Igreja do Convento do Carmo / Museu Arqueológico do Carmo

IPA.00006521
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitetura religiosa, gótica e barroca. Igreja de Convento Carmelita, seguindo o esquema mendicante, de planta em cruz latina, composta por três naves escalonadas, com quatro tramos definidos por pilares fasciculados, com transepto saliente e cabeceira escalonada, composta por abside e quatro absidíolos, todos poligonais, com coberturas interiores diferenciadas, de aresta nos absidíolos e em abóbada de lunetas, barroca, na capela-mor. A fachada principal deixa antever a estrutura interna, embora arruinada, tripartida com ressalto central e portal escavado, composto por várias arquivoltas apontadas, assentes em colunas ornadas por figuras antropomórficas e com capitéis de ornamentação vegetalista, esquema que se repete na porta travessa, inscrita no transepto, apesar de se encontrar encimada por alfiz. É rasgada por amplo óculo circular. O interior não era iluminado uniformemente, com as naves laterais a receber iluminação directa, através de janelas em arco apontado. Este possui as paredes divididas por enormes pilares, de construção barroca, que circunscreviam as inúmeras capelas laterais. Sacristia surge no lado esquerdo, com acesso pelo absidíolo exterior do Evangelho, fazendo parte da zona museulógica.
Número IPA Antigo: PT031106270007
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Igreja de planta em cruz latina, composta por três naves longitudinais, um transepto pouco saliente e cabeceira escalonada, formada por abside e quatro absidiolos laterais intercomunicantes, dois deles abrindo para o transpeto, tendo a antiga sacristia adossada à fachada lateral esquerda, de volumes escalonados e sem coberturas, excepto nas zonas alvo de projecto de museulização, em terraço. Fachadas em cantaria de calcário aparente, em aparelho isódomo, percorridas por embasamento do mesmo material. Fachada principal virada a O., tripartida, denotando o esquema interno do templo, com a zona central saliente, flanqueada por contrafortes de esbarro, onde se enquadram mísulas e lápides com inscrições, rematada por pequeno talude, que se une à zona superior do centro da fachada, onde é visível um enorme arco, correspondente a um janelão circular que iluminava o coro-alto. Sob este, o portal escavado, em arco apontado e composto por sete arquivoltas, as exteriores prolongando-se até ao pavimento e as interiores assentes em colunas de fuste liso, entrecortadas por muro biselado, onde se enquadram pequenas figuras antropomórficas, que se repetem no capitel, com o cesto preenchido com folhagem em relevo *2. O vão está protegido por portas de madeira almofadada. Lateralmente, surgem dois panos, rematados em empena e cornija saliente, cada um deles rasgado por janelão rectilíneo. A fachada lateral esquerda encontra-se adossada à zona conventual, sendo a oposta, virada a S., marcada por quatro possantes contrafortes, marcando as capelas laterais, com o pano mural rasgado por janelas em arco apontado, formando ligeiro capialço e com molduras de cantaria. A estes sucede-se a porta travessa, actualmente sem função, junto à qual ainda é visível a antiga Calçada de acesso ao Convento, a partir do Rossio. A porta é saliente, em gablete, enquadrando vão trilobado, sobre o qual evoluem quatro arquivoltas apontadas, assentes em quatro colunas de fuste liso, com capitéis em colchete e os intercolúnios ornados por flores-de-lis. A porta está protegida por folhas de madeira almofadada. Sucede-se a cabeceira, sustentada por um arcobotante. Fachada posterior escalonada, composta por cinco espaços poligonais, com os segmentos definidos por contrafortes bastante salientes e profundos. Ao centro, a abside, rasgada por dois registos de janelas, as inferiores de maiores dimensões, todas em arcos apontados e com três arquivoltas. Os absidíolos intermédios rematam em platibandas plenas, assentes em cachorradas e encontram-se rasgados por altos lumes em arcos apontados, esquema que se repete nos absidíolos exteriores, o do lado direito parcialmente integrado na zona conventual. INTERIOR de três naves escalonadas divididas em quatro tramos definidos por pilasres fasciculados, compostos por quatro colunas embebidas, criando uma planta crucífera, com altos capitéis estriados e ornados por folhagem, que sustentam os arcos torais apontados. As paredes laterais encontram-se divididas em dois registos, por friso saliente, sendo em cantaria de granito aparente, com as juntas argamassadas, onde se enquadram, confrontantes, os vestígios de oito capelas laterais *3, flanqueadas por duas ordens de pilares, assentes em altos plintos paralelepipédicos, de onde partem os arcos apontados, com apenas uma arquivolta, que circunscreviam as estruturas retabulares. Sobre estes, janelas em arcos apontados com uma arquivolta e varadim vazado por elementos lobulados. O pavimento é em calçada de calcário, que enquadra duas zonas relvadas. O portal axial acede ao templo por escadaria descendente, no topo da qual surge a bilheteira. São ladeadas por dois corpos de cantaria, rasgados por portas e janelas de peitoril rectilíneas com molduras de cantaria e caixilharias de madeira com vidros simples. Os arcos de acesso ao transepto são apontados e este seria mais elevado, tendo, no lado da Epístola, a porta travessa, em gablete, que enquadra duas arquivoltas apontadas, tendo no topo cogulho, rodeando o vão trilobado, encimado por quadrifólio entaipado. No topo oposto, uma réplica desta estrutura. O acesso à cabeceira processa-se, actualmente, por pequeno portal de verga recta, flanqueado por colunelos finos, apresentando, no intercolúnio, grotesco e, superiormente cordame torso, criando cogulhos internos. Sobre esta, uma janela mainelada, constituída por colunelos assentes em duas carrancas, e ornada por elementos cordiformes e vegetalistas, proveniente do Mosteiro dos Jerónimos. No interior, a abside tem quatro tramos definidos por pilastras e arcos da abóbada, em tijoleira, rasgada por janelas de lunetas, que reforçam a existência de duas ordens de lumes. Os absidíolos apresentam abóbadas de aresta, com bocetes decorados, que se apoiam em colunas adossadas às paredes laterais. Partindo do absidíolo do Evangelho, tem-se acesso à antiga sacristia, transformada em loja do Museu.

Acessos

Largo do Carmo

Protecção

MN - Monumento Nacional, Decreto 10-01-1907, DG n.º 14 de 17 janeiro 1907, Decreto 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 (Igreja) *1 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966) e na Zona de Proteção do Elevador de Santa Justa (v. IPA.00003146)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, destacado, adossado, no lado esquerdo, ao Convento do Carmo, actualmente utilizado como Quartel da GNR (v. PT031106270328), bastante adulterado por obras várias. Surge em zona de fortíssimo declive, praticamente no topo de uma das colinas da cidade, com a fachada principal a abrir para um amplo largo, enquadrado por edifícios residenciais, de construção pombalina, tendo ao centro, uma ampla plataforma, onde surgem várias esplanadas, o Chafariz do Carmo (v. PT031106270020) e o Quiosque. O acesso ao mesmo faz-se por duas rampas laterais, no lado direito a Calçada do Sacramento, e no esquerdo a Calçada do Carmo, ou através do Elevador do Carmo (v. PT031106480366), cujo passadiço de ligação ao largo corre paralelo à fachada lateral direita da Igreja. O acesso ao templo encontra-se a um nível inferior à cota da via pública, sendo vencido por três lanços de escadas, criando um pequeno patamar fronteiro ao portal axial, pavimentado a lajeado de granito. A cabeceira do edifício marca esta colina, sendo visível da zona baixa da cidade, mais precisamente da Praça do Rossio.

Descrição Complementar

A ladear o portal principal, no lado esquerdo, surge a inscrição gótica gravada na pedra "NA ERA DE 1523 AOS 30 DIAS DO MEZ DE AGOSTO FOI SAGRADO ESTE MOSTEIRO PR D. AMBRÓSIO, BISPO DE ROSSIONA, QUE CONCEDEO A TODOS OS VISITANTES DESTA CAZA, QUARENTA DIAS DE REMISSÃO DOS PECCADOS, E PELA ORDEM SÃO CONCEDIDOS QUATROCENTOS ANNOS, E OITENTA E CINCO QUARENTENAS DE PERDÃO, A QUAL SAGRAÇÃO SE FEZ PELLA ALMA DE BRANCA RODRIGUES TALHEIRA, QUE DEIXOU SUA FAZENDA AO MOSTEIRO DE NOSSA SENHORA.", repetida numa lápide em capitais romanas. No lado da Epístola, a cruz de sagração e a inscrição com caracteres góticos e incisa: "Todo o Fiel Christao que beijar esta cruz ganha quarenta dias de perdao"; sobre esta, a inscrição: "Todo o Fiel Christao que beijar esta cruz ganha quarenta dias de perdão Clemente VII e Pio V concederao aos Fieis Christaos que visitarem as igrejas de Nossa Senhora do Carmo as indulgencias das Estaçoes de Roma de dentro e fora dos muros tendo a Bulla da Santa Cruzada". No pano do lado direito, uma lápide fragmentada, com a inscrição: "MCCCCLXXXIX AFONSO GONÇALO RODRIGO ANNES ARCHITECTOS FEITO GRAVAR ASSOCIAÇÃO ARCITECTOS CIVIS E ARCHEOLOGOS PORTUGUEZES MCCCLXXXIX". Na cabeceira, no transepto, face exterior do portal S. e na fachada principal surge a sigla GOMZ.

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino da Ordem dos Irmãos de Nossa Senhora do Monte do Carmo (Carmelitas)

Utilização Actual

Cultural: museu e sede da Associação dos Arqueólogos Portugueses

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Associação dos Arqueólogos Portugueses, Dec. nº 8 630, de 09 Fevereiro 1997

Época Construção

Séc. 14 / 15 / 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

AMASSADORES DE CAL: Benjamim Zagas (1389-1397); Judas Acarron (1389-1397). ARQUITECTOS: Afonso Eanes (1389-1399); Gomes Martins (1399); Gonçalo Eanes (1389-1399); Rodrigo Eanes (1389-1399). CAIADOR: Baltasar Francisco (1596). EMPREITEIRO: António Lopes (1865). ENTALHADORES: António Martins Calheiros (1709); Diogo de Sarça (1548); Francisco Lopes (1669); José Rodrigues Ramalho (1695); Manuel Machado (1709, 1711); Pedro de Frias (1510). ESCULTORES: Manuel Dias (1707); MESTRE DE OBRAS: António Lopes (1865); Frei Patrício José (1758). PEDREIROS: Baltazar Francisco (1596); Bastião Álvares (1603); Estêvão Vasques (1389-1397); Francisco Gomes (1709); João Lourenço (1389-1397); Lourenço Afonso (1389-1399); Lourenço Gonçalves (1389-1397); Pedro de Frias (1510). ORGANEIRO: Johann Heinrich Hulenkumpf (1720). OURIVES: João Frederico Ludovice (1718). PINTORES: André Reinoso (séc. 17); Bento Coelho da Silveira (séc. 18); Brás de Avelar (1510); Simão Rodrigues (1624); Vieira Serrão (1624). PINTORES-DOURADORES: António Álvares (1617); Domingos Pacheco (1616); Manuel Nunes (1715).

Cronologia

1386-1387 - beneplácitos do Papa Urbano VI autorizando a fundação do convento; 1389 - fundação pelo condestável D. Nuno Álvares Pereira de um convento carmelita; o primeiro projeto, que visava uma porta virada a E., com acesso por uma escadaria a partir do Rossio, é posto de parte; licença para a fundação pelo Papa Urbano VI; 16 julho - lançamento da primeira pedra, sendo a obra dirigida por Afonso, Gonçalo e Rodrigo Eanes, tendo surgido vários problemas com os alicerces, devido ao solo arenoso e a escarpa instável; trabalham no local os pedreiros Lourenço Gonçalves, Estêvão Vasques, Lourenço Afonso e João Lourenço, sendo a cal amassada pelos judeus Judas Acarron e Benjamim Zagas; 1394, após - D. Nuno Álvares Pereira escreve ao Vigário Geral dos Carmelitas, Frei Afonso Leitão, a convidá-los a ocupar o Convento; 1397 - os Carmelitas de Moura chegam a Lisboa; 1399 - surge uma fenda no portal axial e no pilar S.; 28aAgosto - aquisição de terrenos ao Mosteiro da Trindade e o Fundador escambou umas casas da sua irmã Beatriz Pereira, com o Paço dos Pessanha, derrubado para a construção dos arcobotantes a S.; séc. 15 - instituição da Capela de Nossa Senhora da Encarnação no topo N. do transepto, pelo Condestável, que tinha um painel pintado, flanqueado por estrutura de talha; 1404, 28 julho - doação de bens importantes ao Convento; 1405 - D. João I isenta os frades de pagarem foro dos moinhos de Corroios; 1407 - está concluída a capela-mor e absidíolos da igreja, tendo lugar os primeiros atos litúrgicos; 1414 - a morte da filha leva o Fundador a decidir-se pela entrada no Convento; 1422 - doa todos os seus bens aos netos, cavaleiros e escudeiros, deixando ao Convento uma relíquia do Santo Lenho, que pertencera a D. João de Castela, tomada na Batalha de Aljubarrota; 1423 - encontra-se concluída a parte residencial, passando os religiosos carmelitas a habitá-la nessa data; 15 agosto - professa, com o nome de Frei Nuno de Santa Maria, o Condestável D. Nuno Álvares Pereira; consegue a autonomia da Província Portuguesa, destacando-a da de Castela, sendo primeiro Provincial Frei Afonso de Alfama; 1424 - primeiros Estatutos da Província, confirmados por D. João I; 1431, 1 abril - morte do Condestável; 1433 - D. Duarte declara-se protetor do Convento; colocação do corpo do Condestável num túmulo no centro da capela-mor, iluminado por uma lâmpada de prata, doada por D. Duarte; 1437 - falecimento de Gil Aires Moniz, fundador da Capela de Nossa Senhora da Piedade ou do Pranto, situada no absidíolo da Epístola *4; 1439 - D. Afonso V declara-se protetor do Convento; 1490 - instituição da Capela de Nossa Senhora dos Prazeres no absidíolo interno do Evangelho por Duarte Brandão e a mulher D. Margarida de Bahamonde, criando morgado *5; instituição da Confraria da Mãe de Deus na Capela da Piedade; séc. 16 - D. Manuel confirma todos os privilégios e bens do Convento e faz dotações para as obras; 1505 - fundação da Capela de São João Baptista; séc. 16, meados - criação da Confraria da Encarnação na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres; 1510 - execução de uma estrutura retabular por Pedro de Frias, com painéis pintados de Brás de Avelar, onde se representa a "Anunciação", "Apresentação do Menino no Templo" e a "Fuga para o Egipto"; 1522 - colocação dos restos mortais do Condestável num túmulo de alabastro *6, oferecido por Joana, a Louca, colocado na capela-mor, em arcosólio, no lado da Epístola, ornado por estrutura retabular em talha, oferecida pela mesma, com cenas da Paixão de Cristo; 1523, 30 agosto - sagração da igreja e do adro, tendo contribuído para as obras Branca Rodrigues Talheira, que deixou todos os seus bens ao Convento; 1526 - 1527 - campanha de obras na vigência do provincial Frei Baltazar Limpo; 1531 - um terramoto deixa o convento abalado, surgindo obras de reconstrução e reforma, consistido na construção das Casa do Capítulo, Livraria e Refeitório, surgindo um segundo claustro; o Convento passa a usufruir dos rendimentos da Igreja de Sacavém, doados por D. Teodósio, Duque de Bragança; 1537 - doação da Capela dos Fiéis de Deus *7, onde estivera sepultada D. Iria Gonçalves, a Afonso de Torres e à mulher D. Violante de Melo; doação da Capela dos Santos Reis, no absidíolo exterior da Epístola e que tinha um painel com a Adoração dos Magos, a Álvaro Pacheco, que lhe muda o orago para Nossa Senhora da Conceição, sendo pintado a grotesco e possuindo uma grade de ferro; 1542 - os frades oferecem a Capela de Nossa Senhora da Encarnação ao 4.º neto do Fundador, que a dedicou à Vera Cruz *8; 1548 - execução do cadeiral por Diogo de Sarça; mudança do túmulo do Condestável para o lado do Evangelho, tendo sido o retábulo novamente dourado; junto dele, colocam-se os restos mortais da mãe, Iria Gonçalves a qual tinha inscrição *9; séc. 16, 2.ª metade - D. Sebastião oferece 340$500 para as obras; 1551 - alberga 70 religiosos e 10 servidores e possui uma renda de 2500 cruzados; 1570 - fundação da Capela de São Roque a ladear o portal, no lado do Evangelho, pelos carpinteiros de machado da Ribeira das Naus, a qual havia pertencido a Isabel de Melo *10; 1585 - criação da Capela de São Miguel e Almas, com Confraria; 1586 - fundação da Irmandade da Vera Cruz, muito apoiada por Frei Luís do Rosário; 1591 - entaipamento do portal S., situado no topo do transepto, abrindo-se uma porta ao lado *11; 1596, 22 novembro - na sequência desta obra, ocorrem obras na nave S., de caiação e reboco, por Baltasar Francisco; séc. 17 - transferência do retábulo-mor para a sacristia e execução de um novo, com colunas torsas, por ordem de Frei João da Silveira *12; instituição da Irmandade dos Escravos da Senhora da Boa Morte, na Capela dos Fiéis de Deus; fundação da Irmandade de Santa Teresa, com capela no lado da Epístola; instituição da Capela de Santa Maria Madalena de Pazzi, por Diogo Lopes Caminha e a esposa Bárbara Caminha; criação da Irmandade de São João Baptista; 1603 - D. Francisca Brandôa doa vários bens para se fazer uma capela abobadada e profunda, dedicada ao Espírito Santo *13; 05 julho - quitação das obras de pedraria feitas no mosteiro por Bastião Álvares, consistindo na feitura de um portal de acesso ao claustro e um arco e casinha para o mecanismo do órgão por 250$000; 1606 - criação da Capela de Santa Luzia *14; 1609 - criação da Capela de Santo Alberto, com Irmandade; 1611 - fundação da Capela de Jesus Maria José por António Rodrigues e a esposa, que deixam 35$000 para missas quotidianas *15; 1617 - contrato com Domingos Pacheco e António Álvares para dourar o teto da capela-mor; 1619 - o culto da Vera Cruz entra em declínio e Fernão de Lima Brandão manda fazer uma imagem da Senhora da Encarnação para pôr no local e reviver a primitiva invocação; fundação da Capela de Nossa Senhora da Vida, São Simão e Judas, para onde se pintou um painel da Visitação; cria-se na Capela de Jesus Maria José uma Irmandade de Homens Pretos; 1620 - a Capela do Espírito Santo está concluída; 1625 - Frei Martinho Moniz manda executar oito telas para colocar na capela-mor, com temática ligada à Ordem; fundação da Capela do Santíssimo por D. Catarina de Meneses e D. João Coutinho, para nela se sepultarem, integrando uma pintura a representar a "Eucaristia da Virgem", de Simão Rodrigues e Vieira Serrão, datada de 1624 e, actualmente, no Museu Nacional de Arte Antiga; 1628 - instituição da Capela de São Pedro, com formação de Irmandade e da Capela de Santa Catarina, onde existe a Irmandade de Santo Ildefonso, dos oficiais de Dourador, invocação primitiva da capela *16; 1629 - fundação da Ordem Terceira do Carmo; 1638 - colocação de uma imagem de Cristo na Capela do Espírito Santo, que se passa a chamar Capela do Santo Cristo Cativo; 1656 - a Confraria da Encarnação passa a denominar-se Escravos da Cadeia; 1669 - é realizado no convento um triunfo assinalando a canonização de Santa Maria Madalena de Pazzi; 06 agosto - contrato com Francisco Lopes para a obra do arco e teto da capela da Ordem Terceira do Carmo (FERREIRA, 2009, vol. II, p. 507); 1670 - a Capela de Nossa Senhora do Socorro é da Irmandade dos Mercadores de Lã; 1672 - criação da Confraria de Santa Maria Madalena de Pazzi; 1675 - esta Confraria passa para a Capela da Vera Cruz, ficando a sua capela vazia; 1685 - o Santíssimo Sacramento é depositado no convento, na Capela de Nossa Senhora da Conceição, tendo-se criado uma Irmandade e Sebastião Moniz, rico negociante, manda fazer um retábulo, ficando, por trás, três andares para a sacristia, Casa do Despacho e Casa da Fábrica; a Irmandade de São Miguel e Almas desaparece, surgindo, na Capela, o orago de São João Evangelista; 1689, 13 agosto - D. Pedro II privilegia a Irmandade de Homens Pretos, que podem resgatar escravos maltratados; 1690 - execução de um retábulo-relicário para a capela-mor, colocado no lado do Evangelho, com 200 relíquias; 1693 - execução de uma custódia em prata; 1695, 20 maio - contrato para a feitura da talha da Capela de Nossa Senhora da Conceição por José Rodrigues Ramalho (FERREIRA, vol. II, pp. 528-529); séc. 18, 1.ª metade - pintura de uma tela para a Capela de São Roque, por Bento Coelho da Silveira; a nave está revestida a talha e a azulejo; 1707 - a Confraria de Santa Ana ocupa a capela abandonada pela Confraria dos Escravos da Cadeia; execução de uma imagem de Nossa Senhora do Socorro por Manuel Dias; 1709 - construção de supedâneo, altar e sacrário para a Capela de Santa Ana, por Francisco Gomes; 06 setembro - feitura de um retábulo para a Capela de Santa Ana, tendo para o efeito a Irmandade respetiva contratado os mestres entalhador António Martins Calheiros e escultor Manuel Machado (FERREIRA, vol. II, p. 483); 1710, 22 novembro - falecimento do entalhador Francisco Lopes Ramalho, sepultado no local (FERREIRA, vol. II, p. 510); 1711, 16 dezembro - Manuel Machado compromete-se a terminar a obra por ele iniciada no ano anterior na Capela de Santa Ana (FERREIRA, vol. II, p. 546); 1715, 28 setembro - contrato entre a Irmandade de Santa Ana e São Joaquim e o pintor Manuel Nunes para o douramento e encarnação da capela, por 350$000 (FERREIRA, vol. II, p. 593); 1717-1718 - Frei Luís dos Anjos manda adornar os púlpitos de jaspe com prata lavrada e pedras preciosas; 1718, 15 julho - colocação no altar do frontal, banqueta e castiçais em prata, elaborado por João Frederico Ludovice, por 2:343$508; 1720 - nas teias das naves são colocados seis confessionários de cada lado; 1722 - termina a execução do órgão, colocado sobre a porta do claustro, executado por Johann Heinrich Hulenkumpf; 1727 - é realizado no convento um triunfo em homenagem à canonização de São João da Cruz, religioso professo no Convento de Santa Ana de Medina e pai da reforma carmelita; 1738 - instituição da Confraria dos Vassalos dos Santos Príncipes e Aias das Santas Princesas, com 3000 irmãos, instalada na Capela de São Simão Stoch *17; 1743 - execução de dois púlpitos em ébano e bronze, adossados aos pilares do arco triunfal, mandados efetuar por Frei José da Natividade; aumento das dimensões da Capela do Espírito Santo; 1755, 1 novembro - o terramoto danifica gravemente o convento, perecendo a biblioteca (constituída por 5000 volumes) e a cobertura da capela-mor, transepto e parte da nave, que era em cruzaria de ogivas, tendo nos bocetes símbolos do Condestável, e a sineira; os 126 religiosos têm que abandonar o edifício, deslocando-se inicialmente para a Cotovia, depois para o Campo Grande, onde permaneceram numas barracas, transitando, depois, para as Amoreiras, para junto do Arco das Águas Livres, onde construem uma capela provisória; 1757-1758 - vários pedidos de empréstimo para as ordens e fundição de peças de prata para angariar fundos para a mesma; 1758 - construção de uma capela junto ao convento, entre o portal axial e as portarias; decorrem obras no templo, dirigidas por Frei Patrício de São José; 2 julho - a igreja está pronta, regressando os religiosos; 1772 - extinção de algumas capelas, com obrigações de missas, pelos rendimentos serem exíguos; 1784 - decide-se que todos os conventos seriam taxados para as obras da casa-mãe; 1790-1791 - breve de Pio V diminui os encargos de missas de todos os conventos; séc. 19, inícios - parte dos aposentos da Ordem Terceira são ocupados pelo Depósito do Regimento de Infantaria 4, mais tarde pela Escola de Ensino Mútuo e pelo Instituto Ameliano; 1833 - os religiosos abandonam o convento; 1834 - as alfaias de prata são confiscadas e avaliadas em 3:387$402; 1836, 21 março - a igreja é avaliada em 800$000; 1837 - na igreja pequena funciona uma Aula da Sociedade de Instrução Primária; 1840 - o "Panorama" anuncia que a igreja seria transformada em museu, onde se recolheriam antiguidades artísticas; 1860 - ideia de arrasar a igreja e construir um miradouro no local ou de transformá-la em banhos públicos; 1864 - as ruínas da igreja são cedidas à Real Associação dos Arquitetos e Arqueólogos Portugueses, que pede ao MOP um projecto museulógico; construção de um tapume de madeira a separar a área conventual; execução de um projeto de cobertura da igreja, em ferro e vidro, de Valentim José Correia e Veríssimo José da Costa, que alterava o interior, tornando-o num grande espaço de exposição; 1864 - Possidónio da Silva pede a cedência da pequena igreja que os frades construíram quando regressaram ao local, que se encontrava desocupada; 29 novembro - é informado que esse espaço era necessário à Guarda Municipal; o MOP recomenda a Associação que peça os espaços das capelas absidiais; 1865, 3 maio - as capelas são cedidas à Associação; 13 julho - primeira reunião da Associação no local; 1866 - início da coleção arqueológica que se reune no local; 1867, 11 abril - Joaquim da Costa Cascais sugere que se faça uma subscrição nacional para reconstruir o monumento; 1870-1871 - litígio com o poprietário do prédio anexo ao lado S., reinvindicando a Associação aquela passagem; 1871 - demolição de anexos no fundo do corredor e construção de uma porta de ferro para o local, mas o probelma não fica resolvido; 1871-1875 - sucessivos pedidos de Possidónio da Silva para que o Governo cobrisse a zona do transepto; 1872 - o portal S. foi entaipado com barras de ferro pelo proprietário; 1872-1878 - chegam ao Museu várias peças, como um portal da Conceição Velha, uma janela de Santarém, o túmulo de D. Duarte de Meneses, proveniente da Igreja de Santarém, uma janela dos Jerónimos, um altar de embutidos dos Lóios de Lisboa, a escultura de São João Nepomuceno, feita por João António de Pádua, proveniente da Ponte de Alcântara, uma escultura de D. Maria I; 1878 - cobrança de ingressos no Museu, para poder fazer face às obras e cobrir as naves; os pedidos de ajuda para as obras chegam ao Brasil; 1880 - a Câmara não autoriza a Associação a transitar pelo Corredor, que se encontrava alugado a um particular; 1881-1897 - a Associação vai solicitando ao Governo a cobertura do imóvel, para poder colocar algumas peças ao ar livre, que ocupavam bastante espaço nas capelas. 1902 - grande campanha de obras, responsável, designadamente, pela fachada que dá para o Largo do Carmo; existe uma cisão na Associação, que passa a Real Associação dos Arqueólogos Portugueses; 1904 - uma comissão pretende restaurar o templo para as comemorações da Imaculada Conceição, criando-se uma forte polémica contra o desaparecimento das ruínas; 1909 - na sequência do abalo de terra do ano anterior, o edifício foi examinado, verificando-se que estava arruinado, fazendo-se um orçamento de 3:518$000; 28 julho - parecer favorável sobre as obras; 1910, 5 outubro - na sequência da instauração da República, a Associação abandona o título de Real; 1969, 28 fevereiro - um abalo sísmico provoca danos nas estruturas da nave; 1995, agosto - abertura das galerias do metropolitano sob o Convento, sendo criada uma Comissão Técnica de Acompanhamento, para seguir o comportamento do imóvel; 2006, 22 agosto - parecer da DRCLisboa para definição de Zona Especial de Proteção conjunta do castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente; 2011, 10 outubro - o Conselho Nacional de Cultura propõe o arquivamento de definição de Zona Especial de Proteção; 18 outubro - Despacho do diretor do IGESPAR a concordar com o parecer e a pedir novas definições de Zona Especial de Proteção.

Características Particulares

Igreja arruinada, na sequência do terramoto de 1755, tendo permanecido, por falta de meios e pela extinção das Ordens Religiosas, com o aspecto de ruína, correspondendo ao espírito romântico que se iniciava, tendo sido levadas a cabo obras de consolidação das mesmas Constitui, em Lisboa, um dos raros edifícios que mantém uma estrutura gótica, possuindo uma cabeceira de vulto, com cinco capelas, duas delas abrindo para o braço do transepto. Manifesta ainda influência batalhina nos 2 andares da capela-mor e na decoração vegetalista de 2 filas nos capitéis. Grande parte do imóvel revela um nítido neogótico romântico na forma híbrida dos pilares da Igreja e nos restauros levados a cabo nos sécs. 18 e 19. As janelas da capela-mor são baixas e mal proporcionadas, contrastando com a elegância das frestas dos absidíolos. Os restauros da segunda metade do séc. 18, procuraram recriar o que existia, não resultando num neogótico mas sim num falso gótico, feito numa época tardia, misturado com soluções típicas do período, como a utilização de abóbada de lunetas na capela-mor. Constitui o núcleo da Associação dos Arqueólogos Portugueses, reunindo um importante acervo de lápides de várias proveniências, tumulária, escultura, azulejo, cerâmica e algumas antiguidades orientais.

Dados Técnicos

Estrutura portante.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e mista, revestida a cantaria de calcário; pilares, arcobotante, portais modinaturas, pavimentos em cantaria de calcário; abóbadas em tijoleira; portas e caixilharias em madeira; janelas com vidro simples.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRMLisboa, DGEMN/DRELisboa/DO/DIE; AHMOP (Lisboa): Desenho n.º 352

Documentação Fotográfica

IHRU; SIPA, DGEMN/DSID, DGEMN/DESA; GSRP

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID-001/011-1259 a 1264, DGEMN/DSARH-010/125-0005/19, 010/125-0005/24 a 48

Intervenção Realizada

RAAAP: 1865 - aterro dos absidíolos, para o pavimento ficar ao nível das bases das colunas; construção de soalho nos mesmos; colocação de vidros nos caixilhos; lavagem de cantaria dos tectos e paredes e remoção de reboco; construção de uma porta de madeira para o portal S.; feitura de uma porta de madeira para a comunicação entre as capelas absidiais; o trabalho foi adjudicado a António Lopes; MOP: 1866 / 1867 - impermeabilização dos terraços das capelas; 1871 - reparação das abóbadas; CML: 1871 - desaterro do portal principal; MOP: 1872 - construção de caixilhos e colocação de vidraças na capela-mor; 1873 - cobertura de um vão, em local desconhecido; CML: 1874 / 1876 / 1877 / 1878 - remoção do entulho do interior da igreja; MOP: 1878 - colocação de um portal na fachada principal; feitura do adro externo; RAAAP: 1878 - remoção da água acumulada na nave central e colocação de pavimento em lajeado na igreja, com pedra proveniente dos claustros da Academia Real das Ciências, cedida pelo MOP; MOP: 1879 - arranjo da cobertura de uma das capelas; CML: 1879 / 1880 / 1881 - construção de um acesso à igreja, através de escadaria; restauro de uma lápide fragmentada durante as obras; MOP: 1881 - renovação da cobertura e pavimento da igreja, o que não resolveu os problemas de infiltrações; CML: 1885 - instalação de iluminação a gás no exterior do portal principal; MOP: 1899 - colocação de um pára-raios; CMN: 1909 - consolidação das estruturas com gatos de ferro e tratamento das alvenarias e cantarias; reparação de terraços e respectivas passagens; reparações no interior; DGEMN: 1933 / 1934 - reparações gerais no edifício; 1934 / 1935 - pintura e tratamento das ferragens do portal principal e do lateral; tratamento dos tapumes dos absidíolos e colocação de vidros; limpeza e isolamento dos terraços das capelas, com construção de uma placa de cimento armado, protegida por alcatrão e areia; 1941 - restauro dos muros; 1946 - restauro dos muros, com abertura de cinco janelas de peitoril, com colocação de caixilharias de madeira e vidro; abertura de roços para colocação de vitrais; demolição de paredes de betão armado junto ao pavimento do transepto; construção de paredes de alvenaria com argamassas de cal hidráulica e areia, nas aberturas dos dois absidíolos; desmontagem, restauro e assentamento de 14 painéis de azulejo, representando a Via Sacra, removendo-se algumas pedras de armas para a sua colocação; levantamento do pavimento de madeira da cabeceira, construindo uma caixa-de-ar e colocação de pavimento de tijolo de Alcobaça; desmontagem e assentamento de uma janela de canto; execução e colocação de 5 vidros do tipo catedral; alargamento das janelas da capela-mor e colocação de vitrais; fixação, montagem e desmontagem de peças do Museu; 1947 - instalação de canais de ligação ao esgoto, em tubos de grés; obras nas instalações sanitárias; assentamento de dois mainéis de cantaria para as frestas de um absidíolo; desmontagem de modelos de gesso, transportados e arrumados nos Jerónimos; colocação de cantaria em escadas; obras na casa do guarda; assentamento de peças de arqueologia; pedra britada para calçada; transporte e assentamento da base do túmulo de Machado de Castro, com restauro dos ornatos; 1948 - colocação de um ramal de abastecimento de água com mais pressão, permitindo a rega do relvado e lavagem das pedras expostas; entaipamento de um vão; alargamento de duas portas e feitura das vergas; reparação de três mesas, uma de pau-santo, outra de macacaúba e uma com tampo de vidro três cadeiras; trabalhos para colocação de peças do Museu; instalação eléctrica no interior e colocação de suportes para projectores; assentamento de peças sobre blocos de cantaria; 1948 / 1949 - trabalhos urgentes de carpintaria, com arranjo de portas, estantes e estrados; 1949 - restauro do telhado da casa do guarda; reparação da guarda e corrimão de acesso ao portal, com danos provocados por um automóvel; construção de um guarda-vento de madeira de casquinha com duas portas; betume e pintura dos vitrais; 1950 - substituição dos caixilhos das janelas superiores da capela-mor; limpeza e reparação do esgoto no átrio da entrada S.; reparação do patamar principal e do gradeamento do Corredor do Carmo; colocação dos colunelos em falta; reparação nos pavilhões de entrada; iluminação eléctrica das naves; consolidação de um arco apontado; 1952 - escoramento de uma janela; 1954 - desmontar e montar o arco da nave central para aprumar as paredes; assentamento de gatos de bronze; consolidação da janela do transepto esquerdo; execução de uma nova porta principal, idêntica à que se achava no local; restauro do telhado da casa do guarda; 1955 - impermeabilização do terraço do absidíolo direito, com preenchimento de juntas na cobertura do mesmo; reparação de caixilhos e substituição de vidros na capela-mor; tratamento de rebocos da casa do guarda; colocação de uma guarda em ferro na escada de Arquivo; reparação da instalação eléctrica do Arquivo e iluminação da entrada do museu; substituição de aros de madeira nas portas; reparação das instalações sanitárias; pintura de portas e caixilhos; limpeza e corte de arbustos; apear e recolocar pedras deslocadas nas fachadas exteriores e interiores; abertura e refechamento de juntas; colocação de gatos de bronze; cintagem de paredes com betão, na fachada principal, nave fachada lateral; consolidação de arcos e cunhais com betão armado; consolidação da porta travessa, com refechamento de juntas; limpeza dos vitrais e pintura das armações em ferro; reparação da porta do anexo; 1956 - obras de consolidação da igreja; beneficiação das canalizações de água; 1957 - consolidação das paredes da igreja; 1963 - consolidação das cornijas, afectadas pelos temporais; fornecimento e assentamento de caixilharias na capela-mor; fixação à parede de uma lápide tumular; fixação das bases expositoras; 1965 - remodelação da instalação eléctrica; 1967 - desentupimento das gárgulas dos telhados; reparação da torre sineira; 1968 - reparação da porta principal e da travessa, com afinação de ferragens e pintura dos mesmos; isolamento da cobertura; assentamento de alvenaria na torre sineira; picagem dos rebocos, pintura de isolamento das paredes e nas grades; refazer molduras em falta; restauro do sistema de drenagem e refazer os pavimentos em calçada; verificar as juntas de mosaico e refazer as que se encontram em mau-estado; pintura de portas e caixilhos; reparação pontual de rebocos; feitura de uma guarda de escada; reparações na casa do guarda; 1969 - consolidação dos arcos da nave principal, devido aos efeitos do sismo; demolição do capeamento de alvenaria em três arcos, reposição das pedras nos lugares primitivos; execução de cintas de betão armado no capeamento dos arcos; refechamento de juntas; remoção de ervas e raízes; consolidação de alvenarias; apeamento de um pináculo na zona da Secretaria e colocação do mesmo junto à escada que acede ao Museu; consolidação dos painéis de azulejo; reposição de pedras lavradas e pedras de armas; reparação das coberturas da secretaria; 1971 - recuperação da antiga sacristia do convento; trabalhos de sondagem para descobrir o primitivo acesso à torre; 1972 - demolição do pavimento de madeira e do vigamento da sacristia; demolição da tijoleira do pavimento da capela-mor e absidíolos; assentamento de pavimento de betão e colocação de tijoleira semelhante à anterior; 1973 - limpeza das cantarias da sacristia e refechamento de juntas; colocação de caixilharias de ferro anodizado e de "bissilon", com aplicação de vidraça nacional; colocação de azulejos nos rodapés e silhares do Museu; desentaipamento dos portados ogivais da antiga sacristia, na zona do quartel; 1974 - instalação eléctrica no Museu; 1975 - vistoria de uma ruptura no sistema de rega; 1977 - demolição dos pavimentos partidos na capela da Epístola, capela-mor e Sala Nova e colocação de nova tijoleira; picagem de rebocos velhos de cimento; reparação das janelas exteriores; remoção de duas colunas da escada exterior e refazer o acabamento na zona; colocação de rede zincada nas janelas; reparação do terraço da capela-mor, tapando as fendas; 1979 - restauro das coberturas da secretaria e casa do guarda; colocação de uma porta de madeira no vão que acede à Sala Grande; restauro do pavimento em calçada; reparação da porta principal e revisão das ferragens; pintura de portas e janelas; fixação da pedra sobre o arco da porta travessa com gatos de ferro fundido; limpeza geral, com remoção de plantas das juntas; impermeabilização dos terraços com telas asfálticas; 1982 - demolição da rosácea de madeira; demolição da parede no perímetro da mesma, regularização e colocação de rosácea de alvenaria, que recebeu pintura para dar patine; reconstrução da zona à volta; refechamento de juntas; levantamento do pavimento em tijoleira da cabeceira e prospecções para sondar as fundações; reparação do telhado da casa do porteiro; 1983 - arranjo dos pavimentos levantados.

Observações

*1 - DOF: Igreja do Carmo (ruínas). *2 - a fachada, antes de 1755, era tripartida, com portal axial flanqueado por dois contrafortes, rematado em empena com óculo; as laterais com dois janelões rectangulares; no lado esquerdo os arcobotantes de apoio; no lado direito, a portaria, de verga recta e encimada pela armas da Ordem, rasgada por várias janelas, elevada na zona central em dois pisos, com duas janelas de peitoril em cada um. *3 - nas naves existiam, nove capelas no lado do Evangelho e sete na Epístola; no Evangelho, a de São Roque, Santa Catarina, São Miguel e Almas, São João Evangelista, Jesus Maria José, Santo Alberto, Santa Luzia, Santo António, com confraria e tendo uma imagem a representar o "Milagre da Mula", e Santa Ana, mais tarde do Socorro, com confraria; no lado da Epístola, a ladear o portal, a Capela de São João Baptista e junto à porta travessa a de São Simão Stoch; as naves eram divididas por teias de jacarandá, guarnecidas a bronze. *4 - a Capela da Senhora da Piedade possuía tecto de madeira pintada e, atrás do altar, uma sacristia com a imagem da Senhora das Angústias; o retábulo tinha cinco pinturas e a imagem da Senhora. *5 - na Capela dos Prazeres, existiam vários túmulos, um com a inscrição: "Aqui jaz Duarte Brandão, Cavaleiro da Garroteia, a qual ganhou no reino de Inglaterra por muitos afamados serviços, que fez a El Rey Duarte, que a este tempo era no Reyno, do Conselho dos Reys de Portugal: o qual faleceo aos 18 dias de Novembro de 1508". *6 - o túmulo de Nuno Álvares Pereira estava sobre três leões de pedra, tendo, nas faces, a representação de um Calvário, uma Virgem com o Menino, São Francisco a receber os estigmas, dois anjos e as armas do defunto, surgindo, noutra face, o Condestável com uma massa nas mãos; possuía figura jacente, com o hábito carmelita, um bordão na mão e um livro aberto; no pavimento, uma inscrição: "Aqui jaz a Duqueza D. Joanna de Castro, molher de D. Fernando 2.º Duque de Bragança, e netto del-Rey D. João o 1.º". *7 - A capela dos Fiéis de Deus tinha retábulo de talha e, nas ilhargas, revestidas a talha, as pinturas do "Passamento da Virgem" e "Coroação da Virgem". *8 - a Capela da Encarnação e da Vera Cruz tinha a imagem de Nossa Senhora do Socorro, proveniente da Capela de Santa Ana, um Cristo, que estivera na Capela dos Fiéis de Deus, e pinturas, tendo as ilhargas revestidas com azulejo padrão seiscentista e duas pinturas a representar o "Triunfo" e "Exaltação da Cruz". *9 - junto ao túmulo de Iria Gonçalves, a inscrição: "AQUI JAS A MVITO HONRADA E VIRTVOSA DONA EIRIA GONÇALVES, MADRE DO SANTO CONDE QUE MANDOV FAZER ESTE MOSTEIRO". *10 - na Capela de São Roque, sobre a entrada, existia uma inscrição: "Esta Capella he de Dona Isabel de Mello, tem Missa quotidiana, para o que deixou a sua fazenda"; junto a ela, o túmulo de D. Miguel de Almeida, mordomo-mor da rainha D. Luísa de Gusmão. *11 - o encerramento prendeu-se com a intensidade do culto que aí se desenvolvia em torno de Nossa Senhora do Carmo, cuja imagem fora mandada colocar no exterior do portal por D. Nuno Álvares Pereira, que culminava a escadaria que subia do Rossio para o Convento; esta era em cantaria e estava protegida por uma grade de ferro e iluminada por uma lâmpada; a antiga pedra do altar encontra-se integrada no portal S.; no lado interno do portal, existiam o túmulo do instituidor e, no oposto, o de Vasco Gil Moniz e D. Leonor de Lusignan. *12 - o primitivo retábulo era de cantaria, com uma imagem de calcário de Nossa Senhora do Carmo, existindo uma pintura de D. Afonso V no retábulo; a nova estrutura tinha, no topo, Cristo, rodeado de anjos, a abençoar; na tribuna, um sacrário com o Santíssimo, com cofre de prata, protegidos por dossel, flanqueada por Santo Elias e Santo Eliseu e a imagem de roca de Nossa Senhora do Carmo, ladeada por Santa Maria Madalena de Pazzi e Santa Teresa de Jesus; nas ilhargas da Capela, nove nichos de cada lado, com quadros da Ordem. *13 - na Capela do Espírito Santo, uma imagem de Nossa Senhora da Pedrada, cópia da existente em Itália. *14 - a Capela de Santa Luzia tinha um retábulo decorado com três painéis a representar Santa Luzia, flanqueada por São Brás e Santa Apolónia. *15 - a Capela possuía um painel do "Menino entre os Doutores", preservado no Museu Nacional de Arte Antiga; *16 - A Capela de Santa Catarina estava decorada com um painel pintado por André Reinoso, no primeiro quartel do séc. 17, existente no Museu Nacional de Arte Antiga. *17 - nesta Capela, existia a imagem de São Simão Stoch, flanqueada pelas de Santo Elesbão e Santa Efigénia, ambos pretos.

Autor e Data

Paula Noé 1990 / 1994 / Paula Figueiredo 2008

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