Forte de Santo Amaro / Forte da Senhora do Amaro de Machico / Forte de Nossa Senhora do Amparo de Machico

IPA.00006592
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Machico, Machico
 
Arquitectura militar, barroca. Pequeno forte barroco de planta triangular, praticamente regular, com fachadas em alambor e uma das faces viradas a terra, onde se insere ao centro o portal de entrada, brasonado e datado, e sobre a qual correm os edifícios dos quartéis, gémeos e deixando passar entre si o corredor de entrada.
Número IPA Antigo: PT062204030004
 
Registo visualizado 101 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta triangular regular, do tipo "reduto de duas faces", com a terceira virada para terra, onde se inscreve a entrada, com túnel para a parada interior e sob os quartéis, colocados nessa face e ao nível da parada interior. Massa de volumes horizontais articulados. Fachadas em alambor, rematadas por merlões e canhoneiras de alvenaria pintada com cordão saliente em cantaria aparente; fachada virada a terra com portal incluído em parede relevada e encimada por frontão ondulado; possui arco de volta perfeita, chave, capitéis e bases das impostas relevadas, assente em degrau e é rematado lateralmente por pilastras a articularem-se com lintel a morrer por debaixo do arco, ao nível do cordão, mas sem o balanço do mesmo; remate superior com lápide comemorativa da fundação do forte encimada pelas armas nacionais, tudo em cantaria regional, sem coroa; forte portada de madeira pintada a verde escuro; lateralmente, a E., placa de bronze dourado identificativa de propriedade do Governo Regional da Madeira. Entrada por escadaria com degraus em cantaria e acesso ao interior da parada; recinto sumariamente ajardinado com empedrado em calhau rolado e decorado com bocas de fogo em ferro provenientes do N. da Ilha. Edifícios dos quartéis gémeos, de planta rectangular e um piso, quase encostados à muralha virada à cidade, deixando pequeno caminho de guarda; fachadas viradas ao mar com portas e janelas com molduras de cantaria e cobertura a telha de canudo portuguesa com beiral simples.

Acessos

Antiga R. do Mercado. VWGS84 (graus decimais) lat.: 32,717518; long.: -16,764887

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 setembro 1948

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Urbano, destacado e ao centro da praia, isolado por muralha em todo o perímetro e envolvido pelo ajardinamento da frente mar da cidade.

Descrição Complementar

Na esplanada encontram-se várias bocas de fogo de ferro, quase todas inglesas, do séc. 17, 18 e 19, provenientes de fortes do N. da ilha.

Utilização Inicial

Militar: fortaleza para defesa da praia de Machico

Utilização Actual

Turística: posto de informação

Propriedade

Pública: regional

Afectação

Secretaria Regional de Turismo e Cultura

Época Construção

Séc. 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Capitães de engenheiros Manuel Gomes Ferreira, projecto, Inácio Gomes Fragoso (atr.) e Paulo Dias de Almeida (1818).

Cronologia

1582 - pedido de Mateus da Gama para a construção de uma defesa em Machico; 1595 - construção de um pequeno reduto em Machico ( São Roque ); 1706 - data da inscrição comemorativa: "ESTE FORTE DE N. S. DO AMPAº. MANDOU FAZER O GOV. DVARTE SODRE PERª. SEM NENHVMA DESPEZA DA FAZDª. REAL E POR SVA ORDEM CORREO COM A OBRA DELE FRAN.CO DIAS FRANCO QVE NOMEOV POR CAPITÃO DELE NO ANNO DE 1706 A."; 1712, 12 Fevereiro - elogio do capitão Dias Franco como proprietário do ofício de escrivão da câmara de Machico por mais de 20 anos; 1740, 26 Janeiro - nomeação do condestável João de Sousa Correia; 1817 - "Descripção" de Paulo Dias de Almeida criticando a guarita no cunhal avançado ao mar, que impedia o bater-se correctamente toda a frente; 1818 - demolição da guarita frente ao mar e montagem de uma peça de longo alcance; 1828, 22 Agosto - desembarque das forças miguelistas em Machico, não chegando este forte a fazer fogo; 1863 - descrição do "Tombo Militar" do capitão António Pedro de Azevedo como "Prédio Militar 138, descripção nº 6961, L. 19 B., fl 2 v."; 1888, 1 Janeiro - aluguer da esplanada O. ( Prédio Militar nº 43 ) a Alexandre Raúl Camacho por 290$000 réis; 1895, 23 Março - ordem de Lisboa para entrega do forte à Câmara Municipal de Machico, a pedido dessa, "para n'elle estabelecer o aquartelamento das forças militares que frequentemente estacionam naquella villa"; 16 Abril - entrega do forte no Funchal; 1899, 1 Julho - aluguer da esplanada O. ( actual campo de futebol ) a Alfredo Cabral por 5.050$000 réis; 1910 - retirada da coroa real ao brasão da entrada do forte; 1940 - entrega do forte à Guarda Fiscal; 1970 - transferência da colecção de bocas de fogo do Museu da Quinta das Cruzes para o forte a pedido da Câmara Municipal de Machico; 1993 - entrega do forte ao Governo Regional da Madeira; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação do Forte de Santo Amaro como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular.

Características Particulares

Forte defendendo a praia de Machico, cruzando fogo com o de São João do Desembarcadouro, na arriba nascente, num modelo de que subsistem algumas dezenas de exemplares nos 4 continentes por onde se expandiram os impérios ibéricos, mas que poucos chegaram aos nossos dias no bom estado de conservação deste e gozando do desafogo que a posição junto ao mar lhe confere. A massa volumétrica triangular colocada no centro da pria tornou-se no "ex-libris" da cidade de Machico.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes com muralhas de aparelho "vittatum".

Materiais

Cantaria regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, vidro e telha de meia cana.

Bibliografia

SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; CARITA, Rui e SIMÕES, Álvaro Vieira, Arquitectura Militar da Madeira, séculos XV a XVII, catálogo de exposição, Teatro Municipal do Funchal, 1981; CARITA, Rui, Paulo Dias de Almeida e a Descrição da ilha da Madeira de 1817, Funchal, 1982; idem, O regimento de fortificação de D. Sebastião..., Funchal, 1984; idem, Arquitectura Militar da Madeira, séculos XV a XVII, tese de doutoramento, 1993; idem, História da Madeira, 4º e 5º vols., Funchal, 1996 e 1999.

Documentação Gráfica

1799, 22 Ago. - "Plano da Villa de Machico...", pelo major Inácio Joaquim de Castro, Centro de Estudos de Cartografia Antiga, Lisboa; 1817 - "Planta do Forte de N. S. do Amparo em Machico", com "perfil" e "Elevação" in "Descrição" de Paulo Dias de Almeida; 1841 - "Reconhecimento Militar da Ilha da Madeira" de António Pedro de Azevedo, GEAEM; 1842 - "Carta Geo-Hydrographica da Bahia de Machico em que desembarcaram as tropas de D. Miguel em 22 de Agosto de 1828", gravura segundo planta original "Levantada em 1842 pelo Engº. A. P. de Azevedo"; 1845 - "Plano de reconstrução das muralhas das ribeiras da .... Villa de Machico...", pelo major José Júlio Guerra; 1860 - "Reconhecimento militar da Ilha da Madeira" e "Planta da Villa de Machico e do Forte de Nª. Sª. do Amparo" de António Pedro de Azevedo, colecção particular, Funchal e GEAEM; 1939, 28 Fev. - "Planta do Forte de Nª. Sª. do Amparo" pelo capitão Vasco de Paiva Brites, colecção particular, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos: Colecção Camachos e Bazar do Povo; Comando Militar da Madeira; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

IAN/TT: APRFF, Lisboa; ARM: GC, Funchal; AHU: Madeira e Porto Santo, Lisboa; GEAEM ( Arma de Engenharia ), Lisboa; ZMM ( Arquivo Morto, Funchal ); DRAC, Funchal

Intervenção Realizada

SRTC: 1997 - adaptação do espaço dos quartéis para posto de informação turística.

Observações

As bocas de fogo expostas na esplanada são provenientes de navios que passaram pela Madeira e que, dado o uso, as abandonaram. Foram recolhidas pela Junta Geral e pelo Comando Militar nos anos 50 e depositadas na fortaleza de São Lourenço, posteriormente transferidas para o parque arqueológico do Museu da Quinta das Cruzes, mas nunca montadas e, em 1970, a pedido da Câmara Municipal de Machico, depositadas no forte do Amparo. Uma destas peças esteve exposta em 1981 no Teatro Municipal do Funchal.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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