Castelo de Bragança / Castelo e cerca urbana de Bragança

IPA.00005158
Portugal, Bragança, Bragança, União das freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo
 
Arquitetura militar, medieval. Castelo gótico com barbacã, e cerca da vila, no interior da qual se desenvolvem os primeiros, construídos em alvenaria de xisto, com elementos estruturais da torre de menagem e vãos em cantaria de granito, parcialmente reconstruídos no séc. 20, segundo vestígios e elementos existentes. O castelo tem planta trapezoidal, composta por quatro alas desenvolvidas à volta de pátio central, uma delas já desaparecida, com torres nos ângulos e com a torre de menagem na face exterior da ala virada à vila, envolvido por barbacã com possantes cubelos semicirculares, formando quase tambores. A barbacã possui largo adarve protegido por parapeito ameado, com ameias de corpo largo, acedido por escadas estruturadas na espessura dos muros e é rasgada por troneiras, algumas cruzetadas, formando amplos nichos para o interior, onde os cubelos são cobertos por abobadilhas de tijolo. Do castelo, destaca-se a torre de menagem, larga e alta, por conciliar zona residencial, rematada em parapeito ameado, com ameias de corpo largo, integrando troneiras cruzetadas e balcão com mata-cães para bater a porta de entrada. Esta situa-se em plano elevado, em arco apontado biselado, abrindo-se nesta e nas outras fachadas seteiras e vãos apontados biselados, sendo dois do último piso maiores e mainelados. No interior, possui espaço retangular à volta da qual se desenvolvem as escadas de cantaria de ligação às salas, com tetos de madeira, e vãos em arcos apontados biselados, possuindo abaixo do piso da entrada cisterna quadrangular e sala em L., coberta por abóbada. Do castelo e respetivo paço do alcaide, subsistem dois cubelos, um quadrangular e outro já ultra-semicircular, interligados por muralha com janela em arco; uma torre quadrangular, com seteiras, janelas retilíneas e várias portas, que eram acedidas diretamente pela demolida ala E. do paço, a qual tinha arcada, desenhada por Duarte de Armas e cujo arranque ainda é visível; e um postigo. A cerca da vila tem planta circular irregular, adaptada à morfologia do terreno, composta por muralhas reforçadas por 15 torres ou cubelos, de diferentes formas e normalmente mais altas que as muralhas, de paramentos aprumados, rematados em parapeito ameado, com ameias prismáticas de remate piramidal, de corpo largo. Interiormente a muralha é circundada por adarve largo acedido por escadas estruturadas na espessura da muralha. Possui duas portas, em arco de volta perfeita, entre cubelos prismáticos, interligadas pela via estruturante da urbe, sendo a porta principal flanqueada por dois cubelos prismáticos e reforçada por barbacã, ambos representados nos desenhos de Duarte de Armas. A cerca integra ainda a SO. uma couraça para proteger uma fonte de abastecimento de água, o poço do rei, e, quase a O., uma alta torre com faces exteriores de secção semicircular ao centro. Castelo e cerca da vila medieval com reforma significativa no séc. 14 e 15, nomeadamente durante o reinado de D. João I, cujas armas figuram na face da torre de menagem virada à vila. Atualmente o castelo e a sua respetiva barbacã formam um elemento único, dado o desaparecimento de uma das alas do castelo, não existindo vestígios do antigo fosso envolvente, cujo alteamento do terreno leva às troneiras dos cubelos da barbacã surgirem ao nível do pavimento. Alguns cubelos foram reconstruídos na década de 1960, segundo os elementos encontrados, aquando da demolição do quartel ali existente. Destaca-se a torre de menagem, bastante evoluída, com sapata, cunhais e alguns vãos interiores siglados, e rematada em parapeito que nos cunhais é curvo e se desenvolve sobre longas e invulgares mísulas retilíneas maciças. Em termos de vãos, concilia seteiras com outros mais elaborados, sobretudo dois do último piso, de dois lumes trilobados, com espelho e pano de peitoril vazado por motivos quadrilobados. No interior, as paredes da caixa das escadas possuem vãos rasgados em diferentes níveis, alguns entrecortados pelas atuais escadas e algumas salas têm vãos desprovidos de função, devido ao desaparecimento de pisos intermédios, ou à alteração da comunicação horizontal entre si, como acontece nas salas ao nível da entrada, onde vãos, em arco de volta perfeita, foram parcialmente entaipados. Estes factos, bem como as salas do terceiro piso comunicarem por vãos retilíneos, revelam alterações sucessivas na organização espacial interior e alteração da própria estrutura da escada, ainda que pela planta de Duarte de Armas seja visível o seu desenvolvimento no centro da torre. Abaixo do pavimento de entrada, mas ao nível do pavimento exterior, possui sala em L de função inicial desconhecida, coberta por abóbada de ogivas sobre pilares, acedida por escada de caracol, inferiormente com caixa avançada e com portal. No ângulo do L, dispõe-se uma cisterna, rasgada na rocha viva, alimentada pelas águas pluviais por meio de condutas cilíndricas, ainda visíveis ao longo da caixa das escadas e a circundá-la no topo. Esta localização da cisterna é pouco comum, visto que normalmente surgiam em plano soterrado, e terá impedido os trabalhos de sapata pelos espanhóis, em maio de 1762, que se queixaram de sair água do seu alicerce. A atual plataforma disposta a N. da torre de menagem estará bastante diferente da estrutura inicial, visto já não integrar a torre no ângulo SE. e a do lado SO. ter sido transformada em cubelo, ter sido desbastada a E. nas obras da década de 1960, e a própria ponte de ligação à torre e o balcão frontal datar de 1933. O postigo do castelo e a porta da liça, cujos vestígios foram descobertos em 1964, encontram-se documentados nos desenhos de Duarte de Armas. A cerca da vila, terá sido reforçada no último quartel do séc. 14 / séc. 15, período em que se devem ter adaptado à forma pentagonal os dois cubelos que flanqueiam a porta de Santo António, e construídos os reforços semicirculares da torre do relógio, todos representados por Duarte de Armas, por volta de 1510. A torre do relógio foi totalmente reconstruída entre 1946 e 1956, por ameaçar ruína. Apesar da cerca só possuir atualmente duas portas, segundo as Memórias Paroquiais de 1758, ela teria seis, ou seja, tinha três principais, uma para E., onde estava o Corpo de Guarda, e duas para O., e outras três menos importantes, uma para N. e duas para S., não existindo qualquer vestígios das viradas a S.. No contexto da Guerra Peninsular, do séc. 17, várias torres e cubelos da cerca foram adaptadas à artilharia, tendo sido cortadas em termos de altura e as duas dispostas a NO. prolongadas com plataformas em talude para a face interna. O troço NE. e E. da cerca foram os que sofreram maior reconstrução na década de 60, porque também eram os que estavam mais danificados e alterados. Isto, não não só devido à ruína causada no setor pelos espanhóis por volta de 1763, conforme assinalado na planta de Gioze Maria Cavagna, como também à construção a NE., no final da centúria, dos quartéis de infantaria. A cerca da vila era envolvida por uma barbacã completa, conforme documentada por Duarte de Armas, mas de que subsiste apenas um troço em frente da porta de Santo António, e nesta zona, era ainda reforçada por uma barbacã da porta.
Número IPA Antigo: PT010402420003
 
Registo visualizado 4782 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Fortificação composta por quatro núcleos articulados: o castelo, a barbacã que o envolve em três faces, ambos desenvolvidos para o interior da vila, formando atualmente um conjunto uniforme, a cerca da vila, integrando o castelo no circuito da face N., e um troço da barcacã completa que a envolvia, atualmente subsistente apenas a O.. CASTELO de planta trapezoidal composta por ampla torre de menagem quadrangular, disposta no topo S., plataforma retangular larga, colocada a N. da mesma, comunicando entre si por meio de ponte, torre quadrangular no ângulo NO. da mesma, a partir da qual se desenvolve perpendicularmente a O. pano de muralha (o do lado E. já não existe), fechado a N. por muralha de perfil curvo, com duas torres, que se liga à barbacã. A barbacã tem sete possantes cubelos semicirculares, formando quase tambores, mais altos que as muralhas, com paramentos aprumados rematados em parapeito ameado, com ameias prismáticas de corpo largo, em alvenaria mista de tijolo e xisto, de remate piramidal, rasgadas por seteiras a abrir para o interior, em ritmo alternado nos cubelos. Interliga-se à muralha da cerca e do castelo por dois falsos cubelos, o de NO. semicircular e o de NE. quadrangular, mais altos que a muralha, cobertos em terraço e acedidos por escada; o de NE. é rasgado por troneira com nicho a abrir para o interior. Interiormente a barbacã é circundada por adarve largo, alteado sobre os cubelos, cobertos por terraço, acedido por escadas, protegido na face interna por parapeito liso; o adarve é acedido por escadas, com guardas em ferro, formando L no ângulo NE.. Na face interna a barbacã possui a muralha rasgada por troneiras, com molduras em cantaria de granito, formando amplos nichos para o interior, em arco de volta perfeita e arquivolta de tijolo, surgindo três no ângulo NO., duas no ângulo NE. e uma nos restantes panos de muralha. Os cubelos semicirculares, com pavimento de lajes ou cascalho e cobertura em abobadilha de tijolo, são rasgados por três troneiras, algumas cruzetadas, formando amplos nichos para o interior, também em arco de volta perfeita e aduelas de tijolo. A E., entre dois cubelos, rasga-se portal, em arco de volta perfeita e aduelas de cantaria, sobre os pés direitos, em alvenaria de xisto, de acesso à liça, estreita, e ao castelo. Torre de menagem com paramentos aprumados, com sapata e cunhais em cantaria de granito siglada, possuindo o terço superior percorrido por cornija saliente; apresenta remate em parapeito de cantaria ameado, com ameias prismáticas de corpo largo inferiormente rasgadas por troneiras cruzetadas; nos ângulos o parapeito é circular, alteado e surge sobre elementos prismáticos longilíneos, assentes em mísulas escalonadas; sob o parapeito surge, em cada uma das faces, duas gárgulas. Em termos de fenestração, a torre possui três registos, um ao nível da entrada, sobrelevada, e dois sobre a cornija que a percorre. No primeiro registo rasga-se a N. e a S. portal em arco apontado, com aduelas de granito sobre os pés direitos, biselado, o primeiro constituindo o acesso ao interior e tendo o segundo encimado por moldura retangular com brasão, e a E. e a O. dois vãos em arco apontado, biselado. No segundo registo, abrem-se, em cada uma das fachadas, duas seteiras. No terceiro abrem-se a N. dois vãos biselados em arco apontado, com guarda em ferro, existindo ao nível do parapeito balcão retangular assente em quatro mísulas de perfis lobulados, com troneira e mata-cães; na fachada O. os vãos são iguais mas ladeiam uma pequena janela com a mesma modinatura, e nas fachadas E. e S. rasga-se um vão biselado em arco apontado e janela em arco apontado, de duas arquivoltas e cornija exterior, com dois lumes de arco trilobado, espelho vazado e peitoril vazado por óculos quadrilobados. A plataforma disposta em frente da torre de menagem possui os paramentos a E. em talude e os restantes aprumados, rematados em parapeito liso, sendo rasgada inferiormente por portal central em arco apontado, com aduelas de alvenaria de xisto; é encimado por balcão longo, descentrado, assente em mísulas de perfis lobulados, que avança também para a face interna da plataforma, ladeando a ponte de acesso à torre de menagem, a qual tem parapeito liso, e assenta sobre arco apontado. A plataforma tem acesso por escada adossada, com guarda em ferro, dispondo-se no ângulo desta com a muralha, cubelo quadrangular, rematado em parapeito ameado, com ameias prismáticas de remate piramidal, tendo portal em arco apontado para o terraço, precedido por escadas. Atrás da plataforma, ao nível do pavimento, entre o cubelo e a torre de menagem, existe pano de muro em cantaria, com portal em arco apontado biselado, que aí estabelecia a ligação entre o castelo e a liça. A O. e a N. do cubelo desenvolvem-se panos de muralha, em L, com o mesmo tipo de remate, percorridos por adarve; o virado a O. conserva ao centro e num plano superior antiga janela do paço dos alcaides, em arco de volta perfeita, com aduelas largas de cantaria, tendo na face interna uma conversadeira. A muralha virada a N. integra duas torres: um cubelo ultra-semicircular no ângulo NO., de paredes aprumadas e com o mesmo tipo de remate, acedido por vão longilíneo, em arco de volta perfeita e aduelas de xisto, com escadas que conduzem ao terraço; à frente deste existem escadas até ao pátio central, com guarda em ferro; a outra, quase no seu limite NE., denominada da princesa, é prismática, de maiores dimensões e mais alta, com cobertura em telhado de quatro águas, integrando lateralmente chaminé em tijolo de burro. As fachadas são rematadas em beirada tripla, rasgando-se na virada a S. uma fresta e cinco portais, de verga reta em granito, ou abatida e em tijolo de burro, e, no último piso, também uma janela quadrangular, com molduras simples de cantaria, e gradeada. Nas fachadas E. e O. abre-se no último piso janela retangular moldurada e gradeada, a do lado E. sobre três seteiras, e na virada a N. rasgam-se quatro vãos sobrepostos, sendo os primeiros duas frestas largas e os últimos duas janelas retangulares gradeadas. Atualmente acede-se ao interior apenas ao nível do piso térreo, ocupado com instalações sanitárias, não existindo comunicação com os pisos superiores, os quais eram acedidos a S. diretamente pela ala transversal do paço dos alcaides, entretanto demolido; sobre o portal do segundo registo ainda se conserva mísula de cantaria e arranque do arco que corria essa ala virada ao pátio. Essa ala, que fechava o circuito do castelo, já não existe, mas é notório o grande desnível entre o pátio e a liça, protegido por guarda de ferro. Na muralha virada a N., entre o cubelo ultra-semicircular e a torre da princesa abre-se postigo em arco quebrado com aduelas de xisto, acedido por escadas rebaixadas a partir do pátio, atualmente com a cota do pavimento muito elevada. Também a N., mas no espaço da liça, abre-se a porta falsa da barbacã do castelo, assinalada no desenho de Duarte de Armas e reaberta nos restauros do séc. 20, em arco de volta perfeita, com aduelas em cantaria de granito, embebidas nos muros laterais que avançam sensivelmente. INTERIOR DA TORRE DE MENAGEM com quatro pisos, mais um abaixo do nível de entrada, com os paramentos em alvenaria de xisto argamassada aparente e vãos em arco apontado biselados sobre os pés direitos, alguns siglados. O portal N., que cria abóbada de berço, protegida por guarda-vento de madeira envidraçada, acede a espaço retangular irregular, à volta do qual se desenvolvem as escadas de ligação às várias dependências, com guarda plena de cantaria, coberto por ampla claraboia, com estrutura em ferro e vidro martelado e aramado. As paredes da caixa das escadas e as de algumas salas possuem vãos, rasgados a diferentes níveis, atualmente desprovidos de função, os virados à escada por vezes entrecortados, revelando alterações em todo o seu interior. No piso de entrada, desenvolvem-se duas salas do lado direito, duas frontais e, numa cota um pouco mais elevada, duas do lado esquerdo, as laterais com vãos para o exterior e as frontais com um só vão a meio, formando nichos interiores, junto aos quais existiam de ângulo portas interligando as salas, com arcos de volta perfeita, atualmente fechados inferiormente e sem função. As salas do lado direito possuem ainda duplo pé direito, com mísula intermédia, revelando antigo piso intermédio, para onde davam vãos em arco apontado biselado, hoje sem função. O piso inferior tem acesso pela primeira sala à direita da entrada, com portal de verga reta sobre impostas, onde existem escadas de caracol para a chamada "cripta", de planta em L, com pavimento em cantaria, paredes caiadas e cobertura em abóbada de ogivas ou cruzaria de ogivas, no ângulo, sobre pilares com chanfro. A caixa destas escadas avança inferiormente no espaço, ao nível da cripta, onde tem portal de verga reta sobre chanfro. À esquerda, num plano superior, portal de arco apontado com aduela decorada por dois querubins, liga a sala que tem no pavimento a boca da cisterna, quadrangular, disposta a NE. da torre, interiormente em rocha viva. A cisterna era alimentada pelas águas fluviais, por meio de condutas, sendo visível uma ao longo do ângulo SO. da caixa das escadas e a circundá-la no topo. As salas do segundo piso não têm iluminação direta do exterior e as do terceiro comunicam entre si por vãos de verga reta assentes nos pés direitos; o balcão das escadas ao nível deste piso, assenta sobre arcos, rebocados e pintados de branco. O último piso é circundado por balcão avançado, com guarda de cantaria, assente em mísulas de perfis lobulados; as salas são cobertas por abóbadas de berço em betão, seccionadas por arcos diafragmas; a sala disposta a E., no topo das escadas, apresenta amplo portal apontado biselado e a sala maior disposta a O. tem escada de acesso ao terraço, pavimentado a lajes de cantaria. CERCA DA VILA de planta circular irregular, adaptada à morfologia do terreno, composta por muralhas aprumadas, com cerca de 2 m. de largura, rematadas em parapeito ameado, com ameias prismáticas de remate piramidal, de corpo largo. Algumas das ameias são rasgadas por seteiras retangulares mas, predominantemente, estas surgem sob as ameias ou sob as abertas, que são simples. Interiormente a muralha é circundada por adarve largo, protegido na face interna de grande parte do seu perímetro por parapeito baixo, acedido por escadas estruturadas na espessura da muralha. A cerca é reforçada por 15 torres ou cubelos, de diferentes formas, igualmente de paramentos aprumados e, predominantemente, rematadas acima do nível das muralhas por parapeito ameado, com as mesmas características, possuindo coberturas em terraço. A porta principal, a de Santo António, abre-se a O., numa re-entrância da muralha, com arco quebrado e aduelas de granito, assente nos pés direitos, embebidos na estrutura dos dois falsos cubelos retangulares e pouco salientes, que a flanqueiam. Na face interna, a arquivolta é encimada por mísula com imagem de Santo António, protegida por maquineta de acrílico, e o intradorso da porta forma abóbada de berço. A porta é ladeada por dois cubelos pentagonais, de diferentes dimensões, sendo o do lado N. maior. A partir do cubelo S. e avançando deste, desenvolve-se para N. barbaça, de paramentos aprumados, rematados por ameias iguais às da cerca, circundada interiormente por adarve largo, protegido por parapeito baixo e acedido por escadas estruturadas na espessura da muralha. A barbacã possui porta em arco quebrado, com aduelas de xisto assente nos pés direitos, rasgada desalinhadamente da porta de Santo António. Para NO. seguem-se dois cubelos prismáticos, com a mesma altura da muralha, formando plataformas retangulares amplas, avançadas para a face interna, onde formam talude e têm parapeito liso. No pano de muralha que se segue, entre este cubelo e o do castelo, abre-se postigo em arco apontado, em alvenaria de xisto. Depois do castelo, existem a NE. dois cubelos prismáticos, um deles maior. A E. abre-se a porta do sol, em arco de volta perfeita e aduelas de granito, assente nos pés direitos, embebidos na estrutura dos dois cubelos prismáticos que a flanqueiam, formando no intradorso abóbada de berço. Depois das portas, seguem-se três cubelos, prismáticas de diferentes dimensões, a primeira da mesma altura das muralhas, correndo ao longo da mesma falsa berma. A SO. dispõe-se uma couraça, exteriormente com dois níveis volumetricamente escalonados e fazendo ligeira curva num dos lados, correspondendo interiormente a duas secções, separadas por pano de muralha com vão em arco apontado, criando passadiço central, desenvolvido ao nível do adarve que contorna todo o perímetro, protegido apenas num dos lados por parapeito ameado. O espaço da primeira secção, apresenta pavimento em declive e é subdividido por muro, baixo, com vão, na sequência do qual se desenvolvem escadas para a segunda secção; esta tem cota bastante inferior, com pavimento em terra, no meio da qual existe espaço retangular, delimitado por murete, com escadas em L de acesso ao poço do rei. O acesso à torre é feito por vão em arco apontado, rebaixado ao pavimento da estrada de armas, protegido por grade. Os panos de muralha que enquadram a torre da couraça apresentam duas zonas de "cozedura" salientes. Na zona de quebra de direção da cerca, quase a O. dispõe-se a antiga torre da Câmara, denominada torre do relógio, que se destaca pela grande altura e por ter as três faces viradas ao exterior da cerca com secção central semicircular. Na face interna rasga-se portal descentrado em arco de volta perfeita, com aduelas de xisto, sobre os pés direitos, protegida por portão em ferro, que conduz ao terraço, e, no lado oposto, vão com a mesma modinatura.

Acessos

Rua do Santo Condestável, Rua da Rainha. VWGS84 (graus decimais): lat.: 41, 837108; long.: -6,590265

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano, isolado, no cimo de um outeiro sobranceiro ao rio Fervença, denominado de Nossa Senhora do Sardão, com cerca de 700 m de altitude, constituindo o limite E. do Núcleo Urbano da cidade de Bragança (v. PT010402420296). No interior da cerca urbana, desenvolve-se o aglomerado de fundação medieval, estruturado pela Rua Fernão o Bravo, com orientação E. / O., estabelecendo a comunicação entre as duas portas da muralha, a Porta do Sol e a Porta da Vila ou de Santo António, a qual dá acesso ao antigo arrabalde e ao rio. Sensivelmente a meio desta via, implanta-se a S. a Igreja Matriz de Bragança / Colegiada de Santa Maria / Igreja de Santa Maria (v. PT010402420259) e os antigos Paços Municipais de Bragança / Domus Municipalis (v. PT010402420004); a N. desenvolve-se a Praça de Santiago, para onde se transferiu em 1860 o Pelourinho de Bragança (v. PT010402420005). O espaço a E., entre as portas da barcacã do castelo e as portas do Sol, constitui amplo terreiro, formado pela demolição dos antigos quartéis. No exterior da cerca, desenvolve-se a O. plataforma ajardinada, com vários canteiros e bancos de pedra, adossando-se ao troço da barbacã corpo com instalações sanitárias, encimado por escada, dando acesso a plataforma superior. A S. da porta da barbacã, implanta-se estátua de D. Fernando II, em bronze. À face interna NO. da cerca, adossam-se várias casas.

Descrição Complementar

A estátua em bronze de D. Fernando II possui na base a inscrição "F. DE BRONZES DE ARTE DE JOSÉ DE C. GUEDES LDA. V. N. DE GAIA" e o plinto, em cantaria de granito, sobre a qual ela surge, a inscrição: D. FERNANDO 2º DUQUE DE BRAGANÇA NO V CENTENÁRIO DA CIDADE 1404 - 1964". O brasão da fachada S. da torre de menagem tem escudo peninsular, com as armas de D. João I: escudo real: [de prata]; cinco escudetes [de azul] postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes em cruz [de prata]; bordadura [de vermelho] carregada de oito castelos [de oiro]; sotaposta tem a cruz de Aviz e é encimado por cora real aberta. Na plataforma em talude fronteira à torre de menagem surgem afixadas várias lápide de xisto alusivas aos mortos na Grande Guerra pertencentes ao Regimento de Infantaria nº 10, ao regimento de Infantaria nº 30, bem como lápides alusivas aos militares do distrito de Bragança falecidos no Ultramar. Num cubelo da barbacã encontra-se exposto brasão composto por escudo francês esquartelado: tem no primeiro quartel as armas da família Sepúlveda: [de vermelho], com uma oliveira [de verde], perfilada [de ouro], arrancada [de prata], sustida por dois leões [de ouro] afrontados e suas estrelas de oito raios [de prata], postas nos cantões do chefe; no segundo quartel surgem as armas da família Correia: [de ouro], fretado [de vermelho] de seis peças; no terceiro quartel tem as armas dos Castros bastardos: [de prata], com seis arruelas [de azul], 2, 3 e 2; no ultimo quartel tem as armas da família Sá: xadrezado de prate e de azul, de cinco peças em faixa e seis em pala. É encimado por um coronel de visconde.

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu / Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCNorte, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 13 / 14 / 15 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ALVENEIRO: Luís Rodrigues Calvelhe (1829). ARQUITETO: Baltazar de Castro (séc. 20). CANTEIRO: Martinho da Veiga (1690). CARPINTEIRO: Marcelino Gomes (1829). ENGENHEIRO: José Morais Antas Machado (1791). EMPREITEIROS: António Oliveira dos Santos & Irmãos, Ldª (1981); Ferreira dos Santos & Rodrigues, Ldª (1964-1965); Francisco Ferreira da Silva (1935-1936, 1946); José Moreira & Filhos, Ldª (1981-1984); Manuel Domingues Chaves (1961, 1963-1965, 1967-1968); Manuel Ferreira Morango (1937-1939); Oliveira Ferreira & Valente, Ldª (1980); Ricardo Pereira de Barros, Ldª (1980-1981); Saúl de Oliveira Esteves (1941-1948, 1951, 1955, 1965). EMPRESA DE ELETRICIDADE: Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª (1965); Francisco Luís (1964, 1967); Francisco Luís Pais & Fernandes, Ldª (1977, 1979). FUNDIDOR: José de C. Guedes Lda. (1964).

Cronologia

1187, 4 maio - documento de escambo entre D. Sancho I e os monges de Castro Avelãs relativo à troca das vilas de S. Julião, Argoselo e Pinelo pela herdade de Benquerença; no documento refere-se "benequerencia quod vant Civitate Bragancia" como herança deixada ao mosteiro por D. Sancha, mulher de Fernão Mendes, o Braganção, e irmã de D. Afonso Henriques, podendo indicar referência a anterior povoamento no local ou proximidades (Trindade, 2009: 299); 1 junho - foral de D. Sancho I, que manda povoar de novo e erguer o castelo no lugar de Benquerença, dando isenções e privilégios aos moradores; 1188 - D. Sancho I deixa verba em testamento para a construção das muralhas de Bragança, obra que durou várias décadas; 1219 - confirmação do foral por Afonso II; 1253, 20 maio - confirmação de foral por D. Afonso III; 1258 - Inquirições de Afonso III referem a existência na vila de quatro paróquias: Santa Maria e Santiago intramuros e São João e São Vicente no arrabalde; as terças das igrejas de Santa Maria de Bragança e de Grijó são para a construção das muralhas de Bragança; 1261 a 1325, entre - a pedido dos procuradores de Bragança, D. Dinis contribui para a reconstrução das muralhas dado se encontrarem derrubadas; séc. 13, inícios - construção de cisterna intramuros; séc. 14, 2.ª metade - na sequência da guerra entre Henrique I de Castela e D. Fernando, a povoação foi tomada pelos castelhanos até ao Tratado de Alcoutim (1371); 1383 a 1385, entre - era alcaide João Afonso Pimentel, casado com Joana Teles, irmã da rainha D. Leonor Teles, e que recebera a povoação como dote, o qual mudou várias vezes no apoio à causa castelhana ou à do Mestre de Avis; séc. 14, último quartel - reforço defensivo do castelo, nomeadamente das torres ladeando a porta principal, pentagonais, da "torre do relógio", com reforços laterais semicirculares, e dos cubelos semicirculares da barbacã do castelo, só documentadas em planta por Duarte de Armas; séc. 14, finais - provável construção de uma 2.ª linha de muralhas, com estruturas associadas às duas igrejas paroquiais extramuros, a qual poderá ter ficado incompleta, mas cujo traçado é evidente na morfologia do espaço urbano; 1401 - origem da Casa de Bragança, pelo casamento de D. Afonso, conde de Barcelos e I Duque de Bragança, com D. Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira; 1409 - D. João I inicia os trabalhos de consolidação das muralhas e construção de torres, obras que duraram quarenta anos; 1439 - os representantes de Bragança referem nas Cortes só haver 25 vizinhos intramuros e apontam o mau estado dos muros; 1449, 28 junho - doação do castelo por D. Afonso V ao I Duque de Bragança; 1464, 20 fevereiro - elevação de Bragança a cidade, devido ao facto de ser nomeada como tal em documentos mais antigos; séc. 15 - abandono da 2ª linha de muralhas; 1510, cerca - desenhos de Bragança por Duarte de Armas *1; 1514, 11 novembro - foral novo dado por D. Manuel I; 1538 - demarcação da cidade de Bragança; 1580, 29 março - provisão do Duque de Bragança para que o dinheiro da finta de 300$000 lançada para se fazer a ponte de "Muimenta", fosse aplicado na reparação dos muros e coisas necessárias para a defesa da cidade; 1638 - queda da antiga torre sobre o corpo da igreja de São Vicente; 1640 - depois da aclamação de D. João IV, nomeia-se governador de Trás-os-Montes o sargento-mor de Viana, Martim Velho da Fonseca, que logo tratou "da defesa dos lugares mais importantes" da Província, levantando trincheiras, nomeando capitães e dando-lhe guarnições; 1641, fevereiro - nomeação de Rodrigo de Figueiredo como governador da Província, o qual continuou a obra das trincheiras ou estacada; a sua construção, em materiais perecíveis (terra, madeira e alvenarias pobres), com portas, obrigou a algumas demolições; 1650, anterior - data de uma primeira carta, anónima e sem data, representando a cidade de Bragança *2; 1653, outubro - deputados de Bragança pedem à coroa o financiamento da fortificação, argumentando que a praça estava "aberta só com huas trincheiras que os moradores fizerão"; o monarca compromete-se a escrever ao governador das armas para se tratar da fortificação o mais breve possível; possivelmente só depois desta data se procede à reconstrução e adaptação das muralhas da cidadela à artilharia, cortando algumas torres medievais, envolvendo o tecido urbano por uma nova cintura de muralhas e se construiu um novo forte; o perímetro defensivo partia do exterior S. da cidadela, contornava toda a cidade e ligava-se novamente às muralhas do primeiro recinto fortificado, nas proximidades da porta da vila; a obra exigiu a demolição de algumas casas, da capela de São Sebastião, corte das cercas e demolição dos dormitórios dos mosteiro de São Bento e do de Santa Clara; 1690 - a câmara municipal manda colocar relógio na torre do castelo; 17 agosto - arrematação da obra pelo canteiro Martinho da Veiga, por 100$000; 1706 - Carvalho da Costa refere que o castelo "em Lugar de muralhas que não tem, a rodea huma estacada, que a defende"; 1710 - ocupação parcial da cidade durante um breve período por tropas espanholas; 1715 - rei compensa financeiramente o mosteiro de São Bento pelos prejuízos causados pela construção de trincheiras na cerca do mosteiro; 1719, 30 janeiro - o visitador proíbe as religiosas do mosteiro de Santa Clara de, estando na cerca, subirem e passarem pela "banqueta da estacada"; 1721, cerca - José Cardoso Borges na "Descripsão topographica da Cidade de Bragança" refere que a cidadela tem a forma circular com muros levantados, fortalecidos por dezoito torres, que algumas se cortaram para exercício da artilharia de melhor calibre, sendo cingida por uma barbacã e esta por uma estacada; 1727 - exposição do alcaide-mor Lázaro Jorge de Figueiredo Sarmento ao rei sobre os sucessivos esquecimentos da Casa de Bragança em pagar as obras no castelo e ele não ter fundos ou disposição de fazer mais adiamentos, até porque à sua custa já tinha contribuído para a reparação de várias ruínas, tal como o fizera seu pai, nelas gastando mais de 600$000; a casa do castelo e da família encontrava-se com grande desconcerto devido aos ventos, que lhe causam continuas ruínas que carecem de reparos anuais; setembro - resposta de D. João V, como administrador do príncipe D. José, Duque de Bragança, mandando que os saldos positivos dos concelhos do termo da cidade fossem aplicados em obras públicas como a da casa do alcaide; 1728 - provisão régia relega as reparações do castelo e alcáçova para segundo plano, visto que os sobejos dos concelhos "tanto dos anos preteridos como de mais cinco futuros" tinham sido afetos para reparações no Mosteiro de Santa Clara; D. João V incumbiu o Ouvidor da Casa de Bragança a deslocar-se aos diferentes concelhos sob jurisdição da cidade e da Casa de Bragança impondo que, de acordo com os sobejos das respetivas rendas, respeitada a proporcionalidade, se recolhesse anualmente 100$000 para aplicar no castelo "até findarem os reparos que carecer"; 1736 - Caetano de Lima refere no castelo / cerca medieval a existência de dois redentes e falsa braga, "diante da qual, pela parte da cidade se acham atados cinco baluartes pequenos e sem fosso, por serem fabricados sobre rocha viva"; 1743 - D. João V ordena ao Provedor da comarca fazer arrematar em praça, pelo preço mais baixo, as reparações precisas nas casas do alcaide-mor; 1754 - referência a uma "Estacada com parapeito de terra" rodeando a cidade, mas não cumprindo os objetivos, por estar arruinada; "Planta da praça de Bragança cituada na província de Trás-os-Montes", de José Monteiro de Carvalho, com proposta de modificação das principais linhas de defesa da cidade *3; 1755, 1 novembro - o terramoto foi sentido na cidade mas não causou ruína; 1758 - descrição da fortificação nas Memórias Paroquiais da freguesia de São João Baptista *4; 1759, anterior - planta da cidade, anónima e sem data, mas anterior a esta data, provavelmente com objetivo de proceder a mudanças no projeto da nova fortificação da cidade *5; 1762, 16 maio - queda de Bragança; os espanhóis destroem as muralhas do castelo, tentam derrubar a torre de menagem, mas não conseguem por sair água do seu alicerce, e pregam dois pregos na boca da imagem de Santo António, existente nas portas da vila; 4 junho - os invasores montam o seu acampamento numa das saídas de Bragança; o Marquês de Cavallos substitui a administração portuguesa; ordem real determina o abandono da cidade e praça; elaboração de duas cartas da cidade durante a ocupação espanhola *6; 1763, cerca - data da planta de Bragança levantada por Gioze Maria Cavagna, dando conta dos estragos causados pelos castelhanos, nomeadamente a frente E. da cerca medieval; a cerca da cidade deve ter sido refeita e, em resultado do crescimento da urbe e das estratégias militares, o seu percurso relativamente modificado; 1781 - instalação no castelo, com "grande e dispendiozo concerto", de um Regimento de infantaria, levantando protestos do alcaide-mor; 1789, 25 março - o telhado da torre de menagem estava em ruína; 20 junho - rainha ordena que sem perda de tempo se acuda à ruína do telhado do castelo; 1791 - propõe-se o arrasamento da parte da muralha da cidadela para, no seu lugar, se construírem quartéis de infantaria, tendo esse edifício sido traçado pelo engenheiro José Morais Antas Machado; 1801 - Planta da cidade de Bragança e suas dependências levantada pelo capitão do Real Corpo de Engenheiros, Luís Gomes de Carvalho *7; 1813 - ainda existia o postigo do Colégio (Rodrigues, 1997: 31); 1816, 31 julho - precisava-se fazer na praça seis guaritas para as sentinelas, telhar e fazer pequenos consertos nas janelas e fechaduras nas portas, cuja despesa não excederia a quatro moedas; 1829 - governador de Bragança solicita mandar reparar o telhado do armazém existente no castelo; 1831 - o castelo estava desabitado e arruinado; resolução da câmara insiste na execução de uma medida, já afirmada no ano anterior, determinando que se fechassem as duas portas da casa do alcaide com pedra e cal; 1840 - planta de Bragança pelo Capitão Engenheiro Alexandre José Botelho de Vasconcellos e Sá *8; 1861, 23 setembro - circular do Ministro da Guerra sobre a situação das fortificações da Província; 1933 - descrição do eirado da torre como sendo aberto de tijolos assentes sobre sólidas abóbadas; 1936 - instalação do museu militar na torre de menagem; 1949 - derrocada de quase toda a face voltada a S.S.E. do prolongamento do eirado do castelo, prevendo-se que se encontrem seriamente afectadas as outras duas faces; 1960 - abandono do quartel da cidadela pelo Batalhão de Caçadores nº 3; solicita-se promover junto da Direção Geral da Fazenda Pública no sentido de não serem ocupadas as dependências a deixar livres pelo Quartel do Batalhão nº 6 na torre de menagem para se encarar a execução do plano de desafogo e restauro dos diversos elementos do castelo; interessava a torre de menagem e todo o recinto do aquartelamento, o qual será em grande parte demolido; trabalhou nas obras o arquiteto Baltazar de Castro; 1976 - aproveitamento indevido do antigo terreno do castelo, cobrindo-o por camada de betonilha para adaptação a campo de jogos das crianças e jovens da cidadela, com balizas fixas e divisórias de rede; 1979 - solicitação da torre de menagem para instalação do museu militar, na sequência da visita do Presidente da República à cidade, decidindo-se fazer obras de restauro da mesma; nesta data já se havia eliminado o campo de jogos indevidamente construído dentro do recinto da cerca e solicita-se construção de sanitários públicos; 1982 - afetação do imóvel ao Instituto Português do Património Cultural; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2008, 22 agosto - atribuição pela CMB da medalha Municipal de Mérito ao Museu Militar de Bragança, que neste dia comemora 25 anos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de xisto ou mista de xisto e tijolo; cunhais, sapata, parapeito ameado, balcão, guardas, pilares e molduras dos vãos da torre de menagem, torre da princesa e outras em cantaria de granito; placa de betão; pavimento em soalho, cerâmico, cantaria de granito e alvenaria de xisto; caixa das escadas da torre de menagem com estrutura de ferro e vidro martelado e aramado; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; grades e guardas em ferro; cobertura de telha ou terraço, em cantaria ou alvenaria de xisto.

Bibliografia

ALMEIDA, José António Ferreira de [coord.], Tesouros artísticos de Portugal, 3.ª ed., Lisboa, 1988; ALVES, Francisco Manuel, Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança, 11 vols, 2.ª ed., Bragança, 1981-1982; ARMAS, Duarte de, Livro das Fortalezas, Lisboa, 1990; AZEVEDO, José Correia de, Inventário artístico ilustrado de Portugal. Trás-os-Montes e Alto Douro, Algés, 1991; BARROCA, Mário Jorge, D. Dinis e a arquitectura militar portuguesa, in Revista da Faculdade de Letras. História, II série, tomo XV-1, Porto, 1998, pp. 801-822; BARROCA, Mário Jorge, O Gótico. História da Arte em Portugal, vol. II, Lisboa, 2002; Bragança - recuperação da Cidadela custa quase meio milhão, in Jornal de Notícias, 19 Março 2006; CAPELA, José Viriato, BORRALHEIRO, Rogério, MATOS, Henrique, As Freguesias do Distrito de Bragança nas Memórias Paroquiais de 1758. Memórias, História e Património, Braga, 2007; CARVALHO, Eduardo, O Castelo de Bragança, in Brigantia, vol. IV, n.º 4, Bragança, 1984; CASANOVA, Maria José, Bragança, cidade-fortaleza setuada no estremo de portugall e Castela, in Revista Monumentos, nº 32, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, dezembro 2011, pp. 24-41; CONCEIÇÃO, Margarida Tavares da, fortificação nordeste: a cartografia militar e a praça de Bragança (1640-1840), in Revista Monumentos, nº 32, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, dezembro 2011, pp. 60-73; CUNHA, Arlindo de Magalhães Ribeiro da [coord.], Caminhos portugueses de peregrinação a Santiago. Itinerários portugueses, s.l., 1999; DIAS, Pedro, A Arquitectura do ciclo Batalhino, in O Gótico. História da Arte em Portugal, vol. 4, Lisboa, 1986, pp. 64 - 109; COSTA, Sandra Silva, O orgulho medieval de Bragança, Fugas, in Público, Lisboa, 1 Setembro 2001; FELGUEIRAS JÚNIOR, Francisco, Roteiro e Escorço Histórico da Cidade de Bragança, in Amigos de Bragança, 2.ª série, n.º 7-8, Bragança, Fevereiro 1964; FERNANDES, Armando, RODRIGUES, Luís Alexandre, Monografia das Freguesias do Concelho de Bragança, Bragança, Câmara Municipal de Bragança, 2004; FERNANDES, Maria da Conceição Correia, Uma história da diocese de Bragança-Miranda, Lisboa, 2001; GIL, Júlio, Os mais belos castelos de Portugal, Lisboa, 1986; GOMES, Rita Costa, Castelos da Raia. Trás-os-Montes, vol. 2, Lisboa, Instituto Português do Património Arquitectónico, 2003; JACOB, João Manuel Neto, Bragança, Lisboa, 1997; LOPES, Roger Teixeira, Heráldica do Concelho de Bragança, Viseu, João Azevedo editor e Terra Transmontana, 1996; LOPO, Albino Pereira, Bragança e Benquerença, 2.ª ed., Lisboa, 1983; MARTINS, João Vicente, O castelo de Bragança, in Actas do II Congresso sobre monumentos militares, Lisboa, 1984; MENDONÇA, Manuela, Bragança: da vila de fronteira à capital de província. Notas para uma monografia de Bragança. Séculos XII-XVII, in Cidades, vilas e aldeias de Portugal. Estudos de história regional portuguesa, vol. I, Lisboa, 1995, pp. 235-253; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 1º Volume, Lisboa, 1959; MONTEIRO, João Gouveia, Os castelos portugueses dos finais da Idade Média, Lisboa, 1999; NETO, Maria João, A Acção da DGEMN em terras de Bragança, in Revista Monumentos, nº 32, Lisboa, Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana, dezembro 2011, pp. 108-117; RODRIGUES, Luís Alexandre, Arquitetura e fortificações. Ritmos da persuasão em horizontes de fronteira in Bragança Marca a História. A História Marca Bragança, Bragança, Câmara Municipal de Bragança, 2009, pp. 43-60; IDEM, Bragança no século XVIII Urbanismo. Arquitectura, vol. 1, Bragança, Junta de Freguesia da Sé, 1997; IBIDEM, Bragança: urbanismo e arquitectura na época moderna in Revista Monumentos, nº 32, Lisboa, Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, dezembro 2011, pp. 52-59; RUIVO, José Afonso, Cidade de Bragança e freguesia da Sé, Bragança, 1995; TEIXEIRA, António José, O Castelo de Bragança, s.l., 1933; VERDELHO, Pedro, Roteiro dos Castelos de Trás-os-Montes, Chaves, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo Histórico Militar: 3ª divisão, 9ª Secção, Cx . 24, nº. 26

Intervenção Realizada

1505 - o alcaide Lopo de Sousa com Álvaro de Chaves, vedor da obra, tratam de corrigir os danos da muralha do castelo e barbacã, com o trabalho braçal dos habitantes do termo da cidade; 1829, 14 novembro - orçamento no valor de 345$80 para as obras do armazém: o telhado, com 296 palmos em quadro e quase todo descoberto, precisava de traves, portas e mais madeira e a entrada para o mesmo, feita por uma ponte de pau levadiça, precisava ser sobradada; precisava-se também de uma escada de pau de vinte e dois degraus para dar serventia ao telhado, porque a existente estava totalmente danificada; os trabalhos foram feitos por Luís Rodrigues Calvelhe, mestre de alvenaria, e Marcelino Gomes, carpinteiro; DGEMN: 1932 / 1933 - reconstrução de paredes do adarve das muralhas nas cortinas de entrada e laterais, reconstrução do respetivo parapeito de duas faces segundo o existente e de ameias piramidais também segundo as existentes; reconstrução da comunicação da muralha com a torre de menagem em abóbada de arco pleno, e apeamento de um inestético anexo sem uso; 1933 - reconstrução completa de toda a ponte de ligação da muralha com a torre de menagem incluindo cachorrada e parapeitos em cantaria; restauro de uma das torres incluindo o apeamento do acrescento da torre sineira e reconstrução de parapeitos e ameias; 1935 - reconstrução cuidadosa da muralha, conforme a existente, incluindo o caminho de ronda e parapeitos, reconstrução das ameias piramidais iguais às existentes e da "calçada romana" nos adarves das muralhas e torres; reconstrução do pavimento superior da torre em lajes de cantaria, pelo empreiteiro Francisco Ferreira da Silva; 1936 - reconstrução de panos de muralha, incluindo adarve e parapeito e ameias piramidais por Francisco Ferreira da Silva; 1937 / 1938 / 1939 - continuação das obras de restauro de parte da muralha do castelo pelo empreiteiro Manuel Ferreira Morango: reconstrução dos panos exteriores de alvenaria de xisto que se encontram desagregados, reformando as passagens dos adarves e as muralhas ameadas; reconstrução de ameias piramidais; refechamento de juntas e limpeza de cantaria na torre de menagem; reconstrução de parede de alvenaria de xisto; lajeamento de cantaria em cobertura da torre; 1940 - restauro do poço do rei, compreendendo desentulhamento, reparação e substituição parcial das cantarias, e vedação com grade de ferro; refechamento de juntas; construção de parapeito em alvenaria argamassada; 1941 / 1942 - reconstrução completa de muralhas, execução completa de pavimentos de madeira, incluindo travejamento, execução de cachorros de cantaria e construção de parapeito pelo empreiteiro Saúl de Oliveira Esteves; 1942 - demolição de uma construção adossada à muralha e construção completa de muralhas em argamassa hidráulica, por Saúl de Oliveira Esteves; 1943 - construção completa de muralhas em alvenaria argamassada, de parapeito e de ameias, e regularização geral dos terrenos contíguos às muralhas, por Saúl de Oliveira Esteves; 1944 / 1945 / 1946 - execução de portas interiores em madeira, assentamento completo de soalho de castanho, reconstrução de muralhas de alvenaria, escavação de terras para desaterro, por Saúl de Oliveira Esteves; 1946 - obras pelo empreiteiro Francisco Ferreira da Silva, compreendendo o apeamento total da torre do relógio em avançado estado de ruína, reconstrução completa do maciço de apoio da torre até ao nível do adarve das muralhas, em alvenaria de xisto existente e assente em argamassa hidráulica, com a execução de novos alicerces, o fornecimento e armação de pranchas e o enchimento do vão interior com alvenaria grossa; reconstrução do corpo superior da torre acima do adarve das muralhas, incluindo reposição da escada interior de acesso; construção de anéis de betão armado em travação de paredes de alvenaria compreendendo as armaduras e cofragens; reconstrução de parapeito e ameias em alvenaria de xisto; 1947 / 1948 - reconstrução de parede em elevação da torre do relógio e consolidação da muralha pelo empreiteiro Saúl de Oliveira Esteves; 1948 - obras de conservação no castelo; arranjo e reparação do telhado da torre da princesa por Saúl de Oliveira Esteves; 1949 - construção e assentamento de uma porta de castanho no museu militar instalado na torre de menagem; trabalhos de beneficiação no corpo onde se encontram as casernas assente parcialmente sobre os restos da antiga muralha: construção dos muros de encosto ou de suporte para evitar a tendência progressiva de ruína, recalçamento em fundações, injeções de cimento nas juntas, desvio de águas dos terrenos adjacentes às fundações, pequenas reparações em rebocos e caiações; 1951 - reconstrução da parte que ruiu de eirado de acesso à torre de menagem e consolidação de carácter urgente de vários pontos da muralha do lado N. que ameaça ruir; demolição do que resta da muralha do eirado que ruiu do lado E. da torre de menagem, reconstrução da muralha do lado E. do eirado pelo empreiteiro Saúl de Oliveira Esteves; 1955 - reconstrução de muralha; diversos trabalhos de construção civil pelo empreiteiro Saúl de Oliveira Esteves; instalação de balneários num dos ângulos das casernas pelo Comando da Unidade de Caçadores nº 3; a unidade aquartelada procede a obras de beneficiação das instalações, sobretudo no corpo das casernas, assente parcialmente sobre os restos da antiga muralha, que começa a ceder; procede à consolidação da base da muralha e construção de contrafortes na face exterior e, para estabelecer uma ligação direta entre o terreiro da torre de menagem com o exterior, abre ampla porta no pano de muralha voltada ao jardim público, pela qual é feita a serventia do quartel para as dependências ali instaladas; 1960 - reparação e consolidação das cantarias da ombreira do portal da entrada principal da cidadela, após o embate de uma camioneta; 1961 - estudo para construção de instalações sanitárias subterrâneas na zona do castelo pela Câmara; iluminação da zona do castelo; obras de conservação e consolidação por Manuel Domingues Chaves, consistindo na demolição do anexo térreo existente ao fundo do jardim público da cidadela, junto às muralhas, regularização do terreno exterior em diversos pontos, recalçamento parcial de alicerces e panos de parede da cintura de muralhas, limpeza geral dos paramentos e passadiços dos adarves das cinturas de muralhas e refechamento das juntas; 1963 - consolidação e reconstrução de um troço da muralha de cintura envolvente da fortificação com emprego de alvenaria de xisto, e obras de desafogo da fortaleza e de arranjo envolvente da Domus, pelo empreiteiro Manuel Domingos Chaves; 1964 - execução de maciços na muralha da cidadela e outros trabalhos por Manuel Domingues Chaves: continuação da reconstrução da cidadela, reconstrução da porta de acesso ao recinto envolvente da torre de menagem, incluindo o arco de cantaria, impermeabilização dos adarves correspondentes aos corpos abobadados dos torreões semicirculares e execução da abóbada dum dos torreões semicirculares; arranjo da envolvente, com trabalhos de beneficiação nos recintos ajardinados na entrada principal do castelo, por Ferreira dos Santos & Rodrigues, Ldª, consistindo em: construção de um muro de suporte de terras, execução de um banco em cantaria e o desmonte e transferência do coreto existente; desvio do caminho público que contorna a torre do relógio, fazendo-o passar pelo exterior do jardim onde se colocaria a estátua de D. Fernando, levando à construção de murete para arranjo da parte exterior do jardim e construção de 16 bancos de jardim junto às portas do castelo; tratamento do muro do logradouro contíguo à zona da estátua, seu arelvamento e transferência da casa de arrecadação do jardineiro; pavimentação do troço do arruamento de acesso ao castelo, execução de passeios e construção de um fontanário decorativo; execução da placa de lajedo do plinto para a estátua de D. Fernando, a colocar junto à porta do castelo, e execução de calçadas na zona intra-muros, por Manuel Domingues Chaves; rede de iluminação pública e particular por Francisco Luís; arranjo da praça de armas pelo empreiteiro Manuel Domingues Chaves consistindo em: demolição das instalações do extinto Batalhão de Caçadores nº 3; construção de muro de espera em suporte de terras de quintais, em alvenaria de tijolo, e escavação em desaterro das terras; consolidação da fundação da muralha E. da cidadela posta a descoberto na desobstrução do alicerce da mesma e recalçamento da muralha, pois a fundação ficara a descoberto aquando da demolição do edifício onde estava instalada a cozinha e refeitório do extinto quartel do Batalhão de Caçadores; demolição de torreão fronteiro à porta do Sol e trabalhos de elevação e desafrontamento da muralha junto à cidadela; execução de lajedos e obras de conservação em adarves e torres; construção de um troço da muralha N. e escavação de terras da antiga praça de armas do extinto Batalhão de Caçadores; reconstrução dos torreões a nordeste da cidadela; beneficiação nos tambores da cidadela com elevação dos mesmos em alvenaria de xisto, fornecimento e assentamento de cantaria em canhoneiras, limpeza e desbaste de alvenaria, picagem, limpeza e substituição do material cerâmico destruído nas abóbadas, levantamento e apeamento da cobertura dos tambores; reconstrução de ameias com alvenaria iguais às existentes, consolidação da base da muralha em vários pontos da fortificação e reconstrução dos pavimentos dos adarves e torreões da muralha; obras executadas pelo empreiteiro Ferreira dos Santos & Rodrigues, Ldª: pesquisas e consolidação da fundação da muralha virada a E., com abertura de valas para sondagem e descoberta do traçado da muralha destruída, construção de maciços de alvenaria de xisto para consolidação da muralha posta a descoberto, recalçamento parcial da muralha recuperada e enchimento do tardoz da muralha com terra; tratamento de paredes recuperadas, limpeza e restauro do poço do rei e seus acessos; restauro da muralha encostada à porta do sol e regularização do talude anexo; reconstrução da porta do sol; desmonte e reconstrução de um troço de muralha em ruína junto da torre da princesa; elevação da muralha em parte da zona das instalações do antigo quartel; 1965 - desafrontamento dos tambores da cidadela virados a E. e reconstrução de canhoneiras e de um troço de muralha, com alvenaria de xisto, por Manuel Domingues Chaves; escavação em desaterro na praça de armas, junto da cidadela; reconstrução e lajeamento do adarve de um troço da muralha S. da porta do sol pelo mesmo; obras no jardim junto à porta de Santo António por Ferreira dos Santos & Rodrigues, Ldª: conclusão da obra de elevação do muro de vedação junto ao jardim, na zona envolvente da estátua, e execução de bancos de cantaria; rede de iluminação pública: instalação eléctrica pela empresa Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª; 1966 - trabalhos de reparação do torreão semicircular das muralhas por Saúl de Oliveira Esteves; 1967 - trabalhos de reconstrução da torre esquerda da entrada N. da cidadela incluindo escavação de terras para por a descoberto os alicerces, recalçamento dos alicerces encontrados, construção de paredes e muralha, execução de vigas e anéis de betão para travação de paredes, construção de ameias e de calçada à portuguesa e lajedo de xisto, reconstrução do pano de muralha junto à torre da princesa e do parapeito do adarve correspondente, por Manuel Rodrigues Chaves; rede de iluminação exterior - instalação eléctrica adjudicada a Francisco Luís; 1968 - obras de restauro e conservação por Manuel Rodrigues Chaves: reconstrução da parede de grossura adossada à torre da princesa e da parede contígua à rampa de acesso à porta N. do castelo, respaldo do sobreleito das ameias em alguns panos de muralha, lajeamento do adarve de um dos tambores da cidadela, pintura das portas da cidadelas e das caixilharias e porta da torre de menagem; 1977 - reparação do para-raios instalado na torre de menagem pela firma Francisco Luís Pais & Fernandes, Ldª; 1979 - diversos trabalhos de conservação na torre de menagem: limpeza e refechamento das juntas no lado S. e N. da torre, no paramento ameado e nas escadas; arranque do tabuado de madeira do soalho e caiação dos tetos no 4º piso; limpeza da vegetação e consolidação dos degraus da torre; revisão geral das portas e janelas, com pintura das portas; fornecimento de soalho de madeira; fornecimento de vidro aramado para o 3º piso; picagem de betonilha de pavimento na zona do terreiro entre a torre de menagem e a da princesa; reparação da instalação elétrica da torre de menagem pela firma Francisco Luiz, Pais & Fernandes Ldª; 1980 / 1981 - diversos trabalhos de reparação da torre de menagem para adaptação a museu militar pelo empreiteiro Ricardo Pereira de Barros, Ldª: beneficiação geral de portas; conservação dos tectos e pavimentos de madeira; consolidação da escada de acesso ao adarve; construção da claraboia central; diversos trabalhos de recuperação do subterrâneo pela firma Oliveira Ferreira & Valente, Ldª, incluindo a consolidação de alvenarias de xisto, aplicação de hidrofugante e pavimentação; 1981 - reparação da instalação eléctrica da torre de menagem e diversos trabalhos de conservação por José Moreira & Filhos, Ldª; estavam concluídas as obras interiores de beneficiação da torre de menagem, faltando apenas concluir as de exterior; beneficiação de vários troços de muralha do castelo à volta da torre de menagem, pelo empreiteiro António Oliveira dos Santos & Irmãos, Ldª: recuperação de vários troços do ameado da muralha, muros interiores e escadas, consolidação e refechamento de paramentos de muralhas e torres, recuperação do adarve e limpeza geral de vegetação; 1982 - diversos trabalhos de conservação na torre de menagem pelo empreiteiro José Moreira & Filhos, Ldª, incluindo a abertura das juntas dos paramentos de fachadas e refechamento das mesmas, limpeza das alvenarias de xisto e das carpintarias e pavimentos interiores, portas, portadas e janelas; obras de beneficiação de vários troços da muralha por José Moreira & Filhos, incluindo consolidação de paramentos das muralhas, refechamnento das juntas, recuperação de vários troços do adarve, do ameado, limpeza geral da vegetação nos paramentos e terreiros; 1983 / 1984 - conclusão das obras de adaptação da torre a museu militar, por José Moreira & Filhos: demolição do lanternim destruído pelas intempéries do inverno de 1981 / 1982 e respectiva reconstrução; fornecimento e colocação de várias ferragens e tranquetas em portas e de uma grade de protecção do adarve; tratamento e pintura de portas existentes; fornecimento e colocação de vidro aramado na torre; limpezas interiores diversas; diversos trabalhos de recuperação do subterrâneo; 2004 - iluminação cénica do castelo.

Observações

*1 - Nos desenhos de Duarte de Armas, o castelo é representado com uma grande torre de menagem, rematada em parapeito ameado, de balcões nos ângulos, rasgada por várias janelas em arco. Pela planta, percebe-se que, em frente, existia corpo com uma torre em cada extremo, de onde partiam alas para N., onde fechavam por uma outra ala, integrando um cubelo ultra-semicricular e uma torre quadrangular, rasgada por seteiras e janelas, a denominada da princesa, formando patio central. A ala E., ligada à torre da princesa, era telhada e rasgada por arcada virada ao pátio, encimada por andar sobradado, rasgado superiormente por janelas rectilíneasviradas a E.. Junto à muralha N., o pátio tinha duas dependências com cisternas e uma porta. O castelo era envolvido por barbacã com cubelos semicirculares, com porta rasgada a N., na liça. Pelas vistas tiradas de O. e de E., o castelo e a cerca da vila eram envolvidas por barbacã completa, de traçado irregular, adaptado à topografia do terreno, encontrando-se em alguns troços arruinada, sobretudo do lado E.. Em frente da porta da barbacã, virada à vila, desenvolvia-se uma segunda linha de barbacã. É notório o crescimento do arrabalde, com vestígios de uma segunda cerca, possuindo junto à igreja de São João uma torre sineira tipo defensiva, com um pano de muralha semi-arruinada, havendo uma torre semelhante virada à ribeira, sustentando os sinos, e pano de muralha com uma porta em arco de volta perfeita, identificada na legenda como São Vicente. *2 - Esta carta assinala a muralha medieval da vila com aguada vermelha, sinaliza o poço do rei e sobrepõe neste mesmo recinto em tons cinzento (e amarelo, afim de destacar a espessura do terrapleno, amarelo que se deverá relacionar com a "obra nova") um recinto abaluartado irregular, projetando dois baluartes para O. e um para E., incluindo nesse perímetro um meio baluarte e vários redentes; à volta da cidade projeta a linha da trincheira e / ou estacada, referida na documentação, num vermelho alaranjado mais claro, interrompida no local das portas de São Francisco, São Bento, Oleiros e Loreto, mas não assinala a porta do lado S. (da Ponte), embora marque o caminho; a linha da suposta trincheira / estacada termina na cerca dos Jesuítas, podendo indiciar a sua fusão com a linha das cortinas propostas para a margem ribeirinha, formando vários redentes, sem fosso nem esplanada; a estacada tem um percurso sinuoso, apenas com um pequeno baluarte no Monte dos Oleiros. O projeto da nova fortificação incluía três baluartes de face curta virados a N., dois baluartes de face mais longa e ângulo flanqueado mais agudo a O., providos de cavaleiro, mantendo a linha de fortificação preexistente a S., virada ao rio, incluindo apenas um pequeno baluarte na zona dos Batocos. *3 A carta de José Monteiro de Carvalho representa em aguada cinzenta os "muros antigos da villa", ou seja, a cerca medieval, e a vermelho a fortificação moderna da vila, dando conta que o recinto abaluartado proposto na carta anterior terá sido executado, à exceção do redente do lado S.; destaca a torre mais alta do castelo, ainda que de maneira esquemática, e a transformação de parte do recinto da alcáçova em paiol. No corpo da cidade, representa apenas a linha da estacada com a respetiva legenda: "Estacada com parapeito de terra, mas arruinada", assinalando grande número de portas. *4 - Segundo as Memórias Paroquiais da freguesia de São João Baptista, a cidade é murada, com a vila sobre um monte com três ordens de muros: o da estacada, todo raso e caído; o segundo que também ia caindo em partes; e o terceiro, ainda inteiro, partindo de O. aonde fica a cidade e outra para a parte do E; as portas estão arruinadas; tem o muro doze torreões, num dos quais estão dois sinos da câmara e servem de impedimento para andar à roda no muro; na parte do S. tem um poço no muro, obra muito antiga a que chamam o poço d'El Rei, muito alto e a que se acede por escadas de pedra; o castelo é obra magnífica, mais largo em cima do que em baixo, com muralha e seis torreões que servem para as armas, mas já bem arruinados, e com umas casas muito grandes também pegadas ao castelo; tem artilharia bastante mas desmontada, e os muros padecem grave ruína; a cidade é murada mas os muros estão no chão, entrando-se por qualquer parte sem ser pelas portas, que tem três principais, uma para E., onde está um corpo de guarda, e duas para a O. e outras três menos importantes, uma para N. e duas para S.. *5 - A planta provavelmente anterior a 1759, visto ainda referir os padres da Companhia, representa a linha da estacada em pontilhado preto, mostrando o grau de ruína, dispensa os baluartes da vila voltados a O., propõe no perímetro da cerca de São Francisco um hornaveque ou obra corna, a proteção adequada das portas com um revelim na porta das Eiras e outro na de São Bento, um encerramento quase total no perímetro, e a transformação da porta dos Oleiros num postigo ou porta falsa. Propõe ainda junto ao Monte dos Oleiros uma meia-lua rudimentar entre dois baluartes, mas mantém, a porta da Ponte desguarnecida. *6 - Durante a ocupação fizeram-se duas cartas: o "Plano de la Plaza de Berganza con sus Castillos antíguo y moderno en que se manifesta la situacion que ocupó el dia 16 de Maio de 1762 el destacamiento del mando del Tenente General Marques de Cevallos", e o "Plano de la Ciudad de Berganza con sus fortificaciones". Nestas cartas não há qualquer estrutura abaluartada na cerca medieval, apesar de ter sido grosseiramente adaptada à artilharia, e na defesa da cidade assinalam-se apenas vestígios da linha da estacada e de um pequeno baluarte na zona dos Oleiros. A alusão à falsa braga poderá limitar-se apenas à designação moderna para um reforço da barbacã, testemunhando indiretamente a adaptação das torres a plataformas de artilharia. *7 - Na planta de Luís Gomes de Carvalho, a linha da estacada é marcada de modo claro, permitindo a leitura do seu percurso, identifica-se um grande troço a S., na zona das Moreirinhas e dos Batocos, junto à antiga porta da Ponte e postigo das Eiras, com dois meios baluartes, e um outro troço extenso a N. das cercas conventuais, com dois pequenos baluartes. *8 - Na carta do Engenheiro Alexandre José Botelho de Vasconcellos e Sá, a estacada quase não aparece representada, surgindo apenas um troço junto ao cemitério, que intercetou a linha da fortificação, tendo já desaparecido completamente no lado S.. *9 - A torre da princesa está envolta em várias lendas: uma delas envolve uma princesa moura, encerrada na torre devido aos seus amores proibidos com um cavaleiro cristão, a qual acabaria por morrer, ao repudiar o noivo imposto pelo pai; segundo outra lenda, refugiou-se na torre D. Sancha, irmã de D. Afonso Henriques, lamentando as infidelidades do marido, Fernão Mendes.

Autor e Data

Ernesto Jana 1994 / Marisa Costa 2001 / Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login