Castelo de São Brás / Forte de São Brás

IPA.00008227
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Ponta Delgada, Ponta Delgada (São José)
 
Forte com construção iniciada depois de 1560 e antes de 1567, com projeto inicial do engenheiro militar Isidoro de Almeida e reformado em 1569 pelo engenheiro italiano Tommaso Benedetto, com traçado abaluartado da escola Italiana. Tem planta quadrangular composta por quatro baluartes poligonais desiguais, dispostos nos ângulos, e cortinas retas, com escarpa exterior em talude, rematada em cordão e parapeito de merlões e canhoneiras. A intersecção de algumas faces dos baluartes com os flancos de perfil boleado tem levado alguns autores a, incorretamente, dizerem que os baluartes têm orelhões. A estrutura do forte foi um pouco alterada no século 18, com a sua ampliação e construção de três baterias acasamatadas, duas poligonais e uma curva, referidas pela primeira vez num relatório de 1767, e na primeira década do século 19, com a abertura de uma nova porta, virada a terra, com verga reta, encimada por brasão real e panóplias militares, e construção de um quartel sobre a cortina noroeste, absorvendo-a. No interior tem praça de armas quadrangular regular, enquadrada por quartéis retangulares, com acesso aos baluartes por rampa e escadas. Segundo Pedro Dias, o forte de São Brás constitui a primeira fortificação totalmente abaluartada levantada no espaço ultramarino português que chegou até aos nossos dias. É considerado o forte mais importante do século 16 e a mais poderosa fortificação da ilha de São Miguel, erguendo-se em posição dominante sobre a cidade de Ponta Delgada, defendendo o seu porto e ancoradouro. Durante a primeira Guerra Mundial procedeu-se ao arrasamento do fosso e caminho coberto e na segunda ao fecho das canhoneiras do parapeito ou das casamatas, para instalação de posições de metralhadoras pesadas, situação reposta em restauros mais recentes e abertura de túneis de comunicação. A antiga capela e cisterna existentes no interior, bem como o revelim existente na cortina este, foram demolidos ao longo das várias obras e arranjo da envolvente do forte.
Número IPA Antigo: PT072103160008
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Forte    

Descrição

Planta quadrangular composta por quatro baluartes poligonais irregulares e desiguais entre si, dispostos nos vértices e virados aos pontos cardeais, por três baterias, duas poligonais desiguais, dispostas a nordeste, entre os dois baluartes, e uma curva disposta a sudeste, entre os flancos dos baluartes, bem como por cortinas que interligam os baluartes. Paramentos em talude, com a escarpa exterior em alvenaria de pedra irregular, e cunhais aparelhados, coroados por cordão, existente essencialmente a norte e a oeste, e parapeito de merlões e canhoneiras, exceto na face norte da segunda bateria a nordeste e na virada a sudeste, as quais terminam em parapeito liso. A zona de encontro entre a face noroeste e o flanco dos baluartes norte e o de oeste, bem como a virada a nordeste do baluarte este são boleados. No ângulo flanqueado dos baluartes existem guaritas cilíndricas, as viradas a norte e a oeste cobertas por cúpula, coroada por pináculo piramidal sobre alto plinto paralelepipédico e rasgadas por vãos quadrangulares; as guaritas dos baluartes sul e este encontram-se truncadas à altura dos merlões, têm cobertura plana e são rasgadas por apenas dois vãos. Apresenta uma única entrada, rasgada no flanco da primeira bateria, sensivelmente a nordeste, com portal de verga reta de moldura almofadada, encimada por cornija contracurva, sobre a qual surge silhar com brasão das armas reais, coroado, e panóplias militares. Ladeia o portal duas pilastras em silharia fendida, coroadas por panóplias militares com a inscrição seccionada "ANNO / 1819". A segunda bateria a nordeste é acasamatada e termina em plataforma tipo barbete, sendo rasgada por canhoneiras em arco, um virado a nordeste e dois a sudeste. A bateria curva a sudeste, tipo casamata e com terrapleno coberto por vegetação, é mais baixa que a cortina e é rasgada por oito canhoneiras em arco, com o intradorso pintado de amarelo, existindo superiormente e no seu intervalo, gárgulas. Sobre a cortina sudeste desenvolve-se plataforma retangular a cavaleiro, com o topo sudoeste retilíneo e o oposto em ângulo, com parapeito liso ou de merlões e canhoneiras a sudeste. A face sudeste do baluarte sul possui sob o parapeito duas mísulas, talvez de um antigo balcão. INTERIOR: trânsito curto, com cobertura em abóbada, transposto o qual se erguem vários edifícios, com fachadas rebocadas e pintadas de branco e com faixa a preto. À esquerda do trânsito desenvolve-se o corpo poligonal da primeira bateria, com fachada virada a sudoeste de dois pisos, terminada em platibanda plena, e rasgada por vãos abatidos, sem molduras, as janelas com peitoril de cantaria. A este, adossa-se obliquamente edifício retangular, de um piso e cobertura em telhado de uma água, virado a pátio aberto desenvolvido na segunda bateria, a qual possui quatro casamatas cobertas com abóbada de berço. À direita do trânsito, na zona da antiga cortina, desenvolve-se edifício retangular, com cobertura em telhado de duas águas e com três pisos, o primeiro rasgado por dois vãos em arco de volta perfeita sobre pilastras, janelas retilíneas e, no topo este, por amplo vão abatido, com chave relevada, abobadado, sob o qual existe porta em arco de ligação ao pátio de armas; os dois pisos superiores são regularmente rasgados por janelas de peitoril, sobrepostas, com molduras de cantaria aparente. Este edifício tem paralelamente e virado ao pátio de armas, central e quadrangular, um outro, mais baixo, com telhado de uma água e, no ângulo este, com dois corpos alteados com telhados de quatro águas. O edifício frontal tem dois pisos rasgados irregularmente por vãos retilíneos, correspondo a portas e janelas, e dois portais abatidos; o edifício posterior é rasgado regularmente por dez janelas de peitoril e pequenos vãos jacentes. A norte adossa-se pequeno corpo retangular, de massa simples e cobertura em telhado de uma água. As fachadas, de dois pisos, são igualmente rasgados por vãos retilíneos, correspondendo a porta entre duas janelas jacentes e, no segundo piso, a três janelas de peitoril; virado a sudoeste, rasga-se porta de acesso ao segundo piso, precedida por escada. A sudoeste desenvolve-se edifício retangular mais alto que a cortina, com cobertura em telhado de uma água. Apresenta fachada de dois pisos, o primeiro rasgado por quatro arcos de volta perfeita, fechados por estrutura envidraçada e integrando portais retilíneos, e o segundo por sete janelas de peitoril retilíneas, molduradas. A noroeste adossa-se corpo retangular, com cobertura em telhado de duas águas e fachadas de dois pisos; o topo virado a nordeste termina em empena, possuindo no segundo piso porta de verga reta e, num nível inferior, uma outra porta e janela de peitoril; a sudeste é rasgado por porta e duas janelas de peitoril. A sudeste tem-se acesso à bateria curva, com casamatas intercomunicantes por vãos abatidos e cobertas por falsas abóbadas de berço. O acesso aos baluartes a partir do pátio de armas é feito por ampla rampa disposta a noroeste e por duas escadas, uma a sul, de perfil curvo, e outra a este. Sobre o baluarte sul, junto à face sudeste, dispõem-se duas baterias antiaéreas.

Acessos

Ponta Delgada (São José), Avenida Infante D. Henrique; Avenida Kope

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 39 175, DG, 1.ª série, n.º 77 de 17 abril 1953

Enquadramento

Urbano, marítimo, no limite oriental da cidade, no primitivo ancoradouro de Ponta Delgada. Implanta-se na orla costeira do Núcleo urbano da cidade de Ponta Delgada (v. PT072103120064), com a entrada virada à Avenida Infante D. Henrique e possuindo adossada à cortina virada a noroeste monumento dedicado aos soldados da 1ª. Guerra Mundial e fontanário, em frente do qual existe lápide de bronze com a inscrição "NESTE JARDIM, PRESIDIU À CELEBRAÇÃO DA PALAVRA E / REZOU PERANTE A IMAGEM DO SENHOR SANTO CRISTO DOS / MILAGRES, SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II, NO DIA / 11 DE MAIO DE 1991 / HOMENAGEM DO POVO DE SÃO MIGUEL". A cortina sudoeste comunica com o paredão marítimo e a de sudoeste virada a pequeno ancoradouro. Os paramentos norte e oeste são bordejados por placa arrelvada. A norte, do outro lado da avenida, desenvolve-se o Largo de São Francisco, onde se erguem o Hospital da Misericórdia (v. PT072103160000) e a Igreja de São José (v. PT072103160006) a oeste, o Convento da Esperança (v. PT072103160003) a norte, e o Edifício da Capitania (v. PT072103160000) e o da Alfândega (v PT072103160053) a este.

Descrição Complementar

Sobre o portal surge escudo ovado com as armas reais: [de prata] com cinco escudetes [de azul], postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes em cruz [prata], bordadura [de vermelho] carregada de sete torres [de ouro]. No Museu Militar dos Açores é possível visitar um núcleo onde tem uma exposição de fardamento e uma de artilharia, na bateria D. Maria II. Depois, visita-se o túnel da II Guerra Mundial, onde se expõem metralhadoras pesadas, uma sala de exposição permanente intitulada de "200 anos de armas brancas e de fogo", um conjunto de seis paióis do séc. 19, uma exposição de Engenharia e Comunicações militares, entre outras.

Utilização Inicial

Militar: forte

Utilização Actual

Militar: quartel / Cultural recreativa: museu

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

APONTADOR DAS OBRAS: Miguel Gomes de Mariz (1740). CARPINTEIRO: José Martins (1755). ENGENHEIROS MILITARES: Francisco Borges da Silva (1812-1819); Isidoro de Almeida (1552); Luís Gonçalves Cota (1585); Tommaso Benedetto de Pesaro (1567). MESTRES: Manuel Machado (1552-1553); Pero de Maeda (1552-1577). PEDREIRO: Manuel de Oliveira (1743).

Cronologia

1543 - apresenta-se a D. João III o plano para a fortificação dos Açores pelo engenheiro militar Bartolomeu Ferraz; não possuindo os açorianos de "fortalezas em que recolhao suas mulheres e fazendas", salienta a necessidade imperiosa de que em cada vila próxima da água "SSE fezesse hum castelo de pedra e cal espaçoso e de grossura e altura que baste a sse defenderem de lança e escudo e com seus travessões e artilheria, assy que detenção a desembarcação como a parte da terra onde forem necessários"; 1550, cerca - carta do ouvidor da ilha de São Miguel, Manuel Nunes Ribeiro, a D. João III solicitando a construção de uma fortaleza e o envio de artilharia para a defesa dos navios no porto de Ponta Delgada; 1551, 23 março - carta de Manuel Nunes Ribeiro, ouvidor de São Miguel, a D. João III informando já terem sido tomadas "Huas certas mididas no porto desta cidade de Ponta Delgada (...) para se fazer hua fortaleza (...) conforme ao matiz que Manuel Machado leva (...); o "Mestre das obras das capelas" dos Açores, Manuel Machado está a construir o molhe do porto de Ponta Delgada; 1552 - crítica ao projeto de Manuel Machado pelo engenheiro militar Isidoro de Almeida; início da construção do forte com projeto do engenheiro Isidoro de Almeida, numa ponta primitivamente denominada como Ponta de Santa Clara de Assis, devido à existência de uma capela com essa invocação no local; as obras são dirigidas pelo mestre Manuel Machado; o primeiro alcaide-mor é D. Manuel da Câmara, 6º capitão do donatário (entre 1552 e 1554), e o seu primeiro sargento-mor, é João Fernandes Grado; para as obras é lançado um imposto de 2% sobre o pastel e o açúcar, além de outras contribuições da população, tendo a obra orçado 36.672$542 cruzados; dezembro - vem a Ponta Delgada o eng. Isidoro de Almeida e seu irmão Inácio Gouveia para ver o que e necessário para a fortificação; 1553 - criação da Confraria de Bombardeiros para guarnecer o forte; 21 dezembro - D. João III ordena ao capitão do donatário da ilha a "obra do porto de São Braz (...) por ser mui necessária ao nobrecimento e fortificação da dita cidade (...), mas devia-se "recolhesse o molhe que se faz no porto mais para dentro do que hia assinado no traçado que levou manoel machado mestre da dita obra, do qual recolhimento mandei fazer traça que hora leva o dito manoel machado"; 1554, 25 maio - chega à ilha a Confraria de Bombardeiros, composta por nove bombardeiros, sob o comando do condestável Lourenço Baldaíque, que também traz artilharia, pólvora e munições; posteriormente esses homens retornam ao continente, permanecendo apenas o condestável, para instrução de trinta micaelenses alistados; 1555, 15 julho - alvará refere Manuel Machado como mestre da obra do porto da Ponta de São Braz, a quem o rei atribui $200; 1557, 30 outubro - alvará de D. Maria informa o ouvidor Jorge Correia de ter sido determinada a construção da fortaleza, cuja obra "mandei dar dempreytada a Manuel Machado"; 1560, 18 março - autoriza-se a demolição de algumas casas "pera ha dyta fortaleza se fazer"; 1560, década - o Município queixa-se porque o dinheiro atribuído dos 2% sobre a carne e o vinho é aplicado em fontes e igrejas, aposentadorias dos corregedores, meirinhos, contadores e feitores e não nas obras do forte; 1567, 08 marco - o cardeal D. Henrique comunica ao capitão Manuel da Câmara ter mandado a São Miguel o engenheiro militar italiano Tommaso Benedetti da Pesaro para estudar os lugares e portos que importavam fortificar; ordena-lhe que acompanhe o italiano, levando também Pero de Maeda, "mestre da honra da fortaleza que por hora ffaz por meu mãodado na ponta dellguada", cabendo a esse a missão de anotar as distâncias e balizas das obras que tiverem de se fazer nos sítios que o dito Benedito assinalar; 10 março - o provedor da Fazenda Real em São Miguel, Francisco de Mariz, e encarregado de fazer arrecadar a cobrança da nova quantia imposta e de atuar nos devedores e pessoas que tiverem de pagar; ele também como provedor das obras tem, por imposição do cardeal D. Henrique, de zelar por que elas se fizessem com a brevidade conforme "aos asentos que o dyto Manoell da câmara e tomas Benedito tyuerem feyto seguyndovem toda a ordem que nelas estiver dada haserqua (d)o fazer das honras que a de preseder Huas as que se asentar que se fasao premeiro esas fareis loguo..."; Tommaso Benedetto de Pesaro achando que o inimigo surgiria forçosamente por mar, considera que a defesa se deveria concentrar nos portos e ancoradouros, guarnecidos pelas populações locais sob a responsabilidade dos respetivos concelhos; alvará concede 1000 cruzados para as obras, além dos 20$000 que se manda para as ditas obras; 1569, 15 fevereiro - transmite-se a urgência ao capitão donatário de que fosse executado o que com Tommaso Benedetto ficara estabelecido, anunciando-lhe que, "coamto hás honras da fortefycacao desa sydade da ponta dellguada eu vos emvjo a trassa e hapomtamentos dela"; 1575 - o acréscimo da plataforma à cortina este leva o guardião do Convento de São Francisco a a proceder a críticas; 1577 - até esta data continuaram as obras do forte sob a direção do "Mestre de Fortificação" Pero de Maeda, natural de Meruelo, na Cantábria; 27 março - o vigário da paroquial de São Pedro faz saber ao ouvidor do capitão de São Miguel que refizesse os muros da cerca dos frades de São Francisco que haviam sido derrubados para se construir os muros da fortificação; 1580, 08 abril - o forte é considerado "estar em modo defensável", faltando-lhe apenas as obras complementares, concedendo-se a Rui Gonçalves da Câmara, na capitania de São Miguel, a nomeação de homens de qualidade e confiança para a sua guarda e defesa, os quais nele teriam habitação permanente, e cada um receberia 18$000 anuais; 1582, junho - ataque a Ponta Delgada pela esquadra francesa de D. António, Prior do Crato, sob o comando do almirante Filipo Strozzi; ocupação do forte, então sob o comando de Pero Peixoto da Silva, e saque da cidade; 26 julho - derrota da armada do Prior do Crato pela armada espanhola comandada por D. Álvaro de Bazán, 1º marquês de Santa Cruz de Mudela, na Batalha Naval de Vila Franca; com a conquista dos Açores, o forte passa a ser guarnecido por tropas espanholas; estas referem que o "El Castilho es una muy Ruyn fuerça pues no puede servir de mas que de defendella de lança y adarga", porque "no tiene dentro placa en que hazer ningun reparo para nada (...), tao pouco tiene una sisterna, ni un Bocado de bastimento sino que esta como una cassa yerma (…)"; 26 outubro - Pedro Coco Calderon informa irem "muy adelante" e com pouco dispêndio a construção da cisterna, reparos e parapeitos; 1583, início - Agustin Iniguez informa o rei que os reparos no forte iam adiantados e a cisterna já estaria concluída se não fosse a pedra que dela haviam tirado, estando para iniciar-se a sua cobertura; junho - está concluída a obra de pedreiro; junho - verificação do forte por Juan de Bazan que diz estar muito melhor do que estava e "todo a havido muy buena quenta"; 03 setembro - previa-se a conclusão das novas caserna (7 casas de um piso) dentro de um mês e meio; contudo, o conde de Vila Franca do Campo veio a considerar necessário fazer mais três dentro do forte, cada uma de três pisos; abandona-se a construção da cisterna; 1585 - encomenda do traçado da plataforma retangular entre os dois baluartes da cortina este a Luís Gonçalves Cota; séc. 16 - construção no interior do forte de uma capela dedicada Santa Bárbara, padroeira da artilharia; séc. 16, finais - reforço da cortina a este com a construção de um revelim, com traçado de Luís Gonçalves Cota; 1598 - está parada a obra do revelim; 1612 - ainda está por concluir o revelim da cortina este; séc. 17, meados - o forte entra em decadência; segundo o major engenheiro João Leite de Chaves Melo na "Relação dos Castelos e mais Fortes da Ilha de S. Miguel...", o castelo, fronteiro ao ancoradouro e defendendo o porto da alfândega, tem "hu'a ruina de 53 palmos e 7 polg.as de extenção na face exposta ao mar, do Baluarte de S. Pedro, de 30 d'alto, e 21 de profundid.e na rais da muralha, em q.' bate inceçantem.e o mar", precisando imediata re-edificação, para evitar a total ruína; algumas das prisões, armazéns e casas estão sem sobrado e, as que o têm, está muito velho; chove no seu interior e, de modo geral, precisam ser re-edificados; tem 25 peças de bronze e de 3 ferro, estas no chão; 1740, 24 maio - Miguel Gomes de Mariz é nomeado apontador das obras; 1760, 01 novembro - António Borges de Bettencourt, sargento-mor e governador de São Miguel, informa o rei do "mizeravel estado em que se acha as fortalezas, tanto desta Cidade, como das villas e mais lugares", dizendo que a ilha não está em condições de defender-se e resistir a uma invasão; 1761 - orçamento de obra de carpintaria para três quartéis de 12 por 8 côvados cada, dois de 12 por 10 côvados, dois com 14 por 12 côvados, três portais e uma janela no valor de 459$300 de madeiramento e 272$000 de feitio da obra, pregos e fechadura, num total de 731$300, mas que acaba por não se realizar; 1762 - o governador da ilha informa que o forte de São Brás e os outros da ilha estão prontos para a defesa, depois de apurados esforços para os salvar da ruína em que estavam; 1767 - o governador e capitão-general, D. Antão de Almada, determina que o sargento-mor de Infantaria com exercício de Engenharia, João António Júdice, fizesse revista às fortificações das ilhas de São Miguel e da Terceira; o relatório refere que o forte de São Brás está em bom estado, sendo apenas urgente dotá-lo de artilharia operacional; já faz referência a três novas baterias exteriores; refere-se ainda que um corpo da guarda está mal construído por ser feito no fosso, concluindo-se que não precisa de momento de nenhuma obra; 1796 - data de um conjunto de plantas não assinadas, representando o forte com as três baterias casamatadas, para instalação de artilharia de grosso calibre, complementando o poder de fogo da cortina e baluartes a sul; 1810, 26 outubro - alvará do príncipe regente D. João estabelecendo um porto franco em Ponta Delgada; 1812 - o capitão do Real Corpo de Engenheiros, Francisco Borges da Silva, manda proceder a obras de remodelação do forte: reconstrução das três baterias casamatadas, denominadas de "Príncipe Regente", "Príncipe de Bragança" e "Ponta Delgada", construção de um armazém à prova de bombas para a pólvora e a palamenta, alargamento da esplanada exterior à custa da cerca do vizinho Convento de São Francisco e abertura de um fosso ao longo da frente terrestre; construção de um armazém e de sete paióis à prova de bomba; adaptação das cortinas sul e norte a plataforma de morteiros; construção de uma nova porta de entrada, a atual; desenvolvimento ou redireccionamento de novas canhoneiras; alargamento da esplanada; aumento da artilharia com a instalação de morteiros e alargamento das cortinas com a construção de seis paióis à prova de bombas; 1819 - data inscrita as panóplias militares da porta fortificada; apesar das recomendações contrárias do capitão Francisco Borges da Silva, procede-se à construção de um quartel para o Batalhão de Infantaria n.º 2 sobre a cortina este, sob ordem do Governador Militar; 1835 - Revolta dos Calcetas durante o período das Guerras Liberais; 23 abril - os prisioneiros partidários de D. Miguel, detidos pelos Liberais nos calabouços do forte e condenados a trabalhos forçados, calcetando ruas, levantam-se em revolta, sob a liderança de Sebastião Forjaca; conseguem dominar as dependências do forte, por algumas horas, tendo depois sido novamente detidos; 24 abril - os revoltosos são fuzilados no adro da Igreja do Convento dos Franciscanos, decapitados e decepados, tendo as cabeças e os corpos permanecido expostos ao público no Campo de São Francisco; os seus restos mortais são posteriormente salgados e sepultados em barris no campo fronteiro ao forte, por outros detentos, "um chamado Tarolé, o Manuel Pucarinha, de Rosto de Cão, o Larangeira, da Ribeira Grande, e o preto das tias de Duarte Borges porque ali apareceu"; estes homens são enterrados vivos juntamente com os corpos mutilados dos revoltosos; 1868 - cedência da esplanada a este e bateria de Ponta Delgada à administração das obras do Porto de Ponta Delgada; séc. 19, finais - ajardinamento do campo fronteiro ao forte, tendo-se posto a descoberto os esqueletos dos participantes da Revolta dos Calcetas; 1902 - demolição da capela do forte, dedicada a Santa Bárbara; 1906 - entrega à Câmara Municipal da esplanada a norte; 1914, depois - arrasamento do fosso durante a 1ª Guerra Mundial; 1918 - construção de uma base aero-naval americana e respetivos edifícios de apoio a oeste e a norte do forte; posteriormente, desmontam-se estas obras provisórias e a zona correspondente à antiga esplanada é ajardinada e alugada a privados; 1935, 04 novembro - inauguração na área do portão de armas do Padrão aos Mortos da Grande Guerra, de autoria do arquiteto Raul Lino e do escultor Diogo de Macedo; 1940 - o forte passa a servir como sede do Comando Militar dos Açores; 1941 - construção de um hangar de hidroaviões junto ao forte pela Marinha de Guerra Portuguesa; 1993 - despacho determina a instalação no forte de um museu militar; 1999 - início da instalação do museu militar; 2003 - desmantelamento do hangar de hidroaviões; 2004 - instalação do arquivo do museu militar no forte de São Brás; 2006 - inauguração do museu militar dos Açores; 2013, 14 agosto - Anúncio de procedimento n.º 4171/2013, DR n.º 156, 2.ª série, relativa à empreitada de reordenamento da inserção da Avenida Kopke com o cais comercial de Ponta Delgada e o lado sul do forte, incluindo execução e reparação de pavimentos, execução de vedações e construção de instalações sanitárias; 2015, 20 junho - inauguração oficial do Arquivo Documental do Museu Militar dos Açores após obras de remodelação do edifício, pela Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria ou de cantaria de pedra basáltica no forte e rebocada e pintada nos edifícios interiores; portas de madeira; cobertura de telha.

Bibliografia

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Documentação Gráfica

DGEMN/DRM; Ministério do Exército: IE; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Documentação Fotográfica

SIPA, DGEMN/DRML

Documentação Administrativa

DGEMN/DSARH

Intervenção Realizada

1582 - diversas obras de beneficiações do forte, nomeadamente a implantação da cisterna ao centro da praça, ao nível dos quartéis; 1732 / 1734 - pequenos consertos de carpintaria nas portas e carretas, construção de um telheiro, portas e janelas; 1743 - paga-se ao oficial de pedreiro Manuel de Oliveira 558$080 de reparações; 1755 - o carpinteiro José Martins recebe 25$000 pelo primeiro quartel da obra de reparos e consertos, nomeadamente na ermida; séc. 18, 2ª metade - obras de conservação e restauro do forte pelo governador e sargento-mor da ilha, António Borges de Bettencourt; 1941 - várias obras de adaptação durante a Segunda Guerra Mundial: entaipamento das antigas canhoneiras para instalação de posições de metralhadoras pesadas, abertura de túneis de comunicação, reforço de algumas coberturas para resistirem a bombardeamentos aeronavais, trabalhos de camuflagem, sendo o perímetro dos baluartes e cortinas rasgado em trincheiras para a infantaria; 1954, abril - memória descritiva e justificativa elaborada pelo Chefe da Delegação do Serviço de Fortificações e Obras Militares dá conta que o forte se encontra em péssimo estado de conservação, com as muralhas recobertas de ervas em grandes extensões, com apoios de fios telefónicos e de condutores de eletricidade, o que provocara fendas nas mesmas, estando em ruínas nalguns pontos, as guaritas em péssimo estado; elaboração de estimativa dos trabalhos referentes à muralha que dá para a Praça 5 de Outubro; 1956 - elaboração de proposta pelo engenheiro Luíz Lopes Cabral, residente na cidade; informa-se a DGEMN que é necessário proceder a obras de reconstrução de um dos baluartes, sendo as obras confiadas ao Conselho Administrativo do Comando Militar do Arquipélago dos Açores; 1957 - obras de reparação da muralha do forte; 1999 / 2000 / 2001 / 2003 - trabalhos de consolidação do forte, a nível das escarpas das cortinas e baluartes até ao cordão, exceto a do lado este, por ter adossado o hangar da Marinha; desobstrução das canhoeiras das baterias; limpeza e consolidação da muralha; adaptação de algumas instalações para a direção e serviços administrativos do museu, biblioteca e salas de exposições; recuperação de uma bateria acasamatada e de 6 paióis à prova de bomba; 2004 - substituição da cobertura da bateria acasamatada D. Maria II e guarnecimento do antigo aquartelamento, financiado pelo Estado-Maior do Exército; 2006 - início da musealização do pátio de armas; 2010 - arranjo da zona envolvente a sul do forte; 2014 / 2015 - obras de recuperação global do forte e remodelação do Arquivo aí instalado, no valor de 300 mil euros, incluindo a aquisição de estantes e climatizador.

Observações

*1 - Alguns autores fazem referência ainda ao nome do engenheiro italiano Pompeu Arditi, que acompanhou Benedetto aos Açores na mesma época, tendo-se demorado em Ponta Delgada durante um mês e meio no Verão de 1567, como co-responsável pela alteração da traça do forte, num desenho avançado para a época sugerindo refletir ideias do tratadista Pietro Cataneo.

Autor e Data

Paula Noé 2012

Actualização

Paula Noé 2015
 
 
 
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