Castelo de Pena de Aguiar / Castelo de Aguiar da Pena

IPA.00005795
Portugal, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Telões
 
Arquitectura militar, românica. Castelo roqueiro românico composto por três espaços distintos, a barbacã, torre ou sala de seteira e acrópole, circundado por uma linha de muralha que forma um recinto inferior de planta sensivelmente circular.
Número IPA Antigo: PT011713110004
 
Registo visualizado 213 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

O castelo é constituído por dois tipos de estruturas: a parte monumental, na zona mais elevada, e outras estruturas defensivas na zona inferior. Existem vestígios de uma linha de muralha que formava um recinto inferior de planta sensivelmente circular que circundava o castelo. Esta muralha interrompe-se de encontro a enormes batólitos graníticos. Uma outra muralha forma uma compartimentação interna que dificultava o acesso ao reduto central da fortaleza. Esta muralha possuía uma porta - existem os encaixes da tranca, abertos num rochedo - e, sensivelmente a meio, os alicerces de um torreão circular. Na zona mais elevada, o núcleo monumental da fortaleza, é composto por 3 espaços distintos: barbacã, sala de seteira e acrópole. A barbacã forma um recinto quase rectangular a que se acede por uma porta de arco quebrado. Uma escada de pedra conduz, depois a um patamar intermédio e à sala de planta quase rectangular que possui na parede menor a única seteira ainda conservada. A porta da barbacã para a sala da seteira é em arco quebrado, representando a remodelação de uma anterior de arco de volta perfeita. A porta da sala da seteira para o último recinto que coroava a zona mais elevada conserva só uma das ombreiras. O último recinto é rodeado por uma muralha que acompanha a configuração do rochedo. Uma escada adossada permitia o acesso ao adarve. Aí se conserva o único compartimento ainda coberto, possuindo uma abóbada de canhão e uma abertura quadrangular superior. Sobre este compartimento abobadado - provavelmente utilizado como cisterna - existia uma sala de que resta apenas parte do seu piso lajeado.

Acessos

Lugar de Castelo, EN 2

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto nº 28/82, DR, 1.ª série, n.º 47 de 26 fevereiro 1982

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Rural, isolado no alto de um penhasco granítico de difícil acesso, da serra do Alvão, junto da aldeia do Castelo, dominando o vale fértil de Vila Pouca de Aguiar.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: castelo

Utilização Actual

Marco histórico-cultural: castelo com acesso livre / Turística: Centro de Interpretação (Maio - Setembro, todos os dias das 9H00 às 18H30)

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 12 / 13

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 01 d.C. - Construção de um fortim militar romano para vigia da importante via Aquas Flavias (Chaves) a Lamecum (Lamego); séc. 11 - aquando da reconquista cristã da região, os reis de Leão recuperaram e reestruturaram a administração visigótica, recuperando a figura dos condados, altura em que se devem ter construído casas fortificadas que servissem de abrigo e protecção aos condes, senhores da terra; séc. 12, inícios / séc. 13 - construção da actual estrutura do Castelo de Aguiar; o castelo apoiou D. Afonso Henriques, tendo assim desempenhado um papel importante na independência nacional; séc. 14, finais do - obras na barbacã e na sala da seteira, evidentes no aparelho construtivo, desconhecendo-se porém se correspondem a uma ampliação dos espaços ou a trabalhos de consolidação; séc. 15, fins / 1527 - abandono definitivo da estrutura castelar; 1804, 28 Dezembro - informação de que a Província de Trás-os-Montes não tinha praça, forte ou fortaleza ou artilharia alguma de préstimo, devido à invasão espanhola de 1762 ter arruinado a Praça de Chaves, a de Bragança e a de Miranda, assim como alguns castelos; 1861, 23 Setembro - circular do Ministro da Guerra sobre a situação das fortificações da Província;

Características Particulares

Castelo com aparelho de silhares, muitos deles siglados, com tratamento do paramento diferenciado: irregular na 1ª fase e mais perfeito na 2ª fase. O recinto muralhado inferior parece não ter tido estruturas fixas de habitat, servindo antes para o refúgio ocasional das populações vizinhas e dos seus bens.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Muralhas, paredes, escadas e lajeados em granito.

Bibliografia

BARROCA, Mário Jorge, MORAIS, António J. Cardoso, A Terra e o Castelo - Uma experiência arqueológica em Aguiar da Pena, Portugália, Nova Série, vol. VI - VII, Porto, 1985 - 1986, p. 35 - 116; JORGE, Susana Oliveira, Povoados da Pré-História Recente (IIIº - Inícios do IIº milénios a.C.) da Região de Chaves - Vila Pouca de Aguiar, Porto, 1986, p. 573 - 633; VERDELHO, Pedro, Roteiro dos Castelos de Trás-os-Montes, Chaves, 2000; Vila Pouca de Aguiar recupera Castelo Romano, Correio da Manhã, 31 Agosto, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; Arquivo Histórico Militar: 3ª divisão, 9ª Secção, Cx . 24, nº. 26

Intervenção Realizada

1982 / 1984 - Intervenções arqueológicas realizadas no castelo, da responsabilidade de Mário Jorge Barroca e António J. Cardoso Morais; 1982 / 1984 - Intervenções arqueológicas realizadas por Susana Oliveira Jorge na área do povoado Pré-Histórico; Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar: 2000 - recuperação da área envolvente, coordenadas pelo Instituto Português de Arqueologia e co-financiadas pelo programa comunitário Leader II; criação de um Centro de Interpretação através da recuperação da casa junto ao castelo; criação de segurança no castelo.

Observações

O castelo foi cabeça militar da terra medieval de Aguiar da Pena. As escavações arqueológicas centraram-se no núcleo monumental do castelo, tendo também sido realizada uma sondagem na zona inferior. Para além do estudo da estrutura do monumento, a intervenção detectou a ocorrência de abundante espólio cerâmico e metálico de uso quotidiano, destacando-se ainda a documentação de uma linha de fundição de prata. Várias pontas de dardo e de seta evidenciam o carácter bélico da fortaleza. Numa plataforma inferior, a c. de 200 m do Castelo, existem vestígios arqueológicos de um povoado com várias fases de ocupação, apresentando estruturas habitacionais e defensivas desde a Pré-História Recente, Idade do Bronze Tardio e Final e de época Romana.

Autor e Data

Isabel Sereno e Ricardo Teixeira 1994

Actualização

Paula Noé 2003
 
 
 
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