Edifício dos Paços do Concelho de Praia da Vitória

IPA.00008174
Portugal, Ilha Terceira (Açores), Praia da Vitória, Praia da Vitória (Santa Cruz)
 
Arquitetura político-administrativa, quinhentista e seiscentista. Paços do concelho de planta retangular com torre sineira adossada, esquema também existente nos Paços do Concelho de Ponta Delgada (v. PT072103120081), Ribeira Grande (v. PT072105090004), de Vila Franca do Campo (v. PT072106030015) e que tinha o edifício seiscentista de Angra do Heroísmo (v. PT071901160037), com o típico contraste entre o branco e os elementos estruturais e decorativos em cantaria basáltica. Fachadas evoluindo em dois pisos, separados por friso, com cunhais apilastrados e vãos retilíneos. A fachada principal tem balcão alpendrado central, precedido por dois lanços de escadas, com acesso ao andar nobre, rasgado por dois portais e, lateralmente, por duas janelas de sacada comum, com guarda em ferro. No piso térreo abrem-se, ao centro, dois vãos abatidos com escadas de acesso ao interior sobrelevado, tendo as armas reais sobre o pilar central, e, lateralmente, uma janela de peitoril gradeada. A torre sineira quinhentista e mais alta, dispõe-se à direita, com dois registos, e acesso independente.
Número IPA Antigo: PT071905080001
 
Registo visualizado 178 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

Categoria

Monumento

Descrição

Planta retangular com torre sineira quadrangular adossada à fachada lateral direita, tendo esta adossada à fachada posterior corpo quadrangular posterior. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de quatro águas no corpo principal e no adossado, rematadas em beirada dupla, e em terraço na torre sineira. Fachadas de dois pisos, separados por friso, com alto embasamento de cantaria, cunhais apilastrados, formando quase contrafortes ao nível do piso térreo, e terminadas em friso e cornija. Fachada principal virada a NE., precedida por escada de cantaria avançada, de dois braços paralelos à fachada e patamar central comum, coberto por alpendre retangular de cantaria, com dois arcos deprimidos frontais e um de cada lado, assentes em pilares biselados sobre plintos paralelepipédicos, que interrompem a guarda da escada, formando falsa voluta; a guarda da escada é plena e em cantaria. Ao nível do piso térreo rasgam-se ao centro, sob o balcão alpendrado, dois vãos abatidos longilíneos, moldurados e mainelados, a partir dos quais se desenvolvem escadas até aos portais de verga reta, de acesso ao interior, sobrelevado. Lateralmente abre-se, de cada lado, janela de peitoril, com moldura superior integrada no friso separador dos pisos, e gradeada. Ao nível do andar nobre rasgam-se dois portais centrais de verga reta, sob o alpendre e, lateralmente, duas janelas de sacada, retilíneas e de sacada comum, com a consola frontalmente percorrida por frisos, e com guarda em ferro, decorada com elementos vegetalistas; o alpendre tem teto de madeira com travejamento aparente e todos os vãos deste piso possuem a moldura superior integrada no friso do remate do edifício. Sob o pilar central do alpendre surge brasão com as armas reais. Fachada lateral esquerda cega e terminada em cornija. À lateral direita, no alinhamento da frontaria, dispõe-se a torre sineira, de dois registos separados por friso e cornija, ainda que inferiormente possua pequeno ressalto, com cunhais apilastrados, e remate em friso e cornija encimado por platibanda plena capeada a cantaria, com acrotérios nos cunhais coroados por pináculos. No primeiro registo rasga-se portal de verga reta com moldura inscrita com a data de "1596" e, superiormente, janela jacente de capialço; no segundo registo abre-se, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita sobre pilastras, frontalmente albergando sino. O corpo adossado, igualmente com cunhais apilastrados, coroados por pináculos, e terminado em friso e cornija, é rasgado a NE. por janela de peitoril, sem moldura e a NO., com dois panos definidos por pilastras, por portal, à esquerda, e duas janelas retangulares jacentes, todos sem molduras. INTERIOR: cada um dos pisos é dividido em duas amplas salas, as dos piso térreo sem comunicação entre si e as do andar nobre intercomunicantes por vão central, correspondendo a sala do lado direito ao salão nobre e sendo a do lado esquerdo subdividida.

Acessos

Ilha Terceira; Praça Francisco Ornelas da Câmara; Rua de São Paulo

Protecção

IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 36 383, DG, 1.ª série, n.º 147 de 28 junho 1947

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Urbano, adossado, numa plataforma sobrelevada adaptada ao declive acentuado do terreno, formando frente de rua. À fachada lateral direita do edifício e posterior da torre adossa-se pequeno corpo, paralelo ao qual se desenvolve escadaria de acesso ao adro da Igreja Matriz; junto à fachada posterior possui pequeno logradouro, com cota mais elevada. Em frente desenvolve-se praça retangular, pavimentada a calçada à portuguesa, com motivos geométricos, tendo ao centro monumento evocativo da Batalha de 11 de agosto de 1829. No topo N. da praça ergue-se o Edifício dos Correios, Telégrafos e Telefones, CTT, da Praia da Vitória (v. PT071905080007) e a NO. a Igreja Matriz de Praia da Vitória / Igreja de Santa Cruz (v. PT071905080003).

Descrição Complementar

Sob o pilar central do alpendre surge brasão com as armas reais, envolvidas por elementos fitomóricos: [de prata]; cinco escudetes [de azul], postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes em cruz [prata], bordadura [de vermelho] carregada de sete torres [de ouro]. Encima-as coroa com cruz. Sobre a porta da torre sineira existe lápide com a seguinte inscrição, em nove regras: "ESTA É A CAMARA DE / DIOGO DE TEIVE E DE / ALVº MARTINS HOMEM / PERO DE BARCELOS / Q AQVI POVOARAM / E DAQVI ABRIRAM / À EVROPA OS MARES / DO OESTE. 1960 / ANO DO INFANTE".

Utilização Inicial

Político-administrativa: paços do concelho

Utilização Actual

Político-administrativa: paços do concelho

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Proprietário

Cronologia

1456 / 1474, entre - Praia era sede da capitania da ilha Terceira; 1474 - a ilha da Terceira foi dividida em duas capitanias, pelo desaparecimento do donatário, ficando a capitania da Praia a cargo de Álvaro Martins Homem; 1480 - elevação da Praia a sede de Concelho, ainda ao tempo de Álvaro Martins Homem; 1851 - batalha da Salga no contexto da Dinastia Filipina; 1582 - o pretendente ao trono de Portugal, D. António Prior do Crato, é aclamado rei aquando do seu desembarque na localidade; 1596 - data inscrita na moldura da porta da torre sineira assinalando a sua construção; 1614 - terramoto arrasa a povoação; séc. 17 - reconstrução do edifício dos paços do concelho; 1640 - aclamação na Praia de D. João VI como rei aquando da chegada de Francisco Ornelas da Câmara à ilha Terceira; 1829, 11 agosto - trava-se na Praia a batalha da Baía da Praia, integrada na Guerra Civil Portuguesa (1828 - 1834), conseguindo-se frustrar a tentativa de desembarque de uma esquadra de tropas miguelistas; 1837, 12 janeiro - carta régia de D. Maria II outorgando a Praia os títulos de "Mui Notável" e "da Vitória" em reconhecimento da vitória sobre as tropas miguelistas; 1841, 15 junho - grande terramoto, denominado de "Caída da Praia", causa grandes danos na vila; séc. 19 - reconstrução da vila por iniciativa do Conselheiro José Silvestre Ribeiro; séc. 20, início - fotografias retratam o edifício com gárgula quadrangular na pilastra do cunhal esquerdo e os vãos abatidos do piso térreo precedidos por escadas; 1946 - o piso térreo funcionava como prisão da vila; 1954 - fotografia anterior a esta data retrata o brasão com as armas reais sem coroa e, no local desta, as inscrições "1476 / 1540"; 1981, 20 junho - elevação da vila a cidade, passando a denominar-se de Vila da Praia da Vitória; 1983 - a cidade passa a denominar-se por Vila Praia da Vitória.

Características Particulares

Edifício dos paços do concelho de pequenas dimensões, (re)construído na primeira década do séc. 17, adossado à torre sineira do primitivo edifício quinhentista, com portal de acesso inscrito com a data de construção. Na fachada principal destaca-se o eixo central criado pelo balcão alpendrado, com arcos deprimidos sobre pilares biselados assentes em plintos que formam inferiormente volutas, interrompendo a guarda plena da escada de acesso ao andar nobre, o central sobreposto por brasão com as armas reais, e sob o qual se abrem os vãos para o piso térreo. Todos os vãos possuem as molduras superiores integradas nos frisos separadores dos pisos ou do remate do edifício, e as janelas de sacada têm a face frontal das consolas percorridas por frisos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e caiada; embasamentos, pilastras, frisos, cornijas, colunas, guarda da escada, balcão, pináculos e molduras dos vãos em cantaria basáltica; lápide de cantaria; guardas em ferro fundido; portas e caixilharia de madeira; vidros simples; cobertura de telha.

Bibliografia

MARTINS, Francisco Ernesto de Oliveira, Praia Fotomemória do seu concelho, s.l., Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1989; MERELIM, Pedro de, Freguesias da Praia, vol. 2, Angra do Heroísmo, Direcção Regional de Orientação Pedagógica, 1983; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos anos de 1957 e 1958, 2º vol., Lisboa, 1959; http://cm-praiadavitoria.azoresdigital.pt, março 2012; http://www.inventario.iacultura.pt/terceira/praiavitoria_fichas/32_19_57.html, abril, 2012; Ficha 81/Terceira do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores"; Ficha 2-E do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal da Praia da Vitória".

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DREMN, SIPA

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSARH, DGEMN/DSMN

Intervenção Realizada

DGEMN: 1954 - demolição do corpo adossado à fachada posterior e à lateral direita da torre sineira.

Observações

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

 
 
 
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