Ponte metálica sobre o Rio Minho / Ponte metálica Ferroviária e Rodoviária sobre o Rio Minho

IPA.00006218
Portugal, Viana do Castelo, Valença, União das freguesias de Valença, Cristelo Covo e Arão
 
Arquitectura civil de equipamento, do ferro. Ponte metálica mista, de vigas contínuas de rótula múltipla, em pórtico, de vão rectangular, ligados por vigas do tipo treliça, com dois tabuleiros planos sobrepostos, o inferior para circulação rodoviária e com passeios laterais e o superior para circulação ferroviária, assente em quatro pilares de alvenaria e cantaria, de planta subcircular, e dois pegões-encontro, quadrangulares, de dois registos, o inferior com olhal em arco de volta perfeita e o superior com dois arcos do mesmo perfil de acesso aos passeios.
Número IPA Antigo: PT011608150018
 
Registo visualizado 370 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Ponte de duplo tabuleiro plano, sobreposto, com uma extensão máxima de cerca de 400 m., o inferior para circulação rodoviária, com a largura de cerca de 6,5 m., e o superior para circulação ferroviária. O tabuleiro inferior é constituído por 5 tramos de armação de dois pórticos terminais, de vão rectangular ligados por vigas mestras em T, solidarizados por vigas perpendiculares e tirantes aplicados na diagonal, formando xadrez de losangos. O tabuleiro propriamente dito é constituído por uma laje de betão armado, com o pavimento alcatroado, possuindo passeios laterais, exteriores às vigas principais, apoiadas em consolas de ferro, com pavimento em chapa estriada, protegidos com guardas metálicas, formadas por hastes dispostas na vertical; dos passeios partem escadas de ligação a cada um dos pilares da ponte. O tabuleiro superior situa-se ao nível do banzo superior das vigas e é constituído pelas carlingas e por duas longarinas, onde assentam as travessas dos carris de uma única via, larga, de 1,665 m. de bitola, tendo parapeito em gradeamento metálico. Os tabuleiros são sustentados por quatro pilares em alvenaria e cantaria de granito, de aparelho regular, fundados por meio de caixões descidos pneumaticamente a profundidades crescentes, de 16 m. no primeiro pilar até 22 m. no quarto pilar, de planta subcircular e terminados em cornija lisa, sendo a amarração do tabuleiro às margens efectuada por dois pegões-encontro quadrangulares, de dois registos seccionados pelo pavimento rodoviário; estes pegões-encontro, com pilares laterais, sobrepostos, terminados em cornija, têm inferiormente olhal, alto, em arco de volta perfeita, e superiormente dois arcos de volta perfeita, de aduelas marcadas sobre pilares, de acesso ao passeio. O acesso ao tabuleiro inferior efectua-se por um duplo L em relação ao eixo da ponte a partir da estrada que acompanha lateralmente a rampa de circulação ferroviária. O acesso ao tabuleiro superior é efectuado por dois viadutos ferroviários, formados por dois tramos anexos, quer do lado de Portugal quer do lado de Espanha, com vãos de 16,55m e 9,60m respectivamente, com guardas plenas de cantaria, terminadas em cornija, e muros em aparelho irregular. Em cada um dos extremos do tabuleiro inferior, rasga-se neste muro portal em arco de volta perfeita, de aduelas marcadas sobre os pés direitos, com portão em ferro, tendo na bandeira a inscrição PORTUGAL e ESPANHA com os brasões dos respectivos países. À entrada da ponte, na margem esquerda, encontra-se uma placa em bronze comemorativa do 1º Centenário da sua inauguração.

Acessos

Avenida de Espanha

Protecção

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Urbano, isolado, no vale aberto do Rio Minho na zona terminal da veiga de Valença, junto ao cais fluvial, integrada na EN 13 e na linha ferroviária do Minho. Construída sobre o Rio Minho, marca a transposição da fronteira entre Portugal e Espanha.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes e comunicações: ponte com circulação rodoviária e ferroviária

Utilização Actual

Transportes e comunicações: ponte com circulação rodoviária e ferroviária

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

EMPRESAS: Gabriel Beitia (1871), Societé de construction et enterprise de travaux public de Braine Le Comte (1881). ENGENHEIROS: Augusto Luciano Simões de Carvalho (1881); Casaux (1881); Eusébio Paqués (1879); Frederico Augusto Borges de Sousa (1881); J. Bazan (1881); Henri Onet (1881); Manoel Fernandes Soller (1881); D. Pelayo Mancebo y Ágreda (1879); Sant-Palais (1881).

Cronologia

1872, 14 Junho - Decreto criando a Linha do Minho entre Porto e Valença; 1879, Junho - elaboração do projecto pelo engenheiro espanhol D. Pelayo Mancebo e Ágreda, sob a supervisão de Eusébio Page, engenheiro-chefe da Comissão de Estudos dos Caminhos-de-Ferro Internacionais; 31 Julho - acta da fixação da passagem na fronteira espanhola-portuguesa do caminho-de-ferro de Valença a Guilharey por Tuy *1; 1880, Maio - aprovação do projecto-lei para a construção do ramal do caminho-de-ferro e da Ponte Internacional; Setembro - nomeação de uma comissão para conferenciar com a comissão espanhola sobre a construção da ponte sobre o rio; Dezembro - é posta em arrematação em Barcelona, Madrid e Lisboa a construção da ponte; 1881, 24 Fevereiro - convénio celebrado em Lisboa pela comissão luso-espanhola para a construção da ponte internacional sobre o rio Minho, regulando o concurso público, com base no projecto previamente aprovado pelos dois governos; 11 Maio - aprovação do projecto da ponte metálica, ligando o caminho-de-ferro do Porto à fronteira da Galiza com o de Vigo a Orense, elaborado pelo engenheiro espanhol D. Pelayo Mancebo, em conformidade com o auto lavrado em 1879, bem como o respectivo orçamento, o qual constava de 1.259.143 pesetas, ou 236.718$884, do qual 621.708 pesetas e 14 centésimos ou 116.881$130 ficavam a cargo do governo português e 637.434 pesetas e 86 centésimos ou 119.837$754 à conta do governo espanhol; determinou-se ainda a abertura de concurso público; 31 Maio - acordo entre o Estado Português e o Estado Espanhol sobre as condições da construção da ponte internacional sobre o rio Minho; 30 Julho - abertura de concurso público, em Lisboa, para adjudicação da obra; apresentaram-se sete licitantes com dez propostas, entre as quais, Gustave Eiffel, a Société de Construction et des Ateliers de Willebroeck (Bélgica), a Société Anonyme des Hauts Fourneaux, Usines et Charbonages de Sclessian (Bélgica), bem como empresas e empreiteiros espanhóis; Agosto - reunião da Comissão Internacional para procederem à abertura das propostas concorrentes; o custo orçamental da obra era de 236.718$000 rs; 10 Agosto - portaria adjudicando a Gabriel Beitia as terraplanagens e as obras de arte dos 18º e 19 lanços do caminho-de-ferro do Minho, por 17.398$600; as obras deveriam começar no prazo de 8 dias a contar daquele em que foi notificado a adjudicação e o prazo de execução seria de 7 meses; a tarefa compreendia os trabalhos desde o local da estação provisória de Valença, em Segadães, até ao da estação definitiva; 12 Agosto - portaria incumbindo a construção da parte da ponte a cargo do governo português ao engenheiro director da construção da última parte da construção do caminho-de-ferro do Minho; 10 Setembro - adjudicação à Société Anonyme de Construction et Entreprise de Travaux Publics, de Braine-le-Comte, a construção da parte metálica da ponte, por 205.766$000; ressalvou-se a conveniência da sociedade adjudicatária introduzir as seguintes alterações, sem agravamento de despesas para os Estado: introduzir painéis cheios na parte da rótula das vigas principais superior aos pilares; reforçar a ligação do tabuleiro superior com as vigas principais; substituir os pilares tubulares por pilares de pedra; Novembro - assinatura do contrato para a construção da ponte; data do projecto definitivo, da autoria do engenheiro J. Bazan; início dos trabalhos preparatórios para a construção do pilar encontro do lado da Galiza; a construção deste pilar bem como os dois primeiros pegões do lado da Galiza foram construídos por conta da Espanha, nomeando-se para superintendente destes trabalhos D. Manoel Fernandes Soller; 15 Novembro - lançamento da primeira pedra indicando o início das obras do lado de Portugal; a obra de cantaria do lado português e a montagem de toda a estrutura metálica teve a direcção do engenheiro Augusto Luciano Simões de Carvalho, director do último troço da Linha do Minho; a obra da estrutura metálica foi executada pela Sociedade Internacional Braine-le-Comte, da Bélgica; a fiscalização de materiais foi confiada ao Engenheiro Frederico Augusto Borges de Sousa; o chefe de secção foi o Sr. José António Carneiro Basto; a construção foi igualmente dirigida por Casaux e os chefes de trabalho foram Sant-Palais e Henri Onet; 1882, Setembro - início da colocação dos pilares; 1883, Junho - início da montagem do tabuleiro metálico, tendo-se começado pelo lado de Espanha; 1884, Abril - conclusão da colocação dos pilares; Junho - o tabuleiro atingiu o encontro do lado português; Julho - conclusão do tabuleiro; Agosto - ficaram ligadas as linhas férreas portuguesa e espanhola, tendo circulado sobre a ponte as primeiras vagonetas de serviço; 10 Outubro - conclusão da construção da ponte; 1885, 9 Fevereiro - início dos estudos de resistência da ponte; 11 Fevereiro - conclusão dos estudos de resistência da ponte; os dois Estados realizaram um convénio onde ficaram expressas as condições em que deveria ser feita a conservação da ponte; 1886, 25 Março - inauguração da ponte internacional sobre o rio Minho, com a passagem solene de um comboio com as bandeiras de Portugal e Espanha; 1898 - já estava construída a passagem superior da ponte, sendo a sua conservação entregue à Direcção de Obras Públicas de Viana do Castelo; 1913 - a ponte era iluminada pela SDAD Electricista de Tuy; 1916, Fevereiro - Ministro do Fomento ordenou que a Comissão de Verificação de Pontes procedesse urgentemente à vistoria da ponte internacional; 1928, Setembro - só se permitia a passagem para Espanha, pela ponte, a quem tivesse documentos legais, tentando assim impedir as senhoras de irem a Tuy comprar géneros de consumo; 1933 - alteração das condições relativas à conservação da ponte, ficando a JAE responsável pela manutenção da estrutura metálica, dividindo-se as despesas entre Portugal e Espanha, entre a JAE e a CP; 1955 - alargamento de 4 m. da estrada para a Ponte Internacional de Valença, pela Direcção das Estradas de Viana do Castelo; 1970 - estudo da ponte realizada pelo engenheiro Edgar Cardoso, concluindo a necessidade de realizar obras de beneficiação; 1993 - conclusão da nova Ponte Internacional Rodoviária sobre o rio Minho, a jusante da ponte metálica; 1997 - início do concurso para o projecto de reforço total da ponte.

Características Particulares

Estruturalmente constituída por duas vigas rectas e contínuas, a ponte Internacional de Valença, juntamente com a de Viana do Castelo, constitui um verdadeiro ex-libris na região dentro da sua tipologia. Os passeios nesta ponte surgem exteriormente às vigas tipo treliça, avançando da estrutura e contornando os pilares pegões-encontro. O acesso ao tabuleiro inferior, rodoviário, forma duplo L e o pilar mais próximo da margem esquerda assenta num entramado de pinho verde dada a ausência de rocha firme para a sua sustentação.

Dados Técnicos

Sistema estrutural misto.

Materiais

Estrutura do tabuleiro em ferro, pilares, pegões, muros de suporte das rampas e escadas de acesso em granito, gradeamentos metálicos, pavimento em alcatrão, carris em ferro e vigas de madeira.

Bibliografia

SAMPAIO, Francisco, Alto Minho. Roteiro Turístico - Viana do Castelo, Viana do Castelo, 1990, p. 73 - 74; ROCHA, J. Marques, Valença, Porto, 1991, p. 115 - 117; NEVES, Manuel Augusto Pinto, Valença - Das origens aos nossos dias, Valença, 1997; NEVES, Manuel, Augusto Pinto, Valença. Das origens aos nossos dias, Valença, 1997; MARTINS, Maria do Rosário França, TORRES, Maria Teresa Pinheiro e FREIRE, Paula Cristina Martins, Pontes Metálicas Rodoviárias, Lisboa, 1998; MARTINS, Carla Sofia, Comboios já podem passar a 90 quilómetros / hora. Terminam as obras na ponte antiga. Valença, O Comércio do Porto, 9 Março, 2002; NEVES, Manuel, Augusto Pinto, Valença. Entre a História e o Sonho, Valença, 2003

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; Direcção de Serviços de Pontes: Divisão de Projectos; Coleccionador particular de Valença

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Direcção de Serviços de Pontes: Divisão de Projectos; Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército Português: Repartição do Património Fortaleza de Valença - Tombo dos Prédios Militares. Prédio nº 1

Intervenção Realizada

1970, década - obras de beneficiação; Rede Rodoviária Nacional (REFER) / Rede Nacional de Ferrocarriles de Espanha (RENFE): 2001 / 2002 - obras de reforço da ponte, permitindo que a velocidade de cruzeiro no tabuleiro ferroviário passasse dos 10 para os 90 km/h e que a capacidade de carga aumentasse em cerca de 60%, ou seja, de 1550 para 2400 toneladas; substituição das longarinas, reforço do tabuleiro, introdução de contraventos suplementares, substituição parcial das vigas principais, reforço dos tramos da margem, beneficiando o passadiço lateral e os aparelhos de apoio da estrutura principal, substituição da via férrea.

Observações

*1 - Conforme as plantas apresentadas, o caminho-de-ferro atravessava o rio Minho em alinhamento recto, formando com a direcção N. / S. um ângulo de 29.º 40', e em Espanha outro de 110.º 20'. A extensão do dito alinhamento era de 658 metros, dos quais 415 estão em Espanha e os restantes 243 em Portugal. A ponte, construída a 22,70 metros de altura sobre o nível das águas de estiagem, seria formada por cinco tramos, três centrais de 66 metros de luz e dois laterais de 60 metros, tendo em cada encontro um tramo de 15 metros. O comprimento total da obra seria de 399 metros. A ponte teria circulação ferroviária e automóvel, de modo a economizar a construção de uma outra ponte. *2 - A parte da construção em pedra foi executada a expensas e administração de cada um dos países. A parte metálica foi construída sob a direcção portuguesa, tendo as despesas sido divididas, em partes iguais, pelos dois países. *3 - O ferro para a construção da ponte, proveniente de três fábricas vizinhas, foi reunido, na fábrica de Braine-le-Comte e provisoriamente montado para verificação dos ajustamentos. Depois de desmontado, o material foi embarcado no porto de Antuérpia com destino a Caminha, em navios à vela e de pequeno calado para entrarem na barra e ancorarem no rio Minho. *4 - O peso total da estrutura metálica é de 1 540 365 kg; o preço final da ponte orçou os 205.766$000 rs, custo repartido por Portugal e Espanha. *5 - No Arquivo Histórico dos Transportes Terrestres, no Fundo dos Caminhos-de-Ferro do Estado, Secção Construção, Cx. 132 (antiga cx. 1914), existe um projecto, assinado pelo Engenheiro Director Augusto Luciano S. de Carvalho e datado de 20 Agosto de 1884, para a construção, na Av. do tabuleiro inferior da ponte, de uma casa abarracada para despacho da alfândega e quartel de guardas, em virtude da alteração que no trânsito de peões, carros e animais, ia operar a ponte internacional sobre o rio Minho, por via do seu tabuleiro inferior destinado à estrada. A casa, de 3 pavimentos, devia ser construída na avenida, que ligava a ponte com a calçada da Gabiarra e que tinha as seguintes divisões: casa para despacho com lugar para 3 mesas e balanças; dormitório para 15 camas; dormitório de parede para uma cama destinado ao concordante da força; gabinete ou escritório para o mesmo; refeitório; cozinha; retrete; casa para arrecadação; a obra orçava em 3:634$425.

Autor e Data

Alexandra Lima e Paulo Amaral 1998 / Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login