto definitivo de Gustavo Eiffel e do seu colaborador Théophile Seyrig; Agosto - portaria aprovando o projecto definitivo; 1877, Março - início dos trabalhos de fundação da ponte; foi construída em regime de empreitada, com a participação de muitos engenheiros e operários franceses qualificados e sob a direcção dos engenheiros João Joaquim de Matos e Boaventura José Vieira; 1878, Maio - conclusão da construção, onde se empregou no total mais de 2 mil toneladas de ferro (2062436 kg.) e tendo custado 342 contos, não se incluindo as despesas relativas aos viadutos de acesso, cada um com mais de 80 m. em ambas as margens; 30 Junho - inauguração da ponte pelo Presidente do Conselho de Ministros, Fontes Pereira de Melo, e pelo Ministro das Obras Públicas, Lourenço de Carvalho; 1931 - a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e a Junta Autónoma das Estradas estabeleceram condições para a regularização da conservação da ponte, acordando ficar a cargo da CP toda a infra-estrutura dos vãos principais e a respectiva estrutura metálica, com excepção dos caixotões metálicos de apoio ao pavimento rodoviário; 2004, 24 Fevereiro - queda de um cabo de estabilização de um pilar; 2006, 1 Fevereiro - encerramento do tabuleiro da ponte à circulação rodoviária, para realização de obras de recuperação e alargamento do mesmo; 2007 - conclusão das obras de melhoramento e alargamento da ponte, que custaram mais de 8,5 milhões de euros; 30 Setembro - ceremónia de reabertura da ponte ao trânsito automóvel, com a presença do Ministro das Obras Públicas.

Características Particulares

Estruturalmente composta por duas vigas rectas e contínuas, a ponte Internacional de Viana do Castelo, juntamente com a de Valença, constitui um verdadeiro ex-libris na região dentro da sua tipologia, sendo considerada a obra de arte mais importante da Linha do Minho. Constitui ainda a maior ponte contínua em todo mundo, cujo record de lançamento ainda não foi batido. O acesso ao tabuleiro superior, rodoviário, apresenta esquema em L para separação dos tabuleiros.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estrutura do tabuleiro em ferro pudelado; pilares em ferro fundido; pilares, pegões, muros de suporte das rampas e escadas de acesso em alvenaria e cantaria de granito; gradeamentos e candeeiros metálicos; aço; pavimento em alcatrão; carris em ferro.

Bibliografia

GUERRA, Luiz de Figueiredo da, Esboço Histórico. Vianna do Castello, Coimbra, 1878; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, 1, Lisboa, 1886, p. 238; DIONISIO, Santana (dir.), Guia de Portugal, 4, Lisboa, s.d., pp. 995 - 996; ABREU, Alberto A., Quatro notas sobre a passagem do Caminho de Ferro por Viana do Castelo in Cadernos Vianenses, vol. 19, Viana do Castelo, 1995, pp. 73 - 81; FERNANDES, Mário Gonçalves, Viana do Castelo. A consolidação de uma cidade (1855 - 1926), Lisboa, 1995, pp. 60 - 65; MARTINS, Maria do Rosário França, TORRES, Maria Teresa Pinheiro e FREIRE, Paula Cristina Martins, Pontes Metálicas Rodoviárias, Lisboa, 1998; FERNANDES, Francisco José Carneiro, Tesouros de Viana. Roteiro Monumental e Artístico, Viana do Castelo, 1999; FERNANDES, Gomes, Ponte de Viana com fadiga de material, Jornal de Notícias - Porto, 12 Julho 2006; Obras da ponte Eiffel recebem visita ministerial, Jornal de Notícias - Minho, 17 Agosto 2006; REFER, Ponte Eiffel sobre o Rio Lima, Linha do Minho, in Cadernos de Informação, REFER, 24 Setembro 2007.

Documentação Gráfica

Direcção de Serviços de Pontes: Divisão de Projectos

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Direcção de Serviços de Pontes: Divisão de Projectos

Intervenção Realizada

1922 - projecto de reparação do tabuleiro superior rodoviário, com modificação do pavimento e dos passeios, sendo a madeira substituída por uma solução mista, aço-betão; 1934 - obras de alteração dos montantes extremos da ponte, para facilitar a manutenção de zonas pouco acessíveis; pintura geral da ponte; CP: 1961 - reforço dos tabuleiros ferroviários da ponte e viaduto, para permitir a passagem de locomotivas com 22,5 toneladas por eixo; 1977 - trabalhos de manutenção da estrutura metálica e alvenarias dos pilares; 1983 - reconhecimento geotécnico pela empresa Teixeira Duarte, permitindo identificar a estratigrafia e caracterizar os terrenos de fundação das infra-estruturas; 1985, 30 Abril - conclusão dos trabalhos de consolidação dos pilares da ponte pela firma Conduril; CP: 1986 -contratação da empresa Sorefame para a empreitada de substituição do viaduto de acesso ferroviário do lado de Viana do Castelo, permitindo eliminar as restrições de carga impostas, ainda que mantendo as características geométricas das estruturas e dos pilares, os quais foram executados em aço laminado, à semelhança dos originais em ferro fundido; colocação dos novos ornamentos em ferro fundido com resina epoxy; 1989 - a CP lança um concurso de ideias para reforço das vigas principais, com vista a aumentar a capacidade de carga da ponte, tendo sido ganho pela empresa J. L. Câncio Martins, que apresenta um projecto com aplicação de pré-esforço exterior, procurando manter a fisionomia original da estrutura; 1992 - revisão do projecto pelo gabinete J. L. Câncio Martins, Lda.; asssinatura de contrato entre a empresa Teixeira Duarte e a REFER para execução do trabalho; 1993 - introdução de um novo dispositivo de fixação elástico de travessas da via-férrea, melhorando o modo de transmissão de carga da via-férrea para a estrutura da ponte; 1996 - obras de conservação do tabuleiro; 2004 - apresentação à EP - Estradas de Portugal - do projecto de substituição e alargamento do tabuleiro rodoviário, efectuado pela empresa J. L. Câncio Martins; 2005, Outubro - contratação do projectista A2P pela REFER, para execução do estudo e projecto de beneficiação das infra-estruturas da ponte; EP - Estradas de Portugal: 2006, Janeiro - início da substituição e alargamento do tabuleiro rodoviário; Julho -suspensão dos trabalhos após se terem observado níveis de corrosão considerados anormais nas ligações dos passeios aos banzos superiores, e que punham em causa a continuidade dos trabalhos sem substanciais alterações ao projecto; na sequência, o MOPTC incumbe ao LNEC ensaios de cargo à estrutura e ao material constituinte da ponte, para avaliação das suas condições de segurança; com base nas conclusões dos ensaios realizados pelo LNEC, o MOPTC encarrega a REFER da concretização dos trabalhos necessários e o LNEC do acompanhamento dos projectos e das empreitadas; contratação da Lisconcebe para rever o anterior projecto e adaptar os módulos de pavimento rodoviário, entretanto executados na empreitada da EP; beneficiações pontuais no Verão de 2006; 2007 - REFER adjudica à empresa Soares da Costa a nova empreitada de substituição e alargamento do tabuleiro superior e à empresa Teixeira Duarte a reabilitação das infra-estruturas; o alargamento e substituição do tabuleiro superior incluiu os seguintes trabalhos: instalação de novos contraventamentos entre as carlingas do tabuleiro rodoviário; remoção do pavimento de betão; instalação de um sistema activo que, através de duas estruturas provisórias, permitiu retirar as chapas de banzo das cordas superiores, esquerda e direita, sem se perder rigidez estrutural e manter a exploração rodoviária no tabuleiro inferior; substituição das chapas de bonzo existentes por um conjunto de chapa de 420 x 12 mm com um perfil HEB300, mantendo a furação original das cantoneiras de ligação à alma das cordas superiores; cravação de cerca de 32.000 rebites para solidarizar as cantoneiras existentes ao novo conjunto que efectiva os bonzos esquerdo e direito da ponte, e para beneficiações de diagonais e dos montantes dos encontros de entrada e saída; execução de hidrodecapagem das cordas superiores da ponte; pintura das zonas intervencionadas; colocação dos módulos metálicos contraventados que constituem o novo tabuleiro superior; subida da rasante dos tabuleiros rodoviários nos viadutos de acesso; renovação de vários equipamentos e dispositivos complementares, nomeadamente guarda-corpos, candeeiros, drenagens e juntas de dilatação; introdução de novo pavimento rodoviário e sinalização horizontal e vertical ao longo de toda a ponte e viadutos de acesso rodoviário; a reabilitação das infra-estruturas incluiu: reparação do encontro rodoviário do viaduto de acesso ao lado de Viana do Castelo, e refechamento e injecção de fissuras e juntas abertas em todos os elementos estruturais de alvenaria de pedra.

Observações

*1 - Esta ponte foi construída para substituir a ponte de madeira sobre o rio Lima, lançada desde o terreiro do Mosteiro de São Bento até à capela de São Lourenço, e que durante anos serviu a Estrada Real nº 4, localizando-se a cerca de 300 m a montante da anterior. *2 - Toda a superstrutura metálica foi executada nas oficinas da Casa Eiffel, em Levallois-Perret, próximo de Paris. A sua montagem foi feita sobre uma plataforma de 200 m de extensão na margem direita do rio Minho e lançada por um sistema de roletas, exclusivo do construtor. *3 - Inicialmente, os passeios laterais do tabuleiro superior de circulação rodoviária tinham a largura de 80 cm.

Autor e Data

Alexandra Lima e Paulo Amaral 1997 / Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
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