Fórum Romano de Tomar

IPA.00006264
Portugal, Santarém, Tomar, União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
 
Forum romano de uma das 34 civitates estipendiárias fundadas pelo imperador Augusto. O forum, situado na confluência do Cardus com o Decumanus, era rodeado por edifícios públicos e privados, dos quais foram detectados a Praça pública, a Basílica, a Cúria e várias lojas; na zona envolvente vestígios de habitações circundadas por artérias em esquadria, contornadas por calçada. As manchas de construção urbana, a diversidade de testemunhos epigráficos e de fragmentos escultóricos, atestam que Sellium foi um núcleo urbano importante na época romana.
Número IPA Antigo: PT031418110034
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Político e administrativo central  Fórum romano    

Descrição

O forum situava-se no cruzamento de 2 artérias, o "Decumanus Maximus", na direcção E. / O. e o "Cardus Maximus", na direcção N. / S. O acesso fazia-se por galerias ou pórticos que atravessavam a O. e a E. a Basílica e a Praça. Dele resta parte das fundações da Praça pública, da Basílica (tribunal), da Cúria (local de reunião do Conselho da cidade) e das "tabernae" (lojas). A Basílica, de planta rectangular, que ocupava o lado S. da praça, conserva ainda a tribuna, a O. da nave central e 5 das 8 colunas do pórtico interno, vedado por gradeamento; a cada pilar correspondia um pedestal honorífico, virado para o templo, situado a N. da Praça; o acesso à Cúria e a 2 salas adjacentes fazia-se pela nave central da basílica. A Cúria, sala rectangular com c. de 116 m2 abria internamente para sala pequena, quadrangular, com c. de 20,29m2. No lado O. da praça vestígios das "tabernae" que para ela abriam, inicialmente resguardadas por pórticos, suportando balcões. Da malha urbanística de Sellium conhecem-se vestígios de "insulae" (prédios de rendimento) e "vici" (artérias que os serviam), situados a N. e a NE. do Forum.

Acessos

Rua Carlos Campeão; Avenida Norton de Matos; Rua Amorim Rosa

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 67/97, DR, 1.ª série-B, n.º 301 de 31 dezembro 1997

Enquadramento

Urbano, planalto. Na margem esquerda do rio Nabão, nas traseiras do edifício dos Bombeiros, ao lado do cemitério, na zona de crescimento urbano mais recente da cidade, circunscrito a N. pela R. de São Brás, a S. pelo cemitério, a E. pelo Ribeiro Salgado, a O. pela R. de Santa Iria. A área está vedada por taipais de metal.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Política e administrativa: fórum romano

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 01 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 01 - fundação da cidade de Sellium pelo imperador Augusto, desconhecendo-se porém qual seria o seu estatuto político-administrativo; séc. 05, 2ª metade - abandono da cidade provocado pelas invasões bárbaras.

Dados Técnicos

Materiais

Cantaria

Bibliografia

SILVA, Eugénio de Figueiredo e, Escavação Arqueológica no Cerrado de João do Couto em Tomar, Boletim dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo, vol. 3, Tomar, 1951; SOUSA, Vasco de, Uma cabeça de Augusto em Tomar, Revista de Conimbriga, vol. 16, Coimbra, 1977; PONTE, Maria La-Salete da, Algumas considerações sobre Tomar romana - "Sellium" - os testemunhos, Boletim Cultural e Informativo da Câmara Municipal de Tomar, nº 4, 1982; PONTE, Maria La-Salete da e SILVA, Victor M., Recuperação de alguns achados arqueológicos de Tomar - CEPPRT, Boletim Cultural e Informativo da Câmara Municipal de Tomar, nº 4, 1982; BATATA, Carlos e PONTE, Maria La-Salete da, Intervenções Arqueológicas na margem esquerda do Nabão, Boletim Cultural e Informativo da Câmara Municipal de Tomar, nº 5, 1983; PONTE, Maria La-Salete da, Inscrição do Forum de Sellium no tecido urbano de Tomar, trabalhos de arqueologia, in 1º Encontro Nacional de Arqueologia Urbana, Setúbal, 1985; Estação Arqueológica na R. Carlos Campeão: relatório preliminar de 1982 / 83, in Arqueologia na região de Tomar (da Pré-História à Actualidade), Tomar, 1985; ALARCÃO, Jorge de, O Domínio Romano em Portugal, Lisboa, 1988; Sellium - Tomar Romana, Tomar, 1989; AAVV, Imagens de Tomar - roteiro histórico, Tomar, 1990; A cidade romana de Sellium: marcas e memórias do passado urbano, A Cidade (Jornadas Inter e Pluridisciplinares) I, Lisboa, 1993, p. 81-94; Achegas sobre a Estrutura Urbana de Sellium (Tomar), XXII Congresso Nacional de Arqueologia, Vigo, 17-20 Nov. 1993; PONTE, S. da, Et alli, Sellium na História Antiga Peninsular, Congresso Peninsular de História Antiga, Coimbra, 1993, p. 511-550.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CEPPRT (Centro de Estudos e Prospecção do Património da Região de Tomar): 1981 - escavações realizadas - recolha de um entablamento junto ao edifício dos bombeiros; 1981 / 1983 - identificação de estruturas e recolha de artefactos referentes a várias ocupações humanas; 1984 / 1985 - alargamento da área de prospecção - estudo do módulo do Forum; 1986 / 1988 - intervenções pontuais - análise e interpretação do monumento.

Observações

Sellium situava-se no itinerário de Antonino, que ligava Olisipo a Bracara Augusta. 2 marcos miliários do séc. 3 foram encontrados na 2ª metade do séc. 19, junto à Igreja de Santa Maria do Olival (141811003); outro da mesma época foi encontrado junto a Santarém. Em redor de Sellium foram construídas várias vilas entre os séc. 1/2 e os sécs. 4/5, a mais importante das quais está situada no lugar de Caldelas, na freguesia da Madalena. A cidade de Sellium, integrada na Lisitânia Romana foi, como tantos outros polos urbanos, a cidade capital da "civitas" com uma área territorial definida por um "terminus augustalis". A "civitas" confinaria a S. com Scallabis, pelo paralelo de Torres Novas e a N. com Conímbriga, pelos paralelos de Alvaiázere ou Ansião; a E. ligar-se-ia a Aritium (Abrantes), pelo rio Zêzere, que servia de fronteira natural; a O. pelo paralelo de Pombal, e por entre as serras de Aire e de Sicó, separava-se de Collipo. O sistema viário da Civitas de Sellium incluia uma rede de estradas que uniam a cidade às "villae" e a área urbana de Sellium a outras cidades, ou seja, às civitates da Lusitânia Romana. Por Sellium passava uma das principais vias da rede viária do convento escalabitano, passando por ela a via militar Olisipo-Bracara Augusta, correspondente à via XVI do itinerário de Antonino. Sellium ocuparia as funções de "caput viarium". De entre o espólio romano com datação segura estão as moedas hispano-romanas de Augusto e de Tibério provenientes das oficinas de Emerita, bem como alguns denários em prata, emitidos nos finais do séc. I a.C e que circularam durante o séc. I d.C. na Lusitânia Romana, e ainda, a cabeça do imperador Augusto, encontrada nas imediações do forum e onde hoje existe o mercado da cidade, e que teria pertencido a uma estátua com c. de 2,90 m.

Autor e Data

Paula Noé 1996 / Isabel Mendonça 1997

Actualização

 
 
 
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