Mosteiro de São Salvador de Vairão / Igreja Paroquial de Vairão

IPA.00005369
Portugal, Porto, Vila do Conde, União das freguesias de Fornelo e Vairão
 
Arquitetura religiosa, quinhentista, maneirista, barroca e neoclássica. Mosteiro feminino da Ordem Beneditina, composto por igreja e zona regral, a igreja de planta retangular composta por nave, capela-mor e sacristia adossada ao lado esquerdo, com coberturas interiores diferenciadas, em abóbada de berço na capela-mor e de lunetas na nave, iluminada unilateralmente por janelas rasgadas na fachada principal, com janelas fingidas confrontantes. Fachadas da nave e capela-mor resultantes da reforma tardo-barroca, com cunhais apilastrados coroados por fogaréus, remates em friso e cornija, regularmente rasgadas por janelas de arco abatido, molduradas e com cornija curva, e com portal de arco abatido, sobreposto por nicho com a imagem do orago. Interior com batistério, púlpitos confrontantes no arco triunfal de volta perfeita e assente em pilastras toscanas. Possui órgão de tubos, tardo-barroco, no lado do Evangelho, e retábulos laterais e colaterais de talha pintada tardo-barroca, de plantas côncavas (laterais) e convexas (colaterais) de um eixo e remate em espaldar. Capela-mor com silhar de azulejos maneiristas, de padrão com caixilhos compósitos, retábulo-mor de talha policroma rococó, de planta convexa e três eixos, e cobertura com decoração em estuque, neoclássica. A zona regral é composta por vários corpos desenvolvidos em torno de claustro irregular, de que se destacam os coros, torre sineira, capela lateral e algumas dependências. Sacristia com arcaz, retábulo, armários e lavabo rococó, de feitura oitocentista. Os coros integram-se em corpo quinhentista com contrafortes e vãos de arco quebrado e óculo, tendo, no interior vestígios dos antigos cadeirais. Torre sineira com cobertura em coruchéu piramidal e com ventanas de volta perfeita. Possui capela adossada, dedicada a São João Baptista, quinhentista, de planta quadrada, interiormente coberta por abóbada de aresta, rasgada por ampla fresta lateral e acedida pelo interior da nave. Paramentos revestidos a azulejos de padrão policromo maneiristas, possuindo na parede testeira retábulo de talha maneirista.
Número IPA Antigo: PT011316260009
 
Registo visualizado 3264 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de São Bento - Beneditinas

Descrição

Planta irregular composta por igreja e dependências monacais. IGREJA de planta retangular composta por nave, capela-mor e a sacristia retangular, de volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por socos de cantaria, com cunhais apilastrados, coroados por fogaréus assentes em plintos paralelepipédicos, e rematadas em cornijas. Fachada principal, virada a S., rasgada por portal de arco abatido com duplas molduras enquadradas por aletas e orelhas com pingente, encimado por cornija contracurvada e espaldar de cantaria, sobreposto por enrolamentos, cartela oval inscrita e motivos fitomórficos; no seu enfiamento, dispõe-se nicho, em arco de volta perfeita, com abóbada concheada, envidraçado, albergando imagem do Salvador, encimado por elemento vegetalista central e cornija curva; apresenta, ainda, dois registos de vãos sobrepostos, em arco abatido com moldura em cantaria, encimada por cornija e gradeados, surgindo três no inferior, ao nível do nicho, e superiormente quatro, mais pequenas; possui ainda ladeando o portal um painel de azulejos policromos, com a figura de São Bento. Capela-mor rasgada por portal de verga reta e três janelas em arco abatido com moldura encimada por cornija, gradeadas, e na fachada E., numa posição elevada, surgem duas pequenas frestas. Fachada lateral esquerda com janela em arco abatido, visível sobre os corpos dos coros. Fachada lateral direita com duas frestas e, na empena do arco triunfal, óculo quadrilobado, com moldura decorada com elementos vegetalistas, encimado por janela em arco abatido e moldura com cornija. Sobre as empenas, cruzes florenciadas sobre plintos volutados. Fachada posterior adossada ao corpo regral. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de granito encimados por um outro de azulejos de padrão policromos, azuis e amarelos, a nave com cobertura em abóbada de lunetas, rebocada e pintada de branco, pontuada por florões de estuque, assente em frisos e cornijas de cantaria, e pavimento em taburnos. Os vãos do primeiro registo estão encimados por sanefas de talha policroma a bege e dourado, terminadas em espaldar coroado por cornija e acantos vazados, e as do segundo registo, do lado do Evangelho protegidas com grades, pintadas de branco e dourado, ornadas de motivos fitomórficos entrelaçados. Na parede fundeira da nave, enquadrando o vão que liga ao corpo dos coros, rasgam-se, do lado do Evangelho, inserido no corpo da torre sineira, porta de um confessionário embutido e duas janelas sobrepostas, e no lado da Epístola, porta de verga reta de acesso à capela de São João Baptista. Do lado do Evangelho, surge, em posição elevada, órgão de tubos com caixa em talha pintada de branco, azul e dourado, tendo marmoreados fingidos na base. Do mesmo lado, dispõem-se sucessivamente, duas portas, a primeira moldurada em cantaria com espaldar decorado com cruz latina e volutas, dando acesso a um túnel subterrâneo, atualmente inativo, e dois retábulos dedicados a Nossa Senhora de Fátima e ao Crucificado. Do lado da Epístola, a ladear o portal, protegido por guarda-vento em madeira e vidro com bandeira semicircular, surge a capela batismal, com vão retilíneo, semelhante ao do lado oposto. Possui pia batismal em cantaria, composta por coluna cilíndrica e taça circular, decorada com elementos vegetalistas; sobre esta, painel de azulejo, em bicromia, a azul e branco, representando o Batismo de Cristo. No lado oposto do portal, a pia de água benta, embutida na parede, em cantaria, de bojo concheado, assente em mísula de volutas, encimado por espaldar ornado por florões e almofadados. Ainda do mesmo lado, surge um retábulo de talha dedicado a Nossa Senhora das Dores, ladeado por duas portas, a do lado direito, de acesso a uma pequena arrecadação, e a outra para o púlpito. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, sobreposto por sanefa de talha branca e dourada, coroada por cornija com cartela central, com as insígnias da Ordem Beneditina (torre, báculo, mitra e ave) e urnas laterais; está ladeado por dois retábulos colaterais dedicados a Nossa Senhora da Conceição (Evangelho) e ao Sagrado Coração de Jesus (Epístola). No intradorso do arco triunfal surgem dois púlpitos confrontantes, com base retangular de cantaria sobre mísula formando pingente e guarda plena de talha pintada de branco e cinzento, com elementos fitomórficos dourados, tendo acesso por portas de verga reta, encimadas por sanefas com decoração idêntica. A capela-mor, sobrelevada por degrau em cantaria, tem cobertura em falsa abóbada de berço, de estuque, decorada com motivos fitomórficos, que enquadram cartelas com açafates e, ao centro, sol sobre resplendor, assente em cornija de cantaria; pavimento em lajeado de granito. Confrontantes, surgem duas portas, a do lado do Evangelho de acesso à sacristia e a do lado da Epístola para o exterior, e duas janelas laterais também confrontantes. Está seccionada por degraus de granito de perfil convexo e três degraus, formando um presbitério e, sobre supedâneo de três degraus centrais, surge o retábulo-mor de talha pintada de branco, cinza e dourado, de planta côncava e três eixos definidos por quatro colunas em marmoreados fingidos a verde, de fuste decorado com falsa espira fitomórfica dourada, com o terço inferior marcado e ornado de festões, sobre duas ordens de plintos, os superiores galbados e marcados por festões e os inferiores paralelepipédicos, e de capitéis coríntios. Ao centro, tribuna contracurva, de moldura fitomórfica, tendo o fundo pintado com glória de querubins e albergando trono expositivo de sete degraus decorados com festões e motivos vegetalistas dourados. Os eixos laterais têm mísulas com imaginária, enquadradas por apainelados decorados com laçarias e acantos; na base, as portas de acesso à tribuna. A estrutura remata em frontão interrompido, encimado por anjos de vulto que centram espaldar adaptado ao perfil da cobertura, decorado com cornija, com resplendor e pelicano. Banco ornado com painéis decorados por motivos fitomórficos e altar paralelepipédico, encimado por sacrário em forma de templete ladeado por volutas e terminando em elementos fitomórficos vazados com Agnus Dei. Fronteira, a mesa de altar, em cantaria de granito, com pés de perfis côncavos, surgindo, no lado do Evangelho, ambão. A Sacristia tem paredes rebocadas e pintadas de branco, com azulejos de padrão policromo, formando silhar, teto em gesso cartonado com iluminação embutida e pavimento em tijoleira. Na parede N., surge arcaz de madeira, recente, na parede S., o armário de madeira com portas de vidro, com paramentaria religiosa e, a E., retábulo de talha policroma, de planta reta e um eixo, ladeado por porta de verga reta e janela de peitoril, com molduras em cantaria; na parede O., surge lavabo com espaldar retangular, vertical, ladeado por volutas e terminado em friso e cornija contracurva, tendo, ao centro, cartela oval inscrita, com moldura enquadrada por duas palmas, e duas bicas em florões. DEPENDÊNCIAS MONACAIS compostas por vários corpos, um deles desenvolvido em torno de um claustro irregular, destacando-se o corpo dos coros, retangulares mais baixos e estreitos, tendo adossada a S. capela quadrangular mais baixa, dedicada a São João Baptista, e torre sineira quadrangular integrada no ângulo NO. da nave, de volumes diferenciados e escalonados com coberturas em telhados de duas águas e em coruchéu piramidal de cantaria, coroada por cata-vento de ferro na torre. A TORRE e os coros são em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, a primeira, com cunhais apilastrados, coroados por fogaréus assentes em plintos paralelepipédicos, apresenta, em cada uma das faces, ventana em arco de volta perfeita, com balaustrada e albergando sinos. O atual corpo do CORO tem as fachadas S. e N., terminadas em cornija sobre cachorrada e rasgadas por janela de arco quebrado, gradeado e com vidros policromos, formando uma cruz a vermelho, inserido na fachada S., uma cartela alongada com base retangular; a fachada E., termina em empena sobrelevada relativamente à cobertura e com dois contrafortes escalonados, e é rasgada por duas janelas retangulares gradeadas e óculo com dupla moldura e vidros policromos. INTERIOR do coro-baixo separado da nave por teia em madeira balaustrada, com paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejos de padrão policromo, recente, com teto plano rebocado e pintado de branco e pavimento em tijoleira. Possui cadeiral de feitura recente, disposto numa fila e mísulas com imaginária. O coro-alto, assente em estrutura e mísulas de madeira, tem guarda em balaústres torneados de madeira, e é acedido por porta, do lado do Evangelho, que também acede à torre sineira e à sacristia. Tem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira, formando caixotões, assentes em friso e cornija ritmada por consolas equidistantes, tendo pavimento em tijoleira. Possui cadeiral de madeira em branco, apresentando alguns pormenores com decoração diversa, querubim, fénix, folhas de acanto, pâmpanos e outros elementos vegetalistas, e, sobre as cadeiras, corre um espaldar de apainelados de madeira, de dois registos, separados por friso de acantos, integrando no segundo um nicho retangular com os ângulos superiores curvos, envidraçado, com moldura em talha dourada e apontamentos a vermelho, enquadrado por pilastras policromas, e interior com pinturas, bem como um oratório retangular, acharoado de vermelho com apontamentos dourados, envidraçado com moldura policroma em vermelho com apontamentos dourados, enquadrado por pilastras policromas e apresentando no interior pequena maquineta albergando instrumentos da paixão, o Sagrado Coração de Jesus e resplendor com pelicano. Na parede do lado S., surge uma maquineta de madeira envidraçada com a imagem do Senhor dos Passos, e ainda um órgão de positivo de armário. A este corpo adossa-se perpendicularmente a S. e no topo O. da nave, a CAPELA DE SÃO JOÃO BAPTISTA de massa simples, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, cunhais de cantaria, terminadas em friso sobreposto por beiral. A fachada S., terminada em empena, com cobertura alteada em relação à cornija, coroada por cruz latina de pedra, é rasgada por uma janela retangular gradeada, encimada por uma mísula de cantaria, e um óculo gradeado. INTERIOR com paredes revestidas a azulejos de padrão policromo, exceto a parede fundeira, que tem aparelho granítico aparente e, do lado direito e numa faixa junto da porta de acesso, que é rebocada e pintada a imitar cantaria, de aparelho vertical; cobertura em abóbada de aresta sobre mísulas, rebocada e pintada de azul celeste com bocete central simples e pavimento em lajes de granito, integrando lápide tumular, de D. Francisca Luísa Ferreira Furtado de Mendonça, com brasão e inscrição, e em mosaicos policromos, verde, vermelho e branco. No lado do Evangelho abre-se janela alta de capialço, com vestígios de pinturas murais, encimado por brasão e óculo circular. No lado da Epístola, surge confessionário embutido e, superiormente, uma porta de madeira, possivelmente correspondente a uma tribuna de ligação à antiga capela-mor, e atualmente desativada. Na parede testeira, sobre supedâneo granítico acedido por dois degraus centrais, dispõe-se o retábulo, de talha dourada e policroma, de planta reta, dois registos separados por frisos de acantos, querubins e cornijas, e por três eixos, definidos inferiormente por quatro colunas coríntias, com o terço inferior ornado por brutesco, e por quatro colunas torsas no segundo, com o terço inferior ornado por acantos e querubins. No eixo central abre-se inferiormente nicho em abóbada de concha e seguintes marcados por querubins, assente em pilastras, albergando imagem; os eixos laterais possuem painéis relevados e policromados figurando a "Decapitação de São João Baptista" e o "Batismo de Cristo". No segundo registo, surgem painéis encimados por frontões triangulares de frisos denticulados, representando o "Nascimento de São João", ladeado pela "Pregação de São João Baptista" e o "Anúncio do nascimento de São João". Sobre a estrutura, o remate em entablamento e friso de querubins e acantos e vestígios uma antiga tabela que constituiria o ático, com cornija reta sobre duas mísulas. Banco com predela possuindo dois painéis relevados em talha policroma, figurando do lado Evangelho a "Visitação" e do lado da Epístola, o provável encontro de São João Baptista e Jesus em crianças, integrando ao centro restos de antigo sacrário, tipo templete, decorado com acantos vazados, anjos músicos e fénices, com vão reto e de ângulos curvos. Altar paralelepipédico com frontal, tendo painel relevado em talha policroma com a representação da "Última Ceia de Cristo".

Acessos

Rua Monte de Vairão, Rua do Convento. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,333037; long.: -8,669857

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 33 587, DG n.º 63 de 27 março 1944 (Capela de São João Baptista)

Enquadramento

Urbano, com implantação harmónica no centro da povoação, adaptado ao declive do terreno. Igreja precedida por adro, pavimentado a lajes graníticas irregulares e, a S. numa cota mais alta, a calçada portuguesa, tendo acesso por escadaria a S. e a E. e por rampa, com guarda de ferro forjado, pavimentada a cubos graníticos a SE.. Numa plataforma inferior ao adro, na extremidade O., situa-se uma mina de água e um nicho inserido no muro de delimitação, com a imagem de São Bento. A Igreja encontra-se delimitada a SO. pelo Cemitério, com portão datado de 1818, e a S., interligada por arco de alvenaria rebocada colocado superiormente, pela Capela do Senhor dos Passos (v. PT011316260090). Fronteiro à entrada da Igreja desenvolve-se um espaço relvado com canteiros de flores e algumas árvores, adaptado ao declive do terreno; mais a S., junto ao muro que delimita o adro, canteiros de flores, pontuados com palmeiras e cruzes de cantaria adossadas ao muro; sobreposto a uma cota mais alta, espaço relvado com árvores de maior porte. No largo do Mosteiro, erguem-se ainda o Edifício da Junta de Freguesia (v. PT011316260089), o Cruzeiro do Largo do Mosteiro (v. PT011316260081) e a Capela da Nossa Senhora da Lapa (v. PT011316260082).

Descrição Complementar

: Na cartela sobre o portal principal, a inscrição incisa: "ESTA OBRA MANDOV / FAZER A REVERENDA ABBADESSA / LEONOR MARIA LVDOVINA / PINTO E AZEVEDO NO ANNO / DE MDCCLXXXXIX". O painel de azulejo de feitura recente, tem a inscrição: "SÃO BENTO ABADE / QUE SE VENERA NESTE MOSTEIRO / VAIRÃO - VILA DO CONDE" e, no canto inferior direito "ALELUIA / AVEIRO". Na parede do coro, no exterior, a inscrição incisa, "1073 / Mosteiro / Vairão". Os silhares de azulejo da nave são policromos, azuis e amarelos, formando o padrão P-243, envolvidos pela cercadura C-16; a capela-mor possui silhar de cantaria e um outro bastante alto, de azulejos de padrão 4x4, dispostos à esquadria com centro de rotação P-11 e caixilhos compósitos com tarja e padrão P-4. Na capela de São João Batista P-389 e cercadura C-11. No batistério, a inscrição no painel de azulejo: "AQUI TE FIZERÃO CRISTÃO… FILHO DE DEUS E HERDEIRO DO CÉU" e "CARVALHINHO - GAIA - 1947". No coro-alto, sobre a porta de acesso, a inscrição "ERA / DE / 1723". O ÓRGÃO é de tubos, assenta em coreto de cantaria, de perfil recortado, com guarda de talha pintada de branco, azul e dourado, vazada e com decoração geométrica, fitomórfica e as insígnias da Ordem, tendo por base três consolas de cantaria com painéis entre elas, ornados por relevos de acantos. A caixa é de planta retangular, em talha pintada de branco, azul e dourado, com corpo em três castelos, sendo o central proeminente e em meia cana, e os laterais projetados em losango, encimados por urnas, tendo seis nichos retilíneos, quatro frontais e sobrepostos, e dois deles formando as ilhargas. Nos castelos, os tubos apresentam uma disposição cromática em teto, protegidos por gelosias vazadas em cortina, as quais têm, na base, os tubos de palheta em leque; nos nichos, as flautas surgem em disposição diatónica em harpas, com as gelosias ornadas por entrelaçados vazados. O conjunto remata em cornija, tendo sobre o castelo central, imagem de um anjo músico a tocar trombeta e, sobre os laterais, troféus de instrumentos musicais. Possui consola em janela, ladeada pelos botões dos registos. O retábulo de Nossa Senhora de Fátima, de talha pintada de branco, cinza e dourado, de planta reta e um eixo definido por duas colunas com fuste espiralado e terço inferior decorado com elementos vegetalistas, assentes em plintos galbados e ornados por motivos fitomórficos, e de capitéis coríntios; tem amplo nicho de perfil abatido e interior pintado com paisagem campestre, albergando imagem, rematando em frontão curvo, sobreposto por pequena cornija contracurvada decorada com elementos vegetalistas dourados e urnas laterais; altar paralelepipédico com frontal dividido em dois apainelados decorados com elementos fitomórficos dourados. Os retábulos do Crucificado e de Nossa Senhora das Dores são semelhantes, de talha pintada de branco, cinza e com elementos dourados, de planta convexa e um eixo definido por duas colunas de fuste liso pintado a marmoreado fingido a verde com o terço inferior marcado por acantos dourados, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, frontalmente decorados com motivos fitomórficos, e de capitéis coríntios, sobrepujadas por urnas. Ao centro, nicho em arco contracurvado, rematado por cornija do mesmo perfil de inspiração borromínica, envolvido por moldura e filete dourado, com fecho de acantos, fundo pintado e albergando imaginária. As estruturas rematam em espaldar recortado com fragmentos de cornija, decorado de festões e com remate em ampla folha de acantos. Altares em forma de urna, tendo o frontal decorado por acantos, encimado por banco decorado com elementos vegetalistas e, no da Epístola, nicho envidraçado. Os retábulos colaterais apresentam estrutura semelhante, de talha pintada de branco, cinza e dourado, de planta convexa e um eixo, definido por duas colunas de fuste liso marmoreado a verde, com o terço inferior marcado por acantos, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, frontalmente decorados com motivos fitomórficos, e de capitéis coríntios, coroados por urnas; ao centro abre-se nicho contracurvado, envolvido por moldura e filete dourado, interiormente com o fundo pintado, albergando imaginária; estão ladeados por mísulas, encimadas por apainelados pintados e rematadas por falsos baldaquinos fitomórficos. As estruturas rematam em espaldar contracurvo com motivos fitomórficos, terminado em cornija interrompida por ampla folha de acantos. Altares em forma de urna, com o frontal decorado por acantos, encimados por nichos embutidos nas estruturas, ladeados por decoração de albarradas e motivos vegetalistas. O retábulo da sacristia tem um eixo definido por duas colunas de fuste liso, pintado a marmoreados fingidos de verde, com o terço inferior marcado por elementos fitomórficos, e capitéis coríntios, sobrepostos por urnas; ao centro, tem nicho em arco de volta perfeita, com friso dourado, interiormente pintado com a cidade de Jerusalém, e tendo imagem do Crucificado. Altar tipo urna, decorado com flor central dourada. O lavabo da sacristia tem a inscrição incisa e avivada a negro: "DA / DOMINE / VIRTUTEM / MANIBUS / MEIS / 1803". No coro-alto, órgão de armário, encerrado numa caixa de madeira pintado com marmoreados fingidos azul, vermelho e verde, decorado com uma flor centrada em cada almofada. Possui duas portadas, rematada em cornija curva. As portadas abertas deixam ver a zona do teclado manual, formando janela, flanqueada pelos botões de oito registos. Na base da consola situa-se o fole. Na Capela de São João Baptista, o brasão ostenta a data "1551". Na parede de uma sala utilizada para a catequese (e anteriormente no celeiro do Mosteiro), surgem seis pedras integradas no paramento com a inscrição "In nomine Domini perfectum est templum hunc. Per Maris Palla(m) De(o) vota(m) sub die XIIII k. Ap. Er. 2XXIII (1073) regnante sereníssimo veremundu re(ge). (Bermudo III, Rei de Leão e Glliza)".

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 14 / 17 /18 /19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Gabriel Ferreira (1718). PINTOR DE AZULEJO: Fábrica Aleluia (séc. 20); Fábrica Carvalhinho (séc. 20).

Cronologia

Séc. 10 - fundação do Mosteiro; 974 - primeiro documento a referir a existência do Mosteiro, como dúplice, tendo-lhe sido doadas as igrejas de Santa Martinha e São Martinho; 997 - é provável que tenha sido saqueado pelas tropas de Almançor; 1021 - o Mosteiro reaparece como comunidade dúplice, de monges e monjas; 1032-1064 - é patrona do Mosteiro Pala Froiaz; 1035 - construção de nova Igreja pela sua protetora Pala Froiaz e o cunhado Todoredo Fromariques, provavelmente com a passagem do rei Bermudo III a caminho da batalha de César; 1110 - nomeação do último abade do Mosteiro; 09 dezembro - testamento de Turtesendo Dias e mulher, Senior, com a doação de uma herdade em São Pedro de Fajozes; 1120 - um Breve de Calisto II obriga a que a abadessa seja confirmada pelo bispo do Porto; 1126 - aquisição de um casal em Santo Estêvão de Gião e compra de uma herdade a Gonçalo Osório; 1126 - 1140 - a abadessa Elvira Toereiz (filha de Toderio Fromariques e ligada às famílias Maia e Velho) substituiu a comunidade dúplice por monjas beneditinas, reduzindo o grupo dos monges a uma pequena comunidade de clérigos para prestar serviços litúrgicos; 1128 - entre no Mosteiro Châmoa Gomes, viúva de Paio Soares da Maia e da família de Pombeiro; 1135, 03 junho - testamento de Paio Ramires, doando quatro talhões de salinas; 1139, 03 outubro - testamento de Gonçalo Osório e Gontinha Dias, doando 13 casais e uma herdade em Vila do Conde; séc. 12, década 40 - venda de bens para aquisição de carta de couto por 440 morabitinos; 1141 - 1143 - D. Afonso Henriques couta o mosteiro com um perímetro bastante vasto, ocupando o território das atuais freguesias de Vairão, Macieira, Fornelo e Gião; na carta de couto, D. Afonso Henriques doou ainda os seus reguengos de Crasto e Azevedo; 1142 - fidalgos e não fidalgos da região tornaram-se grandes benfeitores do Mosteiro, onde se recolhiam senhoras das mais altas estirpes; 1146, outubro - testamento de Soeiro Gonçalves, doando uma herdade em Gondesende e uma mula; 1149, 05 abril - testamento de Sesnando Pais e Maria Gondesendes, deixando uma herdade em Fornelo; 1153, 16 abril - Maria Gonçalves doa uma herdade em Gondesende; 1156 - doação de um casal em Santa Leocádia de Tamel, por Maria Gonçalves; 1192 - compra de uma herdade em Bagunte, a Pedro Mauro e mulher, Maria Peres; 1193 - testamento da abadessa Elvira Sanches doando ¾ do padroado da Igreja de Santo Estêvão de Gião; 1201, maio - testamento de Mendo Nunes, doando um casal em São Tiago de Creixomil; 1208, abril - compra de uma herdade a Paio Peres e mulher, de uma herdade a Gonçalo Peres e uma terceira aos filhos de João Peres, todas em Bagunte; 1213, fevereiro - doação de Maria Pais de 10 casais e uma herdade em Vila do Conde; 1214, março - testamento de Maria Fernandes a doar uma herdade em Árvore; 1219 - o pagamento de taxas à Santa Sé, resultava em grandes dificuldades financeiras para o Mosteiro; 1220 - a comunidade possui 77 casais em Vila do Conde, Maia, Barcelos e Vila Nova de Famalicão; 1222, maio - compra de dois casais em Bagunte a Nicolau, filha de Teresa Martins; 1225, abril - compra de uma herdade a Pedro Pais e Paio Gonçalves e respetivas esposas; 1231 - doação de 2 meios-casais em Labruge e 3 morabitinos por Marina e Pedro Martins; novembro - doação de meio casal em Labruge por Jimena Pais; 1271 - existe no Mosteiro o cargo de Prioresa; 1285, 19 janeiro - doação de duas herdades por Teresa Fernandes em Vila do Conde e Vila Nova de Famalicão; 1286, 11 fevereiro - testamento de Egas Lourenço, chantre da Sé de Braga, deixando meio casal em Sanfins; 1294, 14 fevereiro - doação de um casal por Martinho João e Martinho Pedro, em Bagunte; séc. 14 - construção da Igreja, de que ainda restam alguns vestígios; pedido da intervenção régia para obter proteção contra os patronos; 1320 - no Catálogo das igrejas, mosteiros e comendas do Reino, Vairão surge taxado em 230 libras; 1339 - 1342 - D. Afonso IV mandou determinar claramente os privilégios do seu couto; 1527 - o couto apenas compreendia as freguesias de Fornelo e Vairão, funcionando a Igreja simultaneamente como Paroquial; 1551 - data do brasão da capela de São João Baptista; 1634 - início do regime de eleição trienal das abadessas; eram do seu padroado as Igrejas de Vairão, Fornelo, Gião, Modivas, Vilar de Pinheiro, Alvarelhos e Barca; 1695 - o número de religiosas era excessivo e teve de ser fixado; séc. 17, final - execução do retábulo da capela de São João Baptista; colocação dos silhares de azulejos na nave e capela-mor; 1718, 14 junho - contrato com Gabriel Ferreira, de São Miguel de Seide, Famalicão, para a feitura do retábulo-mor, tribuna, credencias e demais obras de talha, por 550$000, com alimentação e alojamento; 1723 - data sobre a porta do coro-alto, revelando obras no local; 1758, 17 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Joaquim Ramos, é referido que a Igreja tem cinco altares, o mor com o padroeiro, o de Nossa Senhora do Rosário, o do Senhor Crucificado, o de São Caetano e o de São João Evangelista; numa capela separada, São João Baptista; no exterior, existe uma capela do Senhor dos Passos, com Irmandade; no templo existem as Irmandades de São Bento, das Almas, do Nome de Deus, tendo existido no passado e entretanto extintas, as de São Sebastião e São Caetano; o pároco é cura apresentado pelo Mosteiro e tem 12$000 de côngrua anual e o passal, perfazendo cerca de 50$000; 1794 - 1797 - reforma da Igreja, pela Abadessa D. Leonor Maria Ludovina Pinto e Azevedo; 1799 - colocação de cartela com inscrição no portal, alusiva às obras; 1803 - data no lavabo da sacristia; 1834, 30 maio - extinção das ordens religiosas; 1891 - morte da última freira, tendo sido efetuado o inventário dos bens; 1893 - o Mosteiro foi entregue à Associação Auxiliar das Missões; 1895 - o Mosteiro passou para as religiosas do Sagrado Coração de Maria, que aí fundaram um Colégio; 1898 - 1910 - o Colégio foi administrado pelas Monjas; 1910, 05 outubro - com a implantação da República, o Colégio é extinto; 1947 - feitura do painel de azulejos do batistério na Fábrica Carvalhinho, em Gaia; séc. 20, final - colocação do painel de azulejo na fachada principal, executado na Fábrica Aleluia, em Aveiro.

Dados Técnicos

Estrutura mista.

Materiais

Estrutura em alvenaria de granito com paramentos rebocados e pintados de branco, e aparente no coro e torre sineira; elementos estruturais, embasamentos, molduras de vãos, pilastras, frisos, cornijas, arcos, pináculos, cruzes, pia de água benta, pia batismal, escadas interiores, nicho e outros elementos em cantaria de granito; pavimento em lajeado granítico, tijoleira e madeira (Igreja) e em mosaico cerâmico (Capela de São João Baptista); retábulos, púlpitos e órgão em talha policroma e dourada; portas, teto do coro-alto, guardas e balaústres de madeira; janelas com vidros simples e coloridos; gradeamento de ferro; silhares de azulejos; cobertura de telha.

Bibliografia

BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação (século XVIII), Porto, Diocese do Porto, 1985, vol. II; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000; COSTA, Américo, Dicionário Corográfico de Portugal Continental e Insular, Vol. XII, Porto, 1949; Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura, vol. 18, Lisboa, s/d.; FERREIRA, José Augusto, Villa do Conde e seu Alfoz: Origens e Monumentos, 1923; FERREIRA, Monsenhor J. Augusto, Vila do Conde e o seu Alfoz. Origens e Monumentos, Porto, 1993; GONÇALVES, Flávio, A Talha no Concelho de Vila do Conde, Exposição fotográfica. Catálogo, Vila do Conde, 1978; Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Lisboa/Rio de Janeiro, vol. XXXIII, 1889, p. 696 / 700; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno. Diccionário Geographico, Estatistico, Chorographico, Heraldico, Archeologico, Historico, Biographico e Etymologico de todas as cidades, vilas e freguesias de Portugal, tomo 10, Lisboa, 1882; MARTINS, Alcina Manuela de Oliveira, O Mosteiro de São Salvador de Vairão na Idade Média: O percurso de uma comunidade feminina, Porto, Universidade Portucalense, 2001, 2 vols.; SIMÕES, J. M. dos Santos, OLIVEIRA, Emílio Guerra, Azulejaria em Portugal no séc. XVII, tomo I e II, 1987; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; VIEIRA, José Augusto, O Minho Pitoresco, Lisboa, 1887; www.minhaterra.com.pt, 6 Dezembro 2005.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN, SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

JUNTA DISTRITAL DO PORTO: 1922 / 1944 / 1966 - obras na igreja e mosteiro; PROPRIETÁRIO: 1968 - construção de sanitários; Junta Distrital do Porto: 1969 - obras de remodelação e ampliação da Escola Maternal e Profissional de Vairão; 1973 - obras de reconstrução nas alas do claustro; trabalhos exteriores de ampliação no edifício da Escola Maternal e Profissional de Vairão; DGEMN: 2005 - obras de conservação e valorização da Capela, tratamento e conservação geral da Capela, arranjos exteriores; 2007 - fase de conclusão das obras de conservação do imóvel, compreendendo as coberturas, paramentos e vãos exteriores, bem como do tcto, pavimentos, vãos interiores, e instalação elétrica.

Observações

A fundação do Mosteiro atribuída pelos livros de linhagens a D. Touriz Sarna, que provavelmente se identifica com o marido ou cunhado de Pala, Toderio Fromariques. O cartório do Mosteiro de Vairão, actualmente na Torre do Tombo, é segundo José Augusto Ferreira, aquele que nos oferece os mais antigos documentos em língua portuguesa.

Autor e Data

Isabel Sereno 1994 / Sónia Basto 2005

Actualização

Paula Figueiredo 2012 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)
 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login