Recolhimento das Meninas Órfãs de Nossa Senhora da Esperança / Igreja e Colégio de Nossa Senhora da Esperança

IPA.00005562
Portugal, Porto, Porto, União das freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
 
Arquitectura educativa e religiosa, barroca. Recolhimento barroco de planta composta, integrando ao centro a igreja de maior riqueza decorativa, enquadrada por dois corpos laterais simétricos. Igreja de planta longitudinal, composta por nave única e capela-mor rectangulares, sendo esta ultima mais baixa e estreita. Fachada principal enquadrada por cunhais apilastrados, rasgada por portal de verga recta encimado por frontão e nicho com imagem e óculo, ladeada por duas amplas janelas, contornadas por molduras ornamentadas. Remata o conjunto, frontão e cornija, ondulados, coroados por dois castiçais de granito e jarras com ramos de flores. O órgão, as talhas, os azulejos e as imagens do retábulo são barrocas.
Número IPA Antigo: PT011312120016
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Assistencial  Recolhimento    

Descrição

Edifício de planta rectangular, composto, inserindo-se no eixo N./S. a igreja enquadrada por dois corpos de forma aproximadamente quadrangular, com pátio interior, também de planta quadrangular. Volumes articulados de dois pisos delimitados por friso, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e múltiplas águas. O alçado principal orientado a N., voltado para o Jardim de S. Lázaro, apresenta-se rebocado e pintado de branco, percorrido por embasamento friso e cornija de granito, rasgado nas duas alas laterais, por numerosos vãos de verga recta destacados por moldura de granito, dispostos simetricamente. Ao nível do rés-do-chão algumas portas foram transformadas em pequenas frestas horizontais, mantendo-se a moldura da porta. O primeiro piso é percorrido apenas por janelas. Ao centro destaca-se a fachada da igreja, ligeiramente avançada e ricamente decorada, enquadrada por cunhais apilastrados, rasgada por portal de verga recta emoldurado por estrutura de cantaria de granito, encimado por frontão curvo interrompido e nicho onde se insere a imagem de Nossa Senhora da Esperança. Ladeiam o portal dois janelões envoltos por molduras de cantaria lavrada. Interrompe a linha do entablamento um óculo sobre o qual se eleva o frontão curvo, entrecortado, do remate da igreja. No tímpano, ao centro, a Pedra de Armas da Casa Real que o recolhimento, sendo da administração da Misericórdia, tinha o direito de usar. Rematam o frontão e cornija, nos extremos dois castiçais de granito, seguidos de jarras com ramos de flores e ao centro, sobre peanha, cruz. INTERIOR percorrido com lambril de azulejos azuis e brancos, com cobertura em abóbada de tijolo marcada por três tramos na nave e dois na capela-mor, decorada por florões estucados. Apresenta coro-alto assente sobre arco abatido, recortado e laureado, guarnecido por um varandim de grade de madeira, tendo no centro, nicho com imagem; dois púlpitos colaterais ao centro, com guardas de talha e porta com frontão interrompido entre pilastras gémeas que ritmam os alçados. Capelas colaterais com retábulos de talha dourada. Arco triunfal decorado por volutões sobre pés direitos de cantaria com pequenos nichos. Capela-mor profunda com portas colaterais encimadas por janelas, com frontaleiras de talha; retábulo - mor de talha dourada com trono central ladeado por colunas salomónicas, engrinaldadas, tendo ao centro o sacrário enquadrado por baldaquino. Do lado direito do altar-mor, uma janela baixa, gradeada, de ferro fundido, que servia de confessionário para as educandas; do lado esquerdo, uma pintura a imitar o gradeamento da anterior.

Acessos

Avenida Rodrigues de Freitas, 349

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 22 618, DG, 1ª série, n.º 122, de 02 junho 1933*1

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano. Integra quase a totalidade de um quarteirão delimitado a O. pela Rua das Fontaínhas, a N. pela Avenida de Rodrigues de Freitas, a E. por viela estreita e afunilada, com a designação de Beco do Arrabalde, e a S. pelo muro de vedação. Praticamente a toda a extensão do alçado principal, desenvolve-se o Jardim de São Lázaro. Nas imediações despertam particular interesse um conjunto de três edifícios habitacionais, destacados pelo eclectismo arquitectónico e decorativo que ostentam (v. PT011312020038), o Edifício da Escola de Belas Artes (v. PT011312020174) e o Edifício da Biblioteca Pública Municipal do Porto / Antigo Convento de Santo António da Cidade (v. PT011312120035).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Assistencial: recolhimento

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Educativa: colégio

Propriedade

Privada: Santa Casa da Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Nicolau Nasoni (atribuído); MESTRE DE OBRAS: António da Silva Moutinho (1909); PINTOR-DOURADOR: Domingos Teixeira Barreto (séc. 18).

Cronologia

1722 - Fundação do Recolhimento das Meninas órfãs pelo Padre Manuel de Passos Castro, não tendo no entanto instalações próprias; 1724 - Inicia-se a construção do edifício com verbas deixadas em testamento pelo seu fundador, tesoureiro da Colegiada de Cedofeita; 1731, 21 de Janeiro - é pedida a confirmação régia para os primeiros estatutos do recolhimento dos órfãos de Nossa Senhora da Esperança; entraram para o recolhimento as primeiras 20 meninas, que para além de aí aprenderem a ler e escrever, tinham também disciplinas de lavores, desenho, música, canto oral, religião e moral; 1746 - foi a igreja projectada; 1763 - inauguração da igreja que foi construída no local onde existia um templo para serventia dos doentes do Hospital de São Lázaro; 1838, 2 de Junho - apresentação do projecto de ampliação da ala E. e correcção do alçado principal da ala O. (S.C.M.); 1839 - numa planta de J. de Costa Lima, elaborada para o Jardim de São Lázaro, observa-se que nesta data o projecto ainda não tinha sido implementado, o edifício localizado a O. ainda não tinha sido ampliado e a E. encontrava-se uma pequena construção rectangular, sendo toda a área restante dominada por campos de cultivo; 1918, 1 de Outubro - pedido de licença para colocação de soalho nas salas; 1940 - pedido de licença para construção de pavilhão; 1954 - a cor do edifício que era ocre passa a branco; 1990 (década) - o edifício E. é arrendado à universidade Portucalense que aí se mantém até 2000, ano em que ficaram concluídas as obras de construção do seu próprio edifício na Campus Universitário da Cidade do Porto.

Dados Técnicos

Sistema estrutural misto

Materiais

Paredes exteriores de alvenaria de granito, rebocadas e pintadas de branco; molduras dos vãos, cunhais, pináculos, cruz, frisos e cornijas, pia de água benta e lavabo em cantaria de granito; paredes interiores, revestidas a azulejos decorativos ou painéis de zulejos azuis e brancos nos corredores e pintadas as restantes; cobertura em estrutura de madeira revestida a telha cerâmica; tecto da capela em granito; retábulos em talha dourada e policroma; pavimentos em granito, soalho ou com revestimento cerâmico; caixilharias de janelas e portas de madeira.

Bibliografia

LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Dicionário, Lisboa, 1876, p.307; Guia de Portugal, IV, I, 4ºvol., Coimbra, 1985; IPPAR, Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Vol. II, Lisboa, 1993; www.scmp.pt, 13 de Abril 2009; www.portoxxi.com, acedido em 16 de Abril de 2009.

Documentação Gráfica

CMP-AH, Plantas de casas, Livro III, folhas 144-145; SCMP

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN-DSID

Documentação Administrativa

CMP-AH; SCMP

Intervenção Realizada

1909, 3 de Novembro - Obras de reparação de ombreiras e janelas; 1939 - obras de reparação do edifício pela Santa Casa da Misericórdia; 1954 - Obras de conservação (S.C.M.); 1956 - apresentação pela Direcção Geral do Ensino Superior e das Belas Artes, do projecto relativo a um pavilhão anexo ao Edifício do Colégio de N. S. da Esperança (S.C.M.); 1957 - não aprovação do projecto pela D.G.E.S. e das Belas Artes; 1958 - apresentação de novo projecto (S.C.M.); aprovação do projecto; 1964 - obras de remodelação e ampliação - 1ª fase (S.C.M.); 1968 - execução de trabalhos e substituição dos madeiramentos da estrutura do telhado e reposição de telha marselha (corpo poente); 1994 - obras de conservação.

Observações

*1 - A classificação abrange os edifícios e igreja do Recolhimento, incluindo o espaço livre que vai da ala esquerda até à Rua das Fontaínhas. Com excepção da Igreja, o edifício encontra-se profundamente alterado no espaço interior pelas adaptações que foi sofrendo ao longo dos tempos. Neste Recolhimento estiveram internadas as filhas adoptivas de Antero de Quental. Na obra de Camilo Castelo Branco há referências a este imóvel. Interessa reforçar a importância e valor do Jardim de S. Lázaro como imóvel a classificar. Duas das imagens existentes na igreja, pertenceram à capela de Santo André, demolida em 1850.

Autor e Data

Isabel Sereno 1994 / Paula Noé 1996 / Ana Filipe 2009

Actualização

 
 
 
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