Igreja Paroquial de Ponta Delgada / Igreja de São Sebastião

IPA.00008150
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Ponta Delgada, Ponta Delgada (São Sebastião)
 
Igreja paroquial construída no séc. 16, com planta de três naves e cabeceira escalonada, integrada no programa nacional de construção de igrejas paroquiais pelas Ordens Militares, administradas diretamente pela Coroa, com a frontaria e o interior reformado no séc. 18. Tem planta composta por três naves escalonadas, cada uma com sete tramos, separadas por arcos, de volta perfeita sobre colunas, com estuques pintados a marmoreados fingidos e estuques relevados, oitocentistas, e cabeceira tripla escalonada, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira nas naves e abóbadas na cabeceira. A obra de construção foi arrematada por Lupedo, que pouco depois regressa ao continente, de onde envia cantarias, deixando Afonso Fernandes no seu lugar, sendo depois arrematado por Estêvão da Ponte e Afonso Fernandes. A fachada principal foi reformada em 1748, por André de Fontes, seguindo o esquema tripartido mais comum das igrejas da ilha, terminando em tabela, ladeada de aletas e encimada por frontão em canopo, com três panos definidos por pilastras, coroadas por pináculos, rasgados por portal e janela em eixo. Conserva, no entanto, o portal axial manuelino, executado pelos irmãos Nicolau Fernandes e André Fernandes, em asa de cesto com arquivoltas entrelaçadas e formando canoupo envolvido por arco trilobado, sobre colunelos, e contrafortes facetados e seccionados, com decoração vegetalista, heráldica, nichos e anjos relevados. Os portais dos panos laterais datam da reforma setecentista e têm arco entre colunas torsas e pilastras, profusamente decoradas com elementos vegetalistas, aletas e concheados, formando falso frontão. Superiormente abrem-se janelas retilíneas entre colunas torsas, sobre mísulas e sustentando frisos e cornijas, com falso avental de volutas, pináculos e vieiras, e, na tabela, rosácea recortada. Nas fachadas laterais conserva igualmente as frestas da nave central, de diferentes perfis, uma delas cruciforme e com cogulhos vegetalistas, que foram reabertas nas obras de restauro de meados do século 20, e as portas travessas manuelinas, dos mesmos mestres, diferentes entre si; o da fachada norte, em cantaria da região, tem arco canopial envolvido por laçarias e pináculos de cogulhos, e o da fachada sul, em calcário e de talhe mais fino, é mainelado, com duplo arco trilobado, entre arco em asa de cesto ornado com grutescos, o da esquerda contendo inscrição, entre pináculos de agulha e encimado por medalhões inseridos em arco trilobado com pináculos de cogulhos. As capelas laterais são cobertas por cúpulas, possuem gárgulas zoomórficas ou antropomórficas, mas têm amplos vãos, abertos no séc. 18 / 19. A capela-mor conserva a feição quinhentista, de dois tramos contrafortados e remate em friso com florões e cornija, mas os vãos também deverão ser posteriores. A atual torre sineira, à direita da frontaria, foi construída na primeira metade do séc. 17, ainda que a quinhentista primitiva ficasse a norte da capela-mor, tendo sido demolida em 1723, por estar em ruínas. A torre, inicialmente com dois registos, o superior com duplo arco peraltado sobre pilastras, e remate em friso, cornija e guarda balaustrada, integrando, na fachada lateral, elementos heráldicos, em calcário, do séc. 16, foi alteada em 1909 com um terceiro registo. No interior possui coro-alto sobre as três naves, contendo órgão positivo oitocentista tendo na central dois púlpitos confrontantes, de talha em branco, com guarda balaustrada e elemento plano com atributos do orago, encimados por baldaquinos facetados com lambrequim e espaldar vazado. O batistério abre-se na nave do Evangelho, interiormente abobadado e atualmente com com retábulo oitocentista contendo painel das Almas, pintado pelo italiano Giorgio Marini, em 1870, onde ele representa o seu próprio retrato. As naves laterais têm uma capela à face, com retábulos de talha em branco, setecentistas, de estilo nacional, e duas profundas, cobertas por abóbada estrelada quinhentista, ou cúpula sobre trompas de ângulo, com retábulos, o da Imaculada Conceição, semelhante aos anteriores; os dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e a São Pedro vieram da Igreja da Graça, e são em barroco nacional, mas já com alguns elementos joaninos, sobretudo nos nichos. O arco triunfal, em arco de volta perfeita, é encimado por talha em branco, executada em 1750, formando espaldar recortado, integrando as armas nacionais e vão com vitral representando o orago. A capela-mor tem abóbada estrelada de dois tramos e o retábulo-mor, concluído em 1729, pelos entalhadores Pedro Lopes e Manuel de Sousa, em barroco nacional, de corpo côncavo e um eixo, com elementos de transição para o joanino. Os absidíolos, que comunicavam com a capela-mor por arco apontado sobre colunelos, têm acesso revestido a talha pintada e dourada, o do Evangelho, com as paredes decoradas a estuques relevados oitocentistas, e albergando retábulo de Nossa Senhora do Rosário, em talha joanino, de corpo côncavo e três eixos, vindo do Colégio de Todos os Santos (v. IPA.00008145), depois da expulsão dos Jesuítas, e o da Epístola, dedicado ao Santíssimo, acedido por porta de talha oitocentista, tem no interior apainelados de talha, de finais do séc. 18, com decoração rococó, e retábulo de corpo convexo e um eixo. As naves, na zona do cruzeiro, possuíam nas paredes e cobertura estuques relevados de finais do séc. 18, mas foram removidos nas obras novecentistas. Na sacristia existe arcaz do séc. 17, com alto espaldar decorado com almofadas e ritmado por colunas torsas.
Número IPA Antigo: PT072103120007
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal composta por três naves, com duas capelas laterais profundas de cada lado, e cabeceira tripartida, tendo adossado à esquerda batistério, corpo e sacristia retangular, à direita, torre sineira quadrangular, sacristia do Santíssimo e anexo. Volumes escalonados e articulados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, de uma nos vários corpos adossados, os laterais integrando claraboias, e de quatro na zona posterior da capela-mor, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, à exceção da capela-mor e do segundo registo da torre sineira, que são em cantaria aparente, percorridas por soco de cantaria, de cunhais apilastrados, rematadas em friso e cornija ou apenas cornija. A fachada principal surge virada a poente, rematada em tabela retangular horizontal, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos tipo pera sobre plintos paralelepipédicos, ladeada por aletas, percorridas por frisos e com florões, e encimada por frontão em canopo, de iguais características, contendo cartela com atributo do orago e coroado por cruz latina sobre acrotério. A fachada divide-se em três panos, definidos por pilastras toscanas, cada um deles rasgado por duas ordens de vãos, correspondendo no inferior a portais, o central maior, e no superior a janelas. No pano central abre-se portal, em cantaria calcária, de arco em asa de cesto, com duas arquivoltas, assentes em dois colunelos, sobre bases facetadas, cingidas por anéis, as quais se entrelaçam e formam canoupo, com mísula, atualmente desnuda, ladeada por duas mísulas e anjos relevados. O portal é enquadrado por arco trilobado, sobre colunelos, assentes em bases facetadas, cingidas por anéis, e rematado em pináculos de cogulhos vegetalistas, e contrafortes facetados e seccionados, criando nichos intermédios, decorado com elementos vegetalistas e remate em longos pináculos tipo agulha. No intradorso do arco, côncavo, formam-se dois nichos sobre motivos vegetalistas e figura antropomórfica segurando filactera, com baldaquino concheado, rematado em elemento vegetalista, sobreposto por escudos, com as armas de Portugal (esquerda) e os atributos do orago (direita). Sobre o portal abrem-se duas janelas retilíneas, com moldura entre colunas torsas, de terço inferior liso, assentes em mísulas, as quais sustentam frisos e cornijas, coroadas por pináculos e tendo vieiras ao centro; entre as mísulas existem elementos volutados de cantaria, criando falso avental. Nos panos laterais, seccionados em dois registos por cornija, abrem-se portais em arco, com moldura formando recorte superior sobre mísulas, ladeado por duas colunas torsas e terço inferior espiralado, de capitéis coríntios, duas pilastras ornadas de acantos e duas outras com aletas, todas sobre plintos ornados de motivos vegetalistas em cachos, as exteriores coroadas por urnas; superiormente dispõe-se ampla vieira e volutados criando falso frontão interrompido por pináculo gomado. No registo superior, abre-se uma janela igual às do pano central e, na tabela, uma rosácea polilobada. À esquerda dispõe-se o batistério, rasgado por janela retilínea com moldura terminada em cornija e gradeada, coberto por cúpula facetada, rematada por plinto cilíndrico com cruz latina. À direita dispõe-se a torre sineira, de três registos separados por friso e cornija, o primeiro tendo fresta descentrada e o segundo rasgado, em cada uma das faces, por duas ventanas, de arco peraltado, sobre pilastras, albergando sinos, surgindo na face frontal entre as ventanas olho de boi. Remata em friso, cornija e guarda balaustrada, com acrotérios nos cunhais. O terceiro registo, mais estreito, tem em todas as faces relógio circular, moldurado a cantaria, rematando em cornija e platibanda vazada; é coberto por cúpula facetada com lanternim. Fachadas laterais com a nave central rasgada por frestas retilíneas, de perfil curvo ou cruciforme, envolvido por cogulhos vegetalistas, e as laterais, mais baixas, com porta travessa. Na lateral esquerda, o portal possui arco canopial rematado em piáculo de folhas e filactera, envolvido por arco trilobado, com pequenos remates de folhas e de onde partem entrelaçados pináculos com cogulhos vegetalistas, ambos assentes em colunelos de bases facetadas, cingidas por anéis e com capitéis de folhagem. O portal da fachada direita é mainelado, com coluna de fuste espiralado, e duplo arco trilobado com elementos vegetalistas, envolvido por arco em asa de cesto de duas arquivoltas sobre colunelos, de bases facetadas, cingidas por anéis, os exteriores de capitéis igualmente facetados e prolongados por longos pináculos tipo agulha com cogulhos vegetalistas; no intradorso do arco surge decoração em grutescos, tendo no lado esquerdo vestígios de inscrição muito delida. Superiormente desenvolvem-se medalhões com uma figura masculina e outra feminina, envolvidos por arco trilobado de onde partem cogulhos vegetalistas. A torre sineira é rasgada lateralmente, no primeiro registo, por uma fresta, uma janela de sacada mainelada, retilínea e com guarda em ferro e, superiormente, por dois vãos jacentes ladeando brasão com as armas de Portugal e dois silhares com os atributos do orago. Na face posterior, abrem-se três vãos retilíneos jacentes. Os corpos adossados de ambos os lados são marcados por pilastras, sobrepostas por gárgulas zoomórficas ou antropomórficas, rasgadas por vãos de perfil abatido, gradeados, ou frestas retilíneas, sendo as capelas cobertas por domo, a primeira da fachada direita com lanternim coroado por globo e cruz latina. A fachada posterior da nave termina em empena, coroada por cruz latina e rasgada por janela retilínea. A capela-mor tem dois tramos, marcados por contrafortes, coroados por pináculos piramidais sobre plintos paralelepipédicos e integrando gárgulas zoomórficas. O segundo tramo remata em friso de florões e cornijas em toros, com pináculos iguais nos cunhais. Lateral e posteriormente abrem-se amplos vãos em arco, os laterais gradeados e o posterior sobre colunelos com intradorso côncavo em cantaria, entre frestas e duas gárgulas de canhão. A fachada posterior da sacristia é rasgada por vãos jacentes gradeados, no soco, e por duas janelas gradeadas e uma outra jacente. INTERIOR com as naves separadas por sete arcos de volta perfeita sobre colunas, com estuques pintados a marmoreados fingidos e no intradorso dos arcos com motivos vegetalistas em estuques relevados, possuindo superiormente frestas. As paredes são rebocadas e pintadas de branco, as naves com pavimento em soalho de madeira e coberturas de madeira, na nave central, mais alta, em masseira, sobre travejamento, e com tirantes de ferro. Possui coro-alto de perfil contracurvo, sobre as três naves, com guarda em falsos balaústres planos e vasados, acedido pelo lado da Epístola e tendo ao centro órgão positivo. O portal axial é protegido por guarda-vento de madeira envidraçado, flanqueado por colunas. Na nave central surgem dois púlpitos confrontantes, de talha em branco, de bacia retangular sobre mísula, guarda em balaústres torneados tendo ao centro elemento plano com atributos do orago, encimados por baldaquinos facetados, sobre mísulas de estuques, com lambrequim e borlas, rematados em elementos volutados, acantos e cartelas recortadas, tendo inferiormente resplendor com pomba do Espírito Santo; os púlpitos são acedidos por escada de madeira, contornando as colunas. Na nave do Evangelho surge o antigo batistério, hoje capela das Almas. Em ambas as naves existe uma capela retabular à face e duas profundas, as do lado do Evangelho dedicadas, respetivamente, a Santo António, o atual batistério e a São Roque, e as do lado da Epístola, dedicadas a Nossa Senhora de Fátima, à Imaculada Conceição e ao Sagrado Coração de Jesus. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilastras, decoradas com motivos vegetalistas relevados, encimadas por espaldar de talha em branco, decorado com motivos volutados, vegetalistas e acantos, integrando ao centro brasão com as armas de Portugal, entre anjos atlantes, e janela retilínea com vitral representando o orago. O espaldar é ladeado por dois longos pináculos longilíneos com cogulhos vegetalistas. A capela-mor é coberta por abóbada estrelada de dois tramos, com bocetes em florões e assente em mísulas. Lateralmente comunicava com os absidíolos por arcos apontados sobre colunelos, atualmente entaipados. Sobre o supedâneo, com acesso central, dispõe-se lateralmente cadeiral, de talha em branco, com alto espaldar, seccionado por colunas torsas, individualizando os assentos, rematados por espaldar recortado e decorado com figuras antropomórficas sobre mísulas e coroadas por palmas vazadas. O retábulo-mor, em talha pintada de branco, tem corpo côncavo e um eixo, definido por quatro pilastras, ornadas de acantos, e quatro colunas, com parras e pâmpanos, assentes em dupla ordem de mísulas ou sobre mísulas e atlantes, as quais se prolongam no remate da estrutura em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio e tendo ao centro cartela com insígnias do orago, envolta por volutas. Ao centro abre-se tribuna, em arco de volta perfeita, sobre pilastras e de boca rendilhada, interiormente de perfil curvo e revestido a apainelados de acantos, e com cobertura em quarto de esfera, semelhante, sobre cornija, que é interrompida ao centro para receber baldaquino. Alberga trono de quatro degraus contracurvos, com acantos, sobreposto por urna eucarística. Sotobanco contracurvo com apainelados de acantos e vieira central. Frontal paralelepipédico, com frontal de tecido. Os absidíolos possuem acesso por arco de volta perfeita sobre pilastras, revestido a talha pintada e dourada, com elementos vegetalistas, albergando no interior retábulo de talha pintada e dourada, o do Evangelho dedicado a Nossa Senhora do Rosário e o da Epístola ao Santíssimo Sacramento. A partir da capela de São Roque acede-se à sacristia, com amplo arcaz ao longo da parede direita, formado por série de três gavetas, separadas por quartelões, com escudetes de metal amarelo. É encimado por alto espaldar, decorado com almofadas retangulares sobrepostas, separadas por colunas torsas sobre mísulas e de capitéis coríntios, rematando em platibanda e friso vasado, com pináculos adelgaçados no enfiamento das colunas. Em eixo possui a casa do lavabo, acedido por arco de volta perfeita, interiormente revestido a azulejos de figura avulsa, enquadrado arco de volta perfeita onde se insere o lavabo de espaldar, rematado em frontão interrompido e com bicas vertendo para bacia retangular pouco profunda.

Acessos

Ponta Delgada (São Sebastião); Largo da Matriz. WGS84 (graus decimais) lat.: 37,740136; long.: -25,668193

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 39 175, DG, 1.ª série, n.º 77 de 17 abril 1953

Enquadramento

Urbano, isolado, inserido no Núcleo urbano da cidade de Ponta Delgada (v. IPA.00027985), na costa marítima. Implanta-se num quarteirão, adaptado ao declive do terreno, possuindo na fachada principal e lateral esquerda escada corrida, de vários degraus, circundado por passeios em calçada à portuguesa, decorada com vários motivos. No adro, junto à fachada posterior, existe estátua do Padre Joaquim Silvestre Serrão Freire de Palmela, sobre plinto paralelepipédico com a seguinte inscrição: "À MEMÓRIA / DO /COMPOSITOR SACRO / P. JOAQUIM / SILVESTRE SERRÃO / FREIRE DE PALMELA / NASCEU EM SETÚBAL / AOS 16 D'AGOSTO DE 1801 / MORREU EM PONTA DELGADA / AOS 20 DE FEVEREIRO DE 1877. / OS MICHAELENSES". A sudoeste, desenvolve-se a Praça Gonçalo Velho Cabral, onde se erguem as denominadas Portas da Cidade de Ponta Delgada (v. IPA.00008147) e a estátua do navegador (v. IPA.00019844); um pouco mais a poente, ergue-se a Câmara Municipal de Ponta Delgada (v. IPA.00008199).

Descrição Complementar

No coro-alto, o órgão tem caixa decorada com elementos vegetalistas relevados, pintados ou vazados e é composto por castelo central e dois nichos, separados por estípites, coroadas por urnas, e motivos vegetalistas vazados. Os nichos são simples, em forma de harpa, com os tubos em disposição cromática e com gelosias vazadas, e o castelo tem os tubos em disposição diatónica em teto e as gelosias em cortina. Todos os tubos são decorados. O castelo remata em cornija angular, sobreposta por aletas e cartela. Frontalmente tem tubos em leque. Consola em janela, ladeada pelos botões de registo. No sub-coro, junto a portal lateral existe lavabo em mármore, tipo urna, com quatro torneiras vertendo para bacia circular, assente em pé galbado sobre base recortada. No lado do Evangelho, o antigo batistério, atual capela das Almas, tem acesso por arco de volta perfeita sobre pilastras, decoradas com almofadados retangulares. No interior possui cobertura em abóbada de berço, formando caixotões, pintados. Alberga retábulo de corpo reto e um eixo, definido por arco de volta perfeita, de duas arquivoltas prolongadas inferiormente, decoradas com acantos e flores, assentes em mísulas, enquadrando painel pintado com representação das Almas, de boca rendilhada. Sotobanco com apainelado de acantos e flores tendo ao centro cartela inscrita. Altar tipo urna. As capelas retabulares à face, a do Evangelho dedicada a Santo António, e a da Epístola a Nossa Senhora de Fátima (anteriormente de São João), têm estrutura semelhante, com talha em branco. Possuem arco, de volta perfeita sobre pilastras, decoradas de volutados e motivos vegetalistas, sobre mísulas, as exteriores sobre mísulas e quartelões, encimado por espaldar ornado de acantos, definidos por quartelões, e rematado em entablamento. Albergam retábulo de corpo contracurvo e um eixo, definido por quatro pilastras, com a mesma decoração, e quatro colunas torsas, de espira fitomórfica, assentes em mísulas e de capitéis coríntios, as quais se prolongam no remate em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio. Ao centro abre-se nicho, em arco de volta perfeita e boca rendilhada, interiormente com apainelados de acantos e albergando imaginária. O altar, tipo urna, tem frontal percorrido por friso superior ondulado e cartela central, estrutura que surgirá em todas as outras capelas laterais. A primeira capela profunda do Evangelho, atual batistério e anterior capela de Nossa Senhora da Conceição, é acedida por arco de volta perfeita sobre dois colunelos, de bases facetadas, cingidas por anéis, de intradorso côncavo decorado com florões. No interior tem pavimento de cantaria e cobertura em abóbada estrelada, de bocetes decorados, tendo na parede testeira fresta com vitral. Ao centro possui pia batismal, de taça hemisférica sobre pé cilíndrico, enquadrado por anel de cantaria semicircular e sobrelevado, com guarda plena em cantaria, interrompida ao centro por elemento paralelepipédico, também de cantaria, com vieira. A capela de São Roque, anteriormente dedicada aos Reis Magos, é igualmente acedida por arco de volta perfeita, sobre dois colunelos, de bases facetadas, cingidas por anéis, e tendo o intradorso côncavo decorado com florões. No interior é coberta por abóbada estrelada, com bocetes decorados, sobre mísulas. Possui retábulo de talha dourada, de corpo reto e três eixos, definidos por duas pilastras exteriores, decoradas com motivos vegetalistas, e quatro colunas torsas, ornadas de flores, assentes em duas ordens de mísulas e com capitéis coríntios, as quais se prolongam no remate em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio. Superiormente, nos seguintes, surgem apainelados de acantos, rematados em cornija com lambrequim. No eixo central abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente com apainelados de acantos e contendo imaginária; nos eixos laterais surgem mísulas sustentando imaginária encimada por baldaquinos com drapeados a abrir em boca de cena. Sotobanco com apainelados de acantos. A primeira capela profunda do lado da Epístola, dedicada à Imaculada Conceição e anteriormente ao Senhor dos Passos, tem cúpula almofadada, assente em trompas de ângulo. Alberga retábulo de talha em branco, de corpo reto e um eixo, definido por quatro pilastras, decoradas com acantos e volutados, e quatro colunas torsas, de espira fitomórfica, assentes em mísulas, as exteriores também sobre quartelões, e de capitéis coríntios, as quais se prolongam no remate da estrutura em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio e tendo no fecho cartela recortada e volutada com flores. Ao centro abre-se nicho, em arco de volta perfeita, de boca rendilhada, interiormente com imaginária. Lateralmente possui dois armários embutidos, com talha em branco, definidos por duas ordens de pilastras decoradas com grutescos, as inferiores flanqueadas de aletas de acantos, e a superior rematada em entablamento sobreposto por espaldar vegetalista recortado e com pináculos laterais vegetalistas. No primeiro registo possui porta de almofadas, com moldura em arco de volta perfeita sobre pilastras ornadas de grutescos e fecho em colchete. O segundo registo é aberto e retilíneo, albergando livro. Segue-se a capela do Sagrado Coração de Jesus, anteriormente de Nossa Senhora da Soledade, com cobertura em abóbada estrelada, de bocetes decorados e sobre mísulas. Na parede testeira, entre dois vitrais, representando São Francisco e o Imaculado Coração de Maria, identificados por inscrição, existe retábulo de talha dourada. Este tem corpo reto e três eixos definidos por duas pilastras exteriores, decoradas de acantos, e quatro colunas torsas, ornadas de flores, assentes em mísulas e quartelões, e de capitéis coríntios, as quais se prolongam no remate em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas no sentido do raio. A estrutura tem nos seguintes apainelados com acantos, rematando em cornija com lambrequim. No eixo central abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente com apainelados de acantos e albergando imaginária; nos eixos laterais surgem nichos, com imaginária sobre mísula e encimada por baldaquino com drapeados a abrir em boca de cena. Sotobanco com apainelados de acantos. Lateralmente abrem-se portas de ligação às outras dependências, em arco de volta perfeita, rematado com cornija reta sobreposta por lambrequim. O absidíolo do Evangelho, dedicado a Nossa Senhora do Rosário, possui acesso por arco de volta perfeita, sobre pilastras, revestido a talha pintada e dourada, com elementos vegetalistas e laçarias, encimado por cartela central com a inscrição "AVE / MARIA" e cornija contracurva. No interior é revestida a estuques relevados com decoração distinta e coberta por cúpula, assente em trompas de ângulo, decoradas com acantos. Lateralmente possui cadeiral, de talha em branco, com alto espaldar, de assentos individualizando, separados de aletas. Na parede fundeira tem arco de volta perfeita sobre pilastras, revestidas a talha decorada com acantos e vieira no fecho, tendo no intradorso decoração vegetalista semelhante à que reveste o arco do absidíolo. Alberga retábulo de talha pintada e dourada, de corpo côncavo e três eixos, definidos por quatro colunas torsas e espira fitomórfica, com terço inferior espiralado, sobre mísulas com anjos atlantes. No eixo central abre-se tribuna em arco, de boca rendilhada, interiormente pintado com drapeados a abrir em boca de cena, enquadrando imaginária. Nos eixos laterais surgem nichos, com mísulas contendo anjos atlantes, sustentando imaginária, encimada por baldaquino convexo, decorado com motivos vegetalistas, com lambrequim de borlas e drapeados a abrir em boca de cena. A estrutura remata em fragmentos de cornija, encimados por anjos de vulto, ladeando ampla cartela concheada e volutada com ave, de onde pendem festões. Sotobanco com apainelados de acantos e concheados, integrando ao centro sacrário com resplendor encimado por baldaquino com drapeados a abrir em boca de cena, seguros por anjos por anjos atlantes. Altar paralelepipédico com frontal de tecido, protegido por vidro. Na parede do lado da Epístola possui amplo painel pintado. O absidíolo do Santíssimo possui acesso em arco, de volta perfeita com motivos vegetalistas, sobre pilastras, sobreposto por cartela com um Agnus Dei, rematado em cornija contracurva. O arco enquadra porta de talha dourada, de verga reta sobre estípites, encimado por friso rendilhado e tendo bandeira recortada e vasada, formando quadrícula, com aletas, palmas, açafates no alinhamento das estípites, motivos vegetalistas e cartela central com pelicano sobre resplendor. No interior, as paredes são revestidas a talha pintada de branco e dourado, decorada com cartelas recortadas e concheadas e motivos vegetalistas. A cobertura, em cúpula sobre trompas de ângulo, é decorada com estuques relevados. Alberga retábulo em talha pintada de branco e dourado, de corpo convexo e um eixo, definido por quatro colunas estriadas e terço inferior marcado, assente em plintos paralelepipédicos, e de capitéis coríntios sustentando o remate em frontão interrompido por plinto e resplendor, dispondo-se lateralmente as figuras das Virtudes da Fé (Evangelho) e Esperança (Epístola). Ao centro abre-se nicho curvo, de boca envolvida por drapeados a abrir em boca de cena, protegido por cortina, sendo encimado por querubim e festão. Sotobanco com apainelados e altar paralelepipédico com frontal de tecido bordado.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: António Gonçalves (1575). CARPINTEIROS: Diogo Alves (1533); Diogo Dias (1533); Pero Fernandes (1533). CINZELADOR: Jacinto José Cordeiro (séc. 19). DOURADORES: João Albino Peixoto (séc. 19); Manuel da Costa Oliveira (1726); Rodrigues da Cunha (1726). EMPREITEIRO: Lourenço, Simões & Reis (1955-1975). ENTALHADOR: António da Costa (1702); Augusto Araújo de Lima (séc. 19); Dionísio de Fontes (1753); Francisco Teixeira (1555, 1599); Gervásio Araújo de Lima (séc. 19); José Francisco Pereira (1813); Manuel de Sousa (1716); Pedro Lopes (1716). FIRMA DE ELETRICIDADE: Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª (1965, 1970-1972, 1974); Maximiano Monteiro Mendes (1976); a Orlando & Almeida Ldª (1978). FUNDIDOR: Domingos José da Costa (1781). OURIVES: Luís José de Medeiros (s.d). MESTRE-DE-OBRAS: Roque Gonçalves Barriga (1604). MESTRE: Afonso Machado (1533); Luís Roiz Jácome (1756). PINTOR-DOURADOR: Fernão de Matos (1555); Manuel da Costa Oliveira (1732); Rodrigues da Cunha (1732). PEDREIRO: André de Fontes (1748); André Fernandes (1533); Afonso Fernandes (1531); Bento Soares (1623); Brás da Ponte (1533); Estêvão da Ponte (1533); Nicolau Fernandes (1533); Lupedo (1531). PINTOR: Giorgio Marini (1870).

Cronologia

1504, 06 julho - fundação testamentária do altar dos Santos Reis Magos pelo escudeiro Pedro Afonso; 1514 - segundo o padre Herculano Augusto de Medeiros, é cura ou capelão Rodrigo Anes Soeiro, sendo o primeiro cura Diogo Anes; 1516 - segundo a crónica de Gaspar Frutuoso, falece João Gonçalves, o tangedor, que deixa uma capela de Nossa Senhora do Rosário, com 23 alqueires de terra; 1522, antes - Gaspar Frutuoso, também refere Gaspar Betencourt que falecera e fora sepultado na capela-mor da primitiva ermida, por mercê do rei D. João III; 1523 - 1531 - havendo uma grande peste em São Miguel, a população de Ponta Delgada faz voto de erigir um templo melhor ao mártir São Sebastião, e de o tornar padroeiro da cidade; 1525, 04 janeiro - Pedro Jorge e sua mulher Ana Gonçalves mandam em testamento levantar uma capela com invocação ao Bom Jesus ou Nome de Deus (atualmente capela do Senhor dos Passos); 1531 - início da construção da igreja, onde antes se erguia a ermida de São Sebastião, que é auxiliada por D. João III e D. Sebastião; a obra de pedreiro é arrematada por 1:350$000 ao mestre Lupedo, vindo de Portugal continental, o qual recebe logo 100$000; segundo Gaspar Frutuoso, Lupedo volta ao continente para ir buscar a mulher, mas esta não quer vir para São Miguel; enquanto não regressa do continente, Lupedo manda muita pedraria de mármore, para os portais e pilares, com um Afonso Fernandes, para que trabalhasse por ele, até ao seu regresso; isso nunca aconteceria por Lupedo ter sofrido um desastre; 1532, 22 agosto - alvará real dá 400 cruzados para as obras da igreja; o rei dá um cálice, turíbulo, ornamentos e custódia de prata; 1533, 13 janeiro - abre-se nova arrematação da obra da igreja, a Estêvão da Ponte e a Afonso Machado, pelo mesmo preço; a obra de alvenaria fica a cargo de Estêvão da Ponte e do seu irmão, Brás da Ponte, a de carpintaria aos mestres Diogo Dias, Pêro Fernandes, de Ponta Delgada, e de Diogo Alves, de Água do Pau; Nicolau Fernandes e André Fernandes fazem os portais e os pilares; 1550 - a igreja é aberta ao culto, mas ainda incompleta, com falta de alfaias, paramentos e retábulos; 1555 - a Câmara pede ao rei um retábulo; Fernão de Matos doura e pinta o retábulo, feito pelo entalhador Francisco Teixeira; 1568 - por carta régia, a côngrua do vigário é aumentada a 30$000, pois a vila tinha mais de 200 fogos; 1561, 03 julho - alvará concede à Câmara metade do rendimento da imposição para as obras da igreja; 1563, 26 março - alvará manda aplicar parte deste rendimento no acabamento da torre dos sinos; 1572, 09 março - Gaspar do Rego Baldaia pede no testamento "que dos rendimentos da dita terça" se levante a capela de Nossa Senhora da Glória (mais tarde nomeada como Nossa Senhora da Assunção), na parte sul da igreja, junto à capela do Bom Jesus; 1575 - ultima-se ainda a torre dos sinos e a frontaria da igreja, pelo arquiteto António Gonçalves; 1586 - referência a um relógio na torre, existente a norte da igreja, junto à capela-mor; 1594 - o corregedor, na correição, manda acabar a torre dos sinos; 1599 - o provedor Gaspar Dias deseja que ele, sua mulher e herdeiros sejam sepultados na capela-mor, para o que teria que dar esmolas aos pobres da casa, um lampadário de prata e azeite e 200$000 para um retábulo, para a capela-mor; 14 novembro - contrato com Francisco Teixeira para feitura do dito retábulo, o qual teria de estar concluído no dia de Santa Isabel em 1608; 1604, 02 maio - Roque Gonçalves Barriga assina contrato com a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, para arranjar a frontaria da igreja; 23 agosto - Roque Gonçalves Barriga assina contrato para as obras da reconstrução do coro, que havia caído; 1605 - o bispo D. Jerónimo intima a Câmara a acabar a torre dos sinos; 1608, antes - António de Brum e sua mulher Maria de Frias fundam uma capela de São Roque; 1623 - construção da atual torre sineira na fachada principal, acabada pela Câmara, depois de ameaças de excomunhão do Deão da Sé, em 1601; Bento Soares recebe 40$000, além do contratado, para acabar o colarinho abaixo da última cimalha; 1631 - a Fazenda Real gasta 53$000 com obras na sacristia; 1647 - chove muito dentro da igreja, que precisa ser retelhada; 1674, 30 setembro - o bispo visitador D. Frei Lourenço de Castro, na sua visita à igreja, diz que a capela do Santíssimo Sacramento não tem administrador, pelo que não de devia enterrar nela mais ninguém; manda construir mais um púlpito em correspondência ao existente; 1686 - Fazenda Real gasta 42$000 com obras na sacristia; 1693, 15 maio - na visita à igreja, o vigário da Maia, Simão da Costa Rezende, diz que a capela há muito está por dourar, determinando que, no termo de um ano, se mande fazer o altar de pedra, ficando a despesa a cargo da sua fábrica; 1696, 31 março - o vigário da Maia, Simão da Costa Rezende, manda arranjar paramentos para a capela do Nome de Deus e embargar as rendas obrigadas à capela de Nossa Senhora da Assunção, por lhe faltar tudo o que é necessário para nela se celebrar, no prazo de 6 meses, ou os seus administradores pagariam 10 cruzados; determina a colocação de um cálice, cortinas, toalhas e um frontal vermelho, na capela do Bom Jesus, no prazo de 6 meses; manda o administrador do altar de São João Batista, no prazo de um ano, sob pena de 10 cruzados, arranjar frontais, toalhas e outros paramentos e por o remate do retábulo; o vigário manda dourar o retábulo de São Roque devendo as despesas ser da sua fazenda; 1698, 18 fevereiro - morte do padre vigário Belchior Manuel de Rezendes que deixa em testamento 100$00 para colocar azulejos na capela-mor; 1699, 21 agosto - na visita do bispo D. António Vieira Leitão, determina-se colocar o painel de cima e umas cortinas, no prazo de 6 meses, ou pagariam 2000$00; como na capela de Nossa Senhora da Assunção nada mudara desde a última visita, D. António manda que, no prazo de 6 meses, sob pena de 6000$00, se arranje tudo o que é necessário à mesma; o altar de São João Batista tem apenas um frontal verde e duas tolhas, mandando fazer-se um frontal vermelho, roxo e branco e 2 toalhas, em 6 meses ou sob pena de 1000$000; o bispo manda dourar o retábulo de São Roque, o que não é feito, mudando, pouco tempo depois, a invocação para Nossa Senhora da Conceição; o bispo manda ainda colocar grades em todas as capelas, para que se resguardem "as cousas dedicadas ao culto divino" e ter em cada altar menos 2 toalhas; 1702, 05 outubro - António da Costa começa a obra do retábulo-mor; 1709, 08 novembro - o bispo António Vieira Leitão intima o capitão Manuel Rebelo da Câmara, administrador do altar do Bom Jesus a fazer reparos; 1712 - 1732 - obras de pedreiro e de carpintaria na sacristia, por 588$000; 1716 - encomenda-se a Pedro Lopes e Manuel de Sousa o retábulo-mor, em talha dourada, pelo valor de 5 mil cruzados; feitura de armários para a sacristia por 600$000; 1718 - aquisição de azulejos por 132$$000; 1723 - demolição da torre sineira, do lado norte, por estar em ruínas; 1726 e 1729 - visitadores ordenam a construção de um teto novo, que fosse mais alto, e a abertura de janelas na igreja; mudança dos telhados da capela-mor e colocação de azulejos no interior da mesma; 1726 - alterações da fachada, do teto da nave e dos telhados da capela-mor; redecoração interior pelos douradores Manuel da Costa Oliveira e Rodrigues da Cunha; visitador João de Sousa Freire diz que a sacristia se acha feita de novo com falta de alguns pormenores; 1729 - conclusão do retábulo-mor; 1730 - chegam mais azulejos para a sacristia, que formam lambris nas paredes do norte e parte das do nascente e poente, por 342$000; 1732 - gastam-se 2.253$200 da Fazenda Real com o douramento dos frisos e remates da capela-mor e 58$000 com ornamentos para a sacristia, que é pintada, por 92$000; 1733 - visitador recomenda o acabamento do azulejamento da capelinha da sacristia, comprando-se azulejos mais baratos; 1735 - aquisição de um órgão por 430$00, que é pintado e dourado por 190$00; compra de outros ornamentos no valor de 558$00; 1737 - obras de pedreiro, por 1.332$00; 1740 - trabalhos de carpintaria por 780$00; 1748 - construção e modernização da fachada atual, por André de Fontes, mantendo-se os portais antigos; 1750 - forro e douramento do arco da capela-mor, por 360$00; compra de um sino, por 32:650$00; feitura do cadeiral do coro por 160$00; 1753 - o entalhador Dionísio de Fontes faz o retábulo de São Joaquim; 1756 - Luís Roiz recebe 160$000 pela colocação dos azulejos; 1780 - alvará régio obriga o senado a ter todos os gastos com as festividades em honra de São Sebastião; 1781 - fundição do sino grande, por Domingos José da Costa, em Lisboa; 1803 - D. Maria Benedita de Morais denuncia que a capela do Santíssimo estava vaga; 1852,16 abril - devido a um terramoto, as pirâmides da torre viram, a do cimo da capela-mor cai e danifica parte do telhado; uma das colunas de sustentação do sino das horas dá de si e o sino fica inclinado; 1854 - manda-se vir um carrilhão de sinos novos e afinados; 1870 - o pintor italiano Giorgio Marini pinta o painel das Almas, onde representa o seu próprio retrato; 1895 - o comendador António Joaquim Nunes da Silva deixa em testamento que se traga um relógio, com quatro mostradores e iluminado, por oito contos de reis insulanos; o antigo relógio, comprado no início do século 19, é vendido à Câmara da Povoação; a igreja tem quatro altares laterais para além das capelas; 1898 - colocação do relógio por cima da torre sineira; séc. 19 - o cinzelador Jacinto José Cordeiro faz em prata, a lâmpada, a naveta e a caldeira da capela do Santíssimo; ocultam-se relevos em pedra lioz com gesso, as colunas das naves são argamassadas, a talha do arco da capela-mor, de 1750, é retirada, adicionando-se gesso pintado e dourado; remoção dos azulejos da capela-mor; abertura de janelão na face leste da parede da capela-mor; feitura de novas estruturas para o altar de Santo António e o de Nossa Senhora de Fátima, por influência do prior Jacinto da Ponte; o prior decide voltar a colocar o antigo arco da capela-mor e introduzem-se dois retábulos para as capelas laterais do cruzeiro (Coração de Jesus e São Pedro), vindos da Igreja da Graça, que havia sido profanada; o prior organiza na sacristia, do lado sul, um Museu Sacro; 1940, década - durante a 2ª Guerra Mundial, a torre sineira é camuflada com a pintura de casas, para a proteger de possíveis ataques aéreos; séc. 20 - ainda existem nas naves, junto dos púlpitos, dois coros, um deles com um órgão, onde tocou o padre Serrão; 1909 - alteamento da torre, com construção do terceiro registo, e arranjo do adro; 1955 - o projeto inicial das obras de restauro previa o apeamento da parte superior da torre, o que não chegou a acorrer; 1960, março - padre Artur Botelho de Paiva escreve a solicitar obras na igreja; durante as obras realizadas descobre-se uma pedra brasonada, com as armas da família Rego, que se supõe ter pertencido à sepultura de Gaspar do Rego Baldaia.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; soco, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruz e elementos decorativos no exterior em cantaria de basalto aparente, exceto o portal axial e o lateral direito que é em cantaria calcária; portas de madeira pintada; vãos com vitrais; lavabos em mármore; decoração em estuques pintados ou relevados; pia batismal em cantaria aparente; retábulos em talha pintada e dourada; guarda do coro-alto, púlpitos e cadeiral de talha em branco; pavimento em soalho e lajes de cantaria; coberturas de madeira, em falsa abóbada de berço, de estuque ou em abóbada ou cúpula de cantaria; cobertura de telha.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN/DREMLisboa

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN/DREMLisboa, DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN/DSID, DGEMN:DSARH, DGEMN:DSMN

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1813 - consertos no retábulo da capela de Jesus pelo entalhador José Francisco Pereira; séc. 19 - restauro do retábulo-mor por Pedro de Araújo de Lima; restauro do trono e arco da capela-mor, bem como o retábulo de Santo António e o altar de São João pelos entalhadores Gervásio e Augusto Araújo de Lima; os irmãos Araújo de Lima restauram ainda outros retábulos; 1901 - obras no adro para a visita régia, destruindo-se as lojas existentes debaixo do adro, dando lugar à escadaria; DGEMN: 1956 - Obras de pequena envergadura, pelos Serviços dos Monumentos Nacionais; 1903 - despacho a autorizar o diretor das Obras Públicas do distrito de Ponta Delgada a despender 200$000 com as obras de que carece a igreja, na sequência de um pedido do pároco; 18 maio - portaria determina a elaboração de orçamento das reparações consideradas necessárias na igreja; 1906 - elaboração de orçamento, no valor de 3:970$000 reis insulares, para as obras de reparação da igreja, pela Direção das Obras Públicas do distrito de Ponta Delgada; considera-se mais urgente a substituição do forro das armações, telhamento, soalho no corpo da igreja e capela-mor, caiação em geral, pintura das portas, janelas, guardas, alisares e abas do teto da igreja e suas dependências; DGEMN: 1955 - obras de restauro e beneficiação, com limpeza das cantarias exteriores revestidas a cal, por Lourenço, Simões & Reis; 1957 - obras de restauro e beneficiação, com limpeza de cantarias lavradas, consolidação da balaustrada de cantaria da torre e da escada de acesso à mesma, reparação e pintura de caixilharia da janela da torre, por Lourenço, Simões & Reis; 1958 - obras de conservação, incluindo sondagens no teto do coro, a fim de por a descoberto o primitivo, demolição do corpo adossado à capela-mor, limpezas e substituição de cantarias exteriores e reparação dos telhados, por Lourenço, Simões & Reis; 1959 - obras de conservação compostas essencialmente pela substituição das coberturas do corpo da igreja e da capela-mor, por Lourenço, Simões & Reis; 1961 - substituição da cobertura da nave central e das naves laterais (1.ª fase), por Lourenço, Simões & Reis; 1962 - restauro das coberturas da nave lateral direita, por Lourenço, Simões & Reis; 1963 - restauro das coberturas na nave colateral esquerda, por Lourenço, Simões & Reis; 1964 - diversos trabalhos de conservação e valorização, incluindo a demolição do anexo junto à torre e arranjo dos respetivos paramentos exteriores e pavimentos deixados livres; diversos trabalhos de conservação de caixilharia e paredes e consolidação de talha em altares e capelas laterais nas zonas afetadas pelo rebaixamento já executado das coberturas das naves laterais, por Lourenço, Simões & Reis; 1965 - já se encontra demolida o edifício da Ouvidoria no ângulo nordeste da igreja; obra de instalação elétrica pela firma Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª; demolição de anexo junto à sacristia e absidíolo e diversos trabalhos de conservação e reintegração, por Lourenço, Simões & Reis; 1966 - construção de sanitários sob a sacristia, por Lourenço, Simões & Reis; 1967 - construção de sala para os serviços paroquiais sob a sacristia, por Lourenço, Simões & Reis; 1969 - trabalhos de restauro e valorização, por Lourenço, Simões & Reis; 1970 - revisão da instalação elétrica, por Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª, com reparação dos lustres existentes, eletrificando-se e substituindo os vidros partidos e a colocação dos que faltam; colocação de pequeno altifalante em cada lustre; trabalhos de restauro e valorização, com demolição de dois anexos e reconstrução de paredes em tapamento de vãos, por Lourenço, Simões & Reis; 1971 - prosseguimento dos trabalhos de restauro no exterior e interior, por Lourenço, Simões & Reis; instalação elétrica pela firma Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª; 1972 - reparação da instalação elétrica danificada com as pesquisas arqueológicas, pela firma Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª; trabalhos de valorização interior, com limpeza de cantarias das abóbadas das capelas laterais, reconstrução de um arco abobadado, assentamento de várias cantarias trabalhadas e reposição de pavimentos em cantaria, por Lourenço, Simões & Reis; 1974 - obras de conservação com revisão das coberturas, por Lourenço, Simões & Reis, Ldª; conservação da instalação elétrica, tendo em vista a conclusão da remodelação das instalações elétricas, iniciadas há anos, adjudicada à firma Auxiliar da Alimentação Portuguesa, Ldª; 1975 - obras de conservação interior, incluindo a picagem do intradorso das abóbadas de cantaria, reparação dos paramentos laterais interiores, fecho do vão de acesso ao corpo adossado a nascente da torre, anteriormente demolido, pelo empreiteiro Lourenço, Simões & Reis, Ldª; 1976 - adjudicação da substituição da instalação elétrica a Maximiano Monteiro Mendes; 1978 - reparação e conservação da instalação elétrica, retirando-se uma "instalação tipo arraial que foi executada quando de uma exposição de quadros", bem como fornecer e colocar projetores em todas as capelas, adjudicada a Orlando & Almeida Ldª; CMPD: 2004 - aumento do largo da Matriz e nova pavimentação da mesma, com projeto da autoria do arquiteto Pedro Garcez; substituição dos bancos de jardim, desenhados pelo arquiteto Siza Vieira; iluminação cénica da igreja.

Observações

*1 - A norte da primitiva ermida de São Sebastião existia uma fonte, de onde bebiam os habitantes de Ponta Delgada, que depois, com a construção da igreja, ficou dentro de uma nave.

Autor e Data

João Faria 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra) / Paula Noé 2016

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