Fortaleza de São João Baptista e Muralhas

IPA.00008105
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, Angra (Sé)
 
Fortaleza construída no istmo do Monte Brasil, no final do séc. 16, pelo rei D. Filipe II de Espanha, a quem é dedicada, e concluída por volta de 1636, sendo redenominada para São João Baptista após a Restauração da independência, em homenagem a D. João IV, altura em que também se substituem as armas na porta magistral que, depois de 30 de junho de 1654, é dedicada à Virgem da Conceição e recebe inscrição com o juramento do monarca de a tomar como padroeira do Reino, feito em 15 de março de 1646. Constituindo uma das maiores e mais inexpugnáveis fortalezas em território nacional, apresenta planta poligonal irregular, com traçado abaluartado, de Tiburcio Spanochi, seguindo a Escola Italiana, composto por dois meios baluartes, dispostos nos extremos, e três baluartes, um deles pouco avançado, com orelhões muito marcados e praças baixas acedidos por túnel, interligados por cortinas, formando uma frente abaluartada virada à cidade, com paramentos em talude e a escarpa exterior em alvenaria de pedra, coroados por cordão e parapeito liso ou de merlões e canhoneiras, abertas em 1763. O núcleo mais avançado é circundado por fosso, bastante pronunciado, permitindo que o perfil visível a partir da cidade fosse esbatido, apesar da grande altura, com amplas covas de lobo escavadas na rocha, estrada coberta com tenalha e obras facetadas e esplanada. O projeto inicial contemplava uma só porta magistral, a norte, com portal em arco de volta perfeita, entre pilastras ornadas com losangos, sustentando espaldar com inscrição e brasão, entre pináculos sobre plintos, acedida por ponte levadiça, mas atualmente de cantaria sobre arcos. Posteriormente foi construída uma porta secundária, a Porta dos Carros, completamente despojada, protegida por luneta, destruída pelos portugueses em 1640, e depois substituída por uma obra facetada. O Monte Brasil é envolvido por cortinas, integrando pequenos fortes ou baterias, alguns de construção anterior e outros já oitocentistas, exceto na escarpa virada a sul, onde apesar de naturalmente inacessível, os espanhóis construíram o Forte da Quebrada. Segundo Avelino de Freitas de Meneses a fortificação manifesta o desejo de consolidação do poder de Espanha nos oceanos, a criação de uma base inexpugnável capaz de conter o livre acesso dos rivais europeus à Índia e Novo Mundo e de defender o primado da navegação Ibérica para o Ultramar. A sua construção correspondeu a uma mudança na conceção do sistema defensivo da ilha, com influência direta na defesa das ilhas dos Açores, baseada essencialmente numa fortificação com uma inexpugnável frente terrestre e abandonando a ideia de de defesa em linha. Não sendo possível manter todo o perímetro fortificado densamente guarnecido, o sistema defensivo baseava-se na grande mobilidade das forças de defesa, com vigilância apertada em toda a frente e na rápida deslocação das tropas para o troço da muralha que estivesse sujeito à ameaça do ataque iminente. O sistema principal de vigia funcionava no Facho instalado no pico do mesmo nome antes da construção da fortaleza. O emprego de rocha vulcânica tornava difícil a abertura de brechas nos paramentos, pois os grãos de dureza variável, mas sem linha de fratura característica, comportava-se bem perante o impacto dos projeteis, absorvendo-os, e não lascando. Em caso de cerco, a praça tinha grande autonomia sendo possível manter no seu interior grande reserva de água nas suas três cisternas, cultivar o campo interior, obter carne do gado das pastagens na zona da caldeira do monte Brasil e até pescar.
Número IPA Antigo: PT071901160001
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Militar  Fortaleza    

Descrição

Fortificação composta por um núcleo principal, fechado no istmo, desenvolvido ao longo de cerca de 570 metros de comprimento, com obras exteriores, e por duas linhas de cortinas ao longo de grande parte da península, integrando vários fortes e baterias. FORTALEZA de planta poligonal irregular, composta por dois meios baluartes, dispostos nos extremos, e três baluartes, denominados, de oeste para este, de Santa Catarina, São Pedro (inicialmente de São João), de Boa Nova ou da Bandeira (inicialmente de Santiago), do Espírito Santo (inicialmente de Santo Estêvão), e de Santa Luzia (inicialmente de Santo António), interligados por cortinas, com 14 a 19 metros de altura, e pelas seguintes obras exteriores: o fosso, o revelim da Porta dos Carros, estrada coberta e esplanada em direção à cidade. Apresenta paramentos em talude, com a escarpa exterior em alvenaria de pedra irregular, coroados por cordão e parapeito de merlões e canhoneiras ou em parapeito liso. Possui duas portas, a principal, virada sensivelmente a norte, e uma aberta posteriormente, a nordeste, designada de Porta dos Carros. O meio baluarte de Santa Catarina, os baluartes de São Pedro e da Boa Nova e o meio baluarte de Santa Luzia possuem orelhão direito muito marcado, o de São Pedro de ambos os lados. Todos os baluartes e meio baluartes têm praças baixas ao ar livre, quadrangulares, nos baluartes de ambos os lados, defendidas a partir dos parapeitos de tiro circundantes e acedidas por poternas, em arco de volta perfeita sobre os pés direitos, servidas de túneis. Na re-entrância dos orelhões abrem-se portas ao nível do fosso, para as surtidas, estreitas e em arco de volta perfeita sobre os pés direitos. No terrapleno interior, os baluartes possuem plataformas lajeadas, no da Boa Nova acedidas por corredor igualmente lajeado, com bocas de fogo. O BALUARTE DE SANTA CATARINA, sobre a rocha do Fanal, tem sete canhoneiras e, no ângulo flanqueado, o denominado Torreão dos Mosquitos, de planta retangular e cobertura plana, com vários vãos de defesa, que no passado foi utilizada como paiol de bateria. Através de uma cortina com dois lances de diferentes níveis, interliga-se ao BALUARTE DE SÃO PEDRO, com quinze canhoneiras e tendo no flanco esquerdo um paiol de bateria, de planta retangular e cobertura curva. PORTA MAGISTRAL, rasgada entre o baluarte de São Pedro e o da Boa Nova, numa cortina de tiro a barbete, apresentando portal em arco de volta perfeita, com chave volutada, sobre pilastras toscanas, entre duplas pilastras ornadas com losangos relevados sobre almofadas, sustentando entablamento; este é seccionado por friso ornado de losangos, encimado por espaldar central, com moldura lateralmente curva contendo botão e inscrição central, rematado em cornija e brasão com as armas de Portugal sobre acantos; no enfiamento das pilastras, dispõem-se plintos almofadados, assentes em friso de losangos, coroados por pináculos tipo pera. A porta é acedida por ponte a partir do caminho coberto, de tabuleiro inclinado, sobre dez arcos de volta perfeita, assentes em pilares, com guarda plena em alvenaria de pedra, cimentada. A porta integra postigo. Na face interna da porta, o trânsito tem acesso por portal em arco abatido, sobre os pés direitos, sendo flanqueado por duas janelas, com a mesma modinatura e gradeadas, da casa da guarda. A porta tem cobertura exterior em lajes de cantaria, existindo na face interna do remate corpo sobrelevado, acedido através do caminho coberto por vários degraus, tendo porta de verga reta a sul e frestas jacentes laterais. Recuado, sobre o parapeito do caminho coberto, dispõe-se ainda sineira, em arco, desnuda. O BALUARTE DE BOA NOVA, com dezasseis canhoneiras, tem no ângulo flanqueado dois paióis, encimados pelo denominado Torreão da Bandeira, por ser aí que se levanta o mastro da bandeira da fortaleza, de planta retangular e cobertura plana. A cortina que se segue a este baluarte, com seis canhoneiras, possui berma e no limite sul uma casamata, designada Bateria de Malaca, por ali ter existido uma peça de bronze do calibre 36, proveniente da Fortaleza de Diu e recolhida a Lisboa em 22 de julho de 1771. Segue-se cortina com altura de dois níveis bastante distintos, abrindo-se na zona mais alta a denominada PORTA DOS CARRO, em arco em asa de cesto sobre pilastras, de trânsito curto coberto por abóbada de berço abatido sobre cornija. O BALUARTE DO SANTO ESPÍRITO, sobre o designado Campo do Relvão, possui os flancos curtos e faces de ângulo muito pouco saliente, com quatro canhoneiras e três paióis, retangulares e de cobertura curva. Segue-se cortina com seis canhoneiras e, a meio, paiol, de planta retangular e cobertura curva. O MEIO BALUARTE DE SANTA LUZIA, de traçado irregular, tem cinco canhoneiras e um paiol no ângulo, sendo prolongado por dois troços de cortina, em planos descendentes, cada uma com uma canhoneira e, no último, um paiol. OBRAS EXTERIORES: a frente formada pelo meio baluarte oeste e pelos baluartes de São Pedro e Boa Nova é circundada por FOSSO, aberto na rocha vulcânica, com a largura média de dez metros e, em alguns trechos, de igual profundidade em relação à defesa exterior, com pavimento em terra, coberto por vegetação rasteira; na frente norte e ao longo do flanco este do baluarte da Boa Nova, tem visível amplas covas de lobo, abertas na rocha, as da cortina da porta magistral organizadas em quatro fiadas desencontradas. No alto da contraescarpa do fosso possui o CAMINHO COBERTO, acedido por rampas, com guardas plenas, protegido por um reparo que servia de parapeito, integrando em frente da cortina entre o meio baluarte de Santa Catarina e o baluarte de São Pedro uma tenalha, entre o baluarte de São Pedro e o da Boa Nova, fronteiro à porta magistral, e em frente do ângulo flanqueado do baluarte da Boa Nova, obras de perfil facetado, as últimas duas com o parapeito de canhoeiras servido por banqueta. O Caminho coberto a este é interrompido pela estrada que acede à porta do carro, onde se dispõe o REVELIM DA PORTA DO CARRO de planta semicircular facetada, adaptado ao declive acentuado do terreno, com paramentos em talude, com a escarpa exterior em alvenaria de pedra irregular, de cunhais marcados, coroados por cordão e parapeito de merlões e canhoneiras. O acesso ao terrapleno faz-se por escada, tendo banqueta nas canhoneiras. CORTINAS: a partir do baluarte de Santa Luzia e da re-entrância oeste do Monte Brasil, desenvolvem-se cortinas envolvendo a península a este e a oeste, adaptadas ao declive do terreno, com paramentos em talude e escarpa exterior em alvenaria de pedra irregular, coroados por parapeito de merlões e canhoneiras abertas em ritmo incerto ou, na frente oeste, por cordão e parapeito liso. Na frente este, virada à baía de Angra, integra os redutos dos Dois Paus, o reduto de São Francisco, o Forte de São Benedito ou dos Três Paus, o Reduto de Santo Inácio e o Forte de Santo António. Na frente oeste, virada à baía do Fanal, a cortina, denominada de São Diogo (em homenagem a D. Diogo, filho de S. Filipe II), integra o Reduto de Santa Teresa, o de Santa Cruz e o de São Gonçalo, o Forte do General Saldanha, a bateria da Fidelidade, o Forte do Zimbreiro e a bateria da Constituição.

Acessos

Angra (Sé), Monte Brasil; Caminho dos Carros. WGS84 (graus decimais): lat.: 38,651769; long.: -27,226315

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175 de 18 agosto 1943 *1 / Incluído na Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo (v. IPA.00010623) / Incluído na Paisagem Protegida do Monte Brasil

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, implantado na costa sul da ilha Terceira, na encosta do Monte Brasil, que cria duas baías, cada uma delas com um porto: a este, a baía de Angra, onde se desenvolve a cidade, e a oeste, a baía do Fanal, menos guardada dos ventos dominantes do quadrante oeste. Na encosta norte do Monte Brasil ergue-se a fortificação de São João Batista, virada à cidade, estendendo-se para este, ao longo do sopé, aproveitando a oeste as condições naturais do terreno, visto o terreno cair abruptamente. No interior da fortaleza erguem-se vários edifícios pertencentes ao quartel que ocupa o imóvel e, na praça de armas, pavimentada com asfalto, a Igreja de São João Batista (v. IPA.00035487), no enfiamento da porta magistral, a casa do governador, a noroeste, e a Capela de Santa Catarina, a nordeste. Na frente este desenvolve-se o chamado Campo do Relvão, atual Parque Municipal, arrelvado e possuindo parque infantil com várias estruturas e passeios delineados. No pico das Cruzinhas, ergue-se ainda o Monumento ao V Centenário do Povoamento da ilha Terceira e várias baterias antiaéreas da Segunda Guerra Mundial.

Descrição Complementar

Na porta magistral da fortaleza existe lápide com a inscrição, muito delida: "BEATAE VIRGINIS CONCEPTIONEM / REX TIBI CONCEPTAE VITG SINE / ... / HIC PRIMUS CIV ... / JOANNES QUARTUS ... / MO ... ". Na face interna, a porta de acesso ao trânsito é encimada por painel de azulejos policromos, com as armas do batalhão, e a inscrição "ANTES MORRER LIVRES QUE EM PAZ SUJEITOS"; ladeiam o portal duas grandes lápides de mármore, inscritas. A face do baluarte da Boa Nova, sobre a baía de Angra, possui internamente no parapeito lápide em mármore com inscrição alusiva à alteração da sua designação durante as Guerras Liberais: "R / BATERIA DE S M F / SENHOR DO PEDRO IV / IMPERADOR DO BRAZIL / E / REI DE PORTUGAL / ANNO DE 1828". A cortina entre o baluarte da Boa Nova e o do Espírito Santo tem na face interna do parapeito lápide, de mármore, com a inscrição: "R / BATARIA / DE S. M. F. / A SENHORA D. MARIA IIª / RAINHA DE PORTUGAL / ANNO DE 1829". CASA DO GOVERNADOR de planta poligonal, composta por vários corpos articulados, criando pátio retangular posterior. Volumes escalonados com coberturas articuladas em telhados de três e quatro águas, rematadas em beirada simples. Tem fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco, cunhais, frisos e molduras dos vãos sublinhados a cinzento. A fachada principal surge virada a este, formada por três corpos, o central mais alto, de três pisos, separados por frisos, e de três panos definidos por pilastras, rematando em cornija. No piso térreo abre-se portal central sobrelevado, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, acedido por escadas de planta semicircular, no pano esquerdo tem um portal de verga reta e uma janela de peitoril, de brincos retos, e no direito portal, também em arco; ao nível do segundo piso abrem-se janelas de varandim, de moldura recortada e guarda em ferro, e, no terceiro, janelas de peitoril, com moldura também recortada. No corpo esquerdo, de dois pisos, abrem-se portas de verga reta ladeadas por janelas jacentes e, no segundo piso, janelas de peitoril retilíneas com brincos retos. O corpo direito, também de dois pisos, mas mais alto, possui dois panos, o mais largo rasgado no piso térreo por três portais em arco de volta perfeita sobre pilastras e no segundo por quatro janelas de sacada, de moldura recortada e guarda em ferro; no pano mais estreito existe arco de passagem para a fachada posterior e, no segundo piso, janela igual. CAPELA DE SANTA CATARINA de planta retangular simples, tendo adossado à fachada lateral direita sacristia também retangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na capela e de uma na sacristia, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e caiadas, com os cunhais e o vão da frontaria sublinhados a cinzento. Fachada principal virada a noroeste, terminada em empena, levemente truncada, e rasgada por portal em arco de volta perfeita, sobre pilastras toscanas. A fachada lateral esquerda, adossada ao terrapleno, é rasgada por duas janelas em arco, com molduras em alvenaria, enquanto à oposta se adossa um corpo. Fachada posterior terminada em empena com corpo do antigo retábulo saliente, rasgado por vão retilíneo. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, tendo na parede testeira nicho em arco em asa de cesto, contendo vão. Sobre o nicho existem vestígios de pintura mural, formando espaldar recortado, definido por concheados e volutas, com pomba do Espírito Santo inserida numa glória. A capela possui pequeno adro frontal, sobrelevado, com soco pintado de cinzento e almofadas brancas, acedido por vários degraus e tendo bancos de pedra. À capela adossa-se corpo em L, criando pátio central contra o terrapleno, com fachadas de um piso, rasgadas por janelas de peitoril com molduras de ângulos recortados, e caixilharia de guilhotina e portal central. CISTERNA de planta retangular, internamente com cobertura em abóbada de berço. Na gola do baluarte do Santo Espírito ergue-se o PAIOL NOVO, à superfície, de planta retangular e massa simples, com cobertura em telhado de duas águas rematadas em beirada simples. Apresenta fachadas em alvenaria de pedra, rasgadas por vãos retilíneos. É envolvido por alto anteparo de proteção, com os cunhais de cantaria, rasgado a sudoeste por portal de arco em asa de cesto, sobre pilastras, encimado por cartela oval. A sudoeste e a nordeste tem adossado uma ou duas chaminés, altas. A oeste deste e no sopé do monte, existe um outro paiol, com estrutura semelhante, mas sensivelmente mais pequeno. No Pico das Cruzinhas, erguem-se outras estruturas militares, nomeadamente um paiol de planta retangular e cobertura tripartida, cimentada, com fachadas rebocadas, a principal terminada em empena, com cornija, e rasgada por portal de verga reta e pequena janela em arco. Existe ainda uma guarita cilíndrica, com cobertura piramidal e várias frestas de tiro.

Utilização Inicial

Militar: fortaleza

Utilização Actual

Militar: quartel / Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

APONTADOR DAS OBRAS: João Lopes Penteado (1658). ENGENHEIRO: Tiburcio Spanochi (1590). EMPREITEIROS: Lourenço, Simões & Reis, Ldª (1957-1963, 1967-1977), Joaquim António Bandeiras (1964); José Gabriel Azevedo Almeida (1978). MESTRE: Anton Cal (1593).

Cronologia

1543 - Bartolomeu Ferraz apresenta recomendação a D. João III para a fortificação dos Açores, importante escala nas rotas de retorno da Índia e América; 1567, 05 março - na sequência da provisão régia sobre a defesa da Terceira, o engenheiro Tommaso Benedetto elabora meticuloso plano de proteção da costa meridional da ilha *2 e aconselha a construção de um forte no Monte Brasil; pouco depois procede-se à construção do Forte dos Dois Paus (para proteção do porto dos Dois Paus - Portinho Novo); 1580 - durante a crise dinástica, os Açores apoiam a causa portuguesa; a rebeldia insular motiva simultaneamente a oposição dos espanhóis e o apoio dos franceses, ingleses e holandeses, originando um confronto durante três anos; a resistência anti-filipina determina o reforço da fortificação costeira; 1581, 13 outubro - carta de Frei Simão de Barros à rainha de Inglaterra pedindo maior socorro militar *3; para preparar a resistência da ilha, são construídos, na costa este, do monte o Forte de Santo António e de São Benedito e uma comprida muralha e trincheira de terra e, na costa oeste, o Forte do Zimbreiro; 1583 - o vedor de São Miguel adverte o marquês de Santa Cruz de que os terceirenses "estão confiadíssimos de defender se porque demas de la mucha buena gente que tienem estan ynspunables porque an andado en la fortificacion de ordinário 250 ombres boluntarios"; o comandante francês comendador de Chatres reconhece a ilusão da inexpugnabilidade da Terceira; na altura da conquista, D. Álvaro de Baçan sugere apenas o reforço dos antigos fortes da cidade, confiando no castelo de São Sebastião, que defende o porto das Pipas, permitindo a entrada de socorro, no caso de dificuldades; o mestre de campo Juan de Urbina e auxiliares referem a impossibilidade de defender eficazmente todos os portos e trincheiras da orla marítima, sugerindo a concentração de forças numa unidade de maior capacidade; espanhóis conquistam a ilha Terceira, o marquês de Santa Cruz toma a cidade e guarnece a ilha com 2000 soldados, recebendo os fortes costeiros guarnição espanhola; 1583, 30 setembro - o mestre de campo Juan de Urbina informa o rei que considera muito conveniente, para segurança eficaz do porto de Angra e segurança da ilha, prevenindo-se um eventual levantamento ou ataque por terra, construir "com la brevidade que se pudiese" uma grande fortaleza, na montanha entre a cidade e a montanha alta - o Monte Brasil; evitava também "del gran gasto que se hade tener con la paga desta gente, y la que mas esfuerça meter los veranos (...)"; com esta grande fortificação e com outra no Faial, o sistema defensivo do arquipélago ficaria melhor consolidado; remete "algunos papeles y traças y el parecer donde se hade edificar El castillo, do Mestre das obras da terceira, que, considerado apto, recebera perdão do marquês de Santa Cruz"; 21 novembro - Álvaro de Bazan, Marquês de Santa Cruz, dá notícia de "auer embiado dos Ingenieros com mi parecer sobre la fortificaçion de la Terçera", João Battista Cairato e Tiburcio Spanochi, enquanto ele próprio não chegasse à Corte e esclarecesse pessoalmente o que lhe parecia sobre a fortificação; 1580, 2ª metade da década - o aumento da ameaça inglesa coloca em perigo o livre curso da navegação espanhola para o ultramar; 1586, cerca - o governo filipino reconhece a insuficiência do sistema defensivo da ilha e a necessidade de construir uma grande fortaleza; o projeto recupera uma proposta do comandante francês comendador de Chatres; 1589 - ainda não se havia começado a fortaleza; a partir desta data, D. Filipe II autoriza os preparativos para a nova obra de fortificação; ordena que se averigue as potencialidades do aproveitamento militar do Monte Brasil e autoriza a disponibilização dos primeiros meios financeiros; 1590 - o Monte Brasil é propriedade de Manuel do Rego da Silveira, filho de Estêvão Cerveira, que ali comprara uma herdade de 2 moios e 22 alqueires de semeadura, e os montes são do donatário; 1591, maio - o mestre de campo Juan de Urbina recebe os primeiros materiais para a obra (100 moios de cal e 32.950 ladrilhos) e refere o corte de madeira na ilha do Pico para a construção; 1593, maio - colocação da primeira pedra, no baluarte de Santa Catarina, com a presença do governador do presídio, D. António de la Puebla, e pelo bispo de Angra, D. Manuel de Gouveia; 17 setembro - por ordem de Martim de Aguinada, D. João da Silva, conde de Portalegre, governador mordomo e capitão general de Portugal, assina os 63 capítulos que regulamentariam o modo de construir a fortificação do Monte Brasil, referindo a traça de Tiburcio Spanochi assinada por Andres de Prado, o que Anton Cal cumpriria *4; 1594 - início da construção do Forte de São Filipe, com bênção do bispo Manuel de Gouveia, correndo a obra lentamente e com interrupções, devido à falta de verbas; 1595, 24 janeiro - data de um desenho da fortificação existente no Arquivo de Simancas; 19 maio - não tendo ainda o mestre de campo António de Puebla pago a Estêvão de Cerveira a propriedade, avaliada em 904$060, onde se fazia a fortificação, o rei determina que o fizesse; 04 novembro - conde de Portalegre reclama dinheiro para os salários do mês de maio e 30$000 para satisfazer a diferentes consignações, de onde havia sido retirado aquele pagamento; entretanto, interrompe-se a construção por falta de dinheiro, pois os 12.000 ducados para o pagamento das gentes da obra, gastam-se em outras "cossas forçosas"; 1597 - rei manda o mestre de campo António Centeno Quiral pagar aos que reclamam pagamentos das obras e materiais; 1598, 01 setembro - escritura de partilha entre os herdeiros de Estêvão Cerveira da quantia porque lhe foram vendidos o terreno e eiras no Monte Brasil "aondo se edifica a fortaleza", no valor de 904$060; 1600, 23 maio - o mestre de campo António Centeno envia dois emissários à ilha de São Miguel a solicitar ao conde de Vila Franca do Campo, ao corregedor Leonardo da Cunha e à Câmara de Ponta Delgada ajuda, emprestando dinheiro para socorro da guarnição de guerra, até que o rei enviasse o dinheiro há muito esperado; 1601 - redução das tropas do presídio a cerca de 1000 homens, passando os fortes a ter novamente guarnição portuguesa; 12 novembro - Diego de Miranda Queroz, comandante do forte, requer a D. Filipe III que mande prover dinheiro para a obra da fortaleza, a fim de acabá-la com brevidade; para economizar, o comandante usa soldados castigados nas obras; 1609, fevereiro - rei determina que "se haga la de St. Phelipe pelas Tercias de Portugal", distribuindo-se delas "lo nezessario para la fortification de dicho castillo"; os quatro baluartes e respetivas cortinas ainda estão por acabar *5; 19 setembro - D. Filipe determina que "se haga la de la de St. Phelipe" pelas "Tercias de Portugal", atribuindo-se delas "lo nezessario para la fortificacion del dicho castillo"; 1612 - estabelece-se a arrecadação de 4.000 cruzados depositados na ilha de São Miguel e que do cofre dos 2% da ilha se destine 400$000 anuais para a conclusão da fortificação; a pedido do mestre de campo Gonçalo Mexia, o rei faz saber ao vice-rei que "aa metade da consignação do presidio do ditto castello [devia] preferir a todas as mais da mesma ylha"; 1613, janeiro - D. Filipe III, para acabar a fortificação "com o que de nouo se ade acrescentar de quartel e de outras cousas", determina ao bispo vice-rei que providencie a obtenção da casa do castelo 12.700 ducados das terças do Reino; 1636 - data provável para a conclusão da fortaleza; 1640 - portugueses atacam a porta dos carros, a secundária, destruindo a luneta que existia em frente, a cerca de 50 m; construção de fortificação de campanha, com trincheiramento da baía das Pipas à baía do Fanal, após ter sido dominado o castelo de São Sebastião; 1641, dezembro - ataque às obras exteriores da fortificação, levando os castelhanos a recolher toda a tropa no seu interior; 1642, 04 março - rendição dos espanhóis, sob o comando do Mestre-de-Campo D. Álvaro de Viveiros; o procurador de Angra apresenta nas Cortes petição para redenominar a fortaleza para São João Baptista, em homenagem a D. João IV de Portugal; 1643, abril - alvará régio autoriza a mudança de designação da fortificação e determina a substituição das armas de Castela pelas de Portugal na porta principal; o alvará determina ainda a construção de uma ermida no interior da fortificação; 1654 - manda-se gravar a inscrição da porta magistral, dedicada à Virgem da Conceição; 1656, setembro - D. Afonso VI recomenda ao novo governador João Sequeira Varejão a continuação do "que tendes obrado no dito Castello e Ermida nova", concedendo 50$000 mensais e o "que Resultar das denusiasois e fazendas perdidas que pertencem a Alfandega e com tudo o mais que for possível para que as ditas obras luzão e cresão com a maior brevidade que se posa"; 1658 - João Lopes Penteado é apontador das obras da fortaleza; acrescenta-se ao programa original quinhentista um baluarte na parte mais necessária da fortaleza, com "que fica fechada por todas as partes de que muito necessitava"; 1659, 26 julho - rei congratula-se pelo zelo do governador nos trabalhos do "castello, e igreja nova que nelle se vai fazendo"; 1662 - "corriam as obras do Castelo, cuja despesa de jornais e macames concernentes a elas valiam quase tanto como os mesmos soldos dos soldados e oficiais"; 1665 - a cal existente para a fortificação, comprada por conta da fazenda real, para a obra da igreja, é arrematada do pedreiro João da Rocha, para com ela acudir às necessidades a gastos da fortificação; séc. 17, segunda metade - os paióis da fortaleza abastecem de pólvora as demais fortificações da Ilha; a Irmandade do Espírito Santo do Castelo é uma das mais ricas da cidade; 1720 - conclusão das obras de remodelação da primitiva capela de Santa Catarina, posteriormente do Espírito Santo; 1763 - relatório de vistoria à fortaleza determina a abertura de canhoneiras nos baluartes e cortinas e outras obras *6; 1766, 20 outubro - o engenheiro João António Júdice verifica na fortaleza um deplorável estado de conservação *7; séc. 18 - construção da atual porta dos nove arcos; 1821, 02 abril - dá-se na fortaleza o primeiro movimento revolucionário de cunho liberalista nos Açores, liderado pelo antigo capitão-general, brigadeiro Francisco António de Araújo e Azevedo; 07 maio - violento incêndio destrói o antigo Laboratório de Artilharia existente ao baluarte de Santa Luzia, provocando cinco vítimas; 1822 - a fortificação é fortificada por 366 peças, guarnecido pelo 1º Batalhão de Linha dos Açores, e por um regimento de Milícia Nacional com o nome da Cidade; 1828 - a face do baluarte da Boa Nova passa a designar-se de bateria de D. Pedro IV; 1829 - a cortina entre o baluarte da Boa Nova e o do Espírito Santo passa a designar-se de bateria de D. Maria II; construção do paiol de este; 07 maio - instalação, por ordem da Junta Governativa, de uma casa da moeda, onde se fundem, em areia, com o bronze dos sinos da Terceira, os "malucos", moedas de 80 réis, conforme o modelo da peça em ouro cunhada no Rio de Janeiro, no governo do Príncipe regente D. João; o seu fogo, combinado com o da Forte de São Sebastião, afastam a esquadra miguelista da baía de Angra; 1830 - construção das baterias da Constituição e da Fidelidade na frente voltada à baía do Fanal, provocando a destruição parcial do Forte do Zimbreiro; 1862 - segundo a "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos, a fortaleza encontra-se em bom estado de conservação; 1916 - 1919 - as dependências da fortaleza são utilizadas como "Depósito de Concentrados", súbditos alemães obrigados a permanecer em Portugal devido às determinações na sequência da declaração de guerra, durante a Primeira Guerra Mundial; 1932 - construção no Pico das Cruzinhas do monumento comemorando o povoamento dos Açores, tendo-se então detetado no local a forca do castelo, com base de pedra e alguns degraus; 1933 - as dependências da fortaleza são utilizadas como prisão política pelo Estado, criando-se um presídio militar; 1943 - é utilizada como "Depósito de Presos de Angra"; séc. 20, meados - cedência a título precário de uma certa área central do Monte do Brasil à Junta Geral de Angra; sob o plano da Comissão da Avaliação das Novas Infraestruturas das Forças Armadas (CANIFA) procede-se à demolição dos edifícios do terrapleno oeste da fortaleza e de alguns a este da Igreja de São João Baptista; 1950 - alargamento do arco do portão dos carros (30 cm para cada lado) e inicia-se o desbaste da abóbada do trânsito, pela Engenharia Militar, através da Delegação do Serviço de Fortificações e Obras Militares em Angra, trabalho que não chega a ser concluído; 1953 - construção de um barracão em fibrocimento e um outro junto ao Forte Pequeno pela Comissão Administrativa das Novas Instalações para o Exército; 1954 - 1956 - construção de um armazém para recolha de material no local onde existia um depósito do Exército; 1955, abril - conclusão da construção do posto de controle de navegação do Porto de Angra no Cais da Figueirinha e Ponta do Farol, em local designado pelo Ministério da Marinha; 1964 - Câmara informa a DGEMN que a Comissão Administrativa das Novas Instalações da Forças Armadas (CANIFA) ia proceder ao abastecimento de água ao quartel do B.I.I., n.º 17, prevendo a construção de um reservatório sobrelevado no Monte Brasil e a demolição parcial da antiga cisterna da fortaleza, dando assim parecer para suspender a obra até que o projeto seja analisado pela Junta Nacional da Educação *8; 1965 - despacho ministerial aprova o projeto da rede de abastecimento de água ao quartel, devendo porém camuflar-se com verdura, tanto quanto possível, as entradas dos depósitos regulador e de distribuição; 1976, 17 junho - derrocada de um troço de muralha com 40 m, de suporte do terrapleno norte junto ao portão dos carros, devido a uma forte infiltração da água das chuvas; 1978 - Câmara constrói indevidamente um campo de jogos no Relvão, junto à fortaleza; 2004, 09 setembro - publicação da Resolução do Conselho do Governo n.º 126/2004, referindo consumir a classificação anterior do imóvel por inclusão na Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, em JORAA, 1.ª série, n.º 15.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra vulcânica; cimento revestindo algumas zonas ou nas juntas; casa do governador, capela e outras construções com silhar, frisos, cornijas, molduras dos vãos em cantaria vulcânica; guardas em ferro; lápides de mármore; coberturas em telha.

Bibliografia

ARAÚJO, Miguel Cristóvão de - «A Restauração da Ilha Terceira (1641-1642): cerco e tomada do Castelo de São Filipe do Monte Brasil pelos Terceirenses». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1963, vol. XVIII, pp. 38-116; ARAÚJO, Miguel Cristóvão de -O Castelo de S. Filipe do Monte Brasil. Angra do Heroísmo (Açores): União Gráfica Angrense, 1973; BASTOS, Barão de - «Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente.» In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1997, vol. LV, pp. 272-274; CARITA, Rui - «O Atlântico: Ilhas e costa Africana». In História das Fortificações Portuguesas no Mundo. Lisboa: Publicações Alfa, 1989, pp. 188-206; DIAS, Francisco Maduro - «Angra do Heroísmo e o castelo do Monte Brasil». In Monumentos. Lisboa: DGEMN, n.º 5, pp. 42-49; FERNANDES, José Manuel - «Angra e o seu "castelo". Imagens, Percursos, Diálogos». In Monumentos. Lisboa: DGEMN, n.º 5, pp. 36-41; LOBO, Francisco de Sousa - «Um Olhar Militar sobre o Forte». In Monumentos. Lisboa: DGEMN, n.º 5, pp. 16-27; MENESES, Avelino de Freitas de - «A Fortaleza do Monte Brasil. Os propósitos da construção de uma atalaia do Atlântico». In Monumentos. Lisboa: DGEMN, n.º 5, pp. 8-15; MENESES, Manuel de Sousa - «A igreja do Castelo da Ilha Terceira».In Atlântida. Angra do Heroísmo: 1958; MOTA, Valdemar - «Fortificação da Ilha Terceira». In Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira. 1993-1994, vol. LI-LII, pp. 129-327; SOUSA, Nestor de - «Programas de Arquitectura Militar Quinhentista em Ponta Delgada e Angra do Heroísmo - Italianos, Italianização, e Intervenções até ao século XVIII». In Arquipélago-História. 6 (2), 2002, pp. 53-224; SOUSA, Nestor de - «S. João Baptista de Angra do Heroísmo. Um programa italiano de fortaleza filipina e a sua ermida da Restauração». In Monumentos. Lisboa: DGEMN, n.º 5, pp. 28-35.

Documentação Gráfica

DGEMN:DRMLisboa; Direção de Infraestruturas do Exército

Documentação Fotográfica

DGEMN:DRMLisboa, SIPA

Documentação Administrativa

DGEMN:DSARH

Intervenção Realizada

DGEMN: 1957 - consolidação de troços de muralha mais avançados de forma a evitar desmoronamentos perigosos; apeamento de 113,00 m3 de muralha em mau estado, em duas zonas exteriores ao forte e reconstrução destes troços, sempre que possível; as obras são adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 49.900$00; 1958 - obras de conservação, no valor de 100.000$00, adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Ldª, incluindo a consolidação de muralhas do lado da baía com pedra transportada da pedreira, construção de parapeito de cortinas, limpeza de bocas de lobo do fosso e desaterro e aterro para consolidação da muralha; 1959, agosto - demolição das antigas instalações da guarnição e tanque anexo; aprovação do projeto do portão dos Carros elaborado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo; 1960 - continuação das obras de arranjo e consolidação das muralhas, pela firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 119.000$00: para o lado sul, ao longo do campo denominado Relvão, nas muralhas e seus anexos, constituídos por plataformas, casa de artilharia, casamatas e guaritas e respetivos acessos; do lado do monte, consolidação do muro de suporte, regularização do pavimento do arruamento; 1961 - continuação da reparação geral, reforçando muralhas, pela firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 73.800$00; 1962 - obras de reconstrução e consolidação das muralhas: levantamento de um troço caído e respetiva reconstrução, aproveitando tanto quanto possível a pedra existente, por 49.800$00; 1963 - de acordo com o planeamento dos trabalhos de conservação, restauração e demolição dos baluartes de Santa Luzia e do Espírito Santo, procede-se ao contrato de adjudicação do prosseguimento dos trabalhos de levantamento e consolidação de alguns panos de muralha à firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 117000$00; os trabalhos incluíram levantamento de muralhas caídas em alvenaria de pedra, reconstrução de parapeitos de cortinas e trabalhos de desaterro e terraplanagem; demolição de todas as pequenas construções recentemente executadas nos terrenos dos baluartes (galinheiros, pocilga, arribana, fossa e arrecadações); 1964 - consolidação das muralhas adjudicada a Joaquim António Bandeiras, por 149.500$00; 1966 - consolidação e restauro das muralhas, com reconstrução de parapeito e cortinas, levantamento de muralhas ruídas; 1967 - consolidação e reconstrução de panos de defesa da antiga fortificação que se encontram em perigo de ruir ou foram demolidas pela ação de desagregação dos elementos resistentes, pela firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª; 1970 - prosseguimento dos trabalhos de restauro, consolidação e conservação das muralhas, incluindo a reconstrução de parapeitos e cortinas, pela firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª por 100.000$00; 1971 - continuação dos trabalhos de conservação de muralhas, junto à cisterna e num muro de suporte de terras, pela firma Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 100.000$00; 1974 - continuação das obras de consolidação da muralha da fortaleza, na zona do clube naval, devido aos troços de alvenaria construídos para assegurar o arruamento sobranceiro, estarem apoiados no terreno das arribas, que é constituído por tufo de pouca consistência; as obras são adjudicadas a Lourenço, Simões & Reis, Ldª, por 100.000$00; 1976 - desobstrução do portão dos carros, devido à queda de um troço de muralha; consolidação e restauro do revestimento em cantaria do talude sobranceiro ao arruamento da entrada pelo portão situado entre o "relvão" e a entrada principal; 1977 - continuação da obra de um muro de revestimento, em cantaria aparelhada, no talude sobranceiro ao arruamento com acesso pelo portão situado junto ao relvão; aproveitamento dos materiais, nomeadamente das cantarias que desmoronaram; escavação da rocha branda para preparar faixas de apoio ou leitos de assentamento do enrocamento; enrocamento e alvenarias de acompanhamento, e apoio, do revestimento de cantaria; 1978 - continuação da obra de consolidação e reconstrução do revestimento do talude sobranceiro ao arruamento com acesso pelo portão junto do relvão, sendo necessário arrancar na pedreira do Monte Brasil cantarias para a continuação do revestimento do talude; as obras são adjudicadas a José Gabriel Azevedo Almeida, por 300 000$00; 1979, março - dado o recebimento tardio desta verba no Plano de Obras da DGEMN, a mesma não é suficiente para cobrir o volume de trabalhos inicialmente previstos; junho - informação de que não foram cabimentadas verbas para conclusão da obra na fortificação; 1981, 18 maio - Diretor-Geral informa que, por força do Decreto Regional n.º 13/79/A, publicado no DR de 16 de agosto de 1979 e ao abrigo do art.º 2.º do mesmo, cabe ao Governo Regional dos Açores, através da Secretaria Regional da Educação e Cultura, promover os trabalhos de conservação do património da região; 2000 - reconstrução de troço de muralha na zona da Baía do Fanal; 2001 - conclusão da reconstrução da muralha na zona da Baía do Fanal; reconstrução da cobertura da ermida de Santa Catarina.

Observações

*1 - A Fortaleza foi classificada conjuntamente com a Igreja de São João Baptista. *2 - O projeto do engenheiro Tommaso Benedetto assentava no recrutamento de milícias e a edificação de uma série de fortificações e trincheiras entre São Mateus e a serra de Santiago, privilegiando os principais ancoradouros, nomeadamente as batas de Angra e Praia e o termo de São Sebastião. *3 - O pedido de apoio de Frei Simão de Barros à rainha devia-se "...a importância desta terra é tão grande que ouso dizer que sem na ter por si El-Rei de Portugal não poderá ser rei de seu reino, que tendo El-Rei Filipe contra si não será rei seguro nem ainda do Reino de Castela. Esta é a chave de toda a navegação de Espanha e quem a tiver não tem necessidade de ir a Índias, nem de passar ao mal do sul". *4 - No documento pormenorizam-se todos os aspetos do programa construtivo da fortaleza, materiais, técnicas, trabalhadores e salários, fiscalização, eventuais alterações no terreno, etc. No primeiro capítulo, sublinha-se que "Ante todas cosas se hade guardar pontualmente la traça de Triburçio Spanoqui firmada del secretário Andres de Prada. Ao mestre de campo António de Puebla indicava-se como principal responsável pela fábrica António Col. Salienta-se que a fábrica deveria empregar a medida do pé castelhano (6 por braça e não os 7,5 da portuguesa), porque fora aquela medida que Spanochi empregara. Em função da qualidade do terreno, o fosso seria de 35 pés de profundidade até ao nível da estrada coberta e mais 7 para o parapeito desta, num total de 31 pés, tendo 90 de largura. Os alojamentos dos soldados, junto "a la estrada del pomerio", bastava terem 10 por 8 pés com 12 de altura, mas para os oficiais far-se-iam oito casas maiores, destacando-se a residência do comandante, que se "hara em la plaça puena e comoda para persona de calidad (...)". A meio da fortaleza ficaria a praça de armas, tão ampla quanto possível e com arruamentos para os baluartes. Na parte mais nobre situar-se-ia a igreja, com sacristia e residência para o capelão, construindo-se os fornos, talho e oficinas no lado oposto, "lo mas apartado de la dicha Iglesia que se pudiere y lo mas çerca de vuna de las casas de los dichos offiçialles de castillo". Previa-se a construção de quatro cisternas: uma na praça grande, comum a toda a guarnição, e outras três distribuídas por diferentes locais. Os paióis, afastados "del comercio" deviam ser feitos com paredes delgadas e se, cobertura abobadada onde houvesse sol e vento seco, protegidos por parede de todos os lados, à distância de 14 pés. Do lado sul, implantar-se-iam os armazéns de víveres, armas e munições. Retifica-se a altura das cortinas e baluartes para não ficarem demasiado elevados se o terreno envolvente fosse plano, propondo a redução de 10 pés, ou seja, desde o fosso até ao cordão com 32 a 33 pés; do cordão para cima mais 9 pés, deixando liberdade ao arquiteto para fazer "conforme a lo que el sitio lo obligare". Determina-se o parapeito raso "y no mas alto que hasta el exede los encaualgamentos del artilheria, porque com menos despesa e mais facilidade de manobra, as peças de fogo poderiam ser utilizadas de qualquer parte. No respeito pelo desenho de Spanochi e das instruções que o acompanhavam, o arquiteto devia atuar "conforme al sitio, altura de la fabrica, calidad y cantidad del terreno que se hade sustentar, y hazer mas o menos contrafuertes conforme a la dispusiçion de todo (...)". Aconselha-se também a todos os funcionários envolvidos, a dar urgência à obra. *5 -No baluarte de Santa Catarina, "que es el que esta ala parte del poniente sobre lo mar que se llama del fanal", com as muralhas de 32 pés de altura, faltava levantar 12 pés, abrir a entrada da respetiva casamata e terraplanar o que estava por erguer. O baluarte de São João e a cortina que os ligava, cortada em tufo de 22 pés de altura, precisava ser revestida com muralha de pedra e cal, e elevar mais ou menos 40 pés em todo e fazer a sua terraplanagem. Na cortina entre o baluarte de São João e o baluarte de São Tiago, onde se situa a porta magistral, também em tufo de 22 pés de altura, havia que por o forro de pedra e cal e concluir-lhe a elevação ao nível determinado para o anterior. No baluarte de Santiago faltava subir mais 10 pés de altura, fazer a terraplanagem, entradas e saídas das suas casamatas. A cortina para o baluarte de São Cristóvão, já com seu cordão, tinha de se "engrossar y lleuantar el parapeto", enquanto aquele, com muralhas, parapeitos e guaritas prontas, carecia dos acessos das casamatas, guarnecer plataformas para artilharia e fazer um edifício amplo para recolher pessoal, "por estar apartado del alojamento". Na cortina de união do baluarte de São Cristóvão com o baluarte de Santo António, também já com o cordão e parapeito, apenas faltava "algunos pedaços de enlosados para plataformas de artilharia". O baluarte de Santo António, junto ao mar sobre o porto de Angra, estava concluído de cordão, parapeito e muralhas exteriores, mas interiormente não tinha travessas de muralha para consolidação do terrapleno, o que se tornava indispensável "por causa de ser pendiente el terreno", com vista a ser dotado de "placa para artilleria" e defesas. O fosso em volta de toda a fortaleza e a estrada coberta estavam a menos de metade da construção. Convinha executar muralha de pedra e cal, com respetivas travessas e defesas, de cerca de 30 pés de altura, para substituir a trincheira de terra e toros que ligava o baluarte de Santo António ao fortim do mesmo nome, "situado a la boca del puerto", no local onde havia um pequeno cais. No conjunto, "Los sinco caualleros y cortinas que tiene este castillo a la frente de la çiudad" correspondiam a "mil passos andãtes que com los dos mil de las faldas del monte son três mil". Assim, nem a fortaleza estava operacional, nem podia albergar guarnição, porque estavam por construir "dos tercias partes o más lel alojamento de los soldados", tendo, por isso, de ser abolotados na cidade. *6 - Segundo o relatório devia-se abrir uma canhoneira no flanco do baluarte de Santa Catarina e na praça baixa; duas no primeiro lance de cortina que desse baluarte ia para o de São Pedro; no flanco alto que se desenvolve neste e na superfície que olha para a porta principal da praça e para cruzamento de tiro, devia-se fazer o mesmo no flanco alto do baluarte da Senhora da Boa Nova; e o mesmo se devia fazer no lado deste e nas duas faces do baluarte do Espírito Santo. O reduto de Santa Luzia precisava de uma canhoneira no flanco alto, devia-se acrescentar duas às quatro existentes na cortina de ligação do reduto dos Dois Paus para o de São francisco, duas neste, três na cortina que corre do dito reduto para o reduto de São Benedito, quatro na que segue até ao reduto de São Inácio, outras tantas na de ligação à ponta de Santo António, acrescentar mais quatro às seis existentes após este reduto e cinco na continuação da dita cortina. No lance da cortina em frente do corpo da guarda deviam-se acrescentar mais duas canhoneiras. Precisava também no caminho coberto de abóbada, ao lado direito depois do corpo da guarda principal, tinha que se cobrir um lance, no reduto de Santo António estava arruinada a muralha da bateria mais baixa, por baixo do seu ângulo; precisam-se reformas de todas as plataformas na fortaleza, fazendo-se-lhe massame por baixo, devendo-se fazer o mesmo nas nove praças baixas do forte. O armazém de pólvora além de ter pouca capacidade, devia-se dar ouro sítio mais conveniente, aconselhando-se a construção de uma casa para se encartuxar e pesar a pólvora. *7 - Segundo o engenheiro João António Júdice, em 1766, os aquartelamentos estão "reduzidos aos últimos limites da ruina, (...) inabitáveis thé que se lhe dê a devida providencia", porque só se aproveitam as suas paredes e partes do madeiramento dos respetivos tetos; é preciso fazer de novo portas e janelas dos aquartelamentos; os edifícios destinados aos oficiais só se aproveitavam as paredes exteriores e na casa do governador é preciso fazer-se cozinha e chaminé; o calabouço "é uma cova subterrânea debaixo do terrapleno, sem ar, nem luz alguma, e muito húmido, apontando-se por isso uma nova casa de prisão para os soldados; onde não houvesse guarita, precisar fazer-se para abrigar a sentinela das injúrias do tempo; considera grave o facto de, ainda não há muito tempo, o governo de D. José, haver concedido ampla consignação anual para a conservação e reedificação do que fosse necessário, mas não haver vestígios onde se tivesse gasto o dinheiro. *8 - Antes de ser iniciado o estudo do projeto da obra, a CANIFA pede e obtém da Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo autorização para implantar o reservatório, tendo sido indicada a sua localização, enterrada na encosta norte, à cota de 100m num alinhamento definido. O projeto fora elaborado por um técnico ao serviço do Estado que, por questões de economia, aproveitaria a antiga e abandonada cisterna, desconhecendo a Comissão que a cisterna estava incluída no conjunto classificado. Tendo-se chamado a atenção do autor do projeto, procedeu-se à sua remodelação. Em agosto, a CANIFA informa que a Comissão irá rever o 2º projeto da obra do abastecimento de água para dar completa satisfação ao parecer emitido pela Junta Nacional de Educação, situando a cabine da central elevatória de modo a ficar semienterrada.

Autor e Data

Paula Noé 2015

Actualização

 
 
 
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