Igreja Paroquial de Ponta Delgada / Igreja de São Sebastião

IPA.00008150
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Ponta Delgada, Ponta Delgada (São Sebastião)
 
Arquitectura religiosa, quinhentista, maneirista e barroca. Igreja paroquial.
Número IPA Antigo: PT072103120007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Acessos

Ponta Delgada (São Sebastião); Largo da Matriz. WGS84 (graus decimais) lat.: 37,740136; long.: -25,668193

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 39 175, DG, 1.ª série, n.º 77 de 17 abril 1953

Grau

5 - registo em pré-inventário com um preenchimento mínimo dos campos… e pressupondo a existência de um registo iconográfico.

Enquadramento

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: António Gonçalves (1575). CARPINTEIROS: Diogo Alves (1533); Diogo Dias (1533); Pero Fernandes (1533). CINZELADOR: Jacinto José Cordeiro (séc. 19). DOURADORES: João Albino Peixoto (séc. 19); Manuel da Costa Oliveira (1726); Rodrigues da Cunha (1726). ENTALHADOR: António da Costa (1702); Augusto Araújo de Lima (séc. 19); Dionísio de Fontes (1753); Francisco Teixeira (1555, 1599); Gervásio Araújo de Lima (séc. 19); José Francisco Pereira (1813); Manuel de Sousa (1716); Pedro Lopes (1716). FUNDIDOR: Domingos José da Costa (1781). OURIVES: Luís José de Medeiros (s.d). MESTRE-DE-OBRAS: Roque Gonçalves Barriga (1604). MESTRE: Afonso Machado (1533); Luís Roiz Jácome (1756). PINTOR-DOURADOR: Fernão de Matos (1555); Manuel da Costa Oliveira (1732); Rodrigues da Cunha (1732). PEDREIRO: André de Fontes (1748); André Fernandes (1533); Afonso Fernandes (1531); Bento Soares (1623); Brás da Ponte (1533); Estêvão da Ponte (1533); Nicolau Fernandes (1533); Lupedo (1531). PINTOR: Giorgio Marini (1870).

Cronologia

1504, 06 julho - fundação testamentária do altar dos Santos Reis Magos pelo escudeiro Pedro Afonso; 1514 - segundo o padre Herculano Augusto de Medeiros, é cura ou capelão Rodrigo Anes Soeiro, sendo o primeiro cura Diogo Anes; 1516 - segundo a crónica de Gaspar Frutuoso, falece João Gonçalves, o tangedor, que deixa uma capela de Nossa Senhora do Rosário, com 23 alqueires de terra; 1522, antes - Gaspar Frutuoso, também refere Gaspar Betencourt que falecera e fora sepultado na capela-mor da primitiva ermida, por mercê do rei D. João III; 1523 - 1531 - havendo uma grande peste em São Miguel, a população de Ponta Delgada faz voto de erigir um templo melhor ao mártir São Sebastião, e de o tornar padroeiro da cidade; 1525, 04 janeiro - Pedro Jorge e sua mulher Ana Gonçalves mandam em testamento levantar uma capela com invocação ao Bom Jesus ou Nome de Deus (atualmente capela do Senhor dos Passos); 1531 - início da construção da igreja, onde antes se erguia a ermida de São Sebastião, que é auxiliada por D. João III e D. Sebastião; a obra de pedreiro é arrematada por 1:350$000 ao mestre Lupedo, vindo de Portugal continental, o qual recebe logo 100$000; segundo Gaspar Frutuoso Lupedo volta ao continente para ir buscar a mulher, mas esta não quer vir para São Miguel; enquanto não regressa do continente, Lupedo manda muita pedraria de mármore, para os portais e pilares, com um Afonso Fernandes, para que trabalhasse por ele, até ao seu regresso; isso nunca aconteceu por Lupedo ter sofrido um desastre; 1532, 22 agosto - alvará real dá 400 cruzados para as obras da igreja; o rei dá um cálice, turíbulo, ornamentos e custódia de prata; 1533, 13 janeiro - abre-se nova arrematação da obra da igreja, a Estêvão da Ponte e a Afonso Machado, pelo mesmo preço; a obra de alvenaria fica a cargo de Estêvão da Ponte e do seu irmão, Brás da Ponte, a de carpintaria aos mestres Diogo Dias, Pêro Fernandes, de Ponta Delgada, e de Diogo Alves, de Água do Pau; Nicolau Fernandes e André Fernandes fazem os portais e os pilares; 1550 - a igreja é aberta ao culto, mas ainda incompleta, com falta de alfaias, paramentos e retábulos; 1555 - a Câmara pede ao rei um retábulo; Fernão de Matos doura e pinta o retábulo, feito pelo entalhador Francisco Teixeira; 1568 - por carta régia, a côngrua do vigário é aumentada a 30$000, pois tinha mais de 200 fogos; 1561, 03 julho - alvará concede à Câmara metade do rendimento da imposição para as obras da igreja; 1563, 26 março - alvará manda aplicar parte deste rendimento no acabamento da torre dos sinos; 1572, 09 março - Gaspar do Rego Baldaia pede no testamento "que dos rendimentos da dita terça" se levante a capela de Nossa Senhora da Glória (mais tarde nomeada como Nossa Senhora da Assunção), na parte sul da igreja, junto à capela do Bom Jesus; 1575 - ultima-se ainda a torre dos sinos e a frontaria da igreja, pelo arquiteto António Gonçalves; 1586 - já existe um relógio na torre existente a norte da igreja, junto à capela-mor; 1594 - o corregedor, na correição, manda acabar a torre dos sinos; 1599 - o provedor Gaspar Dias deseja que ele, sua mulher e herdeiros serem sepultados na capela-mor, para o que teria que dar esmolas aos pobres da casa, um lampadário de prata e azeite e 200$000 para um retábulo, para a capela-mor; 14 novembro - contrato com Francisco Teixeira para feitura do dito retábulo, o qual teria de estar concluído no dia de Santa Isabel em 1608; 1604, 02 maio - Roque Gonçalves Barriga assina contrato com a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, para arranjar a frontaria da igreja; 23 agosto - Roque Gonçalves Barriga assina contrato para as obras da reconstrução do coro, que havia caído; 1605 - o bispo D. Jerónimo intima a Câmara a acabar a torre dos sinos; 1608, antes - António de Brum e sua mulher Maria de Frias fundam uma capela de São Roque; 1623 - construção da atual torre sineira na fachada principal, acabada pela Câmara, depois de ameaças de excomunhão do Deão da Sé em 1601; Bento Soares recebe 40$000, além do contratado, para acabar o colarinho abaixo da última cimalha; 1631 - a Fazenda Real gasta 53$000 com obras na sacristia; 1647 - chove muito dentro da igreja, que precisa ser retelhada; 1674, 30 setembro - o bispo D. Frei Lourenço de Castro, na sua visita à igreja, diz que a capela do Santíssimo Sacramento não tem administrador, pelo que não de devia enterrar nela mais ninguém; 1686 - Fazenda Real gasta 42$000 com obras na sacristia; 1693, 15 maio - na visita à igreja, o vigário da Maia, Simão da Costa Rezende, diz que a capela há muito está por dourar, determinando que, no termo de um ano, se mande fazer o altar de pedra, ficando a despesa a cargo da sua fábrica; 1696, 31 março - o vigário da Maia, Simão da Costa Rezende manda arranjar paramentos para a capela do Nome de Deus e embargar as rendas obrigadas à capela de Nossa Senhora da Assunção, por lhe faltar tudo o que é necessário para nela se celebrar, no prazo de 6 meses, ou os seus administradores pagariam 10 cruzados; determina a colocação de um cálice, cortinas, toalhas e um frontal vermelho, na capela do Bom Jesus, no prazo de 6 meses; manda o administrador do altar de São João Batista, no prazo de um ano, sob pena de 10 cruzados, arranjar frontais, toalhas e outros paramentos e por o remate do retábulo; o vigário manda dourar o retábulo de São Roque devendo as despesas ser da sua fazenda; 1698, 18 fevereiro - morte do padre vigário Belchior Manuel de Rezendes que deixa em testamento 100$00 para colocar azulejos na capela-mor; 1699, 21 agosto - na visita do bispo D. António Vieira Leitão, determina-se colocar o painel de cima e umas cortinas, no prazo de 6 meses, ou pagariam 2000$00; como na capela de Nossa Senhora da Assunção nada mudara desde a última visita, D. António manda que, no prazo de 6 meses, sob pena de 6000$00, se arranje tudo o que é necessário à capela; o altar de São João Batista tem apenas um frontal verde e duas tolhas, mandando assim fazer um frontal vermelho, roxo e branco e 2 toalhas, em 6 meses ou sob pena de 1000$; o bispo manda dourar o retábulo de São Roque, o que não é feito, mudando, pouco tempo depois, a invocação para Nossa Senhora da Conceição; o bispo manda ainda colocar grades em todas as capelas, para que se resguardem "as cousas dedicadas ao culto divino" e ter em cada altar menos 2 toalhas; 1702, 05 outubro - António da Costa começa a obra do retábulo-mor; 1709, 08 novembro - o bispo António Vieira Leitão intima o capitão Manuel Rebelo da Câmara, administrador do altar do Bom Jesus, que existia na altura, a fazer reparos; 1712 - 1732 - obras de pedreiro e de carpintaria na sacristia, por 588$000; 1716 - encomenda-se a Pedro Lopes e Manuel de Sousa o retábulo-mor, em talha dourada, pelo valor de 5 mil cruzados; feitura de armários para a sacristia por 600$000; 1718 - aquisição de azulejos por 132$$000; 1723 - demolição da torre sineira, do lado norte, por estar em ruínas; 1726 e 1729 - visitadores ordenam a construção de um teto novo, que fosse mais alto, e a abertura de janelas na igreja; mudança dos telhados da capela-mor e colocação de azulejos no interior da mesma; 1726 - alterações da fachada, do teto da nave e dos telhados da capela-mor; redecoração interior pelos douradores Manuel da Costa Oliveira e Rodrigues da Cunha; 1729 - conclusão do retábulo-mor; 1730 - chegam mais azulejos para a sacristia, que formam lambris nas paredes do norte e parte das do nascente e poente, por 342$000; 1732 - gastam-se 2.253$200 da Fazenda Real com o douramento dos frisos e remates da capela-mor e 58$000 com ornamentos para a sacristia, que é pintada, por 92$000; 1733 - visitador recomenda o acabamento do azulejamento da capelinha da sacristia, comprando-se azulejos mais baratos; 1735 - aquisição de um órgão por 430$00, que é pintado e dourado por 190$00; compra de outros ornamentos no valor de 558$00; 1737 - obras de pedreiro, por 1.332$00; 1740 - trabalhos de carpintaria por 780$00; 1748 - construção e modernização da fachada atual, por André de Fontes, mantendo-se os portais antigos; 1750 - forro e douramento do arco da capela-mor, por 360$00; compra de um sino, por 32:650$00; feitura do cadeiral do coro por 160$00; 1753 - o entalhador Dionísio de Fontes faz o retábulo de São Joaquim; 1756 - Luís Roiz recebe 160$000 pela colocação dos azulejos; 1780 - alvará régio obriga o senado a ter todos os gastos com as festividades em honra de São Sebastião; 1781 - fundição do sino grande, por Domingos José da Costa, em Lisboa; 1803 - D. Maria Benedita de Morais denuncia que a capela do Santíssimo estava vaga; 1852,16 abril - devido a um terramoto, as pirâmides da torre viram, a do cimo da capela-mor cai e danifica parte do telhado; uma das colunas de sustentação do sino das horas dá de si e o sino fica inclinado; 1854 - manda-se vir um carrilhão de sinos novos e afinados; 1870 - o pintor italiano Giorgio Marini pinta o painel das Almas, onde representa o seu próprio retrato; 1895 - o comendador António Joaquim Nunes da Silva deixa em testamento que se traga um relógio, com quatro mostradores e iluminado, por oito contos de reis insulanos; o antigo relógio, comprado no início do século 19, é vendido à Câmara da Povoação; 1898 - colocação do relógio por cima da torre sineira; séc. 19 - o cinzelador Jacinto José Cordeiro faz em prata, a lâmpada, a naveta e a caldeira da capela do Santíssimo; ocultam-se relevos em pedra lioz com gesso, as colunas das naves são argamassadas, a talha do arco da capela-mor, de 1750, é retirada, adicionando-se gesso pintado e dourado; remoção dos azulejos da capela-mor; abertura de janelão na face leste da parede da capela-mor; feitura de novas estruturas para o altar de Santo António e o de Nossa Senhora de Fátima, por influência do prior Jacinto da Ponte; o prior decide voltar a colocar o antigo arco da capela-mor e introduzem-se dois retábulos para as capelas laterais do cruzeiro (Coração de Jesus e São Pedro), vindos da Igreja da Graça, que havia sido profanada; o prior organiza na sacristia, do lado sul, um Museu Sacro; 1940, década - durante a 2ª Guerra Mundial, a torre sineira é camuflada com a pintura de casas, para a proteger de possíveis ataques aéreos; séc. 20 - ainda existem nas naves, junto dos púlpitos, dois coros, um deles com um órgão, onde tocou o padre Serrão.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Bibliografia

AFONSO, Carlos Falcão - Ponta Delgada, Vandalismo ou Desenvolvimento?. Câmara Municipal de Ponta Delgada, 2007; ATAÍDE, Luís Bernardo Leite de - «A Matriz de São Sebastião de Ponta Delgada». In Insulana. Instituto Cultural de Ponta Delgada, vol. III, nº 1, 1947; ATAÍDE, Luís Bernardo Leite de - Etnografia Arte e Vida Antiga dos Açores. S.l.: Presidência do Governo; Direcção Regional da Cultura, 2011, vol. 3; CANTO, E. - «Notícia sobre as igrejas, ermidas e altares da ilha de São Miguel». In Insulana. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Pontada Delgada, 2000, n.º LVI, pp. 233-234; COSTA, Carreiro da - História das Igrejas e Ermidas dos Açores. Ponta Delgada: Jornal Açores, 1955; DIAS, Urbano de Mendonça - História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses - III. Vila Franca de Campo: Tipografia “A Crença”, 1950; FERNANDES, José Manuel - História Ilustrada da Arquitetura dos Açores. Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura, 2008, p. 57; FRUTUOSO, Gaspar - Saudades da Terra. Livro IV, p. 186; MENDES, Hélder Fonseca (dir.) - Igrejas paroquiais dos Açores. Angra do Heroísmo: Boletim Eclesiástico dos Açores, 2011, p. 98; ROSA, Teresa Maria Rodrigues da Fonseca - O Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo. Contributos para o Estudo da Arte Religiosa Açoriana (Dissertação de Tese de Mestrado em História da Arte). Universidade Lusíada, 1998; Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1956. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1957; Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959. Lisboa: Ministério das Obras Públicas, 1960, 1.º vol.; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963, pp. 129-130; SOUSA, Nestor de - A Arquitectura Religiosa da Ponta Delgada nos séculos XVI a XVIII. Ponta Delgada: Universidade dos Açores. 1986; SUPICO, Francisco Maria - Escavações. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1995, vol. 1, pp. 202, 299 vol. 3, p. 944; «Uma nova dinâmica para o centro histórico» in Açoriano Oriental. Ponta Delgada, 15 julho 2004, p. 6.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREML

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREML, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREML

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1813 - consertos no retábulo da capela de Jesus pelo entalhador José Francisco Pereira; séc. 19 - restauro do retábulo-mor por Pedro de Araújo de Lima; restauro do trono e arco da capela-mor, bem como o retábulo de Santo António e o altar de São João pelos entalhadores Gervásio e Augusto Araújo de Lima; os irmãos Araújo de Lima restauram ainda outros retábulos; 1901 - obras no adro para a visita régia, destruindo-se as lojas existentes debaixo do adro, dando lugar à escadaria; DGEMN: 1956 - Obras de pequena envergadura, pelos Serviços dos Monumentos Nacionais; 1959 - obras de conservação, pelos Serviços dos Monumentos Nacionais; CMPD: 2004 - aumento do largo da Matriz e nova pavimentação da mesma, com projecto da autoria do Arq. Pedro Garcez; substituição dos bancos de jardim, desenhados pelo arq. Siza Vieira; iluminação cénica da igreja.

Observações

EM ESTUDO. *1 - O retábulo de Nossa Senhora da Conceição é proveniente do Colégio de Todos os Santos (v. PT072103120002). *2 - A norte da primitiva ermida de São Sebastião existia uma fonte, de onde bebiam os habitantes de Ponta Delgada, que depois com a construção da igreja ficou dentro de uma nave.

Autor e Data

João Faria 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra)

Actualização

 
 
 
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