Castelo dos Mouros

IPA.00004641
Portugal, Lisboa, Sintra, União das freguesias de Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)
 
Arquitectura militar, medieval e romântica. Castelo de planta irregular implantado em terreno elevado, formado por duas cinturas de muralhas, sendo a interior reforçada por cinco torres e vários cubelos de planta quadrangular e circular e de alçados verticais. Na liça integra capela visigótica, reconstruída no período românico, de planta longitudinal com nave e capela-mor mais estreita e baixa, rasgada por duas portas travessas, a principal e várias frestas; o portal S. mantém íntegra a decoração dos capitéis com motivos vegetalistas e animais fantásticos. Sem percepção dos limites na maior parte da sua extensão, constituído por vegetação ornamental disposta com um sentido determinado e acompanha de elementos construídos, como banco, canteiros, estátuas e peças de água. Segue uma atitude pictórica sendo estudado numa sucessão de imagens e pontos de vista paradoxalmente inspirado e sugestivo de pinturas de pintores paisagistas de Inglaterra. Rigorosamente projectado para parecer natural e espontâneo numa perspectiva de sobreposição de planos progressivamente mais longínquos e difusos. Este estilo encontra no estilo chinês um profundo conhecimento e domínio da beleza aparentemente natural mas com um conceito temporal radicalmente diferente: assente numa ideia nostálgica do tempo erguem-se nos espaços paisagistas elementos construídos intencionalmente em ruínas. Oferece um cenário lendário a que se pode associar um carácter paradisíaco, insólito e enigmático.
Número IPA Antigo: PT031111120005
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo    

Descrição

Castelo de planta irregular, com cerca de 450 m. de perímetro; implanta-se sobre forte maciço rochoso que, a NO. e N. é aproveitado como defesa natural intransponível. É formado por dupla cintura de muralhas, conservando na liça capela de pequenas dimensões. Na muralha exterior abrem-se, junto à Abelheira e a poente da Tapada dos Bichos, portas de acesso em rodísio, de onde partem caminhos serpenteantes. A 2ª cintura de muralhas é reforçada por cubelos quadrangulares e um circular, tendo adarve inserido na espessura das muralhas com parapeito para protecção, e é coroada por merlões piramidais. É nela que se abre a entrada principal do castelo, protegida por 2 cubelos avançados e por adarve que encima o pano da muralha. Perto dispõem-se ruínas de antigas edificações, correspondentes a celeiros e zona de recolha de animais e a uma cisterna; esta tem planta rectangular com 18 m. de comprimento, 6 m. de largura, 6 m. de altura, da soleira da porta ao pavimento, e 3 m. ao fecho da abóbada, que é de canhão e vazada por duas clarabóias; a água podia ser tirada por bomba no tanque que a encima. Pela muralha distribuem-se ainda cinco torres, de planta quadrangular e uma circular, de alçados encimados por merlões piramidais e junto às quais existem ainda vestígios de antigas construções e uma pequena saída em cotovelo, actualmente entulhada e cheia de silvas, abre para a zona N., a qual talvez correspondesse à Porta da Traição, não correspondendo a uma identificada como tal, em arco de ferradura, que abre para a Praça de Armas. No topo S., surge a torre mais alta, conhecida como Torre Real. No perímetro do castelo existem várias tulhas ou silos árabes, actualmente bastante entulhadas, tendo uma delas, segundo a tradição, ligação com a povoação de Rio de Mouro. A CAPELA, orientada, tem planta longitudinal, com nave e capela-mor rectangular mais estreita e baixa, com fachadas em alvenaria e cantaria aparente, sendo a nave rasgada por duas frestas em cada um dos lados; os acessos processam-se pelas fachadas O., esta arruinada *1, levando a escadas descendentes, e pela fachada S., onde se rasga arco pleno, de dupla volta, apoiados em colunelos de capitéis decorados, com elementos vegetalistas e animais fantásticos: basiliscos e grifos. Fachada N. com abertura a c. 1,5 m do solo, correspondente a uma primitiva porta, elevada devido ao declive acentuado do terreno. Na fachada posterior, são visíveis quatro níveis de aparelho, e pequena fresta. Arco triunfal duplo assente sobre colunas de base semelhante às do portal S. com capitéis de motivos fitomórficos talhados a bisel e vestígios de ter possuído uma porta. Capela-mor com abóbada de berço com vestígios de frescos, visíveis também sobre a fresta da parede, representando um firmamento e a auréola de uma figura, correspondente ao orago, rodeado por motivos florais e geométricos, tudo rodeado por um friso com geométricos. Do lado do Evangelho e da Epístola, pequenos nichos rectangulares para alfaias. Por entre as edificações do castelo cresce de forma aaparentemente natural vegetação exótica e auttóctone que acentua o caractér romântico deste local.

Acessos

Rampa da Pena, São Pedro de Sintra ou Abelheira, cimo da Serra de Sintra. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,792987; long.: -9,388685

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria n.º 670/99, DR, 2.ª Série, n.º 150 de 30 junho 1999 *1 / Incluído na Área Protegida de Sintra - Cascais (v. PT031111050264)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Implanta-se num dos topos da Serra de Sintra, de onde se poderá desfrutar explêndido panorama, abrangendo todo o concelho de Sintra e, em dias límpidos, até Mafra e Ericeira. Tem acesso por Santa Maria, através de porta protegida por sistema de rodísio ou pela estrada de acesso ao Palácio da Pena. O castelo localiza-se no limite do Parque Natural de Sintra-Cascais, na encosta N. da Serra de Sintra (v. PT031111050264). Nesta área da encosta predominam os declives superiores a 40% verificando-se declives moderados, acentuados e muito acentuados. O Parque apresenta exposições preferenciais a N.. Esta vertente é rica em água, explorável através de minas, e que tem um movimento descente sendo recolhida pela ribeira de colares. A Serra de Sintra é constituída por um maciço eruptivo com abundância de granitos, sienitos, gabros e dioritos. O solo desta zona insere-se na família dos solos litólicos, húmicos, câmbicos, normais, de granito (Mng) que, em parte de fase delgada, apresenta afloramentos rochosos. O clima é caracterizado por temperaturas mais baixas e precipitação mais elevada que nas regiões circundantes devido à proximidade do oceano, ao relevo e à densa vegetação. A flora local é densa e diversificada com uma grande percentagem de exóticas introduzidas sobretudo no séc. 16 por D. João de Castro e no séc. 19 por D. Fernado II e Sir Francis Cook. Também a fauna se caracteriza por uma grande biodiversidade. Ao Parque da Pena estão anexas as seguintes áreas: Tapada dos Bichos, Tapada do Inhaca, Tapada do Borges, Pinhal do Prior e Tapada do Forjaz, Pinhal do Sereno, Pinhal do Tomado e Pinhal do Vale dos Anjos. Nas proximidades da Pena localizam-se outros monumentos como o Parque da Pena (v. PT031111120005), a Quinta da Penha Verde, a Quinta da Regaleira, (v. PT031111110077), a Quinta do Relógio (v. PT031111110078), o Parque de Monserrate (v. PT031111110131) e outros. O Castelo dos Mouros e outras propriedades locais funcionam como como ponto de atracção turística, actividade principal da zona.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Parques de Sintra Monte da Lua S. A. (Instituto da Conservação da Natureza, Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Câmara Municipal de Sintra e Instituto da Conservação da Natureza, Instituto Português do Património Arquitectónico; tel.: 219237300)

Época Construção

Séc. 07 / 08 (conjectural) / 12 / 13 / 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Barão von Eschewege.

Cronologia

Séc. 07 / 08 - provável construção da capela de São Pedro; séc. 08 / 09 - construção do castelo pelos mouros; 1031 - após perda de Córdova, a lei moura de Badajoz optou por entregar a Afonso VI de Leão e Castela, alguns territórios peninsulares muçulmanos, entre eles Sintra; voltou-se a perder o castelo; 1147 - após a conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, o castelo entregou-se voluntariamente aos cristãos; D. Afonso Henriques confiou então a guarda do castelo a "30 povoadores" e concedeu-lhes privilégios através de carta de Foral, outorgada pelo rei em 1154, incrementado o povoamento do interior do castelo; séc. 12, 2ª metade - a capela de São Pedro torna-se sede da freguesia; séc. 12 / 13 - D. Sancho I reformou o castelo; obras na capela, sendo executados os capitéis; 1375 - D. Fernando I, por conselho de João Annes de Almada, Vedor da Fazenda, reedificou-o; 1383 - ainda estava bem fortificado, sendo seu governador D. Henrique Manuel de Vilhena; progressivamente vai perdendo importância militar; séc. 14 / 15 - a instalação na zona da vila velha de Sintra, levou ao lento abandono do castelo; séc. 15, meados - a capela ainda mantinha culto, conforme depreendemos pelos frescos da capela-mor alusivos ao orago e pela aquisição de imagem em pedra de ançã (actualmente na igreja de São Pedro, na vila de S. Pedro); 1493 - a capela estava já abandonada, com as portas arrombadas e a ser constantemente profanada pelos judeus, ao que parece, os únicos habitantes no sítio do castelo; séc. 16 - transferência da paróquia de São Pedro para a nova igreja edificada no termo da vila; com a expulsão dos judeus por D. Manuel, o castelo foi despovoado completamente; 1755 - terramoto afecta bastante a capela e prejudica o castelo; 1768 - a Capela é descrita por Francisco de Almeida Jordão como tendo a nave descoberta, "a porta principal fica a poente, e da banda do Sul tem outra porta pequena, e uma janella fronteira (...) Alem da imagem pintada no altar-mor, havia outra de pedra que, ainda existe na ermida de Santa Eufemia, para onde a levaram" (pp. 9-10); 1830 - litografia de Burnett imortaliza a zona da capela; 1838 - as suas torres estavam em ruína; 1840 - escritura de aforamento de D. Fernando II tomando a seu cargo a conservação e melhoria do castelo, para a qual pagaria de foro 240 reis anuais; consolidou-lhe as muralhas, arborizou-o, abriu percursos de acesso, criou recantos de contemplação; procedeu a obras de conservação na capela, visíveis sobretudo na parede S. e respectiva entrada, fachada O. e ábside; junto ao flanco S. da capela fez monumento destinado a recolher ossadas que fossem encontradas e plantou uma árvore no centro da nave; a reforma do recinto foi orientada pelo Barão von Eschewege; séc. 19, finais - o administrador dos Serviços Florestais, Carlos de Nogueira, manda proceder a várias obras no castelo e capela, em cuja ábside foi colocada uma porta de madeira, adaptando-a a estábulo; 1979 - escavações arqueológicas na capela de São Pedro pelos serviços culturais da CMS *2; 1996 - Despacho do Ministro da Cultura, de 26 Junho, determinando a Zona Especial de Protecção do imóvel; 1997, 22 julho - publicação da Zona Especial de Proteção pela Portaria n.º 523/97, DR, 1.ª série-B, n.º 167.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Calcário com aparelho "mixtum vittatum", calcário azul de Sintra nos colunelos da capela e frescos na capela-mor.

Bibliografia

CUNHA, António A.R. da, Cintra pituresca ou memória discritiva da villa de Cintra, Collares e seus arredores, Lisboa, 1838; CASTRO E SOUSA, A. D., Investigação ao Castelo, situado na Serra de Sintra, Lisboa, 1843; JORDÃO, Francisco de Almeida, Relação do Castello e Serra de Cintra e do que ha que ver em toda ella, 2.ª ed., Coimbra, 1874; LEITE DE VASCONCELOS, J., Museu Ethnologico Português in O Archeologo Português, vol. 3, nº 9 - II, Lisboa, 1897; JUROMENHA, Visconde de, Cintra Pitoresca ou Memoria Descritiva da Vila de Colares e seus Arredores, Lisboa, 1905; PEREIRA, Alves, Arquivo do Concelho de Sintra, Sintra, 1951; SOUSA, Tude e, Mosteiro, Palácio e Parque da Pena na Serra de Sintra, Lisboa, 1951; FONTES, Joaquim, Exposição de Arte Sacra do Concelho de Sintra, Sintra, 1955; CAMPOS, J.A. Correia de, A arqueologia árabe no país e o II Congresso Nacional de Arqueologoa, Lisboa, 1972; COSTA, Francisco, O Foral de Sintra de 1154, Sintra, 1976; SERRÃO, Vitor, Um ignorado templo pré-Românico: A Capela de S. Pedro do Castelo dos Mouros in Jornal de Sintra, Ano 47, n.º 2382, 18 Abr. 1980, p. 1, 2, 6; nº 2383, 28 Abr. 1980, p. 1; n.º 2384, 2 Maio 1980, p. 1; REAL, Manuel Luís, Perspectivas da Flora românica da "escola" Lisbonense. A propósito dos dois capitéis desconhecidos de Sintra, no Museu do Carmo, in Separata Sintria, I-II, Sintra, 1982; GIL, Júlio, Os mais Belos Castelos e Fortalezas de Portugal, Lisboa, 1986; SALDANHA, António Nuno, A Capela de S. Pedro de Canaferrim, em Sintra in AEDIFICIORUM, Ano 1, 1 Jul. 1988, p. 35 - 39; RIBEIRO, José Cardim (coord.), Sintra. Património da Humanidade, s.l., 1996.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; DGA/TT: Memórias Paroquiais, tomo XI, p. 2541

Intervenção Realizada

DGEMN: 1939 - reconstrução das muralhas de alvenaria argamassada; restauração completa da porta lateral da capela; 1954 - desmonte de algumas rochas situadas no Parque das Merendas, encostado no Castelo; 1965 - colocação de posto de transformação para iluminação festiva; 1986 - obras de beneficiação; durante o Verão é frequente grupos de escuteiros consolidarem muralhas e procederem à sua limpeza, por vezes apoiados pela CMS, com recurso frequente ao cimento para consolidação das muralhas; Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A.: 2001- intervenções várias, limpeza e desmatação; colocação numa das muralhas, de uma caixa eléctrica.

Observações

*1 - Zona Especial de Proteção conjunta da Igreja de Santa Maria e Castelo dos Mouros. *1 - os capitéis da fachada principal da Capela, com decoração fitomórfica, encontram-se recolhidos no Museu do Carmo. *2 - as escavações na capela revelaram, à sua volta, a existência de uma necrópole medieval, remontando as sepulturas, até agora escavadas, aos finais do séc. 12, inícios do séc. 13.

Autor e Data

Paula Noé 1991 / Pereira de Lima 2005

Actualização

Luisa Cortesão 1998
 
 
 
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