Igreja de São Martinho da Cedofeita / Igreja Paroquial da Cedofeita / Igreja de São Martinho

IPA.00005463
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Arquitectura religiosa, românica. Igreja românica cujo estilo escultórico se liga ao românico da bacia do Sousa (capitéis do arco cruzeiro e bases de tipo tardio, bolbiformes), recebendo também influências da igreja de Santiago de Coimbra (capitéis do portal principal e nos do lado S.) e do atelier da Sé do Porto (toros diédricos das frestas e dos portais, emprego de capitéis sem imposta).
Número IPA Antigo: PT011312040002
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta de uma só nave e capela-mor quadrangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. A fachada principal orientada a O. apresenta um portal em alfiz com três arquivoltas com toros salientes, capitéis lavrados com animais e aves e as bases das colunas com garras. O tímpano, assente em modilhões, é preenchido com uma inscrição datada de 1767. Sobre o portal rasga-se uma fresta de arco pleno com toro reentrante, sustentada por colunas. A N. adossa-se-lhe transversalmente, sobre a linha do telhado, massa com dupla sineira. Gigantes servem de apoio às fachadas laterais, cujas cornijas pousam em cachorros. A fachada S. apresenta um portal de duas arquivoltas, com quatro colunas de capitéis lavrados com aves e motivos florais e dintel apoiado em modilhões estriados. O portal do lado N. é semelhente, mas sem ábacos nos capitéis. O tímpano apresenta esculpido um Agnus Dei. Sobrepuja-o a cruz abacial, coroada por uma rosa de dois círculos. No interior, a nave é coberta por uma abóbada quebrada que assenta em três arcos torais. Na capela-mor, de dois tramos, existem arcadas cegas, quatro de cada lado e três na cabeceira. Inserida na parede, conserva-se uma inscrição gótica.

Acessos

Largo do Priorado

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2ª série, n.º 263 de 09 novembro 1971

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano. Localiza-se numa área de intenso tráfego automóvel, enquadrada por um pequeno jardim, junto da nova igreja paroquial de Cedofeita, um edifício de grandes dimensões construído na década de 70 do nosso século.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: Convento dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 13

Arquitecto / Construtor / Autor

Organeiro: Peter Conacher.

Cronologia

1087 - Documento mais antigo que se lhe refere, diz respeito à dotação e sagração da igreja; sécs. 12 / 13 - diversas referências documentais à existência de um mosteiro em Cedofeita alternam com a menção de uma colegiada parecendo plausível que pelo menos desde o 1º quartel do séc. 13, a comunidade se estruturou como uma colegiada adoptando a regra dos cónegos regrantes de Santo Agostinho; séc. 13, início - início da fábrica românica da igreja; séc. 16 - a Colegiada de Cedofeita é um dos maiores proprietários da actual área do Porto; sécs. 17 / 18 - igreja profundamente remodelada tendo-lhe sido acrescentadas duas capelas laterais ao nível do 4ª tramo da nave, uma galilé com telhado de duas águas que ocultava o portal da fachada O., uma nova torre sineira, um claustro do lado S., ao mesmo tempo que a capela-mor tinha sido acrescentada 2 m no comprimento e a abóbada revestida a estuque; séc. 18, meados - os cónegos de Cedofeita pretendem a imposição de um real d'água para a reedificação do edifício; 1767 - é gravada uma inscrição no tímpano da porta ocidental da igreja onde se regista que a igreja teria sido fundada pelo Rei Teodomiro e sagrada por Lucrécio, bispo de Braga, em 559, notícia que teria sido copiada de um pergaminho de 1556 do arquivo da colegiada o qual transcrevia uma antiga lápide que se perdera; 1869 - extinção da Colegiada; 1880 - feitura de um órgão por Peter Conacher; 1930 / 1935 - o profundo restauro realizado pela DGEMN retirou-lhe os numerosos acrescentos dos séculos 17 e 18.

Características Particulares

Caso único no Entre-Douro-e-Minho de uma igreja de uma só nave completamente abobadada. O arco triunfal assenta em dois capitéis em calcário, de aspecto cúbico, com um motivo vegetal tratado a bisel, que têm sido considerados como reaproveitamentos de um edifício anterior - de origem suevo-visigótica - em relação ao qual a historiografia desde o séc. 17 tem desenvolvido abundante reflexão.

Dados Técnicos

Estrutura mista; abóbada quebrada assente em três arcos torais.

Materiais

Granito, cantaria.

Bibliografia

DGEMN, A Igreja de S. Martinho de Cedofeita, Boletim nº 2, Lisboa, 1935; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa 1976, p. 452 - 453; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Arquitectura Românica de Entre-Douro-e-Minho, Porto, 1978, vol. II, p. 208 - 211; idem, Introdução à Arquitectura Românica in História da Arte em Portugal, vol. 3, Lisboa, 1986, p. 8 - 48; ROSAS, Lúcia Maria Cardoso, A Colegiada de S. Martinho de Cedofeita do Porto, Penafiel, Boletim Municipal de Cultura, 3ª Série, nº 2 / 3, Penafiel, 1985 / 1986; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, 1993, vol. II, Distrito do Porto, p. 68; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal. Cidade do Porto, Lisboa, 1995.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1930 / 1935 - trabalhos de restauro; desmantelamento do órgão; 1966 - trabalhos de conservação; 1975 - trabalhos de conservação; 1979 - trabalhos de conservação; 1980 - trabalhos de reparação; 1982 - trabalhos de conservação; 1984 - conservação diversa com destaque para a substituição do telhado da capela-mor; 1991 - instalação eléctrica e reconstrução da cobertura da nave.

Observações

Devido à solução de abobadamento da nave, a igreja apresenta-nos ao longo das fachadas laterais exteriores pesados contrafortes, alguns escalonados que não são originais, mas que lhe conferem um ritmo vigoroso.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dordio 1994

Actualização

Paula Noé 1997
 
 
 
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