Imóvel do Instituto do Vinho da Madeira e Museu

IPA.00006983
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Arquitectura civil privada e comercial. Palacete urbano neoclássico dos inícios do séc. 19, de planta rectangular irregular composta por vários corpos, volumetricamente articulados, integrando torre central, com fachadas sublinhadas e dinimizadas por cunhais com pilastras ou alhetas, frisos, cornijas e remates pintados em vermelho, e vãos em arco pleno com tapa-sóis verdes.Pátios com interessantes empedrados em calhau britado e rolado tradicional madeirense. De grande escala e impacto na massa urbana, estabelece relação entre a arquitectura tradicional madeirense e a colonial inglesa do Séc. 19.
Número IPA Antigo: PT062203080103
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta composta por corpo rectangular, com zona central da fachada S. formando semicírculo avançado, e corpo quadrado a SE., formando balcão sobre a R. 5 de Outubro. Grande massa volumétrica articulada e pintada a ocre, com embasamentos, cunhais em alhetas, pilastras e frisos pintados a vermelho; cobertura por terraços múltiplos e telhados de 2 águas com grande torre quadrada central. Fachada a S. de 2 corpos, tendo o central 4 pisos e o do balcão 3, delimitada por pilastras laterais embebidas. Corpo principal tendo no piso térreo portas pintadas a vermelho e as janelas dos pisos superiores com lintéis curvos e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro; cornija relevada sobre o segundo piso, avançando no balcão sobre a rua; Corpo a S. e E. com balcão, faixas relevadas a marcarem o parapeito das janelas e os lintéis, que neste corpo são em cantaria aparente e com chave ressalvada, remate por cornija com platibanda vazada e pináculos nos ângulos, definindo o terraço; corpo recuado terminado em frontão triangular, com 3 vãos e óculo no tímpano, varanda de sacada corrida no 4º piso e remate por cornija com platibanda cega, salvo sobre o avanço, onde é vazada; sobre este, o corpo principal apresenta frontão triangular e alpendre. As cornijas apresentam-se decoradas com carrancas de alvenaria e dotadas algerozes em "folha de Flandres". Fachada a E. onde se localizava a antiga entrada da residência do cônsul britânico, com pequeno jardim com paredes revestidas a azulejos e acesso interior à área do balcão avançado. Fachada a O. de 3 pisos e largo corpo central 6 vãos ligeiramente avançado e delimitado por pilastras, e pequenos corpos laterais com um só vão, mas também com pilastras; piso térreo com alpendre telhado sobre a porta S. do corpo central avançado, de acesso ao museu do Instituto, assente sobre suportes de ferro, com remates de telhado com pombas e bambinela entalhada em baixo; escadaria de 3 degraus de cantaria e corrimão de ferro. Fachada a N. com o acesso ao andar nobre do corpo principal do edifício por escadaria ladeada por 2 palmeiras, com corrimão de alvenaria em voluta pintado a vermelho e degraus de cantaria; para O. pequeno corpo transversal à fachada, com alpendre para N. telhado assente em pilastras de madeira a proteger tulha de vinho. Torre central quadrada de tratamento semelhante ao restante edifício, com uma janela por andar e por face, sendo as 3 janelas viradas ao mar dos 3 pisos superiores dotadas de varanda de sacada com grade de ferro simples, que no 3º piso se estende às 4 faces.

Acessos

Rua 5 de Outubro, n.º 78

Protecção

VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 1379/97, JORAM, 1.ª série, n.º 99 de 10 outubro 1997

Grau

2 - imóvel ou conjunto com valor tipológico, estilístico ou histórico ou que se singulariza na massa edificada, cujos elementos estruturais e características de qualidade arquitectónica ou significado histórico deverão ser preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Imóvel de Interesse Público.

Enquadramento

Urbano, isolado no interior de um quarteirão, fronteiro à ribeira de Santa Luzia, delimitado por jardim a S. sobre a R. Francisco Franco e armazéns corridos nos lados N. e O. com pisos empedrados a calhau britado e rolado tradicional madeirense e, junto à entrada da antiga residência, a NE., com estrelas e meias luas desenhadas a empedrado branco, fechado por muro com embasamento exterior tratado a respigado de cimento aparente; com acesso pela R. 5 de Outubro por portões de ferro com pilastras de cantaria rematadas por pináculos.

Descrição Complementar

Interiormente, numa divisão muito complexa, ressaltam os corrimões de balaustradas de madeira e os interessantes tectos de estuque do antigo andar nobre da residência do cônsul britânico que edificou o conjunto. O Instituto possui museu instalado no piso médio com entrada por alpendre a O., com elementos vários da história da cultura vinícola da Madeira, e da preparação e exportação do vinho. O edifício principal confronta através de pátio empedrado e arborizado com os antigos armazéns da empresa Veitch, hoje ocupados com os do Instituto do Vinho da Madeira, com tratamento semelhante, mas simplificado, em relação ao do edifício principal.

Utilização Inicial

Residencial e comercial: Palacete urbano e sede da empresa de produção e exportação de vinho

Utilização Actual

Administrativa / Comercial: Sede, escritórios e armazéns do Instituto do Vinho da Madeira

Propriedade

Pública: Instituto

Afectação

Época Construção

Sécs. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Henrique Veitch (atr.).

Cronologia

1804 - presença na ilha de Henrique Veitch como empregado da firma Pringle e do consulado britânico; 1807 - início de funções de Henrique Veitch como cônsul britânico; 1815, 23 Ago. - passagem na ilha do deposto imperador Napoleão Bonaparte, tendo o cônsul britânico Henrique Veitch ido visitá-lo a bordo da nau Northumberland e oferecido uma pipa de vinho da Madeira; 1830 - construção da grande residência sobre a ribeira de Santa Luzia; 1857, 7 Ago. - falecimento do antigo cônsul britânico Henrique Veitch; 1870 - fundação da Companhia Vinícola da Madeira por António Isidro Gonçalves; 1880 - aquisição progressiva dos bens da viúva e filho de Henrique Veitch por Manuel Justino Henriques; Séc. 19, finais / 20, inícios - instalação da Companhia Vinícola da Madeira na antiga residência, escritórios e armazéns de Henrique Veitch; 1940 - criação na Madeira da Delegação da Junta Nacional do Vinho; c. 1950 - incorporação na Junta dos bens da Companhia Vinícola da Madeira; 1979, 6 Abr. - criação do Instituto do Vinho da Madeira, publicado no JORAM I, nº 81; 1980, 1 Jan. - início de funções do Instituto do Vinho da Madeira; 1984, 18 Set. - inauguração do Museu do Vinho da Madeira nas instalações do Instituto.

Características Particulares

Conjunto residencial e comercial de grande importância na história regional, tendo sido levantado como residência urbana do comerciante e cônsul inglês Henrique Veitch, mas também como centro da importante empresa de vinhos que o mesmo liderou. Veio depois a ser sede da Companhia Vinícola da Madeira, da Delegação da Junta Nacional do Vinho e hoje do Instituto do Vinho da Madeira.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho e outras ), azulejo, estuque, amarrações mistas, telha de meio canudo e pisos exteriores de laje de cantaria e calhau britado e rolado.

Bibliografia

DUNCAN, T. Bentley, Atlantic Island. Madeira, the Azores and the Cape Verdes in the seventeenth-centuy, commerce and navigation, Chicago and London, 1972; ARAGÃO, António, Para a História do Funchal, DRAC, 1980; COSSART, Noel, Madeira, the island vineyard, Londres, 1984; Inauguração do Museu do Vinho da Madeira marcada para terça-feira, Diário de Notícias, Funchal, 16 Set. 1984; PALMA, dr. Constantino, Museu do Vinho da Madeira - a concretização de um sonho, Jornal da Madeira, 19 Set. 1984; Madeira já tem Museu do Vinho. Esta mostra permanente foi inaugurada pelo Presidente do Governo Regional, Diário de Notícias, Funchal, 19 Set. 1984; FERRAZ, Maria de Lourdes de Freitas, O vinho da Madeira no século XVIII; produção e mercados internacionais, Actas do I Colóquio Internacional de História da Madeira, 1986, vol, II, pp. 935 a 965; CÂMARA, Teresa Brasão, Empedrados: calçada-mosaico, Atlântico, nº 14, Funchal, 1988, pp. 150 a 154; Carta ao Ministro da Marinha, Atlântico, nº 20, Inverno de 1989, pp. 315 a 317; IVM em tempo de aniversário, Diário de Notícias, Funchal, 15 Jan. 1990; VIEIRA, Alberto, Breviário da vinha e do vinho da Madeira, Ponta Delgada, 1990; idem, O vinho da Madeira e a Rússia, revista do Diário de Notícias, Funchal, 8 Set. 1991; idem, Hist 6 Out. 1999.ória do Vinho da Madeira, documentos e textos, org. Alberto Vieira, CEHA, Funchal, 1993; BORGES, Ângela e NUNES, Rui Sotero, Ilhas de Zarco (adenda), CMF, 1990, pp. 129 e 130; RIBEIRO, Jorge Martins, Alguns aspectos do comércio da Madeira com a América do Norte na segunda metade do século XVIII, III Colóquio Internacional de História da Madeira, Funchal, 1993, pp. 392 e 393; CARITA, Rui, História da Madeira, 4º e 5º vols., SRE, 1996 e 1999; Relações entre Portugal e os Estados Unidos da América na Época das Luzes, catálogo de exposição, Lisboa, Torre do Tombo, Jan. a Mar. 1997; CARITA, Rui, O poder emergente dos Estados Unidos nos finais do século XVIII. A situação na Madeira com as colónias de comerciantes estrangeiros, com. colóquio de Angra do Heroísmo, 24 a 28 Mai. 1999; 1ª fase da recuperação do edifício. Instituto do Vinho mais descoberto, Diário de Notícias, 4 Ago. 1999; XAVIER, Patrícia, Obras "abatem" o muro. Instituto do Vinho já está mais visível, idem,

Documentação Gráfica

Litografia de Franc Dillon, ed. Londres, 1850; "Madeira. Funchal. Ribeira de Sta. Luzia", postal Bazar do Povo, 1900; GR / Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

ARM; CMF; RN; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal

Intervenção Realizada

Instituto do Vinho da Madeira: 1984 - instalação do Museu do Vinho; 1999 - demolição do muro a S. e colocação de gradeamento.

Observações

Segundo as plantas dos meados do Séc. 19 a entrada principal do edifício fazia-se pela então R. do Estudo, hoje dos Ferreiros, dos primeiros terrenos vendidos pela viúva. A primeira referência à exportação do vinho da Madeira é de 1445, por Luís de Cadamosto; em 1515 o vinho da Madeira é referido na corte de Francisco I de França; no séc. 16 o vinho Malvasia é referido em Londres; nos finais daquele século o vinho da Madeira é referido nas caves da Corte Imperial da Rússia; em 1588 Diego Lopes, no Purcha's Pilgrinages, escreve que o vinho da Madeira era "o melhor do que se acha no Universo, e se leva para a Índia e para muitas partes do Mundo"; em 1660 o casamento da princesa D. Catarina de Bragança com Carlos de Inglaterra fomenta o comércio britânico com Portugal; em 1687 o médico britânico Hans Solane descreve o comércio do vinho da Madeira e a acção dos comerciantes ingleses; em 1703 fez-se o tratado de Methween favorecendo novamente a entrada dos vinhos portugueses em Inglaterra e nas suas colónias; em 4 de Julho de 1775 a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América é assinada com um brinde de Madeira; em 1785 - pagamento de vinho da Madeira na correspondência da firma Lamar, Hill, Bisset & C.º, em Filadélfia, feito por George Washington; em 1789 George Washington toma posse como primeiro presidente federalista dos Estados Unidos, celebrado com Madeira; a 20 de Setembro de 1794 carta do Presidente dos Estados Unidos sobre o envio de uma pipa de Madeira.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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