Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Fátima / Igreja de Nossa Senhora de Fátima

IPA.00006484
Portugal, Lisboa, Lisboa, Avenidas Novas
 
Arquitectura religiosa, modernista. Igreja paroquial que tenta fazer reviver uma verdadeira igreja paleocristã, ao nível da funcionalidade e disposição dos espaços, apesar do seu carácter de modernidade exterior e do ritmo neogótico impresso no interior. É de planta longitudinal composta por três naves escalonadas, divididas por pilares, por presbitério e capela-mor poligonal, com coberturas interiores em betão, planas ou em abóbada de ogivas, escassamente iluminada por frestas rasgadas nas fachadas laterais, na principal e pelos vitrais da fachada posterior. Fachadas revestidas a cantaria de calcário, percorridas por frisos do mesmo material, rematadas por friso de betão, com fachada principal rectilínea, com acesso ascendente por escadaria, possuindo exo-nártex, que liga a portas de verga recta, um central, amplo e dois laterais que acedem a pequenos vestíbulos e, através destes, ao templo. No lado esquerdo, torre sineira poligonal, com remate em coruchéu e baptistério isolado, mas articulado com a nave, circular, com cobertura em cúpula escalonada e com pequenas janelas rectangulares. Interior com seis capelas laterais, com simples altares de cantaria, amplo presbitério e pequena capela-mor, bastante elevada, onde se situa o altar-mor e um cibório com trono expositivo, na base do qual surge o sacrário.
Número IPA Antigo: PT031106230081
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta rectangular irregular, composta por igreja e um Centro Paroquial, separados por pequeno corredor longitudinal, pavimentado a calçada de calcário. IGREJA de planta longitudinal, formada por três naves escalonadas, a central bastante mais larga, com três capelas adossadas de cada lado, antecedidas por exonártex, que apenas abre para a nave principal, com baptistério e torre sineira adossados ao lado direito, capela-mor mais estreita, tendo várias dependências adossadas à fachada posterior, formando as capelas mortuárias no piso térreo e as dependências paroquiais no superior, com coberturas diferenciadas em terraços não praticáveis, de betão com tela asfáltica e material drenante, formado por gravilha. Fachadas percorridas por alto embasamento de cantaria cinza saliente, encimado por placas do mesmo material, em liós branco, interrompidas, equidistantemente, por frisos salientes de calcário cinza, com as paredes superiormente rebocadas e pintadas de branco, rematadas por friso de betão. Fachada principal virada a E., marcada, no lado esquerdo, por cunhal mais alto que o edifício, onde se ergue a imagem do orago, em cantaria de calcário; é rasgada por três janelões rectangulares, divididos por molduras salientes e protegidos por vitral. Na zona inferior, o corpo saliente do exonártex, encimado por treze edículas rectangulares, cada uma albergando um Apóstolo, com acesso por amplo vão rectangular, com cobertura de betão, forrada a pequenas tesselas, brancas, cinzentas e rosas, tendo, ao centro, um pequeno cupulim, pintado de azul, a fingir o firmamento e um resplendor, surgindo, na base, e dispostas de forma concêntrica, várias ovelhas. O nártex acede ao templo por portal axial de verga recta, amplo e com duas folhas de madeira, e por duas portas laterais, com o mesmo perfil e com uma folha de madeira, estas de acesso a dois pequenos vestíbulos. A fachada é flanqueada por dois corpos de menores dimensões, marcando os vestíbulos e as naves laterais, surgindo, sobre a do lado direito, a torre sineira, quadrangular, mas com os ângulos truncados por pequenos ressaltos, rematada em coruchéu octogonal, com cata-vento de broze no topo; cada face é rasgada por cinco pequenas frestas, que iluminam a escada de acesso às sineiras, rectilíneas e protegidas por adufas geométricas, a frontal e posterior ostentanto enorme cruz latina. Ao lado da torre, criando um corpo individualizado, mas articulado com a igreja, o Baptistério, de planta circular e cobertura em falsa cúpula escalonada, em betão, com cruz no vértice; toda a sua superfície é revestida a cantaria de liós, com frisos salientes cinzas, possuindo, no lado NE., sete vãos rectilíneos, divididos por colunas cilíndricas, protegidos por vitrais. As fachadas laterais são semelhantes, tendo, no corpo da nave um ressalto e seis pequenos contrafortes, que ajudam a escorar a cobertura interna, onde se rasgam cinco frestas longilíneas, protegidas por vitral. Num nível inferior, os corpos das naves laterais, iluminadas por frestas rasgadas nas faces laterais. No topo O., escadas de acesso ao interior do templo, com guardas de cantaria capeadas e corrimão metálico, que levam a um patamar, onde se rasgam portas de verga recta, protegidas por uma folha de madeira. Sobre a porta do lado direito, surge uma sineta, protegida por estrutura de cantaria a duas águas, sustentada por duas mísulas do mesmo material. Fachada posterior marcada por um presbitério, ligeiramente mais estreito que a nave, cego, e a capela-mor, formando polígono de cinco faces, marcadas por contrafortes de cantaria, sendo as faces totalmente preenchidas por vitrais, inscritos em quadrados, com molduras vazadas. Na base da capela-mor, um corpo de dois pisos, o inferior correspondente às capelas mortuárias, rasgadas por sete janelas rectilíneas, surgindo, no segundo, a zona do cartório e sacristia, com sete janelas angulares, com molduras recortadas superiormente. INTERIOR com quatro vestíbulos em cada ângulo, revestidos a cantaria, com tectos planos e pavimento em lajeado, possuindo, uma porta de acesso ao templo, e nos situados no topo, uma porta de acesso a anexos. Tem três naves de oito tramos, o primeiro ocupado pelo coro-alto, separadas por amplos pilares de cantaria, onde surgem as cruzes de sagração, pintadas de dourado, ao longo das quais correm, exteriormente, dois corredores junto à cobertura, que funcionam como piso técnico para ventilação lateral e acesso aos holofotes de iluminação e manuseamento dos candeeiros da nave central. As paredes apresentam alto lambril de cantarias, com a zona superior e coberturas pintadas de azul. Tem pavimento em cantaria de calcário, com parquet na zona dos bancos dos assistentes, e coberturas diferenciadas, planas e em betão, cortada, na nave central, por sete arcos diafragma de perfil apontado, também em betão e possuindo as zonas superiores vazadas em quadrícula, ornada com candelabros, cálices, pombas e cruzes de Cristo e o intradorso pintado com estrelas. Junto aos portais, surgem pias de água benta em mármore preto, de perfis poligonais, com um nicho com a mesma forma, assentes sobre mísula. Coro-alto em betão com guarda plena, pintada com a Coroação da Virgem, ao centro, flanqueda pelas figuras de São Teotónio, Beato Nuno Álvares, João de Deus, São Gonçalo, Santo António e São João de Brito, surgindo, no lado oposto, as Virgens Júlia e Máxima, Beata Teresa, Santa Isabel, Santa Luzia e Beata Beatriz. Nele, ergue-se um Grande Órgão e é iluminado por janelas protegidas por vitral, compondo uma Crucificação tripartida. As frestas das naves, também em vitral, apresentam imagens da Virgem, com 10 invocações e cenas bíblicas ou profanas, alusivas à invocação representada. Para cada uma das naves laterais abrem três capelas, de perfil poligonal, revestidas a brecha da Arrábida, iluminadas por duas frestas, com vitrais a representar turíbulos. São dedicadas a Santo António, Nossa Senhora do Carmo e Sagrado Coração de Jesus, no lado do Evangelho, surgindo, no oposto, Santa Teresinha, São José e Nossa Senhora das Dores. Confrontantes, nos ângulos das naves, surgem dois espaços rasgados no muro, com acesso por um degrau, onde se dispõem, no lado O., quatro confessionários e, no oposto, dois, todos em madeira. No lado da Epístola, uma escada de dois lanços, com uma sucessão de vãos rectilíneos, acede ao Baptistério, protegido por teia metálica, decorada por folhas estilizadas. O espaço é circular, preenchido a mosaico azul, onde surgem representadas a árvore da Vida e cascatas de água, elementos que se repetem nos vitrais que protegem as janelas. Possui cobertura escalonada, ornada por pombas e, exteriormente, por ovelhas, possuindo várias inscrições. Ao centro, a pia baptismal circular, metálica, centrada pela figura de São João Baptista. O presbitério é marcado por amplo arco apontado, onde surgem símbolos salvíficos, identificados por dísticos latinos, surgindo, do Evangelho para a Epístola a Nau, com a inscrição "ARCA SALVIFICA", um sacrário, com a inscrição "TABERNACVLVM DEI", uma âncora com peixes, símbolos de Cristo e da Esperança na salvação, um castelo, com a inscrição "CELESTIS HIRUSALEM" e uma nau, com a inscrição "NAVIS PRETI". Neste espaço, elevado relativamente à nave e protegido por balaustrada em mármore preto, com vão central, surgem dois ambões semicirculares em mármore negro. Arco triunfal em arco apontado, com a base em mármore e a zona superior pintada com cenas de sacrifício, surgindo, no lado do Evangelho, a figura de Abel oferecendo um cordeiro, com a inscrição "O SENHOR AGRADOV-SE DE ABEL E DOS SEVS DONS", sucedendo-se o Sacrifício de Isaac, com a inscrição "ABRAÃO TOMOV O CVTELO PARA IMOLAR O SEV FILHO"; no lado oposto, a figura de Melquisedeque a oferecer sacrifício, com a inscrição "MELQVISEDECH OFERECEV EM SACRIFICIO PÃO E VINHO", a que se sucede a figura de Arão a sacrificar um animal, com a inscrição: "ARÃO ABEIRANDO-SE DO ALTAR IMOLOV O NOVILHO"; sobre estas cenas pairam vários anjos e, no topo, uma figura que sustenta o Mundo. A parede testeira é poligonal, com lambril em cantaria, encimada por um pano de muro pintado com o fundo azul e onde surge o Tetramorfo, tendo, no lado do Evangelho, o Leão e o Anjo, e, no lado oposto, o Touro e a Águia, envolvidos por símbolos eucarísticos. Sobre esta estrutura, a parede evolui em vitrais de fundo azul, formando uma quadrícula miúda, onde estão representados vários anjos cantores e músicos. Altar-mor em cantaria, por detrás do qual surge o sacrário, embutido num cibório, composto por base de cantaria, de onde evolui uma estrutura de quatro pilares, que sustentam cobertura piramidal, forrada a mosaico dourado e com símbolos eucarísticos, que protege trono expositivo de cinco degraus escalonados; o acesso a este processa-se por duas escadas de perfil curvo, em cantaria e com guardas escalonadas do mesmo material. Este espaço é coberto por um tecto plano, onde surge a figura do Espírito Santo, contra o fundo azul. Confrontantes, surgem duas portas de verga recta, a do lado do Evangelho de acesso à sacristia e a oposta à zona do cartório paroquial. No lado esquerdo e independente, o CENTRO PAROQUIAL, onde funcionam várias actividades e se situa a habitação dos párocos. No lado E., situa-se o antigo Cinema Berna, com fachadas cegas, excepto a virada a S., que possui ampla porta de verga recta, que dava acesso ao antigo Cinema. Ao lado, prédio de cinco pisos, que funciona como aglutinador de várias funções, tendo sala de catequese, salão de festas, cozinha, refeitório, hospedaria e casa do pároco, com acesso pelo lado S., por um alpendre gradeado. As fachadas são rasgadas regularmente por vãos rectilíneos, que, no lado N., correspondem, no piso inferior, a portas de acesso às várias dependências, protegidas por palas de betão.

Acessos

Situada entre a Avenida Marquês de Tomar (fachada principal), Rua Elias Garcia (fachada lateral esquerda), Avenida de Berna (fachada lateral direita) e Rua Poeta Mistral (fachada posterior). WGS84 (graus decimais) lat.: 38.739658, long.: -9.150791

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 516/71, DG, 1.ª série, n.º 274 de 22 novembro 1971 / ZEP, Portaria n.º 688/2010, DR, 2.ª série, n.º 183 de 20 setembro 2010

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, isolado, ocupando um quarteirão, implantado numa zona plana, sendo parcialmente rodeado por um murete de cantaria, baixo e simples, vazado superiormente, a que se adossam, no interior, canteiros com arbustos e algumas árvores de médio porte, formando um adro, fechado, a S., pelas dependências paroquiais. O adro encontra-se pavimentado a calçada de calcário e tem acesso por três vãos frontais, um no lado direito e um quinto na zona posterior, todos protegidos por grades metálicas pintadas de preto e vazadas por elementos geométricos. O acesso ao interior do templo processa-se por duas escadas posteriores e, à entrada principal, por uma escadaria de dois lanços, com pequeno patim, possuindo, junto à fachada, um corrimão de ferro, pintado de preto, surgindo, num dos degraus, a inscrição: "FOI ARQUITECTO DESTA IGREJA PORFIRIO PARDAL MONTEIRO 1896-1957". Adossado à fachada lateral direita, um canteiro com relva e algumas plantas e arbustos. Fronteiro ao edifício, surgem prédios de rendimento, constituindo parte das denominadas Avenidas Novas, todas elas largas e com um canteiro intermédio com árvores, surgindo, no lado direito, o edifício da Universidade Nova de Lisboa, que ocupa um antigo quartel.

Descrição Complementar

O Apostolado da fachada principal apresenta, da esquerda para a direita, as imagens de São Simão, São Bartolomeu, São Judas Tadeu, São João Evangelista, Santo André, São Pedro, Cristo, São Paulo, Santiago Maior, São Tiago Menor, São Filipe, São Mateus e Judas. O órgão tem Positivo, Expressivo, Grande Órgão, Recitativo e Pedaleira. Nos vitrais da nave, surgem, do lado do Evangelho para a Epístola, Nossa Senhora das Dores, sobre uma Pietà e a inscrição "MATER DOLOROSA", a Nossa Senhora do Carmo, a salvar, com o Menino, Almas do Purgatório, com a inscrição "? CARMELO"; segue-se Nossa Senhora da Conceição sobre figuras orantes e a inscrição "IMMACULATA"; Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora com o Menino, com vários barcos e a inscrição "STELLA MARIS"; no lado da Epístola, a Virgem, tendo, na zona inferior, vários bispos e a inscrição "DOMINA POPULI", Nossa Senhora da Apresentação, surgindo, na base, vários trabalhadores e a inscrição "REGINA CHRISTI MATER"; sucede-se a Senhora da Natividade, tendo, na base, o berço com o Menino e a inscrição "MATER DEI", Nossa Senhora da Assunção e Nossa Senhora de Fátima, rodeada pelo Pastorinhos e a inscrição "MATER NOSTRA". Na nave central, surgem, numeradas e partindo do Evangelho para a Epístola, as 14 Estações da Via Sacra, pintadas em pequenos painéis quadrangulares, a representar Ecce Homo, Jesus pega na Cruz, Jesus inicia o caminho do Calvário, Jesus encontra a Virgem, Cireneu ajuda Cristo a transportar a cruz, Verónica limpa a face de Cristo, Queda, Jesus consola as mulheres de Jerusalém, Queda, Cristo é destituído das vestes, Crucificação, Calvário, Pietà e Deposição no túmulo. As capelas laterais possuem altar de mármore negro, encimado por banqueta do mesmo material, com painel rectilíneo, em mosaico, onde surgem as figuras dos oragos, com inscrição identificadora e um atributo; nas faces laterais, ábacos simples em mármore negro. A Capela de Santo António apresenta uma cruz e a inscrição "SANTO ANTONIO", a de Nossa Senhora do Carmo, as insígnias carmelitas e a inscrição "NOSSA SENHORA DO CARMO", a seguinte com uma cruz envolvida por cadeias e a inscrição "SAGRADO CORAÇÃO". No lado oposto, a Capela de Santa Teresinha, com várias rosas e a inscrição "SANTA TERESINHA", sucedendo-se o painel com a vara florida e a inscrição SÃO JOSÉ; na última capela, um coração atravessado por sete setas e a inscrição "NOSSA SENHORA DAS DORES". O baptistério tem, no topo da cobertura, a inscrição: "VOCAVIT DEVS IN LVMEN MIRABILE" e, mais abaixo, "INALTIS MONTIBVS ERVINT PASCVA OVIVM". No lado do Evangelho, a ladear o presbitério, uma lápide com a inscrição: "D.O.M. DEI PARÁ VIRGINIS MARIAE SIGNVUM MACNVM QVOD MITISSIMVM TEMPORA NOBIS PRAENVNTIANS BENIGNIORA APVD FATIMAM IN COELO ADPARJII GLORIOSO SVB NOMINE ECCLESIAM HANC ARCHIGODALITATIS SS. SACRAMENTO PECVNIIS IMIS AB OPERIBVS FELICITER EXSTRVCTAM D.D. EMMANVEL HOC NOMINE SECVNDVS OLISIPONENSIS ALMAE ECCLESIAE PATRIARCHA S.R. E PRESBYTER CARDINALIS CLERI ATQVE POPVLI VNANIMI RITV CONSECRAVIT III IDIB MAI MCMXLIV PII DIV PROVIO PP XII PONTIF ANNO VI".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTOS: António Martins (1934); Daciano da Costa (1970); Fernando Batalha (1934); João Faria da Costa (1934) Porfírio Pardal Monteiro (1934); Rodrigues Lima (1934). EMPREITEIRO: Diamantino Tojal (1934-1938); ENGENHEIROS: Bélard da Fonseca (1934); Ricardo Teixeira Duarte (1934). ESCULTORES: Anjos Teixeira, Filho (1935), António da Costa (1938), Barata Feyo (1938), Francisco Franco (1934), Leopoldo de Almeida (1938), Raul Xavier (1936). PINTORES: Henrique Franco; José de Almada Negreiros (1938), Lino António (1938). PROGRAMA CONSTRUTIVO E ICONOGRÁFICO: Don Martin (SB) (1934); SISTEMA DE AQUECIMENTO: Firma Eugène Labat (1938). VITRALISTAS: José Alves Mendes (1938); Ricardo Leone (1938).

Cronologia

1933, 7 Junho - venda da Igreja de São Julião (v. PT031106480709) ao Banco de Portugal, visando a construção de uma nova igreja com o mesmo orago e instituição de uma nova paróquia; a verba obtida foi destinada à futura paróquia que se pensava construir nas Avenidas Novas; a encomenda terá sido feita pela "Sociedade Progresso de Portugal"*1; 1934, Agosto - início da sua construção, num terreno pertencente à Quinta do Canas, conforme projecto de Porfírio Pardal Monteiro, ajudado por Rodrigues Lima, João Faria da Costa, António Martins e Fernando Batalha; o programa construtivo e iconográfico teve a atenção do monge beneditino Don Martin, da Abadia de Lovaina; feitura da estrutura em betão armada conforme projecto do engenheiro Bélard da Fonseca; fundações estudadas pelo Engenheiro Ricardo Teixeira Duarte; as obras decorreram a cargo do empreiteiro Diamantino Tojal; 1935 - execução da porta do sacrário e da imagem de Santa Teresinha por Anjos Teixeira, Filho; 1936 - inicialmente pensada para ser a paroquial de São Julião, foi determinada a escolha do novo orago, o de Nossa Senhora de Fátima; execução do Apostolado da fachada principal por Francisco Franco; 1938 - feitura do Crucificado por Barata Feyo; Lino António executa a Coração da Virgem e os Santos Portugueses, no coro-alto da igreja, bem com as pinturas da capela-mor; feitura dos vitrais e mosaicos da Igreja, incluindo do baptistério, por Almada Negreiros; execução da imagem de Nossa Senhora de Fátima por Leopoldo de Almeida; execução da imagem de Santo António por Raul Xavier; feitura da imagem exterior de Nossa Senhora de Fátima por António da Costa; execução do órgão na Casa Tamburini de Milão; pintura da Via Sacra por Henrique Franco; instalação de um sistema de ventilação e aquecimento pela Firma Eugène Labat; 1938, Outubro - efectua-se a inauguração com a presença do Cardeal Patriarca e do Presidente da República; ainda este ano recebe o Prémio Valmor *2; 1969, 05 dezembro - parecer da Junta Nacional da Educação, a propor a classificação como Imóvel de Interesse Público; 1970 - construção das capelas mortuárias, sendo o mobiliário da autoria de Daciano da Costa; 09 janeiro - Despacho de homologação da classificação pelo sub-secretário de Estado da Administração Escolar; 1973, 5 Março - verifica-se a necessidade de restaurar os vitrais da capela-mor, cujo betão se encontrava degradado e o ferro oxidado, colocando-se a hipótese de utilizar alumínio anodizado na estrutura, solicitando-se apoio à Fundação Calouste Gulbenkian; a humidade proveniente destes originava problemas a nível das pinturas murais; 1 Setembro - verifica-se que um vitral das Capelas mortuárias, a representar a Pietà se encontrava deteriorado; 1978, 22 Abril - a DGEMN solicita apoio ao LNEC, para verificar o tipo de betão a utilizar na grelhagem; 26 Junho - o Secretário de Estado da Cultura comparticipa com 1 milhão de escudos para o restauro dos vitrais da capela-mor; 1979, 1 Fevereiro - a fundação Calouste Gulbenkian comparticipa com 1 milhão de escudos; 1994, 06 Julho - um assalto à igreja danificou um dos maiores painéis dos vitrais da capela-mor; 1996, 4 Janeiro - carta do pároco à DGEMN denunciando que os vitrais deixam entrar águas, que existem infiltrações a partir do terraço, pelo facto da tela se ter deslocado, provocando infiltrações no coro-alto e na instalação eléctrica; 1997 - os técnicos da DGEMN detectam problemas na grilhagem de betão; 1999, 13 Agosto - elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN; 2007, 16 março - proposta de definição da Zona Especial de Proteção pela DRLisboa; 16 maio - parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR; 2008, 28 janeiro - Despacho de homologação da definição da Zona Especial de Proteção da Ministra da Cultura.

Características Particulares

Igreja que foi, pela adopção de novas técnicas de construção e pelo tratamento exterior, em betão, de certa forma pioneira no âmbito da arquitectura portuguesa religiosa do século 20. No seu interior ainda se utiliza um tratamento espacial de certo modo convencional, ritmado por uma estrutura de arcos quebrados de inspiração gótica, a que correspondem contrafortes exteriores, possuindo uma espacialidade interna ampla, que o exterior não deixa percepcionar. Contudo e apesar da nota modernista, tenta aproximar-se dos ideias de uma igreja paleocristã, com torre e baptistério isolados, a primeira proeminente, possuindo um adro fechado, um exo-nártex, tendo o interior seccionado por presbitério, isolando os fiéis do espaço destinado aos celebrantes, com ambões laterais e uma capela-mor unitária de perfil poligonal, que tenta reviver os espaços das absides dos primeiros tempos cristãos. No exo-nártez, surge um pequeno cupulim com a cruz salvífica, rodeado de ovelhas dispostas de forma concêntrica, mostrando ao crente que a salvação se encontra no interior do templo e no seguimento dos preceitos religiosos. De destacar a existência de uma amplo cibório, estrutura que não era utilizada desde a Idade Média, com um carácter expositivo. A igreja possui um programa iconográfico salvífico, através da oração à Virgem e dos sacrifícios, visível em toda a decoração pictórica, com amplas inscrições em latim e português, que passam esta mensagem, bem como na vitralista, onde a Virgem, a nau da Igreja e a Crucificação são uma constante. De destacar a excelente pintura e vitrais que protegem os vãos da igreja, especialmente na capela-mor, onde se cria uma teia de vidro, preenchida por anjos que adoram a figura de Maria. Na fachada principal, surge o único Apostolado completo que existe no país, com a figura dos doze Apóstolos. Num contraposto à torre, coroa o cunhal esquerdo da fachada principal uma enorme imagem do orago. O recurso à cobertura plana e a adopção por uma transparência interna devida à utilização do vitral tem influências nítidas da Igreja de Notre Dame de Raincy, do arquitecto parisiense Augusto Perret, projectada em 1923.

Dados Técnicos

Estrutura autónoma de betão com panos de alvenaria.

Materiais

Estrutura em betão armado, revestido a cantaria de calcário liós e mármore; pilares interiores, balaustrada do presbitério, ambões e altares em mármore; sineira, escadas, guardas, modinaturas, pequenos contrafortes, frisos, escadas, pavimentos em cantaria de calcário liós; janelas com vitral; confessionários, portas e bancos de madeira; paredes revestidas a pinturas murais

Bibliografia

MONTEIRO, Pardal e BELARD, José Fonseca, L' Église de Notre-Dame de Fátima à Lisbonne, in, La Technique des travaux, Avril, 1939; LIMA, Durval Pires de, Inventário de Lisboa, Fascículo XI, Lisboa, 1956; BAIRRADA, Eduardo Martins, Prémio Valmor, 1902 - 1952, Lisboa, 1988; FRANÇA, José Augusto, A Arte em Portugal no Século XX, 1911 - 1961, 2ª Ed., Lisboa, 1984; PORTELA, Artur, Salazarismo e Artes Plásticas, 2ª Ed., Lisboa, 1978; BAIRRADA,Eduardo Martins, Premio Valmor (1902-1952), Lisboa, 1986; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; Almada Negreiros - um percurso possível, Lisboa, 1993; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatório da intervenção na pintura da varanda do coro-alto, Cacém, 1997; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra, Relatório da intervenção em oito passos da Via Sacra, por Luís Soares, Cacém, 1997.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/Arquivo Pessoal de Daciano da Costa, DGEMN/Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID, Carta de Risco; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/011-1462/1 a 3, DGEMN/DSARH-010/125-0012/01 a 04, DGEMN/Carta de Risco; Escola Profissional de Recuperação do Património de Sintra

Intervenção Realizada

1941 - restauro do órgão por João Sampaio; PROPRIETÁRIO: 1978 - restauro do exterior do imóvel pela firma Alves Ribeiro, Lda.; DGEMN: 1978 - montagem de um tapume destinado a envolver exteriormente a capela-mor, para se poder realizar o restauro dos vitrais; 1979 - desmontagem dos vitrais e respectiva grilhagem; início da construção da nova grilhagem pela firma Percivil, Lda.; restauro e feitura de novos vitrais por José Alves Mendes, tendo que se encomendar vidros ao estrangeiro e construir fornos especiais de cozedura; 1980 - o arquitecto Quirino da Fonseca desloca-se à igreja para estudar o tipo de suportes a utilizar para o vitral; 1982 - o LNEC faz ensaios de betão; 1983 - montagem dos módulos de betão e construção da caixilharia para fixar o vitral, por José dos Santos Pereira; colocação dos vitrais e betumagem com mastique na face interior; regularização da calçada à portuguesa, na zona onde estiveram os tapumes; reparação da ruptura do ramal de abastecimento de águas; 1984 - reparação e conservação do fecho do arco do altar-mor; 1986 - restauro do órgão por António Simões; 1997 - conservação da grelhagem de suporte dos vitrais da capela-mor, com picagem do existente, consolidação e preenchimento com massa de enchimento; pintura destas argamassas com cor cinza, semelhante ao betão; ESCOLA PROFISSIONAL DE RECUPERAÇÃO DE PATRIMÓNIO DE SINTRA: 1997 - intervenção na pintura da varanda do coro-alto, com limpeza, fixação da folha de ouro, preenchimento das lacunas do reboco e reintegração cromática pontual; intervenção em oito passos da Via Sacra (n.º 1, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 14), com limpeza, fixação da camada pictórica, aplicação de argamassas e reintegração cromática; 1999 - pintura geral exterior e reparação das coberturas; PROPRIETÁRIO: 2008 - restauro de um dos vitrais da nave, no lado do Evangelho

Observações

*1 - a "Sociedade Progresso de Portugal" encomendou, também, em 1932, o Seminário dos Olivais ao mesmo arquitecto. *2 - o Prémio Valmor foi instituído por testamento do Visconde de Valmor, deizando, em 10 de Abril de 1897, deixando um legadoà CML para instituir um prémio de arquitectura dos edifícios executados em cada um dos anos. a 3 deSetembro de 1898, novo testamento, estipulando a quantia de 50:000$000 réis para o efeito; em 1902, a Câmara estabelece, pela primeira vez, as condições do concurso e refere que o prémio seria de 1:800$000 réis, a dividir, em partes iguais e exigia o cumprimento de determinadas cláusulas, como a doação de uma quantia ao proprietário e ao arquitecto, além de um diploma comprovativo; a Câmara tinha que convocar um juri anual, em Março, formado por 3 arquitectos; havendo mais que um edifício, existiriam menções honrosas. O júri que atribuíu o prémio à Igreja de Fátima era constituído pelos arquitectos António Couto Martins, em representação da Câmara Municipal de Lisboa, José Ângelo Cottinelli Telmo, da Academia Nacional de Belas Artes e Jorge de Almeida Segurado, do Sindicato Nacional dos Arquitectos.

Autor e Data

João Silva 1991 / Paula Figueiredo 2008

Actualização

 
 
 
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