Catedral de Angra do Heroísmo / Sé de Angra do Heroísmo / Catedral do Santíssimo Salvador

IPA.00008159
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Angra do Heroísmo, Angra (Sé)
 
Arquitetura religiosa, maneirista. Catedral de planta retangular composta por três naves, a central mais alta, divididas por colunas e com coberturas de madeira, e cabeceira tripartida formada por dois absidíolos e capela-mor semicircular com deambulatório, e coberturas em abóbadas de caixotões, flanqueadas por sacristias retangulares. Fachadas rebocadas e pintadas de branco com os elementos estruturais e decorativos sublinhados a policromia bege, de sabor popular. Fachada principal harmónica com corpo central rematado em tabela e seccionado em dois registos, abrindo-se no nártex três arcos de volta perfeita, sobre pilares, correspondendo a igual número de portais, mas esses de verga reta encimada por friso e cornija, encimados por janelas retangulares, sendo as laterais jacentes. As torres sineiras, de pilastras nos cunhais, têm registos com cobertura em coruchéu, rasgadas no segundo por uma e no terceiro por três ventanas em cada face. No interior possui dois púlpitos laterais confrontantes na nave central, batistério no lado do Evangelho e retábulo-mor composto por telas quinhentistas.
Número IPA Antigo: PT071901160028
 
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Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta retangular composta por três naves, integrando nártex entre duas torres sineiras, com quatro capelas laterais profundas, ladeadas de sacristias retangulares, e cabeceira tripartida, com capela-mor semicircular e deambulatório, flanqueada por duas sacristias retangulares, possuindo adossada à fachada lateral esquerda uma terceira sacristia maior, também retangular. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave e capelas laterais do lado O., de cinco na cabeceira, e de três nas capelas laterais no lado E. e nas sacristias que flanqueiam a cabeceira, todos com telha de meia cana. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com embasamento pintado de preto e as pilastras dos cunhais, frisos, cornijas, molduras dos vãos e outros elementos pintados a bege. Fachada principal virada a N., formada por corpo e duas torres sineiras, separadas por pilastras, o primeiro rematado em cornija e platibanda plena almofadada, encimada por tabela retangular, integrando relógio circular envolvido por motivos vegetalistas sobre almofada retangular, ladeado de aletas, e sobreposta por entablamento e sineira; esta tem arco recortado sobre pilastras, albergando sino, ladeada de aletas e rematada em cornija angular sobreposta por cruz latina em ferro sobre acrotério. O corpo é dividido em dois registos por cornija, abrindo-se no nártex três arcos de volta perfeita, sobre pilares, em cantaria aparente, protegidos por portões gradeados, com bandeira formada por cartela rendilhada e aletas, coroadas por pináculos; superiormente abrem-se três janelas retangulares, sendo as laterais jacentes. Torres sineiras com cunhais apilastrados, coroados por pináculos tipo pera sobre plintos paralelepipédicos, e de três registos separados por cornijas, abrindo-se no primeiro duas janelas sobrepostas, a inferior jacente, e no segundo, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado de branco e frontalmente albergando sino; no último registo abrem-se, também em cada uma das faces, três sineiras estreitas, em arco de volta perfeita sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado de branco, albergando a central da face frontal pequeno sino. As torres possuem coruchéus oitavados, revestidos a azulejos azuis e brancos, dispostos em espinha, rasgados por pequenos vãos e coroados por cata-ventos sobre globo. Entre as torres, existe recuado do remate do corpo, terraço e a empena da nave rematada por sineira em arco sobre pilares, terminada em cornija reta e albergando sino. Fachadas laterais terminadas em cornija, ritmada por gárgulas, e platibanda plena; no primeiro registo das torres abrem-se duas janelas, a superior jacente (esquerda) ou uma porta e uma janela, em plano superior (direita). As naves são rasgadas por cinco janelas de capialço e porta travessa de verga reta, encimada por friso e frontão triangular. As capelas laterais profundas, terminadas em cornija, são encimadas por arco-botantes, tendo no arranque pináculos tipo pera sobre plintos paralelepipédicos; sobre a cobertura de cada capela abre-se uma janela mais pequena e, nas faces viradas a S., uma janela de capialço. Junto às capelas dispõe-se uma sacristia, terminada em cornija (esquerda) ou friso e cornija (direita), rematada em dupla beirada, rasgadas por porta e uma janela, encimadas por duas outras janelas, todas gradeadas e as da fachada direita com panos de peito pintados de bege nas superiores. Na fachada lateral direita o corpo do absidíolo e o da sacristia da Sé, uniformes, são rasgados por cinco amplas janelas de capialço, gradeadas, três delas no primeiro piso da sacristia. Na fachada esquerda, sobressai o corpo da sacristia grande, de dois pisos, separados por duplo friso e cornija intermédia, e terminado em friso e cornija, rematada em dupla beirada; é rasgada a N. e a E. por janelas de peitoril no primeiro piso, gradeadas, e, no segundo, por janelas de sacada, com guarda em ferro, possuindo este último dois panos separados por pilastra. Fachada posterior de quatro panos, os três centrais, definidos por pilares em cantaria aparente, coroados por pináculos tipo pera, sobre plintos paralelepipédicos, e terminados em friso e cornija, ritmada por gárgulas, correspondendo à capela-mor e às duas sacristias laterais. O pano central é rasgado nos extremos por três vãos quadrangulares, sobrepostos e gradeados, para iluminação das escadas de caracol das sacristias, cobertas por tomo sobre tambor. Os panos laterais são rasgados por porta e duas janelas gradeadas, no esquerdo, e por duas janelas no direito. O quarto pano, disposto à direita e correspondente à sacristia maior, possuindo no primeiro piso dois grandes arcos, de volta perfeita, comunicando por um arco semelhante e abrindo-se em cada um, janela retangular gradeada; no segundo piso, rasgam-se três janelas retangulares, pertencendo a uma varanda, precedida por escada de três lances, com guarda em ferro, a qual tapou a porta de acesso à sacristia lateral. Sob a escada foi construída uma passagem em arco para a mesma sacristia e, entre este arco e a dupla arcada, abre-se óculo circular da casa do lavabo. Em plano recuado, surge a fachada posterior da nave, terminada em empena, rasgada por três vãos e coroada por cruz latina, pintada de bege, e por pináculos tipo pera, sobre plintos paralelepipédicos, nos cunhais. INTERIOR: nártex de três tramos, cobertos por falsas abóbadas de aresta, sobre pilares toscanos, com portais de acesso à igreja de verga reta, de moldura em cantaria aparente, encimada por friso e cornija reta. As três naves são separadas por sete arcos, de volta perfeita, sobre pilares toscanos, formando doze tramos, possuindo pavimento em cantaria, marcando presbitério ao longo das capelas laterais e, transversalmente, no arco de topo das naves laterais e nos dois arcos do topo da nave central, com teia em balaustrada de madeira. A nave central é percorrida por duplo friso e cornija encimados por um outro friso e cornija, menos avançada, no meio do qual se rasgam, na parede testeira e fundeira, duas janelas quadrangulares separadas por friso. Possui cobertura plana de madeira, formando caixotões octogonais com florões em losangos nas intersecções. O portal central tem guarda-vento de vidro, desenvolvendo-se sobre o nártex coro-alto com motivo serliano, integrando órgão de tubos. Lateralmente, adossam-se ao segundo pilar, a contar da capela-mor, dois púlpitos confrontantes, de bacia retangular, sobre mísula hemisférica gomeada e consola, com guarda em balaustrada de madeira e com escada de cantaria contornando o pilar, com guarda em ferro. As naves laterais têm cobertura em tabuado de madeira, pintado de branco, sobre pequena cornija. Nas paredes fundeiras possuem as torres rasgadas por amplos vãos, em arco de volta perfeita, sobre pilastras toscanas, criando bandeira rebocada e pintada de branco, cerradas por porta de madeira, gradeada, de duas folhas. Lateralmente, possuem a porta travessa ladeada por pia de água benta cilíndrica em mármore e quatro capelas, com arcos de volta perfeita, sobre pilastras toscanas, as primeiras duas à face e as outras duas profundas, mais altas e cobertas por abóbadas de berço, formando caixotões, com molduras de pedra, desenvolvidas sobre friso e cornija. A nave do Evangelho possui sob a torre o batistério, com a porta encimada por tela pintada com "Adoração dos Reis Magos" e a bandeira sobreposta por uma outra, de perfil curvo, representando a "Circuncisão". No interior tem azulejos de tapete, de "massaroca", reaproveitados, formando silhar e, sobre degrau de cantaria, pia batismal, em mármore, de taça hemisférica gomeada, sobre pé galbado, ornado de motivos vegetalistas. A primeira capela, dedicada às Almas, alberga painel pintado, alusivo ao orago e a segunda, dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, imaginária sobre mísula; entre estas capelas existe porta de acesso à sacristia da capela, encimada por tela. As duas capelas que se seguem são dedicadas ao Senhor Jesus dos Aflitos e a Nossa Senhora do Rosário, e albergam imaginária. Na nave da Epístola, a porta da torre é encimada por tela pintada com a "Última Ceia" e a da bandeira com uma "Santíssima Trindade"; no interior possui escada de caracol de acesso às torres e ao coro-alto. A primeira capela lateral é dedicada a São Brás de Sebaste, a segunda, a Santo António, a terceira a São Pedro ad Vincula, possuindo no lado da Epístola porta de acesso à antiga sacristia, atual sala de catequese, e a última a Santo Estêvão, todas com imagem do orago sobre mísula. Os absidíolos possuem acesso por arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, encimados por friso e cornija, sobreposta por óculo circular, cego. Interiormente são cobertos por abóbada de berço, formando caixotões, decorados com florões, de molduras pétreas, desenvolvida sobre friso e cornija, que circunda as capelas. O do Evangelho, dedicado ao Santíssimo Sacramento, possui estrutura retabular em talha pintada e o da Epístola, dedicado ao Senhor Jesus Velho e, atualmente, a Nossa Senhora de Lourdes, possui imagem do orago sobre mísula. Arco triunfal de volta perfeita sobre pilares, tendo no fecho brasão das armas reais, pintado, sobreposto a Cruz de Cristo, ladeado por dois vãos retilíneos, também assentes em pilares, criando motivo serliano, sendo esses vãos laterais encimados por óculos circulares, cegos. Capela-mor com pavimento sobrelevado, acedido por quatro degraus, e coberta por abóbada de caixotões, pintados com motivos fitomórficos, sobre entablamento, assente em seis colunas jónicas. Entre as duas colunas centrais, existe estrutura retabular, de madeira, de planta reta, três eixos e quatro registos, com painéis pintados, sobre madeira, representando cenas da vida de Cristo, exceto ao centro, onde possui nicho retilíneo, revestido a brocado amarelo, sobreposto por imagem do orago. O deambulatório, de planta semicircular, é seccionado por pilastras jónicas, dispostas no enfiamento das colunas, que sustentam entablamento e tem a cobertura em abóbada de canhão, seccionada. Lateralmente, o deambulatório tem comunicação com os absidíolos por altos vãos retilíneos, seguidos de porta de verga reta, de acesso às sacristias que flanqueiam a capela-mor, encimadas por tribuna retilínea, com guarda em balaustrada. Sucedem-se três capelas radiantes, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, pintadas de branco, albergando imaginária sobre plintos paralelepipédicos. Pelo portal do deambulatório do lado da Epístola acede-se à sacristia dos Cónegos e esta à sacristia maior, com pavimento lajeado, integrando a lápide sepulcral do deão Francisco Burquó Del Rio (falecido a 15 outubro de 1745), e com cobertura formada por grandes caixotões de betão armado, sobre cornija. De ambos os lados tem arcaz de madeira do Brasil, de duas fiadas de gavetas, num total de oito, com escudetes de metal amarelo, encimados por espaldar, decorado por almofadas retangulares, separadas por colunas torsas, e rematado em cornija, que ao centro é sobreposta por espelho, encimado pelas armas reais, suspensas por anjos e com remate volutado e cruz. Nas paredes dispõem-se os retratos dos bispos de Angra entre 1534 e 1870 e, ao centro, bufete de jacarandá, decorado com tremidos e friso vegetalista vazado, com tampo embutido de mármore pintado e pés torneados. Na parede do fundo existe nicho em cantaria, com amplo vão, em arco de volta perfeita, sobre pilastras, com vestígios de pintura dourada, ladeado por duas pilastras, albergando imaginária.

Acessos

Ilha Terceira; Rua da Sé; Rua da Carreira dos Cavalos; Rua das Salinas

Protecção

MR - Monumento Regional, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 41/1980, JORAA, 1.ª série, n.º 20 de 11 junho 1980 / Incluído na Zona Central da Cidade de Angra do Heroismo (v. PT071901160035)

Grau

1 – imóvel ou conjunto com valor excepcional, cujas características deverão ser integralmente preservadas. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Monumento Nacional.

Enquadramento

Urbano, isolado, em plataforma sobrelevada às ruas envolventes, formando adro, adaptado ao declive do terreno, frontalmente precedida por degraus, e disposta a meio da principal via estruturante do centro histórico de Angra. O adro é pavimentado a paralelos, formando quadrícula e, junto à frontaria, o brasão da Diocese, lateral e posteriormente vedado por muro, capeado a cantaria e com pináculos torsos junto aos vãos de acesso e bordejado por árvores. No ângulo NE. do adro existe monumento dedicado a João Paulo II, com soco quadrangular, plinto paralelepipédico, frontalmente com a inscrição "JOÃO PAULO II / 11-5-1991", e estátua do papa em bronze. Na fachada posterior, os dois arcos da sacristia maior, que sustentam o alpendre, são fechados por portões de ferro, e albergam três dos antigos sinos da Sé e o mecanismo do antigo relógio. Nas imediações erguem-se o Palácio Bettencourt (v. PT071901160025) a S., o Prédio na Rua do Salinas, nº 50 - 60 (v. PT071901160034) a E., a Casa D. Violante do Canto (v. PT071901160033) e o Teatro Angrense (v. PT071901160042) a N., e outros edifícios de interesse arquitetónico; um pouco mais afastados, erguem-se ainda, a O., o Convento e Igreja de São Gonçalo (v. PT071901160007) e, a E., os Paços do Concelho de Angra do Heroísmo (v. PT071901160037).

Descrição Complementar

No nártex, o portal é ladeado por duas placas de bronze; a da direita comemora a visita do Papa João Paulo II aos Açores e à Sé, no dia 2 de maio de 1991, e a da esquerda alude à reconstrução da Catedral após o terramoto de 1 de janeiro de 1980 e à sua bênção pelo Cardeal Patriarca de Lisboa, no dia 3 de novembro de 1985, sendo na altura Bispo de Angra D. Aurélio Granada Escudeiro. No batistério existe tocheiro em talha policroma e dourada e grande talha, em cerâmica vidrada. A capela das Almas alberga painel pintado, de perfil curvo, alusivo ao orago, tendo superiormente a representação da Santíssima Trindade, da Virgem e de São Domingos; sobre a porta da sacristia desta capela existe tela pintada com uma Pietá. As duas últimas capelas do lado do Evangelho são fechadas por teia alta de balaústres, rematada em pináculos torsos e galbados; a capela do Senhor Jesus dos Aflitos, tem abóbada de berço, formando caixotões, ornados com florões e querubins, e no pavimento integra lápide sepulcral de Francisco Dias do Carvalhal, instituidor da capela. Sobre o supedâneo de vários degraus, possui 12 azulejos de altura, formado silhar, com padrão 2x2/3, conhecido como ponta de diamante (P28), com cercadura de "dente de lobo" (C1), integrando dois pequenos painéis (de 3x3 cada) com azulejos ornamentais limitados por cercadura própria. Sobre o silhar existe tela pintada com "Flagelação". Na parede do lado do Evangelho abre-se janela de capialço e, na parede testeira, nicho em arco de volta perfeita, interiormente albergando um Calvário, ladeado por duas frestas de capialço. Sobre o supedâneo dispõem-se ainda grupos escultóricos. A capela de Nossa Senhora do Rosário é coberta por abóbada de berço, de caixotões pintados com motivos vegetalistas; sobre o supedâneo, com vários degraus, surge altar e na parede testeira abre-se nicho em arco de volta perfeita, albergando imaginária; lateralmente, abrem-se arcos, de volta perfeita, também com imaginária. Sob esta capela, existe cripta, da mesma largura, acedida por escada estreita, com abóbada de berço seccionada por três arcos torais, assentes em possantes pilares. As duas capelas laterais profundas do lado da Epístola apresentam abóbadas de berço igual, formando caixotões decorados com florões, e molduras pétreas. A de São Pedro ad Vincula possui lápide sepulcral do seu fundador, o Cónego Luís de Almeida, com a inscrição: "A STANTVM DE LUIS DAL / MEIDA PREBENTADO DES/TA SANTA SEE FUNDADOR / E INSTITUIDOR DESTA / CAPELA E QVANTO NELA / ESTA TEME SE VSA E A / SIDO MORGADO E DE TUDO / O MAIS QUERENDO DEUS / AO DANTE SEVERA OBITA". No lado do Evangelho abre-se pequeno vão e na parede testeira, um outro; sob a mísula com imaginária existe altar tipo urna; cerra a capela teia de jacarandá, com balaústres dispostos em dois registos. A capela lateral de Santo Estêvão, cerrada com teia de balaústres, possui imagem do orago sobre mísula, um candelabro das trevas e dois cadeirais de cinco lugares; na parede do lado do Evangelho abre-se janela retangular e antigo armário embutido e na parede testeira nicho de alfaias retangular. O absidíolo do Santíssimo Sacramento possui estrutura retabular em talha pintada a marmoreados fingidos a cinzento e verde e dourados, com arco de volta perfeita sobre pilastras convexas, com motivos vegetalistas; ao centro, abre-se nicho, em arco de volta perfeita, interiormente revestido a tecido tipo damasco; banco com apainelados decorados por acantos. Altar paralelepipédico com frontal de prata, de 2,08 x 0,92 m, marcando sanefa, decorada por Cristo Redentor, envolvido por auréola, ladeado, à direita, por águia, representando São João, e à esquerda, por touro, representando São Marcos, e elementos fifomórficos; inferiormente é seccionado em cinco panos, representando a Entrada de Cristo em Jerusalém, Jesus Orando no Horto, Santíssimo Sacramento ao centro, com ostensório entre anjos, a Última Ceia e Lava-Pés. Sobre o altar surge sacrário de prata, tipo templete, rematado por entablamento, sobreposto por resplendor, e com porta ornada por Agnus Dei inserido em concheado. O absidíolo da Epístola possui imagem do orago sobre mísula, encimada por amplo resplendor, altar paralelepipédico com frontal revestido a tecido e, no pavimento, lápide sepulcral de Pero Anes do Canto. Sobre o arco de acesso surgem lateralmente as armas dos Cantos e dos Castros. No presbitério do lado da Epístola, dispõe-se estante coral, em madeira de jacarandá do Brasil, marchetada de marfim, coroada por esfera armilar com a inscrição "AVE CRUX SPES VNICA", procedente do Convento de São Francisco de Angra. Na lápide de D. Frei Jorge, sepultado na capela-mor, existe a inscrição "HIC JACETE DOMINUS GEORGIUS A STº JACOB PASTOR ANGRENSIS, INTER OVES SUAS PRIMUS SEPULTUS". As sacristias que flanqueiam a capela-mor dispõem-se longitudinalmente em relação à mesma, têm a mesma largura das naves laterais e dois pisos, comunicantes por escadas de caracol, colocadas nos ângulos entre a abside e as sacristias. A do lado do Evangelho, designada dos Cónegos, possui um lavabo entre duas colunas embebidas na parede, atualmente pintadas de branco. No segundo piso fica o antigo tribunal eclesiástico, ou a sala do Cabido, ou das Sessões Capitulares, que tem no teto as armas reais. Por esta sacristia acede-se à sacristia maior, que tem porta com a moldura encimada por friso e cornija, ladeada por duas janelas, atualmente entaipadas, abrindo-se ainda a N. porta para o adro. Na parede do fundo, o nicho é ladeado por duas janelas sobrepostas, estando as inferiores também entaipadas. Na parede S., abre-se vão de verga reta para a casa do lavabo. Esta tem frontalmente lavabo de espaldar retangular, disposto na horizontal, moldurado e decorado com dois querubins, com bicas nas bocas, que vertiam para taça retangular, sobre mísula decorada de acantos; o espaldar é ladeado por dois plintos paralelepipédicos, almofadados e ornados de motivos vegetalistas, assentes em cornija, no alinhamento da taça, e sustentando cornija; sobre esta desenvolve-se tabela retangular, definida por colunas de fuste espiralado e de capitel coríntio, rasgada ao centro por óculo circular, moldurado, com acantos relevados nos ângulos, e rematada em entablamento, que percorre todo o espaço. Nas faces laterais abrem-se vãos, em arcos de volta perfeita, interiormente com abóbadas de berço decoradas de florões e elementos geométricos, contendo dois lavabos menores, com bica em querubins inseridos em pequenas cartelas. A sala tem pavimento de cantaria, as paredes decoradas com motivos geométricos, fitomórficos e em estrela, e é coberta em abóbada de berço, decorada por losangos relevados ornados de florões.

Utilização Inicial

Religiosa: sé

Utilização Actual

Religiosa: sé

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João de Carvalho (1572). ARTISTA: José Nuno da Câmara Pereira (séc. 20). CARPINTEIRO: Manuel Martins (1592); Roque Martins (1592, antes). ENTALHADOR: Amaro Machado Morais (1723); António Roiz Pimentel (1702); Brás da Silva (1734). ESCULTOR: António da Costa (1704 / 1705). FUNDIDORES: F. A. Guerra e João C. L. (1791); Francisco Rodrigues Bellas (1834 / 1843); Lucas Roiz Palavra (1713). JOALHEIROS: Leitão & Irmão (1945/1946). MARCENEIRO: Jerónimo José Toste (1799). ORGANEIROS: Dinarte Machado (1993); Joaquim António Peres Fontanes (séc. 18); Padre Joaquim Silvestre Serrão (1854); João Nicolau Ferreira (1854). OURIVES: Manuel Carneiro de Lima (1702/1720). PEDREIROS: António Rodrigues Madeira (1653); Bartolomeu Fernandes (1633); Dionísio Fernandes (1705); Luís Gonçalves Cotta (1568); Luís Mendes (1608); Manuel de Lima (1581). PINTOR: Giorgio Marini (1876, cerca). PINTOR-DOURADOR: Pedro Garcia Jorge (1724). RELOJOEIRO: Paulo França (1782).

Cronologia

1450, cerca - início do povoamento da ilha, erguendo-se no lugar de Angra um altar a São Salvador; 1454, 7 junho - carta de D. Afonso V outorgando a jurisdição temporal e espiritual das ilhas dos Açores à Ordem de Cristo, exercida pelo D. Prior de Tomar; 1455, 13 março - bula "Inter Caetra", do papa Calisto III, confirmando a concessão do domínio espiritual da ilha à Ordem de Cristo; 1461 - chegada do capitão-donatário Álvaro Martins Homem, que levanta ou continua as obras do primitivo templo, dedicado a São Salvador; 1470, 30 março - carta do Infante D. Fernando diz que "Frei Gonçalo ade hir estar na minha Ilha Terceira e ter hi carrego da minha capelania e cura"; 1474 - transferência da capitania para João Vaz Côrte-Real, estando os trabalhos de construção terminados ou em fase terminal; 1486, 28 novembro - Infanta D. Beatriz nomeia Frei Luís Annes, seu capelão, para a vigairaria de São Salvador; 1514 - criação do bispado do Funchal, passando os Açores para a sua jurisdição; 1534 - foral de D. João III eleva Angra a cidade; 1534, 5 novembro - criação do bispado de Angra por bula do Papa Paulo III *2; esta determinava que D. João III, então administrador da Ordem de Cristo, "ampliasse os edifícios da mesma igreja do Santo Salvador e a fizesse tomar, em tudo e por tudo, a forma de igreja catedral"; 1535, 24 junho - posse do 1º bispo, D. Agostinho Ribeiro, que achou a igreja despojada do necessário para o culto, acanhada, isolada e fria; parece que ali já existia a confraria de Nossa Senhora da Graça *3; 11 outubro - por carta de mantimento do bispo, D. João III comunica à Câmara ter suplicado ao papa Clemente VII que criasse e elevasse a igreja de São Salvador a catedral; criação do Cabido, com as suas dignidades de deão, arcediago, chantre, tesoureiro-mor, mestre-escola e 12 cónegos; pedido do Município para que se construir um novo edifício para a Sé, no mesmo local; 1536 - carta de D. Agostinho ao rei dizendo as diligências já feitas para construir a nova Sé e solicitando apoio real para tal *4; 1540, 18 outubro - alvará cria o cargo de "tangedor de órgãos da Sé", com ordenado de 8$000; 1544, 3 novembro - D. João III doa as casas à frente da "carreira dos Cavalos" para aí se construir a residência episcopal "para todo o sempre"; 1556 - data da morte de Pero Anes do Canto, sepultado na capela do Senhor Jesus Velho, construída pela família Canto e Castro; 1557, 9 abril - Câmara solicita apoio do rei na construção do novo templo; 1561, 26 outubro - morte de D. Frei Jorge, sepultado na capela-mor; 1568, 10 janeiro - Cardeal D. Henrique manda construir de novo a Sé, destinando para tal, enquanto durassem as obras, 3 mil cruzados anuais, dos direitos que tinha sobre o pastel na Ilha de São Miguel; data de outros alvarás aos oficiais que deviam empregar-se nas obras; 2, fevereiro - provável instituição da confraria de Nossa Senhora do Rosário; 1569, 17 setembro - bula de Pio V confirma graças e indulgências aos irmãos da confraria da Senhora do Rosário; 1570, 18 novembro - cerimónia de lançamento da primeira pedra, esculpida com uma cruz de Cristo, pelo deão Baltazar Gomes, possivelmente seguindo uma planta enviada de Lisboa; no auto do lançamento da primeira pedra refere-se "Luis Gonçalves Mestre da dita obra da See, e outras" e que "feito o ditto officio se recolheram à dita Sé [velha], onde se celebrou missa de festa", indicando não se ter demolido a antiga igreja; Luís Gonçalves Cotta recebia 100$000 anuais, o diretor das obras 20$000 e o apontador 8$000; os terrenos para a construção foram doados por Estêvão Cerveira Borges, nobre da cidade, na condição da frontaria ficar virada para a sua casa, ou seja, a S.; na abertura dos alicerces surgem discussões sobre o orientação da frontaria, optando-se por virá-la a N. para a principal via que atravessava a cidade; 1571 - alvará da Câmara sobre os arcos e portas a fazer na Sé; 1572, 8 julho - alvará de D. Sebastião sobre algumas alterações à traça da igreja, que seguia de Lisboa assinada por João Carvalho, "provedor das minhas obras" *5; 1572, cerca - o bispo D. Gaspar de Faria institui a confraria de Nossa Senhora do Rosário, unindo-a à da Graça; 1576, 19 março - morte do bispo D. Gaspar de Faria, enterrado junto ao altar do Santíssimo, do lado da Epístola; 1578 - alvará determina que tudo o que se aproveitasse da velha igreja reverteria a favor da nova vigairaria de São Pedro; 1580 / 1583, entre - durante a guerra da Sucessão celebram-se várias cerimónias religiosas na antiga igreja; 1583 - paragem das obras; 1584 - data do livro mais antigo da Confraria do Santíssimo, com inventário dos bens; 1586, 8 fevereiro - bispo D. Manuel de Gouveia reorganiza a capela do Rosário e faz novos estatutos; 1 maio - auto sobre a capela, sacristia e sepulturas da confraria de Nossa Senhora do Rosário, cujos membros pedem para local de implantação o arco pegado à capela do Santíssimo; 2 maio - posse do chão para a construção da capela do Rosário e da Graça; 1588 / 1618, entre - segundo o Padre Maldonado, despendeu-se nas obras 46.448$763; 1589 - bispo D. Manuel Gouveia compra a Nicolau de Resende, clérigo de missa, um órgão diferente dos de realejo; 4 janeiro - alvará ordena que houvesse na Sé um sineiro, pago pelo Prelado; 1590 - D. Filipe II manda "que as obras da Sé, paradas há muito tempo pelo desassocêgo dos tempos, continuassem"; 1592- a partir do início da construção da Fortaleza de São Filipe, parte dos fundos para as obras da Sé são desviados para aquela obra; 14 outubro - Manuel Martins substitui o pai, Roque Martins, nas obras de carpintaria; 1593 - manda-se continuar as obras da Sé suspensas durante as lutas da Sucessão; 1595 - gravura da cidade de Angra representada por Linschoten, impressa na Holanda, retrata a Sé com três naves, ainda sem cobertura, a fachada posterior de remate semicircular e com estaleiro de obras; 1604 - ereção da Irmandade de São Pedro ad Vincula dos Clérigos Pobres; 1608, 27 fevereiro - nomeação de Luís Mendes como mestre-de-obras; 1610, 12 junho - autorizada a construção de um claustro a pedido do bispo D. Jerónimo Teixeira Cabral; 27 setembro - alvará para dourar a capela do Santíssimo, retábulo e sacrário, o que só teve seguimento 8 anos depois; 1615, 20 dezembro - transladação do Santíssimo Sacramento para a nova Sé; alvará de D. Filipe III determina que fossem reduzidas de 1000 cruzados a dotação anual para as obras, a fim dos restantes 2000 serem aplicados na restauração das igrejas e ermidas danificadas pelo terramoto do ano anterior; 1618 - provável conclusão das obras de pedraria e alvenaria, orçadas em 46.448$637, continuando ao longo da centúria as do interior; "porem de seus inspectores não houve boa fama, pelo desperdício que se lhes notou na distribuição dos muitos fundos a ella aplicados"; 1618 / 1640, entre - a Sé continuou a receber a consignação dos 3000 cruzados do pastel, tendo-se gasto nas obras mais 76.000 cruzados *6; 1630, 16 novembro - morte do cónego Luís de Almeida; 1631 - fundação da capela de São Pedro ad Vincula pelo Cónego Luís de Almeida; 1633, 20 setembro - alvará nomeia Bartolomeu Fernandes como mestre-de-obras; 1640 - ereção da Irmandade das Almas no respetivo altar pelo cónego Leonardo de Sotto Mayor; 1644 -D. João IV manda dourar a capela-mor e ultimar a sacristia, o que custou mais de 66 contos; 1647, 9 junho - sismo provoca alguns danos, sobretudo nos arcos; 1653, 3 setembro - nomeado mestre-de-obras António Rodrigues Madeira; 1669 / 1674, entre - D. Afonso VI oferece alguns paramentos; 1681, 20 maio - nomeado mestre-de-obras Manuel de Lima, que recebia 100$000 por ano; 1683, 16 março - extinção do cargo de mestre-de-obras da Sé *7; 1698 - o sacristão André de Sousa manda fazer 60 tochas novas e 3 castiçais e uma bancada na capela do Santíssimo; séc. 17 - referência documental à Confraria e capela de São João Evangelista, desconhecendo-se a sua localização; 1702 / 1720, entre - feitura do frontal de altar em prata da capela do Santíssimo, pelo ourives Manuel Carneiro de Lima, por 598$405 *8; 1702, 19 setembro - arrematação da obra das cadeiras do coro alto pelo entalhador António Roiz Pimentel; 1703, 2 maio - breve apostólico reinstitui a confraria de Nossa Senhora do Rosário; 1704, 5 junho - arrematação da obra dos vestiários e armários da sacristia ao escultor António da Costa; 1705 - confraria do Senhor Jesus dos Aflitos submete projeto em que o escultor António da Costa é referido como autor de um "rascunho" da capela, por 330$000; este fez também o Calvário e Dionísio Fernandes fez as obras de pedreiro, por 38$830; 15 fevereiro - novamente ereta a confraria de Nossa Senhora do Rosário, referindo-se apenas à Virgem do Rosário; 1706 - construção da capela do Senhor Jesus dos Aflitos, por Francisco Dias do Carvalhal; 8 junho - chegam de Lisboa as imagens de Nossa Senhora do Pé da Cruz e São João para a capela do Senhor Jesus dos Aflitos; 1708 - já devia existir o relógio da Sé; 4 junho - autorizado o douramento do retábulo da capela do Senhor Jesus dos Aflitos; 1709 - oferta da imagem de São Libório à confraria do Rosário pelo bispo D. António Vieira Leitão; 1717 - descrição da Sé pelo Pe. António Cordeiro; 1723, 14 abril - feitura do trono e talha do arco triunfal da capela-mor pelo entalhador Amaro Machado Morais; 1724 - pagamento do douramento da capela do Senhor Jesus dos Aflitos ao pintor-dourador Pedro Garcia Jorge, da ilha do Faial, por 304$298; 1725, 14 novembro - aprovação dos estatutos da confraria dos Clérigos Pobres de São Pedro ad Vincula;1734, 4 setembro - entalhe em madeira de cedro do frontispício da capela-mor pelo entalhador Brás da Silva; 1758, 21 outubro - relação da prata e ornamentos que o rei envia à Sé; 1775 / 1782, entre - colocação do órgão grande vindo da Alemanha para a Sé de Macau mas que, por o navio não poder seguir viagem, foi oferecido à Sé pela rainha D. Maria I; 1782, maio - até esta data, veio para a igreja o grande órgão com brasão do bispo D. João Aparício; construção da maquinaria do relógio, em Lisboa, por Paulo França, com mostrador de pedra e um ponteiro; julho - inventário dos bens do batistério; 1799, 26 maio - propõe-se refundir a capela do Santíssimo e fazer um retábulo novo com camarim, substituindo o trono portátil que se armava, obra feita pelo marceneiro Jerónimo José Toste, por 1:000$000; determinou-se ainda que, se necessário, se fizesse o arco, cancelas e "o mais que constava no risco da obra", por 800$000; séc. 18 - construção da sacristia maior e da sala do tribunal eclesiástico; feitura de um órgão por Joaquim António Peres Fontanes; 1808, 16 outubro - sagração da Sé pelo bispo, visto não haver certeza nem documentos relativos à sua anterior sagração; na cerimónia depositou-se um pequeno cofre no altar-mor com as relíquias dos Santos Mártires Benedito e Primo Veracundo; 1813 - segundo T. Gablenz, monta-se o grande órgão oferecido por D. Maria I; 1814, 8 fevereiro - escritura de contrato para a reforma da capela do Santíssimo; 1829, 1 julho - ofício do capitão-general Conde de Vila Flor, determinando recolher à Tesouraria Geral da Junta da Fazenda toda a prata existente nas diversas freguesias da ilha, exceto os "vasos sagrados", e remeter à Casa da Moeda da ilha "todos os sinos da Catedral e mais igrejas, reservando somente um, em cada uma, além do relógio" *9; 1834, 18 novembro - acórdão da Confraria do Santíssimo decidindo vender as três lâmpadas de prata, uma cruz que servia no "gião" quando este estava em uso e um cálice antigo que não se usa, para se mandar vir de Lisboa três lâmpadas de metal dourado, para decentemente ornar a capela, evitando assim as tentativas de roubo; com o resto do que se liquidasse a mesma prata, devia-se começar a obra de estuque das naves e pintura de toda a igreja, projetada há muito tempo; as peças de prata (com 43 arráteis e treze oitavas) foram vendidas por 993$060; 1843, 1 março - inauguração de uma claraboia na cúpula da capela-mor, construída por iniciativa do deão Narciso António da Fonseca *10; 1843 / 1845, entre - segundo o Pe. Jerónimo Emiliano de Andrade, procede-se à pintura e retificação exterior e interior da Sé; 1854 - colocação na Sé do órgão construído em São Miguel, sob a direção do Padre Joaquim Silvestre Serrão e João Nicolau Ferreira; construção do altar de Nossa Senhora dos Anjos; 1871, 1 fevereiro - cónego Domingos propõe pedir-se ao vigário capitular, ausente em São Miguel, para promover a vinda de "um bom pintor" que ali se encontrava para pintar em Angra um retrato de D. Fr. Estêvão; 1876, 21 setembro - inauguração solene do retrato de D. Fr. Estêvão na sala do cabido, pintado pelo italiano Giorgio Marini; 1880, janeiro - bispo D. João Maria pensa dotar a Sé com uma oitava de sinos afinados, para o que seria preciso fundir quatro novos; 1879, dezembro - portaria do governo autoriza a venda do sino grande, em mau estado e desafinado, mas o intento do bispo não se concretiza; 1889 - bispo D. Francisco Maria manda adaptar a confraria de São Pedro ad Vincula a Montepio Eclesiástico; 1891, 4 outubro - estabelecimento da devoção a Nossa Senhora de Lourdes, pelo Monsenhor Cónego Ferreira, na capela do Senhor Jesus Velho *11; 1899, 16 abril - batismo e crisma de Ngungunhane (Rei de Gaza, Moçambique), seus filhos e companheiros de exílio, pelo bispo D. Francisco José Ribeiro de Vieira de Brito; 1900, 16 abril - novos estatutos da confraria dos Clérigos Pobres de São Pedro ad Víncula; 1911, 2 janeiro - instituição da Congregação da Doutrina Cristã, para ensino da doutrina cristã às crianças e adultos; 1920 - aquisição das imagens de São José e do Sagrado Coração de Jesus; 1928, 9 dezembro - bênção da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na igreja da Misericórdia, pelo bispo D. Guilherme Augusto, conduzida depois em procissão até à Sé; 1930 - aquisição da imagem do Santíssimo Salvador por iniciativa do Pe. João Evaristo *12; 1934, 3 novembro - inauguração do Tesouro da Sé aquando das comemorações do 4º centenário da criação do Bispado; 1944, 13 maio - por sugestão do Pe. Eduardo Marques, formula-se um desejo de oferecer à imagem de Nossa Senhora de Fátima uma coroa de ouro ou prata, à semelhança da coroa da imagem de Cova de Iria, se Portugal não participasse na guerra; a subscrição pública para tal chegou aos 47.188$55, elevando-se a despesa a 46.871$55; a coroa custou 18.351$60, nos joalheiros Leitão & Irmão, de Lisboa, tendo o saldo de 317$00 revertido a favor da igreja; 1946, 13 maio - cerimónia de coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima; 1948, 12 junho - visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, colocando-se a imagem dessa invocação na capela de Nossa Senhora do Rosário; 1957 / 1958 - alteração arquitetónica do altar do Senhor Jesus; 1950, década - desaparecimento do claustro ou jardim posterior para arranjo da Rua da Rosa; 1980, 1 janeiro - sismo que afetou as ilhas do Grupo Central dos Açores, provoca grandes danos na igreja, que fica em risco de derrocada; 1983, julho - derrocada da torre esquerda durante os trabalhos de consolidação e desmoronamento da fachada e do corpo do coro-alto; 25 setembro - violento incêndio durante a madrugada destrói o recheio da Sé; 1985, 3 novembro - reabertura da Sé ao culto e benção da mesma pelo Cardeal Patriarca de Lisboa; 1986 - comemoração dos 500 anos da primeira nomeação de um vigário para a paróquia de São Salvador; 1987 - recolocação das primeiras telas restauradas (do total de 30); 1988 - construção de um monumento ao Beato e Mártir no Japão João Baptista Machado por uma Comissão composta pelos paroquianos; 1990 - a Sé passa a integrar a Zona Pastoral de Angra, com pároco, Cartório e Boletim em comum; 1991, 11 maio - visita do Papa João Paulo II, que lega a cátedra e a casula usadas em Angra; colocação no adro de uma estátua do pontífice; 1993, 17 janeiro - inauguração do novo órgão de tubos, feito pelo organeiro Dinarte Machado; 1995 - início do inventário dos bens móveis da Sé; 1999 - colocação do retábulo-mor com painéis quinhentistas; 2000 - transferência da propriedade da Sé do Estado Português para a Fábrica da Igreja Paroquial da Sé; 2001 - construção em pedra do altar de Nossa Senhora do Rosário; 2005 - reabertura ao público do Tesouro da Arte Sacra da Sé.

Características Particulares

Catedral maneirista parcialmente reconstruída na década de 1980, na sequência do sismo e do incêndio que a danificou e despojou da maioria do seu património integrado. A estrutura da capela-mor, de planta semicircular definida por colunas jónicas de ordem colossal, de inspiração clássica, e deambulatório, revela grande erudição no contexto açoriano e, simultaneamente, uma solução estranha para o séc. 16, denotando certo revivalismo. Revela algumas afinidades com a capela-mor do Mosteiro dos Jerónimos (v. PT031106320005), não só em termos de linguagem interior, como também na colocação de duas escadas de caracol, entre a curvatura da capela-mor e o retângulo que a enquadra, e no remate da fachada posterior, em cornija reta e domo sobre tambor nas escadas. O deambulatório é bastante estreito e ritmado por pilastras jónicas no enfiamento das colunas, possuindo capelas radiantes pouco profundas e duas tribunas laterais. Mateus Eduardo da Rocha Laranjeira considera a capela-mor da Sé de Angra muito semelhante com a da Igreja del Redentore, em Veneza, de Andrea Palladio, só que esta não tem deambulatório, bem como com a Igreja de San Giorgio Maggiore, também de Palladio, ambas com as escadas de caracol na cabeceira, ainda que com diferenças no remate exterior. O mesmo autor atribui a traça da Sé a Jerónimo de Ruão, "o mais italianizante de todos os arquitetos reais da época", e, devido ao facto de ter as torres sineiras integradas nas naves laterais, realça certas semelhanças entre ela e as fachadas da Sé de Portalegre (v. PT041214090002), da Igreja Paroquial de Fronteira (v. PT041208020004), da Igreja da Graça, de Setúbal (v. PT031512020013) e com a Igreja de Santa Catarina dos Livreiros, em Lisboa. Exteriormente, a igreja apresenta grande sobriedade no desenho dos vãos e despojamento decorativo. No interior, a nave central é rematada por duplo friso e cornija, rasgada a meio das paredes dos topos por janelas retangulares. O arco triunfal, sobreposto pelas armas de D. Sebastião, juntamente com os vãos laterais de acesso ao deambulatório, encimadas por óculos, forma motivo serliano, o qual surge ainda no coro-alto, desenvolvido sobre o nártex, mas num módulo de três. O atual órgão é considerado o maior órgão de tubos dos Açores e o maior construído no séc. 20, na Península Ibérica. Cada nave lateral tem duas capelas à face e duas profundas, cobertas por abóbadas, a do Senhor Jesus dos Aflitos com silhar de azulejos de padrão em ponta de diamante, integrando painel decorativo, do primeiro quartel do séc. 17. Também o batistério tem azulejos maneiristas, mas de padrão em massaroca. A capela do Santíssimo, no absidíolo do Evangelho, apresenta estrutura retabular em talha policroma revivalista e conserva o frontal de altar em prata setecentista. Realça-se ainda, do séc. 18, os dois arcazes da sacristia maior, bem como a casa do lavabo da mesma, com paredes e abóbada decorada por almofadas decoradas e pontas de diamante. O pátio posterior, denominado de claustro na documentação, com fonte, foi demolido por questões urbanísticas.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada; estrutura parcial e lajes de betão armado; cimento Portland para consolidação da estrutura pétrea; embasamento, pilastras, frisos, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, pintos, molduras dos vãos e outros elementos exteriores predominantemente em cantaria basáltica pintada; cruz, grades e portões em ferro; coberturas em madeira envernizada, pintada ou em cantaria; pavimentos em lajes de cantaria; pilares, arcos, pilastras, frisos, cornijas, supedâneos, presbitérios, colunas, molduras dos vãos interiores e outros elementos em cantaria basáltica aparente; silhares de azulejos policromos; moldura do relógio, pia batismal, pias de água benta, lápide sepulcral e outras em mármore; painéis pintados sobre madeira de cedro; telas pintadas; estrutura retabular em talha policroma; teias e arcazes em madeira do Brasil; cobertura de telha.

Bibliografia

CORREIA, José Eduardo Horta - «A Arquitectura - maneirismo e "estilo chão"». História da Arte em Portugal. Lisboa: Publicações Alfa, 1986, vol. 7, pp. 93-135; DIAS, Pedro - Arte de Portugal no Mundo - Açores. Lisboa: Público - Comunicação Social S.A., 2008; FERNANDES, José Manuel - História Ilustrada da Arquitectura dos Açores. Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura, 2008; JÚNIOR, Domingos A. Vaz, Restauro e Reestruturação (anti-sísmica) na recuperação de edifícios históricos na Região Autónoma dos Açores, in 10 Anos após o sismo dos Açores de 1 de Janeiro de 1980, Lisboa, Carlos Sousa Oliveira, Arcindo R. A Lucas e J. H. Correia Guedes, 1992, vol. 2, pp. 563-606; LARANJEIRA, Mateus Eduardo da Rocha - São Salvador de Angra. Uma catedral Sebástica Angra do Heroísmo: IAC - Instituto Açoriano de Cultura, 2008; LARANJEIRA, Mateus - Sobre a Sé de Angra do Heroísmo. Açoriano Oriental. Direção Regional da Cultura dos Açores, 16 setembro 2012; LOPES, Frederico - A Sé de Angra (Santa Sé do Salvador). Angra do Heroísmo. Tipografia Editora Andrade, 1970; MOTA, Valdemar - A Presença de São Salvador no frontal de prata lavrada do séc. XVIII da Sé de Angra. Angra do Heroísmo: Instituto Açoriano de Cultura, 1991; IDEM - Santa Sé do Salvador. Igreja Catedral dos Açores. Angra do Heroísmo: Sé de Angra, 1981; MERELIM, Pedro de - As 18 paróquias de Angra. Sumário Histórico. Angra do Heroísmo: Tipografia Minerva Comercial, 1974; ROSA, Teresa Maria Rodrigues da Fonseca, O Convento de São Gonçalo em Angra do Heroísmo. Contributos para o Estudo da Arte Religiosa Açoriana (Dissertação de Tese de Mestrado em História da Arte), Universidade Lusíada, 1998; SAMPAIO, Alfredo da Silva - Memória Sobre a Ilha Terceira. Angra do Heroísmo: Imprensa Municipal, 1904; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963; VALENÇA, Manuel - A Arte Organística em Portugal. Braga: Editorial Franciscana, 1990, vol. II; VITERBO, Sousa - Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1922, vols. 1 e 2.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DRML; Direção Regional dos Assuntos Culturais, da Região Autónoma dos Açores

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, SIPA; Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja / Terra das Ideias

Documentação Administrativa

Direção Regional dos Assuntos Culturais, da Região Autónoma dos Açores

Intervenção Realizada

Proprietário: 1843 - por iniciativa do deão Narciso António da Fonseca, procede-se à abertura de uma claraboia na cobertura da capela-mor, corte das tribunas superiores do deambulatório e conserto dos coros capitulares; para alargamento da Rua do Salinas, remove-se o chafariz que havia no extremo S., cedendo-se também parte do terreno do adro; 1845 - reforma e alargamento do adro da Sé para E., já possuindo uma ampla escadaria para a Rua da Sé; 1857 - obra da casa do relógio e vidraça na respetiva casa por 89$000; séc. 19, última década - assobradado o resto do pavimento da igreja que, até então, era de ladrilho; 1902 / 1904, entre - o bispo D. José Manuel de Carvalho manda colocar as grades que dão para a sineira; 1920 - reconstrução da capela de Nossa Senhora do Rosário; 1922 - obras por iniciativa do beneficiado Pe. Eduardo de Sousa Marques e por subscrição pública, compreendendo, nomeadamente, a remodelação do teto em cedro trabalhado, que ameaçava ruína, dando-se então cor castanha (anteriormente estava caiado de branco); completa instalação elétrica na igreja; reavivamento das pinturas e dourados que se encontravam em avançado estado de deterioração, pintando-se os pilares a marmoreados fingidos; reparação das portas da entrada principal, em madeira do Brasil, mas à data pintadas de verde; 1926 - grande transformação do relógio da Sé, segundo projeto aprovado e executado numa oficina em Sacavém, com beneficiação da maquinaria, instalação de um mostrador luminoso e dos dois ponteiros, um para as horas e outro para os minutos; 1957 - modificação do altar de Nossa Senhora de Lourdes; 1958 - conclusão da remodelação total da bancada da Sé, obra no valor de 40 contos; 1960, década - obras de beneficiação exterior e interior; para além das reparações, procedeu-se à remoção dos dois balcões de madeira situados no espaço do deambulatório, ladeando a capela-mor, provavelmente mandados colocar aquando do douramento da capela; 1980, 1 janeiro - sismo provoca a ruína total da igreja, com fendilhação e deslocamento dos troços livres das torres e no frontão, com fraturas importantes nos fechos dos arcos, das aberturas e roturas de separação nas zonas de ligação às paredes das naves e ao frontão; fendilhação e deformação nos troços inferiores das torres, no fecho e tímpanos da abóbada do coro-alto, e fratura nas vergas das aberturas; fendilhação vertical nos ângulos re-entrantes dos cantos interiores das pilastras da torre esquerda ao nível do coro-alto; fendilhação e deformação da cabeceira das naves, traduzida pelas fraturas de vergas das aberturas e quedas de elementos ornamentais; derrocada do cunhal SE. da galeria exterior de acesso ao segundo piso do corpo da sacristia e fendilhação das paredes deste piso, particularmente nas paredes adjacentes; já antes do sismo a igreja apresentava problemas de fendilhação na abóbada de pedra do batistério por baixo da torre NE., segundo a direção N.-S. e junto das vergas de uma porta para S.; 1981 / 1982 / 1983 / 1984 / 1985 - obras de reconstrução e recuperação da Sé após o terramoto, as quais orçaram em cerca de 441.740 contos; durante as mesmas procede-se à construção de estruturas reticuladas tridimensionais de betão armado, ligados em continuidade, para os núcleos das torres; construção de lajes de betão armado para as estruturas horizontais; após a derrocada da torre, decide-se arrasar a outra torre e reconstruir toda a fachada em betão armado, reproduzindo a original; consegue-se recuperar a grande cruz de ferro da fachada e a moldura de mármore do relógio; a partir dos poucos caixotões que escaparam do fogo, reconstitui-se todo o teto da nave central; fecho da claraboia da capela-mor; colocação de guarda-vento com desenho da autoria do artista Açoriano José Nuno da Câmara Pereira; pintura exterior da igreja com as cantarias a cinzento; 1993 - conclusão do restauro do órgão, efetuado por Dinarte Machado; 1997 - restauro de todas as imagens existentes nas várias capelas da Sé, que foram recolocadas nos seus lugares primitivos; 2000 - pintura exterior da igreja com as cantarias a bege sobre alvenaria branca, cor que tinha antes do sismo; 2001 - feitura do brasão da Diocese na calçada do adro; 2002 - instalação da iluminação cénica da Sé; 2003 - restauro e ampliação do órgão de tubos; 2005 - remodelação museológica do "Tesouro da Sé"; 2006 - instalação de relógio e sinos eletrónicos; início da exposição, com caráter permanente, no adro da Rua da Rosa, dos antigos sinos e relógio da Sé; 2009 - conclusão do restauro dos retratos dos Bispos da Diocese; 2010 - instalação de um carrilhão na torre O., representando os 19 concelhos que formam a Diocese de Angra.

Observações

*1 - DOF: Sé Catedral do Santíssimo Salvador. *2 - Já em 1528, existe a intenção de criar uma diocese nos Açores, visto D. João III fazer mercê do "bispado das ilhas Terceiras" a António de Azevedo Coutinho. No entanto, só em maio de 1532, D. Martinho de Portugal foi encarregue de solicitar ao papa a ereção de vários bispados, entre os quais um nas ilhas dos Açores, com sede na ilha de São Miguel. A "Cedula Consistorialis", do papa Clemente VII, de 3 de janeiro de 1533, cria o bispado da ilha de São Miguel, referindo, contudo, a necessidade de fazer cidade "ou aldeia na qual existe a dita igreja de São Miguel", constituir a dita igreja em Catedral, sob a mesma invocação, mas devendo ampliá-la. Clemente VII acabou por morrer, a 26 de setembro de 1534, sem expedir a bula de ereção do novo bispado e, face à necessidade de elevar a cidade a povoação que viria a ser sede do bispado, D. João III acabaria por escolher a vila de Angra. A bula "Aequum reputamus" do Papa Paulo III, estenderia a jurisdição às demais ilhas dos Açores. *3 - A imagem de Nossa Senhora da Graça foi trazida da Flandres por Francisco Ratto, mordomo da confraria do mesmo nome. Na antiga igreja, esta imagem estava "de persi na dita Sé mo remate do Arco da Sé Velha fora da capella Mór á banda da Epistola" mas, com a sua demolição, a imagem foi colocada no altar-mor, onde esteve entre 1587 e 1687. *4 - D. Agostinho escreve ao rei dizendo as diligências feitas junto da Câmara, do corregedor e de outras dignidades, para se construir a nova Sé, queixando-se que a atual se encontra "muito desbaratada" e com falta de paramentos. Na carta explica que aqueles concordam "(...) mas ate agora nunca pude acabar com eles, que se tomasse conclusam nem cuido que há tomaram", pelo que solicita apoio e "que se faça e lancem taxa por que doutra maneira nunca se fará". *5 - No alvará de 1572, D. Sebastião determina que "eu hei por bem, e me apraz, que os arcos que vão traçados na traça da Sé, que mandei fazer na cidade d'Angra da ilha Terceira, que se façam de pedraria à custa de minha fazenda, do dinheiro que é aplicado para as obras da dita Sé; os quaes arcos se farão conforme, e não como vão traçados de riscos vermelhos na mesma traça; e os corpos das capellas que se hão-de fazer nos ditos arcos se farão à custa das pessoas a quem se derem. E assim hei por bem que se façam na dita Sé duas portadas travessas no corpo da egreja em os logares que para isso vão assignados na traça, a qual é assignada por João Carvalho, fidalgo da minha casa, e provedor das minhas obras". *6 - No regimento de 14 de agosto de 1642, o capitão general António Saldanha, enviado à ilha Terceira por D. João IV, determina que "os três mil cruzados, consignados para a feitura da Sé, se não continuassem a dar, por haver necessidade de fortificar a costa; e porque se davam havia mais de 60 anos, e neste espaço se tinha feiro de tal dinheiro muitas despesas supérfluas: portanto, que, concluída a fortificação, tomando-se assento, assignado pelo bispo, corregedor, e provedor, se efetuasse o acabamento do templo". Contudo, uma provisão de D. João IV, de 11 de março de 1644, ratifica a consignação dos três mil cruzados: "(...)e tendo em consideração a necessidade de que a igeja da See tem de se acabarem e aperfeiçoar suas obras e que António Saldanha não tinha ordem para desistir a consignação dela noutro efeito, maioritariamente estando minha Fazenda obrigada em razão dos dízimos que se cobrem dela às despesas extraordinárias do céu e Igreja Ultramarina, conforme o Breve do Sumo Pontífice, houve por bem de resolver que os três mil cruzados de cada ano dos direitos do pastel que se carrega para fora da ilha de São Miguel, e de minha Fazenda, que estavam consideradas para as obras da See, e lhe tornem a aplicar como dantes, e que a obra vá por diante até de todo ficar em sua perfeição, o que muito vos encomendo que por nossa parte façais executar nesta conformidade e me aviseis de assim o haverdes feito para o ter tendido". *7 - A extinção do cargo de mestre-de-obras da Sé poderá fazer pensar que as obras da igreja estavam quase concluídas. Segundo Valdemar Mota, as obras rondaram os 60 000$000. Segundo o Pe. Maldonado é provável ter-se gasto, até o ano de 1700, 200.000 cruzados, dizendo, no entanto, que ainda "não estão em todo findas por se acharem os entalhados da Capella mor sem o douramento pera que forão obradas, e outrosi a Sacristia sem Caixões para a guarda dos Ornamentos como também os entalhamentos e brutescos do exteirado Superior da mesma Sacrestia e respaldos, que a ser tudo obrado com a perfeição deuida se avalião estas obras que faltam em mais de trinta mil cruzados". *8 - O frontal de altar, em prata, foi encomendado pelo tesoureiro da confraria Luís de Carvalhal ao ourives e seu compadre Manuel Carneiro de Lima, natural do Porto e residente em Angra. A prata era entregue ao ourives em doses certas, que a trabalhou, pano a pano, tendo os primeiros cinco panos sido executados até 1709. Para ajudar a acabar o frontal foi necessário comprar a Manuel Neto Fagundes um jarro de prata, por 18$750, que se entregou ao ourives. O frontal, concluído em 1720, levou 62 marcos, 5 onças, 5 oitavas e 36 grãos de prata, que importou em 390$850; o feitio, a 3$200 o marco, foi de 200$675, a madeira e a quem pesou a dita prata custou 6$880. No total, o frontal importou em 598$405. *9 -Apesar desta determinação, os mesários da confraria do Santíssimo Sacramento, conseguiram fazer um acordo, datado de 21 de julho, em que a confraria entregava ao Estado 1:11.000$200 em vez dos vários objetos de prata da sua capela. Para conseguir salvar o frontal de altar, a confraria argumentou que a capela possuía "um frontal de folha de prata muito delgada que pesando muito pouco era necessário mais despesa para se pôr um de pedra". Deste modo, obtiveram despacho favorável do Conde de Vila-Flor, capitão General das Ilhas dos Açores, para que, em vez da prata existente na capela, fosse entregue o seu valor em "moeda metálica", que os peritos avaliaram em 1:11.000$200, e para o que se empenhou em várias mãos a prata e os bens do Santíssimo. Mais tarde, a 26 de junho de 1831, a Junta da Fazenda impõe ao Cabido que mande apear todos os sinos existentes na ilha, deixando apenas uma garrida em cada igreja e, na Sé, também os sinos pertencentes ao relógio. Em 1891, o Governo viria a indemnizar a Sé com títulos de dívida no valor de 690$000, pela prata e sinos enviados anteriormente para a Casa da Moeda. *10 - A capela-mor da Sé desde cedo apresentou problemas de má iluminação. Segundo a tradição, teria sido o padre António Vieira aquando da sua pregação na igreja, em 1657, na festa de Nossa Senhora do Rosário, o autor da ideia de se abrir uma janela para resolver o problema da capela-mor ser muito escura. Assim, cortou-se "o trono que fica acima do altar-mor, e na parede de trás se abriu uma grande janela; porém esta luz inteiramente oposta feria os olhos dos assistentes e não deixava reflectir bem os objectos". Mais tarde, o trono foi reposto no camarim e a janela tapada. No início do séc. 19, o bispo D. José Pegado de Azevedo, apoiado pelo capitão general D. Miguel António de Melo, acalentou a ideia de construir um zimbório na capela-mor. Depois, em 1818, o governador Aires Pinto de Sousa fez renascer a ideia mas, devido à falta de verbas, a mesma não foi concretizada. *11 - O Monsenhor Cónego Ferreira ofereceu uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes, que ele próprio comprara em Lourdes, deslocando-se para a sacristia dos cónegos a imagem do Crucificado conhecida por "Senhor Velho", existente na capela. O arcediago Luís F. da Rocha ofereceu um crucifixo para a mesma capela mas, por ser a imagem pequena, posteriormente o bispo D. Manuel Damasceno da Costa ofereceu uma maior, mas que não foi do agrado geral. *12 - A anterior imagem do Santíssimo Salvador fora entregue ao Pe. João Evaristo, o qual a deixou em testamento à Igreja Paroquial da Agualva, a sua freguesia natal, mas que ali não se encontra, podendo ser talvez a de maiores dimensões existente no Museu da Sé. *13 - Antes do terramoto de 1980 e do incêndio de 1983, a Sé de Angra possuía as cantarias das arcarias interiores pintadas a marmoreados fingidos e tinha onze retábulos nas capelas e altares. Na nave central, dispunham-se nos vãos do quinto arco dois órgãos confrontantes. O do lado do Evangelho, do Pe. Joaquim Silvestre Serrão, era mais pequeno. Possuía a caixa paralelepipédica, com um castelo e dois nichos laterais, divididos por pilastras, o primeiro com os tubos em meia cana e disposição diatónica em teto, e os nichos em harpa e disposição cromática; gelosias vazadas por motivos fitomórficos. Na base surgiam os tubos de palheta, dispostos em leque. Rematava em cornija, com albarradas laterais e espaldar brasonado central. A caixa tinha ainda apainelados decorados com motivos musicais. O órgão assentava em coreto de perfil convexo assente em estípetes, com guarda vazada. O órgão de tubos do lado da Epístola, o oferecido por D. Maria I, tinha caixa trapezoidal, com apainelados, e era composto por três castelos, com tubos de disposição diatónica em teto, e com quatro nichos sobrepostos divididos por estípetes, os inferiores em disposição cromática e os superiores em diatónica em teto, com gelosias em cortina nos castelos e em harpa nos nichos inferiores. Na base dos castelos, surgiam os tubos de palheta. Rematava em friso e cornija sobreposta sobre os castelos por espaldar recortado, tendo o central as armas de D. Frei João Marcelino. O órgão assentava em coreto igual à do outro órgão. Os púlpitos tinham guarda em balaustrada. No topo da nave dispunha-se o coro capitular, delimitado por teia, com cadeiral entalhado, de espaldar retilíneo, seccionado em vários lugares, com braços volutados, sendo o primeiro assento maior e mais alto; tinha remate em friso decorado e cornija, encimada, sobre cada um dos lugares, por pequeno espaldar e o primeiro por brasão real sobre querubim e sobreposto por cruz. O arco triunfal era revestido a talha, decorada com apainelados integrando dois nichos com imagens de São Pedro (Evangelho) e São Paulo (Epístola). As colunas da capela-mor eram douradas e tinham alegorias. O retábulo-mor, de um eixo, albergava no nicho trono e a imagem de São Salvador e, na frente do camarim, dispunha-se a imagem de Nossa Senhora da Conceição. No centro da capela-mor havia um candelabro das trevas. Na nave lateral do Evangelho, o batistério tinha silhar de azulejos de tipo "caixilho", verdes e brancos, sob o silhar de azulejos de "massaroca". A capela lateral das Almas tinha as imagens de São Francisco de Borgia e Santo Amaro e uma recente de São João Batista menino. A capela dos Anjos, em barroco de estilo nacional, era revestida a talha dourada, com arco de volta perfeita decorado por acantos sobre pilastras com mesma decoração, encimado por frontão triangular com tímpano de apainelado de acantos; tinha retábulo de talha, de planta reta e um eixo, definido por duas pilastras ornadas de acantos, sobre plintos, e por duas colunas torsas de espira fitomórfica, sobre mísulas e com capitéis coríntios, que se prolongavam no ático em duas arquivoltas, unidas por aduelas; ao centro abria-se nicho em arco de volta perfeita, interiormente revestido a talha com amplo resplendor e albergando as imagens da Virgem e de São Domingos. Sobre o altar possuía as imagens de São João, Santo Amaro e São Jorge. A capela de Nossa Senhora do Rosário possuía retábulo com os "Mistérios do Rosário", ou seja, 15 altos-relevos, do séc. 18, com representação da Anunciação, Visitação, Presépio, Jesus no Templo, e Purificação de Nossa Senhora, Jesus entre os Doutores, Jesus no Horto, Flagelação, Coroação, Cristo a Caminho do Calvário, Crucificação e Morte de Cristo, Ressurreição, Ascensão, Pentecostes, Assunção da Virgem e Coroação da Mãe de Deus. No altar figurava a imagem de Cristo crucificado e no trono a de Nossa Senhora de Fátima. Lateralmente tinha duas telas setecentistas representando Nossa Senhora a entregar o terço a São Domingos e a Anunciação. Tinha ainda um presépio, do séc. 18, da Escola Machado de Castro, que pertencera ao convento de São Francisco de Angra, com as faces exteriores das portas pintadas com as efígies do mártir Beato João Baptista Machado que, segundo a tradição, fora batizado na Sé. A capela do Santíssimo Sacramento era cerrada por portas entalhadas. No interior possuía retábulo de talha tardo-barroca, de planta reta e um eixo, definido por parastase, com pilastras ornadas de motivos vegetalistas e colunas caneladas, de terço inferior marcado, sobre plintos paralelepipédicos, e de capitéis coríntios, coroados por vasos e sustentando o ático; ao centro possuía tribuna em arco recortado, albergando trono expositivo de cinco degraus facetados e decorados com festões e laçarias, encimado por maquineta; tinha o banco decorado com elementos vegetalistas e o altar paralelepipédico com frontal de prata. Da cobertura pendiam três lâmpadas de prata. Sobre o arco tinha cartela com um Agnus Dei e a inscrição "Ecce Tabernaculum Dei cum hominibus". A sacristia do Santíssimo ficava entre a capela das Almas e a de Santa Ana. Na nave lateral da Epístola, o altar da capela de São Brás de Sebaste tinha uma imagem de orago e as de Santa Rita e Santa Águeda. A capela de Santo António era semelhante à dos Anjos, mas o retábulo tinha um eixo definido por quatro colunas torsas com espira fitomórfica e duas pilastras intermédias, assentes em mísulas e plintos, respectivamente, que se prolongavam em igual número de arquivoltas, unidas por aduelas; ao centro, o nicho tinha imaginária e o banco apainelados de acantos. Tinha altar tipo urna com frontal decorado. A capela de Santo Estêvão, possuía duas telas representando São Francisco de Assis e Santo António. A sacristia dos Cónegos tinha três armários de cedro e uma cómoda estilo D. José, uma imagem do Coração de Jesus, oferecida por D. Maria I, e um Crucifixo, do séc. 18. A sacristia maior tinha cobertura de madeira, com revestimento de estuque, e, ao centro, quadro da Imaculada Conceição, que pertenceu à Junta da Fazenda. Sobre o arcaz, existiam, ao que parece por volta de 1857, as estátuas dos Evangelistas, num lado, e, no outro lado, as dos Quatro Doutores da Igreja; no altar tinha a imagem de Cristo e a Virgem do Rosário com o Menino; tinha ainda tela, talvez do 18. A sacristia de São Pedro tinha o teto com decoração do séc. 17, similar ao do salão nobre dos Paços do Concelho de Velas, da ilha de São Jorge, e uma mesa do séc. 17, com pernas duplas. Segundo Pedro de Merelim, as torres tinham duas garridas e quatro sinos, além dos do relógio. A garrida do 2º andar da torre O., inutilizada, tinha a inscrição "Francisco Rodrigues Bellas o fez em Lisboa no anno de 1834" encimada por uma cruz. No 1º andar da mesma torre, havia um sino maior com inscrição igual na bordadura, mas de 1843 e, na face frontal, a figura de uma pomba - símbolo do Espírito Santo. No 2º andar da torre E. estava uma garrida sem inscrição; no 1º andar, o sino frontal tinha a figura de Nossa Senhora e a inscrição "IN CONCEPTION TUA IMMACULATA FUISTI" e, na parte inferior da frente, uma outra inscrição "F. A. GUERR E JOÃO C. L. f. ANNO DEI 1791". A meio tinha de, um lado, a figura da Virgem e, do outro lado, uma cruz grega; na parte superior, do lado de fora tinha gravada uma mão, apontando para a inscrição "ECCE SIGNUM SALUTIS". O sino maior que estava no lado direito da mesma torre E., tinha na borda superior a inscrição "DEIPARAE VIRGINI DICATUM." A meio tinha a figura da Virgem e, do lado posterior, o monograma I-H-S-; na borda do lado posterior, lia-se "LUCAS ROIZ PALAVRA f. ANNO 1713". No sino do lado esquerdo desta torre, que estava inutilizado, e cuja tradição o designava de Nossa Senhora do Rosário, tinha na borda inferior a inscrição "F. A. GUERRA E JOÃO C. L. f. ANNO 1791".

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

 
 
 
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